Capítulo XIII
Quarta-feira, 18 de novembro.
No quarto, às 00hs.
Hoje acordei bem animada e sei que isso parece um pouco sem sentido, por que, afinal, quem consegue acordar animado? Mas o negócio é que estava totalmente empolgada com a organização da festa de encerramento do campeonato de futebol.
A primeira coisa em que pensei foi em fazer algo diferente dos anos anteriores e, para falar a verdade, isso não seria muito difícil, já que quando Laurie estava no comando todas as festas foram na Mansão dos McLoren, com um DJ e restrita apenas aos amigos dela, ou seja, os filhotinhos de cruz-credo.
Nesse ano será um evento aberto para todos os alunos, afinal é o encerramento do campeonato e todos têm o direito ao acesso à festa. E claro que não vai acontecer na casa de ninguém, até por que acho difícil uma casa suportar todos os alunos de Hogwarts, por isso pediria ao permissão para realizar o encerramento no Salão Principal, lugar suficientemente grande, capaz de abrigar todos os alunos e ainda sobrar espaço.
Mas não quero que a festa seja diferente só neste aspecto, por isso, pensei que, ao invés de termos um DJ, seria mais legal colocar uma banda que tocasse músicas ao vivo. E pensei em chamar a banda dos gêmeos. Sabe, andei observando, atentamente, os ensaios e eles tocam muito bem! Tudo bem que é só rock, mas é muito legal.
Além disso, podemos amenizar a história de só tocarem músicas de rock com uma apresentação antes, tipo, uma apresentação cover de algum grupo pop famoso. Um dia desses, Colin e eu vimos na televisão um grupo cover das Pussycat Dolls e, apesar de não ser a maior fã delas, vou entrar em contato com o pessoal desse grupo para ver se é possível que eles, na verdade elas, façam uma pequena apresentação.
No decorrer do dia coloquei todo o meu "plano" em ação. No intervalo do almoço, antes de ir para o Salão Principal, fui até o escritório do Prof. Dumbledore e pedi o Salão Principal emprestado para a festa de encerramento, ao que ele respondeu:
"Claro que sim, Srta. Weasley." – e sorriu – "Enfim terei o prazer de comparecer a uma festa de encerramento do Campeonato." – completou, animado.
O que era verdade, porque, antes, nenhum professor tivera acesso, aliás, ninguém tivera acesso, exceto o seleto grupo de amigos de Laurie.
Logo depois corri para o refeitório desesperadamente. Devo confessar que o "desesperadamente" deve-se ao fato de que minha barriga chorava de fome. Depois de comer o pedaço de torta de frango e tomar o conteúdo inteiro da lata de coca-cola, disse para Colin e Neville, porque os outros ainda continuavam desaparecidos:
"Vocês viram a Pansy?"
"Humpf. Aquela traidora." – Colin disse, com rancor.
"Para falar a verdade, Ginny... Lá vem ela." – Neville disse acenando para a entrada do Salão, olhei para o lugar e vi não só Pansy, mas também Luna, Harry e todos os outros.
"Oi gente." – Pansy disse, não posso negar, na maior cara-de-pau.
"Olá." – falei – "Erm... vocês estavam tão sumidos." – disse num tom totalmente não-acusatório.
"Pois é... precisamos fazer umas coisas." – Blaise disse, cheio de mistério.
"Coisas muito interessantes, posso perceber." – Colin disse num tom explicitamente acusatório.
"Sim, muito interessantes..." – Blaise respondeu, cheio de malícia.
Sinceramente?
Nem quero saber o que foi tão interessante assim.
"Erm..." – falei, tentando expulsar da minha mente aquelas imagens do que eles poderiam estar fazendo de tão interessante – "Pansy, você sabe tocar guitarra, certo?"
"Sim... Tenho aula três vezes por semana, desde os doze anos. Por que?"
"Porque a banda dos meus irmãos está procurando um guitarrista. Assim, não é o guitarrista principal, mas mesmo assim é uma oportunidade. E eu disse que você sabia tocar e tal... e se você quiser, pode fazer um teste para banda no ensaio de hoje, vai ser lá em casa."
"Ai, Gin, é sério?" – perguntou com os olhos brilhantes.
"Sim... se você quiser..."
"Claro que quero!" – gritou enquanto me abraçava com força – "Você é a melhor amiga de todas."
"Ah... Pan, que isso... sabe, é só um teste." – falei, morrendo de vergonha.
"Não importa, mesmo assim você continua sendo maravilhosa." – disse enquanto me apertava cada vez mais.
"O ensaio é fechado? Ou outras pessoas podem assistir?" – Harry perguntou.
"Nem é fechado. Qualquer pessoa pode ver... você quer ir também?" – perguntei.
"Sim."
"Ah, tudo bem... os garotos não se importam." – falei, sinceramente.
"Ginevra." – Colin disse levantando-se da mesa – "Estou indo para a sala. Você vem?"
Sabe, tive vontade de dizer que não ia mesmo, só porquê ele tinha me chamado pelo meu primeiro nome, mas sei que ele estava muito chateado, por isso, respondi:
"Claro, vamos." – e levantei da mesa.
"E você, Neville, não vem?" – Colin perguntou, mas era muito mais parecido com uma ordem.
Ele nem respondeu, levantou também e nos seguiu, deixando o restante do pessoal no Salão Principal.
"Colin, você não pode ficar assim com eles." – falei, enquanto caminhávamos para a sala da Profa. Trelawney. Neville estava indo para a aula de Inglês, por isso nos despedimos dele no quarto andar.
"Assim como? E com quem?" – perguntou, fingindo que não sabia do que se tratava.
"Assim, emburrado. Com eles... e principalmente com Luna e Pansy..."
"Ginny" – disse quando nos sentamos no primeiro degrau da escada, enquanto esperávamos o sinal para a aula tocar – "Já sei que você vai dizer que eles devem curtir o momento e tudo mais, mas não aceito isso... não posso entender esse negócio de que eles nos abandonaram só porque estão namorando. Isso é, tipo, preconceituoso."
"Colin, eu sei, mas você não pode ficar chateado com elas para sempre."
"Posso sim... quer ver?"
"Colin." – disse, rindo – "Por favor, vai..." – pedi – "Não fica assim... isso faz mal para a pele e para o coração."
Ele deu uma risada fraca e eu continuei:
"Sabe o que pode te alegrar? O ensaio da banda dos gêmeos."
"Ah, certo... você quer que eu vá para ver a Parkinson."
"Claro que não." – menti – "Tipo, é divertido... vaiiii... diz que siiimmm..." – pedi com cara de cachorro sem dono.
"Tá bom, Weasley... " – disse com um sorriso.
Logo em seguida a porta foi aberta e nós fomos arrastados para a aula animadora (perceba a ironia) de Física. E durante essa aula contei a Colin meus planos para a festa de encerramento, ele aprovou tudo e até me ajudou a contactar o tal grupo cover, mas claro, só fizemos isso depois que todas as aulas terminaram.
No fim do dia, Colin e eu fomos para a minha casa e quando chegamos já encontramos Jorge, Lino e Manu na garagem, arrumando os instrumentos, os microfones e as caixas de som.
"Então, onde está a garota?" – Jorge perguntou, sem rodeios.
"Ahm... está chegando, Jorge. Por que você está tão nervoso?" – perguntei.
"É claro que é por culpa daquela Cenoura Magrela." – Manu disse, revoltada – "Ele disse que nós não seríamos capazes de encontrar ninguém tão bom quanto ele."
"Quem é cenoura magrela?" – Colin disse com um ar de riso.
"Frederico, é claro." – ela respondeu, simplesmente – "Mas é tão óbvio que vamos conseguir alguém tão bom quanto ele, porque qualquer um é melhor do que ele." – disse enquanto empurrava a bateria com força, fazendo muito barulho com isso.
"Não é assim, Manu. Você sabe que ele toca bem." – Jorge falou, calmo.
"Eu só sei" – disse enquanto ajeitava os pratos da bateria e fazia mais barulho do que antes e isso impediu que nós entendêssemos o que ela sabia, mas acho que não era nada agradável.
Logo em seguida Harry e Pansy chegaram.
"Oi Pan." – falei quando ela se aproximou – "Bem, gente, esta é a Pansy, a garota que falei para vocês." – disse para os outros e então saí apresentando cada um.
"Certo, então acho que podemos começar." – Jorge disse quando viu Fred e Romina chegando – "O que você sabe tocar?"
"Ahm... tudo..." – ela respondeu nervosa.
Depois de acertarem qual seria a música, ela ocupou-se em ligar o instrumento numa das caixas de som e o restante ficou apenas esperando que o teste começasse.
Então Pansy finalmente começou a tocar e fiquei impressionada com o que ouvi. Ela toca muito bem, não é melhor do que Fred, mas passa bem pertinho. Acho que por isso ele ficou tão mal humorado e Manu tão sorridente quando o teste acabou, e Pansy foi aceita na banda.
Depois, o ensaio realmente começou e, a não ser por algumas brigas entre Fred e Manu, o que já é bem normal, tudo correu bem. E foi somente no final que resolvi falar para eles sobre a festa de encerramento do campeonato.
"Pessoal, vocês estão com muitos shows marcados?" – perguntei.
E sabe o que recebi em resposta?
Um coro de gargalhadas, a única pessoa que não riu na banda foi Pansy, ela olhou para seus companheiros como se eles fossem todos malucos e, bem, acho que eles são mesmo.
"Ai, nossa irmã poderia ser comediante." – Fred disse para Jorge, enquanto tentava parar de rir.
"Sim... concordo." – Jorge respondeu e riram mais ainda.
"Sério, pessoal." – Manu disse, séria – "Não Ginny, não temos nenhum show marcado. Por que?"
"Ahm... porque gostaria muito que vocês tocassem no encerramento do campeonato de futebol da Escola."
"Sério?" – Manu disse sorridente, levantando-se rápido e vindo na minha direção, o que quase fez que ela esbarrasse em Fred, mas logo ela o empurrou para o lado.
"Seríssimo." – respondi – "Acho que a banda de vocês é ideal para tocar nesse dia."
"Nós aceitamos." – disseram em coro Jorge, Lino e Manu.
"Esperem." – Fred pediu – "Ginny, não acho que esta seja a banda ideal para tocar neste... ahm. . evento."
"Por quê?" – perguntei, confusa.
"Vamos dizer que nosso estilo não é agradável aos ouvidos dos alunos de Hogwarts." – respondeu.
"E por que?" – Manu perguntou.
"Porque" – disse, cansado – "A maioria daqueles adolescentes mimados não gostam do nosso estilo de música. Se nós aceitarmos, será horrível..."
"Ah, Weasley, não seja pessimista." – ela disse, feroz – "Nós temos que aceitar, primeiro, porque nós NUNCA fomos convidados para tocar em lugar nenhum. Segundo, porque nós temos que começar por algum lugar e esse é o caminho. E se a Ginny preferir, nós podemos mudar o repertório."
"Ah é?" – perguntou, sarcástico – "Se ela disser para cantar músicas da Britney Spears você aceita?"
"Claro que aceito."
"E eu creio" – disse tentando reprimir um sorriso malicioso – "Que você será a Britney Spears."
"Ah..." – ela falou num tom alegre – "Posso deixar isso para você. Sei que você tem esse sonho secreto..." – e deu uma risadinha maldosa.
"Tá bom, chega." – Jorge interveio – "Ginny, nós aceitamos." – disse encerrando o assunto.
"Que bom." – falei, aliviada – "Sabe, não se preocupem, vocês podem cantar as músicas que já estão habituados."
"Esse é outro problema." – Fred disse – "Não temos cantor."
"Nós dois cantamos." – Manu respondeu.
"Certo, mas vai ficar estranho." – ele rebateu – "Os cantores serem o guitarrista e o baterista."
"A baterista." – ela corrigiu – "É... pode ser que fique estranho..." – disse pensativa e ele se assustou com o fato de que ela tivesse concordado com ele – "Eu posso ser cantora sozinha, então."
"Rá Rá." – imitou uma risada – "Eu não vou deixar de ser cantor."
"Nem eu de ser cantora. Posso deixar de ser baterista, mas não renuncio do microfone."
"Resolvido então." – Jorge disse, cansado – "Manu não é mais a baterista e agora é a cantora principal e você também Fred."
"Ahm... Jorge, eu estava brincando..." – ela disse rapidamente.
"Pois é... mas nós não." – ele disse, áspero – "Então" – disse olhando para nós com um sorriso divertido e incrédulo – "Alguém aí sabe tocar bateria?"
E fiquei muito assustada quando ouvi uma voz ao meu lado dizer:
"Eu sei."
Olhei para o lado e vi Colin com a mão levantada, como se estivesse respondendo uma pergunta de um professor.
"Sabe?" – Jorge perguntou, incrédulo.
"Sei." – Colin disse, resoluto – "Quer que mostre minhas incríveis habilidades?" – completou com um ar de riso.
"Claro." – Jorge respondeu, ainda abalado.
Colin pegou as baquetas das mãos de Manu e então deu início ao seu solo e eu, pela segunda vez neste dia, fiquei estupefata. Ele tocava muito bem, quase tão bem quanto sua antecessora, para falar a verdade.
Quando ele terminou, todos ficaram calados. Então, depois de alguns segundos, Jorge se recompôs, abriu um sorriso e disse:
"Bem-vindo à banda."
Depois disso o ensaio foi declarado como encerrado e eu esperei que todos saíssem para falar com Colin, mas tive que esperar um pouco, porque ele estava muito ocupado. A primeira a cumprimentá-lo foi Pansy, mas ele respondeu apenas com um breve aceno. Depois Fred (que parecia subitamente feliz) o parabenizou, seguido de Lino.
No final restaram apenas Jorge, Colin, eu e Manu.
"Parabéns." – ela disse, carrancunda.
"Obrigado." – Colin falou, educado – "Você toca muito bem, erm... qual seu nome?"
"Emmanuela, mas pode me chamar de Manu." – disse, com raiva, enquanto arrumava as coisas para ir embora – "Obrigada pelo elogio, mas acho que não toco tão bem, se acharam um substituto para mim tão facilmente." – disse enquanto dava uma pisada no pé de Jorge.
"Arre!" – ele exclamou com dor, mas dava para perceber que ele sorria – "Querida, não é assim." – disse num tom propositadamente carinhoso, o que deixou a menina mais irritada.
"Querida é seu..." – mas o som ensurdecedor dos pratos da bateria nos impediu de ouvir o palavrão.
"Se você quiser eu saio." – Colin disse.
"Não, não precisa. Qual seu nome mesmo?" – ela perguntou.
"Colin. Prazer." – os dois apertaram as mãos e sorriram.
"Então, você sabe tocar todas as músicas do nosso playlist?" – ela perguntou, tentando esconder o ressentimento.
"Não tenho certeza, mas acho que sim."
"Bem, se você quiser, posso ensiná-lo." – disse, solícita.
"Tão prestativa." – Jorge fungou.
"Tudo pelo bem da banda." – ela respondeu, séria. – "Então, se quiser, é só pedir." – disse para Colin – "Tchau, Ginny, foi bom vê-la novamente." – disse com um sorriso para mim e saiu.
"Ei, e eu?" – Jorge disse, saindo atrás dela.
Não pude ouvir a resposta dela, mas era claro que estava com muita raiva do meu irmão. Olhamos os dois conversando por alguns instantes, até que Colin disse:
"Ela é namorada dele?"
"Não... mas parece, né?" – perguntei, enquanto vi Jorge tentando fazê-la rir, mas a garota resistia a todo custo.
"Ela parece legal, mas é um pouco estranha."
"Eu sei, também acho... mas para ser amiga dos meus irmãos, tem que ser um pouco..."
Nós rimos e vimos quando Jorge, enfim, conseguiu arrancar um sorriso dela, no mesmo instante ele tentou abraçá-la, mas a garota o afastou. Então lembrei da época em que Draco e eu éramos assim... felizes...
Sacudi a cabeça para afastar esses pensamentos, Draco não pertence mais ao meu mundo...
Tá, pertence, mas é inalcançável...
"Então" – falei virando para Colin – "Quando você pretendia me dizer que tocava bateria?"
"Ahm... nunca?" – arriscou.
"Por que? Você é ótimo."
"Bem, tenho vergonha... um pouco... fiz aulas quando criança, depois abandonei, mas nunca deixei totalmente..." – disse, sério.
"Nem conseguia imaginar que você tinha essas habilidades."
"Tem muita coisa sobre mim que você não sabe." – disse, distante, e sei lá, fiquei triste com isso.
Eu sei que tem uma coisa específica sobre Colin que ele não contou para ninguém, mas é tão óbvia que nem é necessário ele assumir...
Mas COISAS? Tipo, mais de uma coisa?
Será que eu não sou confiável o bastante para ele?
"Você não confia em mim." – não foi uma pergunta.
"Não é isso." – Colin disse, sorrindo – "Apenas não chegou o momento." – suspiro – "Bem, tenho que ir, Ginny... amanhã nós nos vemos." – me deu um beijo na bochecha e foi embora.
Depois disso vi minha animação diminuir um pouco, porque agora sei que não pareço confiável o bastante para meus amigos.
Acho que isso se deve ao fato de que vivo falando de mim, sem me preocupar com os sentimentos dos outros...
É, então, a culpa é minha... mais uma vez...
Com essa constatação prefiro ir dormir, é o melhor que faço...
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É Amor ou Amizade?
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Sexta-feira, 20 de novembro.
Em casa. Às 23h30min.
Estou tão cansada...
Sinto que poderia dormir até o Natal do ano que vem, mas não posso...
Amanhã tem jogo... Grifinória x Corvinal e claro que não poderia faltar, é obrigatória a minha presença...
Sinceramente, não sei onde estava com a cabeça quando aceitei esse cargo de animadora de torcida... com certeza, neste dia cheirei as meias velhas do Ron e estava levemente dopada...
Só isso explica.
Mas pelo menos agora está mais fácil ensaiar. Sem a presença nefasta de Laurie, tudo ficou melhor, até porque as amiguinhas dela me obedecem sem pestanejar, porque sabem do que sou capaz.
Tudo bem que ontem mesmo a Amanda, mais conhecida pela alcunha de Mandie, tentou sabotar o ensaio, escondendo os cds "por engano", mas não conseguiu nada, porque eu tinha cds extras.
Eu sei... sou tão prevenida...
Bem, quanto à festa de encerramento, está tudo certo... Colin e Pansy adaptaram-se rapidamente à banda, a única pessoa que parece chateada é Manu, acho que ainda é difícil aceitar a idéia de não estar mais escondida atrás da bateria.
Além disso, Colin e eu fomos ver uma apresentação da cover das Pussycat Dolls e adoramos... já combinamos tudo e acho que o encerramento vai ser magnifíco. Pelo menos torço para isso, cruzo os dedos para que nada e nem ninguém interfira nos meus planos...
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É Amor ou Amizade?
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Sexta-Feira, 27 de novembro.
Em Casa, Desesperada. Nem sei a hora.
Isso é uma confissão...
Podem usá-lo como tal, quando eu fizer o que vou escrever a seguir.
O negócio é este:
Eu vou cometer homicídio.
Homicídio com requintes de crueldade.
Não me importa que ela esteja grávida, não mesmo...
O melhor é saber que farei isso em legítima defesa, assim, nem poderão me manter presa.
Só gostaria de entender porquê ela, simplesmente, não me deixa em paz.
Por que, sempre, Lauren McLoren, tem que estragar tudo que faço?
Hoje, quando Colin e eu fomos até a casa da líder do grupo cover das Pussycat Dolls, batemos na porta e dissemos para a mulher loira de meia-idade que veio nos atender:
"Boa tarde, Sra. A Samantha está?" – esse é o nome da garota.
"Ah, claro." – a mulher disse com um sorriso bondoso – "Entrem. Vou chamá-la."
Entramos na casa e sentamos na poltrona, esperando a garota que era, uns três anos mais velha que Colin e eu.
"Ginny? Colin?" – ela disse parecendo assustada.
"Ah, oi, Sam." – disse – "Viemos pagar a primeira parcela..."
"Espera, Ginny." – falou, com um olhar confuso – "Ontem, recebi um telefonema seu e o show foi cancelado, não lembra?"
"O quê?" – perguntei, sentindo que meu sorriso se desfazia a cada segundo.
"Você, ligou ontem para mim e desmarcou..."
"Espera, Sam." – disse respirando, fundo – "Não liguei para você, não desmarquei nada."
"Ontem" – falou enquanto pegava o aparelho celular que estava no bolso – "Uma garota ligou e disse que era você... a voz era muito parecida, achei o número estranho, mas pensei que você tivesse mudado de celular..." – disse entregando a mim o aparelho e lá eu vi o número totalmente diferente do meu, mas não desconhecido para mim.
"Laurie." – falei para Colin – "Não fui eu." – disse para ela – "Mas então, podemos desfazer esse pequeno engano..."
"Sinto muito, Ginny." – Sam disse parecendo, realmente, triste – "Mas hoje mesmo apareceu outro evento, no mesmo dia do seu e, como pensei que você cancelara, aceitei."
Senti meu sangue gelar...
Pronto, tudo estava arruinado... toda a Escola já sabia da apresentação cover, eu tinha feito os cartazes anunciando isso...
Apenas sorri para a garota e, depois de ouvirmos várias desculpas dela, fomos embora, arrasados demais...
E agora estou aqui, arrasada, mas com uma vontade louca de matar a Laurie...
Ela conseguiu mais uma vez...
Arruinou tudo e saiu impune...
Ai. Que. Òdio!
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É Amor ou Amizade?
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Sexta-feira, 27 de novembro.
No quarto, ainda sem me importar com as horas.
Tive que parar de escrever porque ouvi batidas na porta e, naquela hora, nem imaginava que era a solução dos meus problemas.
Quando abri a porta vi Colin, Manu, Mione, Luna, Parvati, Linda e Neville.
Eu sei... era um grupo MUITO estranho.
"Oi, gente..." – falei, triste – "Podem entrar."
Todos eles se acomodaram no quarto e então olhei para cada um, mas o primeiro a falar foi Colin.
"Ginny, acho que temos a solução para o problema."
"Hm... e qual seria?"
"Já que aquele grupo cover está ocupado, nós inventaremos um grupo..." – Colin disse.
"Certo..." – falei começando a entender – "E quem fará parte desse grupo?" – perguntei, morrendo de medo da resposta.
"Ahm..." – disse, nervoso – "Neville chamou a Linda, Luna e Parvati e eu chamei a Mione e... a Manu."
Olhei para as cinco garotas e tive vontade de chorar. Primeiro, de emoção, por elas serem tão legais comigo, e depois de desespero, porque estava na cara que aquela idéia não ia dar certo de jeito nenhum.
"A Linda eu já sei que sabe dançar." – falei, tentando não soar mal-agradecida – "Mas vocês sabem?" – perguntei para as outras.
"Bem... eu fiz balé quando era criança, mas era um desastre total." – Mione disse – "Mesmo assim, Ginny, não tem problema... eu aprendo rápido."
"Eu também não danço muito bem." – Parvati disse, envergonhada.
"Eu danço muito bem. Meu pai me ensinou." – Luna disse, orgulhosa, mas não ajudou em nada, sabendo QUEM fora seu professor.
"Sinceramente?" – Manu disse – "Não sei dançar, mas estou disposta a aprender."
"Gente" – falei, tentando segurar as lágrimas – "Agradeço o interesse de vocês, mas não adianta... Laurie venceu, ela conseguiu arruinar o encerramento."
"E por que você, pelo menos, não tenta?" – Manu disse, séria – "Nós cinco estamos dispostas a aprender os passos, tenho certeza que você sabe e nos ensinaria, certo?"
"Sim, claro, mas vai ser difícil."
"Vamos, Ginny. Você não vai deixar a Laurie vencer mais esta, vai?" – Mione perguntou.
Pensei em todas as vezes que Laurie tentara me arruinar e sempre conseguia... lembrei de Draco e do enorme buraco no meu peito, que eu tentava disfarçar, me afundando em assuntos da Escola, tentando manter a mente ocupada demais, para que não sobrasse nenhum tempo em que pudesse pensar nele.
Olhei para os rostos ansiosos deles e, enfim, disse:
"Tudo bem... vamos tentar." – e sorri.
O primeiro passo foi assistir a um vídeo da música que elas iam interpretar. Logo quando o vídeo da música "When I Grow Up" terminou olhei para cada uma delas e disse:
"Então?"
"É... ninguém disse que ia ser fácil." – Manu concluiu.
"Quando começaremos os ensaios?" – Mione perguntou, parecendo que estava em sala de aula, perguntando ao professor quando seriam as provas.
"Amanhã... quanto antes, melhor." – falei, um pouco mais animada – "Podemos começar depois do almoço, o que acham?"
Todos concordaram e logo depois foram embora, prometendo voltar no dia seguinte para começarmos a ensaiar.
E eu estou com tanto medo...
Porque algo me diz que isso não vai dar certo.
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É Amor ou Amizade?
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Sexta-feira, 04 de dezembro.
Em casa, às 23h.
Sei que faz muito tempo desde a última vez em que apareci, mas essa semana foi, simplesmente, complicada demais.
No sábado começaram os ensaios, e naquele dia pensei que fosse ficar maluca. Era humanamente impossível fazer com que aquelas cinco pessoas conseguissem dançar corretamente. Minha primeira reação foi me trancar no banheiro e chorar, mas me contive a tempo, não poderia fazer isso com as garotas, elas estavam mesmo dispostas a ajudar.
No domingo, percebi melhoras significativas em todas, menos em Manu, que não conseguia cantar e dançar ao mesmo tempo. No dia anterior, tinha ficado determinado que ela seria a cantora, uma vez que era a única que sabia cantar, e acho que por isso ela estava tão nervosa, sabia que todos estariam mais focados na performance dela.
Na terça-feira fiquei muito feliz em perceber que Mione, Luna, Parvati e Linda já sabiam toda a coreografia... a única que ia de mal a pior era Manu...
"Ah meu Deus..." – ela disse, desesperada – "Se você quiser, Ginny, eu saio." – disse, infeliz.
"Não, Manu..." – disse, desolada – "Você vai conseguir, amiga." – sim, a essa altura nós nos tornamos amigas, porque pássavamos quase o dia inteiro juntas.
"É, Manuzinha, não desiste." – Colin disse, ele também é amigo dela, agora.
"Gente, eu sou uma lástima." – disse deitando-se no chão da minha sala de ensaios.
Mione e as outras já tinham ido embora, deixando somente Colin, Neville, eu e Manu.
"Manu..." – falei, calma – "Você não pode desistir..."
"É horrivel... me sinto uma fracassada." – disse enxugando as lágrimas – "Bem que ele disse que eu não conseguiria." – falou, sentando-se novamente.
"Quem disse?" – Neville perguntou, enquanto acariciava o rosto da moça.
"Fred..." – disse chorando mais – "Quando ele soube disso, quer dizer, que eu ia dançar, ele riu muito e disse que nunca conseguiria..."
"Manu, você liga mesmo para o que meu irmão fala?"
"Você sabe que ligo." – disse, triste – "Aquela cenoura desbotada é, infelizmente, importante para mim..."
"Então, aquelas brigas... tudo cena?" – Colin perguntou, tentando reprimir um sorriso de malícia.
"Não faço porque quero." – disse, limpando as lágrimas – "Quer dizer, eu gosto dele... vocês já sabem disso... sempre gostei, mas ele é idiota demais para perceber isso."
"Então por que você não parte para outra?" – perguntei.
"Não é tão fácil... quando você já está apaixonada há tanto tempo é quase impossível que deixe de gostar da pessoa... e ele só tem olhos para aquela Romina Louva-a-Deus."
Eu sabia exatamente como é isso, por isso não disse nada...
"Ah Manu, você vai conseguir, vamos..." – Colin incentivou, mas antes que ele pudesse continuar a porta foi aberta sem cerimônia e por ela passou Fred...
"E aí." – disse, sem vergonha nenhuma – "Sobre o quê estão conversando?"
"O que você está fazendo aqui, Fred?"
"Hm... vim ver os ensaios." – disse com um sorriso de zombaria.
Ele realmente era o gêmeo mau.
"Hm... os ensaios não são abertos ao público." – falei, sorrindo.
"Ah, mas eu sou da família." – disse, sentando-se ao lado de Manu, que agora parecia normal, as lágrimas tinham sido secadas – "E aí, amarelou?" – perguntou, enquanto dava um leve empurrão nela com o ombro.
"Não... Eu não sou do tipo de garota que desiste fácil." – e sorriu.
"Ah, que bom então." – ele disse retribuindo o sorriso – "Vamos, quero ver você dançando."
Ela o olhou assustada e depois deu uma gargalhada.
"Até parece, Cenoura... vai sonhando." – disse, ainda rindo.
"Está com medo?" – desafiou.
"Mais uma vez... está delirando, Weasley." – disse, séria – "Não tenho medo de você."
Eles se olharam durante longos minutos. Ela, séria, com uma expressão mortifera. Ele, sorrindo, com uma expressão incrédula e divertida.
"Ok, Andrews... mas lembre-se que eu estarei lá no dia, e vou ver de qualquer jeito... Ah, mas vai ser tão engraçado..." – e saiu rindo alto.
Quando a porta foi fechada, Manu levantou-se e trancou a porta. Depois, respirou fundo e disse:
"Vamos... pode colocar a música." – disse – "Quero ver do que ele vai rir."
E depois disso ela melhorou significativamente.
Sinceramente, se soubesse que Fred era o remédio para aquela doença...
Mas tudo bem, o mais importante é que Manu, enfim, conseguiu fazer todos os passos da dança corretamente, além disso, aprendeu a letra inteira da música. Na quinta-feira de noite, depois de um dia inteiro de trabalho árduo, eu disse:
"Você conseguiu!"
Ela sorriu e me abraçou, ao mesmo tempo em que Colin e Neville nos abraçavam.
"Agora, uma coisa importante." – falei, recuperando o fôlego, depois de tanta alegria – "Vamos ter que mudar o visual... tipo, Um dia de Princesa...conhece?"
"Ah... já esperava por isso..." – disse e sorriu, malignamente – "E eu mal posso esperar." – depois disso todos nós nos abraçamos novamente e fomos embora.
Quer dizer, eles foram, eu já estava em casa, mas fui embora para o meu quarto.
Hoje, depois da aula, Colin, Neville e eu fomos até a casa da Manu, para, em seguida, começarmos o dia de Princesa. Começamos pelas roupas... um guarda-roupa novinho, mais moderno e livre das camisas de banda de rock e das calças largas demais. Compramos calças jeans e de outros tipos, do tamanho certo para o corpo dela e acabamos descobrindo que ela era magra, mas não igual à Romina, que parecia anoréxica... Além disso, todas as blusas eram mais, ahm, joviais e com cores mais claras, afinal, ela não estava de luto. E também jogamos fora os tênis dela e compramos sandálias, sapatilhas e botas.
Jean-Luc, o cabeleireiro da Fleur, deu um grito quando viu Manu. Não, não foi de alegria. Foi de susto mesmo.
Certo, nem era pra tanto... quer dizer, ela estava mal cuidada, com o cabelo castanho opaco e quebrado, mas por favor, não precisa molhar a cuequinha por causa disso!
Depois de muitas horas, Jean-Luc terminou o serviço e não fiquei chateada por ter esperado tanto, porque o resultado estava magnifíco. Ele tinha feito alguma mágica para deixar os cabelos rebeldes dela, calmos (perguntei se aquele efeito passaria depois do banho, mas ele me garantiu que não, ou seja, não poderia ser somente uma escova). Além disso, a cor ainda era castanha, mas agora tinha várias mechas de um rosa choque.
Diferente, mas não era estranho.
Por fim, resolvemos o probleminha do óculos, comprando lentes de contato.
Voltei para casa bem depois das nove horas da noite, mas valeu a pena todo o trabalho. E não falo só pela transformação... por tudo...
Tenho certeza que tudo vai dar certo e nada, nem NINGUÉM, vai impedir que o show seja, bem... um SHOW!
Entende?
Não?
Então esquece...
Preciso ir, amanhã tenho que acordar cedo para ir à Escola...
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É Amor ou Amizade?
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Domingo, 06 de dezembro.
Em casa, às 14hs.
Então, deu tudo certo...
Quer dizer, pelo menos o show foi ótimo, mas aconteceram algumas coisas realmente chatas.
Ontem aconteceu o último jogo do campeonato, era a partida entre Grifinória e Sonserina, como eu ainda tinha que arrumar o Salão Principal, pedi à Profa. Hooch para não ir ao jogo e, claro, ela me dispensou. E, só para constar, Grifinória ganhou a partida e o Campeonato.
Como Rony, Harry, Zabini e os outros estariam ocupados com o jogo e a animação de torcida, chamei, para me darem uma ajuda, Colin, Neville, Mione, Parvati e Luna, além de todos os componentes da banda dos gêmeos. Depois lembrei que nós queríamos guardar a transformação de Manu até a hora do encerramento, mas depois fiquei sabendo que Fred tinha marcado um último ensaio antes da festa, então ela teria que aparecer da mesma forma. Para manter a surpresa, Manu aceitou usar um boné e, tipo, não usar as roupas novas e muito menos as lentes de contato.
Também recebemos ajuda dos professores que, suspeito, não estarem ali com esse fim especí certeza que eles estavam ali para nos vigiar, mas tudo bem, a ajuda deles foi muito importante. Principalmente depois de Manu reencontrar seu professor preferido, Severo Snape... ele fez tudo o que ela pediu, inclusive, carregar quase todo o equipamento da banda.
Quando o Salão ficou todo pronto, a banda iniciou o ensaio. E, exceto algumas briguinhas entre Fred e Manu, tudo correu bem. O ensaio deles terminou após as três horas da tarde.
Não perdendo a oportunidade, Mione quis ensaiar também uma última vez, mas Manu não quis, porque Fred insistia em ficar no Salão esperando vê-la dançar... e isso é uma infantilidade, mas também pode ser interpretado como amor reprimido ou algo assim.
"Certo, podem ensaiar sem mim." – ela disse para Mione e as outras.
"Como vamos fazer isso? Você é a cantora!" – Mione disse, com raiva.
"Ok, então. Eu canto e vocês dançam." – ela disse, sorrindo.
"Qual o seu problema?" – Parvati perguntou, áspera.
"Bem, nenhum... vamos..." – Manu disse, calma – "Ginny, pode colocar a música."
Eu obedeci e o ensaio delas começou...
E foi um pouquinho diferente, porque, enquanto as outras dançavam, Manu ficou parada no meio do palco, sem dançar, só cantando.
"Que foi, Andrews, desistiu?" – Fred provocou, só para não perder o costume.
"Desisti, Weasley... algum problema?" – ela disse, rindo.
"Nenhum... isso só me deixa triste, porque no final, não vou me deliciar com um show de humor hoje. Que pena." – levantou-se e completou para as outras – "Vocês estão ótimas, meninas." – e saiu, parecendo, estranhamente, raivoso.
"Idiota." – Manu disse, com ódio.
"Esquece ele, Manu. Você vai arrasar hoje." – Colin disse.
"Vai mesmo... você está linda." – Neville elogiou.
"Ah, meninos, eu amo vocês, sabiam?" – e abraçou os dois simultaneamente.
"Ei, que negócio é esse?" – Jorge perguntou – "Assim eu fico com ciúme." – disse com um sorriso malicioso.
"Não precisa, amor..." – Manu disse abraçando Jorge também – "Você sabe que é único." – disse quase gargalhando.
E foi uma péssima hora para dizer isso, porque Fred tinha voltado para buscar alguma coisa e acabou vendo a cena... só posso dizer que ele ficou com o rosto muito vermelho, quase entrando em ebulição. Ele olhou para os dois e saiu resmungando...
Vai entender, né?
Depois disso, todos nós fomos para casa...
Na verdade eu fui para a casa da Manu, porque prometi ajudá-la na produção do novo visual...
Perto das sete horas da noite (a festa começava às oito horas, mas, é claro que deveríamos chegar mais cedo) ficamos prontas. Eu escolhi uma roupa quase normal, porque não estaria na festa para me divertir, mas para supervisionar, por isso, optei por uma calça jeans básica, uma camiseta rosa choque e um par de sapatilhas.
Para Manu, primeiro, escolhemos o figurino do cover. E foi muito difícil, porque ela se recusava a vestir as roupas que eu recomendava. Sei que é um choque muito grande, uma pessoa que vestia calças tão largas que poderiam abrigar cinco pessoas dentro dela e ainda sobrar espaço, vestir uma caça, ahm... de couro, justa. Eu sei, parece ridículo, mas nós tínhamos que chegar o mais perto possível da cantora que ela ia imitar e, sinto muito, mas a mulher veste esse tipo de roupa.
Também tivemos problema com a frente única que, ahm, era de couro também...
Depois de conversarmos muito, eu a convenci a usar a calça de couro e a frente única também... afinal, ela não tinha muitas escolhas... E para finalizar, uma bota de cano alto e salto fino...
Só posso dizer que no fim ela estava bem desanimada com o visual, mas era tudo nervosismo, porque eu, como observadora imparcial, achei que ela ficou maravilhosa, principalmente depois da maquiagem e das lentes de contato.
Também escolhemos o visual para o show da banda, a mudança seria nas roupas mesmo, ela vestiria uma calça jeans preta e uma blusa, também preta, que deixava à mostra um dos ombros, o restante continuaria igual.
Às sete e meia, saímos da casa dela e no caminho tentei acalmá-la, ela insistia em dizer que ia errar tudo, mas acho que era só preocupação com o que as pessoas iam achar, precisamente, UMA pessoa ia achar...
Quando coloquei o pé no Hall de Entrada da Escola, senti meu coração batendo forte de tanto nervosismo... queria que tudo desse certo, principalmente porque Laurie merecia isso...
E foi só pensar em Laurie que ela apareceu, junto com Draco, no meio do corredor em que eu e Manu estávamos.
"Boa noite." – falei, educada.
"Ah, oi, Weasley." – ela disse com um sorriso cínico estampado no rosto – "Então, essa festa sai ou não?"
"Claro que sai, Laurie... Por que? Você fez algo para que não acontecesse?" – perguntei, descaradamente.
"Eu? Claro que não, Weasley." – se recompôs e continuou – "Então, essa é a cantora que você trouxe?"
"Sim, sou eu." – Manu disse com um sorriso alegre – "Ei, você é Draco Malfoy, não é?"
"Sim..." – Draco, que tinha ficado calado o tempo todo disse – "Desculpe, mas não lembro de você."
"Ah, Draco... lembra sim!" – ela disse dando um tapinha no braço dele – "Sou eu, Manu Andrews, lembra? Nós brincávamos juntos quando éramos crianças!"
"Manu? Tem certeza?" – ele disse analisando-a, da cabeça até os pés.
"Claro, né!" – ela disse, revirando os olhos e, em seguida, puxando-o para um abraço muito apertado que, fico feliz em dizer, deixou Laurie furiosa.
"Meu Deus, você está...." – olhou de novo para ela e completou – "Diferente."
"Eu sei... e você também, Draquinho..." – disse, deixando Laurie mais vermelha de raiva – "Você vai para a festa?"
"Sim..." – Draco ainda estava mais preocupado em olhar para o corpo da garota, o que, confesso, me deixou um pouco enciumada.
"Eu vou dançar..." – e dessa vez ela olhou para Laurie – "Você conhece as Pussycat Dolls?" – nem esperou a outra responder e completou – "Pois é... eu sou do grupo cover... não é ótimo?"
Laurie ficou com os olhos arregalados e a boca aberta, sem nenhuma ação.
"Nós iremos assiti-la, Manu." – Draco disse, agora sorrindo e olhando para o rosto da amiga.
"Ah, obrigada, Draquinho... conto com o seu apoio... ahm... e com o da sua...?"
"Erm... noiva..." – Draco disse, constrangido, dirigindo uma olhadela rápida para mim.
"Noiva! Nossa... que legal." – ela disse com um sorriso enorme – "Agora temos que ir, se vocês não se importam." – Manu deu um beijo na bochecha de Draco e um adeusinho para Laurie e saimos.
Quando já estávamos longe o bastante, ela começou:
"Ginny, desculpa por isso." – apontou para trás – "Eu sei o que rolou entre vocês, não estava querendo me jogar em cima dele. Só queria fazer raiva à Louva-Deus- Jr."
"Como?"
"A Laurie... Lauren McLoren, não é?" – eu assenti e ela continuou – "Ela é irmã da Romina."
"O QUÊ?" – gritei.
"Você não sabia?" – deu uma risada sem alegria e completou – "Se o seu irmão casar com ela, você vai ser concunhada da Lauren... e acho que do Draco também..."
"O QUÊ?" – falei mais uma vez – "Como o Fred pôde fazer isso comigo?"
"É... não sei o que elas têm, não é?" – falou, amargurada – "Mas não importa. Eu nunca pensei que Draco ia ficar com a McLoren... tudo bem que ele sempre foi meio fresco, ele já era assim quando eu o conheci."
"Como isso aconteceu? Quer dizer, vocês?"
"Ah... Nós somos quase vizinhos... acho que você já percebeu. E minha mãe é amiga da Narcy... então, sempre que minha mãe ia fofocar com a amiga, me levava junto e eu ficava brincando com Draco... e quando a Narcy ia lá para casa, ele ficava brincando comigo..."
"Narcy?" – falei.
"Narcisa."
"Eu sei... ela sabe que você a chama dessa forma?"
"Claro... Ela acha engraçado." – disse, sem se importar – "Também brincava com o Zabini, quando minha mãe ia fofocar com a Sra. Zabs...."
"O QUÊ? VOCÊ CONHECE O ZABINI?" – falei, nervosa por saber de tantas coisas ao mesmo tempo.
"Claro que conheço... aliás, eu preferia brincar com ele do que com o Draco." – ela disse, pensativa, enquanto continuávamos andando em direção ao Salão Principal – "O Zabs sempre foi mais engraçado... e ele gostava de ser o Ken na brincadeira, o Draco não gostava muito disso..."
"Meu Deus..." – falei, impressionada.
"Eu sei... você nem poderia imaginar, certo?" – deu um sorriso e completou – "Mas nunca mais o vi... o Zabs... ele ainda estuda aqui?"
Mas antes que eu pudesse responder uma voz atrás de mim disse:
"Não acredito..."
E como se ele estivesse prevendo que era o assunto naquela conversa, Blaise Zabini se materializou.
"Zabs?" – Manu perguntou, sorrindo.
"Chiquinha!" – ele disse com os braços esticados.
Ela correu para ele como se fosse abraçá-lo, mas tudo o que ele recebeu foram vários tapas nos braços.
"Ai." – ele disse tentando se desvencilhar – "Sai."
"Não me chama de Chiquinha."
"Mas é seu nome." – disse com um sorriso carregado de malícia.
"Meu nome do meio é Francesca, seu doido... não é Chiquinha...." – disse, emburrada – "E como você soube que eu era... eu?"
"Ah, encontrei com o Draco e ele me falou."
"Nossa, vocês parecem duas velhinhas fofoqueiras..." – ela disse rindo.
Os dois ficaram conversando até que lembrei a Manu que se não chegássemos logo, o show atrasaria. Por isso, eu, ela e Zabini corremos até o Salão Principal e o encontramos quase vazio, a não ser pelo grupo cover e pela banda dos gêmeos... as portas ainda não tinham sido abertas para os outros estudantes.
E no mesmo instante o lugar ficou em silêncio, a não ser pela conversa entre Manu e Zabini. Quando ela percebeu que todos a olhavam fixamente, disse:
"O quê?" – olhou para mim e eu sorri – "Ai Meu Deus! Vocês odiaram, né? Viu Ginny, eu disse que ninguém ia gostar." – disse, infeliz.
"Qual é, gente!" – falei, começando a ficar nervosa também – "Falem logo o que acham."
"Sinceramente..." – Jorge começou, olhando-a dos pés até a cabeça – "Você está simplesmente...." – fez uma pausa enquanto olhava mais um pouco e completou – "UAU."
"Sim... MUITO UAU..." – Lino disse também olhando a garota.
"É mais do que uau... " – Colin disse, também impressionado com o resultado final – "Hm... é... uau UAU!"
Olhei para eles com vontade de rir, porque nunca pensei que eles ficariam sem palavras...
Eu sei, sou um gênio das transformações!
"Ok..." – falei, rindo da cara dos rapazes, que era claramente de cobiça e, das meninas, que era de inveja – "E você, Fred, o que achou?"
"Caham..." – ele se recompôs e disse – "Normal... E vamos logo... ainda temos que arrumar os instrumentos no palco." – e saiu, apressado.
Sorri satisfeita, enquanto via os outros voltando às suas atividades anteriores. Olhei para ela e disse:
"Viu? Arrasou!"
"Ai, não acho, Ginny..." – ela baixou a voz e completou – "Viu o que ele disse?"
"Ele gostou... só é idiota demais para admitir..." – falei, desgostosa com a burrice do meu irmão – "Vamos... daqui a pouco a festa começa."
Enquanto Manu foi se reunir com as outras garotas, eu fui cuidar das outras coisas, como iluminação, etc.
Exatamente às oito horas da noite, as portas de carvalho do Salão Principal foram abertas, dando passagem a uma multidão de alunos, desesperados pelo que prometia ser o maior evento do ano.
Fui até o lugar em que o grupo das garotas estavam se preparando e perguntei:
"Então... tudo certo?"
"Sim." – Mione disse, corajosa demais em relação ao restante, que estava, aparentemente, morrendo de medo.
"Não... ainda dá tempo de fugir?" – Manu perguntou.
"Vamos, gente... vocês vão conseguir." – falei, esperançosa – "Vocês estão ótimas. Vai dar tudo certo." – disse, tentando convencer a mim também.
Elas foram até o palco e então coloquei a música "When I Grow Up", que na verdade era só a parte instrumental, já que a Manu cantaria ao vivo... Quando começou, assim como tinha prometido, Fred ficou ao meu lado assistindo à apresentação, parecendo hipnotizado pelos movimentos, graças a Deus, perfeitos da garota que, supostamente, odeia.
Quando a apresentação acabou, as garotas foram aplaudidas com muito entusiasmo, tanto pelos alunos e os professores, como pelos garotos que estavam comigo nos bastidores, assistindo.
Todos parabenizaram as meninas, o único que não fez isso foi Fred, logo quando a apresentação acabou ele saiu para ajeitar alguma coisa...
"Certo... e agora?" – Jorge perguntou.
"Agora vocês vão tocar e cantar." – falei para eles.
"Certo... mas quem canta a primeira música?" – Lino perguntou para Jorge.
"Father Time..." – Jorge disse, pensativo.
"É ele que canta, não sou eu." – Manu respondeu – "Vocês cantam a primeira música enquanto eu me troco... na segunda, que é Are You Ready?, eu já estarei no palco, cantando." – disse saindo, rápido.
Eles fizeram o que ela disse e foram para o palco, logo o show começou e, contrariando as previsões pessimistas de Fred, o tipo de música foi muito bem aceito pelas pessoas. A sequência das músicas foi a seguinte:
01. Father Time (Fred)
02. Are You Ready?(Manu)
03. Rockin' On Free World (Fred)
04. Bring Me To Life (Manu)
05. Wish I Had An Angel (Fred e Manu)
06. Forever (Fred)
07. Heaven (Fred)
08. CrushCrushCrush (Manu)
09. My Immortal (Manu)
10. No Pain For The Dead (Fred e Manu)
11. Anyone (Manu)
12. Bleeding Heart (Fred)
13. Your Love Is Just A Lie (Fred)
14. Broken (Fred e Manu)
E não sei porquê ele falou que as pessoas não iam gostar, como se ninguém tivesse ouvido essas músicas antes... quer dizer, pelo menos, a maioria das músicas.
Mas isso não importa agora.
O importante é o que aconteceu durante a música CrushCrushCrush... eu tive que sair dos "bastidores" e andar pelo Salão, só para ter certeza de que tudo estava certinho, sem nenhum problema. Mas eu me arrependo tanto... sabe, de ter ido ver se as coisas estavam certas, porque, assim que apareci no Salão, encontrei com Laurie, acompanhada de suas comparsas de sempre: Ellie, Debbie e Mandie.
"Ah, aqui está ela." – Laurie parecia bêbada, o que realmente é estranho, uma vez que ela está grávida – "Parabéns pela festa, Weasley."
"Obrigada, McLoren." – falei, cansada – "Agora, com licença."
"Ah não... não, não, não..." – Laurie disse – "Antes de ir, Ginny, conte-me... como você fez, hein?" – perguntou, em tom de confidência – "Porque eu tinha certeza de que, dessa vez, ia te derrotar."
"Que pena, McLoren... não foi dessa vez." – respondi sorrindo.
"É, mas não importa... de qualquer forma eu venci, certo?" – ela disse – "Fiquei com Draco no final... ele é meu..."
"Pode ficar, McLoren... não faz diferença." – menti e saí de lá, ainda ouvindo a risada de bruxa dela, ecoando dentro da minha cabeça, uma vez que era impossível a gargalhada dela sobrepor-se ao barulho da banda.
Voltei para os bastidores e continuei assistindo ao show, tentando esquecer Laurie e Draco, afinal tinha feito isso tão bem nos últimos dias, por que não conseguia agora? Por que a imagem de Draco e Laurie, de mãos dadas, andando pelo corredor, ficava voltando à minha mente o tempo inteiro? E por que a voz dele, dentro da minha cabeça, não parava de repetir a palavra "noiva"?
Após muito esforço, consegui afastar esses pensamentos horrorosos e me concentrei na apresentação dos garotos.
O encerramento terminou um pouco depois da meia-noite e eu estava muito cansada, mas isso não importava, porque nós tínhamos que desmontar tudo o que fora montado mais cedo naquele dia, antes de irmos para casa. Ainda bem que desmontar é mais fácil do que montar, porque, um pouco depois das duas da manhã, terminamos tudo e estávamos liberados para ir embora.
Colin e eu estávamos andando pelos corredores, com o intuito de chegarmos ao carro dele que estava estacionado no pátio da Escola. E não posso negar que nós estávamos bem próximos, ele envolvia meus ombros com o braço, enquanto eu o abraçava pela cintura, mas era totalmente inocente, ele estava apenas me ajudando a andar, uma vez que eu estava tão cansada que mal conseguia pisar no chão. Mas antes que pudéssemos chegar no carro quentinho e confortável dele, uma sombra ficou na nossa frente, o que, consequentemente, me fez gritar.
"Calma... sou eu." – a sombra disse, vindo para a luz e, automaticamente, se revelando.
"Draco." – Colin disse, entediado.
"Creevey." – respondeu, sério – "Posso falar com você?" – perguntou para mim.
"Ela não vai falar com ninguém hoje." – Colin disse antes que eu conseguisse responder.
"E você é quem decide?" – Draco perguntou, alterado.
Antes que os dois começassem a brigar, eu disse:
"Colin... eu te encontro daqui a pouco."
Ele me soltou e, olhando para mim, falou:
"Vou buscar o carro." – nós já estávamos no pátio da Escola, mas não era perto de onde ele tinha estacionado – "Em cinco minutos eu volto." – e saiu.
Vendo que estávamos sozinhos, Draco começou:
"Então... vocês estão juntos?" – perguntou sem rodeios.
Fechei os olhos e respirei fundo, tentando me acalmar...
"Não interessa."
"Ah... é assim então?" – disse com raiva.
"O que te faz imaginar que você tem o direito de saber sobre a minha vida?"
"Eu..."- começou, mas o interrompi.
"Porque acho que ficou bem claro que você não faz mais parte da minha vida, desde o momento em que beijou a Laurie... não..." – falei, sorrindo sarcasticamente – "Não, com certeza foi a partir do momento em que você ENGRAVIDOU a Laurie."
"Eu já expliquei..." – começou, mas o interrompi novamente.
"Explicou, mas não adianta, Draco. Nada do que você disser vai explicar isso, ok?" – falei, nervosa – "E se era isso que você tinha para falar..." – disse saindo, mas ele foi mais rápido e agarrou meu braço com força.
Tentei me desvencilhar de todas as formas possíveis, mas ele era muito mais forte do que eu e estava determinado a não me deixar fugir. E não sei explicar o que aconteceu em seguida, só sei que, em um minuto estava tentando sair daquela situação, e no minuto seguinte, eu o beijava e, claro, ele retribuía.
Naquele momento não me preocupei com nada, exceto em prolongar o contato ao máximo, mas é claro que tivemos que nos separar para respirar um pouco, e foi exatamente nesse instante em que recobrei a sanidade mental e tentei sair correndo, mas ele ainda me segurava firme pela cintura, e me puxou para mais um beijo, dessa vez muito mais intenso, muito mais voraz. Ele me conduziu até uma parede próxima e me prensou, e eu quase perdi os sentidos quando ele beijou meu pescoço, mas acordei quando senti a mão fria dele na minha barriga, e subindo, então o empurrei e saí correndo, igualzinha a uma maluca.
Ainda bem que encontrei Colin logo e nós saímos daquele local horroroso, para o qual eu não pretendo voltar. É, eu sei o que você está pensando.
Tenho que ir para a aula amanhã e tudo mais, mas vou pedir à minha mãe, quer dizer, implorar, para que ela me deixe ficar em casa até completar 100 anos...
Porque, sinceramente, não sei se agüento encontrá-lo novamente. Cada vez fica pior...
Isso tem que parar...
Socoooooooooooooooooooooooorrrrrrrrrrrroooooooooo!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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É amor ou amizade?
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Segunda-feira, 07 de dezembro.
No quarto. Às 20hs.
Acabei de descobrir como a Laurie tentou sabotar a festa de encerramento e, nunca, poderia imaginar que tinha sido desse jeito...
Bem, começarei pelo... ahm... começo, ok?
Cheguei da Escola (minha mãe não permitiu que eu faltasse, ela é totalmente insensível) e fui direto para o jardim. Sabe, não estava com vontade de fazer as tarefas, porque ainda estava muito abalada com tudo o que acontecera na madrugada do sábado para o domingo...
Então, sentei na grama e fiquei observando o céu nublado até que alguém sentou ao meu lado.
"Oi."
Olhei para o lado e vi Manu, também fitando o céu. Ela parecia tão triste quanto eu.
"Oi, Manu... e aí?"
"Então... como foi o seu encerramento?" – perguntou ainda olhando para o céu.
"Péssimo... e o seu?"
"Também. Por que o seu foi péssimo?" – ela perguntou.
"Longa história... mas envolve Draco Malfoy e eu, nos beijando no pátio da Escola. E a sua?"
"A minha..." – ela disse, pensativa – "Envolve o seu irmão... a Louva-a-Deus... uma sala abandonada, e uma posição totalmente comprometedora."
"O QUÊ?" – gritei.
"Isso mesmo..." – concordou, mas dava para perceber que ela estava péssima – "Acho que, em breve, você será titia, Ginny."
"Ai... Deus me livre!" – falei sentindo um arrepio na espinha. – "Mas eles estavam...?"
"Não... eu atrapalhei, e nem foi de propósito..." – disse, triste – "Ele ficou com muita raiva, me chamou de intrometida, feia, gorda e outras coisas que prefiro não repetir."
"Ai, Manu, não acredito... vou matá-lo, ok?" – falei.
"Ah, deixa para lá, Ginny..." – disse limpando as lágrimas que começavam a cair – "Eu só acho..." – mas logo ela foi interrompida pela voz estridente de uma garota, que, além do mais, ria muito alto.
Manu limpou as lágrimas rapidamente e quase no mesmo instante, Romina e Fred apareceram na nossa frente.
"Oi." – Fred disse.
"Olá, Ginny, querida." – Romina falou me dando um beijo em cada bochecha.
"Oi, Romina. Fred." – cumprimentei.
"O que você faz aqui?" – Fred perguntou para Manu.
"Estou conversando com a Ginny." – ela disse, calma.
"Sei." – Fred disse, desconfiado.
"Vocês estão falando sobre o quê?" – Romina perguntou, sorridente.
"Não interessa, McLoren." – Manu respondeu, ríspida – "Até parece que vou falar algo para você, se logo em seguida você conta tudo para sua irmãzinha."
"Não sei sobre o quê você está falando, Manu." – Romina disse com um sorriso trêmulo.
"Ah, sabe sim, McLoren." – Manu disse, ainda calma – "Não foi você que falou para a Lauren, a sua irmã, que a Ginny levaria um grupo cover das Pussycat Dolls? E também não foi você que pegou o celular da Ginny e arranjou o número do telefone da garota do grupo para a sua irmã?"
Eu olhei para Manu e depois para Romina...
Como não tinha pensado nisso?
Ela tinha ouvido minhas conversas com Colin, nós sempre falávamos do assunto antes de começar o ensaio e Romina sempre estava lá... Também não era difícil pegar meu aparelho celular, eu sempre o deixo por aí...
Meu Deus...
"É... é mentira!" – Romina exclamou, agora sem nenhum sorriso no rosto.
"Ah é?" – Manu disse com sarcasmo.
"Fredinho... é mentira... não acredita nessa louca." – disse toda chorosa para o meu irmão.
Ele olhou para a namorada e depois para Manu, por fim, disse:
"Nunca pensei que você fosse mentirosa, Andrews."
Dá para acreditar?
"Se você prefere acreditar nela..." – Manu deu de ombros, mas percebi que os olhos dela brilhavam de lágrimas – "Só posso lamentar por isso." – e saiu.
Claro que eu corri atrás dela. Primeiro, porque queria saber sobre tudo e, depois, porque ela é minha amiga.
"Manu... espera." – ela parou perto do carro e me olhou – "Isso é verdade? Foi a Romina?"
"Bem, parece que sim, não é?" – ela estava chorando muito – "Essa burra confessou tudo... eu só suspeitava disso, mas agora confirmei. Por isso pedi a você que não falasse mais da apresentação na frente de outras pessoas que não fossem Colin, Neville ou eu."
"E por que você não me disse antes?"
"Não tinha certeza e, sei lá, você poderia pensar que era marcação minha por causa do Fred."
É, com certeza eu pensaria isso...
"Ah, Manu..." – falei enquanto a abraçava e ela chorava mais do que antes.
Depois, ela se acalmou um pouco, mas foi logo embora, não queria encontrar os dois novamente.
Até agora ainda estou chocada com tudo isso...
Laurie realmente é muito baixa, e parece que ela aprendeu isso com a irmã...
Meu Deus...
Que famíia horrível...
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É Amor ou Amizade?
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Sábado, 12 de dezembro.
Em casa. Às 17hs.
Passei a semana sem escrever porque estou atolada em tantas matérias... acho que vou ficar maluca até essas provas de final de trimestre acabarem, e então chegarão as férias de fim de ano e eu vou poder dormir todos os dias, sem interrupções...
Mas não vim para falar disso...
Na verdade, vou falar sobre o dia de ontem...
Tudo começou como sempre... aulas chatas, pessoas chatas (tirando meus amigos), professores chatos e, bem, tudo estava normal, certo?
Até a hora em que cheguei em casa e encontrei Manu sentada no degrau da porta da minha casa. Colin e eu descemos do carro e fomos falar com ela.
"Ah, oi, gente... tudo bem?" – ela disse, sorrindo, mas era um sorriso triste.
"Tudo." – respondi – "Por onde você andou?"
"Ah... estava ocupada com a faculdade." – disse – "Só vim aqui para conversarmos um pouco. Vocês estão ocupados?"
E, se você considerar a pilha de exercícios que tenho que fazer...
Mas naquela hora disse que nem estava ocupada, por isso nós três fomos para o quintal e ficamos conversando sobre tudo: o encerramento, Romina, Fred, Laurie, Draco, Luna e Pansy (essas duas no caso de Colin).
"Vamos sair?" – Manu perguntou depois de algum tempo calada.
"Para onde?" – perguntei, desinteressada.
"Sei lá, para qualquer lugar, longe desses idiotas que nós gostamos..." – suspirou e completou – "Quero esquecer, pelo menos, por uma noite..."
Pensei um pouco e cheguei à conclusão de que nem tinha nada a perder, também queria esquecer Draco, por isso, disse:
"Certo. Eu vou."
"Eu também vou. Quero esquecer tudo." – Colin concordou.
"Você chama o Nevvie?" – ela perguntou para ele.
"Claro... ele também anda muito triste..."
"Beleza. Então, passo aqui depois das oito, ok?"
"Tudo bem." – falei.
"E eu posso levar o Neville, já que moro perto dele." – Colin disse.
Nos despedimos e eles foram embora. Passei o resto da tarde escolhendo a roupa que vestiria à noite, para falar a verdade não estava com vontade de estudar e, por Deus, era sexta-feira, tinha direito a descansar também.
Depois de revirar tudo, acabei optando por uma calça jeans básica e uma camiseta preta, mais sandálias de salto alto, também pretas. Quando terminei de me vestir, olhei para o espelho e vi que o resultado tinha sido satisfatório, sorri e, em seguida, fui para a sala, onde encontrei Fred, sentado, pensando em algo, ou em alguém...
"Você vai sair?" – perguntou quando me viu.
"Ahm... vou."
"Com quem?" – perguntou, desconfiado.
"Erm... com a Manu."
"Com quem?" – Fred perguntou, exaltado – "Eu vou também!" – disse, levantando-se da cadeira num pulo.
"Por quê?"
"Não confio em deixá-la sozinha com aquela maluca."
"Mas o Colin e o Neville também vão..."
"Como se isso fosse motivo para me acalmar... me espere, desço em cinco minutos." – disse subindo as escadas correndo.
Depois de uns dez minutos, Fred voltou, todo arrumado.
"Ela vem NOS buscar?" – perguntou na maior cara de pau.
"Sim." – olhei para ele e disse – "Você não vai sair com sua namorada hoje?"
"Não tenho mais namorada." – respondeu sem me dar chance de perguntar mais.
Às oito horas em ponto o carro dela parou na frente da toca e acho que não preciso dizer que Manu ficou furiosa quando viu Fred ao meu lado.
"Ele vai?" – perguntou para mim.
"Ahm... sim?" – arrisquei.
Eles se olharam durante uns instantes e, minutos depois, sem dizer nada, Manu quebrou o contato visual e entrou no carro, Fred e eu entramos logo em seguida e fizemos todo o percurso em silêncio.
O lugar era um bar que tinha acabado de abrir e, talvez, por isso, estivesse tão cheio. O pior, cheio de gente conhecida. Quando entramos, encontramos Neville e Colin nos esperando.
"Que bom que chegaram!" – Colin disse alegre demais para o meu gosto.
"Você começou sem mim, querido?" – Manu perguntou a Colin, referindo-se ao copo de bebida que estava na mesa.
"Não consegui esperar, foi mais forte que eu." – respondeu bebendo o conteúdo do copo de uma vez.
Manu chamou o garçom no mesmo instante e disse:
"Traga uma garrafa de... ahm... cachaça!" – completou olhando sorridente para o homem.
"Cachaça, Srta.?" – perguntou, assustado.
"Sim... ou tem algo mais forte?" – quis saber, interessada.
"Ahm... cachaça é muito forte e acho que uma garrafa..." – o garçom começou, mas Manu o interrompeu.
"Ok, então traga três doses..." – disse, vencida – "E vocês o que vão querer?" – perguntou para Neville e para mim.
"Refrigerante... ahm... de Uva?" – Neville arriscou, envergonhado.
"E eu, uma coca-cola." – falei, sem vergonha nenhuma.
"Ah, gente, qual é!" – Manu disse para nós.
"Andrews..." – Fred disse, sério – "Você está instingando minha irmã, menor de idade..."
"Ah, Frederico, vai procurar tua turma!" – ela disse sem se importar.
Eles se olharam com raiva, até que Fred disse:
"Vou mesmo, mas estarei de olho em você." – disse para mim e saiu para o lado em que, coincidentemente, estava Jorge e outros garotos e garotas que eles conheciam.
O garçom trouxe as bebidas e, de um só gole, Manu bebeu tudo, depois pediu mais e Colin a acompanhava sempre, enquanto Neville e eu olhávamos para os dois.
A cena agora parece engraçada, mas foi horrível na hora. Manu e Colin, primeiramente, ficaram rindo de tudo, enquanto dirigiam olhares ferozes para algumas pessoas. A Manu eu sei que olhava Fred, o qual estava dançando agarrado com uma menina, mas Colin ainda não sei para quem ou para o quê ele olhava.
Depois, eles ficaram falando coisas desconexas, inclusive Manu que, a cada dose, dizia:
"Um brinde a nós, mulheres, portadoras da sedução, que nenhum fdp sabe dar valor! Que os nossos sejam nossos, que os delas sejam nossos, que os nossos nunca sejam delas, e que se forem delas, que sejam brochas!!! Bebo porque vejo no fundo deste copo a imagem do homem amado… MORRE AFOGADO FDP DESGRAÇADO!!!" – ela completava sempre a última palavra da frase com um grito.
E enquanto Colin morria de rir do que ela dizia, os dois bebiam mais e mais. Já estava ficando preocupada com os dois quando uma imagem desviou minha atenção.
Foi no exato instante que vi Draco e Laurie dançando no meio das pessoas, era uma música romântica e os dois estavam com os corpos tão colados que pareciam ser um só. Na mesma hora senti meu sangue gelar, ele era um idiota mesmo. Tive vontade de beber para esquecer, mas Draco não merecia, não mesmo.
Quando Draco olhou para mim, desviei meu olhar e encontrei Colin e Manu abraçados, rindo bobamente. Depois, Colin levantou-se e disse para mim:
"Vamos... danzaaarr..."
"Colin..." – tentei dizer, mas ele já me puxava para a pista de dança.
Olhei para trás e vi Manu rebocando o coitado do Neville que estava muito assustado com toda aquela situação. A música era lenta e eu, sem opção, comecei a dançar, abraçada a Colin. Ele estava tão bêbado que, por três vezes, quase caímos. Olhei para Manu e Neville e quase morri de rir quando vi a cara de pavor de Neville, ela estava, descaradamente, agarrando o rapaz.
Quando digo, agarrando, é tipo, AGARRANDO, entende?
No instante seguinte, uma música agitada começou e ela soltou Neville, e começou a dançar junto com Colin. Os dois pareciam desnorteados, mas dançavam sensualmente, no ritmo da dança.
A música era "Touch My Body" da Mariah Carey e, bem, assim como a música diz, eles tocaram mesmo no corpo um do outro, o que acabou resultando em um beijo totalmente, ahm, feroz... Não dava nem para saber se era um beijo ou se era briga....
Olhei para o lugar em que Fred estava e no rosto dele havia uma expressão furiosa, como se estivesse prestes a cometer um homicídio. Ele segurava um copo de plástico com tanta força que o amassou e todo o líquido do copo saiu escorrendo por sua mão, mas ele não se importou, continuou olhando para a cena, com os olhos faiscantes de ódio.
E foi no exato instante em que ela ia tirar a blusa que Fred apareceu, furioso.
"Emmanuella." – disse para a garota que fingia não ouvir – "Pára com isso."
"Não paro. Você não manda em mim." – e mostrou a língua para ele.
Acho que ele levou o negócio de mostrar a língua bem a sério, porque disse:
"Se não sai por bem, vai ser por mal." – e a colocou no ombro, enquanto ela esperneava.
Olhei para Colin e ele já estava sem a camisa quando eu disse:
"Colin, vamos embora!"
"Zinnnyyy!" – ele disse me abraçando e foi o suficiente para rebocá-lo até o carro.
Antes, pedi a Neville para pegar nossas coisas e, quando chegamos no estacionamento, só para variar, encontramos Fred e Manu brigando.
Deixei os dois brigando e falei para Neville:
"Nev, você sabe dirigir, né?"
"Sei, Ginny, mas tenho pânico de direção..."
"Certo... então... eu vou levando o Colin no carro dele." – falei – "Colin, seus pais estão em casa?"
"Ahm..." – pensou um pouco e disse – "Nãããããooooo...." – e riu alto.
"Ai Meu Deus. Ele não pode ir para casa assim." – falei olhando para Colin que ainda estava abraçado a mim.
"Podemos levá-lo para minha casa. Vovó saiu para uma convenção..." – Neville ofereceu.
"Ótimo. Deixaremos ele na sua casa. Agora me ajuda aqui." – pedi.
Colocamos Colin deitado no banco de trás, uma vez que ele já tinha desmaiado de tanto beber e fui socorrer Fred que continuava brigando com Manu.
"Ah... caaaala a booooca, Palito de Fóxforo..." – ela disse com a voz pastosa.
"Emmanuela, entra no carro." – ele mandou.
"Não entro, lá lá lá." – disse mostrando a língua novamente – "Aliáx, me dá minha chave!" – disse avançando para cima de Fred.
"Não dou." – ergueu a chave no ar e, como ele era bem mais alto, ela não conseguiu alcançar.
"Voxê... é... um... chato!" – disse dando socos no peitoral do meu irmão.
"Ginny" – ele disse enquanto segurava os punhos dela – "Abre a porta do motorista."
Obedeci a ordem e ele abriu a porta do carona e a sentou, literalmente, no banco. Mas foi na hora de colocar o cinto de segurança nela que aconteceu o pior.
"Voxê me ama, né? Frederico Palito de Fóxforo?"
Ele a olhou durante alguns minutos e os dois estavam bem próximos, até que Manu, totalmente sem noção, o puxou pela nuca, segurando firmemente seus cabelos, e o beijou. E, no começo, tive a leve impressão de que Fred correspondeu, mas logo se recompôs e a afastou para longe, com certa dificuldade e relutância, pude perceber.
"Não." – ele disse e fechou a porta.
Vi quando os olhos da garota encheram-se de lágrimas, ela poderia estar bêbada, mas ainda tinha sentimentos. Na mesma hora tive vontade de cometer um homicídio contra meu irmão, ele não podia ter feito aquilo.
"Como iremos fazer?" – Fred perguntou.
"Ela me disse que estaria sozinha em casa, acho melhor levarmos para nossa casa... Manu não está em condições de ficar só. Você pode me seguir até a casa do Neville, lá deixo o carro de Colin e nós vamos embora, ok?"
Ele apenas acenou positivamente e eu fui para o carro de Colin.
No caminho, Neville falou como tinha se assustado com o comportamento dos nossos amigos, mas eu entendo o que eles estão sentindo, só querem esquecer o que causa dor e tristeza.
Minutos depois deixei Colin com Neville e fui para o carro de Manu. Fred estava calado enquanto Manu cantava baixinho.
"Manu..." – falei – "Tudo bem?"
"Ahm.." – ela sorriu, os olhos marejados – "Tudo... Ele extá me levando para casa?"
"Não, Manu... nós vamos para a minha casa."
"Ah, Xinny..." – ela disse, triste – "Quero ir para casa..."
"Mas, querida" – falei, calma – "Lá você vai ficar sozinha."
"Não vou... eu tenho o Chocolate."
"Como um chocolate pode te fazer companhia?" – Fred disse.
"Chocolate é um cachorro, meu cachorro, cabeção." – ela pensou um pouco e completou – "Espera. Cabeção é você, não o Chocolate."
Depois dessa eu tive que rir, mas Fred não achou nada engraçado. Manu então começou a cantar, baixinho:
"Chocolate é um cachorro... tocador de violão... com chinelas de borracha e camisa de algodão... ele gosta da Chiquinha, cachorrinha tão formosa..." – parou e completou – "Espera... é cachorrinha tão mimosa... Não... ahm... Chocolate é um cachorro..." – e recomeçou a música e, mais uma vez, eu ri.
Quando chegamos em casa, ela já estava calada, mas ainda triste. Quando saímos, Fred abriu a porta do carona e perguntou:
"Você consegue andar?"
"Claro!" – disse, ultrajada, mas no primeiro passo caiu no chão.
Depois disso, Fred a pegou no colo e, pela primeira vez na noite, Manu não resistiu, encostou a cabeça no ombro dele e deixou que fosse carregada. Quando chegamos no meu quarto, pedi que Fred fosse chamar minha mãe para arrumar a cama em que ela ficaria, enquanto eu a ajudava a tomar um banho e tudo mais.
Perto da meia-noite, consegui deitá-la na cama. Ela tinha melhorado da bebedeira depois do banho, mas continuava triste e calada, só para prevenir dei um remedinho para evitar dores no dia seguinte. Quando já estava deitada e dormindo, fui para fora do quarto e encontrei Fred me esperando.
"Então, como ela está?"
"Dormindo." – falei – "Ela ficou triste depois que você disse aquilo."
"Eu sei, Ginny, mas não poderia me aproveitar da situação." – disse, cansado – "Vou vê-la." – disse entrando no quarto, eu o acompanhei.
Fiquei na porta enquanto Fred foi até a cama em que ela estava e sentou-se devagar ao lado da garota, lentamente ele acariciou o rosto dela e, para minha surpresa, depositou um selinho nos lábios dela. Depois disso, despediu-se de mim e foi embora.
E essa atitude só comprovou o que eu suspeitava...
E eu, estava tão cansada que acabei me jogando na cama e só acordei hoje.
Quando olhei para a cama em que Manu estava, já a encontrei acordada, sentada, usando óculos escuros.
"Oi, Manu." – falei.
"Ah." – disse dando um sorriso fraco – "Oi, Ginny. Bom dia, aliás."
"Bom dia." – falei, preocupada, enquanto analisava o rosto dela e logo percebi que a garota parecia estranha.
Mais estranha do que o normal...
"Você está bem?" – completei.
Ela deu um sorriso fraco e disse:
"Mais ou menos. Acordei há algumas horas e coloquei para fora tudo que ingeri nos últimos três anos."
"Por que você não me acordou? Poderia arranjar algum remédio."
"Ah, nem precisa, agora estou melhor." – sorriu novamente e completou – "Mas estou lembrando de tudo que fiz ontem e isso é pior do que o sofrimento físico."
"Hm... você lembra de tudo? Tudinho mesmo?"
"Sim." – disse com a voz fraca – "E eu quero sumir..."
"Não fica assim, amiga... Sabe, ele gosta de você."
"Gosta nada, Ginny..." – disse, triste.
"Claro que gosta. Você sabia que ele terminou com a Romina?"
"Sei... o Jorge me disse."
"Então?"
"Então o quê?" – perguntou.
"Ah meu Deus... Ele gosta sim, mulher!"
"Quem gosta de quem?" – Jorge disse entrando, descaradamente, no quarto.
"Ah, não se incomode em entrar no meu quarto sem permissão." – falei, sarcástica.
"Qual é, Ginny... Vim visitar a nossa hóspede." – disse para Manu – "Então... como você está?"
"Péssima." – respondeu enquanto o abraçava.
"Dá para perceber..." – disse olhando para ela – "Pena você não ter continuado o strip ontem... falei para o Fred não se meter."
"Cala a boca." – ela deu um tapa, muito merecido, nele.
"Agressiva." – Jorge disse, rindo – "Ei, a mamãe está chamando vocês para o café-da-manhã."
"Seu irmão vai estar presente?" – ela perguntou, desanimada, enquanto se levantava.
"Acho que sim..."
Ela soltou um longo suspiro e logo depois nós três descemos.
Quando chegamos lá, encontramos Fred, Rony e papai já sentados à mesa. Manu deu bom dia a todos e comeu sem dar atenção a ele, mas eu percebi que Fred dirigia algumas olhadelas rápidas para ela...
Depois do café, Manu trocou de roupa e se despediu de todo mundo, alegando que os pais chegariam logo e, se não a encontrassem em casa, ficariam preocupados. Ela agradeceu aos meus pais pela estadia, a mim, por ter emprestado umas roupas e um lugarzinho no quarto, e só, não agradeceu a mais ninguém.
O que deixou Fred muito nervoso porque, logo quando ela estava indo embora, ele a puxou para terem uma "conversinha". Não sei sobre o quê era, porque só pude acompanhar pela janela da cozinha, mas só posso dizer que ele tentava explicar algo, mas ela estava furiosa demais para entender. Muitos minutos depois, percebi que os dois estavam começando a se entender... quer dizer, deu a impressão de que eles estavam prestes a se beijar, no exato instante em que Romina apareceu e estragou tudo.
Manu foi embora sem dar ouvidos aos chamados de Fred, e logo em seguida ele puxou Romina para longe e foi conversar com ela.
Mas, sinceramente, nem me preocupei em espionar essa conversa... Se envolvia a irmã da Laurie com certeza não seria interessante.
E agora que falei na Laurie, lembrei da decisão que tomei ontem, logo depois que vi Draco e a noiva se agarrando na Boate. O negócio é que eu fiquei mal, muito mal... passei a noite tendo pesadelos terríveis com eles dois, e hoje percebi que essa é a única saída para o meu problema.
Quer dizer, quando eu fizer isso, ela vai me esquecer... total...
Tipo, vou poder viver em paz novamente, mesmo que isso não repare os danos no meu coração. Tenho certeza que nada pode reparar isso.
Mas então... o seguinte é esse:
Eu vou sair do grupo de animadoras de torcida.
Para começar, eu nem queria ser animadora de torcida. Entrei nesse grupo só por diversão, mas dá licença que nunca me diverti nesse grupo. Até agora só obtive preocupações, estresse e raiva, muita raiva.
Então, por que estragar minha pele com esse tipo de coisa?
Vou sair e assim Laurie vai me deixar em paz.
Simples.
Quer dizer, não é tão simples...
Eu sei que a Profa. Hooch não vai me dispensar facilmente, por isso, simularei um acidente e ela vai ter que me dispensar.
Já tenho todo o plano em mente...
Só vou precisar da ajuda de Colin e... ahm... do Carlinhos...
E de alguma sorte, claro.
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É Amor ou Amizade?
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É Amor ou Amizade?
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Segunda-feira, 14 de dezembro.
No quarto. Às 20hs.
Hoje dei início ao meu plano para sair do grupo de animadoras de torcida. A primeira coisa que fiz foi dizer tudo a Colin, afinal ele é meu comparsa, ele tinha que saber de tudo.
E só posso dizer que ele não gostou muito.
"Que ótimo. Você quer que eu te mate." – Colin disse, um pouco exagerado.
"Não, Colin... você não vai me matar..."
"Ginny, você vai cair em um salto porque eu vou esquecer de te pegar... o que é isso? Assassinato."
"Meu Deus... que exagero..."
"Isso é auxílio ao suicídio, então." – Colin disse enquanto estacionava o carro.
"Colin, ok... se não quer ajudar..." – falei, com raiva, descendo do carro.
Andei bem rápido em direção à Escola, mas não adiantou muito porque, logo, ele me alcançou.
"Ok... eu vou ajudar." – disse, por fim.
"Eu te amo, Colin." – falei abraçando-o.
"Falsa." – Colin disse, rindo.
"Ai, que fofinhos..." – a voz de galinha degolada, que sempre me persegue, disse.
"O que é, McLoren?" – perguntei, sem rodeios.
"Nada, Ginevra." – disse, rindo – "Só estava observando a felicidade do novo casal de Hogwarts."
"Ah Meu Deus..." – falei para Colin – "Vamos, antes que eu cometa um assassinato." – e saí sem me importar com Laurie.
Durante o dia acertamos os detalhes sobre o que fazer no dia da primeira apresentação das animadoras no campeonato estadual. Porque ia ser nesse exato dia em que eu ia cair e ficaria impossibilitada de continuar no grupo.
O segundo passo foi falar com o meu irmão, Carlinhos. Como ele é médico, precisaria da ajuda dele para atestar que eu estaria impossibilitada de continuar no grupo. Então, no final do dia, após as aulas, Colin e eu fomos até o Hospital em que ele trabalha. Quando cheguei perguntei à recepcionista se ele estava e ela disse que sim...
E eu, muito inocente, entrei na sala dele, sem me preocupar em bater.
Mas me arrependo... ai como me arrependo...
Porque o que vi ali foi horrível...
Meus olhos inocentes de criança, quase ficaram cegos.
Porque Carlinhos estava em uma posição totalmente comprometedora com sua enfermeira (mais especificamente, entre as pernas dela, mordendo seu pescoço e apertando sua cintura) que, por coincidência, era Vanessa, a irmã da Manu, os dois em cima da mesa... sem nenhuma noção do lugar em que estavam... ahm... se agarrando. Ainda bem que estavam de roupa... ainda.
"CAHAM." – gritei da porta, no mesmo instante em que fechava os olhos.
Sabe, não queria ver mais do que já tinha visto.
"Pu... que P...." – meu irmão, médico, o xodó da minha mãe, disse um palavrão terrível.
"Ai Meu Deus! É a sua irmã!" – ouvi Vanessa dizendo.
Em seguida escutei vários barulhos, mas não fui capaz de abrir os olhos, até ele dizer:
"Tudo bem, Ginny... pode abrir os olhos."
Abri os olhos e vi os dois em pé, atrás da mesa que, um minuto antes, servia de cama.
Ai que coisa horrorosa.
"Erm... desculpa interromper..."
"Você poderia ter batido." – Carlinhos disse, furioso.
"E você poderia ter trancado a porta." – falei enquanto entrava no consultório, sozinha, ainda bem que Colin tinha ido até a lanchonete e não viu aquela cena terrível.
"Certo... vou deixá-los a sós." – Vanessa disse, tentando fugir, mas Carlinhos a deteve.
"Não, querida... pode ficar." – não foi uma sugestão, por isso, ela sentou e ele continuou – "Então, Ginny, o que deseja?"
Contei rapidamente o que queria e no final ele estava mais furioso.
"Não vou fazer isso, Ginny. É falsidade. Não posso dizer que você está lesionada se não está."
"Carlinhoooos..." – choraminguei – "Eu vou cair, você nem precisa de muita desculpa, é só dizer que quebrei o pé."
"Não, Ginny... não vou fazer." – disse em tom de fim de conversa.
"Ah é?" – falei, com raiva – "Se você não fizer, conto para a mamãe que vi você se agarrando com a enfermeira no meio da emergência do Hospital."
"Tanto faz... Vanessa é minha namorada e mamãe irá conhecê-la na próxima quinta-feira, mesmo. E não estávamos no meio da emergência do Hospital, estamos na MINHA sala." – disse, despreocupado.
Olhei para ele triste, mas quando Carlinhos resolve, não há como voltar...
A não ser que uma certa pessoa o convença...
"Amor..." – Vanessa disse – "Não custa nada você fazer isso para a Ginny... Se ela está pedindo é por que é muito importante. Certo, Ginny?"
"Sim... é muuuuuito importante." – falei.
Ele olhou para a moça, depois para mim e, por fim, disse:
"Ok... mas se eu for preso..."
"Ah, você não vai, Carlinhos!" – falei pulando da cadeira e dando um beijo na bochecha dele e depois um outro beijo na bochecha da minha futura cunhada – "Você é o melhor irmão de todos."
"Falsa." – Carlinhos fungou, mas foi repreendido pela namorada.
"Obrigada, Vanessa... Você já é minha cunhada preferida!"
"Claro... a outra cunhada é a Fleur...." – ele disse rindo.
"Ah, pára..." – falei para meu irmão e para os dois disse – "Certo, então eu já vou... Agora vocês podem continuar o que estavam fazendo... Só tranquem a porta, certo?" – fechei a porta antes que uma almofada, lançada por Carlinhos, me atingisse – "Ah" – falei abrindo a porta novamente – "E protejam-se, não quero mais um sobrinho" – e fechei a porta rapidamente, antes que um livro atingisse minha cabeça.
E agora eu estou pensando nos últimos retoques para o plano dar certo, mas nem precisa ter pressa... o campeonato só acontecerá em janeiro, após as férias... até lá muita coisa ainda vai acontecer... certo?
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É Amor ou Amizade?
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N.B.B.E. (Nota da Beta-Reader Bambesha Enlouquecida): Três vivas pra Manu!!
Viva! Viva! Viva!
Chefa!! Ai que emotion!! Até que enfim meu momento maravilhoso chegou!! E chegou com tudo em cima!! Eu e ele em cima da mesa, ele com o... você sabe... pra cima!!! Hahahahahahahah!!! Meu Deus, estou enlouquecida!! Por favor, me internem!!
E, PESSOAS LINDAS, não esqueçam de deixar a review da Manu!! Ela merece por esse capítulo tão enorme e tão UAU!! Hahahaha!!! Além do mais, esse botãozinho novo é MÁRA!! Hahahahahaha!!!
AMO TODOS VOCÊS!!
Beijos!!
ChunLi Weasley Malfoy
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Nota da Autora: Oi gente, desculpem a demora, mas, como vocês perceberam, esse capítulo foi muito grande, por isso deu o dobro do trabalho para fazer.
O Draco mal apareceu né, mas como já falei antes, ele ia passar alguns capítulos sem aparecer muito, a partir do próximo ele vai aparecer mais, prometo.
Hm... no próximo capítulo vocês vão entender melhor o plano da Ginny, mas é fácil: ela vai se machucar para ser dispensada. Vamos ver se isso vai dar certo.
Ah, desculpem o enlouquecimento da ChunLi na Nota da Beta, mas ela é alucinada pelo Carlinhos, gente, eu nem posso dizer o nome dele que ela pira total... então, por favor, não fiquem impressionados com o que a louca, digo, garota escreveu.
A verdade é que eu também estou meio enlouquecida com a cena dessa tal de Manu com o Fred... ai meu Deuuuussssssssssssssssssssssssssss!!!!!!!
Caham...
Bem, vamos aos agradecimentos (Hj, aqui só estão as pessoas que não são cadastradas no ff, ok? Os outros respondi pelo mecanismo do ff! Hehehehe)
Quézia: Muito obrigada pela review, mocinha! Eu sei, estou demorando cada vez mais, né? Mas não é porque quero... ultimamente tem dado mais trabalho fazer os capítulos, mas a fic já tá pertinho do final e, como quero termina-la em dezembro, juro que vou atualizar mais rápido. Não é que o Draco seja sem-vergonha, sabe, o problema é que ele gosta tanto dela que nem tem noção das coisas que propõe. Hehehehe Espero que continue lendo e gostando. Beijos!
Izabele Malfoy: Seja bem-vinda, Izabele! Muito obrigada por mandar review! Primeiro, a Laurie... é, com certeza ela está grávida, mas ainda há a esperança de que o filho não seja do Draco... sempre há essa explicação! Hehehe A Ginny vai ficar sozinha por enquanto, ela não consegue esquecer o moço lá, mas vai sofrer menos, eu acho. Ah, que bom que está gostando da Manu... o mau é com U, mas deixa para lá! Hahahahahaa Desculpa a demora na atualização, foi mals mesmo! Beijos!
Daniela: Obrigada pela review, Dani (oia como eu sou metida. Ei por que você é metida? Hehehehe) Que bom que está gostando, moça! Espero que continue gostando, porque eu tô com medo desse capítulo! E foi mal a demora! Hehehehe Beijos!
Elion Rose Evans: Oie, você já tinha comentado antes? Se sim, esquece... se não... seja bem vinda, viu? Hehehe É, existe uma GRANDE chance que a Laurie esteja mentindo sobre essa gravidez, isso já é normal para ela... mentir... O Draco é idiota... idiotice crônica, o pobe... Eu coloquei os gêmeos porque eu adoro eles e sei lá, é raro ver fics em que eles apareçam.... hehehehe Não se preocupe, a Ginny vai parar de sofrer, pelo menos um pouquinho, viu? Muito obrigada pelo elogio :) Espero que continue gostando! Beijos!
Rebeca: Obrigada pela review, moça! Ah, você já está melhor? :/ Espero que sim! O Lúcio é chato, mas é lindo, menina... que esso aquele loirão! Caham... hahahaha Blaise apareceu mais nesse, né? Mas ele vai aparecer mais, é que ele estava ocupado com a Luna... hehehe Ai que emotion! Você gosta da Manu! O Fred é cego, mas logo Deus lhe devolverá a visão...huahauahau... brincadeira. Hahahaha Colin e Neville não vão ficar juntos... Cá entre nozes, mas, o Colin não é gay! Hahahahahahahaha Beijos!
Pa Lee: Obrigada pela review! Pois é... o filho da Laurie pode não ser do Draco... ela pode perder o filho tb... hehehe... sempre existirá uma solução. Continuarei escrevendo, e tentarei ser mais rápida nas atualizações! Espero que goste deste capítulo! Beijos.
Respondi separadamente pq tive medo de o ff vetar todas as respostas, ok?
No Próximo as coisas voltam a ser como antes.
Quanto às músicas cantas no show, pretendia colocar todas no meu blog, mas nem deu tempo... só tem algumas la, se vocês quiserem ver, o endereço é: h t t p : / / littlerunaway ponto zip ponto net (é só juntar tudo e tirar os "pontos" e colocar . , ai meu Deus, vcs entenderam minha loucura? Não? Xá prá lá, entonces)
Gentem, comentem, se puderem...
Beijos,
Manu Black
