Capítulo XIV

Quinta-feira, 25 de dezembro.

Em casa. Às 20hs.

Enfim, chegaram as férias de final de trimestre. E, tirando Física, acho que consegui notas boas em todas as matérias. Considero isso quase como um milagre, depois de tudo que passei durante esse trimestre, era de se esperar que eu tivesse enlouquecido no fim, mas fico feliz em constatar que, pelo menos, ainda, nenhum homem de branco veio me buscar.

O meu plano para boicotar o grupo de animadoras ainda não foi colocado em prática, porque a primeira apresentação, aquela em que vou cair de uma altura suficientemente grande para ter um braço e uma perna quebrados, só acontecerá no primeiro sábado do mês de janeiro. Mas eu e Colin (de má vontade) estamos aperfeiçoando o plano, principalmente a parte da minha queda, que pode, de certa forma, ser fatal.

Certo.

Mas não quero falar sobre isso agora.

Na semana passada, recebemos aqui em casa a visita da Vanessa, a namorada do Carlinhos. E, para surpresa de todos nós, mamãe e ela se deram muito bem, o que realmente é impressionante, visto que minha mãe e sua outra nora (leia-se Fleur) não se dão nada bem. Mas acho que o problema é a Fleur.

Certo, eu não quero falar mal dela, porque, de uma certa forma, gosto dela, mas é verdade. Fleur sabe ser arrogante quando quer... o que significa quase sempre.

Ok. Mas estou falando da Vanessa.

Eu também gostei muito dela e, mesmo que ninguém tenha pedido minha opinião, aprovo a relação entre ela e meu irmão. Só devo ter cuidado ao entrar em cômodos onde eles dois estejam sozinhos.

Logo após o jantar, ela nos convidou a ir passar o Natal na casa dela, assim as duas famílias se conheceriam. Mamãe achou uma ótima idéia, por isso, ontem, eu, meus pais e meus irmãos fomos até a Mansão dos Andrews.

E, tudo bem, eu já tinha ido lá algumas vezes, mas nunca me canso em ficar impressionada com a elegância da propriedade. Fico mais impressionada com a piscina enorme que tem lá, não é exagero, é muito muito grande mesmo.

Logo quando chegamos fomos recebidos pela mãe de Vanessa, a Sra. Laura Andrews, Laura para nós (ela que disse). Bem, ela é a típica mulher de alta sociedade: loira, magra, alta, com os olhos azuis, aparenta ter trinta anos, mas isso é impossível, porque a filha mais velha tem essa idade, então só posso concluir que aquela cútis é proveniente de várias plásticas faciais.

Ao contrário de Narcisa Malfoy, Laura Andrews tem um sorriso que não chega aos olhos azuis. É tipo um sorriso automático, iguais àqueles em que ela aparece nas fotos da coluna social do jornal.

O Sr. Andrews, que, na verdade se chama Arnold, é um homem alto e magro e, dos poucos cabelos que lhe sobraram, dá para ver que ele tem (ou tinha) o cabelo castanho claro. Ele é mais calado, mas também muito mais simpático do que a esposa.

A casa, ao contrário do que eu pensei, estava cheia de gente. Eles realmente levam a sério esse negócio de festa de Natal. Como o tempo estava bem frio (apesar da ausência de neve, o que, realmente, é um milagre), várias mesas foram colocadas na ampla sala da Mansão. Fred, Jorge e eu fomos colocados em uma mesa mais afastada, enquanto meus pais e meus outros irmãos foram para outro lugar. Nem reclamei por ter ficado longe daquelas pessoas. Eles, definitivamente, não me pareciam simpáticos.

"Que chatice." – Jorge disse bocejando.

Olhei para Fred e ele olhava para a entrada da casa, como se estivesse esperando alguém. O que era totalmente ridículo, porque aquela casa não era a Toca.

"O que foi?" – perguntei para ele.

"Ele está esperando a Manu." – Jorge disse com um sorriso malicioso.

"Nossa, faz tempo que não a vejo." – falei ao mesmo tempo lembrando que a garota estava totalmente sumida.

"Ela viajou e não avisou a ninguém." – Jorge respondeu, sem se importar.

"E por que isso?" – perguntei.

"Não sei. Em um dia ela está na Escola, no outro some." – Jorge disse, confuso – "Só soubemos disso porque falamos com a irmã dela, durante o jantar na Toca."

"Não acredito." – Fred falou, por fim, depois de alguns minutos, mas seus olhos ainda estavam grudados na porta.

Olhamos para o lugar e vimos a irmã, o sobrinho e o cunhado de Manu, além da própria, em carne, osso e um vestidinho muito fofo, verde, com desenhos de boneco de neve na barra e nas mangas.

Jorge, mandando a educação para o espaço gritou:

"Manu!"

Ela, assustada, olhou para o lugar em que estávamos e acenou, sorridente. Depois de falar algumas coisas para a irmã, veio até a nossa mesa e disse:

"Oi, gente. Como estão?"

"Bem." – Jorge e eu respondemos.

"Por onde você andou?" – Fred perguntou bruscamente.

"Estava na casa da minha irmã." – respondeu, calmamente, sentando-se ao lado dele.

"E por que você não me disse?" – Fred continuou com o interrogatório.

"Eu tinha que avisar?" – ela disse, confusa.

"Você sabe que tinha." – Fred disse, todo insinuante.

Olhei para Jorge mas ele estava tão perdido quanto eu, mas, diferente de mim, ele estava achando super engraçado.

"Fred..." – ela começou, mas ele interrompeu puxando-a pelo braço e os dois saíram da casa.

"O que está acontecendo?" – falei, confusa.

"Não sei." – Jorge disse, levantando-se – "Mas sei que algo aconteceu entre eles antes da viagem dela."

Andamos, discretamente, até a enorme janela da sala, aquela em que dá para ver a piscina da casa. Fred e Manu estavam lá, mais uma vez discutindo. Enquanto Fred gesticulava rapidamente, Manu o olhava, calma. Ela nem parecia a mesma...

"Ela está estranha." – falei para Jorge.

"É... parece mais centrada."

No mesmo instante, a briga piorou. Fred apontava o dedo para o rosto da garota, e ela, não gostando disso, deu um empurrão nele com toda a força. Fred se desequilibrou e caiu na piscina.

Jorge, ao meu lado, riu tão alto que tive que pisar no pé dele para ninguém perceber o que estava acontecendo lá fora.

Manu, parecendo aflita, olhava para a piscina, esperando o momento em que Fred apareceria na superfície. Infelizmente ela não percebeu uma mão bem próxima à sua perna, que a puxou com força e fez com que ela também caísse na água gelada. Jorge riu tanto que várias pessoas se aproximaram das janelas, querendo ver o que estava acontecendo.

Manu e Fred apareceram na superfície após alguns segundos. Ele falava alguma coisa, mas a garota o ignorou totalmente. Andou até a escadinha da piscina e, depois, dirigiu-se para o interior da casa, sem olhar, nem falar com o meu irmão.

"Meu Deus, o que você fez, Emmanuella?" – Laura disse, horrorizada com o estado da filha.

Ela não respondeu. Subiu as escadas com raiva, sem dar importância aos chamados de Fred, da mãe ou de qualquer outra pessoa.

"Fred, o que você fez?" – foi a vez da minha mãe perguntar.

"Hm... nada." – disse com cara de culpado.

"Molly, me desculpe. Minha filha sempre faz essas coisas, já fiz tudo para mudá-la, mas a menina continua estranha." – Laura disse em um tom de desculpas que não me agradou.

Quer dizer, que tipo de mãe vai logo culpando a filha assim?

Tá bom, minha mãe foi logo culpando o Fred, porque ela SABE que ele é assim, sem noção.

Mas eu não vejo nada estranho na Manu, quer dizer, não tanto assim.

"Venha comigo, filho." – Laura disse para Fred – "Vou arranjar algumas roupas secas para você."

E eu já estava seguindo os dois para ver se conseguia falar com Manu, mas a mãe dela se virou para mim e disse:

"Ginny, querida, não vá atrás da Emmanuella... ela é muito dramática." – e saiu puxando meu irmão, sem se preocupar com o estado da filha.

Cruzes. Tenho pena do Carlinhos, ter esta mulher como sogra vai ser horrível.

Voltei para o lugar em que Jorge estava e, durante muito tempo, ficamos calados, até Fred retornar, já com a roupa trocada.

"Onde você arranjou essa roupa?" – Jorge perguntou com um sorriso de zombaria.

O problema é que a roupa era muito chique para nossos padrões...

"É do pai dela." – Fred respondeu – "Então, onde ela está?"

Posso dizer que ele estava parecendo um maníaco?

"Não voltou. Por que você fez isso, Fred?" – perguntei.

"Ela me jogou primeiro." – respondeu, na defensiva.

"Foi sem querer, Fred." – falei, realmente chateada – "O que aconteceu entre vocês dois? Quer dizer, antes?"

Ele suspirou, um sinal de que não queria falar sobre o assunto, mas quando pensei que o rapaz ia ficar calado, ignorando minha pergunta, ele abriu a boca e cuspiu toda a verdade.

"Aconteceu na semana passada." – disse por fim.

"Certo. O quê?" – falei, começando a ficar assustada.

Quer dizer, eu vou ser tia novamente???

"Não foi nada demais, Ginny." – falou, impaciente – "Aconteceu na segunda-feira, logo depois daquele sábado em que ela foi lá para casa." – suspirou mais uma vez – "Eu estava tentando falar uma coisa para ela, mas vocês a conhecem. Ela não quis escutar... então... bem... para calar a boca dela, eu a beijei."

No mesmo instante, Jorge soltou um assobio alto, em aprovação ao ato do irmão.

Sabe, meninos são muito estranhos.

"E, para falar a verdade, não foi só um beijo." – falou sem se importar com os risos de Jorge – "Foram alguns." – completou.

"Certo. Não preciso dos detalhes sórdidos." – falei – "Então por que vocês não se entenderam?"

"A Romina chegou e estragou tudo." – suspirou mais uma vez e completou – "E depois disso, a Manu sumiu e o resto vocês sabem."

"Essa Romina é igualzinha à irmã dela, só chega na hora errada." – falei, revoltada – "Por que você foi se envolver com essa gente, Fred?"

"Ginny..."

"É imperdoável!" – exclamei, porque já estava cansada da Lauren, quer dizer, da Romina – "Se eu fosse a Manu agiria do mesmo jeito..." – falei, nervosa, e saí, sem deixar que meu irmão se defendesse.

E eu sei que fiquei parecendo uma louca agindo assim, mas não posso fazer nada se qualquer menção à cria dos McLoren fico nervosa. Porque elas são assim, gostam de destruir o relacionamento dos outros.

Odeio Lauren e, por tabela, odeio Romina.

O resto da noite fiquei sentada afastada de todos, apenas observando aquelas pessoas extremamente ricas (exceto a minha família) conversando sobre seus carros importados e sobre a bolsa de valores. Ou qualquer outra coisa que pessoas ricas falam...

Manu não voltou mais para a sala e eu tentei falar com ela de novo, mas toda vez que Laura Andrews me via subindo a escada, me puxava para longe, impedindo qualquer contato com a moça. Sabe, que mulher detestável!

Dei graças a Deus quando aquela noite horrorosa terminou. Além de estar muito cansada fisicamente, estava enjoada com a frescura daquela gente, principalmente da Sra. Andrews.

Quando chegamos em casa, fui direto para o meu quarto e me joguei na cama, queria dormir e esquecer tudo que acontecera de desagradável naquela noite.

Há muito tempo, tipo, quando eu era criancinha, minha mãe colocava todos os presentes ao lada da minha cama, para que eu acreditasse em Papai Noel e tal. E, tudo bem, aos dez anos me disseram que ele não existia (isso realmente foi um trauma na minha vida), mas minha mãe continua colocando os presentes do lado da cama.

E ela faz isso com todos nós, inclusive Fred e Jorge... Aposto que se Gui, Carlinhos e Percy ainda morassem aqui, ela ainda faria isso. Acho que mamãe passa a noite acordada fazendo isso...

Bem, mas isso não é importante.

O primeiro pacote que abri era da minha mãe e, como sempre, encontrei um suéter. Dessa vez, era uma peça cor de rosa, com bordados de ursinhos. Além disso, ela me deu uma cestinha cheia de doces. Em seguida, abri o pacote de Fred e Jorge, e encontrei uma caixa vazia, com um bilhetinho no qual eles diziam que estavam sem dinheiro. Todo ano é a mesma coisa.

O terceiro pacote que abri foi da Hermione e do Rony (mas sei, muito bem, que o presente é uma escolha dela), era um livro de poemas. Valeu, era tudo o que precisava para curar meu coração partido. Fala sério!

O pacote seguinte foi do Gui e da Fleur, e era um casaco muito bonito que, tenho certeza, foi escolhido pela minha querida cunhada. Depois abri o pacote de Percy e Penélope, e encontrei mais um livro, dessa vez sobre como ficar rico antes dos 20 anos. Certo, eu nem tenho com o que me preocupar, né, Percy?

Em seguida, vi o presente de Carlinhos e Vanessa, era um vestido roxo, frente-única, longo, com um decote em V bem generoso, e que tinha um caimento perfeito no meu corpo. E eu adorei, esse será o traje que vou usar na festa de ano novo. Tenho certeza que vou arrasar com esse modelo.

O presente que abri em seguida foi dado em grupo, era do Harry, da Pansy, do Blaise e da Luna e, sem ofensa aos outros, era o mais fantástico. Uma máquina digital que filma, grava, é mp3, mp4, mp5, mp1000, dança, pula, faz piruetas e serve cafezinho. Tudo o que sonhei.

O pacote seguinte era do Colin e do Neville e, era um ursinho rosa, tipo, rosa-choque, muito lindo, ele tinha uns brilhinhos nos lacinhos e nas patinhas. Adorei esse também.

O penúltimo pacote era da Manu e, desculpe, mas era o mais chique de todos os outros. Era um pacote bem menor do que os outros, mas nele estava o presente mais caro, tenho certeza, porque o que tinha dentro daquela caixa era um blackberry... Ai Meu Deus! Um blackberry! Sinceramente, vou dizer uma coisa horrível, mas é verdade. ADORO TER AMIGOS RICOS!

O último pacote não tinha nenhum cartão ou nome que indicasse o remetente. Quando abri a pequena caixa, vi uma chave e, no fundo da caixa, um bilhete. No instante em que coloquei meus olhos no papel já soube de quem era, a caligrafia fina e masculina, só poderia ser de uma pessoa. E só tinha uma frase no papel: "Você irá entender."

Com o coração aos pulos, olhei para o bilhete e para chave tantas vezes que já começava a ficar vesga. Até que uma luz ofuscante me fez entender. Era a chave de um apartamento, onde ele queria se encontrar comigo, porque ele estava certo de que seria amante dele.

No mesmo instante, meus olhos encheram-se de lágrimas. Como ele conseguia ser tão cruel? Eu não sou igual à Laurie, nunca aceitaria uma situação dessas, mesmo que a parte com chifres fosse a McLoren... Sentindo a fúria borbulhar dentro do peito, joguei a chave na parede e, em seguida, chorei muito, tanto que acho que estou desidratada.

Só que, não importa. De uma vez por todas, vou esquecê-lo. Preciso. Não agüento mais ficar chorando, ou então fingindo que estou bem, quando na verdade não estou nada bem.

Eu só queria sumir, sabe?

Quem sabe consiga isso logo logo...

Com sorte a minha queda pode render mais do que um simples pé quebrado...

#

É Amor ou Amizade?

#

Quinta-feira, 01 de janeiro.

Não sei onde. Não sei a hora.

Um novo ano...

E a esperança de que as coisas comecem a mudar, mas sinto em dizer que nem tudo está novo ou mudando.

Minha mãe sempre faz uma festa no último dia do ano para comemorarmos o ano novo. E ela chama todo mundo: família, amigos e até desconhecidos que passam na nossa porta. Então você deve imaginar que a casa estava cheia com toda a minha família, mais os amigos do meu pai (que, na maior parte, são do trabalho) e as amigas da minha mãe, incluindo Narcisa Malfoy.

Se Narcisa tivesse vindo sozinha, tudo bem. Mas não. Ah NÃO! Ela tinha que vir com seu marido, Lúcio Malfoy, e seu filho, Draco Malfoy, que trouxe a reboque sua noivinha, Lauren McLoren.

Quando vi, tive vontade de sair correndo para o meu quarto e ficar trancada lá até completar 90 anos de idade, mas consegui me conter a tempo e não fugi. Até porque, Draco estava bem longe de mim, ele e Lauren ficaram conversando na mesa em que a Laura e Arnold Andrews estavam.

Eu fiquei numa mesa mais afastada, sentada com Colin, Jorge, Fred, Neville e Manu. Mas ninguém estava muito animado. Colin e Neville pareciam chateados com alguma coisa, Fred olhava para Manu descaradamente e, Manu olhava para o nada. Então posso dizer, sem medo de errar, que nossa mesa tinha um aspecto fúnebre.

A noite passou desse jeito, sem nenhuma diversão, pelo menos da parte do pessoal da nossa mesa. E eu rezei muito para que aquela noite acabasse rápido, por isso, fiquei muito feliz quando os convidados começaram a ir embora (após a meia-noite). Logo depois de Manu se despedir, levantei da mesa com o intuito claro de ir dormir. Sentia um cansaço muito grande, por isso não notei que alguém me seguia até o meu quarto.

Só percebi que não estava sozinha quando fechei a porta do quarto e vi o reflexo do indivíduo no espelho, logo atrás de mim.

"AIIIIIIIIIIIIII!" – gritei de susto. Óbvio.

"Shhhh." – ele colocou a mão sobre a minha boca – "Alguém pode te ouvir."

"O quê você está fazendo aqui, Draco?" – falei quando ele tirou a mão.

"Quero conversar." – disse tranqüilo.

"Nós não temos nada para falar, Malfoy." – falei, cansada – "E, aliás, tome." – disse entregando à ele a caixa com a chave dentro – "Se você acha que vou me encontrar com você clandestinamente em alguma pocilga, está muito enganado."

"Do quê você está falando?" – perguntou, confuso.

"A chave. É de algum quarto em um motel, não é? Pois saiba que não vou ser sua amante, Malfoy. NUNCA."

"Ginny, não é nada disso."

"Ah, não?" – perguntei, sarcasticamente – "Não me diga que essa é a chave da cidade."

"Não... eu só..." – respirou fundo e continuou – "Foi uma metáfora, ok?" – ele parecia desconcertado.

"Metáfora para quê? Para nos encontrarmos em um lugar longe dos olhos da sua noivinha?"

Ele bagunçou os cabelos, um sinal de que estava muito nervoso e, de repente, avançou em mim, fazendo com que meu corpo batesse com força na porta do quarto.

"Essa chave é..." – respirou fundo mais uma vez – "Do meu coração, tá legal? Quis dizer que só você tem a chave do meu coração, apesar de tudo."

E então senti vontade de rir. E chorar. Tudo ao mesmo tempo. Porque parecia infantil, mas ao mesmo tempo era triste, porque, ainda que fosse verdade, nunca mais poderíamos ficar juntos.

"Fala sério." – disse, rindo – "Chave do seu coração?"

"É. Eu planejei te dar esse presente antes... sabe, quando ainda não tinha acontecido nada disso..."

"Pois você nunca deveria ter mandado esse presente idiota." – falei, tentando segurar as lágrimas.

"Então você não gostou?" – perguntou, descaradamente, me soltando.

"Claro que não gostei." – falei rindo – "Quer dizer, aposto que para a sua noiva você não compra uma simples chave. Com certeza, Laurie ganhou uma coisa mais valiosa... vejamos... uma Mansão? Um carro? Um anel de brilhantes? E eu só ganho uma chave velha e enferrujada?"

"Então, agora você está mais preocupada com o valor material do objeto?" – ele parecia realmente magoado e, sinceramente, senti prazer nisso.

"Estou." – menti – "Cansei de ser a Ginny boazinha, que sempre está feliz com tudo. Por isso" – falei pegando, novamente a caixa, que ele tinha jogado no chão – "Pega esse presente ridículo e leve-o. Eu não quero, Malfoy. Mesmo que fosse uma chave de ouro, eu não ficaria com ela."

Ele me olhou por alguns instantes, até que pegou a caixinha da minha mão e saiu, sem dizer mais nada.

Quer saber? Não me importo. Não mesmo.

E aquele presente foi idiota mesmo.

Quem dá uma chave de presente a outra pessoa, sem segundas intenções?

Ah, faça-me o favor.

É melhor mesmo que ele fique chateado, assim fica bem mais fácil esquecê-lo...

#

É Amor ou Amizade?

#

Segunda-feira, 05 de janeiro.

Em casa. Às 20hs.

As aulas começaram novamente e, por um lado, fico feliz. Não agüentava mais não ter nada para fazer. Embora, por outro lado, um lado negro, eu odeie voltar para as aulas, já que tenho que ver a cara da Laurie.

E sinto em dizer que, infelizmente, a vi hoje. Durante a hora do almoço. Eu, Colin e Neville estávamos indo para a nossa mesa, quando, no meio do caminho, encontramos Laurie e suas comparsas, mas hoje ela nem se preocupou em me chatear, na verdade, a mocréia, digo, a garota estava mais preocupada em brigar com Ellie, uma das suas comparsas.

Tentei ouvir o que elas diziam, mas não ouvi nada, só sei que Laurie estava muito pu... quer dizer, muito furiosa com a outra, porque tenho a leve impressão que ouvi uns sibilos ao invés da voz normal de chinchila afônica.

Além disso, não aconteceu mais nada de importante. A não ser os ensaios para a apresentação de sábado, aquela mesma em que eu vou cair dos braços do Colin... e, possivelmente, vou quebrar o pescoço.

Tá bom, não quero mais falar nisso... acabei de lembrar que tenho uma pilha de deveres para fazer...

#

É Amor ou Amizade?

#

Sexta-feira, 09 de janeiro.

Na casinha da árvore. Às 17hs.

A semana passou sem grandes novidades.

Até hoje.

Só posso dizer uma coisa:

Meu Deus.

O dia começou igualzinho aos outros, então, pulemos essa parte e vamos ao que interessa. A primeira coisa aconteceu na hora do almoço, precisamente quando eu estava procurando Colin, uma vez que ele tinha saído correndo da sala de aula, sem esperar por mim.

Procurei em todos os cantos possíveis, mas foi no lugar impossível que o encontrei. Em uma sala abandonada, tendo uma conversa "inflamada" com Ellie, a comparsa da Laurie. Quando os dois me viram, calaram-se imediatamente.

"O que está havendo?" – perguntei, confusa.

Porque nunca tinha visto Colin tão furioso, o rosto dele estava muito vermelho e a respiração era bem rápida, como se ele tivesse corrido vários quilômetros.

"Nada, Ginny." – Colin disse com a voz BEM grave.

"Ahm... tem certeza?" – falei, observando Ellie, que também estava muito vermelha.

"Vou deixar os pombinhos a sós." – ela disse, a voz carregada de sarcasmo – "Divirtam-se." – completou, fechando a porta com um estrondo.

Olhei para Colin e, mais uma vez, perguntei:

"O quê está acontecendo, Colin?"

Ele andou, de um lado para o outro da sala, sem falar nada. Até que parou na minha frente e disse:

"Você tem que jurar que não vai ficar chateada." – ele parecia muito nervoso.

"Certo. Não irei ficar com raiva."

"Ok." – disse respirando fundo – "Eu fiquei algumas vezes com a Ellie."

Tenho certeza que nesse exato instante meu queixo caiu.

Não era possível.

Colin e Ellie?

Mas Colin não era... ahm... era, não era?

"Colin, você é gay." – falei, sem rodeios.

E ele riu. Muito.

"Do que você está rindo?" – perguntei, confusa – "Você é gay. Você me disse."

"Eu nunca falei isso, Ginny." – disse, ainda sorrindo – "Você pensou que eu era por causa do meu jeito."

Sim, um jeito totalmente suspeito.

"Mas... você parecia..."

"Ginny, só porque sou carinhoso não quer dizer que sou gay."

"Todo mundo pensa que você é." – falei, na defensiva.

"Eu sei, e não me importo. Não preciso da opinião de ninguém para viver. Às vezes é engraçado, todo mundo pensar uma coisa que definitivamente você não é."

"Ai Meu Deus." – falei, arrasada – "Desculpa, Colin..."

"Não tem problema, Ginny." – disse, rindo um pouco – "Então, não está chateada?"

"Claro que não."

"Não tem problema eu me envolver com a Ellie, amiga da Laurie?"

"Ah tá." – falei, entendendo todo o problema – "Por que a Ellie, Colin? Tem tantas meninas..."

"Eu sei." – disse, desolado – "Se pudesse escolher, não seria ela. Mas aconteceu, Ginny."

"Certo. Então era por isso que estavam discutindo?"

"Mais ou menos..." – disse, confuso – "Bem, acho melhor irmos para o Salão Principal, antes que a hora do almoço acabe."

Entendendo o sinal de que a conversa sobre aquele assunto específico acabara, seguimos para o Salão, calados. Eu ainda estava muito impressionada com todas aquelas informações totalmente inesperadas.

E, quando sentamos à nossa mesa de sempre, tivemos mais uma revelação bombástica. Pelo menos para mim.

Linda e Neville estavam namorando.

Deu para perceber, porque os dois estavam muito agarrados, mas só para confirmar, perguntei:

"Vocês estão juntos?"

"Sim." – os dois disseram juntos.

Parabenizei os dois porque, realmente, formam um belo casal.

E, olhando para a mesa em que sento, fiquei um pouco incomodada. Porque sou a única menina solteira e o único menino solteiro é o Colin.

"Daqui para frente, somos só nós." – ele disse, um sorriso triste no rosto.

"É." – respondi, apertando a mão dele.

"Por que vocês dois não ficam juntos?" – Blaise disse, intrometido, devo ressaltar.

"Porque nós somos amigos, Blaise..."

"E qual o problema?" – disse, descaradamente – "As coisas mudam."

"E por que NÓS temos que nos adequar a vocês?" – Colin perguntou, bruscamente. Ele ainda estava nervoso.

"Certo. Blaise, adorei a sugestão, mas não tem nada a ver, ok?" – falei segurando a mão de Colin – "E Colin, nós temos que conversar. Vamos." – falei, puxando-o, sem me importar com os assobios de aprovação de Zabini.

"Você tem que se acalmar." – falei, quando já estávamos na sala – "Quer dizer, eles não têm culpa de serem felizes. E nós não temos culpa por termos nos apaixonado pelas pessoas erradas."

Ele não falou e eu optei por ficar calada também, porque sei muito bem o que ele está sentindo... é o mesmo que sinto há meses e não consigo me curar.

No fim do dia, tivemos mais ensaio e devo dizer que foi o ensaio mais difícil de todos. Porque Colin dirigia olhares mortíferos para Ellie, enquanto ela dirigia olhares ressentidos para mim e, no final, estava tão sem paciência com os dois, que terminei o ensaio mais cedo e vim embora para casa a pé.

E foi durante a minha caminhada que vi a terceira coisa impressionante. Como o parque fica no caminho para minha casa e, fazia muito tempo que não ia até lá, parei e sentei embaixo da árvore de sempre, olhando as crianças brincarem e os pais correrem atrás delas.

Até que uma voz me assustou tanto que, se não estivesse sentada, teria pulado uns dez metros.

"Ai, desculpa, você se assustou?"

Olhei para o lado e vi Jorge sentando ao meu lado. Ele estava com Fred, e este segurava um filhote de labrador (com um laço no pescoço).

Estranho.

"O que é isso?" – apontei para o animal.

"Um cachorro." – disse, claramente, na defensiva.

"Eu sei, bocó." – falei, enquanto pegava o bichinho nos braços – "A mamãe sabe que temos um cachorro?"

"Ela não precisa saber." – Fred respondeu, olhando para a rua.

"É... porque ele vai dar o cachorro de presente." – Jorge disse, um sorriso de zombaria no rosto.

"Para quem?" – perguntei, enquanto o pequeno bicho mordia meu dedo, mas não doeu, porque ele praticamente só tinha gengivas.

"Ora... para quem..." – Jorge disse, como se fosse óbvio – "Para a Manu."

"Ela já tem um cachorro, cabeção." – falei para Fred.

"O Chocolate morreu. E a Manu ficou muito triste... ela passou a semana inteira chorando pelos cantos da faculdade, e então o nosso irmão" – Jorge disse batendo no peito do outro – "Teve a brilhante idéia de gastar todo o dinheiro dele no pulguento."

"Ah, Jorge... ele não é pulguento." – olhei para o cachorrinho que usava meu dedo como mordedor e era tão lindo, pequenininho e de pêlo claro.

"Ela chegou." – Jorge disse sorrindo.

Fred tomou o cachorro das minhas mãos e esperou que a garota se aproximasse. Ela parecia realmente péssima, tinha uma aparência triste e abandonada.

"Oi." – disse, desanimada.

"Olá, Manu. Como vai?" – perguntei, preocupada.

"Mal. Você soube o que aconteceu?"

"Acabei de saber." – falei, realmente triste – "Sinto muito."

"Obrigada, Ginny. Foi horrível... Eu sinto tanta falta dele."

Olhei para Fred e ele parecia sem jeito.

Já Jorge parecia estar se divertindo, mas ele sempre está mesmo.

"Preciso falar com você." – ele começou – "A sós." – completou enquanto puxava a mão da garota que, estava tão mal, que nem reclamou.

Os dois foram até o banco do parque e começaram a conversar. Quer dizer, Fred falou e entregou o filhote a ela. No mesmo instante o rosto dela se iluminou e pude perceber que ela chorava e ria ao mesmo tempo.

"Ela é doida." – Jorge concluiu.

"Coitada." – falei, rindo – "Ela só está feliz. Aliás, desde quando o Fred é tão legal?"

Porque essa é a grande revelação.

Desde quando meu irmão gasta todas as economias dele em um presente?

Aliás, não tinha sido ele que me deu uma caixa vazia no Natal, alegando estar sem dinheiro?

"Ele ama a doida." – Jorge disse – "Tive certeza disso quando ele chegou com a bola de pêlos."

Continuamos olhando a cena e parecia que estávamos num universo paralelo. Eles estavam sorridentes e conversavam como duas pessoas civilizadas. E, sinceramente, já estava perdendo o gosto em espionar os dois quando Manu levantou do banco e veio até nós.

"Ginny, fica com o Bubbles um pouquinho? Preciso falar com ele a sós."

Certo, como se o cachorro contasse né.

"Ok." – respondi, pegando Bubbles.

Manu voltou para o banco e sentou bem próxima a Fred. Ah sim, as coisas iam começar a ficar interessantes, por isso nem me importei quando Bubbles começou o processo de decepamento do meu dedo.

"Certo, agora o negócio fica interessante." – Jorge disse, também na expectativa.

Eu sei, nós somos ridículos.

Mas você tem que entender que a história deles parece novela mexicana do pior tipo, daquelas que você não agüenta e PRECISA saber do final.

"Ela perguntou porquê ele comprou o cachorro." – Jorge disse.

"Você colocou uma escuta nele?"

"Não, infelizmente." – disse, desapontado – "Mas eu sei ler lábios."

"Certo." – falei, descrente

"Ele disse que comprou porque comprou." – continuou a narração.

"Ela quer saber o porquê... ela tocou o rosto dele..."

"Jorge, eu estou vendo, pelo menos." – falei, tentando não rir.

E não precisou ele narrar a cena seguinte porque eu vi e meu coração bateu forte quando viu. A cena, quero dizer. Foi um beijo. E foi lindo, porque foi bem calmo e suave.

"Ele disse que a ama." – Jorge disse, rindo – "E ela disse que o ama." – deu uma gargalhada e completou – "Clichês."

"Deixa de mentira, Jorge." – falei, rindo também.

E nós ainda estávamos rindo muito quando os dois se aproximaram, sorrindo, de mãos dadas.

"Do que vocês estão rindo?" – Fred perguntou, desconfiado.

"De nada." – falei, levantando.

"Então, quando vai ser o casamento?" – Jorge, nada discreto, perguntou.

"Ah, Jorge!" – ela disse e abraçou o outro gêmeo com tanta força que o coitado gemeu de dor.

Manu nos deu uma carona para casa e todo o caminho foi feito com Jorge fazendo piada sobre os dois. Ele tentou disfarçar, mas a verdade é que também estava feliz pelos dois.

Aliás, quem não estaria?

Enfim, aquelas brigas intermináveis acabaram!

Isso sim é um motivo para comemorar!

Bem, agora tenho que ir.

Porque amanhã é o grande dia... o dia em que vou cair.

Ainda bem que vivi o bastante para saber que Colin é hetero, Neville está namorando e Fred e Manu estão juntos.

Agora posso ir em paz.

#

É Amor ou Amizade?

#

Domingo, 11 de janeiro.

No hospital. Sem saber a hora, mas é de manhã.

Então eu sobrevivi, mas não saí ilesa.

Ontem o dia começou como todos os outros: acordei cedo, tomei banho, vesti o uniforme da animação de torcida e desci para tomar o café da manhã. E depois que já estava pronta, pensava em uma maneira de pedir carona a alguém, pois não contava com Colin. Quer dizer, ele tinha sido tão grosseiro durante o ensaio no dia anterior que eu pensava que ele nem ia me ajudar mais, muito menos ir me buscar.

Já estava quase pedindo ao meu pai para me levar, quando ouvi a campanhia tocando e, ao abrir a porta, vi Colin olhando para mim.

"Oi." – ele disse, sério.

"Ahm... Oi. Quer entrar?"

"Não... você vai comigo para a Escola?"

O Campeonato Estadual acontece em uma das Escolas participantes e, nesse ano, a Escola escolhida foi Hogwarts.

"Vou. Espera só um minuto." – falei e saí correndo para pegar minha mochila.

Quando já estávamos no carro, ele disse:

"Desculpe por ontem. Eu só fiquei nervoso com as coisas que estão acontecendo."

"Tudo bem, Colin." – falei, sorrindo – "Você está bem?"

"Estou sim." – disse com um sorriso sincero.

Então durante o restante do trajeto, falei sobre as coisas que tinham acontecido após o nosso pequeno desentendimento. E ele também ficou muito feliz em saber que, enfim, Fred e Manu tinham se entendido.

A Escola ainda estava totalmente deserta quando chegamos. Tudo bem, o jogo só começava às onze horas e ainda nem tinha dado nove horas, mas nós tínhamos que ensaiar antes da apresentação. E foi o que fizemos, ensaiamos a minha queda até a chegada das outras garotas.

Por volta das dez e meia, paramos o ensaio e fomos nos vestir para a apresentação. Eu me sentia muito nervosa, porque realmente existia a chance de me machucar feio. Tive vontade de desistir logo no início no jogo, uma vez que a apresentação aconteceria no intervalo, mas continuei firme e, quando chegou a hora, respirei fundo e olhei para Colin.

Ele me olhou sério, torcendo para que eu desistisse da idéia, mas ao invés disso, apertei sua mão com força e nós entramos para a apresentação. A música era "Break the Ice" da Britney e, no início, fizemos toda a coreografia normalmente, mas perto do final, num salto muito bem calculado, "errei" e caí no chão, ao invés de cair nos braços do Collin.

O que eu não sabia é que no meio do caminho teria uma pedra...

Onde eu bati a cabeça e por pouco não morri.

Tá bom, é mentira a parte do morrer, mas, caramba, bati a cabeça e, tudo bem, nem foi um lugar fatal, mas na hora doeu.

E, tipo, fiquei totalmente tonta... Lembro que caí no chão e a última coisa que vi foi Colin correndo para ver como eu estava... depois, desmaiei e só acordei aqui no Hospital.

Logo quando abri os olhos vi meu irmão, Carlinhos, debruçado sobre o meu rosto.

"Ai." – falei quando ele tocou o galo na minha testa.

Que lindo.

Agora tenho um chifre na testa.

"Isso é muito bem feito." – ele disse.

"O quê?" – perguntei ainda confusa.

"Você quase morreu, Ginny." – Carlinhos estava furioso – "Se você tivesse morrido..."

"Não exagera." – falei, devagar, porque a dor na minha cabeça era muito grande – "Bati a cabeça numa pedrinha."

"Pedrinha?" – respirou fundo e continuou – "Você está totalmente maluca, Ginny."

"Ah, Carlinhos, deixa de drama. Então" – falei, animada, como se fosse perguntar qual seria meu prêmio – "O que eu quebrei? Uma perna? Os braços?"

"Nada." – respondeu, simplesmente, enquanto media minha pressão.

"O quê? Nada?"

"Nada. Todos os ossos inteiros." – ele disse, sorrindo.

"Ah, não... fala sério... então por que estou nessa porcaria de Hospital?" – perguntei no mesmo instante em que tentava me levantar e a dor na minha cabeça aumentou tanto que gritei.

"Por isso." – ele disse – "Você tem que ficar em observação."

"Ah não..." – gemi.

"Ah sim. E isso é para você aprender a não fazer coisas perigosas." – disse levantando-se

"Carlinhos... Você vai me dar um atestado médico dizendo que não posso mais fazer exercícios físicos, e assim sou dispensada?"

"O quê?" – disse, incrédulo – "Ginevra" – certo, ele estava muito furioso – "Não vou dar nenhum atestado para você. Isso é errado, posso ser preso por falsificação."

"Mas..." – comecei.

"E você tem que enfrentar os problemas, não pode fugir deles o resto da vida. Essa história já acabou, Ginny, não conte mais comigo." – e saiu do quarto, soltando fogo pelas ventas.

Aff, que estresse.

Minutos depois a porta foi aberta e Vanessa entrou, toda sorridente.

"Oi, Ginny. Como se sente?"

"Com muita dor. Meu irmão não prescreveu nenhum medicamento? Tipo... morfina?"

Ela riu muito depois dessa, porque não era ela que estava sentindo aquela dor insuportável.

"Prescreveu. Está aqui." – disse me entregando um comprimido e água.

"O que é isso?" – perguntei quando a pílula já tinha passado pela minha garganta.

"Tylenol."

"Ele só mandou um tylenol?" – falei, indignada – "Imprestável." – funguei.

"Ginny, ele ficou preocupado com você. Aliás, todos ficaram..." – ela disse, sorrindo – "Seus amigos, seus pais e sua professora de educação física estão lá fora."

"A Profa. Hooch?"

"Sim. Vou deixá-la entrar." – Vanessa disse, saindo.

Minutos depois a porta foi aberta novamente e a Profa. Hooch entrou, toda séria.

"E então, Weasley? Está bem?"

"Não, Professora." – falei com a voz bem fraquinha – "Acho que não posso mais ser animadora de torcida, tenho impressão que nunca mais poderei andar novamente." – caramba, que drama!

Ela me olhou séria e eu vi um brilho estranho naquele olhar de gato.

"Weasley, já falei com seu irmão e ele disse que, em cinco dias, você estará novinha em folha." – ela estava se divertindo com a situção – "E não adianta você cair, acidentalmente, de novo, Weasley, você continuará animadora. Pelo menos até o final do ano letivo."

Eu estava tão passada que nem consegui falar.

"Então, descanse muito nesses cinco dias, Weasley. Porque depois você terá que recuperar o tempo perdido com a equipe." – e piscando um olho, saiu, sem dizer mais nada.

A porta foi aberta novamente e, dessa vez, entrou uma multidão: meus pais, Rony, Hermione, Jorge, Fred, Manu, Harry, Pansy, Blaise, Luna, Linda, Neville e Colin.

Todos ficaram me cercando de cuidados, menos Colin, que continuou parado perto da porta, olhando para mim.

"Eu estive perto da morte e você nem vem falar comigo?" – disse para ele, sorrindo.

"Não brinque com isso." – ele parecia chateado.

Todos os outros tinham parado de falar para prestarem atenção à conversa.

"Estou bem, Colin. Nada aconteceu." – falei, sincera.

"Foi por pouco." – ele disse, desolado – "Se você tivesse batido a nuca naquela pedra ou algo assim, nunca me perdoaria."

"Ah, Colin..." – falei, quase chorando – "Vem cá."

De muita má vontade, ele se aproximou da minha cama e eu o abracei bem forte, porque só ele entendia o quanto o nosso, ok, o MEU plano tinha fracassado.

"Viu? Eles formam um belo casal." – ouvi Blaise dizendo.

"Cala a boca, Blaise." – eu e Colin dissemos juntos, mas não nos separamos (eu tinha começado a chorar e não queria que os outros vissem.

Todo mundo riu e logo as perguntas recomeçaram novamente.

Mas agora, pensando em tudo que aconteceu, só posso dizer uma coisa: eu sou incompetente até na hora de me matar.

Tudo bem, não foi uma tentativa de suicídio, mas ficou bem óbvio para as pessoas que eu quis cair (a Professora Hooch, Hermione e Linda tinham achado muito estranho o modo como não consegui chegar aos braços do Colin)....

E no final isso só me rendeu um galo (mais parecido com um chifre de unicórnio) na minha testa e uma dor de cabeça infernal, que já diminuiu um pouco, mas não passou totalmente, e por isso ainda estou aqui no Hospital.

Ah, estão batendo na porta... espero que seja o Carlinhos, com a minha alta.

#

É amor ou amizade?

#

N.B.B.: Tcham, tcham, tcham, tcham!! Quem estará à porta?? Ó, dúvida cruel!! Heheheheheh!!! Eu não conto nem sob tortura!! Viu, amiga?? Sou fiel!! :D Amei, Bee!!

Gentem!! Se vocês quiserem saber quem está batendo, é bom mandarem reviews, heim!! A Manu pode ficar brava e não postar mais!! Aí, fica todo mundo na curiosidade!! Então, já sabem!!

Amo todos vocês!!

Beijos!!

ChunLi Weasley Malfoy

#

Nota da Autora: Oi gente, tudo bem? Dessa vez vim um pouco mais rápido, depois de 19 dias! êêÊ! Nossa, hoje eu tô com mania de ê! EEEEEEEEu Hein! Bem, nem tenho muita coisa a dizer, só que o próximo capítulo é o penúltimo! êêÊêÊ! Hahahahahahahahahahahahahahahahaha

Respondendo as reviews (Quem tem cadastro no ff, eu respondi por e-mail!):

Izabele Malfoy: Oie, Obrigada pela review!!! É, a Ginny tá ficando maluca a cada dia que passa, mas também, todo dia a pobre leva uma nova patada. Hehehehe Colin é MARA! Huahauahauahauahauaa Nunca tive um amigo Colin... que nhá, viu! Espero que continue lendo e gostando! Beijocas!!!

Quézia: Oie, obrigada pela review!!!! Fico tão feliz em saber que gostou do capítulo e dos agarramentos dele...hahahahaha... Em breve a Ginny vai ficar feliz, pelo menos eu espero... a coitada, né... heuheueheueheue Espero que goste desse capítulo também! Beijocas

Larissa: Ain...obrigada pela review e seja bem-vinda!!! êêÊ! Ain, tô emocionada com os elogios, muito obrigada mesmooo!!! Fico contente em saber que evolui! ê! \o/ Hahahaha, Sério, valeu mesmo! Espero que continue gostando. Beijocas.

Yu: Obrigada pela review!!! Pois é, todo mundo quer matar a Laurie...hahahaha...coitada... Eu queria ser a Manu que tá de rolo com o Fred, mas infelizmente ele morreu e tudo mais...hahahaha... mas, sim, eu me inspiro em mim para pegar...digo, para ficar com o Fred, porque eu amo o Fred tantoooooooooo!!! *ain ain* Entonces, eu tentei não demorar, acho que consegui! Heheheheehehhe Beijocas!!!!!

Pri: Obrigada pela review, moça, seja bem-vinda! Você é a Pry de cima? Hehehehehe Vou responder as duas reviews aqui, se não for, sorry! Hehehehe Fico tão feliz em saber que você está lendo e gostando da fanfic e que também leu outras fics minhas e gosta do jeito que escrevo. Ain, fico emocionada, sério mesmo! Obrigadaaaaa! Heheheehhe :D Espero que continue gostando de tudo... beijocas!

Daniela: Obrigadenha pela review, moça! Hahahaha, boa, mata a aLuna! Hahahahah Brincadeirinhaaaaaa! O Zabs é o preferido de todo mundo! Coloquei ele um pouquinho nesse capítulo, só para vocês nao morrerem de saudade. Pode dar palpite! Eu adoro palpites! Eeeeee! Hehehehehe Sério, pode palpitar... a Ginny tenta resistir ao Draco, mas não consegue. Eu sei, ela é idiota! Beijocas, flor!!!

É isso,

Beijocas,

Manu Black