Capítulo 3
Cruzaram olhares, desafiantes.
—É um preço muito elevado, encanto? —perguntou inuyaha com doçura.
kagome engoliu a saliva diante daquela pergunta. O que ele sugeria arruinaria sua reputação. Mas seria essa ruína um preço excessivo para salvar sua família?
—O que... Exigiria que eu fizesse na qualidade de sua amante? —perguntou tratando de ganhar tempo.
Ele arqueou uma sobrancelha.
—Não pode imaginar?
—Suponho que espera que tenhamos... Relações carnais.
—Sim, é o certo. —Curvou a boca com seco regozijo.
— Mas acredito que suas obrigações não serão muito pesadas. Visitarei seu leito sempre que o deseje como é natural, e você deve aprender a me agradar.
—É provável que te decepcione. Não tenho talento nesse terreno.
—Não saberei até que não a tenha debaixo de mim.
Embora suas palavras audaciosas a deixavam sem fôlego, seus contínuos intentos de intimidá-la só a enfureciam.
—Não tenho experiência como amante, só como esposa. Minha única... Intimidade com um homem foi com meu marido. E essa parte do matrimônio me resultou... Em extremo desagrado. Certamente, não posso compreender que seu gênero considere tão grato a luxúria.
Ao finalizar, seu tom era depreciativo e mordaz. Entretanto inuyasha não conseguiu descobri se estava zangada com ele, ou com seu falecido marido ou com os homens em geral.
—Mas conforme se diz seu marido era um caipira. E segundo você mesma admitiu, nunca desfrutou de um amante adequado. Com o risco de parecer imodesto, sou bastante perito para ensinar o que precise saber. Acredito poder afirmar com toda confiança que desfrutará com educação.
kagome elevou o queixo com ar majestoso.
—Como acredita ser possível adivinhar se eu desfrutei ou não? Não sabe nada de mim.
—Mas conheço as mulheres, querida. E compreendo os prazeres da carne. Não pode ser você tão diferente da maioria de seu sexo. Uma noite em meus braços e a terei tremendo por mim.
—Tinha razão, milord. É um arrogante diabo.
Ele sorriu.
—Seus crimes são múltiplos.
Ao ver que ela ficara em silêncio, inuyasha a examinou com curiosidade perguntando se sua depreciativa altivez era uma farsa. Se estivesse fingindo incompetência com o fim de excitar seu interesse, sua tática estava funcionando. Não podia recordar a última vez que havia me sentido tão excitado com a simples presença de uma mulher.
E por que vacilaria ela em aceitar sua oferta tão generosa? Nenhuma amante, por magnífica que fosse, valia cem mil libras, e estava dando a ela tanto a oportunidade de resgatar aquela soma enorme como de salvar a seu desprezível irmão. Seria uma tola se negasse.
Duvidava que kagome higurashi fosse uma tola. Era evidente que estava acostumada ao escândalo, e que devia ser perita, sofisticada e o bastante mundana para utilizar seu corpo a fim de conseguir seus objetivos; como tantas ambiciosas e superficiais belezas que conhecia.
Supunha que também era possível que realmente fora fria e insensível incapaz de verdadeira paixão. Do mesmo modo, podiam impulsioná-la o orgulho ou o temor. Seria natural aquela cautela e a vulnerável expressão de seus negros olhos?
—Teme-me, lady higurashi? —perguntou ele muito gravemente.
—Considerando quando se trata de você, seria muito imprudente por minha parte não, não temer a um homem que nenhuma regra é sagrada e de que nenhuma mulher se acha a salvo.
—Não tem razões para ter medo de mim.
—Disse o lobo ao cordeiro.
Ele sorriu diante de sua afiada língua. Era singularmente refrescante encontrar uma beleza enérgica que não temesse por expressar-se com liberdade.
Com ar despreocupado inuyasha foi para o aparador e procurou algo em uma gaveta. Retirou um baralho de cartas que mostrou a ela.
—Rogo que se acalme milady. Não sou nenhum lobo, mas como tinha dito, sou um jogador, por isso te proponho lhe dar uma oportunidade esportiva. Ambos tiraremos uma carta, e ganhará à maior. Se resultar vitoriosa, perdôo em troca de nada a dívida de seu irmão; se perder será minha amante durante este verão.
Ela o olhou com olhos muito abertos e com expressão insegura. inuyasha imaginou que podia ver-se em suas brilhantes profundidades ainda do outro lado da sala.
—O que me responde milady?
kagome fechou os olhos enquanto lutava com o impossível dilema. Era escandaloso comercializar com sua honra em um desesperado meio de conseguir a ajuda de taisho. Já s tinha se vendido uma vez, em matrimônio, e tinha jurado não voltar a fazê-lo jamais.
Não obstante, seria mais repugnante entregar seu corpo aquele homem do que o tinha sido em seu matrimônio? Muitas mulheres saltariam de contentamento diante da oportunidade de compartilhar o leito de inuyasha taisho. Possuía uma reputação legendária nas relações sexuais. As mulheres o encontravam inegavelmente desejável... E ela não era diferente. Que Deus a ajudasse.
Inclusive ele estava oferecendo uma oportunidade para triunfar. Na realidade, podia ganhar. Mas e se perdesse? Sua reputação se veria arruinada.
Aquela proposta era desonrosa, inclusive cruel. Mas sua paixão era o preço que ele pedia por concordar com sua misericórdia. E para proteger sua família de sua cólera, ela negociaria com o diabo.
—Deixa-me uma pequena escolha —respondeu em tom firme e sem inflexões.
Reconheceu á favor dele que não mostrava nenhum regozijo.
—Faça as honras. Baralhe as cartas e primeiro saque a sua.
kagome avançou contra gosto para ele e aceitou o baralho. Tinha jogado whist e às centenas o suficiente para baralhar com competência, mas suas mãos tremiam, e a tarefa custou alguns momentos.
—Escolha sua carta, querida —a animou lorde Sem.
Ela estendeu o baralho sobre a mesa e tirou uma carta que voltou para cima. Uma sota de corações. A esperança alagou seu peito. Era possível que uma sota superasse ao contrário. kagome conteve o fôlego, sentindo os batimentos de seu coração.
Lorde taisho escolheu então sua carta e a virou com seus dedos largos e elegantes.
kagome ficou olhando o rei de espadas, incapaz de ocultar seu desespero: tinha perdido.
—Ainda está em tempo de trocar de idéia —murmurou ele.
Curiosamente, ele dava uma última oportunidade de retirar-se. Ela negou estupefata. Cumpriria o acordo.
—Fechamos então o trato?
kagome exalou um suspiro controlado esforçando-se por manter-se serena. Não era uma covarde. E sua família estaria salva. Tinha que conformar-se com isso.
Certamente, sua salvação era muito mais do que se atreveu a esperar quando foi implorar diante de lorde Sem.
—Sim, aceito.
Sobressaltou-se quando ele levantou lentamente a mão para tocar sua bochecha. Fez o que pôde para não estremecer.
—kagome. —taisho pronunciou seu nome com suavidade, em um tom que era como uma carícia.
Ela elevou o olhar e seus olhos se encontraram por um segundo.
—Honra-me com um beijo para selar nosso acordo?
kagome olhou seus lábios. Tinha uma formosa boca, pensou de modo impróprio. Sentiu que o pulso se acelerava de modo perigoso.
Ficou rígida enquanto ele se inclinava ligeiramente para posar sua boca com delicadeza sobre a dela. Foi de leve o roçar sua carne contra carne dele, apenas isso e, entretanto ela o sentiu como se formasse uma marca candente. Estremeceu sem poder evitar.
Quando ele levantou a cabeça, ela pôde ler a satisfação em seus olhos cinza.
—Foi tão difícil?
—Suponho que não —reconheceu sombria.
Com gesto descuidado, inuyasha deu um toque na gola de sua capa.
—Deve esta sentindo calor com tanta roupa, querida. Não necessita disto, verdade?
Expressava-se com voz rouca, como uma suave carícia.
Ela o olhou confusa incapaz de compreender a pergunta.
—Tiraria a capa por mim?
—por quê?
—Porque desejo verte.
inuyasha devia ter percebido que ela sentia crescer o alarme em seu interior. Olhou-a fixamente.
—Faço-te uma promessa, kagome. Não farei nada contra sua vontade. Dou-te minha palavra.
Ela não sabia se podia acreditar, se podia confiar nas promessas de um famoso libertino, mas na realidade fazia pouca diferença. inuyasha tinha pagado pelo privilégio de despi-la se o desejava.
Com os dedos tremendo, desabotoou os botões de sua capa. Ao ver que duvidava, ele agarrou o objeto de seus ombros e a deixou brandamente sobre a mesa.
—Confesso minha decepção —murmurou enquanto examinava seu singelo vestido de lã merina cor castanha.
—Prefiro muito mais o traje que levava ontem à noite. Este não faz justiça a sua formosa silhueta, embora destaque a rica cor de seus olhos. Vêem, sente-se comigo um momento
—acrescentou.
Agarrou-a pelas mãos e a conduziu a espreguiçadeira. Ela se esforçou por não resistir, enquanto ele fazia com que se sentasse a seu lado com a fria segurança daquele que indevidamente se sentia como ela. kagome se sentou rígida, conteve o fôlego e sentiu que seu coração pulsava agitado. Proporia seduzi-la ali mesmo, naquele momento?
O rosto do barão estava perto do seu de modo inquietante. Encontrou-se olhando sua boca, aquela boca incrivelmente sensual e de formosa forma.
inuyasha advertiu aonde dirigia seu olhar, e se sentiu excitado. Não fez movimento algum para tocá-la.
Reconhecia sinceramente que a desejava, mas era muito ariscado, uma ação precipitada. Alegrava-se de ter ganhado a aposta, e não pela enorme soma que se achava em jogo.
Era bastante rico para não sentir falta de sequer uma quantidade tão elevada. Mas agora teria a oportunidade de explorar as ocultas profundidades daquela mulher intrigante e enérgica.
Seu instinto dizia que ela não estava comportando com fingimento. Tinha medo... E era muito vulnerável. Suspeitava que alguém a tinha ferido gravemente.
Teria que utilizar até o último extremo do controle que possuía para avançar devagar com ela, para aguardar até que respondesse com liberdade. Entretanto, o tesouro que descobriria no final valeria apena o esforço.
Não podia permitir que partisse então; não até que começasse sua campanha para vencer o temor que inspirava ganhar sua confiança. Uma vez longe de sua presença, ela só se atormentaria com sombrias imaginações, representando em sua mente como um monstro malvado.
Não, desejava que ela provasse um pingo do prazer que podia lhe dar, de modo que começasse a ver que, em realidade, não era tão temível.
O doce aroma de kagome invadiu seu olfato, mas com férreo domínio se obrigou a controlar seus desejos.
—Quer me olhar, querida?
Ela acessou a contra gosto e ele prosseguiu naquele tom que a desarmava.
—acredita em mim, um libertino, sei. Mas sou um monstro?
—Eu... Não te conheço o bastante para emitir tal julgamento.
Ele sorriu.
—Certo. Sou igual a você, nunca enfrentei uma circunstância tão particular. Teremos que improvisar.
kagome não podia desviar o olhar: havia algo quente e tenro nos olhos dele que acalmava seu pânico.
—Queria voltar a te beijar. Negaria-me um beijo?
Ela sentiu pulsar seu pulso com força em sua garganta.
—Dá-me alguma opção, milord?
—Claro que sim. A escolha sempre será tua.
kagome esquadrinhou seu rosto em busca de sinais de engano, mas não encontrou nenhuma. Ele tinha prometido não tomá-la contra sua vontade. Talvez tivesse sido sincero.
Ao ver que não respondia, acariciou de novo a bochecha.
—Tem uma pele suave como a seda.
Passou o polegar pela sua boca em um toque persistente e provocador. Ela desejava mover-se, fugir de sua inquietante proximidade, mas se sentia cativada pela intensidade de seu olhar, pela poderosa sexualidade que emanava dele.
inuyasha colocou os dedos pelos lábios úmidos e separados, provocando um estremecimento de ardente sensação.
—O que responde, doce kagome? —Inclinou o rosto da moça para ele.
—Me beijará?
Sua voz acariciava seus sentidos como veludo, debilitando suas defesas. Tinha a firme necessidade de proteger-se daquele homem e, entretanto... Desejava que não deixasse de tocá-la.
—Sim... — murmurou com apenas um sussurro.
Foi suficiente. taisho agarrou ela pelo rosto com suavidade, com infinita ternura. kagome observou encantada como suas negras pestanas escureciam seus sensuais olhos. Seu fôlego escorregou quente contra os lábios dela e logo sua boca se posou na de kagome com a lenta e segura pressão da experiência.
Sentiu-se assaltada por uma cálida onda de sentimentos. O beijo era um lânguido e íntimo conhecimento de sua boca que roubava sua respiração. Ao ver que ela não protestava, inuyasha introduziu a língua entre seus dentes em uma sensual invasão.
O sabor dele era adorável. Ela pressionou ligeiramente o peito do homem com as mãos embora, na realidade, não desejava impedi-lo. Sentiu a consistência de seus firmes músculos sob os dedos, o calor de seu potente peito, e percebeu o aroma excitante que ele tinha, quente e almiscarado.
Sua língua brincava em uma dança lenta e erótica enquanto prosseguia o macio toque com os dedos. kagome sentiu vagamente que voltava a acariciar com suave delicadeza seu rosto, sua nua clavícula, seu ombro...
Um momento depois curvava seus largos dedos sobre o decote quadrado de seu vestido. Ela ficou em tensão quando ele empurrou o sutiã para baixo, deixando descoberto o pleno e redondo contorno de seus seios sobre sua camisa e espartilho. Como se achasse uma grande distancia, ouviu ele murmurar:
—Não tema, anjo...
O insinuante murmúrio de sua voz rouca tranqüilizou seu alarme.
taisho inclinou lentamente a cabeça, seguiu com seus lábios o caminho que tinham percorrido seus dedos, e suas suaves carícias a enfeitiçaram. Agitou-se tremendo enquanto ele baixava sua camisa. Sentiu o suave roçar de sua respiração sobre seu seio... E de repente ficou rígida. Ele se propôs beijar seus seios nus!
Ficou sem fôlego, pelas primitivas sensações que despertava nela. Exalou um suspiro ao ver que ele sugava seu seio. Não pôde evitar a vergonhosa sensação em seus seios, o descarado calor que se retorcia nela e, não obstante... Descobrimento que desejava que ele os beijasse.
Quando o homem roçou com sua língua o sensível mamilo, kagome se estremeceu, mas não de dor. Excitada com a resposta que pulsava entre suas coxas a sobressaltou e a fez tremer. Ele percorreu com agilidade a suave e cheia carne do seio dela com seus lábios, capturando a provocadora cúpula. kagome se estremeceu diante de tão descarada sensualidade.
inuyasha seguiu excitando-a, brincando com o tenso botão com sua aveludada e vermelha língua, chupando brandamente com sua boca quente. kagome se curvou para ele aturdida, desejando o abrasador prazer que acendia em seu corpo.
Gemeu brandamente diante de sua tentadora e endiabrada bruxaria. Para ouvi-la, ele deixou de saborear seu mamilo e de repente voltou a centrar-se em sua boca com um beijo quente e ávido cuja inesperada fúria provocou em kagome um seco e fundo gemido que veio da profundidade de sua garganta.
Apoiou de modo involuntário as mãos contra os ombros de taisho. Logo, subitamente, o feitiço se rompeu e, de repente, lorde Sem pareceu pensar melhor e, de modo inexplicável, interrompeu o beijo.
Oprimiu sua testa contra a dela com brutalidade e soltou uma áspera gargalhada, como se se esforçasse por recuperar sua força de vontade. Uma quebra de onda de decepção invadiu kagome. Ela não tinha desejado que aquilo conclui-se e, ao parecer, tampouco ele.
taisho inspirou profundamente, mas sua voz rouca surgiu com um tom frio.
—Me perdoe. Por um momento me deixei levar.
Seu formoso rosto lhe chegou em um suave ponto de vista. kagome o olhou entre a consternação e o desejo. Nunca tinha experimentado tão primária sensação de um simples beijo.
—Acredito que subestima muito seus encantos, querida. Se pode me excitar sem tentá-lo, não tenho nenhuma dúvida de que será capaz.
kagome sentiu uma onda de vergonha com uma desconcertante e inexplicável resposta que ele tinha obtido dela. Só uma rameira podia desejar semelhante homem.
Era impossível recuperar de repente seus sentidos, mas fez um esforço para recuperar seu autodomínio. Não pôde olhar lorde taisho enquanto batalhava com seu desordenado sutiã nem quando retirou brandamente as mãos para o lado e, com solicitude, ajudou-a a cobrir seus seios nus.
kagome aceitou sua ajuda a contra gosto. Devia agradecer por abandonar seus abraços antes que chegasse muito longe, porque ela não teria sido incapaz de resistir. Teria deixado que continuasse e teria entregue o que ele tivesse pedido.
Entretanto, taisho deveria ter percebido seu desconforto, porque se levantou de seu assento e se distanciou.
—Possivelmente deveríamos discutir os detalhes de nosso acordo —disse com ar despreocupado.
Partirei para o campo esta semana, assim que possa contratar uma acompanhante para minha irmã. Eu gostaria que viesse comigo.
kagome se esforçou por devolver sua atenção à questão que debatia entre eles. Tinha aceitado ser a amante de lorde taisho.
—Onde te propõe que eu viva? —Perguntou em voz baixa, embora fosse relutante considerar um passo tão irrevogável.
—Posso te instalar em uma casa conveniente numa distancia de minha casa.
Ao vê-la vacilar, sorriu com cinismo.
—Certamente, facilitarei pra você carruagem e cavalos e assumirei qualquer outro gasto.
kagome compreendeu que ele acreditava que ela estava negociando para obter maior remuneração.
—Não me preocupava ter uma carruagem, milord.
—Não?
—Pensava nas aparências. Se me facilitar uma casa e uma carruagem, todo mundo saberá que sou seu amante.
—Assim imagino —murmurou taisho cauteloso.— É o sistema habitual nestes casos. Mas se tiver alguma sugestão melhor, estou disposto a escutá-la.
—Não devo considerar unicamente minha reputação, mas também a de minhas irmãs. Elas tão somente sofreriam talvez de modo irreparável, por minha causa... Em relação á você.
Quando ele a olhou, seus olhos tinham perdido o calor.
—Já deseja renegar o nosso trato, anjo? Se for assim ainda não é tarde para que mude de idéia. Só tem que sair por essa porta.
—Não tenho intenção de mudar, milord, mas queria repetir minha anterior oferta. Estou disposta a servir de acompanhante de sua irmã. Isso facilitaria uma desculpa, embora tenha, minha presença sempre perto de você.
E acredito que poderia ser de verdadeira ajuda.
inuyasha franziu a testa, mas conteve sua primeira inclinação em desprezar a oferta final. Era certo que tinha estado procurando urgentemente uma acompanhante para a rim, mas confiava em silenciar o mais possível o escândalo de sua fuga. Com sua mente propunha contratar a mais respeitável e estrita governanta que pudesse encontrar, com uma reputação impecável. Não uma mulher mundana, poderia resultar mais simpática e aceitável para a rim em suas circunstâncias. E kagome higurashi
—Não estou seguro de que compreenda as dificuldades a que te enfrentaria —disse cético.
— rim está completamente prostrada no leito. Sofre paralisia assim como desespero. Atuar como sua acompanhante requer a paciência de uma Santa.
—Compreendo milord, e te asseguro que aprendi a ter paciência com minha experiência. Como te disse, tenho experiência de cuidar de minha mãe, assim como de minhas irmãs.
—Acrescentou. — Se resultar em algum consolo para você, eu gostaria de tratar de reparar o erro de meu irmão.
inuyasha foi para a janela e contemplou a elegante avenida que ficava em frente a sua mansão londrina. Sua irmã era a única coisa que ele havia realmente de bom no mundo. Entretanto, tinha falhado confiando sua educação à mercê de serventes. Gostaria de tratar de compensá-la por seus anos de descuido. E faria tudo, todo o possível por ajudá-la a recuperar-se de seu destruidor acidente.
Talvez a encantadora lady higurashi tivesse razão. Possivelmente pudesse ser realmente capaz de ajudar rim. E se conseguisse salvar sua reputação naquele processo, seria melhor. Não podia censurá-la porque desejasse proteger suas irmãs. Sendo honrado consigo mesmo, sua disposição de defender sua família, inclusive a custa de um grande sacrifício pessoal, era a principal razão que o atraía para ela.
—Suponho que poderíamos fazer uma prova —disse lentamente,
— Pode permanecer em Rosewood como acompanhante de rim durante o período de prova, talvez uma semana ou duas. Se descobrirmos que não funciona, sempre poderemos trocar o acordo.
kagome suspirou instintivamente. Se pudesse esconder uma vergonhosa relação com Lorde Sem depois da decorosa aparência de acompanhante, conservaria pelo menos sua reputação.
—Naturalmente, o melhor seria ocultar o fato de que é a irmã de kazumi
—acrescentou ele depois de pensar uns momentos.
—Sem dúvida rim não necessita que recordemos ao causador de sua desgraça.
—Certamente. Mas não acredito que esteja à par de meu parentesco com ele. souta diz que nunca falaram de sua família com detalhe e meu sobrenome de casada é diferente do dele. Não é o bastante, alguns de seus vizinhos poderiam estabelecer a relação e dizer a ela.
—Não teriam oportunidade —repôs taisho.—rim está prostrada no leito e se nega a receber alguém.
—Talvez então poderia dizer simplesmente que sou uma viúva e que estou a procurar um emprego.
Observou que taisho consultava o relógio de bronze dourado que havia sobre no suporte da chaminé.
—Isto me recorda... Que chego tarde à entrevista com a agência de emprego onde me têm preparadas várias candidatas para que as examine. Dispunha-me a sair quando chegou.
Ela o olhou com a testa franzida.
—Acreditei que havia dito que tinha uma entrevista com o alfaiate.
—Admito que procurei um subterfúgio.
—Faz-o freqüentemente?
Ele esboçou um seco sorriso, não isenta de um natural encanto varonil.
—Não desejava cobrir sua firme opinião sobre mim como libertino.
Incapaz de se permitir seguir sentindo-se enfeitiçada por aquele homem, kagome compreendeu que tinha chegado o momento de despedir-se.
—Rogo-te porque não me demore por mais tempo —disse, enquanto ficava em pé.
—Chamarei um criado para que te acompanhe —ofereceu ele.
—Posso encontrar perfeitamente a saída, milord.
—Dadas as circunstâncias acredito que poderíamos prescindir dos títulos, não te parece? Meu nome é inuyasha.
—Muito bem..., inuyasha.
—Eu gosto desse som em seus lábios.
Ela desenhou um penetrante sorriso ante seu tom provocador. taisho recordava intencionadamente sua recente intimidade.
A seguir passou um pensamento por sua cabeça, pois não desejava evocar o sabor do beijo recebido nem a sensação da boca quente em seus seios. Tal sensual comportamento era impróprio dela. Nunca, nenhuma só vez, tinha sido excitada por seu marido durante seu interminável ano de matrimônio. As relações carnais tinham sido um dever em extremo desagradável. E estava segura de que resultaria a ela igual entregar-se a um libertino dissoluto como lorde Sem, por muito perito que fosse nas artes amorosas e encantador com o sexo débil.
Sua mente estava tão ocupada enquanto se dispunha a recolher sua capa que quando ele chegou atrás dela se estremeceu.
—Tranqüila, querida —murmurou em um tom que podia ter utilizado para acalmar a uma égua assustada.
Aceitou a contra gosto sua ajuda para ajudá-la, e quando taisho, com as mãos ligeiramente apoiadas em seus ombros, fez-a voltar-se para enfrentar a ele ficou tensa.
Desejava fugir, escapar de sua entristecedora proximidade, mas não permitiu afastar-se. Em lugar disso ficou olhando-a, cativando-a com seus penetrantes olhos.
—Tenha a segurança de que não tento te causar danos, kagome —murmurou brandamente.—Só vou seduzir te.
kagome se sentiu avermelhar. Tinha poucas dúvidas de que ia causar danos,mas seduzi-la era a mesma coisa. Lorde taisho era um homem audazmente sensual, perigoso e fascinante.
Temia que todo aquilo resultasse em sua ruína.
Perguntou se pediria outro beijo ou algo pior, mas felizmente a soltou. Ela escapou sem responder.
Ao ficar só, inuyasha retornou à janela e observou pensativo. Ao cabo de uns momentos viu sair da casa lady higurashi e descer pela escada principal com o capuz cobrindo o rosto para proteger seu anonimato.
O condutor a ajudou a subir na carruagem e logo se situou na frente e pôs o veículo em movimento. Entretanto, muito depois o veículo se perdeu de vista, inuyasha seguia em seu posto com expressão pensativa e uma estranha confusão em seus pensamentos.
Em que confusão se colocou? Não era seu propósito que os acontecimentos se desenvolvessem daquele modo. Á última coisa que necessitava nesses momentos era uma amante que complicasse sua vida. E, certamente, ainda menos a resolvida e receosa irmã mais velha do homem a quem tinha jurado destruir.
Tinha dado à dama todas as oportunidades de desistir de sua oferta esperando que ela voltasse atrás de sua escandalosa proposição. Contudo, devia confessar seu prazer diante a perspectiva de que ela cumprisse a aposta.
inuyasha agitou a cabeça atônito. Quando foi a última vez que havia sentido tal prazer? A última vez que seu pulso se acelerou diante do pensamento de ter a uma mulher em seus braços tal como acontecia com a kagome higurashi
—Uma eternidade —murmurou para si.
Fazia uma eternidade desde que alguém tinha causado tal impressão a ele, e se tal coisa tinha acontecido. Tinha saboreado os encantos das mais formosas mulheres da Europa e nenhuma o tinha intrigado tanto como kagome higurashi com sua combinação de desafio, vulnerabilidade e beleza. Resultava notável o anseia que despertava nele tão facilmente.
Fechou um momento os olhos enquanto recordava o sabor dela, a deliciosa sensação de seus delicados seios, tensos com seu contato... E sua própria selvagem reação. Um simples abraço o tinha excitado de modo irracional. Quase tinha perdido a cabeça, e seu sangue se tornou denso e quente. Inclusive a lembrança lhe afetava naqueles momentos.
inuyasha se excitou enquanto fogosas imagens da mulher flutuavam diante de seus olhos e de sua mente. Imaginava ela nua em sua cama, exuberante e sensual, dobrando-se de tanto ele explorava os mistérios de seu corpo de seda...
Aquela imagem sensual o avivou.
—Tome cuidado —murmurou entre dentes. E apertou com energia a boca numa repentina e dolorosa inflamação.
Mas sua inesperada excitação tinha uma explicação plausível. Fazia semanas que não desfrutava de uma mulher... Passou semanas em sua casa rural em Warwickshire cuidando de sua entrevada irmã. Não estava acostumado à abstinência. A deliciosa Cisne Prateado tinha sido o último corpo quente que o tinha acompanhado em sua cama, depois de uma prolongada sucessão de corpos quentes, se tinha visto obrigado a abandoná-la bruscamente quando recebeu a notícia da desventurada queda de sua irmã.
Como desculpa, deu ordens a seu secretário de que enviasse à atriz uma gargantilha de esmeraldas que combinava com o bracelete que já tinha entregue a ela antes, e uma delicada nota insinuando que deveria encontrar outro protetor. Ele não tinha tido a oportunidade —ou francamente o desejo— de tocar a outra mulher até que tinha chegado sua encantadora visita daquela manhã.
De novo seus pensamentos pediam a Vankagome higurashi. inuyasha se retirou bruscamente da janela e apertou com energia a campainha para chamar seu secretário.
«Que diabos têm de tão especial nela?» O que encontrara de tão provocador na dama,e tão atrativa, em especial considerando que o evidente desagrado —possivelmente o temor
— que ela sentia para ele era pouco menos que irracional?
Mas a desejava. E se propunha tê-la.
Reconheceu que seus motivos não eram especialmente nobres. Seu primeiro impulso básico tinha sido prejudicar a irmã de kazumi assim como ele mesmo se viu prejudicado. Obrigar lady higurashi a lhe servir de amante seria uma adequada —embora incompleta vingança.
Mas isso tinha sido antes de beijá-la, de saboreá-la...
inuyasha franziu o sobrecenho perguntando-se por que de repente remoia sua consciência. Devia realmente sentir arrependimento? Diante o pedido dela tinha renunciado a uma fortuna e à oportunidade de destruir o sedutor de sua irmã. E, em que pese a sua relutância, ela tinha negociado como uma cortesã, comercializando seu corpo pela oportunidade de salvar a sua família.
As concessões dele tinham sido mais que generosas.
E embora estivesse mais que desejoso em seduzi-la, não tinha intenção de obrigá-la a compartilhar sua cama. Em primeiro lugar a aparência dos olhos de seu irmão, era muito mais importante que a ruína real da reputação de kagome. Por muito dissoluto e imprudente que fora o jovem kazumi, não desfrutaria com a idéia de que sua irmã desempenhasse o papel de amante.
Por um segundo refletiu que ele nunca tinha que esforçar-se em seus cuidados a nenhuma fêmea. Estava seguro de que conseguiria transformar a aversão dela em encantamento, sua reticência em voluntária rendição.
E isso converteu de repente para ele em algo de vital importância.
Desejava sua entrega, seu perfeito corpo quente e disponível sob o seu. Desejava ouvir seu nome tremendo nos lábios dela. Desejava-a...
Certamente que haveria dificuldades segundo o insólito acordo que tinham tomado, vivendo ela em sua casa isolada junto de sua jovem irmã, inocente e inválida. Certamente, ele não poderia anunciar que ela era sua amante. Na realidade, sua sedução seria mais complexa que qualquer relação em que embarcou antes. Mas todos seus instintos lhe diziam que o esforço valeria a pena
—Realmente é um prêmio que vale a pena ganhar, meu anjo.
inuyasha curvou sua boca em um semi-sorriso. Não tinha dúvida alguma de que haveria uma batalha de vontades entre ambos. Mas esperava ansioso o desafio de infiltrar-se na armadura defensiva da encantada kagome
Encontraria supremo prazer em ensinar a satisfazer os desejos de um homem... E em satisfazer a si mesmo.
