Dois dias haviam se passado. Dois torturantes dias e havia algo de melancólico naquela manhã, naquela que seria a última vez que tomariam café da manhã ao lado um do outro. Holmes sentado com o jornal em mãos notou a presença do outro, mas ainda sim permaneceu imóvel. Se Watson fosse um pouco mais observador teria notado a data do jornal e concluído que nada naquele papel interessava o detetive ao ponto de impedi-lo a tocar no desjejum.
– São quase 7 horas.. Eu tenho que estar á igreja em trinta minutos e..
– Eu te acompanho – o detetive abaixou o jornal dobrando-o e colocando sobre a mesa.
Watson piscou algumas vezes e então reparou que o amigo já estava com o traje formal e também havia penteado os cabelos nessa manhã. Sherlock estava incrivelmente arrumado e o esperando ao lado da porta.
– Eu ainda preciso colocar as minhas roupas, Holmes.
– Eu espero.
Watson se levantou da mesa e entrou de volta ao quarto onde colocou o traje, logo percebendo que os músculos do seu corpo se recusavam a levantar e sair de encontro ao casamento como se algo o prendesse naquele maldito quarto.
I'm sittin' here all by myself
just tryin' to think of something to do
Tryin' to think of something, anything
just to keep me from thinking of you
But you know it's not working out
'cause you're all that's on my mind
One thought of you is all it takes
to leave the rest of the world behind
Well I didn't mean for this to go as far as it did
And I didn't mean to get so close and share what we did
And I didn't mean to fall in love, but I did
And you didn't mean to love me back, but I know you did
I'm sittin' here tryin' to convince myself
that you're not the one for me
But the more I think, the less I believe it
and the more I want you here with me
You know the holidays are coming up
I don't want to spend them alone
Memories of Christmas time with you
will just kill me if I'm on my own...
John sentiu o perfume de Holmes fazer cócegas em suas narinas e então direcionou o olhar ao amigo parado em frente a porta. Durante um piscar de olhos o médico sentiu sua boca ser invadida por um gosto forte de conhaque, a língua quente e macia o acariciava, braços envolviam seu corpo, o perfume impregnando a sua roupa de gala.
Holmes o beijava com tamanha intensidade que rapidamente os pulmões sentiram necessidade de oxigênio, porém nem o médico nem o detetive pretendiam ceder.
Depois de anos, ambos relutando e não aceitando a si mesmos, tudo de que tinham necessidade agora era um do outro. As mãos hábeis do detetive percorriam por todo o corpo do menor expondo aos poucos aquele corpo que Sherlock desejava tanto ver e tocar. Watson desfez as roupas do amigo e rapidamente se agarrou aos cabelos desarrumando-os – gostava dos cabelos desarrumados – arrancando um riso do amigo.
– Achei que iria gostar da minha versão arrumada e penteada, John
– Eu acho que vou ficar com a versão despenteada e desarrumada – um sorriso travesso brincou nos lábios do médico.
Logo ambos despidos se movimentavam um contra o outro, o prazer evidenciado no sorriso de cada rosto, a realização no jato de cada um. Caíram em exaustão após o encontro de corpos, os sorrisos ainda perambulavam entre os lábios de ambos.
– Mary é uma ótima moça.
– Eu sei disso.
Os olhos castanhos do detetive foram atraídos pela simplicidade da resposta do médico. O semblante de Watson era sereno e despertou a curiosidade de Holmes.
– Você tem noção que acabou de deixá-la esperando no alt..
– Holmes - o médico encarou os olhos castanhos.- Mary é ótima mas ela tem um péssimo defeito, eu não sei se conseguiria viver com ela.
– E o que ela tem de tão grave? Além de pegar emprestado as jóias..
– Ela não é você. - o médico exibiu um sorriso leve, as mãos acariciavam a barba por fazer. - Esse é o defeito dela, Holmes.
