Capítulo 02.

- Haley... – Nathan entrou na cozinha, enquanto ela batia o mingau na tigela vermelha para entregar a Jamie que apoiava os braços na bancada, esperando o café da manhã.

- Nathan, o que foi? O que aconteceu? – perguntou Haley decifrando a sua expressão, deixando a tigela vermelha em cima da bancada de mármore, Jamie sequer tocou na comida, querendo prestar atenção na conversa.

- Jamie... Por favor, vá para o quarto! – disse Nathan autoritário.

- Mas...

- Agora! – disse com a voz grossa, como fazia raríssimas vezes com o filho.

Jamie pareceu emburrado, pegou sua tigela de mingau, desceu da cadeira e saiu correndo descalço pelo piso de madeira.

- O que houve? Por que todo esse drama? – perguntou Haley aproximando de Nathan.

- Dan... Ele... Ele está morto!

Haley arregalou os olhos, colocou a mão sobre a boca, estupefata.

- O que... O que...

- O carro da babá Carrie foi visto pelas redondezas – disse Nathan – Só pode ter sido aquela vaca!

Haley sentou no lugar de Jamie, colocou as mãos no meio dos cabelos, sem saber o que fazer.

- Foi minha culpa... Eu trouxe aquela psicopata para dentro da nossa casa. Eu sinto muito, Nathan – ela ficou em pé, caminhou até o marido, com os olhos cheios de lágrimas – Eu sinto muito!

- Não se preocupe, Hales. Não foi sua culpa! – Nathan a beijou na testa, ela abraçou-o pela cintura, afundando o rosto no peitoral do marido – Ninguém a conhecia, e... Além do mais, Dan teve o que mereceu!

Haley desabou em lágrimas, os dois ficaram algum tempo aos sussurros na cozinha, pensando no que fazer sobre. Como contariam a Jamie, a Lucas, a Deb e aos demais.

- Eu... Eu vou conversar com o Jamie! – disse Nathan – E vou levá-lo comigo até a casa do Lucas!

Haley parou olhando para o marido.

- O Lucas... Ele viajou!

- Para onde?

- Ele viajou com Peyton! – disse Haley abaixando os olhos, decepcionada por ter dado o conselho do amigo escolher uma das três amigas. Ela não tinha culpa pelo ocorrido, mas se sentia cheia dela – Eles se entenderam, eu acho!

- Eu... Eu ligo para ele mais tarde! Vou procurar minha mãe, então... E deixar o Jamie com o Skills enquanto eu vou para o hospital ver o corpo dele.

- Não quer ajuda? – perguntou Haley segurando em sua mão.

- Não... Tudo bem, vá avisar Brooke e o restante do pessoal! – Nathan a beijou na testa outra vez – Vamos dar um velório para ele, mesmo que ele não mereça!

Haley assentiu com a cabeça, pegou sua bolsa, a chave de seu carro e caminhou em direção à porta. Ela, não soube como, dirigiu até a casa de Brooke, com a cabeça nas nuvens, estacionou o carro embaixo de uma sombra e saiu para apertar a campainha da casa.

"Talvez ela tenha ido trabalhar" disse Haley impaciente, cansada de esperar por ninguém, batendo o sapato impaciente no chão repetidas vezes "Vou até a loja!".

Descendo os degraus em direção ao jardim, a porta se abriu, e a voz familiar de Peyton soou pela rua.

- Haley? O que faz aqui?

Ela virou o pescoço, vendo a figura de Peyton na porta, parada.

"Ué? Lucas... Lucas não teria feito sua escolha? Ele prometera que faria naquela mesma noite, compraria as passagens para um lugar legal, e...". Haley tinha precipitado em achar que a escolha seria Peyton. Haley aproximou dela, e o sorriso da loira sumiu de repente.

- O que aconteceu?

- Por onde anda a Brooke?

- Não sei, talvez tenha dormido na casa de alguém – disse Peyton olhando por cima do ombro – Aqui ela não está, mas... O que houve? Por que essa carinha triste, colega?

"Lucas... Ele escolheu Brooke!" pensou Haley, totalmente incrédula. A amiga desejou que ele estivesse fazendo a coisa certa, sem mais jogos ou brincadeiras!

- Dan veio a falecer esta manhã, Peyton! – disse Haley com os ombros cansados, com o choro enroscado – Eu... – ela abraçou a amiga e começou a chorar – Eu me sinto culpada pela morte dele, Peyton!

- Calma, Haley, vamos entrar... Vamos tomar um chá! – Peyton levou a amiga para dentro da casa, fechando a porta em suas costas.

Algum tempo depois, Haley se tranqüilizou com ajuda do chá de Peyton, ela enxugou as lágrimas com as mãos e segurando a caneca verde cheia de chá, Peyton perguntou a ela.

- E... Como o Lucas reagiu?

- Ele ainda não sabe! Quero dizer... Nathan vai procurá-lo, achei que fosse melhor assim, eu não suportaria dar essa notícia a ele!

- Entendo. Lucas tem passado por tanta coisa ultimamente – comentou Peyton triste – Eu também não suportaria fazer algo do tipo! – ela foi para o quarto, buscar o telefone – Vou ligar para Brooke!

- Não! – disse Haley quase como um grito, mas percebeu a espontaneidade, e tentou consertar rapidamente – Quero dizer... Não vamos interrompê-la, ela deve estar se divertindo com alguém... E além do mais, essas notícias não se dão por telefone!

- Certo! – concordou Peyton desligando o telefone com um "pi" – Que horas vai ser o velório?

- Não sabemos, acho que vai ser amanhã! – disse Haley preocupada com Lucas e Brooke, por onde os dois tinham se metido – Eu... Eu não sei o que fazer!

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- Qual é, Brooke? Você não veio até aqui, comigo, para comer apenas meio pedaço de um croissant de frango?

- Não estou com fome – disse ela ao limpar os lábios com um guardanapo de papel com muita delicadeza – Sério.

- Você parece cansada, não quer voltar ao hotel e relaxarmos?

- Acha mesmo que eu viria até Las Vegas e perderia a oportunidade de visitar os melhores shoppings com as melhores roupas do país?

- Achei que tivesse vindo somente por minha companhia – brincou Lucas enquanto eles caminhavam para fora da enorme padaria, passando pelo caixa.

- Sempre modesto – sorriu Brooke em resposta, pegando um folhetinho nas mãos – Veja só, vão dar uma festa para os recém-casados no Treasure Island!

Lucas entregava os cartões magnéticos para o caixa da padaria, enquanto tirava a carteira do bolso, Brooke nem ao menos tentou freá-lo porque sabia que não ia acertar as contas agora, além do mais, ela podia compensar em outras coisas mais tarde.

- Vamos à festa? – perguntou ela com o folheto nas mãos, acompanhando-o para fora do estabelecimento.

- Nem ao menos somos casados, Brooke! – respondeu ele como se explicasse a uma criança que dois mais dois eram quatro.

- Ninguém precisa saber – ela ainda estava com os olhos focados no convite cor-de-rosa vendo os anúncios – Vai ser um evento importante, em um dos lugares mais famosos do mundo, terão pessoas de elite, com várias roupas, modas e muito fashion! Além do mais, podemos conhecer pessoas importantes que podem comentar sobre o seu livro!

- Uma festa gratuita vai todo esse tipo de gente? – perguntou Lucas com uma das sobrancelhas erguidas.

- Sim, é claro, nós vamos, oras! Brincadeira... Mas vão estar lá pessoas de todos os tipos! – dizia Brooke contando com seus argumentos para convencer Lucas – Vão ter mulheres bonitas!

- E casadas! – lembrou Lucas.

- Qual é? Nem todas lá dentro são casadas. Eu, por exemplo – disse ela sincera – E aposto que terão centenas de outras garotas também solteiras com caras solteiros.

- Achei que você fosse fiel ao Ethan! – brincou Lucas enquanto eles caminhavam pelas ruas, entre um bairro nobre com vários casarões e um lugar bem tranqüilo, arborizado.

- Primeiro, se eu estivesse com o Ethan, eu não estaria aqui ao seu lado, agora! – ela enumerou com os dedos – Segundos, se eu estivesse a fim de beijar alguém, eu teria sugerido alguma espécie de "swing" entre casais, e... – ela apertou o seu braço – Por favor, vamos? Vamos? Vamos?

Lucas não parecia convencido.

- Com tantas baladas boas, entre jovens, por que você insistiu nessa? Pra mim, parece tão careta...

- Você que é careta! – brincou ela – E, pense pelo lado bom, é de graça, você não vai precisar gastar muito dinheiro.

- Me dê um motivo plausível, e nós iremos.

- Vários – voltou ela a contar com os dedos – Lá não terão jovens, com carinhas de bebê, tentando passar cantadas idiotas em cima da gente. Provavelmente será um lugar bem mais sossegado do que essas baladinhas de sétima série! E... Não terão tantas garotas dando em cima de você!

- Está com ciúmes de mim? – quis saber Lucas, rindo – Não pode estar falando sério...

- Prefiro que você esteja solteiro, bebendo comigo ao invés de se agarrar com qualquer outra piranha na minha frente.

- Ciúmes? Sério? Achei que tivesse superado essa fase! – insistiu ele.

Brooke soltou um suspiro, vencida. Revirou os olhos e disse.

- Tá bem, tá bem, eu confesso. Eu tenho ciúmes dos meus amigos, de todos eles. Isso inclui você, Nathan, Haley, Peyton, Tim... – ela havia pronunciado o nome que ele menos desejava ouvir: Peyton!

Lucas fechou a cara imediatamente e Brooke percebeu que era o momento certo para permanecer calada.

– Certo. Desculpa.

E os dois caminharam em silêncio, por mais algum tempo, sem falar mais nada. Até que atingiram um local coberto onde havia outros carros amarelos, com listras pretas e brancas, conhecidos como táxi.

- Vamos voltar ao hotel – disse ele, ainda sério.

- Por favor, me desculpa!

- Não, tudo bem! – disse ele fazendo um gesto bobo com as mãos.

- Eu sei que é uma responsabilidade enorme eu ter viajado com você para te ajudar a superar os seus sentimentos, mas me desculpa se eu não sou a parceira certa para isso!

- Brooke! – parou Lucas ao lado dela ainda mais sério – Você não está viajando comigo por uma obrigação. Foi porque eu te convidei, foi porque eu quis, entendeu bem? Você não precisa fazer nada para me ajudar a superar ou qualquer outra coisa, certo?

- Ah – ela assentiu, meio perdida – Certo – concordou, por fim, antes mesmo de absorver todas as palavras que ele havia dito.

Dessa vez, Lucas entrou primeiro no carro e a ruiva veio atrás, segurando a sua bolsa. Ele parecia meio chateado após ter ouvido o nome "Peyton", mas sabia que pouco a pouco, eles voltariam a conversar. Brooke desejou que ele não demorasse tanto, adorava quando brincava com ele, as palavras se encaixavam perfeitamente e eles riam feito duas crianças.

- Lucas... Tudo bem se você não quiser ir à balada dos casados, eu... Eu entendo perfeitamente – disse ela compreensiva, o encarando de perfil.

- Não, Brooke, eu... Eu que peço desculpas, por ter sido grosso com você em relação a Peyton, quero dizer... Você não tem culpa, ela é sua amiga!

Brooke fez que sim com a cabeça, mordendo o lábio.

- Certo, perdoado – ela piscou – Então... A baladinha vai rolar? – insistiu ela.

Lucas riu de lado, provavelmente pensando: que garota insistente!

- Tudo bem, nós vamos... Mas se eu morrer de tédio, eu te deixo sozinha por lá, tudo bem?

- Sim, vou arranjar uma garota especial para você!

- Achei que tivesse ciúmes de mim!

- Não quando eu for a garota! – piscou Brooke brincando.

Lucas não soube se ria ou se concordava, ou qualquer outra opção. O taxista parou em frente ao hotel, e eles subiram correndo para o quarto.

Os dois deitaram nas camas de solteiro e compartilharam a programação de televisão, acabaram dormindo por algumas horas, almoçaram juntos e foram dar uma volta pela tarde. Ao anoitecer, Lucas estava no chuveiro, enquanto Brooke voltava do shopping com sacolas e vários vestidos maravilhosos para a festa. Afinal de contas, Treasure Island não era para qualquer convidado, e era mentira sobre os ingressos gratuitos. Na verdade, Brooke tinha providenciado os ingressos no Saguão do Hotel horas mais cedo, escondido de Lucas.

Ela sentiu o celular dentro da bolsa tocar, passou o dedo pela tela, aceitando a ligação no iphone.

- Alô?

- Brooke, é sua mãe... Ela ficou doida! – disse a voz de Milicent desesperada – Desculpa estar ligando assim, atrapalhar a sua viagem, mas... Ela veio até a loja, não te encontrou e retirou tudo do lugar, começou a jogar tudo dentro do porta-malas, eu tentei impedir, mas...

- Tudo bem, Mili, tudo bem... Eu converso com ela mais tarde, não precisa se preocupar.

- Tudo bem? Brooke? Ela... Ela levou a loja inteira! – ela falou como se fosse a pior catástrofe do mundo.

Brooke, sinceramente, não parecia tão chocada. Isso era o mínimo que sua mãe podia fazer.

- Certo, Milicent, acho melhor fechar a loja por uns dias, ela ainda pode aparecer com dois aviões como aconteceu no World Trade Center, então, eu sugiro que você tenha cuidado!

- Tudo bem, Brooke, eu prometo que ficarei bem. E quanto a você? Onde está? Com quem você está, afinal de contas?

- É um segredo, colega, mas prometo contar todos os detalhes quando chegarmos em Tree Hill – ela comentou sorridente – É só um amigo, eu garanto!

- Amigo? Sei, sei... – brincou a colega de trabalho – Bom, boa viagem, estamos aguardando por você, digo... Eu e o Mouth estamos aguardando por você! – e desligou.

Brooke soltou um suspiro de alívio, ainda bem que Milicent estava saudável e sua mãe não a atingira fisicamente. Ela passou o dedo pelo celular, escolhendo o telefone de sua mãe, não demorou para que fosse atendida.

- Quem você pensa que é para acabar assim com a minha loja?

- Eu sou a dona dessa empresa, e, aliás, você e sua funcionária deviam fazer o que eu mando!

- Eu sou a estilista dessa loja, caso você não se lembre, e sem mim, nada disso existiria!

- Sem o meu dinheiro, Brooke Davis, nada disso existiria! – corrigiu a sua mãe em alto e bom som.

Brooke pareceu por um segundo sem palavras, mas a sua mãe não lhe deu folga, foi logo jogando centenas de palavras em sua direção como uma navalha.

- Você nem ao menos é responsável o suficiente para estar na loja quando eu apareço por lá!

- Eu tenho direito a férias, coisa que eu não tiro há cinco anos, Victoria!

- Você nunca fez falta mesmo – começou a berrar do outro lado – E aliás, quando voltar, terá uma surpresa desagradável! – e desligou.

- Victoria? Victoria? – chamou Brooke querendo falar com ela, mas ela foi mais rápida.

- Escutei os gritos – comentou Lucas abotoando a camisa, ao sair do banheiro trazendo seu perfume para junto do quarto – O que aconteceu?

Brooke Davis ainda de costas, começou a chorar, em pé, segurando o celular em uma das mãos.

- Ela... Ela adora acabar com a minha vida! – comentou Brooke chorando.

- Ei, não faz isso, não chora! – Lucas com cautela se aproximou, envolveu Brooke em seus braços enormes, e os dois ficaram alguns segundos em silêncio.

Brooke se afastou por meros segundos, e seu olhar encontrou com o de Lucas, ela soube interpretar muito bem o silêncio. Fazia anos que ela não se sentia tão confortável nos braços de alguém, fazia anos que ela não conseguia ver esse mesmo rosto diante do seu.

Não havia mais distância entre os seus lábios, Brooke depositou um beijo molhado no canto direito da boca de Lucas – o beijo pegara mais o rosto do que nos próprios lábios. Ela se afastou por meros desconsideráveis centímetros e voltou a beijá-lo na boca, com mais vigor, com mais sentimento. Lucas tinha os lábios também molhados da água do chuveiro, e com os olhos fechados, ele fez o primeiro movimento em direção à mulher.

Saudade. Era tudo o que Brooke podia descrever daquele beijo que durou uma eternidade, embora tenham se passado apenas meros segundos.

- Certo... – disse ela se afastando, sacudindo a cabeça ao mesmo tempo – Se no primeiro dia estamos assim, até o final da semana estaremos casados com trigêmeos!

Brooke pareceu ter levado na brincadeira, ela se afastou na direção do banheiro, enquanto Lucas ficou parado, apreciando as luzes que destacavam na escuridão de Las Vegas, a cidade era maravilhosa, mas não estava pensando somente na cidade.

- Brooke... – disse por cima do ombro.

Ela estava meio em sincronia em qual vestido escolher para a festa.

- Hm? – perguntou sem coragem o suficiente para encarar os seus olhos.

- Nada – disse ele percebendo que ela não estava tão abalada quanto ele em relação ao beijo repentino. Parecia curada das palavras da mãe, e mais do que isso, tinha ignorado completamente o momento, com a atenção voltada para a combinação da roupa com os sapatos.

Ele abaixou a cabeça, olhando para os pés livres no carpete do quarto. Quem ele queria enganar? Tinha adorado o beijo! Como... Como se tudo fosse igual a antigamente...

Brooke terminou o banho, e até passar a maquiagem, colocar os brincos, levou mais de duas horas. E durante esse tempo todo, eles não trocaram uma palavra sequer. Ela saiu do banheiro, e parou na porta, encarando Lucas deitado na cama, esperando.

- E... Então? – ela pronunciou depois de horas.

- Você... Você está... – ele parou boquiaberto – Ótima! – disse querendo não passar para ela a realidade, pois teria se entregado tudo o que estava sentindo no momento em relação ao beijo.

Como não tinha significado nada? Como ela podia encarar que nada acontecera entre eles? Ele próprio estava intrigado com isso! Fazia tanto tempo, tanta saudade...

Lucas acompanhou Brooke com seu vestido lilás, todo brilhante, cheio de ondas deslizando até o chão, os seus sapatos pareciam feitos de cristais, e os brincos no mesmo tom.

Ele se perguntava se o beijo realmente teria acontecido, ou se era somente a imaginação dele. Os dois pegaram um táxi, e foram para Treasure Island. Brooke tirou as alianças da bolsa e as entradas.

- Onde você conseguiu? – perguntou sua curiosidade bem alta.

- Sem mais perguntas, Lucas Davis Scott! – disse ela rindo e os dois caminharam de mãos dadas, com as alianças nos dedos, em direção à entrada.

O segurança passou um olhar desconfiado aos dois, Brooke parecia estar decidindo alguma coisa importante na cabeça. Ele resolveu perguntar para saber se era alguma coisa relacionada ao momento no quarto do hotel, do beijo.

- O que está pensando? – perguntou bem próximo a ele.

Os dois atravessaram um corredor todo forrado de um pano viscoso, vermelho e branco, com plantas espalhadas por todo o ambiente.

- Meu nome ficaria bem bonito com... Brooke Davis Scott, sabe que eu gostei?

Lucas sentiu as esperanças murcharem como um balão dentro do peito, ela parecia se divertir com a troca de nomes, e eles chegaram ao ambiente de festa, um lugar escuro, cheio de néons iluminando todos os cantos, com vários garçons atravessando os lugares.

- A elite de Las Vegas, e nós estamos no meio dela, Lucas. Consegue acreditar? – perguntou Brooke empolgada – Olha só o vestido daquela mulher... Totalmente, uau! Eu acabei de ter uma idéia maravilhosa para a minha próxima coleção de roupas!

Lucas pareceu irritado com o egoísmo da amiga, estava mais preocupada em seu trabalho do que pensando no próprio homem ao seu lado que precisava de consolo. Afinal, não era por isso que tinham vindo até Las Vegas? Para se divertirem?

Lucas apoiou os braços no balcão, pedindo as bebidas enquanto Brooke avaliava com os olhos as centenas de vestidos que desfilavam em sua frente.

- Viemos ao lugar certo – ela olhou para ele, reparou as suas linhas no rosto, e viu que o amigo estava zangado – Lucas. O que houve?

- Sinceramente? O que houve? – respondeu ele após virar um pequeno gole de uísque pela goela – Não, deixa para lá, não vamos estragar essa noite.

Brooke o segurou com as duas mãos no braço, e eles se encararam pela primeira vez depois do beijo naquela noite.

- Lucas... Você tem que se abrir comigo, por favor!

- Eu... Eu não queria ter vindo a essa festa! – mentiu Lucas depressa, retirando a aliança do dedo e devolvendo a Brooke.

- Eu... Eu sinto muito, Lucas, nós... Nós podemos ir embora se você quiser – murmurou ela muito chateada com a grosseira dele, mas não querendo parecer uma convidada chata – Nós podemos ir para o lugar que você quiser, por favor, não fique zangado! – ela passou a mão em seu rosto, roçando de leve o dedão em sua barba, na bochecha, numa espécie de carinho.

- Não... Não estou zangado! – respondeu sentindo uma corrente elétrica descarregar sobre o seu corpo com o toque delicado de Brooke em seu rosto.

- Podemos tirar uma foto de vocês? – perguntou um fotógrafo se aproximando dos dois.

- Não, por favor – disse ela sinceramente – Não... Não estou muito bem! – Brooke estava chateada por tudo o que estava acontecendo.

Ela virou as costas e caminhou para um lugar isolado, fechando a aliança dele com força na mão direita, ela quis chorar outra vez por tudo o que estava acontecendo. Por ter perdido Angie, por ter tomado um "coice" de sua mãe, por estar com a leve sensação de traição por culpa de Peyton, e... Por ter brigado com Lucas. Ela queria explodir, estava se controlando ao máximo.

Brooke ergueu os olhos, e o fotógrafo estava sentado ao seu lado, apertando alguns botões da câmera digital nas suas mãos.

- Eu sinto muito pela grosseira do seu marido, não se sinta envergonhada por eu ter escutado!

- Não estou envergonhada – disse Brooke sinceramente, nem sabia que ele havia escutado a conversa – E ele não é o meu marido!

- Certo, mais uma vez, desculpa por estar me intrometendo! – ele terminou de regular a máquina, ficou em pé, mas a ruiva o segurou com a mão no cotovelo.

- Eu preciso de um conselho seu... De verdade – ela disse com os olhos cheios de lágrimas, mas não tinha forças para chorar.

- Pois não?

- Você... Você se casaria com o seu melhor amigo?

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- Eu... Eu não tenho outra opção, Nathan! – disse Haley após ter confessado para o marido que Lucas e Brooke tinham viajado, a escolha que ele fizera – Eu... Eu vou ligar para ele!

- Tudo bem, eu estarei aqui, do seu lado – aconselhou Nathan segurando a mão de Haley – Acho melhor você mesma falar!

Haley, vestida de preto, pronta para o velório de Dan, piscou firme e segurou o telefone com força. Tocou, tocou, ninguém atendeu, então, caiu na secretária eletrônica do celular.

- Ei, Lucas, sou eu, Haley! Escuta... Eu sei que você deve estar em Las Vegas, se divertindo à beça com Brooke, e... Que você deve ter feito a decisão certa sobre quem você realmente ama, mas... Eu preciso te contar uma coisa! – ela parou ofegante – O seu pai, digo, Dan Scott, sofreu um acidente, e... Ele faleceu essa tarde, achei que deveria saber! Me liga assim que receber essa mensagem, estamos esperando por suas respostas, um beijo, Hales! – e desligou, deitando a cabeça no ombro de Nathan.

Peyton abriu a porta da sala com estrondo, vendo os dois sentados no sofá da sala, Haley ergueu a cabeça, abobada com a atitude violenta da amiga.

- Como assim Lucas e Brooke estão em Las Vegas, namorando? – ela estava aos gritos.

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- Se estiver falando do seu melhor amigo ali – disse o fotógrafo apontando com o pescoço – Sugiro que vá embora, porque ele já está com outra pessoa!

Brooke ergueu os olhos para ver a cena, Lucas estava conversando com outra garota em sua frente, uma garota loira, um pouco mais nova. Ela sentiu as lágrimas vindo à tona outra vez, mas não choraria. Não na frente de Lucas!

- Seu... Seu devorador de loiras! – resmungou ela ao passar por ele, jogando a aliança dele de volta na direção do seu peito.

Lucas parou de conversar com a garota, pegando a aliança que coincidentemente caíra dentro do bolso de sua camisa listrada.

- Essa que acaba de passar aqui é a Brooke, do meu livro! – comentou para a mulher que estava conversando, também era sua fã!

Brooke saiu correndo pelas ruas, chamando por um táxi, só tinha uma decisão a fazer: Ir embora de uma vez por todas para Tree Hill, não estava mais disposta a encarar o seu melhor amigo novamente. Até porque isso lhe causava ciúmes, até um mesmo um certo medo, medo... Um medo juvenil de estar sentindo qualquer coisa nova por ele novamente.

Brooke subiu as escadarias do hotel com pressa, chegou ao quarto, ofegante, com as lágrimas deslizando pelo rosto, manchando a maquiagem. O celular em cima da cama, piscava indicando uma nova mensagem. Sabia que não devia mexer...

Correu até a cama, pegou sua bolsa e sua mala de rodinhas, mas quando ia saindo, a curiosidade foi mais tentadora... Ela voltou para ler a mensagem de voz no celular dele.

- Ei, Lucas, sou eu, Haley! Escuta... Eu sei que você deve estar em Las Vegas, se divertindo à beça com Brooke, e... Que você deve ter feito a decisão certa sobre quem você realmente ama, mas... – Brooke parou incrédula ao ouvir isso – Eu preciso te contar uma coisa! O seu pai, digo, Dan Scott, sofreu um acidente, e... Ele faleceu essa tarde, achei que deveria saber! Me liga assim que receber essa mensagem, estamos esperando por suas respostas, um beijo, Hales! – e a ligação caiu.

Brooke parou chocada com o celular nas mãos. Lucas estava na porta, ofegando, provavelmente tinha pegado um táxi, de volta para o hotel.

- Brooke, eu sinto muito... Não é nada disso o que você está pensando. Eu... Eu gosto mesmo de você, e... – ele parou tentando falar alguma coisa para Brooke.

Ela parecia muito mais séria do que o normal, e segurava o celular dele nas mãos. Ela o interrompeu automaticamente.

- O seu pai morreu hoje, Lucas!

Nota do Autor: É a minha primeira fanfic, espero que vocês gostem... Obrigado pelas reviews, adorei. Obrigado Mandy, e obrigado Unflavored... É uma honra ler o que você escreveu, obrigado!