Capítulo 2: Segurança Insegura.

Ainda encarava aqueles olhos negros que o fitavam. Estava nervoso com a situação sim, mas uma sensação gostosa, tinha de admitir. Logo um sorriso fraco fora feito em seus lábios, e finalmente encarou-o com segurança. A expressão de Reita esbanjava tanto conforto que estava seguro, e confiava totalmente no que ele fizesse naquela noite.

Sendo assim, Reita o guiou até a parede ao lado da porta de vidro da sacada e o encostou carinhosamente nunca perdendo o contato visual. Colou novamente seus corpos e entrelaçou suas mãos para que desse ainda mais segurança ao outro, enquanto que com a outra mão puxava ainda mais o corpo de Ruki contra o seu. Não deixaria que ele escapasse de forma alguma.

A face do mais novo estava ligeiramente vermelha, o que o deixava ainda mais lindo. Era impossível negar aquela beleza infantil.

Soltou uma leve risada ao constar que sentia-se um pedófilo. Ruki com aquele tamanho todo, aquele desenho de rosto ainda infantil, o jeito como se confundia com pequenas coisas e facilmente se perdia... gostava. Sim, gostava muito daquele jeito dele desde sempre. Talvez fosse aquele jeito, exatamente aquele jeito, que o atraía.

Depositou um beijo na testa do outro sorrindo e encarou os olhos azuis, logicamente lentes, do menor. Ficava muito bem nele. Sorriu, o que o constrangeu um pouco, abaixando levemente a cabeça.

Reita levou uma mão até o queixo do mais novo e levantou sua face. Ele tímido, era a coisa mais fofa. Nunca imaginava vê-lo tão indefeso, ainda mais em seus braços. Lentamente começou a aproximar seus rostos, sentindo claramente a respiração pesada do menor. Podia sentir a temperatura aumentar em seu próprio corpo e o coração acelerar assustadoramente. E quando tocou levemente seus lábios, sentiu um pulo dentro do corpo.

Era uma sensação maravilhosa só de sentir brevemente aqueles lábios quentes e indefesos.

Depositou mais alguns beijos leves no menor e sentiu a mão do mesmo apertar a sua. Sorriu e continuou a depositar mais beijos em sua face até percorrer o caminho até a orelha, mordendo levemente o nódulo. Ficou satisfeito ao sentir o corpo do outro se contrair e arrepiar

-Isso... é de propósito...?-Ruki falou entre suspiros, tentando puxar o ar para dentro.

-Não sei... parece estar gostando.-disse em meio a um sorriso provocante.

E estava. Aquela atitude de provocar, atiçar, atrair era propriamente marca do baixista. Sentiu a mão do mesmo deslizar por sua cintura e as carícias da outra mão eram deliciosas. Os toques eram absolutamente provocantes.

Deus, não conseguia saber o que ele faria dali para frente.

E realmente, fora pego de surpresa por uma leve mordiscada seguida de uma chupada no pescoço. Meu deus, ficaria marcado. E Jesus, qualquer um iria reparar... e quem ligava?

Soltou uma leve gemida com aquilo, encostando ainda mais na parede. Estava quase subindo. A respiração de Reita estava igualmente alterada, podia sentir. Conseguia sentir os corpos pegando fogo.

Queria, precisava, necessitava daquilo. Tinha certeza do que queria, estava seguro do que precisava. Estava claro agora. Tudo aquilo era para dar ainda mais segurança com o que estavam fazendo.

Reita apenas queria que Ruki tomasse consciência do que iria acontecer dali para frente. Até naquilo o mais velho estava sempre pensando no menor. Até ali.

-Reita...

-Eu sei...-falou com um tom de voz rouca, totalmente sexy.

O baixista rapidamente abaixou e puxou ambas as pernas de Ruki para cima, fazendo-o ficar apoiado na parede com as pernas em volta de sua cintura. Aquele movimento rápido fora de certa forma tão prazeroso, que fez com que o menor produzisse um som realizador. E a prensa então. Ambos sentiam seus baixos ventres excitados.

Ruki envolveu seus braços em volta do pescoço de Reita enquanto se segurava com as pernas em volta da cintura do outro homem. Logo sentia seu pescoço sendo atacado por beijos, mordidas e chupões alucinantes. A sensação era de ir ao céu e planar. Esquecera totalmente dos problemas, dos trabalhos, dos deveres. Apenas Reita, e unicamente ele, iria ocupar sua mente durante aquela noite toda.

Um vento mais frio bateu em seus corpos. Aquilo não faria bem ao menor de forma alguma. E, por mais que a voz do outro fosse importante, a saúde era ainda mais. Segurou-o pela cintura e adentrou ao quarto, para então sentar-se na cama e fitar aquela imagem. A face ainda avermelhada, tão atraente.

Certo, nem ele mesmo agüentava mais provocar. Cuidadosamente deitou o menor na cama, colocando-o exatamente no meio da cama e ficando por cima, observando-o.

Reita primeiramente depositou leves beijos, para então aprofundar. Apenas tocavam os lábios, experimentando o sabor que continham. E então, ao ver que tinha passagem, adentrou naquela boca tímida e quente, explorando e acariciando.

O coração do menor acelerou de tal forma que Reita chegava a sentir claramente. Seria carinhoso, e de forma alguma machucaria o outro. Isso era o que menos queria.

Beijava fazendo movimentos circulares com a língua de forma que conseguia tocar a língua do outro. Aos poucos também conseguia sentir Ruki tomar atitude, mesmo tímido, explorando sua boca. Era gostoso, delirante. Realmente, muito bom.

Enquanto beijava e brincava com a língua do outro, deslizava uma mão pelo corpo até chegar por debaixo da blusa e tocar a pele quente e macia. Se Ruki não gostava de seu corpo, ele gostava. E muito. Tanto que chegara a desejar aquele pequeno e maravilhoso corpo.

Afastou-se um pouco e começou a puxar a jaqueta, jogando-a em algum canto do quarto, logo então tirando a blusa branca e beijando cada nova pele descoberta. Lambia o umbigo do menor até chegar mais acima, beijando os mamilos, arrepiando-o por completo. Os pequenos gemidos deixavam ainda mais a desejar.

-A porta...-o mais novo falou entre gemidos, passando a mão pelos cabelos do outro.

-Dá-se um jeito.-disse levantando-se, agarrando um travesseiro e jogando contra a porta que, com a força, fora lentamente se fechando.

E antes que voltasse a qualquer atividade, Reita livrou-se da regata preta e a jogou no chão do quarto. Ao se tocarem, agora sem o limite dos tecidos, um arrepio ainda maior viera. Cuidadosamente levou uma mão até o cinto e o tirou, livrando o menor. Puxou o zíper da calça e tirou toda a roupa que ainda restava na pele branca e adorada. Olhou e admirou o sexo do mais novo. Como previsto, estava excitado e quente.

Abaixou e mordiscou levemente a cabeça do membro, tirando agora ainda maiores sons de prazer. Passou a língua quente pelo corpo e parando sempre para brincar com a glande, queria levar Ruki a loucura naquela noite. Assim que deixou o membro consideravelmente molhado, o abocanhou fazendo leves movimentos, nunca esquecendo de acariciar o ponto mais sensível.

-Ah...!-o menor contraiu o corpo ao sentir que seu ponto era deliciosamente atacado. Cravou as mãos no lençol e mordeu o lábio inferior, segurando qualquer som que pudesse fazer.

Reita levantou o olhar para observar a expressão de prazer do companheiro. Sim, companheiro. Era isso o que eram agora.

Umedeceu dois dedos e sem avisar os levou até a pequena entrada. Penetrou lentamente para que se acostumasse com aquilo, tirando todo o ar do menor. Passou a movimentar lentamente e os gemidos apenas deixavam Reita atiçado. Queria escutar aquela voz ainda gritar muito de prazer.

Olhou para o outro novamente e viu que este mantinha os olhos fechados e mordendo os lábios, enquanto respirava totalmente sem ritmo. Mas obedeceu a chamada que recebera do outro, subindo até ficar cara a cara. Sentiu seu cinto abandona-lo, assim como a calça ser abaixada.

-Te quero...-falou, empurrando-o e fazendo-o sentar, facilitando arrancar todo o resto de roupa que cobria o que desejava. Pousou uma das mãos em cima do membro ereto de Reita enquanto, apoiado pela outra mão, alcançou os lábios do baixista e o beijou experimentando seu próprio sabor.

Enquanto novamente explorava a boca do outro, movimentava o membro lentamente. Sentia o sexo quente e afastou-se do mais velho, abaixando até o baixo ventre do outro e colocando-o na boca, em movimentos mais lentos, deixando-o totalmente rígido.

-Gah!-Reita pendeu a cabeça para trás entre gemidos. Como era bom aquela língua em seu membro brincando e aproveitando.

Agora estava ao auge. Assim que Ruki levantou-se encarando-o, viu que não agüentaria mais segurar de continuar aquilo. A face avermelhada e os lábios úmidos daquele jeito deixava-o a beira da loucura.

Encurvou-se até o outro e o puxou pela nuca, beijando-o agora com mais intensidade que antes. Mordiscava o lábio inferior do outro enquanto o puxava pela cintura, deixando-o exatamente como queria.

-Se doer... quero que me avise.-disse Reita olhando-o, beijando levemente os lábios do outro.

-Tá...-respondeu engolindo a saliva e fechando levemente os olhos.

Carinhosamente começou a colocar seu membro dentro de Ruki. Sabia que de começo poderia ser incomodante, mas com o tempo o menor se acostumaria. A passagem era apertada e quente, certamente virgem, claro. No final, Ruki estava sentado no colo com todo o membro de Reita em seu interior.

O mais novo fincou as unhas no ombro do baixista, fazendo-o morder o lábio. Encurvou levemente o corpo para trás e, quando sentiu os primeiros movimentos dentro de si, grunhiu de dor e prazer.

Por mais doloroso que fosse, lhe dava imenso prazer. De começo, sabia que sentiria dor, estava preparado. Mas sentia tanta segurança com Reita que preferira esquecer completamente aquele pensamento. Sentiu as mãos do outro pegarem em sua cintura e o movimentar de cima para baixo, aumentando aos poucos a velocidade. Sentia todo o membro entrar e sair de si.

-Ahhh...!-pela terceira vez, ainda sentiu um pingo de dor. Curvou a cabeça para frente e a abaixou, respirando o mais fundo que conseguia.

-Ruki, olhe para mim.-pediu o maior inserindo seu membro novamente. Queria contato visual, queria saber como ele estava.

-... ha...i...-disse ofegante, cerrando os dentes, para então levantar o rosto e encara-lo. Ficaram algum tempo se olhando enquanto mantinham os movimentos, até que aos poucos fora se acostumando ao ponto de não se importar mais, a ponto de sentir inteira e completamente prazer.

Reita sorriu. A expressão do outro estava bem melhor que antes, finalmente. Iria parar caso continuasse sentindo dores. Mas agora ele parecia totalmente acostumado. Assim sendo, aumentou a velocidade, tirando gemidos ainda mais altos do outro.

Puxou-o para um beijo, começando a deita-lo na cama. Naquela posição Ruki não precisaria fazer mais nada, e possivelmente a penetração seria ainda mais prazerosa. Os movimentos de vai e vem se intensificaram, mas nunca se esquecendo de dar prazer a ambos. Brincava sempre com o membro do menor, acariciando-o.

Ruki mordia um dedo conforme sentia uma sensação lhe invadir o corpo aos poucos, fazendo-o largar as mãos em cima do lençol e puxa-los, deixando a cama totalmente desarrumada, enquanto que Reita lhe puxava contra seu membro para uma penetração total.

-Hummm...-grunhiu, abrindo um olho para encarar a face de Reita. Sorriu ao ver que o outro igualmente sorria, dando-lhe segurança.-Rei...chan...-chamou-o, estendendo o braço, alcançando a face do outro e acariciando-o.

-Diga...-falou entre suspiros e gemidos curvando-se um pouco mais em meio as estocadas.

-Eu... ahhh...-segurou o gemido.-... eu...-engoliu o resto da frase junto aos sons. Já estava vermelho. Com o que queria falar, ficara ainda mais.

-Tudo bem...-Reita sorriu, depositando um beijo nos lábios rosados do outro.-... outra hora... você me fala...-disse, intensificando a penetração.

-Uhun...-balançou a cabeça, em sinal de que tudo bem.

Os movimentos estavam realmente maravilhosos. Ruki podia sentir uma maré de sentimentos e sensações lhe preencher todo o corpo, assim como Reita. Estavam prestes a chegar ao clímax, e juntos.

Ruki passou seus braços em volta do pescoço do baixista enquanto sentia os braços do outro lhe envolver pela cintura. Beijou-o intensamente e se afastou pela falta de ar, recolhendo uma grande quantia do mesmo, e contraiu o corpo ao sentir-se no limite

-AAaaaaaaaahhhhh!!-soltou todo o ar que conseguira ao sentir-se preenchido pelo líquido do outro.-REITAAAAAAAA!!-gritou, certamente toda a casa iria escutar aquele nome dito de uma forma tão prazerosa e bela por aquela voz.

-AaaaaaaahHh!!-o dono do nome estocou novamente, sentindo o líquido do menor lambuzar seu abdômen e o lençol.

A cama e a coberta ficaram manchadas e marcadas pela noite de prazer dada por aqueles dois jovens. Os gritos de realização ainda podiam ser ouvidos pelo corredor, as gotas de suor escorriam por seus corpos até atingirem o lençol. Os toques, as arranhadas, as carícias, estava tudo lá. E ficaria para sempre, marcados.

Reita diminuíra totalmente a velocidade até parar, e aos poucos estava fora do menor, mas ainda mantinha seu corpo em cima do mesmo, ofegante e cansado, porém recebia uma gostosa carícia na cabeça. Beijou o peitoral de Ruki até ser virado e sentir os toques em seu corpo.

O vocalista beijava todo o corpo do homem e sugava o sêmen que estava no caminho, até chegar no membro de Reita, colocando-o na boca e provando o misto de sabores.

-Humm...-Reita mordeu seu lábio inferior enquanto fechava os olhos, sentindo o toque da boca do outro sugando e acariciando seu membro. Apoiou-se nos cotovelos e pendeu a cabeça para trás, soltando alguns gemidos. Aquilo era melhor que qualquer outra coisa.

Ruki sorriu, satisfeito. Subiu engatinhando até a face de Reita e o beijou, fazendo-o provar de seu próprio sabor. Invadiu cada canto daquela boca que já conhecia até sentir a língua do outro começar se mover e a fazer voltas e sugar sua língua. Mordiscou os lábios do outro enquanto passava as mãos na nuca, puxando-o para mais perto enquanto sentava-se no colo, agora olhando-o.

-...-Reita sorriu e admirou-o, logo desviando rapidamente o olhar para algum canto. Não que sentisse que fizera algo errado.

Mas era Ruki. A pessoa que via todos os dias, as vezes reclamando, as vezes calado demais, misterioso. A pessoa que muitas vezes já dividira mágoas, a quem muitas vezes recorrera por socorro. A pessoa que respeitava acima de tudo e que no final das contas, sentia-se atraído e nunca deixava isso transparecer.

Mas agora, hoje, justamente na cidade natal, naquele quarto, naquela cama, tinha agido por impulsos, tinha deixado o coração agir sozinho, tinha tomado atitudes que agora, não conseguia entender exatamente. Apenas uma coisa: gostava dele.

Mas o pior, estava ali apenas para confortar o outro. Apenas para dar prazer e deixa-lo mais tranqüilo. Estava apenas como um objeto. E não sabia o que o outro alimentava. Acima de tudo, não iria alimentar uma ilusão.

-Como você está?-perguntou Reita pegando-o pela cintura, depositando um beijo nos lábios e colocando-o na cama.

-Melhor...-respondeu, sorrindo constrangido.-E você? Eu estava pesado?-perguntou totalmente sem graça, puxando um travesseiro e tapando seu sexo.

-Bem também.-disse rindo de canto, logo encarando-o e notando o tom avermelhado que a pele de Ruki ainda estava.-Nem um pouco. Você é leve.-disse, levantando-se e pegando uma calça. Iria jogar uma água no corpo e descer para comer algo. Na altura do campeonato, não haveria ninguém por lá.

O menor sorriu sem graça, desviando o olhar para algum lugar sem rumo e olhando todo o quarto, até pousar os olhos em cima do copo quebrado. Certo, teria que limpar aquilo logo, ou alguém poderia se machucar. Com os olhos seguiu os passos de Reita que parou na porta e o informou de que deveria comer algo antes de dormir. Acenou com a cabeça um sim e voltou a olhar o quarto quando o outro saiu para o banheiro.

Levantou-se calmamente e empurrou a porta para fechar. Abaixou o olhar e viu seu corpo nu e marcas de dedos do outro homem, assim como algumas chupadas que recebera. Avermelhou-se ao lembrar das cenas anteriores e do grito que gemera alguns minutos atrás. Com toda certeza seus amigos não eram bobos e saberiam o que aconteceu. Teria que formular algo rápido como desculpa.

Mas resolveu deixar tudo isso por ali mesmo. Andou até a porta do banheiro do quarto e a fechou. Abriu a ducha no morno e deixou as gotas caírem em cima de seu corpo. Os cabelos, atualmente loiros e no pescoço, grudavam em sua face. Passava as mãos junto da bucha e podia sentir, em flashes, os toques de Reita. Fechou brevemente os olhos e deixou-se voar. Os toques, os lábios, o calor do corpo dele, os movimentos perfeitos, o olhar que dava-lhe total segurança, tudo! Conseguia projetar ainda em sua mente aquele longo momento.

Parou de repente. Será que estava ficando louco? Que diabos estava deixando acontecer? Será que não tinha noção da situação? Ele e Reita, homens, amigos, sexo.

Era sexo, não era?

Droga, o que tinha sido aquilo? Melhor, o que tinha sido aquilo para Reita? E porque se preocupava tanto com a opinião do outro? E para ele, o que era?? Deus, tantas perguntas e sem noção de um caminho para as resposta. Sentia-se longe e perto de consegui-las. Mas será que conseguiria?

Deus, o que sentia? O que sentia com aquilo? E o principal, o que sentia por Reita?? E porque novamente se importava com aquilo?!

Não fora ele quem dissera que estava ali apenas para acalma-lo? Estava apenas... espere. Será que... ele... será?? Não, impossível... conhecia bem de mais seu Reita para saber que ele não... espere! Não, novamente não! Tinha admitido e tomado posse do baixista em sua própria mente! Maldita! Sempre na linha de raciocínio mais a frente do que ele queria.

Droga, de novo admitira que a mente rápida e malandra estava correta. Agora estava ficando ainda mais louco. O que faria agora? Não tinha certeza, não entendia direito que tipo de rolo de sentimentos era aquele.

Mas tinha uma forma de se expressar quando isso acontecia. Mesmo que nunca obtivesse respostas. A música.

Isso! Faria uma música deste momento, deste rolo de sentimentos, deste ser que o deixava tão intensamente vivo. Sim, era assim que sentia-se. Sentia-se vivo acima de tudo. Era algo novo, um sentimento novo para ele, mas uma palavra que muitas, e com freqüência, usava.

-Amor...-recitou baixo entre as gotas da ducha. Arregalou os olhos ao ver que cada letra saíra de sua boca, e precisamente pensando em outro homem.

Apanhou uma grande quantidade de água em mãos e a jogou na cara, batendo logo em cada lado das bochechas para ver se acordava. Certo, já tinha admitido. Agora, o que fazer?? Melhor seria deixar rolar... mas queria falar aquilo tudo à Reita ainda, queria deixar claro o que sentia. Ah sim, não deixaria pelo menos aquilo entalado na garganta.

Banhou-se por mais alguns longos minutos com um sorriso bobo nos lábios. Parecia um menino que recebera um beijo pela primeira vez no primário. Pensando bem, Reita era maior e mais velho. Chacoalhou a cabeça sentindo o coração pular e desligou a ducha, soltando um leve grito para aliviar a própria tensão.

Abriu a porta do banheiro e andou até o armário de roupas. Tirou uma cueca branca, uma calça de moletom cinza e uma blusa de manga longa preta. Calçou meias brancas e o tênis enquanto secava os cabelos esfregando a toalha. Assim que se arrumou todo, andou até o espelho e olhou-se. Ainda tinha a pele corada de vergonha. E notou também que estava de lentes. Levou as mãos até os olhos e as tirou cuidadosamente, colocando-as de volta à caixa certa em meio a tantas que tinha. Adorava lentes.

Levantou o rosto e olhou-se novamente. Os olhos negros e puxados, sim, esse era o natural. Puxou um lápis preto de olho e passou. Pelo menos aquilo não vivia sem. Era como Reita que usava aquela faixa sempre. Lembrando agora, como será que ficou a faixa do outro?

Deu risada ao lembrar-se que provavelmente tinha ficado suja. Mas com toda a certeza o baixista tinha muitas mais. Pensando melhor, nunca mais vira o nariz do outro dês dos tempos antigos de banda.

Riu, aquele será um mistério para todos e um charme em Reita. Tinha que admitir, apenas ele, e somente ele, ficava bem com uma faixa no nariz.

-Hã...-olhou em volta e viu os cacos de vidro.-Ah!-virou em direção ao mesmo e começou a pegar os cacos maiores.

Com todo cuidado, desviando-se de pisar em qualquer um, pegou os cacos e os colocava na palma da outra mão. Chegou a cortar levemente a mão que passava de lá para cá, mas nada que saísse correndo por aí gritando por socorro. Escutou na porta alguém bater duas vezes e girar a maçaneta. Apenas ficou olhando, parando sua atividade.

-Er, oi Ruki.-cumprimentou Kai entrando vagarosamente, olhando em volta.-Ah, quebrou um copo, foi?-perguntou, chegando mais perto.

-Ah, foi sim...-respondeu, sorrindo sem graça. Provavelmente Kai tinha escutado os gritos e tudo mais que houvera naquele quarto.-Hehe...

Foi aí que um barulho de ficha viera rapidamente em sua mente. Ótimo, a cama estava completamente suja de sêmen, desarrumada e revirada. De cabeça pro alto. Teria que ser preciso para deixar os cacos na lixeira do quarto e pular em cima da cama com a coberta para tampar as manchas.

Estava completamente envergonhado. A face agora tomava um tom mais rosado. Levantou-se olhando fixamente nos olhos de Kai que, confuso, apenas o encarava.

-Er... então, eu acabei não descendo pra jantar...-dizia meio gago, caminhando igual um caranguejo até a lixeira e virando o corpo para trás sem desviar os olhos de Kai. Jogou os cacos na lixeira e o encarou enquanto juntava as mãos, nervoso.

-Tudo bem, Ru-chan.-ele sorriu.-Eu vim aqui avisar que eu deixei esquentando a comida. Assim você e o Reita podem come-la ainda quente.-disse, virando-se levemente.

-AH!-o menor praticamente pulou em cima de Kai, erguendo, meio que inutilmente, os braços para tapar os olhos do baterista.-Bo, Bom! Eu agradeço muito, Kai-kun!-falou, rindo sem graça.

-Certo...-o mais velho arqueou uma sobrancelha e o encarou.-Você está bem mesmo? Parece mais... hã... nervoso... tem alguma coisa te afligindo?-e assim apoiou ambas as mãos nos ombros de Ruki.

-Nervoso?? Afligido??-ele deu uma alta risada. Certo, estava descontrolado.-Eu não... de forma alguma.-riu sem graça.-Eu acho que deve ser a fome, hehehehehehe!

Kai arqueou ambas as sobrancelhas e deu uma risada. Claro que ele não estava normal. De começo, Ruki não ria tanto e nunca se mostrava desequilibrado como agora. Com toda certeza tinha acontecido algo. E claramente que viu "O Algo" acima da cama. No mesmo instante parou de rir e abriu a boca, olhando a prova do crime.

-Er...-Ruki parou de pular e respirou fundo. Ótimo, já era muito óbvio para perceber que Kai já sabia. Abaixou a cabeça e sentiu as bochechas queimarem de vergonha. Contou até três para poder voltar-se à cama e olhar a mesma sujeira.

-Isso...-Kai andou até mais perto e olhou.-...-cerrou levemente os olhos para enxergar melhor o que era exatamente aquilo.

Kai não era tonto, muito menos burro. Já havia sacado a muito tempo o que acontecia entre os dois. Mas jamais imaginava que eles chegariam a... sim. Eles chegaram. Bom, o que fazer?

O baterista começou a rir. Desespero, talvez? Não, jamais. Aquilo não era algo que poderia estragar drasticamente a carreira de todos. Se fosse muito bem guardada, era algo até bonito de se ver. Abaixou a cabeça, ainda sorrindo e virou-se para o menor, pousando ambas as mãos em seus ombros e o puxando para um abraço.

-Parabéns.-falou, agora se afastando e sorrindo largo.

-"Parabéns?!"-o pensamento de Ruki praticamente gritou em sua cabeça, quase ensurdecendo-o.-... hã??-precisava esclarecer aquilo.

-Bom... você sabe...-Kai avermelhou-se por algum tempo, mas sempre sorrindo.-Pela... pela sua 'primeira vez'...-respondeu, meio sério.

-...-sim, CONSTRANGEDOR ao cubo. Tudo bem que estava mais que na cara toda a situação, mas ainda se avermelhava com tal.

-Não fica assim.-falou rindo um pouco.

-...-Ruki levantou levemente a cabeça, encarando o outro.-E você... aceita isso...?

Kai parou por um tempo observando o garoto a frente, mantendo uma expressão madura e posição de adulto que devia tomar sempre perante aqueles quatro seres realmente desgovernados. Sorriu sereno. Era assim então que devia agir perante eles. Uma imagem de segurança para todos.

-É uma pergunta meio boba, não acha?-falou, pousando uma mão no ombro do menor.-É óbvio que aceito, Ru-chan! Poxa... –ele tirou a mão do ombro do outro e andou até a porta, parando na mesma, sorrindo.-... eu aceito de qualquer jeito. Nem precisava perguntar.-ele parou de falar, ficando um tanto quanto pensativo.-E também, estava na cara.-e piscou para o vocalista, se retirando do quarto, fechando delicadamente a porta.

-...-Ruki não pôde evitar o avermelhamento instantâneo do momento.

Na cara? Como assim na cara? O que estava na cara!? Ele e Reita...? Mas, como assim?? Bom... vindo de Kai, coisas cheias de incógnitas era normal. Ele parecia saber de tudo e todos. Perante vítima, começava a achar que era verdade. Mas diferente dos vilões, Kai era confidente.

Certo... a janta. Havia se lembrado da mesma quando deu-se conta do estômago roncar alto. Nem havia comido direito o dia todo, tinha que ao menos jantar. E lá embaixo trombaria com Reita.

Porque o fato de pensar nele, o deixava vermelho e constrangido?

Certo, coragem Ruki! Parado não conseguiria nada mesmo. E foi pensando assim que se retirou do quarto rumo a cozinha, descendo em passos curtos as escadas olhando todo o espaço que seus olhos avistavam, procurando algum rastro que fosse do outro.

Desceu todos os degraus e caminhou, sem hesitar, até a cozinha, parando na porta ao avistar Reita sentado na pia olhando o nada, e possivelmente nem havia percebido sua presença pelos primeiros segundos. Caminhou em passos curtos, de cabeça baixa tampando o tom avermelhado de sua pele ao se lembrar das cenas anteriores. Não queria se passar por menininha ou algo do gênero.

-Fome?

A voz dele rapidamente cobriu toda a ausência que havia no local, tirando rapidamente uma afirmação de que sua única palavra valia por todos os movimentos que o menor fazia. O mais velho sorriu, descendo da pia e mostrando, atrás de si, a panela de arroz. Ruki levantou o rosto, colocando em mente as palavras "Força" e "Dê algum passo", já que suas pernas nem sequer comandavam.

-Eu pego as coisas.-Reita informou, não entendendo da súbita paralisação do outro, caminhando até os armários e tirando de lá dois copos, pratos e, nas gavetas a baixo, os ohashis. Assim depositando-os em cima da mesa, tudo rapidamente, enquanto que Ruki parecia completamente plantado no centro da cozinha.-O que foi?

-...?!-ele parecia acordar de um transe que se perdera olhando a janela e a escuridão que se estendia para fora. Virou bruscamente para trás onde se encontrava o baixista e tentou sorrir, como sempre fazia, e tombou, literalmente, na direção da comida.-Nada, absolutamente nada. –respondeu chacoalhando a cabeça e pegando os condimentos, as misturas, e depositando-as em cima da mesa. Estava desnorteado?

-Certeza?-insistiu o maior, no mesmo lugar em que parara após colocar todos os objetos na mesa, pousando uma mão em cima das costas de uma das cadeiras, observando-o com atenção.

-Hn? Ahan.-confirmou, voltando-se para a geladeira e pegando alguma bebida que fosse de fácil acesso. Não estava de saco para preparar algum suco. Abriu a geladeira, apanhou a tal bebida e a depositou em cima da mesa, ficando ao lado oposto do de Reita, de olhar baixo. Sentia que o outro agia... como se nada tivesse acontecido. Mas era para ligar? Ah, nada mais fazia sentido algum!

-Hn... então, venha se servir.-falou, pegando um prato e indo até a panela, sorrindo quase ameno ao outro, que confirmou que faria os mesmos movimentos logo.

O sorriso de Reita já não era tão presente, visto assim, quase sem expressão, tirava todas as seguranças que Ruki supria.

E lá estava ele, novamente, jogado na confusão de seus sentimentos. Que normalmente apenas suas músicas continham a capacidade de expressa-lo. Muitas vezes entrelinhas. Raramente compreendido.