Capítulo 3:"Amigos"

Uruha era o primeiro a cair, literalmente, da cama. Estava esparramado, jogado metade de seu corpo no chão enquanto a outra parte ainda se mantinha, desajeitosamente, em cima da cama. A coberta lhe cobria as pernas e pés, enquanto um travesseiro se mantinha em cima de seu rosto, impedindo-o de ver o que acontecia no cômodo. O que na verdade nada acontecia.

Pegou o travesseiro e lançou-o longe, ainda meio irritado por estar acordado antes da hora que havia se acostumado naquelas férias temporárias. Tentou se ajeitar, miseravelmente falhando, caindo por completo da enorme cama, praticamente se enrolando na coberta e ficando ausente no chão. A preguiça era muito maior.

-Ahhhn...-ronronou, ficando completamente de cabeça baixa no chão, os braços cobrindo-lhe parte da face. Foi quando escutou, na porta, a maçaneta girar lentamente.-...??

-Booooom dia flor do dia!

-...

Ele jurava, jurava, que tentou não acreditar naquela frase ridícula logo pela manhã vinda do baterista, que adentrava sorridente, passando por ele e pegando as roupas sujas que sempre recolhia. Ah claro, final de semana. Estava tão perdido no tempo que nem havia dado-se conta que era final de semana.

-Caiu da cama, Uru?-perguntou, inocentemente, parando na porta do quarto e olhando-o.

-Não... eu estou em cima da cama, não está vendo?-respondeu, grosso, mas não fora por querer.-... desculpa. Eu ainda estou sonolento...-e assim havia virado-se de barriga para cima, apoiando uma mão em cima da testa, olhando-o com dificuldades.

-Tudo bem!-e nunca, jamais, perdia aquele sorriso alegre que tinha, girando novamente a maçaneta e abrindo a porta.-Volte a dormir, não tem nada de interessante para fazer mesmo.-e assim riu, saindo do quarto e fechando a porta.

-...-suspirou, piscando um pouco e fechando os olhos, desprovido de sono, ao visto. O que faria, com tanto tempo de sobra e sem nada para preenche-lo?

Aoi.

Um sorriso radiante lhe cobriu os lábios quando se lembrou que logicamente o guitarrista estaria dormindo, e claramente com aquele sono pesado de urso que só Aoi tinha. Se divertir cutucando-o e tentando a missão impossível de acorda-lo em plena oito da manhã o alegrava infantilmente.

Levantou-se do chão, ainda zonzo e sem direção, ajeitando a blusa cinza que usara para dormir naquela noite e tacou todas as coisas que antes estavam no chão, na cama, tomando rumo ao corredor. Olhou para os lados, vendo o sol fraco adentrar pela enorme janela que situava-se não muito longe de seu quarto, caminhando seus olhos até a porta do moreno. Andou em passos leves, chegando até a tal porta escolhida e girando a santa maçaneta, não agüentando de soltar uma risada baixa e abafada quando abrira a porta e pisara naquele cômodo completamente no breu.

-... Puts, ferrou.-reclamou, mal conseguindo ver as próprias mãos a frente do rosto.-... janela.-apoiou as mãos na parede lateral esquerda, apalpando-a até quando sentiu o metal gélido da janela e, num rápido movimento, empurrando ambas as partes e deixando o sol da manhã atingir exatamente o rosto de Aoi.

Uruha virou-se, satisfeito em poder ver o que havia naquele quarto antes totalmente na escuridão. Deu alguns passos na direção da cama, notando que em volta da mesma havia tanta roupa, tanta tranqueira, tantos objetos, que quase fazia uma barreira de guerra em volta de Aoi.

-Meu Deus... pior que trincheira.-comentou o loiro rindo abafado, chegando ao lado da cama do outro e puxando, com rapidez, a coberta que estava cobrindo todo o moreno.-...

As pupilas de Uruha dilataram-se ao ver a cena chocante na cama de Aoi. A boca do mesmo se abriu um pouco enquanto apenas seus olhos percorriam cada centímetro cúbico do que havia naquela cama.

-...!-se afastou um pouco, pisando em algo, a qual quase o fizera cair, se não fosse por suas mãos atingirem a mesa antes, sentando-se nela. A pessoa ao lado de Aoi havia acordado.

-Hnn... –a figura feminina mexeu-se ainda deitada no corpo nu do outro, deslizando suas mãos pelo tórax de Aoi até a cintura, onde desceu seu rosto e depositou um beijo no local, sem abrir os olhos e notar a presença alheia de Uruha.

O loiro avermelhou-se. Quando que Aoi havia trazido uma mulher na casa sem ao menos perceberem? Não que fosse proibido, claro! Mas era que realmente ninguém havia comentado entre os mesmos. Pois se soubesse, nem havia se atrevido a pensar nas milhões de maneiras hilárias de acordar o outro.

Olhou em volta, procurando entre tanta bagunça um caminho mais rápido de passar pelo quarto, em passos leves da mesma forma que viera, chegando finalmente a porta enquanto girava a maçaneta para sair daquele local que, agora que podia se concentrar melhor, cheirava a uma noite de sexo.

Fechou a expressão, estranhamente meio enojado. Não que fosse contra, mas não estava acostumado a sentir o cheiro dos outros. No caso, logicamente, o orgasmo de Aoi. Chacoalhou a cabeça, arqueando uma sobrancelha e dando uma última olhada para trás, notando que ambos estavam já tomando consciência pelo sol da manhã. Arregalou os olhos e saiu do quarto rapidamente, fechando a porta lentamente para que não houvesse barulho algum.

-...Que nojo!-comentou, indo esfregar as mãos no rosto, quando se lembrou que havia tocado nas cobertas dos dois com ambas as mãos.-AAAahhhhh, creeeeeeedo!-e assim correu em direção ao banheiro, rindo ao mesmo tempo. Não podia negar, era uma cena engraçada.

Lavou as mãos quase por brincadeira, então aproveitando para jogar uma água no rosto, ficando assim mais disperso que antes, chacoalhando a cabeça de um lado a outro e olhando o corredor. Por mais que tivesse tomado providências para se manter acordado, aquele sofá a frente da enorme janela era tão convidativa.

Caminhou até o móvel e sentou-se, cruzando as pernas e olhando para fora. A janela meio embaçada devido ao sereno e frio da noite passada, a visão para fora dava-lhe uma sensação de cansaço. Lentamente pousou a cabeça no braço do sofá, olhando aquela imagem, recolhendo todo seu corpo no estofado, fechando as mãos e acolhendo-as no peito numa posição infantil. E sem mais perceber, estava caído novamente ao sono.

Aquela manhã acabara por passar rápido e tedioso. Nenhum deles se manifestara durante todo aquele horário, até por volta do meio dia, já que era um final de semana, e acordar cedo se limitava apenas à Kai, que cuidava da casa sempre.

Uma das portas fora aberta calmamente, saindo dela um sonolento Reita, totalmente descabelado e mal-arrumado rumando até o banheiro do corredor, passando por Uruha que dormia ainda no sofá. Sem notar na presença do amigo, entrou no banheiro e ligou o chuveiro.

Logo a porta do outro guitarrista igualmente se abriu. Lento e calmamente, passando a mulher, seguida de Aoi, pelo corredor. Fizeram pouco barulho, passando pelo guitarrista loiro, descendo as escadas conversando baixinho, rindo as vezes, quando chegaram na sala e avistaram um Kai sorrindo e um Ruki esparramado no sofá da sala, completamente entediado.

-Bom dia.-Aoi dissera enquanto passava pelos dois, puxando a jovem mulher pelo braço, indo até a cozinha e apanhando dois copos.

-Bom dia.-os dois responderam, juntamente de um "Bom dia" da mulher que sorriu, olhando-os e seguindo Aoi.

Com os dois copos encheu de suco e ofereceu à outra, apoiando-se no mármore da pia enquanto sorria com o canto dos lábios olhando a jovem, que correspondera com um tímido sorriso, abaixando a cabeça e depois olhando pela janela.

-Hoje a casa vai estar cheirando a romance, huh?-comentou, lançando um olhar cúmplice para Ruki, que imediatamente avermelhou-se, virando a cabeça para um lado e abraçando uma almofada, bocejando de sono repentino.

-Não almoço em casa.-avisou Aoi, saindo da cozinha com a mulher, pegando as chaves do carro e a carteira, sorrindo para todos como sempre fazia.

Tempo suficiente de ter um Uruha parado no começo da escada para interroga-lo sem querer, apenas por curiosidade.

-Vai sair?

-Vou.-respondeu rápido, girando a maçaneta da casa e depois erguendo o olhar na direção do loiro.-Volto tarde.-piscou, apontando a jovem que o acompanhava, saindo de casa.-Sayonaraaaaaa!-e fechou a porta.

-... –Uruha ficou um pouco estático, até começar a rir e a balançar a cabeça de um lado a outro.-O Aoi ta empolgado.-comentou descendo todo o resto das escadas, vendo os dois amigos.-... nossa, porque do desanimo?-indagou pela segunda vês no dia, olhando mais precisamente Ruki.

-...-o menor limitou-se a responder, deixando o olhar fixo em algum enfeite que havia no outro sofá, o que parecia muito mais interessante do que ficar ouvindo besteira. O que, ao visto, o dia ia lucrar no quesito.

-Nada mais que o normal, Uru-chan!-Kai piscou para o amigo, dirigindo-se até a cozinha, jogando o pano de prato em cima do balãcão.

-É normal ficar para baixo...?-indagou com uma interrogação na cabeça, pendendo-a ligeralmente para o lado, olhando o caminho tomado pelo baterista quase automaticamente.

Não recebeu resposta, assim como também não procurou repetir. Caminhou com o estômago implorando por comida até a cozinha junto do outro integrante da banda, parando no balcão, brincando com o pano, apoiando os cotovelos no máo, brincando com o pano, apoiando os cotovelos no mndo no balçrmore e seguindo Kai com os olhos, meio interrogativo sua expressão.

-Como passou a noite, Uruha?-Kai andava de um lado para o outro, aparentemente pelo horário preparando o almoço.

-Bem, muito bem... -ele revirou os olhos, pairando sobre o teto do local, até pousar em cima da geladeira, onde resolveu caminhar até ela e abri-la, retirando uma garrafa consideravelmente grande de suco recém feito por Kai.-Humm... -sorriu com o canto dos lábios, abrindo a garrafa e despejando uma quantia boa num copo.-... exceto por...

-Hn?-Kai virou-se na direção dele, arqueando uma sobrancelha quando viu o guitarrista já bebendo o suco para o almoço, mas logo dando de ombros, voltando a cortar os condimentos.-O que?

-De noite... não sei... eu escutei uns sons estranhos...-comentava pensativo, tentando definir o som enquanto girava a mão com o suco, nunca olhando diretamente para o amigo. Sempre num ponto a sua frente.

-Sons estranhos?

-É... como definir...-pousou o copo em cima do balcão, finalmente encarando Kai.-Algo como... humm... ahnn...

-Esses são os sons?-arqueou novamente a sobrancelha, em dúvida se era Uruha pensando ou as tentativas logicamente frustradas.

-Uhun, era assim.-encarou ele, muito sério.

Kai manteve-se num momento de silêncio, calculando uma bos desculpa. Era lógico que os donos desses sons não estavam, nem de perto, dispostos a entregar a situação. E não seria ele que entregaria. Tão porque, não tinha nada haver com o que acontecia.

Mas graças a deus, o momento fora bruscamente cortado por um barulho na sala, algo caindo, ou alguém. Seguido de tosses. Nada discreto.

Ruki levantou-se do chão, a qual havía parado quando escutava o assunto, limpando a roupa que usava e dando leves socos no peito. Olhou para os lados, então aflito para a cozinha, onde apenas conseguia ver Kai lançar-lhe um olhar discreto. O menor balançou a cabeça rapidamente de um lado a outro, negativamente, movimentando os braços em direção de X, logo caindoa ficha de Kai, que rapidamente olhou Uruha e sorriu largo.

-Eu também escutei esses sons.-falou voltando a fazer o almoço, escondendo o rosto que quase ria.-E fui atrás saber o que era.-continuou, dando um tom de suspense no ar.

-Foi? E o que era?-indagou automaticamente, voltando a tomar seu suco, ignorando completamente os sons que vinham da sala.

-O Aoi e a namorada dele.

-...

Realmente, no tom de voz de Kai, era impossível não acreditar. Além de lógico.

Mas ninguém reparou na face amena que Uruha fez, abaixando a cabeça e dobrando os lábios num sorriso. Logo seguidos de uma sequência de risadas.

-Que sem vergonha!-falou em alto e bom som, escondendo a face entre os dedos, levando a franja para trás.-Então era tarde da noite, porque eu sequer vi essa mulher! HAHAhAHAhaHAhhA!-continuava a rir, rumando para a porta que dava para o quintal e a árvore.-Me chama quando forem comer...HAHAHAhahAH!

-...-neste momento, o baterista já fitava quase assustado a reação do outro, quando finalmente escutou a porta se fechar e as risadas irem se afastando.-...?

-... ele caiu?-Ruki entrou pela porta da cozinha, olhando em volta, ainda meio sem jeito com o fato a noite anterior, fitando Kai.

-Caiu.-ele olhou-o ainda em choque com as risadas do guitarrista, mas logo alargou os lábios e sorriu, voltando a cozinhar.-Ei, Ruki-kun.

-Hn?

-Pode sempre contar comigo.

-...-ele abaixou a cabeça, sorrindo sem jeito, as bochechas meio rubras, confirmando primeiramente com a cabeça.-Arigatou.

Mantiveram algum tempo de silêncio, provavelmente perdidos em seus próprios pensamentos. Os do Kai era então ainda mais incógnitas ainda. Mas Ruki se perdia num mar de confusões que ele sequer queria continuar a imaginar a situação que se metera.

Transar com Reita havia sido, ou não, uma boa coisa? Naquela noite, não conseguira dizer o que sentia. Mas deu graças a deus por não ter dito. Afinal, podia não ser correspondido. E pior que qualquer outra coisa... era não receber o mesmo amor em troca.

E podia ser chamado de amor? Ou apenas um tesão de momento? Uma experiência nova, na verdade. Pensando bem, era extremamente estranho o que passou. Ter Reita dentro de si, sendo que era um... homem!

Chacoalhou a cabeça tentando recolocar as idéias no lugar, virando bruscamente para a direção da sala, onde arranjaria o que fazer e ocupar sua mente em segundos. Mas desgraçadamente sua mente fora bloquiada. Assim como seu corpo.

Pelo corpo de Reita.

-Opa...-falou baixinho o loiro, segurando o menor pelos ombros, sorrindo serenamente para ele com o tombo.

-...-a íris de Ruki dilataram-se com o susto, ficando imóvel com o toque, procurando saber o que faria em seguida. Mas nada, nada, viera a sua mente. Vazia.

-Cuidado, pode começar a bater a cara nas paredes assim.-brincou Reita voltando a sua não expressão costumeira, arqueando uma sobrancelha com a reação estátua de Ruki.-... Ruki?-o chamou pelo nome quando o momento de choque era mais de 3 minutos.

-Ahn...-os olhos do outro mantinham-se fixos nos de Reita, como se preocurasse alguma resposta para seus pensamentos anteriores. Não as achando.-Desculpa.-respondeu rapidamente, desviando-se do caminho de Reita e caminhando para a sala, não achando o que fazer no local, até então rumar para o escritório, onde certamente teria o que ocupar sua mente.

-...?

Reita mantinha uma expressão de interrogação na face, erguendo os ombros uma única vez e caminhando para a cozinha, encontrando um Kai em meio a suspiros e balaçando a cabeça de um lado a outro negativamente. Novamente nada entendeu. Rumou até um armário e pegou um copo, abrindo a geladeira e tirando de lá o suco que Uruha anteriormente havia tomado. Abriu, despejou e recostou-se na pia, sempre observando Kai.

-...Algum problema?-indagou o baterista, olhando-o de perfil. Ligeralmente incomodado.

-Nenhum.-resposta rápida, assim como a maioria das conversas que aqueles dois mantinham.

-Mesmo?-insistiu, ainda sentindo o olhar pesado do outro sobre si.

-Uhun.-tomou um gole do suco, nunca retirando os olhos dele.

-...Ruki parece acabado.-tentou rumar a conversa para algo que ambos conseguiriam entender. O que parecia fazer certo efeito em Reita.

-Parece?-parou o curso do copo no meio do caminho, mostrando-se levemente preocupado.

-Já tentou conversar com ele?-Kai sentiu-se levemente mais aliviado. Não tinha mais o peso do olhar, e assim voltara a cortar alguns pepinos.

-Pra que?-revirou os olhos na tentativa de desconversar.-Não deve ser comigo. Afinal... -deu um tempo, engolindo o líquido.-Porque seria comigo?-soltou uma risada abafada, deixando o copo vazio em cima da pia e andando para a porta da cozinha.

-Afinal, vocês transaram ontem. E você sabe Reita, Ruki é extremamente atingível.-a forma direta que Kai era, as vezes, Reita mal conseguia digerir cada palavra.

E cada palavra bateu na mente de Reita como um martelo num prego torto, até mesmo parando-o na porta da cozinha, mas sequer virando-se em direção do amigo. Logicamente Kai sabia. Mas como sempre, em toda situação que o grupo se metia, ele sabia muito mais além do que o óbvio. Era nesses momentos que Reita sempre temia.

-Não machuque-o mais do que ele já sofreu.-continuou, limitando-se a manter os olhos fixos nos alimentos.-Se eu ver mais uma letra de música deprimente, vou saber a quem culpar.-riu baixo, virando-se para o baixista e apontando a faca que utilizava.

-...-Reita virou-se na direção dele logo em seguida, arqueando uma sobrancelha e sorrindo com o canto do lábio.-Ah, vai me ameaçar?-pareceu totalmente desprovido de emoções.

-Ameaçar não.-abaixou a faca, sorrindo daquela forma mística.-Guiar.-e voltou-se para o almoço, jamais desfazendo-se do sorriso.

-... você me dá medo.-terminou a conversa por si só, retirando-se da cozinha e caminhando para a sala que antes era ocupada por Ruki, mudando os canais até algum que o interessava.

Aquela casa estava começando a mergulhar num tédio cada vez maior. Não sabiam o que fazer, e sequer passavam o tempo juntos. Cada um sempre tomava um rumo naquela casa. No máximo era Uruha quem se manifestava para conseguir algo em grupo, já que ele era o que mais se incomodava com aquilo. E sequer sabia porque. Ah... a falta da união. Sendo que eram uma banda!

Com a noite, a ausência do outro guitarrista, dos demais parceiros. O loiro simplesmente se tacou em um dos sofás e ficou olhando a TV por um longo e duradouro tempo. Nada de interessante... nem os canais conseguiam o satisfazer. Levantou-se, caminhou até o aparelho de Video Game e o ligou, colocando o jogo favorito da turma quando se uniam para fazer campeonatos e mais campeonatos de futball. E sequer conseguiu durar 15 minutos na frente daquilo. Abandonou o controle ao lado do corpo e se jogou no chão, levantando os braços para cima e tocando os pés do sofá. Uma brincadeira por hora. Soltou um longo suspiro, rolando pela sala até ficar de barriga para baixo e encarar a escada. Levantou os olhos, avistando o relógio. Cristo... quase 1 da manhã e ele mesmo estava na sala, atoa?

Foi levantando-se aos poucos, ficando em cima dos próprios joelhos, até o ponto de sentar em cima das próprias pernas, olhando o tecido da calça preta. Ficou algum tempo assim, com o olhar baixo, pensando em absolutamente nada. Depois, ajoelhado, caminhou até a TV e o aparelho, desligando-os ao mesmo tempo em meio a um suspiro. Como o tempo sem companhia passava de uma forma sem graça.

Deixou-se cair novamente no chão, olhando o teto. Estava inquieto e sem afazeres. Nem treinar podia, já era muito tarde. Tédio. Sem nada para fazer. Completamente sozinho...

E um estrondo, mas nada tão chamativo, na porta da frente. Uruha mais que imediatamente levantou-se do chão e olhou para a porta, esperando o que fosse entrar. Cerrou os olhos, pegando o primeiro objeto que estava a seu alcanse e apontando para a porta.

-... -manteve-se em silêncio absoluto, caminhando para o canto na parede, as atenções completamente voltadas para a porta.

-Tadaima.

Na instante seguinte Uruha abaixou a mão e olhou Aoi adentrar no quarto. A blusa meio manchada por um líquido avermelhado claro. Logicamente vinho. Noite boa, pelo visto. Suspirou, pousando o objeto na mesa e andando até ele.

-Que SUSTO!-reclamou, dando um tapinha nos ombros dele.

-Ah, Uruha.-o moreno virou-se para o outro, sorrindo largo.-Eu avisei que chegaria tarde.

-É... -colocou-se para pensar.-Eu esqueci. Fiquei tão atoa que não me lembre.-riu, caminhando para a sala novamente.-E então, como foi o passeio?

-Muito bom.-disse andando até a sala também, sentando-se na poltrona.

-Ué...-Uruha observou. Onde estava a garota...?-E a sua namorada?-arqueou uma sobrancelha.

-Namorada?-colocou-se para rir um pouco.-Que namorada Uruha?-abriu os botões da blusa, abanando-a as vezes.

-...-fez uma expressão de completo perdido. Certo... sem namorada? Mas se dormiu, saiu, e muitas outras coisas, só podia, não?

-Se eu durmo com alguém, não significa que é minha namorada.-apoio o cotovelo no braço do sofá, logo a cabeça, deixando um dos olhos coberto pelo franja.

-Você não liga?-ficou um pouco incrédulo.-Quanta futilidade Aoi.-indagou, rindo no final.

-É o que eu chamo de transar.-riu junto com o amigo, levantando-se e tirando a blusa.-Cara, vou tomar um banho. Não imagina como estou cansado.

-Ahhh, eu imagino.-retrucou em cima, olhando o outro de cima a baixo.

-Você me constrange.-falava em meio de risadas, dirigindo-se para o banheiro embaixo das escadas.

-Ah, eu quem devia reclamar.-andou até o começo das escadas.-Hoje de manhã eu vou te acordar, e o que eu vejo?-tentava se mostrar nervoso, na brincadeira.-Bom, você sabe, esperto!

-...-virou-se roboticamente para o loiro, arqueando uma sobrancelha.-Ah, e o que achou do produto?

-Produto??-parou de andar.

-É. Você também tem. Só que eu não entrei no seu quarto para ver ainda.-dizia, mantendo um tom de ironia.

-... Aoi, você bebeu, não foi?-tentava se esquivar das brincadeiras sem fundamento do outro guitarrista.

-Claro! Mas me responda, gostou?-soltou uma risada divertida, andando até um sofá e encostando-se nele, visualizando claramente a expressão de Uruha constrangido. Troco.

-Eu sou homem! Tá me estranhando, seu esquisito?-era o ponto de ficar nervoso com as brincadeiras que levava.

-Eu que sou esquisito... -falou baixo, cruzando os braços na frente do corpo. Mas prosseguiu.-Achou grande?

-AOI!!!!-começou a subir as escadas.-Seu ESTRANHO!-virou a cara, jogando a franja na frente, escondendo seu rubor.

-Nossa, mesmo que não vai responder?-entortou a boca, andandou até o banheiro-.-... rs... Boa noite, Uruha.-acenou.

-Boa Noite!-reclamou, pisando fundo e subindo as escadas.

Subiu degrau por degrau, extremamente nervoso. Resmungando coisas, bufando, até chegar na porta de seu quarto e olhar em volta. Um som baixinho. Franziu o senho, olhando para a porta ao lado. O que Ruki tinha? Se aproximou, tentando entender que som era aquele. E aos poucos foi dando lógica. Uma guitarra. Certamente ele estava compondo. Não era de se espantar, vindo de Ruki. Deu de ombros e girou a maçaneta, andentrando em seu quarto, fechando a porta atrás de si e se tacando na cama.

O que Aoi tinha?! Estava ficando louco?? Perguntando coisas absurdamente idiotas! Realmente, as pessoas daquela casa estavam ficando malucas e completamente sem noção! Não tinha mais fundamento o que cada um fazia. NADA! Ou ficaria louco junto, ou daria um jeito em cada membro da banda, antes que perdessem o rumo.

Rolou na cama, afundando a cara em um travesseiro. Estava sem palavras de tão nervoso. Achara a brincadeira de Aoi sem fundamento algum. Dormiria, isso. Pegaria logo no sono. Amanhã estaria mais calmo.

-... idiota.-resmungou algo antes de fechar os olhos e deixar o sono o pegar gradativamente. Amanhã... outro dia.

Um barulho. Enorme, na verdade. Uruha simplesmente rolou até o outro lado da cama, caindo metade da coberta e os dois travesseiros. Ficou naquela situação um bom tempo, tentando entender o PORQUE daquela casa não term sossego nem as...

-DUAS DA TARDE?!-berrou, olhando o relógio acima da mesinha. Durmira tanto assim?? Mas sequer estava tão cansado! Esfregou ambos os olhos, ajoelhando no chão e olhando em volta. Era mesmo duas da tarde. Podia sentir todo aquele calor adentrando no quarto, fazendo-o transpirar um pouco.-...

Levantou, caminhou em passos lentos até o banheiro do corredor e lavou sua cara. Todos os quartos abertos. Isso significava que apenas ele estava dormindo até tarde. Colocou toda a culpa em todos eles, por tirarem seu sono, fazendo-o se preocupar com cada um. Terminou de lavar o rosto, levantou e encarou-se no espelho. Ah, cena linda... dormir demais estragava a aparência. Suspirou. Rumaria para a sala e, se possível, ver algum rosto sorridente... além do de Kai.

Ah... ainda estava nervoso.

Desceu os degraus e avistou Aoi deitado num dos sofás. Completamente esticado, atoa, com a TV ligada. E mais ninguém. Girou os olhos, ainda bravo com o que acontecera na noite passada e caminhou até a cozinha. Estava faminto. Abriu a geladeira e viu inúmeras garrafas de bebida alcólica.

-... alguém pretende morrer hoje?-perguntou para quem pudesse o responder, pegando o refrigerante no fundo. Era fã de bebida, mas não DAQUELE jeito.

-Reita quem comprou.-informou Aoi da sala, mudando o canal para algo exageradamente barulhento. Então o barulho era da TV e do programa absurdo que ele estava assistindo.

-Festa?-caminhou até a mesa da cozinha e sentou-se, tomando o refrigerante e olhando para fora.

-Eu não perguntei.-falou, dando uma risada alta do programa que estava vendo.

-... estou preso com um bobo...-reclamou, terminando de beber e andando até a porta que dava para a varanda.

-Ainda nervoso?-a voz indiferente de Aoi propagou por toda a casa, fazendo Uruha parar de andar e lançar um olhar na direção do moreno.

-... como?

-Porque ontem. A brincadeira.-não parecia realmente preocupado, mas deixou continuar.-Você parece nervoso. Me tratando mal.

-Não estou te tratando mal!-retrucou, virando a cara.

-Ahan, estou vendo.

-...

O loiro suspirou, abaixando a cabeça e olhando a maçaneta. Estava tratando o amigo mal realmente. Mas não era por querer. Sequer sabia o porque de ter ficado tão bravo com uma brincadeira tão infantil e que, vinda de Aoi, tão normal. Tentou traçar nos lábios um sorriso, nem que fosse forçado. Mas mal conseguira. Suspirou novamente, girando a maçaneta e atravessando a porta, deixando um Aoi confuso com aquele ato. E claramente, curioso.

Não demorou para que, em seguida, lá estava Aoi atravessando a mesma porta e traçando os mesmos passos de Uruha. Seguindo-o em passos leves e calmos, até que o viu parar debaixo da árvore e sentar-se na raiz, abrindo as pernas e apoiando os cotovelos nas coxas, assim dando um apoio perfeito para a cabeça, que era segurada pelas mãos. Mal notara a aproximação do moreno atrás da árvore, ficando em estado alpha um longo tempo.

-O que você tem?

E com entrou naquele transe bobo, saiu. A voz de Aoi como um despertador, girando sua cabeça até encontra-lo fitando-o sem censura, esquecendo do rubor que antes estava em suas maçãs do rosto. Balançou a cabeça de um lado a outro, como demonstração de que estava perfeitamente bem. O que, logicamente, não era verdade.

-Deve ser o clima. Está todo mundo estranho. Eu me sinto incomodado também.-forçou um sorriso, que finalmente conseguira.

-Todo mundo estranho?-sentou-se num lugar favorável, olhando para a frente, na mesma posição que o outro.

-É... não reparou?

A pergunta saíra com um certo tom de desânimo. Mas não percebido por Aoi, que continuou a olhar para frente, avistando a casa e toda a cena a volta dos dois. Um vento mais gostoso da tarde, assoprando seus cabelos que se moviam conforme eram tocados. O loiro suspirou, descendo até o chão e sentando na terra, fazendo furos no chão.

-Não.

-...-aquilo incomodou Uruha.-... ahn...-bloqueou qualquer pensamento anormal que pudesse ter.-Kai escondendo algumas coisas. Reita e Ruki completamente afastados um do outro. Sendo que eram tão grudados...

-Você e eu também.-Aoi usou como exemplo.

-...

Estavam. Mesmo. Era uma boa observação. Mas porque? Não tinha motivo algum. Chacoalhou a cabeça, lançando um olhar para o moreno, que pareceu completamente desentendido. Jogou a cabeça para trás, a franja indo na mesma direção e suspirou, abandonando ambos os braços ao lado do corpo.

-Bobeira.-falou baixo, fitando o céu.

-... bobeira?-indagou. Agora quem lançara o olhar era Aoi, observando o guitarrista, face, posição do corpo...

-É. Eu sempre acabo vendo demais... achando demais.-riu.-Não se preocupe.

-Se você acha...

-Não, eu não acho!

-... o calor está afetando sua cabeça Uruha.-Aoi não parecia disposto a brincar. Ainda mais com um adulto estressado pelos outros.

-...

-Quando se acalmar, pode me procurar.-e esboçou um alegre sorriso, levantando-se e caminhando de volta para a casa, indiferente, como sempre.

O olhar do loiro voi caindo cada vez mais conforme o outro se afastava. Ele não sabia definir que sensação era aquela. Algo mais parecido com um incomodo sem igual. De preocupação.

E porque sentia-se terrivelmente ruim com o afastamento do outro? Com a indiferença? Com a pouca importância para com sua pessoa?

-...Arg!-resmungou batendo a mão na terra, sujando-a.

O por do sol era, sem igual, maravilhoso. Gostava, demais. E não podia negar que lhe trazia uma tranquilidade sem explicações. Além de preencher o pequeno vazio que sentia desde que Ruki o evitara por longas horas. Não queria admitir, mas sentia que aquela transa fora apenas uma diversão. O menor sequer tocara no assunto, ou trocara algum olhar. Eram como estranhos.

Andou em passos curtos até a cozinha, deparando-se com um Uruha um tanto sujo de terra. Cena engraçada, tinha que admitir. Passou reto, andando até a geladeira para apanhar algo para comer. Assim que abriu, observou bem a ausência de algumas coisas. Levantou a sobrancelha e encarou Uruha, que mais parecia fora de órbita.

-... você bebeu o que tinha aqui?-perguntou, abrindo a geladeira e ficando ao lado da porta da mesma, apontando seu interior.

-...-apenas os olhos do mais alto se moviam, parando onde Reita apontava, dobrando os lábios num sorriso estranho.-Bebi, porque?

-...-o menor suspirou, balançando a cabeça negativamente e fechando a porta da geladeira, andando até a mesa e encarando Uruha.-Você está bem?-indagou, vendo-o realmente fora da terra.

-... uhun.-respondeu raspando a garganta, olhando para a janela, tamborilando os dedos na mesa, mostrando-se levemente ansioso por algo.

-Certeza?-insistiu. Como amigo ele não podia deixar Uruha passar por situações difíceis e derivados. Era, acima de tudo, falta de ética como amigo.

-...-os olhos do mais alto percorreram da pia, piso, mesa até chegar em Reita, fitando-o sem expressão alguma. Certamente aquele estado não era o normal dele. Isso era tão lógico.-Reita.-o chamou, agora girando o corpo na direção dele.

-Hn?-indagou, sentando-se na cadeira a frente do outro loiro, entrelaçando os dedos das mãos e colocando ao nível da boca, encarando-o com certa curiosidade.

-...-um suspiro baixo pode-se ser ouvido escapando pelos lábios do outro, abaixando o olhar, a franja tapando-lhe levemente a face.-... o que você acha... de dois homens...-começou, parando um pouco, respirando, pensando com dificuldades.

-O que tem?-Reita fazia perguntas intercaladas as frases do amigo, como se o empurrasse a terminar o que dizia.

-... se eles... supostamente... se beijassem...?-não erguia o rosto, apenas procurando uma resposta.

-Hn... -não podia negar que seu corpo travou com aquilo. Será que Uruha sabia, e queria alguma informação a mais? Mas... ele certamente estaria menos envergonhado. Ou não...?- O que tem?-manteve-se indiferente, seguro.

-Você não acha errado?-parecia até mesmo infantil falando daquele jeito.

Reita se pôs a pensar nas possíveis possibilidades de Uruha estar iniciando uma conversa naquele naipe. Ficou alguns minutos em silêncio, tentando buscar uma resposta mental, apoiando a cabeça no palmo de uma das mãos, olhando para todo o corpo do amigo a frente, buscando indícios se sabia de algo. Nada... era uma conversa inocente, no final de contas.

-Tenho nada contra.-respondeu, levantando-se e caminhando em direção a sala, totalmente despreocupado. Sua cabeça andava pensando demais ultimamente. E sem necessidade.

Os olhos escuros de Uruha seguiram os passos do outro por baixo das mechas loiras até onde conseguia, levantando-se em seguida e fazendo o mesmo percurso, parando no batente da porta da cozinha onde podia observar claramente o amigo sentar-se num dos sofás, abrir as pernas e apanhar o controle remoto da TV, mudando freneticamente até o canal de notícias da cidade, onde então depositou o controle e deixo os braços no encosto do sofá, suspirando.

Passou a língua por seus lábios constando sua insanidade mental. Não importava com muita coisa no momento, e sua mente mantinha cada vez mais cheia de pensamentos incoerentes e, infelizmente, sem resposta. Caminhou em passos lentos até ficar a frente do baixista com ambas as mãos na cintura, encarando-o.

-... hn?-resmungou Reita, não gostando de ter a visão da TV bloqueada pelo corpo do amigo, levantando o rosto e chocando seus olhos com os dele.

-...-o mais alto apenas debruçou-se , colocando cada joelho ao lado das pernas do outro e sentando-se na coxa, sempre com o olhar fixo notando a não-reação.

-... Uruha?!-susto. Não era natural aquele tipo de brincadeira. Digo, viviam brincando com coisas do gênero, mas a expressão vazia e perdida do guitarrista mostrava claramente que não estava de brincadeira. E teve mais certeza ainda quando sentiu as mãos levemente sujas de terra tocar-lhe a face, segurando-o.-... o que... pensa que está fazendo?

-Você disse que não tem nada contra.-resposta seca, o hálito da bebida. Claro... estava fora de si.

-...?

A mente de Reita processou rapidamente o que aquilo significava. Lógico. E viu cada vez mais claro a situação conforme a face de Uruha ia se aproximando, devagar, sentindo o calor da respiração pesada do amigo cada vez mais próximo. Os lábios carnudos do outro tocaram com leveza, tímido pelo visto. Em seguida pequenas mordidas, pedindo que um beijo fosse cedido, e logo, concedido. A boca de Reita entre abriu-se, dando caminho absoluto para que Uruha não mais sentisse vergonha.

O baixista ergueu ambas as mãos até a cintura do outro, apertando um pouco e por instinto o pressionando para baixo contra seu próprio corpo, escutando um suspiro mesclado a um gemido baixo, completamente fascinante. Não sabia que Uruha era assim. E daquela forma, seus hormônios masculinos não agüentariam por muito tempo. Além do mais... Ruki não lhe dava bola a uns dois dias. Apenas uma transa.

E sem que o loiro maior continuasse a dominar os pequenos movimentos labiais, introduziu sua língua na boca de Uruha, logo chocando-se com a dele, fazendo movimentos circulares e obscenos, calmos e rápidos, ao mesmo tempo em que puxava-o contra o próprio corpo, sendo muito bem correspondido na mesma intensidade.

-Ah..!-um gemido baixo vindo do guitarrista quando sentiu-se estranhamente pressionado contra o membro de Reita, a face avermelhando a cada contato de pele. Ofegante, encarou-o, para então voltar a morder os lábios do outro.

-... você tem noção... do que está fazendo...?-sussurrou com as dificuldades dos lábios capturados com cada vez mais violência, agora enlaçando a cintura do outro com ambos os braços.

-... eu perdi a noção a alguns dias... –resmungou, querendo esquecer das próprias decisões.- Reita... –sussurrava na orelha do outro.

-...-arrepiou com a respiração do outro numa área sensível, sofrendo uma falha na tentativa de respirar.-... fala...

-... dorme comigo.