Capítulo 4: Crying baby

Os olhos do baixista levemente se arregalaram com a proposta. Uruha com toda certeza estava com algum problema, ou então, muito bêbado. Mas por alguns segundos... estranhos segundos, ele não se importou. Carnal... desejo carnal. E sequer sabia de onde desenterrara algo parecido tateando e alisando o corpo do amigo. Sendo que Uruha sempre lhe fora um dos melhores amigos. E quem não era um bom amigo naquela banda?

Respirou firme, engolindo a saliva e deslizando as mãos da cintura até a coxa do outro, apertando e provando pelo tato da pele macia e quente do guitarrista. E constou-se excitado quando os lábios, dentes e língua do outro localizavam constantemente na área do pescoço, provocando-o sem cerimônias. Ofegou, num risco de respiração, onde abriu os olhos e encarou fixamente a parte inferior de ambos os corpos excitados. Todos ausentes. Uma pessoa que, além de amigo, era uma proposta mundialmente irresistível.

-... Ah...-suspirou, apertando forte a cintura do amigo e o derrubando no sofá, ficando exatamente por cima do mesmo, encaixado por entre as pernas do outro com um pouco de força, insinuando movimentos contra Uruha.

O loiro mais novo apenas murmurou algo compreensível, tão baixo que podia ser confundido com um gemido ao ser pressionado entre o sofá e Reita, grudando no pescoço do outro e enlaçando a cintura com força, mordendo os lábios do outro com força, ofegando, suspirando. Completamente afoito.

-... me responde... se me deseja... na sua cama...-dizia enquanto arranhava as costas do baixista, parando para encara-lo.

-...-parou por um instante para encara-lo, o puxando com força do sofá, se equilibrando como podia, o pondo contra a parede. E a medida que o apertava ainda mais, fazendo uma certa força intencional no baixo ventre do mais novo, mordiscava-o na área da orelha.-... fica quieto um pouco, e deixa eu conduzir.-sussurrou, lascivo, ameaçador.

A quase completa ordem fez com que os lábios do outro ficassem encurvados num sorriso malicioso, fechando ambas as pernas em volta da cintura de Reita e pendendo a cabeça para trás sutilmente, deixando a mostra o tecido de pele alva do pescoço, que parecia um convite gritante para o mais velho.

Reita começou a andar em passos lentos, para que não derrubasse o outro durante o caminho até o quarto. O mais difícil, com toda a certeza, foi subir as escadas. Mas nada que não desse um jeito. Nada que seus hormônios não o fizessem fazer.

Chegou à porta e a abriu com facilidade, fazendo em meios muito barulho, mas não se importando. Aoi não estava dentro da casa, Kai para a cidade, e Ruki sumira. Não dissera para onde ia, ou sequer dando explicações maiores. E isso incomodava profundamente um certo baixista. Mas tinha de ignorar, de uma forma ou de outra. Agira apenas como um objeto.

Andou desajeitado até a cama, derrubando uma cadeira que estava no meio do caminho, sem querer, claro, e jogou Uruha sem mais cuidados na cama antes arrumada, tendo os lençóis amassados conforme o corpo do loiro maior moldava-se àquele ambiente. E Reita quase não podia segurar-se. O que o excitava, o tesão para com Uruha, era aquele corpo praticamente feminino, esfregando-se na superfície da cama como um animal no cio, arranhando-se até o tórax, aparecendo completamente as marcas avermelhadas que eram deixadas como rastro. Ah... aquilo doeria no dia seguinte.

Mas não mais o estrago que Reita faria àquele corpo.

Um sorriso malicioso transcorreu-se completamente pelos lábios do mais velho a medida que se aproximava, já arrancando a jaqueta negra e a regata no chão, deixando seu peitoral a mostra, o que agradou muito Uruha, a qual mordeu os lábios tão forte que podia-se ver um rastro vermelho do contato de seu canino à pele.

E era praticamente irredutivo a situação que ambos se metera. Momento que já compreendiam a medida que o corpo de Reita avançava contra o de Uruha, ficando entre as pernas do guitarrista que, por deus, estavam deliciosamente afastadas, erguidas, insinuantes. E o loiro mais velho fez questão de despir aqueles pares de pernas em um estante apenas, arrancando-lhe o cinto com força e jogando a peça de roupa atrás de si, completando a bagunça.

Uruha manifestou-se mais uma vez ao quesito marcas. Levou ambas as mãos até os ombros de Reita e começou a rasgar, juntando na parte dos mamilos, direcionando-se cada vez mais para baixo, ferindo parcialmente a pele do outro, até o cós da calça, onde violentamente tratou de abrir o botão e zíper da calça do "amigo". Como cortesia, lançando-lhe um sorriso inocente, uma criança que aprontava e ainda fazia questão de comparecer no 'local do crime'. Ato perigoso. E em um movimento de quadril empurrou Reita que, até então, mantinha-se colado, pressionando sua ereção em sua entrada já desprotegida de tecidos. Sem mais enrolar, sentou-se na beirada da cama, uma mão posta no tórax do outro e a outra descendo completamente as calças, sendo ajudado pelo mesmo que chutou a peça para o lado.

Os olhos do mais novo percorreram o corpo do outro da forma mais obscena que sabia. Apesar de nublados, o desejo o percorrendo cada canto de sua veia, o par de orbes negras brilharam, passando a língua pelos lábios ao parar o olhar exatamente na ereção do outro. Seu ego aumentara sem explicações. E sem rodeios, levou ambas as mãos até o membro rijo, apertando a base e puxando a pele para cima, nesse movimento.

-Ahh..!-Reita gemeu baixo, rouco, inclinando o quadril automaticamente para a frente. Extasiado.

-... me deixa te chupar.

A boca do baixista não gesticulou nenhuma resposta. E sequer sua mente conseguia digerir palavras tão xulas como as que ouvira até então. Xulas e provocantes, um pedido pornográfico, presumia.

Não respondeu. Não era feito para teorias. A prática levava a perfeição. Sendo assim, agarrou os fios de cabelo de Uruha e guiou-o até a ponta de seu membro, que era segurado pelas mãos do outro, e começou a puxar ainda mais forte a cabeça do loiro de encontro a sua ereção. E Uruha não recusou esse movimento grosseiro e tentador, por mais que desconhecesse toda essa nova sensação. Engoliu com todo limite de sua garganta o membro de Reita, sentindo gradativamente a força em seus fios diminuírem e a continuidade de gemidos aumentarem. Estava fazendo certo. E vangloriou-se com isso, raspando os dentes na pele da ereção até a glande, rodeando-a com a língua e voltando a praticar o mesmo movimento. E fora nesses segundos que sentira uma nova pressão no couro-cabeludo e o quadril de Reita insinuar movimentos contra sua boca.

-... Já chega... –resmungou Reita segurando-se para o orgasmo, que lhe seria tão fácil chegar se continuasse daquele jeito. E puxou Uruha pelos cabelos para cima, visando claramente aqueles lábios tão rubros como nunca havia visto antes, tomando-se em seguida, sugando com força a língua e lábio inferior, sentindo o próprio gosto na boca do guitarrista.

Separou-se dos lábios de Reita em busca de ar, mas jamais se distanciava do contato alheio de lábios. Precisando daquele contato estranho e inovador. Subitamente teve sua nuca agarrada, com força, sendo obrigado a propagar um gemido lânguido, entreabrindo os lábios. E Reita o empurrava novamente para a cama, sempre em cima, posicionado, atacando a área do pescoço e curva do mesmo, marcando ainda mais, sem piedade.

-Re-Reita...

-.. –o baixista ignorou visualmente, apertando a coxa de Uruha e o fazendo levantar uma das pernas, colocando-a por cima de seu ombro, tendo uma vista perfeita da entrada logicamente intocável. Virgem. Mordeu forte o lábio inferior, inclinando-se até o limite do ouvido do guitarrista, levando consigo a perna do outro, fazendo-o abrir-se ainda mais, e mordiscou a região da orelha.-Tente limitar as palavras...

Ditas da forma mais arrepiante possíveis, fazendo a pele de Uruha eriçar-se com cada grau de sussurro, fechando os olhos e afundando ainda mais a cabeça no colchão, sentindo um de seus braços presos pelos pulsos acima de sua cabeça.

E no segundo seguinte, nunca sentira uma dor incômoda tão grande como aquela. Abriu ambos os olhos numa expressão de dor inconfundível, os lábios abertos e mostrando todos seus dentes se apertando contra o outro. Podia sentir-se rasgar-se pelos cantos, arder, e mal conseguia segurar as lágrimas rolarem por seu rosto. E Reita não negava sua preocupação, diminuindo a velocidade de penetração e descendo a mão que antes prendia Uruha, até a cintura dele, apertando-a e alisando até a coxa, para voltar pelo mesmo caminho e bombear a ereção. Um movimento sincronizado ao momento em que se pusera completamente para dentro do corpo do loiro, escutando um gemido de alívio vindo do outro, e de si próprio.

O modo como o corpo de Uruha reagia a nova condição era sem igual. Queimava como o inferno, transpirava e contorcia-se a medida que Reita voltava a retirar-se de dentro dele, para penetra-lo novamente, agora com menos atenções.

-AHHhhh...!!-gritou, sentindo a presença de prazer ao final da invasão, levando ambas as mãos de encontro ao ombro do baixista e arranhando até o ante-braço, como um novo hobby que adotara.

E Reita grunhiu, agarrando a outra perna do mais novo e a colocando em cima do outro ombro, podendo assim ter uma visão melhor e também um acesso mais rápido e profundo, o mesmo praticando sem limites, apertando com força a cintura de Uruha e o puxando contra si todas as vezes que se colocava para dentro do corpo do outro, sem piedade, gradativamente. E as estocadas ficavam ainda mais violentas, sentindo sua ereção completamente rija e pulsante atravessa-lo facilmente, viscoso cada segundo, acertando-o até a próstata com toda a força que tinha.

E ficava ainda mais violento.

Conseguia escutar facilmente, em paralelos aos gritos de prazer de Uruha e seus gemidos constantes, os corpos se chocarem, num estralo tão forte que jurara que a pele do outro ficaria avermelhada horas depois. As expressões que eram usadas pelo outro ficavam cada vez mais eróticas e calmas, por mais que o rosto ainda mantinha-se úmida pelas lágrimas passadas. As bochechas completamente rubras, os lábios inchados e molhados, recitando hora ou outra pedidos para que os movimentos aumentassem ainda mais, se aproximando do ápice.

-Mais fundo...!!!! –gritou, circulando a cintura de Reita com força, o forçando a se unir ainda mais a seu corpo, numa penetração tão violenta quanto, fazendo-o contorcer-se de imediato.

-... !!-e podia sentir-se encaixado entre as pernas do outro, tão fundo como nunca estivera, pendendo a cabeça para frente, deixando a franja cair rente a esse movimento, agarrando o corpo de Uruha com força e o levantando parcialmente da cama, estocando uma segunda vez sem limites, fazendo o outro gritar e agarrar seu corpo.-Ah...!!!!

Unidos, numa cópula tão pornográfica, até onde seus limites permitiam. Uma onda de prazer e dor aflorou por todo o corpo de Uruha, estremecendo-o como uma descarga elétrica, pendendo a cabeça para trás e jogando o resto de seu corpo para frente de encontro ao membro de Reita, sendo tocado até o fundo, tendo todo seu corpo invadido, chegando ao orgasmo em sua forma mais enloquente que conhecia, jorrando todo seu sêmen entre os dois corpos, uma viscosidade irresistível.

E Reita atacou a área do pescoço de Uruha, mordendo com força, invadindo-o até onde podia (e até mesmo onde não lhe era permitido), escutando com toda sua possibilidade em audição o grito exacerbado propagado pelo outro, como uma sonoridade impulsiva à todo seu ser, mexendo com seus hormônios, ao ápice de seu clímax mais insano, preenchendo Uruha por completo com seu gozo, sentindo-o tremer em seguida, e seu corpo lhe limitar movimentos.

Ofegantes.

A respiração de ambos davam-lhe a idéia de que jamais se controlariam. As faces tão rubras quanto, fazendo Reita desabar em cima do corpo de Uruha, retirando-se de dentro dele, mordiscando a área que ferira segundos atrás, sugando a pele, distribuindo beijos mais calmos e menos desesperados por toda a pele, até parar nos lábios do mesmo. E não continuou, tombando para o lado na cama, fechando os olhos, sentindo seu peito subir e descer, mostrando claramente que os pulmões quase gritavam por ar. Só fez menção de passar um braço em volta de Uruha e o puxar para perto, fazendo-o deitar com a cabeça em cima de seu peito, igualmente tentava controlar a própria respiração... e o sono.

Uruha mal agüentava os olhos abertos, por diversos motivos. Alguns que pretendia esquecer, outros, por um momento tão prazeroso que quase não acreditava ter dividido o mesmo com Reita...

-... Ue... chan...

- Hn?-aquele nome fez Reita parar e girar os olhos na direção do outro, o encarando, esperando que a mesma fosse completada.

-... esqueça... –não sabia como terminar o que falara, falando já bem baixo, eminente que estava sendo tomado pelo cansaço cada vez mais. E impulsivo, levou uma das mãos pelo corpo do baixista até o peitoral, aconchegando a mesma no local, sentindo-se ainda mais apertado e próximo ao corpo que o acolhia.

Um sorriso fraco fez-se nos lábios de Reita, fazendo-o voltar a afundar a cabeça na cama, puxando desajeitadamente um travesseiro para a cabeça, encarando o teto, escutando ( e sentindo ) a respiração de Uruha acalmar-se e padronizar-se. Suspirou baixo, como se aquilo jogasse todos seus pensamentos para longe... mas escutara um som baixinho. Bem baixinho, que sequer conseguia identificar de onde estava vindo.

Um choro. Bem baixo.

-Uruha... está chorando...?-arriscou, voltando a olha-lo rapidamente, passando uma das mãos pela franja do loiro para trás, para tentar vê-lo melhor, acariciando a face.

-Não... –resmungou, grunhindo em seguida por ter sido incomodado, enterrando ainda mais a cabeça no aconchego.-Eu estava dormindo já... –e conforme falava, sua voz se apagava. Dormindo.

-...

Se não era Uruha, era coisa de sua cabeça. Não havia ninguém em casa. Porque escutaria o som de um choro? Riu internamente, declarando-se louco, e voltou a deitar a cabeça, pendendo-a para o lado especificamente próximo aos fios de cabelo de Uruha, e fechando os olhos, se entregando ao cansaço.

... E então por algumas horas, já não lembrava mais quem havia lhe conquistado.