N/A: Desculpem a demora! (xD) Digamos assim que eu seja realmente zicada, e ficar quase (quase?) mais de 1 mês sem internet, me deixou desorientada. Eu acabei adotando mais a Primeira Pessoa para escrever fanfics, daí, na hora de voltar pra escrever a First Love, eu emperrei. Por isso, a demora com caps. continua...
Dou graças a deus pela Kodo (Van amor! 8D) ter vindo pra minha cidade e ter discutido um pouco comigo sobre a fanfic, né... antes eu estava ainda mais perdida (--').
De qualquer forma, desculpa o transtorno (e os picos de loucura nesse cap.) na fic.
Boa Leitura. (n.n)
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Capítulo 13: Yune.
-Ruki, que cara é essa?-Uruha direcionou-se ao menor, rindo de canto ao notá-lo ainda mais aborrecido, mesmo que estivessem finalmente em casa.
-Nada..-murmurou jogando-se no sofá e cruzando as pernas.
Se notasse um aborrecimento sério, Uruha não teria tido um de seus acessos compulsivos, quase dobrando-se em dois. Aquela cara emburrada do menor, igual a de uma criança quando não ganha o que quer, era hilária. Mas não podia deixar de se preocupar.
Respirou fundo e conteve todas as demais risadas pousando uma das mãos sobre a cabeça do menor e bagunçando-lhe as mechas, agora mais claras.
-Tá, me diz, o que te aborrece desde que voltamos do ensaio?-respirou e sentou-se no chão, ao lado do sofá em que Ruki estava.
-...-mordeu ambos os lábios internamente, dobrando-os e respirando fortemente. Sequer sabia porque estava tão emputecido e fora de si, mas o simples fato de que... - ... Yune vem nos visitar daqui a pouco.-resmungou, virando a cara e cruzando os braços.
-...-o guitarrista parou por alguns instantes, piscando algumas vezes e mantendo-se estático.- ... ahn, agora você pode me falar a verdade, tá?-sorriu, ignorando a última informação.
-Não é mentira!-bufou.-Yune me ligou de MADRUGADA, me informando que passaria dois dias conosco.- O menor sentou-se corretamente no sofá, olhando quase mortalmente para Uruha, como se quisesse jogar toda a culpa no mais velho.
-... KAAAAAAAAAAAI!
A voz de Uruha nunca soara tão grossa e alta como agora, assustando não só a quem era chamado, como a casa toda. Aos tropeços, o baterista se arrastou do quarto em que estava até a sala, quase caindo nas escadas. Parou com as mãos fixas no corrimão e encarou os dois loiros no cômodo, o olhando ainda mais mortalmente, buscando respostas para o evento que estava prestes a ocorrer.
-O que foi?? Porque esse escândalo??-respirava pesadamente, aliviado por não ser mais uma das continuações das brigas da casa.
-Se explique!-Uruha pegou, de reflexo, o pulso de Ruki e o chacoalhou.
-... é o braço do Ruki... alguma dúvida?-a cara de descaso era enorme.
-Uruha... -rosnou o menor, olhando-o.
-... ahn! É...-Uruha sorriu sem jeito e voltou o olhar para o celular do menor caído logo ao lado. Pegou o objeto e o levantou bem alto, concluindo estar certo agora.-Se explique! Porque o Yune ligou pro Ruki de madrugada, falando que viria nos visitar??
Kai colocou-se pensativo, buscando profundamente uma desculpa que viesse a calhar.
Havia esquecido de avisar os amigos de que Yune viria os visitar por alguns dias. Toda aquela correria de arrumar e levar os equipamentos para a área do show havia o sobrecarregado, por fim, esquecera.
-Bom... eu... ahn...-largou os ombros, sorrindo sem graça.-Eu esqueci de avisar. Hehe...
O guitarrista loiro agarrou uma das almofadas que havia no sofá e a lançou em direção ao baterista, o acertando na cara. Bufou e resmungou mais algumas palavras e direcionou-se até a cozinha, ainda em xingos. Kai não conseguia conter as risadas da reação de cada um, sabia que não era raiva o que os dois continham apenas rancor de Yune tê-los abandonado no ramo musical.
Bocejou, passando pela sala e bagunçando os fios claros do menor. Teria de preparar algo logo, já que não demoraria para o ex-baterista chegar, e logo cada membro da banda estar devidamente desperto.
-Ahn, ohayo.
A voz praticamente apagada e manhosa vinha dos lábios do moreno mais velho, esfregando um dos olhos e trançando as pernas enquanto andava até a sala, quase em uma missão impossível. Olhou para o menor aborrecido deitado sobre um dos sofás e sorriu. Mal ele notara que seus cabelos totalmente desarrumados o denunciavam, ganhando um olhar cúmplice do baterista parado no batente da porta que ligava a sala à cozinha.
-Bom Dia, seu hentai.-sonorizou Kai, alargando consideravelmente o sorriso.
-...!!-Uruha, que buscava algo no armário, puxou a primeira caixa em frente à face e caminhou até a mesa, sentando-se em uma das cadeiras e se escondendo.-Aoi seu idiota...
-Ahn...?-piscou algumas vezes, tentando calcular o que acontecia. Ergueu as mãos até os cabelos, notando-os totalmente desalinhados. Deslizou-as pela face, fazendo uma careta de dor ao pousa-las na área do pescoço. Riu baixinho, voltando a caminhar até a cozinha e sentar-se de frente para o loiro.-Você me marcou todo.-resmungou, rindo ao final da frase.
-...! Aoi!-o mais novo não sabia onde enfiar a cara, tamanha a vergonha que estava passando.
-Uh, vocês dois, cheios de energia logo cedo!-Kai voltou-se para o fogão, rindo.
-Não chegamos a dormir...
-Aoi!!
-Não é, Uru-baby?
-...ahhhhh! Damero, seu hentai!
-Hn, quem gritou por mais ontem?
-Oh, ele implora por mais??-o baterista se aproximou, apoiando as mãos na mesa, juntas, olhando atentamente o mais velho.
-...
-Ahn, sim.-Aoi depositou o cotovelo na mesa, e então apoiou a cabeça na palma da mão.-E cavalga muito bem, hn...
-...
-Mesmo??-Kai virou-se para Uruha.-Incrível! Você chegou a fazer equitação??
-...
-O rosto dele quando chega no ápice... hn... mesmo que não escutaram meu nome?-o moreno piscou algumas vezes, inocentemente.
-...
-Ahn, não... digo, eu dormi logo que cheguei. As vezes...
-Ah, então era o Uruha?-Ruki se aproximou, sentando-se na cadeira ao lado de Aoi, oposto à Kai, e alargou o sorriso.
-...
-Pois é, pois é...-Aoi virou-se para trás, deparando-se com a figura mal arrumada e recém acordada de Reita, arrastando-se até a geladeira.-Hn, Bom Dia, Reita.
-Bom Dia...
Reita ignorou os demais cumprimentos, pegando algo na geladeira e sentando-se ao lado de Uruha e Kai. Cabisbaixo e concentrado em seus próprios pensamentos a ponto de mal escutar a confusão entre Aoi e Uruha, a ponto de não escutar as risadas escandalosas de cada um.
Silêncio absoluto. Bem como o que o menor deles praticava.
Suspirou profundamente, ingerindo o líquido amargo para dentro de seu corpo e pondo a mão livre sobre a mesa, apertando o objeto sem força alguma. Aquela rotina nostálgica estava voltando novamente, e agora mal conseguia compreender porquê. Pousou o copo sobre a mesa e olhou em volta.
Parecia magnético e impossível não encarar Ruki.
Tentava buscar uma resposta para aquilo, sinceramente, não conseguia engolir as palavras ditas pelo menor naquela noite de ensaios fotográficos.
-Nossa, a campainha!!-Kai se exaltou, pulando da cadeira e correndo rapidamente no fogão e fechando a panela, que teimava em ferver. Abaixou o fogo e rumou rapidamente para a porta principal, deixando os outros quatro se encarando.
-... estamos esperando visita?-indagou Reita, encarando fixamente o moreno, que era imediatamente agarrado por Uruha, a qual o abraçava por trás, afundando sua cabeça no tórax.-... hein...?
-É, estamos.-emburrou o loiro mais alto, apertando com ainda mais força a cabeça de Aoi contra si.
-... o que está tentando, Uruha...?-Reita apontou a situação, arqueando uma sobrancelha ao ver Aoi quase sufocado.
-Oras! Protegendo o que é meu!
-... mesmo é? Quanta dedicação.-voltou a apoiar a cabeça na palma da mão ao notar a tentativa de Ruki em falar. Preferiu desviar o olhar e encarar fixamente o copo ainda preenchido por suco.
Escutaram uma pequena exaltação vinda da sala, que se estendia por cumprimentos e algo indo de encontro ao chão. A movimentação não demorou para se aproximar da cozinha, a qual se encontrava o resto dos membros.
-Woa, minna!
-... Yune?!?!-Aoi virou-se bruscamente para a porta, arregalando os olhos e começando a rir logo em seguida.
Yune era amigo direto do guitarrista, a qual recebera o convite instantâneo de se juntar à banda. Portanto, a integração de ambos viera junta.
,A aparência não enganava Aoi, que levantou-se no mesmo instante e direcionou-se até o amigo agora moreno, cabelos médios e bem repicados, uma franja sobre o olho esquerdo.
Uruha respirou, aproveitando o momento para se controlar e sorrir da forma que melhor sabia. Não havia escolhas, a não ser tratar bem o ex-membro por dois dias, e mal sabia porquê tanta aversão.
-Hn, Yuu-chan, você andou emagrecendo é?-indagou, puxando a blusa do mais velho e lhe alisando a barriga.-Ah, até tirou o piercing!-e conforme falava, deslizava o indicador pela pele alva do moreno.
-Arg...-e como um disparo, Uruha lembrara-se da aversão.
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Faltavam alguns dias para que a apresentação em Kanagawa fosse feita, e Reita não se sentia bem o suficiente para tocar. Assim como não conseguia dormir, rolando e desarrumando a cama durante todas as horas da madrugada. Quando deu por si, estava em pé, de frente para a mesinha, encarando o relógio que marcava as quase quatro da manhã.
Suspirou, não teria sucesso em dormir agora, percorreu com os olhos algum casaco que fosse consideravelmente grosso para passar a madrugada na varanda observando a enorme árvore no escuro, e provavelmente encarando a janela do vocalista. Toda aquela conversa não estava descendo por sua garganta, nem que a socasse inúmeras vezes.
Se agasalhou e desceu as escadas mal conseguia ver diante de seus olhos, pois evitara ascender a luz na casa. Passou pela sala e cozinha, parando com a mão sobre a maçaneta. Congelou, por algum momento.
-Também tem insônia?
-...?-virou-se lentamente, conforme seu cansaço ainda permitia.-Yune?-parou, encostando-se na porta a qual tinha idéia em abrir, e suspirou.-É... quando estou perturbado. E você? Achou a cama diferente?-riu, cruzando os braços.
-Pois é.-bocejou, deitando a testa na mesa e acenando com a mão para o baixista.-Sinto uma carga pesada quando ando pela casa. Ahhhnnn, isso me desgasta.-murmurou, calmo e lentamente, quase parando de falar.
-...-Reita deu de ombros, fechando agora o agasalho até o pescoço.-Continua maluco...
-Nada. E eu errei?-debruçou-se sobre a mesa, quase abraçando a mesma.-Tá friozinho, né?-voltou a sentar-se corretamente, cruzando braços e pernas. Como se tomasse uma segunda personalidade.-Achei estranho o empresário de vocês deixar eu vir com tanta facilidade.
-... Yune, porquê veio nos visitar?
-...-o moreno encarou fixamente o brilho que o olho de Reita emanava.-Eu...-pigarreou, levantando-se e puxando algo do bolso.-... simplesmente...-ergueu o objeto até a face do loiro, seriamente.-... não tinha nada pra fazer. Olhe a agenda!-sorriu largo, apontando, no escuro, as folhas em branco.
-...
-AIE REITAAAAAAA!!! AHHH ME SOLTA!! ME SOLTA!! AHHHH!
-Maldito comediante...-rosnou, apertando ainda mais as mãos contra as têmporas do moreno.
-Buaa, Reitaaaa!-se encolheu, tentando se soltar do outro.
-Não me assuste mais, palerma! ... Ai!-Reita se encolheu, massageando a parte de trás da cabeça.
-Então... como eu estava falando.-Yune caminhou até a cadeira a qual ocupava antes, voltando a cruzar as pernas. Apoiou o cotovelo na mesa e a cabeça nas costas da mão, sorrindo.-Senti saudades. E queria conhecer o Kai-kun, né? Ele é realmente muito simpático, e bom no que faz!
-Maldito... pare com essas personalidades.-resmungou, levantando-se e pegando na geladeira uma garrafa de sua bebida preferida. Depois apanhou nos armários dois copos e entregou um cheio para Yune.-Hnm... sim, o Kai sabe o que faz.-tomou alguns goles, suspirando.-Exceto que ele esquece muito as coisas.
-Pessoa interessante.-comentou, tomando alguns goles e voltando a encarar o loiro.-E como está o pequeno da casa? Não abriu a boca em momento algum na minha presença.
-Caducando.-retrucou rapidamente, achando que a conversa pararia logo no seu próprio remorso.-E vocês são quase do mesmo tamanho...
-Uh...-sorriu, voltando a debruçar-se sobre a mesa, sorrindo largamente.-Não vá me dizer que vocês...
-Nó-nós o que??-engasgou, empurrando um pouco a cadeira para trás.
-... que vocês brigaram, oras.-piscou algumas vezes, inocentemente.
-...
-Vocês vivem juntos. Brigar não seria estranho, sabe?-e, assim, voltou a sentar-se educadamente sobre a cadeira, apreciando a bebida por mais um tempo.
-... você me desgasta, sabia...?-choramingou, esfregando uma das mãos na cara, até puxar toda a longa franja lateral para trás.
-Hehe... então, eu acho que vou subir e tentar dormir.-dito, levantou-se calmamente, indo em direção da sala, acenando para o baixista.
O loiro apenas abaixou a cabeça, vencido, e acenou para Yune, que subia as escadas calmamente, quase se arrastando. Assim que o viu fora de alcance visual, voltou a se concentrar nos problemas atuais que lhe invadiam a mente a cada novo segundo. Era ainda mais desgastante que suportar o ex-baterista.
Resolveu então tomar o rumo que lhe era planejado antes de ter toda aquela conversa. Ergueu-se e depositou ambos os copos sobre a pia, caminhando até a porta que dava para o enorme quintal natural daquela casa a qual estava enfurnado e hospedado a mais de uma semana.
Sentiu o vento frio da madrugada lhe atingir a face, a qual não tinha nenhum tipo de proteção contra aquela brisa. Ignorou que aquilo poderia o adoecer, e voltou a caminhar em direção à árvore, que em meio a tanta escuridão, se tornava uma imagem medonha e insegura. E novamente ignorou essa sensação.
Buscou alguma raiz consideravelmente grande para que se sentasse com o tato. Sentou-se e cruzou as pernas, achando assim um apoio para os braços levemente caídos para a frente. Conseguia ver, daquele ângulo, a sacada do mais novo acesa. Provavelmente estaria trabalhando, compondo mais alguma música sobre o que estava passando.
Deixou o corpo pesar na direção da árvore, encostando-se ali e fitando com pesar aquela luz. Perdido e reconhecidamente iludido com cada momento que achara estar colocando no lugar, tão fora de órbita que o som de passos não lhe atingira os ouvidos. Pendeu a cabeça um pouco mais para trás, a confortando nas cascas soltas da árvore.
-... Ahn... oi.
Espantou-se. Por meio de toda a escuridão, tentou buscar alguma imagem reconhecível, além da voz, na pessoa atrás de si. Sabia bem quem era, e por tanto tempo sentira falta da troca de palavras tão trivial. Tão boba, tão necessária.
De qualquer forma, Ruki ainda era seu amigo certo...?
-Oi...-murmurou, retomando a pose e encostando-se novamente na árvore.
-... está frio aqui fora. Melhor entrar...-o tom de voz era igualmente baixo, porém sem emoção alguma.
-Por enquanto, aqui está bom.-tentou parecer indiferente, mas o gesto de sentar-se ereto e abaixar a cabeça o entregou.
Por parte de Ruki, tudo ainda parecia confuso e fora do padrão. De alguma forma, não conseguia aceitar o tipo de relacionamento que entregara naquela noite com Reita, ou até os tipos de conflitos que estivera passando desde então.
Conseguiria negar com tanto afinco cada lágrima que derrubou todo esse tempo?
-...
-... melhor você entrar.-o olhar de Ruki tornou-se esperançoso. Provavelmente algum tipo de demonstração de preocupação o tivesse feito despertar dos próprios pensamentos.-Não queremos um vocalista rouco, certo?
-... ahn... –abaixou a cabeça, confirmando num movimento cego a frase.- É... tem razão.
O menor parecia ter plantado por alguns segundos os próprios pés na grama próxima a árvore, apenas olhando fixamente para o pouco reflexo do mais velho que tinha direito devido a pouca luz.
-Eu...
-Boa noite... Ruki.
-... boa noite.
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O loiro tentou da forma mais desajeitada retirar o lençol de cima de si, estava quase numa missão tão impossível que sentia vontade de derrubar o moreno ao seu lado para conseguir se desenrolar de tal árdua tarefa.
-AH! AOI LEVANTA!-grunhiu enquanto, em meio a tantos gestos, derrubava os travesseiros.
-...-o moreno sequer se mexia, ou então dava sinal de que estava vivo. Mantinha-se agarrado fortemente a um travesseiro e Uruha podia jurar que o brilho perto dos lábios do moreno não era a jóia.
-... ew... você ta babando?-indagou mais para si mesmo do que ao outro.
-...
-...-Uruha arqueou uma sobrancelha, entrando embaixo das cobertas e deslizando para perto do outro guitarrista, subindo em cima e lhe mordendo o músculo da bunda com certa força.-ACORDA PORRA!
-AHHHHHHHHHHH!!!!!!
A cena, provavelmente, não poderia ser mais bizarra. No impulso, Aoi virou-se para o lado tão bruscamente que jogou Uruha e todas as cobertas para o chão, enquanto se rastejava pela cama tentando amenizar a dor local que sentia.
-Por Deus Uruha! Porque me mordeu?!-berrava, lacrimejando os olhos e massageando a área.
-Porque eu queria sair da cama... e você tinha me prendido... –murmurava, completamente do avesso. Mal conseguia segurar as risadas iniciais.
-Arg...-nunca havia acordado de bom humor antes. Não seria agora que tudo mudaria.
-Hehe.-arrumou-se como podia e sentou-se na cama, voltando a deitar-se novamente e espreguiçar, tomando toda a proporção que podia.
-Vou tomar um banho.-resmungou o moreno saindo do quarto.
Uruha não tinha mais com o que se preocupar. Aquele mal-humor costumeiro do mais velho já fazia parte de seu dia-a-dia, e Yune sequer parecia uma grande ameaça. Até haviam assistido TV na companhia um do outro!
Fitou por longos segundos o teto do quarto, se prendeu em pensamentos com o vocalista, tentando imaginar o que havia se passado pela cabeça dele, e o que ainda passava.
Chegou a pensar no erro do passado, no que, em parte, havia proporcionado ao menor. E na vergonha imensa que sentira ao ver tudo decair como uma avalanche.
Virou de bruços, apoiando a cabeça nos braços e encarando agora a porta. Mal havia notado no tempo que levara afundando-se em pensamentos, observando sem perceber a imagem de Aoi parado a sua frente, toalha na cintura, mãos cruzadas sobre o tórax nu.
-...
-Tá olhando o que?-Aoi o encarou fixamente, rindo com o canto dos lábios.
-... Ah.. é...-piscou algumas vezes.-... toalha bonitinha.-comentou, apontando o ursinho na borda.
-...
-Algum tipo de fetiche?-indagou, alargando o sorriso e sentando-se de pernas cruzadas sobre a cama.
-... claro que não!-caminhou e sentou-se na beirada da cama, secando os cabelos sem ao menos notar o que o loiro fazia.
-O Show vai ser depois de amanhã né?-brincava com as mechas dos próprios cabelos, levantando-se e fuçando na gaveta do armário.
-Isso.-pendurou a toalha sobre os ombros, tentando dar alguma forma descente aos cabelos.
-Vamos ensaiar hoje??-animou-se enquanto puxava a cadeira da escrivaninha e colocava as roupas a qual usaria. Fez uma cara feia ao notar a manga de uma das jaquetas amarrotada.
-Isso, isso.-afirmando, deitou-se na cama, remexendo-se um pouco do lado a qual Uruha havia adormecido.-...?
-Finalmente! Um ensaio antes de um show é meio estranho, mas...-respirou, revirando os olhos e encarando fixamente a roupa.-Se foi marcado assim, né?
-...-na altura da situação, Aoi dava mais atenção ao conjunto de pilhas que retirava de dentro da fronha do travesseiro do loiro, arqueando uma sobrancelha.
Ignorou a presença quase alheia do outro, encarando o conjunto de cargas, simultaneamente alternando o olhar entre o que tinha em mãos e o loiro arrumando as roupas sobre a cadeira.
-Pra que pilhas no travesseiro?-indagou, escutando um silêncio quase mortal no quarto.
-...
-... algum fetiche?-a brincadeira lhe fora indispensável, vendo o mais novo corar.
-Claro que NÃO!-levantou-se, ficando de frente para o moreno.-Ahn, isso ai é do... do meu Game Boy!
-Mesmo?-voltou a analisar novamente as cargas, sem nunca tirar o sorriso do rosto.-Então porque não estão dentro do Game Boy?
-... porque... eu esqueci?-se defendeu novamente, tratando de ignorar o moreno e a colocar alguma roupa descente.
-Ahn...-Aoi arqueou uma sobrancelha, achando a história relevante e que jamais desceria pela garganta. Por instinto, imaginou que pessoas normalmente têm a mania de colocar coisas embaixo dos colchões. E pensando nisso, colocou-se ao lado da cama, averiguando o que havia pensado.
Não que houvesse um momento de choque, mas o fato de ter achado um consolo embaixo do colchão de Uruha lhe tirava da superfície da Terra, imaginando se era o momento certo para trazer a tona seu bom humor nada característico da manhã, ou simplesmente ignoraria o fato.
Respirou.
-Uruha, por céus, pra que isso??-retirou o que havia encontrado de seu refúgio, vendo a expressão abismada de Uruha.
-...!!! Aoi seu pervertido, solta isso!!
-Ah!-desviou de um possível murro no braço, subindo em cima da cama e trocando de lado com o loiro, que estava incrivelmente vermelho e desconsertado no momento.-Isso sim é um fetiche!
-Larga isso Aoi!!-Uruha acabou por subir na cama, levemente atordoado, tentando alcançar com alguma precisão o que Aoi carregava em mãos.
-Pra quê? Está divertido.-dizia desviando-se do mais novo de todas as formas possíveis, até o ponto que o mesmo fora ao colchão num deslize característico.-...?
Aoi virou-se na direção da cama, arqueando uma sobrancelha e tentando descobrir o que cada bagunça em cima do móvel significava. Respirou, ação que fazia antes de tentar se recompor. Com algum sucesso, aproximou-se de cautela por trás do mais novo, encaixando o quadril perfeitamente na traseira de Uruha, escutando-o silenciar as respirações pesadas no segundo seguinte.
-Não vai mais precisar disso.-murmurou próximo a nuca do loiro, vendo o mesmo relaxar os pulmões e soltar todo o ar num único gemido pornográfico.
-... aquilo...
-Eu sei o que é aquilo.-Uruha não poderia perceber, mas o sorriso de Aoi era gradativamente mais maníaco conforme idéias mirabolantes lhe invadiam a mente.-E sei pra que serve.
-...
O mais velho tratou de pressionar com mais força o corpo contra Uruha, escutando-o gemer baixo com o ato e empurrar-se contra si. Sorriu vitorioso com os resultados, deslizando uma das mãos até os fios claros na nuca do mais novo, escutando-o novamente gemer.
-Aoi...
-...Hn?
-... me mostre que você é melhor...
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Kai passava correndo pelos corredores da casa, arrastando coisas, principalmente papéis, e aleatoriamente tinha a ajuda de Yune –este que se divertia, na maioria das vezes-.
O show estava todo corretamente organizado, e o ensaio ocorreria logo. E Kai sentia que terminaria no segundo seguinte, se aquela atmosfera continuasse por muito tempo.
O baterista caminhou até o sofá, jogando-se pesadamente no mesmo e encarando rapidamente a presença de Yune em pé a sua frente, as mãos na cintura e um sorriso nos lábios.
-Ahn! Que dia.-suspirou o mais novo, puxando as mechas da franja para trás, segurando-as na metade da cabeça.
-Você trabalha arduamente, Kai-kun.-admirou Yune, sentando-se na poltrona a frente, mantendo o sorriso conservador.
-Ah... obrigado.-levemente sem graça, tratou de deixar a face um pouco fora do alcance dos olhos do outro.-É... você vai poder ir no show da cidade?
-Hn, eu acho que vou conseguir enrolar o meu empresário! Estava interessado em assistir vocês! Mesmo!
-Isso me deixa feliz, Yune-san!
-Pode falar só Yune, Kai-kun.
-Yune...kun-estava embaraçado.
-... hahahaha! Pode ser Yune-kun, se está difícil pra você... hahahahaha!
-Ahn, Ahn... go-gomen
-Tudo bem.-ajeitou-se na poltrona, arrumando as mechas do cabelo.-Posso te ajudar a preparar o almoço hoje?-indagou subtamente, voltando a encarar Kai fixamente.
-...-o mais novo abaixou a cabeça, em seguida balançando-a afirmativamente.-Claro! Arigatou pela presença, Yune...
-De nada.-dizia se levantando, parando ao lado de Kai e apoiando a mão em seu ombro.-Conseguiu falar apenas Yune. Parabéns!
-... baka
