Cap. 14: "I know that I love."
Estavam posicionados corretamente em seus lugares para o ensaio. Tudo parecia bem ajeitado, por mais que Aoi ainda insistisse em implicar com um cabo bem a sua frente, interligando algumas outras caixas de som.
Nada que não pudessem resolver rapidamente, com a ajuda de algum staff logo atrás das cortinas. Assim como, não podiam evitar de notar a presença de Yune sentado em uma das arquibancadas, pernas cruzadas e os braços jogados ao longo do corpo, numa posição visualmente tediante.
Kami caminhou por mais algumas vezes pelo palco, analisando os demais apetrechos a qual Aoi ia apontando. Era evidente a preocupação do mais velho em ter um show bem sucedido, diferente da participação de dois membros do grupo. Sendo assim, o baterista já quase não tinha tantas esperanças e sabia, muito bem, onde essa confusão iria despencar. Sentia até mesmo os poucos pêlos do corpo arrepiarem na simples hipótese da banda terminar. Suspirando, rumou ao seu local de trabalho, sentando-se no banco confortável e olhando os quatro demais a sua frente.
-Podemos... fazer o ensaio geral?-indagou levemente inseguro, fato claramente percebido pelo ex-baterista da banda.
-...-Ruki abaixou a cabeça, ignorando que estava sendo observado não só pelos ajudantes de palco, mas também pelos demais companheiros. O ar saíra de forma quente e efusiva por seus lábios, trazendo a si alguns pensamentos que, de alguma forma, fossem o ajudar.
-... você não vai cantar no ensaio geral.-pronunciou-se o guitarrista moreno, se aproximando do menor e pousando uma mão em seu ombro, apertando-o amigavelmente, como sempre fazia para trazer tranqüilidade ao mesmo.-No show, você canta.
-QUÊ? Sem ensaio??-Uruha aproximou-se, as orbes dilatadas. Sua preocupação crescia em progressão aritmética, olhando alternadamente para Aoi e Ruki, tentando buscar uma resposta que lhe fosse coerente com a loucura do mais velho.
-É.-não deu maiores explicações, olhando profundamente nos olhos do vocalista, que apenas balançou a cabeça em negação, frustrado.-... você vai usar todos os seus sentimentos na hora de cantar... então... que seja de uma vez só.
E por mais que toda a situação fosse realmente frustrante, Ruki concordara. Se cantasse no ensaio, usaria metade do que estava sentindo para o momento e, muito provavelmente, sua empolgação em show seria reduzido pela metade. Sempre fora movido pelos próprios sentimentos, e eram todos eles que faziam cada performace sua, um grande teatro de drama.
Ruki não esperou mais qualquer reclamação vinda dos demais, retirando-se no segundo seguinte, cabisbaixo, levando uma das mãos à franja e a trazendo para trás, sem sucesso algum.
As escadas, que sempre costumava tropeçar, pareciam longas demais para uma simples descida do palco.
Descer. Decair. Sentia-se esmaecer dessa forma, a muito tempo.
E tudo graças a um sentimento que já devia ter compreendido que não valia a pena. Não para si. Não daquele jeito. Gostar de alguém estava se tornando um motivo de frustração, além de decadência para si mesmo.
Desta forma, só restava procurar a cama e repousar, procurando alguma resposta que fosse consideravelmente viável a ajuda-lo.
Por mais que fosse uma leve loucura, o guitarrista moreno já tinha os pequenos planos em andamento. E nenhuma briga a mais iria ajuda-los.
Fatos... nada mais do que fatos. A vida não se passava de acontecimentos sem um procedimento. Era tudo 'na lata', e ainda mal se sabia onde iria cair. E Ruki havia caído na brincadeira de... amar.
Quem sabe, até alguns dias ilusórios que haviam se passado, fosse apenas um engano. Mas seria um verdadeiro, se não houvesse ultrapassado tantos dias, pra uma pequena brincadeira.
Brincar de se entregar...
-Tsc...-o estalar de língua contra dente fora imaculado quando chegara no quarto, após um caminhar de carro até a tal casa isolada da sociedade. Ou nem tanta... aquela distância era perfeita.
Subira ao cômodo lentamente, não se importando se pisaria em falso durante as escadas, ou se o produtor continuava a lhe dar conselhos sobre como se portar no show que estava por vir. A única coisa que estava realmente lhe interessando era a cama, o travesseiro macio sobre a face e algumas horas longas de sono profundo.
Para Ruki não interessava mais nada...
E admitira horas em posições diversas. O sono tentando lhe acertar em cheio, porém, falhando miseravelmente. Era como nadar por um longo e extenso mar para morrer na praia.
E essa praia parecia bem ampla...
Após algum tempo de luta mental, colocou-se sentado sobre o lençol branco, analisando o que estava se passando na casa no momento.
Barulhos que se assemelhavam a passos discretos e silenciosos, na tentativa frustrada de abafar a proximidade de quem quer que fosse. E Ruki sabia bem que, aquilo, tinham vários sentidos.
Sua primeira reação fora sentir os pelos do corpo arrepiar, e imediatamente procurar qualquer objeto mais pontiagudo que fosse no cômodo. E por falta de opção, a vassoura daquele dia em que recolhera os cacos do chão ainda estava ao lado da cômoda. Por fim, empunhava muito bem uma vassoura como se segurava um machado.
Qualquer infeliz que fizesse questão em atravessar sua porta, estaria coberto de razões em desferir a primeira pancada.
...
Foram segundos, o sangue congelando no meio da circulação quando percebera os passos parando nas proximidades de sua porta. Nada mais parecia tão arriscado como ficar numa casa isolada da civilização amada, sozinho.
Foram aqueles mesmos segundos que amaldiçoara o guitarrista moreno, com todos as mais pesadas palavras a qual tinha conhecimentos.
Porém, igualmente o raciocínio estacionara, mirando os olhos à porta que –posto atrás da mesma- observara bem a enorme madeira se mover, dando claridade do corredor e a sombra de uma possível invasão.
Arfou.
A primeira reação viera como um impulso nervoso. Uma descarga por todo o corpo, lhe forçando em apenas avançar contra a porta e bater o cabo da vassoura no primeiro campo de visão embaçada pela dose grande de adrenalina no sangue.
E tudo que soara fora um grito.. de espanto.
-QUAL SEU PROBLEMA?!-o berro parecia familiar. Mas não suficiente para deixar aquela descarga elétrica esvair-se completamente do corpo do vocalista.
-...?!
Com o provável objeto-alvo ainda intacto, voltou-se rapidamente para a porta, dando um enorme passo para trás. Não que fosse tão nítido a imagem a seguir... mas parecia menos amedrontador. Ou pelo menos, pelos próximos dez minutos que se seguiram.
-Por deus, Reita!-ofegou, engasgado, o alívio. Não importava-se porque o baixista estava presente, ou então que raios vinha fazer em seu quarto. Mas apenas a sensação de salvação lhe percorreu as veias, amolecendo os membros a ponto da própria arma empunhada cair sobre o chão.
-O que foi??-indignado, ainda, por ter sido atacado de maneira tão desengonçada, uma risada frustrada ecoou, observando bem o menor bambear e cair em seus braços. Uma imagem digna de Hollywood, se não trágica.-Porque tentou me apagar?
-Eu não tentei nada! Eu estava sozinho em casa, e escutei passos, e entrei em pânico e...-piscou algumas vezes. Por algum momento, a situação estava estranha... pausou, respirando e colocando a compostura natural, pousando os braços sobre os ombros do mais velho e se afastando. Pigarreou, ciente.-Não fazia noção que você vinha pra cá também. Achei que iria ensaiar.
-Achei melhor voltar, também...-reformulou a própria situação, olhando em volta do quarto a qual o menor se hospedava naqueles dias todos. E parecia tudo perfeitamente no lugar, como o menor mesmo mantinha. Tudo organizado.
Ruki não se prontificara em nenhuma palavra mais, ou assunto que fosse. Parecia incomodado. Ou, no ímpeto do sentimento, machucado. O que não combinava mais consigo... constava, em meio a mentiras, que ainda tentava se enganar.
Assim como Reita que, estático a meio passo após a porta, ainda encarava a sacada afora, como um percurso a imagens passadas, e até mesmo uma frase que, se lembrava bem, ainda estar cortada entre gemidos longos e o contato inebriante à fogo.
-Na verdade...-a voz grossa e ainda insegura de Reita ecoou, fazendo que até mesmo o vento soprando casa afora parecesse menos cortante.-... Eu vim atrás de você.-concluiu o raciocínio em forma de palavras: tão jogadas quanto suas idéias.
-Porque?
A resposta só não fora mais rápida do que o voltar dos olhos do vocalista para o encontro dos do mais velho. Aquele contato visual quase perigoso, mortal e deveras as vezes, hipnotizantes.
Mas sufocante.
E aqueles segundos que se seguiram, cansativos, fizera o menor largar os braços e ombros, tomando uma pose mais relaxada. Desistência. Conformista. E guiara o próprio corpo em direção a cama, jogando-o de qualquer forma sentado.
-Veja bem, Reita... eu não me sinto bem. Preciso de descanso para o show de amanhã, e principalmente... férias.-as palavras eram de descaso, se possível. E isso estava irritando o baixista, profundamente...
-Ruki!
E bem provavelmente, aquela era a surpresa mais emocionante da noite. Ou dos dias que haviam se passado, e até mesmo os que estavam por vir.
O bem compassado, firme e pesados passos do baixista para cima do menor, mal dando sombras de reações, ecoava até mesmo quem quer que se encontrasse na sala. O barulho era firme.
Ante a olhares, Reita parara no instante em que um de seus joelhos estava sobre a cama, o corpo inclinado e suas mãos firmes contra os pulsos de Ruki. Além de ser uma pose de ato decisivo, parecia irremediável.
-...?!
-Eu estive pensando.-começou Reita, suspirando e fechando os olhos em seguida, balançando a cabeça negativamente.-... Na verdade, eu nunca precisei pensar nisso. Sempre foi concreto... mas...
-...-o vocalista não tinha o que fazer, além de se mostrar em leve choque, e desacompanho mental. Estava desnorteado.
-... Aquele dia, que transamos. Eu não teria vindo, se não sentisse nada por você.
-... físico.
-Sentimental.
-...
-Você podia, por favor, ficar quieto quando falo??
-Você me magoou!
-Você não me disse nada!
-Eu ia fal--
De saco cheio, era assim que podia descrever o mental do baixista. E de tamanha pressão sobre si mesmo, procurando inverter a situação a qual ambos se encontravam, que Reita decidira inclinar-se mais, unindo lába inclinar-se mais, unindo l lque Reita decidira inclinar-se mais, unicando ldade, eu nunca precisei pensar nisso. Sempre foi ios e tórax numa única ação que lhe inviaria ao remate de toda a sua vida, a partir de então.
O mais novo parecia ainda mais branco. Em alguma divisão do mundo e espaço, e provavelmente em descobertas de galáxias. Estava absorto...
Reita, no entando, parecia convicto em permanecer sobre o menor, lhe puxando para mais acima na cama, podendo englobar com perfeição este de tal forma que ao passar os braços embaixo de Ruki, pode o ter completamente para si.
-Sinceramente... eu te amo.
Os lábios do vocalista se entre-abriram. As pupilas pareciam não acreditar em palavras curtas e carregadas, com a tonalidade a qual Reita havia usado-as. Eram leves.. e expressivas.
Sinceras...
Provavelmente bem aquelas as quais queria ouvir de ante-mão. Sanar suas dores... palavras que as vezes pareciam bobas. Mas ouvi-las de Reita era...
Esse era a grande maré da confusão sentimental.
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N/A: PERDÃO essa demora de QUASE 1 ANO! Mas é que, devido a problemas técnicos (meu computador fecha SOZINHO o Word), profissionais (eu não conseguia mais escrever textos dissertativos D:) e pessoais (...) eu atrasei esse cap. a quase 1 ano! But, como eu vim meio enferrujada, e seca na minha própria história, pode haver alguma falha de idéias. Portanto, me perdoem! E também quanto aos erros! Como é a Tamy-chan a minha Beta-reader, e eu tava sem coragem de perturbar ela pra ler algo sem conteúdo, eu chutei esse cap.! O final eu confesso, eu coloquei mais sentimento. E o cap. 15 provavelmente venha a demorar. Mas não TANTO QUANTO o 14 (ESPERO). Sabem como é... vida de pré vestibulando... BTW, COMENTEM!
