Disclaimer: Twilight não me pertence, lalala!
N/A: Obrigada pelas reviews: Pida, Isa Stream, danda jabur, Helena D. Cullen, Mili Black, Katryna Greenleaf Black, Hana Manoely Andrade Steves.
Boa leitura e não se esqueçam: quero reviews. :P
Capítulo Seis: Looking for help
(Sweet Sacrifice – Evanescence)
It's true, we're all a little insane
But its so clear, now that I'm unchained
Eu estava me arrumando para ir à delegacia, tinha muita coisa para se falar.
Olhei meu reflexo no espelho. Eu estava mais pálida que o normal e olheiras enfeitavam abaixo de meus olhos. Eu pouco ligava pra minha aparência horrível. Eu tinha algo a fazer e eu tinha horário pra isso. Teria que ser rápida na delegacia e enventar uma desculpa pra ir à Port Angeles. Eu iria me encontrar com um detetive particular.
Eu iria achar aquele cara, nem que fosse a última coisa que eu fizesse na vida.
Eu estava ficando insana, mas todos tinham um pouco de insanidade junto à si.
Agora era tão claro. Eu tinha, finalmente, entendido.
Fear is only in our minds
Taking over all the time
Fear is only in our minds
But its taking over all the time
O medo me controlava. Eu era prisioneira dele.
Ele me incapacitava; não deixava eu pensar e muito menos agir. Parecia que meus olhos estavam vendados. Algum tipo de névoa rondava minha mente, deixando-me confusa e perdida.
Eu ainda estava com medo, mas era um medo diferente. A adrenalina do perigo me deixava feliz; fazia com que eu soubesse que estava viva.
Eu não tinha mais medo do perigo. Muito menos se eu encontrasse o assassino.
Na verdade, eu anciava por isso.
Agora eu estava livre daquele nevoeiro.
Sorri.
Saí do quarto, ainda com o sorriso em lábios. Desci as escadas e encontrei Charlie. Ele me olhou confuso.
- Que sorriso é esse? – Ele perguntou desconfiado.
- Eu saí do meu mundinho confuso. – Falei.
- E onde está agora? – Ele perguntou, um pouco mais feliz.
Dei de ombros.
Coitado, se ele soubesse, com certeza me jogaria na primeira camisa de força que achasse.
Senti algo puxando a barra de minha calça. Olhei para baixo e vi Scooby.
- Oh! – Exclamei enquanto pegava-o no colo. – Meu fofo!
Ele deu aquele sorriso de cachorro e deu uma lambida em meu rosto. Sorri.
- Eu tenho que ir. – Eu falei. – Mas quando essa confusão acabar, eu irei te levar pra La Push pra passear ok?
Dei um abraço apertado em Scooby. Tudo iria dar certo. Tinha que dar.
Soltei ele, com uma dorsinha no coração.
Eu te prometo, eu vou voltar.
Saí de casa antes que o medo resolvesse me trancafiar no mundinho confuso.
Entrei em minha caminhonete, e logo Charlie estava ao meu lado. Ele havia deixado a viatura na delegacia.
- Não quer que eu dirija? – Ele perguntou preocupado. Acenei negativamente.
Dei partida e fui o mais rápido que pude – que a Chevy aguentava – pra delegacia.
You poor sweet innocent thing
Dry your eyes and testify
You know you live to break me
Don't deny, sweet sacrifice
Quando cheguei à delegacia, Edward já estava lá. E do seu lado havia mais três pessoas. Sorri enquanto me encaminhava em direção a eles. Pude perceber que eles olhavam confusamente para mim e Charlie olhava-me preocupadamente. Provávelmente ele não entendia minha nova fase.
- Bella... – Edward começou. – Está é Esme, minha mãe. – Apresentou apotando discretamente para ela.
Ela era muito bonita. O rosto em formato de coração e seus cabelos volumosos estavam em armonia. Seu sorriso era maternal e de certa forma me senti confortada.
- Muito prazer, Sra. Cullen. – Falei simpáticamente.
- Só Esme, querida. – Ela falou, dando um pequeno abraço em mim.
- Certo.
Sorri. Parecia ser fácil sorrir na presença dela. Ela logo me soltou e Edward apontou pro casal que estavam de mãos dadas.
- Essa é Alice, minha irmã. E seu namorado, Jasper. – Ele apresentou. – Eles chegaram de uma viajem a Inglaterra ontem.
Alice era baixinha dos cabelos curtos, escuros e repicados. Tinha uma feição de fada e um sorriso animado.
- Bella! – Alice exclamou como se fossemos melhores amigas desde sempre. – Edward falou bastante sobre você! – Me abraçou.
Hein?
Olhei confusamente para Edward e ele parecia constrangido.
Oi? Eu estava que nem cego em meio de tiroteio.
Olhei para Jasper. Ele tinha cabelos loiros e uma expressão de dor. Sorriu como se pedisse desculpas e acenou levemente com a cabeça.
- Prazer, Bella. – Jasper disse.
Sorri, mas antes que eu falasse algo, um dos policiais veio e pediu que entrassemos.
- Então... Podem me acompanhar, Edward e Bella? – O delegado perguntou.
Seguimos ele até uma sala bem arrumada. Devia ser dele. Ele acenou para que sentássemos e foi isso que fizemos.
- Meu nome é Peter, e sou delegado aqui de Forks. – Ele se apresentou formamelmente. Eu já o conhecia por causa do emprego do meu pai. E até mesmo se ele não fosse policial, eu saberia quem ele era. Era isso que dava morar num ovo.
Um silêncio contrangedor se formou.
- Então... – Ele começou hesitante. – Vocês são as únicas testemunhas. – Afirmou. – Eu gostaria de pedir que vocês relatassem tudo que sabem. – Ele falava hesitante e lentamente, como se tivesse medo de nos assustar. – Mas, antes... Vocês não querem uma água, café ou suco?
Neguei com a cabeça e pude ver que Edward também fazia isso.
- Certo – O delegado falou. – Vou chamar Lilian para registrar tudo o que falarem. – Instruiu. – Peço que falem devagar.
- Ok. – Falei ao mesmo tempo que Edward falava "Certo".
Uma moça bonita entrou na sala e se sentou em uma outra mesa, de frente para o computador. Ela tinha cabelos loiros e olhos cor de mel, acho eu. Ela começou a digitar rapidamente.
- Arrumei tudo, Peter. – Ela falou.
Ah, essa devia ser Lilian.
- Então... – Peter falou sério. - Vocês viram alguém?
- Sim. – Edward afirmou.
- Um cara passou por nós enquanto estávamos embaixo da mesa. – Falei lentamente.
Lilian estava digitando furiosamente. Provávelmente registrando cada palavra que saia de nossas bocas.
- Havia algo que podia incriminá-lo? – Peter perguntou.
Afirmei com a cabeça.
- Uma arma em suas mãos. – Edward falou.
Peter fez uma cara pensativa e colocou a mão em suas têmporas, massageando longamente, como se estivesse com dor de cabeça.
- Alguma característica física que possa nos ajudar? – Peter falou colocando as mãos entrelaçadas embaixo de seu queixo, e nos olhou pacientemente.
- Não deu pra ver muita coisa. – Falei. – Ele usava um sobretudo preto, comprido e com mangas compridas.
- E capuz. – Edward falou.
Capuz? Eu não tinha reparado.
- Nada? – Peter perguntou frustrado.
- Tem... – Falei. - Ele usava um anel muito bonito. - O rosto de Peter se aliviou um pouco e ele prestou mais atenção ainda em mim. - Era dourado, possívelmente de ouro; uma fênix feita de uma pedra negra. Possívelmente feita de ônix e seus olhos eram duas pedras vermelhas. Acho que eram rubis. – Continuei.
Peter arqueou as sombrancelhas e novamente fez uma cara pensativa.
One day I'm gonna forget your name
And one sweet day, you're gonna drown in my lost pain
- Lembra de mais alguma coisa? – Peter perguntou para mim. Acenei negativamente. Ele começou a bater os dedos na mesa, inconsientimente. Com certeza ele estava frustrado por não ter muitas informações.
- E você, Edward? Viu algo? – Peter perguntou batendo os dedos mais forte na madeira da mesa.
- Peter, acalme-se. – Lilian falou. É, eu estava certa.
- Certo... – Peter murmurou.
- Então... – Edward começou. – A única coisa que vi foi que ele tinha cabelos até o ombro e a cor era escuro. Castanho, talvez. – Suspirou. – Estava escuro demais. – Justificou-se.
- Entendo... – Peter falou. Suspirou. – Nada mais? – Perguntou apreensivo.
Edward acenou negativamente.
- Mesmo que tenha sido pouco... – Peter falou hesitante. – Ajudou... – Ele estava insatisfeito com as informações, eu sabia. – Esse cara foi muito esperto, não deixou sequer uma pista no local do crime. – Ele falou mais para si mesmo, mas é claro que nós ouvimos. Eu tinha ouvido, pelo menos.
Então, ele finalmente percebeu o que havia falado e deu um tapa na testa, como se tivesse falado demais.
Olhei o relógio em meu pulso. 11:26 a.m.
Opa, eu só tinha duas horas e meia pra chegar lá. Eu tinha que sair daquele lugar logo, não podia me dar ao luxo de me atrasar.
- Mais algo pra perguntar? – Perguntei.
- Não. – Peter falou acenando negativamente com a cabeça. – Podem ir. – Sorriu. – E obrigada. – Completou.
Levantei falando um baixo "de nada" e saí apressada da sala. Senti alguém segurar meu pulso e eu me virei para ver quem era. Edward.
- Está tudo bem, Bella? – Ele perguntou.
- Está sim. – Falei sorrindo.
- Você está estranha. – Ele falou hesitante. Como se ele tivesse segurando uma bomba e que se não cortasse o fio certo, ela explodia.
- Estou bem. – Falei e ele continuou com o olhar duvidoso. – Sério.
- Certo... – Ele suspirou. Eu sabia que ele não estava satisfeito, mas, pelo menos, iria me deixar em paz.
Seguimos pelo corredor, em silêncio. Chegamos na recepção e todos olharam para nós, anciosos. A curiosidade também estava lá.
E, espera, uma praga também estava lá.
Tanya.
- Edward! – Tanya exclamou se aproximando. – Eu fiquei sabendo de tudo e... – Ela olhou para minha mão e parou repentinamente de falar.
E só agora eu havia percebido que Edward ainda segurava firmemente meu pulso. Corei. Soltei minha mão rapidamente e fui passando o olhar pela sala. Jasper, Alice e Esme sorriam. Charlie olhava desconfiado. E Tanya...
Bem, ela parecia inciumada.
Rá! Adorei.
Olhei para Edward e ele estava corado. É, ele percebeu o olhar de Tanya também.
Andei até meu pai, sabendo que os olhares estavam nas minhas costas. Eu já disse que odeio ser o centro das atenções? Não? É, eu odeio.
- Pai, irei para Port Angeles agora. – Falei.
Não pergunte por quê, não pergunte por quê.
- Por quê? – Ele perguntou.
Ah, merda! Pensa, Bella. Pensa.
- Quero comprar livros. – Falei sorrindo. Era a única coisa que me vinha na cabeça.
- Hoje? – Charlie perguntou desconfiado.
- Sim... – Falei. – Tenho que me destrair, sabe?
- Quer que eu vá com você? – Alice se ofereceu.
- Não, obrigada. – Falei. Ela olhou-me confusa. – Você chegou faz pouco tempo, deve ter várias coisas para fazer. – Argumentei. E quando ela iria rebater, interrompi: - Sério.
Ela falou um baixo "certo" e chegou perto de mim, segurando minhas mãos. Ficou com uma expressão estranha no rosto e falou baixinho:
- Tome cuidado. – Fiquei calada. – Eu sei que você não vai comprar livros. – Murmurou. Arregalei levemente os olhos. – Você não sabe... Mas já é parte da família.
Estranhei, claro. Mas assenti.
Fear is only in our minds
Taking over all the time
Fear is only in our minds
But its taking over all the time
Saí da delegacia e quando entrava em meu carro, Edward apareceu.
- Bella... – Ele chamou. – Não quer que eu te leve?
Eu sorri. Será que eu podia contar pra ele? Mas quando eu ia responder, uma certa praga saiu da delegacia e veio em nossa direção.
Melhor não contar.
- Não, obrigada.
Ele olhou duvidosamente e eu sabia que ele iria insistir.
- Edward... Deixe-a ir. – Tanya falou. – Ela só vai comprar livros em Port Angeles... – Sorriu.
E pela primeira vez, eu agradeci por ela estar ali.
- ... Certo?
Ou talvez, nem tanto assim.
- Claro. – Respondi sorrindo.
Fechei a porta do meu Chevy e olhei-os uma última vez. Tanya arrastava-o de volta pra delegacia.
Agora eu podia ir pra Port Angeles.
Um arrepio subiu minha coluna e o mesmo mal-pressentimento que havia tido quando entrei na biblioteca naquele dia, voltou.
Certo.
Respire. Inspire. Respire. Inspire.
Muito melhor.
Acelerei o máximo que eu podia acelerar. Eu passava pela estrada e as árvores de Forks começavam a sumir lentamente. E o íncrivel: Eu senti falta delas.
Eu senti falta do verde por todo lado.
Senti falta do lodo.
Da névoa.
Do frio.
Por mais íncrivel que pareça, eu gostava de lá. Ou tinha me acostumado. Tanto faz. Fazia três anos que eu estava naquele ovo e agora não queria sair mais de lá.
"Você vai ficar lá pro resto da vida, como seu pai."
Pois é, parecia que minha mãe estava certa. Mas eu já não ligava, eu me sentia parte daquele local. Me sentia parte... de uma família. Grande e bagunçada.
Mas ainda assim era uma família.
Eu já estava começando a chegar à Port Angeles, mas precisava reabastecer. Já fazia uma hora e meia de estrada. Dei sorte, porque vi um posto de estrada.
Parei e reabasteci rapidamente. Não gostava desses locais, era muito perigoso. Logo já estava de volta pra estrada.
Cada segundo que passava, eu estava mais perto de meu objetivo. E, com certeza, cada segundo que passava, mais adrenalina tinha em meu sangue.
Eu já podia ver os prédios no horizonte. Eu estava cansada emocionalmente, mas não deixaria isso me abalar. Iria seguir em frente com tudo planejado.
E, quem sabe, depois que esse pesadelo acabasse, eu pudesse sonhar de novo.
You poor sweet innocent thing
Dry your eyes and testify
And oh you love to hate me
Don't you, honey? I'm your sacrifice
Depois chegar à Port Angeles, fui seguindo um mapa até o local desejado. Era duas ruas atrás de um shopping.
Deixei meu Chevy num estacionamento umas quatro ruas atrás da rua que eu ia. O estacionamento do shopping estava cheio.
Pela primeirava vez em minha vida eu não tinha gostado da idéia de ter que sair de perto do shopping. Lá tinha bastante gente. E algo nisso me fazia sentir mais segura.
Caminhei rapidamente até o escritório do detetive; quando cheguei, um cara muito bonito estava parado em frente a porta. Tinha cabelos loiros, com um franjinha jogada pro lado e olhos verdes. Seu corpo parecia bem torneado debaixo daquela roupa social.
- Olá. – Ele falou. – Isabella?
E ainda sabia meu nome.
- Bella. – Corrigi.
- Certo... Bella. – Ele sorriu. – Sou Aderson.
Ow.
- O detetive?
- Esse mesmo. – Ele riu.
Ow. Ow.
[I dream in darkness
I sleep to die
Erase the silence
Erase my life
Our burning ashes
Blacken the day
A world of nothingness
Blow me away]
- Vamos entrando? – Ele perguntou sorrindo.
- Claro. – Sorri também.
Entramos por um corredor e passamos portas e portas, até que chegou em uma em especial. A madeira era cor mogno, lisa e tinha uma plaquinha escrito "Dr. Anderson". Ele abriu a porta e deu espaço para que eu passase. Entrei na sala e ele entrou logo atrás. Era bem organizada, as paredes bem brancas, as estantes da cor mogno - assim como a porta -, cheia de livros. Na mesa – também mogno – tinha algumas canetas, papéis, e um porta-retrato. Era dele e de uma mulher ruiva abraçados. Namorados, talvez.
- Sente-se. – Ele falou atraindo minha atenção. Fiz como ele mandou e ele sentou-se em minha frente, do outro lado da mesa.
- Então... – Ele começou. – Do que se trata?
- Eu quero descobrir quem é uma pessoa. – Falei.
- Mulher? – Perguntou desconfiado. – Você não tem cara de quem é traída.
Eu ri.
Pra não chorar.
- Não é isso. – Falei. – Nem enrrolo eu tenho.
Ele riu.
- Oh, tudo bem. – Sorriu. – Mas, então, o que é?
Do you wonder why you hate?
Are you still too weak to survive your mistakes?
Comecei a passar todas informações que eu sabia e ele prestava bastante atenção. No momento em que falei no anel, ele prestou mais atenção ainda e começou a mexer em seu notebook enquanto eu falava. Mas nunca sem perder nenhuma palavra.
- E é isso que eu sei. – Falei.
- Não é muita coisa... – Ele murmurou.
E só te contaram isso agora é? eu quis falar, mas fiquei quieta.
- ... Mas... – Ele fez suspense.
Eu já sei quem culpar quando eu tiver pressão alta.
- Mas? – Incentivei.
- Eu já sei quem é.
You poor sweet innocent thing
Dry your eyes and testify
You know you live to break me
Don't deny, sweet sacrifice
