Disclaimer: Twilight não me pertence, lalala!


N/A: Obrigada pelas reviews: Isa Stream, Fernanda Ransom, danda jabur, Lily Souma, Iziie Lestrange, Katryna Greenleaf Black, Nath Tsubasa Evans, Mili Black.

Demorei menos pra postar. \o/ Mas é por causa que é menor, como podem ver. Nós estamos chegando no final. Mais dois capítulos e acaba. Já tenho eles escrito. Eles não são grandes também. Não demorarei pra postar. Mas, calma. Terá um epílogo. ;)

Boa leitura e não se esqueçam: quero reviews. :P


Capítulo Oito: Breathe and try.

(Fly – Hilary Duff)

In a moment, everything can change,
Feel the wind on your shoulder,
For a minute, all the world can wait,
Let go of your yesterday.

Acordei com um dor de cabeça muito forte. E isso só me fez desejar voltar pro sono. Fui abrindo os olhos devagar, para fechá-los logo em seguida. A claridade era irritante. Pisquei várias vezes, tentando me acostumar com aquele ambiente. Senti algo em cima de minha cintura e olhei lentamente, com medo de descobrir o que seria. Uma mão. Tinha uma mão em minha cintura.

Acho que nunca pulei tão longe como eu havia pulado naquele momento. Fui parar no chão. Levantei devagar, ignorando a dor nas costas e a dor de cabeça.

- Bella?

Olhei.

- Edward? - Arregalei os olhos. – O que faz aqui?

Ele deu um sorriso envergonhado, coçando os olhos.

- Acho que acabei pegando no sono.

- Ah. – Murmurei, sentando-me na cama e passando as mãos no cabelo, tentando inutilmente arruma-los. – Desculpa o teatro de ontem.

Eu não estava recuperada. A dor de cabeça era uma prova concreta disso. E muito dolorosa, diga-se de passagem.

- Tudo bem. – Ela falou sério. – Mas o que aconteceu?

Fiquei envergonhada. Como falar que meu fantasma resolveu perturbar novamente? Acho que ele tinha o direito de saber, já que ele me ajudou. Mas eu não conseguia contar. Era vergonhoso. Era constrangedor. E era doloroso. Era muito doloroso lembrar daquilo.

- Err... É que... – Falei, tentando começar. – Ela resolveu me perturbar, a minha cabeça doía demais, mas já estou bem. Que dizer, eu ainda estou com dor de cabeça. – Falei sem dar sequer uma pausa.

Ele sorriu, engatinhando em minha direção. Senti meu coração parar e logo em seguida dar vários pulos. Ele se sentou do meu lado, meio virado pra mim e colocou uma mão em meu rosto, fazendo-me olha-lo. Ele tinha um olhar intenso e eu senti um arrepio subir minha coluna. Por um momento eu esqueci a dor nas costas, esqueci a dor de cabeça, esqueci os problemas. Eu podia ficar olhando aquelas esmeraldas pro resto de minha vida, sem nunca me cansar.

- Você tem que superar isso, Bella. – Ele falava de maneira tão persuasiva. – Tem que deixar isso no passado. No ontem. E seguir em frente. Viver o hoje e pensar no amanhã. – Eu sentia ele acariciando minha bochecha tão leve e lentamente.

De repente, ele se afastou. Parecia estar em uma discussão interna. Então ele me olhou e sorriu, se levantando.

- Eu vou ter que ir pra escola. – Ele falou.

- Como?

– Não tive a mesma sorte que você e além do mais, eu estou no último ano. Não posso faltar. – Ele explicou pacientemente.

Olhei-o confusamente.

- Mas que horas são? – Perguntei.

Ele apontou para algo atrás de mim e eu olhei. O relógio em cima do criado-mudo. Eram seis da manhã. Ele ia pra escola.

Um arrepio subiu a minha espinha. E não era do modo bom. Era o mesmo arrepio que eu tinha quando estava próxima de encontrar Sam. Isso não era bom. Definitivamente não era bom.

- Não é perigoso? – Perguntei de repente.

- Hã? – Ele me olhava confusamente.

- Não é perigoso você ir pra escola?

- Não. – Ele sorriu.

Eu não estava tão certa disso.

- Vou me arrumar. – Ele disse. – Antes de sair eu venho dar tchau. – Já tinha saído do quarto.

Eu estava sozinha. De novo.

Can you hear it calling?
Can you feel it in your soul?
Can you trust this longing?
And take control,

Levantei-me e fui até a janela, abrindo-a. O vento gelado da manhã bateu em meu rosto. De frente pra minha janela tinha... mato. Plantas, árvores, lodo. Enfim, verde. Eu via a floresta se estender quilômetros e quilômetros a minha frente. O vento passava pelas copas das árvores, fazendo um barulho tranqüilizador. Pelo menos pra mim.

Fechei os olhos, deixando-me levar pelos sons.

"Gosta de Shakespeare?"

Pela primeira vez desde que ela havia morrido, não me incomodei em ouvir sua voz. Sorri. Agora a voz dela estava tão mais baixa, tão mais calma. Não era mais aquele alvoroço todo. E eu estava feliz por isso.

Eu estava, aos poucos, pegando meu controle de volta.

Não sei quanto tempo fiquei ali, parada. O vento em meu cabelo e o som das folhas era tão... Calmo. Como se não existisse problemas. Como se não existisse ladrões. Como se não existisse assassinos. Como se não existisse mortes de inocentes. Como se o mundo fosse perfeito. Era uma sensação boa, mesmo sabendo que nada daquela sensação fosse verdade. Problemas existiam. Ladrões, assassinos e mortes de inocentes também. O mundo não era simples e maravilhoso. Não era perfeito. E nunca seria.

- Bella?

Olhei para trás e Edward estava lá, olhando-me. Avaliando-me.

- Sim?

- Está tudo bem? – Ele perguntou.

Sorri de maneira verdadeira. A primeira em dias. Eu estava bem.

- Sim.

Ele sorriu, parecendo realmente feliz. Aproximou-se mais ainda, colocando uma mão em minha bochecha. Corei.

- Queria fazer algo antes de ir... – Ele falou concentrado. – Algo que quero fazer há algum tempo...

Ele aproximou o rosto fechando os olhos. Senti meu coração dar um salto mortal. Fechei os olhos, nervosa e ansiosa. Ansiosa como nunca tinha ficado em minha vida antes. Seus lábios encostaram-se aos meus muito levemente. Seu toque era tão delicado, tão fofo. Ele aprofundou o beijo. Era intenso e calmo ao mesmo tempo.

Agora eu tinha algo pra falar que era perfeito. O beijo dele era perfeito.

Ele se afastou. Para minha infelicidade. E sorriu ao ver meu bico insatisfeito.

- Volto depois. – Saiu do quarto.

Senti um arrepio subir a coluna e uma vontade de fazer o Edward voltar. Algo ia acontecer.

E não ia ser bom.

Sentei na cama. Eu ainda podia parar Edward. Era só correr. Ele estava perto, dava tempo de parar.

Eu ouvi barulhos de carros.

... Não dava mais.

Apertei o tecido de minha calça, desesperada. Vi Alice entrar no quarto e respirei fundo.

- Bella, tudo bem? – Perguntou.

- Estou preocupada. – Respondi.

- Eu também. – Ela disse. – Algo ruim vai acontecer.

- Como você sabe?

- São sensações. – Ela explicou. – Eu sinto que aquilo vai acontecer. Não sei como.

Sorri.

- Acho que eu também tenho tido isso esses dias.

Ela riu, me abraçando. Foi me puxando para closet.

- Que tal nós divertimos provando roupas? – Perguntou.

- Ah... Não. – Resmunguei.

- Por favor! – Ela estava com uma cara tão fofinha...

Fiz uma careta.

- Ok.

Fly
Open up the part of you that wants to hide away
You can shine,
Forget about the reasons why you can't in life,
And start to try, cause it's your time,
Time to fly.

Eu acho que perdi umas duas horas, ali com Alice. Já nem sabia como eu aguentava aquilo; era muito cansativo. Fui salva por Esme, que nos chamava para ir tomar café. Descemos rapidamente. Eu estava com um jeans black e uma blusa azul marinho de gola alta.

Sentamo-nos à mesa e comemos calmamente. Scooby estava no pé de Esme, pra ver se ganhava algo. Eu ri daquela cena e fui acompanhada por Alice e Esme.

Eu estava nervosa, era verdade. Mas nem por isso eu deixaria que o dia delas acabacem por minha causa. Eu estava começando a me acostumar com aquela sensação. A voz de Sophie já soava bem mais baixo em minha cabeça, como se tudo estivesse perto de acabar. Como se aquela maluquice fosse acabar há qualquer momento.

Meu celular começou a tocar. Atendi, eu não reconhecia aquele número.

- Alô?

- Estou com Edward. – Era Sam. Senti-me tensa. – É melhor você aparecer na biblioteca da escola. – Uma pausa. – Ou ele morre.

Desligou.

E meu mundo desabou.