No capítulo anterior de "Até que nossos parentes nos separem"...

"Ai, seu idiota." – ela disse olhando para o rapaz.

"Sempre simpática, Weasley." – ele olhou para as mãos da garota que ainda estavam em seu peito e sorriu malicioso – "Sei que isso foi uma desculpa para pegar em mim novamente, Weasley, por isso, esteja à vontade."

A garota olhou para as próprias mãos e logo se afastou de Draco, como se ele fosse algo profundamente perigoso, depois, num ato inesperado, começou a socar o peito do garoto com toda a força que conseguia ter.

"Seu" – soco – "Idiota" – soco – "Convencido" – soco – "Cego" – soco – "E" – soco "Chato" – soco.

"Ai, Weasley, como você é selvagem." – ele disse em tom de zombaria, enquanto segurava os pulsos dela no alto, impedindo que reagisse assim novamente.

Quando a garota levantou a perna, em sinal de que agora bateria nele em um lugar muito mais doloroso e fatal, ele a encostou na parede, impedindo que ela se mexesse.

"Muito selvagem, Weasley." – concluiu sussurrando no ouvido dela – "E adoro mulheres assim."

Eles se olharam fixamente durante muito tempo, até que, por um impulso, por um momento de insanidade Draco colou os lábios aos da garota, e logo percebeu que aquilo era uma grande idiotice, embora o atraísse muito a idéia... Ela nem se mexia, por isso, antes que perdesse o restinho de sanidade que lhe restava, ele se afastou e tornou a fitá-la, ela estava com o rosto vermelho e uma súbita vontade de rir aflorou nele.

Apesar de parecer desconcertada, a garota o olhava em tom de desafio, e foi com total surpresa que Draco a viu se aproximando. Sentiu que ia levar um murro ou uma azaração, até o momento em que a mão dela, pequena e suave, puxou com nenhuma delicadeza, o rosto dele para perto e juntou os lábios dos dois. Pensou em desistir, aquilo era errado, muito errado, mas não fez nada para isso, muito pelo contrário. Apertou a cintura da garota e aprofundou o beijo, transformando o contato em algo bem quente e selvagem.

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Até que nossos parentes nos separem

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Capítulo III

Era um beijo diferente de todos os outros que já dera em sua vida, não era suave, não era carinhoso e, supostamente, não tinha nenhum sentimento bom. Era feroz e quente, Ginny queria fazer Draco sentir dor, por isso mordia os lábios dele com força, e sentia que o rapaz fazia o mesmo com ela, mas causava o efeito contrário, quanto mais ele mordia, aumentava a vontade de continuar com aquilo. Quando já era impossível respirar, os dois se separaram. Ofegante, a garota saiu de perto do Sonserino e recolheu os livros que tinha derrubado, com um toque da varinha os livros flutuaram ao lado dela e, sem dizer nada e sem nem olhar para ele, Ginny foi embora.

Entrou na Sala Comunal e se jogou em uma poltrona qualquer. Ainda conseguia sentir o gosto dos lábios de Draco, e só de pensar nisso seu coração acelerava. Não entendia porquê tinha feito aquilo, nunca fizera as coisas por impulso, mas com certeza tinha sido só um impulso bobo, certo?

Fechou os olhos, não queria pensar mais nisso, nem em qualquer outra coisa, tentou esvaziar a mente, não era certo ficar pensando em beijos, principalmente em beijos com Malfoys.

"Ginny?" – um Rony, distante, chamou.

"Quê?" – perguntou, sonolenta.

"Você dormiu aqui?" – o garoto perguntou, enquanto a irmã se sentava no sofá.

"O quê? Já amanheceu?" – perguntou olhando para a janela e logo viu o sol iluminando todo o lugar.

"Sim... você está bem?" – o rapaz parecia preocupado.

"Muito bem." – ela sorriu e completou – "Devo ter dormido enquanto... ahm... estudava. Bem, vou tomar banho." – levantou-se do sofá levando os mesmos livros da noite anterior.

"Você quer que eu te espere?"

"Ah, não precisa, Rony. Pode ir, daqui a pouco desço." – e subiu para o dormitório onde as amigas já estavam vestidas e conversavam animadamente, sem se importarem com a presença da garota.

Depois de tomar banho e vestir o uniforme, Ginny pegou a mochila e desceu as escadas do dormitório feminino da Grifinória ainda lembrando do "acontecido" da noite anterior.

"Ginny!" – alguém chamou no meio da multidão de alunos que desciam para o Salão Principal.

Olhou para trás e viu Neville Longbottom correndo em sua direção, sorriu para o amigo e disse:

"Oi, Nev, tudo bem?"

"Tudo. Você já foi tomar café?"

"Não, estou indo agora."

"Ah, então vamos... "

Os dois saíram juntos da Sala Comunal e no caminho conversaram sobre as aulas do dia, enquanto Ginny reclamava das aulas duplas com Slughorn, Neville falava sobre a aula de Herbologia, que cada dia ficava mais difícil e mais interessante.

Ainda conversando, caminharam juntos até a mesa Grifinória, próximos a Rony e Mione que, mais uma vez, discutiam por alguma bobagem. Enquanto Neville falava alguma coisa sobre uma planta qualquer, Ginny olhou, novamente por impulso, a mesa Sonserina e seus olhos foram de encontro ao olhar frio e impassível de Draco. Sustentaram o contato visual por alguns segundos, até que a garota desviou o olhar e fingiu estar profundamente absorta na conversa com Neville.

Reparou que só com aquele olhar seu coração já tinha acelerado, além de sentir um peso enorme no estômago e um calor insuportável no pescoço. Preferiu concluir que estava sofrendo de doença cardíaca, gastrite e pressão alta... nada além disso...

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Até que nossos parentes nos separem

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Com certeza já tinha beijado um número considerável de mulheres, mas com aquela tinha sido diferente. E por que tinha sido diferente? Ela era só uma Weasley, uma pobretona, uma traidora do sangue, uma Grifinória.

Olhou horrorizado para seu reflexo no espelho. Uma Grifinória! Tinha chegado ao fundo do poço. E o pior de tudo era ter a certeza, embora tentasse se convencer do contrário, que tinha gostado do beijo e, o mais terrível, queria que acontecesse novamente.

Sentiu uma fúria repentina tomar conta de si, não era nada bom ficar pensando na noite anterior, era muito ridículo relembrar beijos e, principalmente, um beijo com uma Weasley. Olhou uma última vez para seu rosto refletido no espelho e mentalmente se convenceu de que não ia mais pensar no que acontecera na noite anterior, respirou fundo e saiu do dormitório em direção ao Salão Principal.

Sentou à mesa Sonserina ignorando todos à sua volta, pegou o prato de mingau e durante algum tempo concentrou-se somente nele, até o momento em que uma brisa suave e um aroma de flores fez com que o garoto olhasse para a porta do Salão no mesmo instante em que a Weasley entrava no lugar, acompanhada pelo Longbottom.

Ele tentou desviar o olhar, mas era mais forte do que ele. Poderia ser alucinação, ou ela parecia mais bonita depois do que aconteceu? Aos olhos de Draco, a Weasley parecia mais alta e mais esbelta, além de seu cabelo extremamente vermelho estar mais flamejante do que o normal. Quando os olhos dos dois se encontraram, o Sonserino sentiu algo batucar dentro de sua caixa torácica, era muito estranho sentir isso, e o pior era saber que só acontecia quando a Weasley estava envolvida.

No momento em que a ruiva desfez o contato visual para dar atenção ao idiota do Longbottom, ele sentiu que poderia esmagar o garoto sem pena e dó. O seu humor piorara drasticamente desde a entrada da garota no recinto, na mesma medida em que sua fome tinha evaporado, por isso, Draco levantou-se da mesa e seguiu para as masmorras, onde teria aula de Poções.

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Até que nossos parentes nos separem

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Draco tinha certeza de que a Weasley-fêmea era um trevo de quatro folhas às avessas, porque desde o momento em que ele a beijara tudo estava dando errado. Slughorn chamara sua atenção três vezes durante a aula, o que resultou em uma tarefa extra sobre cada um dos ingredientes da poção polissuco, um trabalhinho de "apenas" um metro e meio de pergaminho. Além disso, McGonagall e Flitwick também repararam na falta de atenção do aluno e também tinham passado deveres extras.

Bufou alto quando lembrou da pilha de deveres que tinha para fazer, tudo culpa da maldita Weasley... Tentou se concentrar nos livros, mas era difícil demais, precisava respirar ar puro, jogou os livros em cima da cama e saiu da Sala Comunal sem dar importância aos chamados insistentes de Pansy e Blaise, não tinha paciência para ouvir os dois falando sobre Potter e Lovegood, respectivamente.

Andou sem perceber que seus pés o levavam, exatamente, para o mesmo lugar em que ele e a Weasley tinham se beijado na noite anterior. Parou de andar instantaneamente quando viu que não estava sozinho naquele corredor e, sentindo que a raiva aumentara drasticamente, disse:

"Weasley, uma hora dessas fora da cama?"

A garota, que estava de costas para o rapaz, virou-se assustada e disse:

"Ai Malfoy, que susto."

"Isso não é hora de estar fora da sua sala comunal, Weasley." – ele disse se aproximando, sentindo que a fúria aumentava perigosamente.

"Se você não percebeu" – ela disse se afastando do garoto, que ficava cada vez mais próximo – "Eu não sou a única que está andando pelos corredores depois do toque de recolher."

"Eu sou monitor, Weasley, tenho passe livre." – falou – "E acho que vou tirar vinte pontos da Grifinória por você estar desobedecendo as regras da Escola." – completou com um sorriso maldoso.

A garota ficou escarlate e Draco adorou vê-la com raiva, parecia que ficava mais bonita quando estava assim.

"Você não pode fazer isso, Malfoy!" – esbravejou enquanto aproximava-se do loiro.

Ele parou, cruzou os braços em frente ao peito e disse, com um sorriso de desdém:

"Ah não?" – deu uma gargalhada sem sentimento e acrescentou – "Mas eu já fiz."

Foi o suficiente para a garota avançar, literalmente, nele. Ela tentava, de todas as maneiras, atingi-lo com uma azaração, mas Draco já conhecia a fama dela (na pele, para ser mais franco), por isso já tinha se preparado com um feitiço Escudo, que só ricocheteava as azarações que ela lançava. Quando a garota cansou, Draco desfez o escudo e ficou observando-a, constatou que, de uma maneira muito estranha, ela parecia muito mais bonita e atraente agora, também chegou a (triste) conclusão de que queria beijá-la novamente.

E não perdeu tempo, aproveitou que ela ainda estava tentando se recompor depois de fazer muito esforço para atacá-lo, e apertou seu braço com força, a moça o olhou assustada e ele disse:

"Você deveria saber, Weasley, que eu revidaria..."

"Malfoy, solta meu braço." – falou tentando se desvencilhar.

"Não, Weasley." – ele disse num sussurro – "Agora você vai ver que não se brinca com um Malfoy."

A garota fechou os olhos esperando uma maldição imperdoável, mas tudo o que recebeu foi os lábios de Draco colados nos seus, ela arregalou os olhos porque, sinceramente, poderia esperar tudo do sonserino, tudo mesmo, exceto isso. Mas naquela ora procurou não pensar no que ele estava fazendo, se ele queria o troco, ele ia ter. Fechou os olhos e correspondeu ao beijo na mesma intensidade, pela segunda vez não era um beijo normal, principalmente porque era cheio de raiva, era quase uma competição para ver quem ia fazer o lábio do outro sangrar primeiro.

Depois de muito tempo os dois separaram-se para respirar, mas por pouco tempo, pois no segundo seguinte já estavam beijando-se novamente e desta vez só pararam quando ouviram o arrastar de chinelas do Sr.Filch. Draco, recobrando uma parte ínfima da consciência, afastou-se da garota, olhou para ela e disse, casualmente:

"Amanhã, no mesmo horário, vou fazer a ronda neste mesmo corredor." – e saiu sem dizer mais nada.

Quando chegou à Sala Comunal encontrou o lugar totalmente deserto, todos os alunos já estavam recolhidos. Aliviado, jogou-se em uma poltrona e fechou os olhos tentando esquecer o que tinha acabado de acontecer, por mais que chutasse a cena da sua mente, ela voltava, mais forte e real do que antes.

E foi nesse exato instante que ele teve a certeza de que estava muito encrencado.

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Até que nossos parentes nos separem

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"Visgo do Diabo." – disse quando chegou ao retrato da Mulher Gorda.

"Você está bem, querida?" – a senhora disse, num tom falsamente preocupado.

"Estou ótima." – ela disse, apressada – "Agora, posso entrar?"

O retrato abriu a passagem e Ginny entrou na Sala Comunal, já deserta em virtude do adiantado da hora. Sentou-se em uma poltrona próxima à lareira e ficou pensando nas coisas que estavam acontecendo nos últimos meses.

Para sermos mais exatos, nos últimos três meses, contados daquela noite em que ela e Malfoy tinham se beijado. Ginny jurou, naquela mesma noite, que isso não iria mais se repetir, porque sabia muito bem que não daria certo. E estava disposta a cumprir com a promessa que fizera a si mesma até o momento em que eles se encontraram, por acaso, no caminho para o café-da-manhã. Ela ia ignorá-lo, mas não sabia explicar o que acontecera a seguir, num minuto estavam se encarando furiosos, no outro estavam se beijando intensamente.

E isso vinha se repetindo todos os dias durante esses três meses. Eles mal se cumprimentavam, até porque estavam interessados em fazer coisas mais importantes. Ginny não queria admitir, mas a verdade é que aqueles encontros tinham mudado sua vida, ela voltara a ver a vida colorida, não ficava mais pelos cantos sozinha e triste, tinha voltado a ser alegre e sorridente, como antes.

Sorriu para a lareira quando lembrou da noite com Draco, aqueles beijos tão intensos faziam seu coração bater forte, além disso, sentia as pernas tremendo e um arrepio percorria seu corpo quando sentia o toque frio das mãos dele.

Tudo indicava que sim, mas ela morreria dizendo que não... Não estava apaixonada pelo Malfoy... A garota só aceitava fazer isso porque... porque era divertido. Convencida disso, levantou-se e foi se deitar, uma noite repleta de sonhos lindos a esperava... E é muito óbvio que esses sonhos não envolviam Draco Malfoy... não mesmo...

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Até que nossos parentes nos separem

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Era dia de visita ao povoado de Hogsmeade, mas Draco não ia ao passeio por dois motivos. Primeiro, porque depois de quatro anos o lugar não oferecia mais nenhum atrativo especial, já conhecia todas as lojas de lá. E, segundo, tinha coisas mais importantes para fazer.

Sorriu ao pensar isso, era muito estranho estar se encontrando às escondidas com a Weasley, mas isso não significava que era desagradável, muito pelo contrário, eram momento únicos, em que o rapaz sentia-se assustadoramente feliz e completo.

Conferiu a hora pela milésima vez naquele dia e, com um sorriso malicioso, constatou que, enfim, tinha chegado o momento do encontro. Saiu rapidamente do dormitório e já estava chegando na porta de saída da Sala Comunal quando a voz de Pansy fez com que o garoto parasse.

"Draco, precisamos conversar." – Pansy tinha o semblante sério, e isso não era muito normal.

"Pansy, não posso agora."

"Draco, por favor." – pediu séria e, vencido, Draco acabou seguindo a amiga.

Os dois sentaram em um sofá afastado dos outros da Sala Comunal e a garota disse, sem rodeios:

"Eu sei de tudo."

Ele sentiu que todo o sangue que corria por seu corpo estava congelado. Ela não podia saber...

"Sabe de quê, Pansy?" – perguntou fingindo não estar entendendo.

A moça olhou para os lados, certificando-se de que não estavam sendo ouvidos e falou, baixinho:

"Sobre você e a Weasley."

"QUÊ?" – gritou, assustado.

"Fala baixo." – a garota repreendeu o amigo – "Por que você não me disse?" – perguntou, chateada.

"Pansy, não é nada sério e nós decidimos manter em segredo."

"Não é nada sério? Draco, eu vi vocês dois juntos e parecia muito sério."

"Você está enganada, não é sério, nós só estamos nos divertindo..." – falou mais para si do que para Pansy – "E como você viu?"

"Estava passando no corredor da biblioteca e vi vocês dois... Aliás, bem que poderiam ter escolhido um lugar mais reservado se queriam segredo."

"Pansy, não é sério, e eu agradeceria muito se você não falasse para ninguém."

"Draco, não fale assim, até parece que eu sou fofoqueira." – ela ignorou a cara de incredulidade do rapaz e completou – "Mas por que esse segredo todo? Vocês se amam!"

"QUÊ?" – gritou novamente – "Eu não amo a Weasley." – completou num sussurro.

"Sei..." – Pansy disse, incrédula.

"Ok, Pansy." – Draco disse se levantando rapidamente – "Agora tenho que ir. Até mais." – e saiu apressado antes que a amiga falasse mais.

Caminhou rapidamente pelo Castelo pensando no que a amiga dissera, com certeza Pansy estava muito sentimental, era óbvio que Draco Malfoy não estava apaixonado pela Weasley... era só um divertimento...

Quando chegou no corredor da biblioteca viu uma cena que deixou seu corpo sem nenhuma reação. Ela estava abraçando o Potter, não, aquilo não era um abraço, parecia ser algo mais íntimo, eles estavam se agarrando, bem ali, no meio do corredor... do corredor em que Draco e ela se encontravam. Primeiro, Draco teve vontade de atacar Harry, ele merecia por estar roubando mais uma coisa sua, mas conteve-se, não ia se sujar mais. Silenciosamente, entrou na primeira sala do corredor, o lugar que a Weasley e ele usavam para se ver durante os intervalos das aulas, e ficou esperando que ela chegasse.

Minutos depois ouviu passos no corredor, em seguida a porta foi aberta e ela entrou no recinto. Com um sorriso capaz de comover qualquer coração (menos o de Draco), ela se aproximou do rapaz e disse:

"Oi, desculpa a demora."

Ele continuou calado e carrancudo, só olhando aquela garota que tinha a cara de pau de fingir que nada estava acontecendo.

"O que houve?" – perguntou, preocupada, tocando o rosto de Draco.

"Não me toque, Weasley." – disse rispidamente – "Não depois de ter tocado no Potter."

"Ah, você viu... Eu e o Harry..."

"Estavam se agarrando. Eu vi, Weasley."

"O quê?" – perguntou, confusa – "Malfoy, nós estávamos conversando e depois nos abraçamos."

"Um abraço... um abraço..." – Draco disse, furioso – "Aquilo não foi só um abraço! Você ama tanto o Testa-Rachada que não consegue ficar longe dele por muito tempo."

"Espera, Malfoy." – ela disse, séria – "O que colocaram no seu suco de abóbora? Eu e o Harry somos SOMENTE amigos."

"Não quero saber, Weasley, mas para mim, isso" – apontou para os dois – "Acabou. Divirta-se com o Potter." – e saiu da sala sem deixar a menina se defender.

Andou rapidamente em direção às masmorras, sentia tanta raiva que seria capaz de destruir o castelo inteiro com um berro. Entrou na Sala Comunal Sonserina, mas logo se arrependeu, porque dois pares de mãos o puxaram para dentro e o fizeram sentar em uma poltrona longe da lareira, e dos alunos que não tinham ido ao passeio de Hogsmeade.

"O que foi?" – perguntou ríspido.

"Calma, Draco, o que houve? Por que voltou tão cedo?" – Pansy perguntou.

"Nada."

"A Weasley faltou ao encontro?" – Blaise disse casualmente.

"O quê? Como você soube, Zabini?"

"Ah, a Pansy me contou..."

"Pansy!" – exclamou – "Eu pedi..."

"Draco, Blaise tem direito de saber, ele é seu amigo." – a garota disse sem culpa – "O que houve? Por que você está com esse olhar assassino?"

"Encontrei a Weasley e o Potter... abraçados."

"Que besteira, Draco, eles são amigos..." – Pansy disse, calma.

"Não me pareceu isso."

"Eles são amigos. Eu confio no Harry e até na Weasley, conversei com ela algumas vezes e, pelo que percebi, ela não é desse tipo de garota, Draco. O problema é que você está morrendo de ciúme."

"Não estou não!" – gritou.

"Está sim! É normal, cara, quando você gosta de alguém..." – Blaise começou a dizer, mas logo foi interrompido.

"EU NÂO GOSTO DELA!" – gritou, novamente – "Ah, tchau pra vocês também." – levantou-se e foi para o dormitório, não queria ficar ouvindo seus amigos insinuando que era apaixonado pela Weasley.

Até porque isso era uma mentira...

Certo?

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Até que nossos parentes nos separem

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Uma semana depois as férias de Natal chegaram, e Ginny optou por ficar na Escola, precisava de um tempo sozinha, precisava refletir sobre as coisas que estavam acontecendo. Não conseguia entender o que tinha ocorrido naquela tarde de sábado, quando Malfoy surtara e terminara tudo entre eles de uma maneira ridícula e infantil.

Tentava se convencer de que fora melhor assim, tinha sido pura ilusão pensar que esses encontros seriam bons, é claro que seriam ruins se Draco Malfoy estivesse envolvido. Tinha a certeza de que acabara antes que causasse um estrago maior.

Nem sabia porquê ainda pensava nisso, nem tinha significado nada, e aquela vontade de encontrá-lo novamente era simplesmente solidão, uma vez que todos estavam ocupados com seus namorados e ninguém tinha tempo para ela...

Olhou a paisagem pela janela e viu a neve caindo, lembrou da época em que era criança e brincava com os irmãos no jardim da Toca, enquanto a mãe tentava protegê-los com vários suéteres. Deu um suspiro de saudade e resolveu que ficar sozinha ali, na Sala Comunal, não era bom, ia andar pelo jardim e pensar um pouco.

Andou pelos corredores desertos, afinal a maioria dos alunos tinha voltado para casa, rezando para que Filch ou Madame Nora não a encontrassem fora da cama. Abriu as portas e saiu para a noite fria, olhou para o céu e pediu a Merlim que mandasse uma solução para sua vida.

"Weasley, o que você está fazendo fora da cama?"

Nem virou, já sabia quem era, por isso nem respondeu.

"Vou tirar pontos da sua casa."

"Você não pode, Malfoy." – virou-se rapidamente – "Nós estamos de férias, não perdemos pontos nas férias."

"Você é quem pensa." – disse com um sorriso de zombaria.

"Ok, faça o que quiser, Malfoy." – falou virando-se novamente.

"Por que você está aqui no meio da noite?"

"Não te interessa."

"Mas está nevando, Weasley. E você não está de capa." – falou como se aquilo fosse um crime.

"Preocupado comigo, Malfoy?" – perguntou, virando-se para ele.

Os dois se encararam por rápidos segundos, até que Malfoy desviou o olhar e disse:

"Claro que não. Só não quero que nenhum aluno morra congelado durante a noite em que eu faço a ronda."

"Não se preocupe, não vou morrer por isso."

Eles se olharam novamente e, mais uma vez, o rapaz quebrou o contato visual.

"Vamos, Weasley, você está morrendo de frio."

Só nesse instante Ginny percebeu que ele tinha razão, ela tinha as mãos em volta do corpo, como forma de se proteger do frio, mas não adiantava de nada.

Sentiu algo macio em seus ombros e percebeu que era a capa do garoto, ele tinha cedido a capa... muito estranho.

"Vamos." – ele pediu novamente.

"Tudo bem, mas só vou entrar porque estou com sono, não é porque você mandou." – ela disse, só para ficar BEM claro.

Ele não respondeu, os dois entraram juntos no Castelo e caminharam lado a lado, em direção ao Salão Comunal Grifinório. Ginny tentava disfarçar, mas de vez em quando suspirava somente para sentir o cheiro do perfume do Sonserino que estava impregnado na capa, e ficou tão ocupada em fazer isso que nem percebeu quando chegaram no pé da escadaria que dava acesso à Torre da Grifinória.

"Chegamos." – ele disse.

"Certo. Obrigada pela capa, mas não adiantou muito, ainda continuo com frio." – disse com o intuito de insultá-lo e de ficar mais um pouco com o objeto, era quase como ter o rapaz novamente perto de si.

"Acho que sei de algo que pode melhorar." – ele disse se aproximando e ela arregalou os olhos, não conseguia acreditar que ele ia atacá-la assim, de repente.

Mas ele não "atacou", apenas envolveu o corpo da garota com um abraço, um gesto muito estranho quando se tratava de Draco Malfoy, mas Ginny tinha sentido tanta falta daquela sensação que não reclamou, descansou a cabeça no ombro do garoto e aproveitou o momento.

"Melhorou?" – ele disse depois de muito tempo.

"Sim." – respondeu enquanto levantava a cabeça e o olhava atentamente.

"É uma pena, porque eu sabia um método infalível para esses casos." – Draco disse bem próximo ao rosto da garota.

"Qual?" – perguntou surpresa com a proximidade do garoto.

"Esse." – e completou juntando os lábios dos dois num beijo totalmente diferente dos anteriores.

Era um beijo calmo e suave, que deu à Ginny a estranha sensação de estar sendo aquecida por dentro, ela sentia o coração acelerado, e naquele momento teve a plena certeza de que não era só divertimento.

Separaram-se apenas quando tornou-se impossível respirar, mas continuaram próximos, Malfoy ainda mantinha a mão na cintura de Ginny e ela ainda tinha os braços em volta do pescoço dele. Quando o rapaz já se aproximava para um novo beijo, Ginny disse:

"Aqui não, Malfoy, podem nos ver."

Ele a olhou com raiva e disse:

"Quem pode nos ver? O seu querido Potter?"

"Ah não, vai começar de novo?" – perguntou enquanto se afastava revirando os olhos.

"Eu não vou começar de novo, Weasley..." – falou com raiva.

"E por que você fica falando besteiras?"

"Não é besteira. Você ama o Potter, por isso fica tão preocupada de alguém nos ver." – disse, exaltado.

"Idiota!" – Ginny exclamou, aproximando-se do rapaz – "Eu não amo o Harry, nós somos só amigos! E se fico preocupada de alguém nos ver é por que isso não é normal, Malfoy."

"Por que não é normal?" – perguntou aproximando-se também, os dois gritavam, mas estavam tão próximos que poderiam conversar sussurrando.

"Porque você é um Malfoy, e eu sou uma Weasley." – ela disse calmamente como se explicasse a uma criança de três anos.

"E o que isso importa? Eu não me apaixonei pelo seu sobrenome..." – ele falou, mas a cara que fez em seguida era de puro arrependimento.

A garota ficou estática, não acreditava no que tinha acabado de ouvir.

Era uma declaração, uma declaração estranha, mas ainda uma declaração.

"O que você disse?" – ela falou depois de recuperar a voz.

"Nada." – respondeu já tentando sair, mas Ginny foi mais rápida, segurou seu braço e repetiu:

"O que você disse?"

Eles se encararam e, então, Draco respondeu:

"Não me importo se você é uma Weasley, tanto faz seu sobrenome..." – disse bem próximo do rosto dela – "A única coisa que me importa é que estou pateticamente apaixonado por você, Ginevra."

Ela sorriu, sentindo os olhos cheios de lágrimas e disse:

"Teria sido lindo se você não tivesse me chamado de Ginevra no final."

"Mas é seu nome..."

"Eu prefiro que me chame de Ginny." – ela disse em tom de conversa, como se os dois estivessem tomando o chá das cinco.

"Ok, então, se isso já está resolvido..."

"É, acho que sim." – ela disse casualmente.

"Você não tem nada a dizer?" – ele perguntou "indiretamente".

"Não." – o rapaz fez uma cara de impaciência e Ginny completou – "Prefiro mostrar." – e juntou os lábios dos dois num beijo apaixonado.

Quando separaram-se, a garota disse num sussurro:

"E eu sinto o mesmo por você, Draco Malfoy." – os dois sorriram e beijaram-se novamente.

Ficaram grande parte da noite conversando e, claro, fazendo outras coisas mais interessantes. Calma, mentes sujas, não passou do beijo. Era o começo de uma linda história de amor que tinha tudo para dar certo, pelo menos até que os parentes de ambos descobrissem tudo.

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Até que nossos parentes nos separem

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N.B.B. (Nota da Beta-Reader Bambexy): Ain, ain, miga, você está a cada dia melhor!! Deixa de bobeira, viu??

Gentem, vamos comentar!! Aquele botãozinho ali embaixo, escrito 'submit review', é pra isso mesmo!! Não custa nada!! E, como eu já disse alguma vez em minha vida, a mão nem cai, nem apodrece, como a do tio Dumbie!! Ok??

Amo todos vocês!! \o/

Bjs!!

ChunLi Weasley Malfoy

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Nota da Autora: Olá pessoas. Espero que vocês gostem do capítulo, esse foi mais um que deu trabalho, viu? Agora as coisas ficarão mais fáceis... o próximo capítulo é o último da primeira parte, depois vem a parte mais importante! :)

Agradecimentos:

ChunLi Weasley: Amiga do meu coração de pedra! Hahahaha Claro, se você não aparece eu te mato, é uma coisa muito delicada da minha parte, certo? Até aqui você fala em EaoA? Aff...no coments! Huahauahauahaua Beijos.

Jaque Weasley: Obrigada pela review! Jaques, eu como o que toda pessoa come, tipo, parafuso, óleo, essas coisas... hahahahahaha, essa foi sem graça! Certow, abafa! Bem que eu estou com vontade de apagar essa fanfic, mas minha beta já ameaçou, então, só por isso ainda não apaguei. Eu sei, o Draco é irresistível! Huahauahaua Beijo.

Misty Weasley Malfoy: Obrigada pela review, querida! Moça, eu ando tão "desinspirada" com essa fic que demorei para atualizá-la...tomara que continue gostando. Beijocas.

Bella Ryddle: Obrigada pela review, Bella. Entonces, foi um agarra-agarra, né? Nesse capítulo também foi assim, espero que você continue gostando. Beijos.

Vaamp Malfoy: Mulher, obrigada por sua review, espero que continue lendo! Beijos!!

Thaty: Muito obrigada por sempre ler e comentar! Beijos

Princesa Chi: Chi, amiga querida, obrigada pela review! Estou sentindo sua falta nas minhas outras fics... tipo, "É amor ou amizade?" e "O preço do Amor"...também estou sentindo falta das suas fics, cadê atualização, mulher? Não some, hein? Beijos!!

Gente, desculpem pelas respostas curtas, mas tô tentando atualizar O preço do Amor também, além disso estou cansada...

Na próxima compenso, ok? (P.S: nem sei como se escreve compenso...hahahaha)

Beijos,

Manu Black