Capítulo V
Dois Anos Depois...
O salão amplo e luxuoso, decorado com faixas brancas e douradas, estava cheio de bruxos. Alguns conversavam animados, enquanto outros bebiam e alguns poucos dançavam.
Draco não estava conversando, nem bebendo e muito menos dançando. O rapaz olhava fixamente para um trio que dançava alegremente, formado por Potter, Lovegood e Ginny Weasley. O cicatriz estava no meio das garotas e as duas dançavam sensualmente, no caso de Luna era um pouco mais complicado, já que a barriga de sete meses de gestação impedia que a mulher dançasse muito sensualmente.
Bufou pela milésima vez naquela noite e sentenciou:
"Vou embora." – levantou-se da cadeira e andou em direção a porta.
"Draco, espera." – Pansy seguiu, com um pouco de dificuldade o amigo, já que seu vestido de noiva tinha uma saia muito grande e pesada.
"Pansy, tenho que ir." – andou mais rápido.
"Draco, não seja besta." – Blaise Zabini seguia os amigos – "Eles não estão fazendo nada de mais."
"Quem?" – fingiu-se de desentendido.
"Eles só estavam dançando." – Pansy disse quando chegaram a lareira.
"Pansy, eles estavam se esfregando." – Draco falou com raiva, enquanto jogava pó-de-flu nas chamas da lareira.
"Hoje é o dia do meu casamento... você acha que Harry ia me trair assim? Em público?" – perguntou – "E ainda mais com a Weasley e a Lovegood?"
"É, Malfoy, não seja idiota." – Zabini falou, ofegante. – "Minha esposa nunca me trairia."
"Vocês confiam muito neles." – Malfoy estava revoltado por eles serem tão confiantes.
"Claro, cabeção...isso se chama amor." – Pansy disse, sorrindo.
"É... você deveria confiar nela, Malfoy." – Blaise disse, sério.
"Vocês não entendem!" – falou, frustrado – "Quer dizer, vocês podem se relacionar livremente, já estão até casados! Eu e ela não podemos... estamos há dois anos morando juntos e nossas famílias nem sabem."
"E por que vocês não enfrentam a família?" – Pansy disse.
"É, Malfoy, não seja covarde." – Blaise falou em tom de brincadeira.
Era exatamente isso que ele sentia...
Ele sentia-se muito covarde.
Entrou na lareira e dando um último olhar para os amigos, foi-se embora.
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Até que nossos parentes nos separem
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"Draco!" – ele ouviu a voz dela vinda da cozinha.
Rapidamente o rapaz puxou o edredom e fechou os olhos com força.
Não queria brigar, por isso evitaria falar com ela.
"Draquiiiinho!" – Ginny disse mais uma vez, agora mais próxima.
Ele puxou o edredom e tentou cobrir a cabeça no exato instante em que a porta do quarto era aberta por Ginny.
"Hm... Draquinho, te achei." – ela disse em tom de brincadeira.
O rapaz sentiu que a namorada deitara na cama e tentou ficar calmo.
"Por que você foi embora tão cedo?" – ela perguntou bem próxima ao ouvido do namorado, causando, automaticamente, arrepios nele.
Draco não respondeu. A tentação era grande, mas ele era forte.
Era um Malfoy, afinal.
"Hm...fingindo que está dormindo..." – ela disse numa voz pensativa, enquanto dava pequenos beijos no pedaço descoberto do pescoço dele.
Sim, ela era terrível... pior do que qualquer comensal da morte...
"Você não vai falar, Malfoy?" – e em seguida mordeu a ponta da orelha de Draco, causando-lhe uma vontade quase selvagem de esquecer tudo e tomá-la nos braços.
Quase.
"Certo... se é assim então." – ela saiu da cama e foi para o banheiro, batendo a porta com muita força ao passar.
Meia hora mais tarde, quando Draco estava quase dormindo de verdade, ela voltou para o quarto, deitou-se ao lado do namorado e o empurrou com força para fora da cama, sem obter nenhum resultado. Por fim, bufou de raiva e deitou-se de costas para ele, ainda resmungando.
Um prenúncio do que o esperava no dia seguinte.
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Até que nossos parentes nos separem
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Acordou com a claridade preenchendo todo o quarto.
Atordoado, olhou para o lado e viu que já passava das sete horas de uma manhã de domingo.
Então, por que, em nome de Merlim, ele tinha acordado tão cedo?
Era domingo, dia de ficar na cama até mais tarde.
Um barulho de panelas caindo no chão vindo da cozinha fez Draco compreender tudo: Ginny estava fazendo o máximo de barulho para acordá-lo.
Tentando adiar o que o esperava, Draco foi ao banheiro e ficou lá durante muito tempo, buscando algum meio de sair da casa sem ser percebido pela namorada. Após meia hora de reflexão, concluiu que era impossível, uma vez que a casa tinha feitiços antiaparatação e a lareira ficava na sala.
Derrotado, vestiu-se e foi para a cozinha, onde Ginny continuava a massacrar as pobres panelas indefesas. Olhou para a mulher que amava e não se surpreendeu quando percebeu que ela parecia um leão, selvagem com os cabelos ruivos despenteados e um olhar assassino, dirigido para a panela que estava no fogão.
"Bom dia." – Draco arriscou ao entrar no recinto, mas não obteve resposta.
Resignado, sentou-se à mesa e procurou algo para falar, mas o semblante predador de Ginny impediu qualquer tentativa de estabelecer uma comunicação
O rapaz ouviu um barulho na janela e viu a coruja que sempre entregava o Profeta Diário, agradecido até o último fio de cabelo, Draco levantou-se e apanhou o jornal, onde se escondeu durante algum tempo.
"O que eu queria entender" – a ruiva disse, como se estivesse continuando uma conversa – "é a razão por você ter ido embora sem nem me avisar." – e jogou o prato com ovos mexidos na frente do rapaz.
"Você sabe." – ele disse ainda sem encará-la, protegido pelas páginas do jornal.
"Só sei" – falou – "que estava dançando com meus amigos." – e colocou uma xícara perigosamente fumegante na frente do namorado.
"Você estava se esfregando no Potter." – ele disse, ainda usando o jornal como escudo.
"Isso é mentira!" – Ginny gritou – "Nós estávamos dançando! Luna também estava conosco!"
"Ah, então se a Lovegood não estivesse presente..." – Draco começou.
"Você é um imbecil." – falou (nada) carinhosa – "E a culpa é sua se precisamos nos esconder!" – e continuou espancando com a faca uma pobre torrada onde passava geleia.
"Isso não é verdade." – Draco encarou a mulher, agora furioso.
"Você sabe que é verdade." – Ginny disse com raiva – "Eu quis contar tudo para a minha família, mas você se opôs, lembra?"
"Sim, mas..." – Draco tentou explicar, mas a moça estava irada demais para deixá-lo falar.
"Você é covarde!" – exclamou levantando-se – "Um covarde que não tem coragem de assumir o que sente. Você não me leva a sério."
"Isso é mentira." – Draco disse – "Você sabe que está sendo injusta."
"Não sei mais de nada." – Ginny falou, os olhos brilhantes de lágrimas e saiu, sem falar mais.
Draco teve o impulso de segui-la, mas sabia que isso só ia piorar tudo. Era melhor que os dois esfriassem a cabeça.
Sem outra opção, Draco levantou, vestiu o casaco e saiu. Quanto mais longe, melhor.
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Até que nossos parentes nos separem
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Ginny olhou mais uma vez para o relógio na parede da sala: sete horas da noite.
E nada de Draco retornar.
Será que ele tinha ido embora?
Para sempre?
Com um aperto no peito, voltou a olhar para a televisão, tentando convencer-se de que ele estava bem e de que voltaria logo.
Uma hora depois, o filme que a ruiva assistia terminou e Draco ainda não retornara. Sem querer pensar no pior, foi para a cozinha, prepararia o prato preferido do namorado, como um pedido indireto de desculpas.
Quer dizer, se ele voltasse para casa...
Não! Não ia pensar nisso... afastou os pensamentos para longe disso e voltou a atenção para o jantar.
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Até que nossos parentes nos separem
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Draco voltou ao apartamento um pouco antes das dez horas da noite e tinha medo do que poderia encontrar. Ou Ginny teria ido embora ou então estaria mais brava do que antes.
Quando entrou no apartamento, viu Ginny sentada de frente para a televisão, ela estava tão concentrada no filme que nem percebera a chegada dele.
"Oi." – Draco arriscou, quando chegou perto dela.
"Oi." – respondeu sem encará-lo.
"Podemos conversar?" – o loiro perguntou.
"Agora não... estou ocupada." – disse, sem tirar os olhos do aparelho trouxa.
"Que horas, então?" – Draco perguntou, tendo certeza de que ela ainda estava furiosa.
"Depois que terminar o filme." – falou, encerrando o assunto.
Draco virou-se para sair do lugar e já estava quase indo para o quarto, quando ela disse:
"Se estiver com fome, tem comida no fogão." – disse Ginny.
"Obrigado." – ele falou indo para a cozinha, onde encontrou um pedaço, bem generoso, de lasanha, seu prato preferido.
Então aquilo era um sinal de que as coisas não estavam tão ruins assim...
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Até que nossos parentes nos separem
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Draco já estava cansado de esperar.
E ele tinha a leve impressão de que ela fazia isso de propósito.
Olhou para o relógio e viu que já passava da meia-noite.
Cochilava numa das poltronas do quarto quando a porta foi aberta e Ginny entrou.
"Podemos falar agora?" – ele perguntou.
"Ok." – disse, desinteressada, sentando na cama, de frente para ele, mas sem encará-lo.
"Estive pensando em tudo que aconteceu e acho que não podemos continuar assim."
Ginny o encarou finalmente.
"Onde você pensou isso?"
"Como?" – Draco perguntou, confuso pela interrupção dela.
"Você passou o dia fora... você deve ter pensado isso em algum lugar." – a voz dela tinha um tom calmo e perigoso.
"Fui visitar meus pais, você sabe que passo os domingos lá." – respondeu, cauteloso.
"O dia inteiro?"
"Mais ou menos... depois do almoço fui até o Beco Diagonal."
"Certo." – ela disse, indiferente – "Continue."
"Por que você está assim? Estranha?"
"Eu estou estranha?" – disse, um sorriso sarcástico no rosto corado – "Foi você quem passou o dia fora de casa e voltou me achando estranha."
"Ginny..." – Draco disse, tentando encontrar um sentido nas palavras dela – "Você ainda está com raiva?"
"Ahhh... e por que estaria?" – perguntou com um sorriso sarcástico – "Você só passou o dia inteiro fora, sem dar notícias... é CLARO que NÃO estou com RAIVA."
"Certo, é melhor que nos conversemos amanhã." – Draco disse, indo para a cama.
"Não... eu quero conversar agora!" – gritou – "Vamos. Fale o que tem para falar."
"Por que você tem sempre que brigar?"
"EU?" –berrou – "Foi você que começou, fazendo aquela cena de ciúme ridícula."
"Você não entende!" – gritou de volta – "Eu tenho ciúme porque amo você. E é por isso que não dá mais. Não dá para continuar assim."
Ginny o olhou, confusa.
"Não me importo mais com o que vão pensar. Eu amo você e você me ama, isso é o que importa." – disse, inflamado – "Por isso, pensei muito e..."
"E...?" – Ginny sussurrou.
"Você quer casar comigo?"
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Até que nossos parentes nos separem
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Nota da Autora: Sim, eu adoro um suspense. Se quiserem me matar, estejam a vontade.
Esse capítulo não foi betado mais uma vez (e a culpa não é minha), mas se vocês encontrarem alguma palavra que tinha hifen antes e agora não, ou outra que tem acento e agora não, ou ainda mais, alguma que tinha trema e agora não é porque estou tentando escrever na (confusa) nova ortografia... está difícil, mas aos poucos vou me adaptar.
Desculpem, mas vou colocar, novamente, só os nomes de quem comentou... não estou muito empolgada para agradecimentos, oK?
ChunLi Weasley Malfoy, Hinata Weasley, Oraculo, Jaque Weasley, SallyRide, Misty Weasley Malfoy, Yu xD, Caah LisLis, Yuminha_, Gaabii, Princesa Chi, Giih. Muito obrigada pelos elogios e por tudo mais, garotas. Beijos e desculpem o mau jeito do agradecimento.
Beijos,
Manu Black
