Capítulo 2: Falling in Love

"Querido Diário,

Hoje ele me disse oi. Sorriu e me disse oi. Fico me lembrando daquela voz até agora, era tão doce, tão verdadeira, tão...Eu o amo. Definitivamente o amo. Desde que o vi pela primeira vez. Ele é tão perfeito, carinhoso, educado. Me pego sonhando com ele todas as noites, aqueles lábios dizendo o meu nome...Hoje nós esbarramos um no outro. Eu corria pelo jardim e ele como sempre, cuidava das flores. Esbarramos, ele me disse "desculpa" e depois um "oi", me dando uma flor em seguida. Guardo ela aqui no meu quarto, na minha mão ainda sinto o seu toque..."

Lea fechou o diário com força. Nem sabia o por que de estar lendo aquilo, lembrar do passado não era nada bom. Ela era uma garotinha de 15 anos na época, achando que o amor chegara a sua porta. Riu de si mesma ao pensar nisso, ridícula. Desceu para o andar debaixo, uma música lenta tocava enquanto alguns casais dançavam. Aquilo era um aniversário?

Dianna: Finalmente né Lea? Já ia mandar o Chord ir te buscar!- disse a irmã

Lea: Se eu ver aquele garoto de novo, juro que o quebro em pedaços

Dianna revirou os olhos e riu da irmã. Aqueles dois juntos era muito engraçado, Lea a criançona da casa e Chord, o irmão custoso que gostava de aprontar com a garota.

Chord: Oi Leazinha- ele falou com uma taça de champanhe nas mãos e com o ar de falsidade- Já viu quem são os convidados da noite?

A família de Lea não era qualquer uma. O pai, grande produtor de café, muito influente em Londres. A mãe, morrera após pegar uma tuberculose, ela havia viajado pela Europa e acabou voltando assim. Lea tinha nove anos, nessa época ela e Chord se davam bem mas o garoto culpava a irmã pela morte da mãe. Lea tinha ficado doente e a mãe foi buscar um remédio dito como milagroso na Itália, fora escondida do marido mas como o frio era grande e não havia muitas prevenções, acabou pegando a doença e morrendo uma semana depois de voltar a Londres.

Lea: O que faz aqui?- perguntou seca

Chord: A família real- o rapaz levantou a taça- Eles foram convidados

Dianna e Lea ficaram surpresas. A família real não ia a qualquer festa, muito menos num simples aniversário. Talvez isso fosse um sinal? Coisa por trás disso que tinha, com certeza. Chord olhou para umas damas que passavam e as seguiu só com o olhar, depois sumiu de visão. Lea olhou para o piano, sentia falta de uma bela melodia mas não tocava desde a morte da mãe, que a ensinava pequenas notas. Ela foi para frente da lareira, o frio a atormentava, se lembrava de história que Katherine lhe contava na infância, de vampiros, criaturas horrendas. Lea e Dianna sempre as ouvia enquanto tomavam chocolate quente.

Dianna: Olha quem vem ali irmãzinha- a garota chamou a atenção

A família real chegava. E eles não eram nada humildes, a rainha e suas belas joias que brilhavam tanto quanto as estrelas, o rei e sua expressão séria. Lea morava em Londres mas não conhecia nada da monarquia britânica. Para ela, só haviam o rei e a rainha com uns três filhos. Mas esses filhos chamavam bastante a atenção, uma moça morena usava um vestido bem decotado para a época, mas não se importava. Lea já a vira, e conhecia também o outro filho, o do meio, que não se importava muito em andar corretamente só que tinha um grande charme. Mas a garota não conhecia o terceiro, sabia da existência dele mas nunca vira aquele rosto.

Ele era o mais alto de todos, Lea ouvira que ele havia ido a França estudar, mas pelo jeito já voltou, talvez para herdar o trono. O rapaz estava sério, o rosto frio, como se não quisesse estar ali, como se aquilo o incomodasse. Ele não sorria para ninguém, apenas olhava para a frente ignorando o mundo.

Mr. Sarfati: Obrigada por virem a nossa humilde casa- ele cumprimentou devidamente os convidados

Alfredo I: E aonde está a aniversariante?- o rei olhava para os lados a procurando

Mr. Sarfati: LEA!- a garota foi arrastada por Dianna até lá- Essas são as minhas filhas, Lea e Dianna Sarfati

As garotas também cumprimentaram o rei. A beleza delas chamavam a atenção, mas se casar com uma Sarfati era uma missão impossível, o pai delas tinha muitas exigências. Chord chegou logo atrás, ele tinha pequenas quantidades de álcool no sangue, mas não parecia afetá-lo apesar de estar sorrindo feito uma criança.

Alfredo I: Você tem belas filhas Mr. Sarfati- o rei pegou uma pequena caixa preta da mão da rainha- Feliz aniversário Lady Sarfati

Lea: Me chame só de Lea, por favor- a garota pegou a caixinha. Havia uma simples pulseira com diamantes, é claro. Lea nunca havia ganhado diamantes, seus olhos brilhavam ao vê-lo

Ela devolveu um grande "Obrigada" e eles com um "Não tem de que". Dianna também não ficou de fora, ganhara outros belos diamantes. A famílias sorria, menos o garoto alto e aquilo até assustava Lea. O que tinha de errado com ele? A festa não estava boa o suficiente?

Alfredo I: Deixe que eu apresente meus filhos. Esses são Naya, a mais nova. Mark, o filho do meio e o futuro herdeiro, Cory

Naya cumprimentara as garotas com beijos no rosto, já Mark e Cory, como cavalheiros, deixaram um beijo na mão delas. Chord não deixou de olhar para o decote da morenas, que fingiu não ver, Lea o avisou só com o olhar e o garoto revirou os olhos. A festa continuava, os homens importantes conversavam em um canto isolado, as mulheres em outro, alguns dançavam já outros, esperavam a serem convidados a dançar.

Mark: Me daria o prazer senhorita?- o rapaz estendeu o braço a Lea

A garota ficou surpresa, nunca fora convidada a dançar, muito menos por alguém tão importante como ele. Ela aceitou ficando vermelha e o garoto sorria irradiando simpatia. Todos olhavam para os dois, até que formavam um casal bonito mas alguém não gostava muito daquilo.

Alfredo I: Mark pareceu gostar de sua filha- ele falou bem distante dali

Mr. Sarfati: Percebi- ele também olhava a cena- É...podemos ir ao meu escritório agora?

Alfredo I: Quanto antes melhor

Os dois desapareceram de visão. A música acabara e Mark deu mais um beijo na mão de Lea, que ficou assustada já que um homem geralmente não fazia aquilo com frequência em alguém que acabou de conhecer. A garota, agora sozinha, reparou em Cory. Ele tomava um champanhe e percebeu os olhares sobre ele já que retornou o olhar, fazendo Lea se assustar, ele era totalmente diferente de Mark, seus olhos cor de mel pareciam vidros e não tinham expressão algumas.

Cory: Aceita?- ele havia pegado uma taça de champanhe com um garçom que passava e agora oferecia a Lea

Lea: Eu...eu não bebo- ela se perdeu no sorriso do rapaz. Era bem diferente daquela cara séria, era lindo

Cory: É só champanhe, não faz mal- Lea acabou bebendo. Não era tão ruim. Cory sorrira quando ela dera o primeiro gole fazendo uma careta engraçada.

Depois os dois riam enquanto acabavam com o líquido na taça. O sorriso de Lea também chamara a atenção do rapaz, ela era muito bonita e lembrava muito a …Afastou os seus pensamentos por um minuto fechando o sorriso. A garota se assustara com essa mudança de humor de Cory, ele sorria e agora voltava a ficar como antes.

Cory: Até que não é tão ruim assim- ele sorriu falsamente- Quero dizer...a bebida

Lea: Nem tanto

Os dois não conversaram mais. Lea por sua timidez e Cory por causa do medo, medo de olhar nos olhos daquela moça novamente. A festa acabara e o pai de Lea perguntara a Lea sobre o vestido branco caro, ela inventou uma mentira sobre um certo defeito na costura e que iria devolver.

Alfredo I: Mr. Sarfati tem belas filhas- o rei comentou na noite anterior

Cory balançou a cabeça em negação. O pai não elogiava com frequência, ele era ignorante, frio. Entrou em seu escritório na manhã seguinte, procurava cartas mandadas a ele, mas nada aparecia.

Mark: Boa dia Doutor Monteith!- o rapaz entrou no escritório radiante. Sentou em uma poltrona próximo do irmão e Cory o olhou desconfiado sobre os óculos

Cory: Qual é o motivo disso?- disse largando os papeis que tinha nas mãos

Mark: Eu acho que encontrei...encontrei o amor- Cory não conseguiu, soltou uma bela gargalhada fazendo Mark o olhar com raiva

Cory: E quem seria?- perguntou tentando se recompor

Mark: Não vou te falar, você vai rir como sempre- Cory continuou em silêncio, sabia que um hora ou outra o irmão falaria por instinto- Tudo bem, eu conto...ela é a moça mais linda que eu já vi

Cory: Conte para o papai, talvez ele mande você ir cortejá-la

Mark: Tenho certeza de que ele vai aceitar, afinal todos já a conhecem- ele sorria novamente- Ela é uma Sarfati

Cory arregalou os olhos, uma Sarfati? Eles podiam ser poderosos mas não eram de sangue azul. Só que quando Mark colocava uma coisa na sua cabeça, ele ia até o fim para conseguir.

Cory: Qual das duas?

Mark: Lea- o rapaz falou como se recitasse uma poesia- Ela é a mulher da minha vida irmão!

Mark se levantou e bateu as mãos na mesa de felicidade. Era estranho ele já falar coisas assim, mal conhecia a Lea para se dizer apaixonado mas se era assim, a moça seria sua esposa.

Alfredo I: Cory!- o pai do garoto chamou- Precisamos conversar

Cory: Tenho que terminar de ler esses papeis- reclamou

Alfredo I: É sobre o seu casamento se quer saber. Venha até a minha sala- o homem sumiu pelo enorme corredor