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Capítulo 4: A mentira engrossa a neve.

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As mãos de Sakura estavam verdes de chakra.

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Ela curava seus próprios ferimentos economizando energia, afinal não podia arriscar um palpite sobre o futuro. Isso significava que a dor não ia cessar, apenas diminuir, uma vez que não poderia gastar chakra como anestésico. E sim, haveriam algumas cicatrizes. Não havia nada que pudesse fazer quanto a isso, não era como se ela estivesse preocupada com sua aparência de qualquer maneira. Na verdade, em uma situação normal, Sakura poderia se curar sem sequer que notassem seu fluxo de chakra. Por Kami! Ela poderia fazer isso até mesmo durante uma luta. Porém o momento era de avaliação.

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Mas a garota de cabelo rosa estava extremamente absorta, se lembrando das palavras da Hokage:

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"Sakura, essa missão é muito arriscada. Existe a suspeita de que mais Zetsus estejam disfarçados entre a aliança shinobi. Tivemos relatos que você lidou muito bem com um deles, então Inoichi a recomendou. Nossa inteligência indica que há dois ninjas da Vila do Som podem ser os informantes de Tobi. Por isso criamos uma missão falsa para que você possa colher o máximo de informações possíveis e estamos enviando vocês três juntos. Somente eu, Shikamaru e Inoichi sabemos sobre a natureza dessa missão, portanto não reporte a mais ninguém. Principalmente a Naruto. Tome cuidado Sakura, eu confio em você."

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Se sentia extremamente culpada pelo do fracasso de sua missão, mesmo que não fosse sua culpa. Nunca em um milhão de anos imaginaria que Sasuke apareceria. Muito menos que ele a salvaria.

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Como se a ação requeresse completamente sua concentração, a kunoichi continuou a curar seus ferimentos metodicamente. Qualquer coisa para fugir da culpa. Tudo para fugir daquele olhar que lhe atravessava a alma. Fugir, fugir, fugir. Qualquer coisa para não pensar no que tudo aquilo poderia significar, não se permitiria ter esperanças novamente.

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Muito embora, qualquer desculpa para fugir do olhar dele era inútil (e ele nem mesmo estava com seu sharingan ativado), porque ela abriu sua enorme boca sem pensar quebrando o silencio diplomático da caverna.

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- Porque você me salvou? – Sua voz saiu fina e com mais irritação do que gostaria ou pretendia demonstrar. A última coisa que gostaria é que ele pensasse que ela ainda era uma garotinha histérica.

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-Não era esse o seu sonho de infância? – Disse Sasuke irônico, como se seu ato fosse tão heróico que estivesse acima de qualquer questionamento.

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-Bom, eu não pensei que você me salvaria depois de tentar me matar tantas vezes. – Sakura respondeu com tanta amargura, que sua mandíbula doía pelo esforço de se manter controlada.

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-Você também tentou me matar. Estamos quites. - Ela quase pode ver um sorriso de canto, mas seu olhar era muito sério.

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- Se eu tentei te matar foi por pensar que essa era a única maneira de te salvar. – Ela se confessou com uma profunda tristeza, finalmente deixando suas lágrimas escorrerem enquanto encarava o chão. Se lembrava daquele encontro, do quão difícil foi admitir pra si mesma que ele não conseguiria sair da escuridão que o dominava. Do quanto foi difícil mentir pro Naruto. Se lembrava claramente em sua alma quebrada quando ele a tentou matar. De novo. – Você não acha que depois de tudo o que passamos juntos... Depois das coisas que te disse... Que eu seria movida por algum tipo patriotismo hipócrita?

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Sakura se surpreendeu consigo mesma. Sempre mediu muito bem as palavras para ele, e nunca em sua adolescência o confrontaria assim. Porém concluiu com orgulho que aquela Sakura nunca mais existiria.

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-Hun. – Isso era Sasuke encerrando o assunto.

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Apesar de toda coragem adquirida de sua recente descoberta moral, um silêncio doloroso se instaurou sobre os dois. Continuou trabalhando em seus ferimentos ate que estivessem razoavelmente curados. Apesar de todo o estresse dessa situação e de quão perturbador era lidar com Sasuke, no fundo sentia-se agradecida por tudo. Afinal esse realmente era seu sonho, estar tão perto dele, sentir seu cheiro e saber que pelo menos uma vez na vida ele se preocupou com ela. Sakura sabia que isso era o mais próximo que poderia chegar do homem que amou por toda sua vida.

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-Sasuke-kun, – O velho sufixo saiu sem que percebesse. – obrigada...

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~o.O.o~

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De todas as perguntas que Sakura poderia fazer, ela tinha que escolher logo essa. Nada de "onde estamos?" ou "quem eram aquelas criatura?". Não. Ela tinha que perguntar sobre a única coisa que não tinha resposta.

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Irritante, Sasuke pensou. Mas a pergunta que o irritava nunca fora tão coerente. É claro que Sakura perguntaria isso, afinal ela nunca foi burra. Mas porque ela tinha que ser tão irritante?

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Será que ela não se lembra daquela tentativa ridícula de me matar? Sasuke estava completamente indignado com Sakura. Indignado com sua pergunta, com sua atitude. Por ser vulnerável e linda. Tão vulnerável que ele teve que salvá-la. A culpa era toda dela. Onde esta o amor que ela declarou quando eram crianças? Sasuke se perguntava.

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"Bom, eu não pensei que você me salvaria depois de tentar me matar tantas vezes." Como ela se atreve? Como ela poderia duvidar que eu não a salvaria? O nukenin simplesmente não conseguia seguir uma linha de raciocínio coerente e seu humor estava em chamas. Uma parte de seu cérebro estava agradecida por saber esconder tão bem as emoções. Ou assim ele achava.

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Contudo, toda a estrutura que ele tinha construído ao redor de suas emoções caiu quando ela disse o porque daquela tentativa de assassinato. Se na época soubesse o que iria acontecer, deixaria de bom grado que sua vida fosse ceifada por ela. Ninguém mais digno do que ela. Pena ser tão tarde para essa tal misericórdia.

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O coração de Sasuke, costumeiramente gelado de ódio, começou a derreter com as palavras de Sakura. Nunca ninguém esteve tão certo de que apenas a morte o salvaria. De todas as pessoas, ela, surpreendentemente, era a que mais sabia sobre sua alma.

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Justamente por isso, pensou em mata-la agora mesmo. Foi da ternura ao ódio em segundos como o mercúrio num termômetro. Não admitia ninguém bagunçando sentimentos a muito esquecidos. Ela não tinha o direito de fazer isso. "Hun." , disse encerrando o assunto.

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"Sasuke-kun, obrigada..." Ela disse docemente, quebrando o silêncio que ele lutou bravamente para manter. Um iceberg podia derrubar muitas embarcações, poderia causar muito estrago. Sakura era como o Sol, pacientemente derretendo um iceberg que finalmente cedia ao calor.

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Isso. Não. Significa. Nada... Ele repetia como um mantra para si mesmo. E quanto mais Sasuke mentia para si mesmo, mais a nevasca lá fora engrossava, assoviando para sua impotência.

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Hello devassildas! Mais um capitulo com carinho e deixando muitas bjocas para todas as reviews lindas que vcs me mandam!

Mas antes que o coraçãozinho de vcs se encha de esperança [LOL], aviso que a próxima att dessa fic pode demorar um pouco mais do que vcs estao acostumadas, pq quero focar um pouco na minha outra fic, Under The Same Sky. Essa fic também é minha filhinha e que preciso dar amor pra todas ^^

Bjos da Gabe.

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