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Capitulo 8: Finalmente

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Ele a amava.

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Ele admitiu seus sentimentos logo que seus lábios tocaram os dela.

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Ele a amava porque ela o olhava como se ele fosse um ser humano. Não um vingador, não um déspota, não um pária das vilas ocultas, não um monstro. Apenas alguém, e não qualquer alguém, mas sim sua pessoa favorita. E, o mais surpreendente, ela ainda o olhava com a esperança e angustia de quem ama, como se ele nunca tivesse tentando (e falhado miseravelmente) mata-la tantas vezes e de tantas maneiras.

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Mas para sua decepção, ele imaginava que depois de tudo, Sakura já havia superado o fato de que ele jamais retornaria para Konoha. Isso não significa nada, justificou-se internamente por ela, deduzindo que aquela idéia fixa de leva-lo de volta seja apenas a influencia do Naruto, e não de Sakura, não de sua perfeita Sakura.

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– Sakura... – Ele não poderia viver sem ter a certeza de que ela estava bem, viva e ilesa. Ele já não poderia viver longe dela, e isso o assustava. Não conseguiria, não mais, existir sem o amor que preenchia sua existência vazia. Depois te toda a dor e ódio em sua vida desgraçada, agora só havia um caminho a seguir – ...eu vou embora para a vila do som. E eu quero que você venha comigo.

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Juggo não se mexeu porque ele tinha quase certeza de que aquilo era um blefe. Uma mentira cruel para matar aquela ninja de Konoha. Não era possível que Sasuke – aquele louco, frio e cruel Sasuke que conheceu – tenha pedido algo em sua vida. O assassino de Orochimaru não era alguém que pedia permissão, ou que pedia favores, ou era amoroso, não, ele não era assim.

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Aquelas palavras, com certeza não chegavam nem perto de ser algo amigável se fossem ditas por pessoas normais, no máximo significaria um acordo entre aliados. Mas para a boca que expeliu tal proposta, era quase um pedido de casamento (ou algum tipo novo de genjutsu).

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Suigetsu, entediado, pareceu ter descoberto uma nova classe de palavrões.

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Porém o pior (ou melhor?) era Sasuke, em sua pose estóica tentando manter a fachada fria enquanto a garota de cabelo rosa estava levando segundos (ou eram décadas?) demais para responder.

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Sakura

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Eu me lembro do doce com morango que meu pai fazia quando eu estava triste. Não importava o quão fora da realidade sua mente infantil operava, ele olhava pra mim com uma condescendência que faria inveja aos monges budistas, e ele sabia do que eu precisava (mas o melhor de tudo era que ele não questionava). E não havia nada, nada que seu doce não pudesse tornar mais fácil.

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Eu me lembro do rosto da minha mãe quando eu entrei na academia ninja. Do sorriso reluzente que tentava inutilmente mascarar sua decepção. Isso sempre foi e sempre será um tabu entre nós que só aumenta o meu sentimento de fracasso.

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Eu me lembro do laço vermelho que Ino meu deu. De quando Iruka sensei disse que eu estava no time sete. Eu me lembro das 37 agulhas que Haku atirou nele.

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Eu ainda acordo a noite tendo pesadelos com a Floresta da Morte.

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Eu me lembro da dor, e da tristeza, e do vazio que se tornaram meus mais íntimos confidentes depois que você me disse "Obrigado". Eu me lembro perfeitamente de cada buraco muito bem escavado em meu coração de quando você tentou me matar, de novo e de novo. Lembro-me também de como a dor tentava se superar como um atleta olímpico, quando meu amor enchia esses mesmos buracos de esperanças cegas e saudade ácida, só para abrir novas rachaduras.

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Do amor do Naruto, da paciência do Kakashi sensei, da confiança de Tsunade shishou, eu me lembrarei sempre com sorriso nos lábios.

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Meu amigos, minha vila, meu patriotismo, meus sucessos singelos e meus esmagadores fracassos; todos eles metodicamente registrados na memória por baixo do excêntrico (e curto) cabelo cor de rosa.

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Imagine agora, o céu do universo. Imagine que cada estrela brilhante colada nele seja um momento, uma memória de mim. Meu "céu" esta repleto de estrelas brilhantes, quentes, distantes, cometas e supernovas.

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Mas existe uma massa escura, misteriosa e assustadora que se expande inexplicavelmente e envolve todas as estrelas e planetas e memórias. Essa coisa espessa e invisível é tudo que existe e drena impiedosamente todo o meu ser sem pedir licença, mas ao mesmo tempo, é o vazio que representa minha vida inútil e todos os esforços em vão.

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Esse profundo e insano azul se chama Sasuke.

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Então quando essa pessoa que é a razão da sua existência – e muito provavelmente a razão da sua morte – lhe diz pra largar tudo e ir embora com ele, você não pensa, você vai.

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Tudo a partir disso é o puro e não tão simples controle de danos que você vai ter que fazer, porque você vai embora com ele. E isso não é fácil porque você não é qualquer uma, mas principalmente porque ele é Uchiha Sasuke.

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Qualquer outra pessoa no meu lugar deveria estar preocupada com as mais variadas justificativas que terá de dar por fugir com ele. Qualquer outra pessoa melhor do que eu deveria estar muito mais preocupada sobre a vida difícil que vai levar com ele e na tristeza que causará a seus pais. Qualquer shinobi que tenha um pouco de juízo estaria muito preocupado com a fúria de Tsunade e na séria possibilidade da Vila toda vir atrás de vocês.

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Mas eu, Haruno Sakura, apenas me senti culpada por deixar Naruto sozinho, ainda assim, isso não fez mudar em absolutamente nada minha decisão. Eu não sou uma pessoa tão ruim assim, é só que essa decisão já foi tomada a muitos anos antes dessa pergunta.

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A perplexidade daquele um segundo a mais que eu demoro para abrir minha boca e falar – e quase ponho tudo a perder porque ele pode ver minha hesitação como uma negativa – se deve ao fato de que minha resposta é tão obvia que a preocupação predominante é não é dizer "sim, Sasuke–kun!" e sim se isso realmente saber se aquilo era real.

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Eu sei que minha mente não opera como uma pessoa normal e talvez, eu me pergunto, se eu realmente não puxei meu pai porque, no momento mais importante da minha vida, eu tenho um inoportuno dejá vù onde eu me atiro nos braços de Sasuke e acordo caindo na cama abraçando o travesseiro. Respire Sakura!

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Recupero minha fraca sanidade ao olhar aquele rosto que só eu sei decifrar. Eu me lembro do momento intenso e lindo que tivemos e a única certeza que eu posso ter é que eu quero isso de novo e de novo e por toda a vida. Toda a culpa se esvai como a neve que derrete quando eu olho naqueles olhos obsidianos que me fascinam e sei que tudo vai ficar bem, porque o resto não significa nada quando estou com ele.

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Eles teriam pela frente todas as dificuldades por serem renegados. Nada de casinhas com cerca branca, nunca confiar em ninguém e sempre com a possibilidade de serem presos.

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Não seria nada fácil reconstruir uma vila devastada pelas crueldades de Orochimaru e Kabuto, seriam muitos Sasukes, Kimimaros, Karins, Juggos e tantos outros que sofreram o horror que o Sannin das Cobras deixou atrás de si.

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Deixar tudo e todos que amam para traz, seria um enorme desafio para ela. Naruto, seus pais, sua mestre, seus amigos, sua vila. Ela estava prestes a se tornar uma nukenin e todo o paradigma que esse titulo carrega.

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Possivelmente teriam todas as vilas ocultas ao seu encalço. Sakura não acreditava que Naruto aceitaria de bom grado que seus dois amigos fossem embora simplesmente. Konoha não aceitaria uma derrota porque, temos o espírito de fogo afinal.

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Conhecer um ao outro e superar os medos tão intrincados a alma, seria o maior de todos os desafios. Confiar e amar eram como tabus a serem quebrados.

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Mas para Sasuke e Sakura, o futuro e as consequências de seus atos não significavam nada, porque eles estavam juntos, finalmente.

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Sim, eu vou com você.

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FIM.

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Olá devassinhas!

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Espero sinceramente que tenham gostado do final da fic (leia-se esperando ameaças de morte) shuahsuhauhsuhauhsuhauhsuhau

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Mas esse ~tu dum tsss~ não é o final ~~oooooohhhh~~~. Teremos um epílogo, aguardem xDDDD

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Bjos amáveis :3