A ajuda que destrói desejos.
By Bella Tayoukai
O silêncio era incômodo para Sesshoumaru, todo aquele ambiente o deixava desconfiado. Com seus olhos rápidos e precisos, ele vasculhou toda a sala em questão de segundos, mas voltou sua atenção à Sacerdotisa ao ouvi-la rir.
- Não confia em mim? - ela perguntou com um sorriso sedutor nos lábios. - Pois devia, já que confia a vida de sua filha a mim.
Sesshoumaru olhou-a nos olhos com os seus estreitos. Como ela sabia...?
- Eu sei por que está aqui, veio pedir ajuda não é?
Sesshoumaru sentiu sarcasmo na voz da suspeita Sacerdotisa, mas deixou passar. Não iria ganhar nada se levasse a sério as ironias que a mulher aparentava demonstrar.
- Se já sabe, não será necessário entrar em detalhes. - respondeu impaciente.
- Sente-se. - o sorriso da falsa Sacerdotisa se desfez e começou a mexer na pequena panela de barro que se encontrava com um líquido azul, como o do frasco que Kaiyme a mandou levar.
Já sentado diante da mulher, Sesshoumaru ainda observava tudo atentamente. Havia algo de estranho naquele lugar, mas não sabia o que ou quem.
- Você quer trazer uma pessoa do mundo dos mortos. Não? - ela somente o viu manear a cabeça levemente num sim. - Mas não sinto vontade vinda de você. Tem certeza de que é isso que quer?
Ele estreitou os olhos ameaçadoramente, mas ela não se intimidou e tornou a perguntar.
- Responda youkai. Você faz isso só para trazer felicidade aquela que ama?
Ele respirou fundo, não queria, ou não sabia, responder a pergunta da mulher. Não tinha a resposta certa em mente.
- Se não houver interesse seu nisso, eu não vou poder ajudá-lo. - ela começou a recolher o punhal que, desde que ele chegara, estava à mostra.
- Matte. - ele falou. Ela sorriu internamente.
Ela voltou a posição que estava anteriormente, em frente à Sesshoumaru.
- Sim. - ele foi seco e direto.
- Bom. - ela voltou o punhal ao local que estava. - Já que existe real interesse de sua parte, eu vou ajudá-lo.
Ela retirou de dentro de seu Kimono, um saquinho de couro e despejou seu conteúdo, que, aos olhos atentos de Sesshoumaru, era pó. Não, cinzas. Mas cinzas de cadáver. Quando boa parte do conteúdo do saquinho foi despejado, a água da panela começou a tomar uma cor escura e um cheiro forte de carniça tomou o ar dali. Sesshoumaru ficou visivelmente incomodado com o cheiro.
- Este é o cheiro da morte. - ela explicou. - Também se pode denominar este líquido de "morte".
As feições do youkai não se alteraram. Só sentiu uma leve pontada de desconfiança.
- Mas não é isso que vai trazer seu ente de volta. - agora ela o encarava com seriedade. - Se realmente a quer de volta, terá de sangrar por ela.
A sacerdotisa estendeu a mão para o youkai. Agora era o momento crucial, esperava agora que Sesshoumaru fosse ingênuo o suficiente para cair nessa armadilha.
Ele ficou quieto apenas observando a mão estendida a ele. Mas, sangrar por Hyrin valeria a pena?
Depois de ter sido "bem tratado" por ela, valeria a pena traze-la de volta? Sesshoumaru fechou os olhos para pensar melhor.
Em poucos instantes sua mente foi invadida por várias imagens daqueles olhos que ela tinha. Olhos chamativos e expressivos que mostravam mais do que ele queria ver. Mesmo estando sempre frios e impassíveis, em raros momentos era possível detectar uma linha de sentimento, mesmo sendo mínima e por milésimos de segundo. Foi assim que Sesshoumaru percebeu coisas que qualquer outra pessoa nem se quer notaria.
Sesshoumaru mirou bem aquela mão à sua frente. O youkai sentia que algo estava errado, mas não conseguia saber o quê e isso o deixava um tanto confuso.
- Vamos. Decida-se. - a sacerdotisa insistiu novamente. Sesshoumaru estava muito pensativo para seu gosto. Será que ele seria capaz de deixar Hyrin morta? - Ainda está confuso, não? E com razão. Porque salvar uma pessoa que só te maltratou e te desrespeitou?
Ela estava jogando com sua mente. Sesshoumaru já percebera que a intenção dela era confundi-lo a ponto de desistir, mas havia um fundo de verdade no que ela dizia. Hyrin sempre jogou em sua cara que não gostava dele milhares de vezes, o desprezo no olhar dela era constante, mas ele não conseguia odiá-la. Era a primeira vez que Sesshoumaru se pegou confuso, tinha dois caminhos para escolher: deixar a hanyou morta e ir embora ou salvá-la e ter a consciência limpa.
A primeira opção parecia ser a mais fácil e simples.
Mas não era essa que ele queria.
O youkai finalmente se decidiu, estendeu o braço para a sacerdotisa que logo lhe sorriu. Um sorriso mau.
Com movimentos rápidos, a mulher segurou firmemente o braço cedido pelo youkai, e, com a outra mão, pegou o punhal ao seu lado cortando a pele alva de Sesshoumaru em forma de cruz. O sangue que começou a brotar da ferida foi escorrendo até que algumas gotas pingassem no líquido azul da panela, tornando-o vermelho.
Logo em seguida, Kinka retirou um frasquinho preto onde colocou uma pequena porção do líquido.
- Derrame esta poção na ferida da menina, e ela irá voltar a vida.
Sesshoumaru recolheu o frasco com rapidez e se levantou saindo do local apressadamente e sem olhar para trás. Não queria ficar mais nem um segundo ali.
Assim que Sesshoumaru saiu, Kinka não pode conter a gargalhada maléfica. Agora era só uma questão de tempo.
Sim. Capítulo minúsculo, mas dêem um desconto u.u acabei de chegar de viajem e terminei o capítulo no mesmo dia! Xx
Mas espero reviews!
Beijos!
