Disclaimer: Inuyasha e seus personagens não me pertencem. Todos os créditos à Rumiko Takahashi. Personagens originais são de minha autoria.
Nota da autora: É, eu estou viva. E peço infinitas desculpas pela... falta de educação em atualizar essa fanfic. A verdade é que minha vontade era de excluí-la e reescrevê-la, mas como foi uma das minhas primeiras histórias... Não tive coragem.
Peço encarecidamente que me perdoem pela demora. Prometo que não farei mais.
Capítulo 18 – A volta dos que não foram.
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Rin sentia os olhos doloridos de tão inchados que se encontravam. A jovem miko não conseguia cessar suas lágrimas, que caíam de seus orbes chocolate há horas. Suas mãos estavam geladas pelo frio, as pontas de seus dedos estavam levemente arroxeadas, entretanto não paravam de delinear a marca de meia-lua na testa de sua filha:
- Perdoe-me, meu anjo... – ela sussurrou ao baixar o rosto para beijar o da filha. – Eu devia tê-la protegido...
As palavras saíam doídas de seus lábios, mescladas com as lembranças de uma hanyou jovem e cheia de energia a brincar ao redor do casebre. Para uma mãe, era inconcebível a ideia de perder um filho. Era contra as leis da natureza. Rin não podia suportar a dor que se rasgava em seu peito, junto com a ira para com os assassinos de Hyrin.
Ser mãe foi o único fato que a manteve viva após a partida de Sesshoumaru. Ela finalmente conseguiu tirar as mãos do corpo frio da cria e enxugou suas lágrimas, levantando-se logo depois de cobri-la com uma manta de peles. Atitude tola, mas era algo que ela jamais deixaria de fazer.
Saiu da cabana e quase tropeçou em Jaken:
- Onde você penssa que vai, menina?
- Fique com Hyrin, por favor, Jaken-sama. – ela sussurrou. – Vou atrás de Sesshoumaru.
Jaken quase teve uma síncope:
- Não possso permitir issso! – ele disse desesperado. – Ssessshoumaru-ssama me matará!
- Então eu lamento. – disse Rin, passando a caminhar em direção à floresta.
Mas antes que ela pudesse se embrenhar na escuridão, Sesshoumaru apareceu diante de si. Rin respirou ansiosa, e Jaken logo correu para seu mestre, fazendo uma exagerada reverência:
- Meu Lorde!
Rin ignorou completamente o youkai-sapo e disse:
- Você conseguiu?
A resposta do Daiyoukai foi retirar de dentro de seu quimono um frasco pequeno, com um líquido azulado, que logo foi tomado de sua mão por uma mãe desesperada. Rin seguiu para a cabana, seguida de perto por Sesshoumaru. Jaken, parado ao lado de Ah-Un, pensava consigo mesmo:
"Ainda não acredito que Lorde Sesshoumaru teve uma cria hanyou...", o velho suspirou e Ah-Un rosnou, deitando na neve. "Isso não vai acabar bem!"
Dentro da cabana, na privacidade dada sabiamente por Jaken, Rin despiu a parte superior do quimono de Hyrin, exibindo a brutal abertura causada pela espada do assassino. A humana sentiu o estômago embrulhar e o coração se contorcer no peito, mas manteve-se firme e despejou o líquido no buraco da ferida.
O silêncio reinava entre os dois, e Rin estava pouco disposta para quebra-lo.
Sesshoumaru observava a mulher amada tapar a ferida com algumas ervas e curativos, talvez para intensificar e apressar a ação da poção.
Foram quarenta minutos mergulhados no mais fúnebre silêncio. Sesshoumaru, como esperado do youkai que era, não abriu a boca e não expressou nada do que estava sentindo. Ele mesmo tinha um pouco de dificuldade para digerir o que sentia, por isso evitava causar qualquer impressão à Rin.
- Obrigada. – disse ela num fio de voz.
Sesshoumaru não respondeu.
. . .
Passou-se uma semana desde o ocorrido, e algumas mudanças no corpo da hanyou já podiam ser notadas. A cor de sua pele estava ligeiramente mais corada, e os arroxeados de seus dedos estavam gradativamente sumindo. A respiração da jovem lentamente ia se estabilizando, e nem Rin e nem Sesshoumaru precisavam ficar vigilantes o tempo todo.
Em uma manhã, mais quente do que o esperado para aquela época do ano, Rin saíra com uma pequena cesta para colher ervas e alimentos para quando Hyrin acordasse. Seus instintos maternos diziam que este dia não tardaria. A humana era seguida de perto por Jaken e Ah-Un, o youkai sapo tagarelando como sempre.
- ... E tudo issso graçasss ao grande Ssessshoumaru-ssama!
Rin sorria um pouco enquanto ouvia o antigo companheiro.
- Sesshoumaru andou por tantos lugares, então, Jaken-sama?
- Ssempre insspecionando ssuas terras.
Rin ficou um pouco em silêncio, olhando fixamente para frente:
- Sango-san? – sussurrou.
Logo a exterminadora de Youkais apareceu com sua gata-youkai Kirara. Diferente da última vez que a viu, ela não estava acompanhada do marido Miroku.
- Ah, Rin-chan! – ela lhe sorriu, descendo das costas de Kirara. – Eu estava mesmo procurando por você. Soube do que aconteceu...
Rin exibiu um sorriso triste, ao que Sango continuou falando:
- Lamento não ter podido vir ajudar, mas Kagome-chan esteve um pouco adoentada, e não era bom deixa-la só...
- Adoentada? – Rin preocupou-se.
- Ah, mas ela já está melhor. Conseguimos trazer seu irmão, Souta, pelo poço come-ossos e ele conseguiu ajuda-a.
Rin, há alguns anos, ouvira dos lábios de Kagome que o irmão mais novo estava se tornando uma espécie de curandeiro em seu mundo. O nome era "médico", se ela não estava enganada.
- Que ótimo! – disse a jovem miko.
Só então Sango pareceu notar Jaken e Ah-Un:
- Jaken...? Isso significa que... Sesshoumaru está aqui?
Os olhos de Rin ficaram um pouco opacos, mas ela tentou ignorar:
- Está sim. E Hyrin está melhorando logo... E a vila? Como estão Sakura, Yukiko e Setsuna?
Sango e Miroku tiveram filhas gêmeas, enquanto Inuyasha e Kagome tiveram um menino, os três um pouco mais velhos que Hyrin. Logo a exterminadora exibiu um sorriso:
- Estão bem. Setsuna está começando a dar trabalho para Kagome-chan – riu.
- Hanyous machos sempre causam problemas nessa idade. – Rin acompanhou a risada da amiga.
As humanas conversaram por bons minutos, para tédio de Jaken. Sango declinou o convite de Rin, alegando com sinceridade que não queria encontrar com Sesshoumaru. Rin compreendeu, afinal, o Daiyoukai não escondia de ninguém o quanto odiava os humanos.
Depois de Sango entregar para a amiga uma boa cesta com alimentos especialmente colhidos para ela, Rin voltou para sua cabana, encontrando Hyrin numa posição diferente no futton a qual fora deixada.
- Ela move-se sozinha. – disse uma voz forte atrás de si, que logo reconheceu como Sesshoumaru. Este trazia consigo uma boa caça. Rin sentiu o rosto corar com a preocupação exibida pelo... youkai.
- É um ótimo sinal. – disse ela. – Ela está apenas dormindo, a esta altura...
Sesshoumaru nada disse. Ordenou a Jaken que preparasse a refeição e o servo prontamente foi atender. Quando ficaram a sós, Rin sussurrou:
- Arigatou, Sesshoumaru.
Ele nada disse. Seus olhos focaram-se na hanyou adormecida.
O dia transcorreu quase sem nenhum diálogo após a refeição. Sesshoumaru mantinha-se afastado da cabana, próximo à um lago, meditando. Rin não deixou mais a filha sozinha.
A noite caiu, revelando a lua cheia entre as nuvens e o céu negro salpicado de estrelas. Como sempre, Rin estava sentada na porta de sua cabana, com os olhos fixos no céu, perdida em pensamentos. Tinha este costume desde criança, mas tornou-se um hábito rotineiro desde a partida de Sesshoumaru. Ela suspirou, apertando as mãos e assoprando-as logo depois.
- Ficará resfriada.
- Estou bem, Sesshoumaru.
O silêncio reinou entre eles, até que Rin permitiu escapar uma lágrima ao lembrar de acontecimentos passados:
- Por que você foi embora?
Sesshoumaru desviou o olhar para a alta lua no céu antes de dizer:
- Este Sesshoumaru tinha deveres pendentes para com as Terras do Oeste.
- E uma humana mancharia a reputação do seu clã. – constatou ela.
- Sim. – ele não mentiu.
Ela mordeu o lábio e conteve as lágrimas, sussurrando:
- Então por quê não volta para lá, junto de sua companheira youkai e de seus filhos youkais?
- Porque eles não existem.
Ela apertou os olhos e finalmente encarou Sesshoumaru. Ele continuou a dizer:
- Quando Hyrin se reestabelecer, vocês virão comigo para as Terras do Oeste.
Pega de surpresa, Rin se levantou e encarou o youkai nos olhos da melhor forma que podia naquele momento:
- Não iremos. Agradeço, mas eu e minha filha estamos bem por aqui.
Os olhos dourados se estreitaram:
- Ainda que não seja uma youkai completa, o meu sangue corre nas veias de Hyrin. Ela terá a educação e treinamento como herdeira do clã Taishou.
Rin fechou os olhos e respirou profundamente. Então era isso. Ele, ao seu modo, parecia estar aceitando a condição de pai. Contudo, seria errado de sua parte aceitar aquele "convite", visto todo o sofrimento pelo qual passou ao longo daqueles anos.
- Se for o desejo dela, não farei objeções. Mas eu não irei. – declarou a humana num tom de voz que indicava o fim daquele assunto.
Voltou ao interior da cabana e gritou ao encontrar os olhos de Hyrin abertos.
Reviews? *-*
