Primeira temporada
Episódio 04
"Sobre embrulhos e bolos"
...
O dia amanhece bonito, com um céu que mais parecia o hino do Brasil, risonho e límpido. A data era a véspera de aniversário de Saori Kido e, consequentemente, seu inferno astral. A senhorita se encontrava onde tudo acontece: na clássica sala dessa Fanfic, no melhor estilo Sai de Baixo.
- Amanhã eu completo mais um dia de vida. – Resmungava Saori para si, andando de um lado para o outro na sala – E qual a vantagem? Entra ano sai ano eu sou raptada e ameaçada de morte.
- Me agradeça por cada aniversário que você comemorar – Disse Aioros, entrando no local.
- AIOROS! – Gritou Saori. – Que susto! Você quer me matar do coração?
- Haha – riu-se Aioros. - A última coisa que eu quero é te matar.
- Se você não sumir daqui EU é que vou te matar! – Esbravejou Saori.
- Saori, pelo amor de Zeus. Você não conseguiu nem escapar de um jarro gigante e quer me matar? Me poupe – Comentou Aioros, sentando no sofá.
- Querida Saori! – Berrou Saga, entrando na sala – Vim desejar-vos-lhes-ei... um feliz aniversário.
- Meu aniversário é só amanhã. Hoje é meu inferno astral.
- E você ainda acredita nessas coisas de horóscopo? – Perguntou Saga, sob o olhar confuso e indignado de Saori. – Saori, Saori. Estou preparando tudo para seu aniversário. Comprei salgadinhos, um bolo e até contratei um palhaço, o Aioros.
- E desde quando você tem dinheiro pra tudo isso? – Perguntou Saori.
- Eu não tenho. Roubei o cartão de crédito do meu irmão. – Explicou Saga.
- ATENA! – Entrou um escandaloso Afrodite. – Parabéns!
- Mas será possível?! Meu aniversário NÃO é hoje!
- Não? Ih, então perdeu. Comprei um batom lindíssimo pra senhorita, mas não vou poder dar mais. A gente precisa dar o presente antes que vire passado, né! – Disse Afrodite, sob suspiros de Saori – Eu ia comprar uns esmaltes pra dar pra senhorita, mas o Miro rouba tudo pra passar naquela unha enorme dele.
- Não precisa me dar nada, Dite, não se preocupe – Sorriu forçadamente Saori.
- Mas é claro que não. Já não basta eu que te dei a vida? – Levantou-se Aioros.
- Joga! Joga na cara! – Enfrentou Saori. – Não me tirem do sério ou vou mostrar meu báculo!
- A senhora tem báculo? – Respondeu Aioros – Com essa carinha tão feminina... Realmente as aparências enganam.
Saori apenar revirou os olhos e resolveu sair dali antes que mais alguém aparecesse para confundir seu aniversário.
- Quer saber? Eu também vou sair daqui – Disse Saga, se retirando.
- Bom dia – Entrou Camus, de cara fechada, acompanhado de Miro, que também deu bom dia – Aioros, hoje não é aniversário de Atena?
- Nã... – Quase respondeu Aioros, mas fez uma cara de quem ia aprontar algo – Digo, é sim. Ela acabou de sair por ali, Camus.
- Ok – Disse Camus – Ainda bem que é aniversário dela. Estou morrendo de vontade de comer um bolo. – E saiu.
- Aioros! Tive uma ideia! – Comentou Miro, virando-se para o amigo.
- Bem que eu senti um cheiro estranho.
- Calado. Venha comigo que eu te explico no caminho – Respondeu Miro.
- Aonde vamos?
- A uma padaria!
E ambos saindo, com Miro rindo, deixando Afrodite sozinho na sala.
- Gosto tanto de festa de aniversário. – Disse Afrodite, pensativo, sentando-se no sofá - Os convidados... O bolo... Aquele casalzinho que todo mundo coloca em cima do bolo... A valsa... O vestido branco da aniversariante...
- Isso é festa de casamento, seu energúmeno. – Disse Aldebaran, entrando na sala.
- E qual a diferença? Tanto no casamento quanto aniversário você fica um pouquinho mais perto de morrer. – Comentou Afrodite.
- Que horror, Dite. – Então Aldebaran sentou-se do lado de Afrodite, deixando algumas sacolas à mostra.
- Que isso? – Perguntou Afrodite, curioso, já pegando as sacolas.
- Nada! – Aldebaran tentou tirar as sacolas da mão de Afrodite, em vão.
- Meu Zeus! O que é isso? – Disse Afrodite, olhando – É catálogo da campanha do agasalho?
- Hã?
- É sim, essas mulheres tão todas nuas, coitadinhas! Alguém tem que doar um casaco pra elas! – Comentou Afrodite, aflito.
- Não é nada disso, Dite. Agora passa isso pra cá – Disse Aldebaran, pegando de volta suas revistas. – Dite, eu só vou tomar uma água e já volto. Enquanto isso tome conta desses embrulhos e não deixe ninguém pegar, ok?
- Ok – Respondeu Afrodite.
No momento seguinte, Aldebaran sai da sala e Afrodite, sem querer, derruba os embrulhos do amigo no chão. Então abaixa-se e começa a recolher tudo que havia derrubado. Nesse instante, Saga entra na sala, sem perceber a presença de Afrodite.
- Voltei – Disse Saga, entrando – Finalmente serei como um lutador de caratê profissional e darei um golpe de mestre! Um milionário acha que tenho em mãos os papeis para vender muitos alqueires de terra. Ele vai comprar pra construir um shopping. Mal sabe ele que é tudo falsificado! Agora é só conseguir a assinatura dele e eu estarei rico. Mas antes preciso ir ao banheiro – Conspirou Saga, aparentemente sozinho, enquanto saía para o banheiro e deixava um embrulho muito semelhante ao de Aldebaran em cima da mesa.
- Gente, que horror! – Disse Afrodite, espantado – Ele vai dar um golpe! E se machucar o homem?
- Dite, passe meus embrulhos pra cá, por favor – Disse Aldebaran, voltando à sala. Ele então pega o que era seu e sai do local.
- Grande Dite! – Sorriu Miro, entrando na sala com Aioros, e segurando um bolo. – Precisamos de um favor seu.
- Qual? – Perguntou Afrodite, receoso.
- Quando o Camus voltar, entregue esse bolo pra ele, sim? – Pediu Miro, enquanto saía da sala com Aioros.
- Mas não diga que nós entregamos. Tem um bilhetinho aí. Deixa que o Camus leia. – Comentou Aioros, antes de sair.
- E se o Afrodite ler? – Perguntou Miro.
- Ele lá sabe ler? – Respondeu Aioros. Antes de sair, ele lembrou-se e comentou com Afrodie – Dite, você iria adorar a padaria. Eles vendem tudo que você gosta de comer. Baguete e rosquinha. – Disse Aioros, rindo, e saindo com Miro.
- Aaai que delícia! – Respondeu Afrodite.
No momento seguinte, Saori entra com um bolo exatamente igual ao comprado por Miro e Aioros.
- Dite, você viu o Saga por aí? – Esbravejava Saori. – Ele me deu esse bolo barato de confeitaria e agora eu quero dar um fim nisso. E hoje nem é meu aniversário!
- Ah... – Começou Afrodite, confuso – Acho que ele foi por ali.
- Dite, meu bom amigo – Entrava Camus – Você está segurando um bolo! Eu estou com muita vontade de comer bolo.
- Esse bolo é pra você mesmo! – Afrodite entregava o bolo a Camus – E tem um bilhetinho, ó.
- Pra mim? – Disse Camus, abrindo o bilhete. – "Caro Camus. Este bolo é presente de uma admiradora secreta aqui do Santuário. Prepare-se porque eu estou apaichonada por você!". Ah, meu Deus!... A minha admiradora secreta é analfabeta! Escreveu apaixonada com CH. Dite, vou me arrumar para minha pretendente. Já volto. – Disse Camus, que saiu correndo da sala.
Nesse momento, Saga passa pela sala e leva seus próprios embrulhos, resmungando para si, de forma que Afrodite não entendeu nada.
- Gente... Eu to mais perdido que rico em favela. – Comentou para si Afrodite, rodando sem saber o que fazer. – Uma hora eu rodo pra cá, outra pra lá, to parecendo um catavento. Vou é dar o fora daqui. – Disse, saindo, com o bolo em mãos.
- SAGA, CADÊ VOCÊ? – Gritava Saori, entrando na sala – Mas eu juro que acabei de ver aquela peste! EU QUERO ELE AGORA!
Enquanto Saori gritava sua última frase, com um bolo em mãos, Camus entrava no mesmo instante, em choque – mas logo se recompôs e foi de forma galanteadora até Saori.
- Querida Atena... Sempre achei que você tivesse uma queda por Seiya, e não por mim. Mas chega de segredos – Disse Camus, puxando a deusa para perto de si – Podemos nos amar sem medo.
- Que isso Camus, tá doido? – Disse Saori, empurrando o cavaleiro – E que cheio é esse? Você passou Bom Ar?
- Acabou meu perfume, era o que tinha em casa. – Disse Camus, se cheirando envergonhado.
- E que história é essa de me amar?
- Foi você que começou! Ta aí com o bolo que me deu, tinha um bilhetinho e tudo! É, não vem não!
- Quem me deu esse bolo foi Saga, e não tinha bilhetinho nenhum! – Explicou Saori.
- HAHAHAHA! – Eram Miro e Aioros, que entraram rindo. – Pregamos uma peça em você. – Riu Miro.
- E não foi difícil! Como diria Afrodite, pra pregar a peça em você a gente não precisou nem de martelo! HAHAHA! – Ria Aioros.
- Oras, seus!... – Esbravejou Camus.
- Parem vocês! – Espumou Saori. – Quem se mexer eu faço engolir esse bolo. E não vai ser pela boca!
- Ninguém se mexe! – Entrou Saga, feito uma ventania – Quem foi o engraçadinho que trocou meus papeis por revistinhas de mulher pelada?
- Agora eu não tenho nada a ver com isso. Imagina, ficar aí doando revista de mulher pelada à toa. Eu teria guardado pra mim – Riu-se Aioros.
- Que horror, Aioros – Resmungou Saori.
- Não, horror é quando você vai abrir a página e ela tá colada. ISSO é horror! – Comentou o cavaleiro.
- Nem mais uma palavra, Aioros! – Disse Saori, fumegando pelos olhos.
- Posso saber – Era Aldebaran que agora esbravejava ao entrar na sala – quem foi o infeliz que fez com que eu me trancasse no banheiro com um monte de apólice de construção?
- Passa isso pra cá – Disse Saga, puxando os embrulhos da mão de Aldebaran, e revirou alguns papeis ali dentro – Deba, porque MESMO ASSIM os papeis estão colados?
- Na falta de imagem eu usei minha imaginação – Respondeu o cavaleiro, fazendo com que Saga jogasse tudo no chão.
- Que baixo nível. Eu, uma dama, tendo que ouvir tudo isso. Vocês não tem vergonha? – Disse Saori, em um tom de bronca, enquanto todos abaixavam a cabeça.
- Vergonha eu até tenho, o que eu não tenho mais é minhas revistas – disse Aldebaran, de cabeça baixa.
- E a festinha de Atena? – Comentou Saga, reanimando a todos.
- Meu aniversário. Não. É. HOJE! – Esbravejou Saori.
- Hoje é dia dois de setembro, não é? – Perguntou Saga.
- Sim, é. – Respondeu Miro.
- Hoje... é dia dois? – Perguntou Saori, com a voz bem baixinha.
- SIM! – Berraram todos, que começaram a sair da sala.
- Parabé— Ei, onde vocês vão? É meu aniversário! Voltem aqui! – Pedia Saori, enquanto todo mundo já tinha saído. – Parabéns... Ah, quer saber, eu vou é comer esse bolo sozinha.
FIM
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Episódio 05
"O amor dói porque o Cupido usa flechas"
Sinopse: Saga nota que seus amigos fazem drama demais por qualquer coisa e resolve tirar proveito disso. Ele propõe que todos façam parte de um teatro e cobrem os ingressos. Quando os ensaios começam, nem todo mundo topa, mas ainda falta um personagem. É quando um cara bonitão – chamado Eros – fica perdido nas redondezas do Santuário, e Saga resolve colocá-lo na peça no papel de Cupido. De repente, todos começam estranhamente a morrer de amores por Eros. Quando caem em si, os cavaleiros começam a achar que ele é o próprio deus do amor e ficam com medo de atitudes que consideram... "estranhas" pros padrões morais masculinos. E aí começa a confusão.
