Bem, eu já tinha escrito esse capitulo e tenho mais dois prontos.
Mas não sinto vontade de os pôr.
Mas acho que no fundo deve haver alguém por aí lendo, podiam aproveitar e comentar, não é?
Boa leitura...
Capitulo 3
"Um mês e o plano vai dar frutos. Espera um mês e verás."
Isto foi tudo o que disse depois de eu o desafiar. Nem imagino que já estou tão perto de conseguir algo que quero desde que aqui entrei. Já só falta um mês para tudo ter o seu rumo. Espero que o plano dele corra como ele quer. Se não vou ter de o aturar quando falhar. E não quero estar lá caso isso aconteça.
Bem, tenho de ir para a próxima aula, acompanhado sempre por eles, é claro. Mas isto até que nem é mau. Gosto de alguns momentos a sós, mas a companhia deles só faz bem. Se não tivesse conhecido um deles quando andava nas compras para a escola muito provavelmente nem nos conhecíamos. Porém como somos da mesma equipa e do mesmo ano isso provavelmente acabaria por acontecer.
Se bem que só há realmente alguém de quem me quero realmente aproximar. Mas agora não é o momento mais indicado. O dia está a chegar. E aí sim irá finalmente acontecer o que eu realmente queria desde o início. Mas as circunstâncias ainda não se proporcionaram. Está quase, já faltou mais.
...
Um mês dissera ele. Realmente num mês mudou tudo. Nem eu queria acreditar quando vi aquela cena. Só de pensar que um de nós, um dos alunos do primeiro ano tinha conseguido algo assim foi estranho. Mas saber que foi ele é reconfortante. Que ninguém consiga ler os pensamentos mas foi o que achei. Não devia, mas foi mais forte que eu. Estava um pouco feliz por estar a acontecer, mas algo tinha de estragar tudo. Se bem que acho que fui eu que comecei mal as coisas. Se tivesse sido de outra maneira isto teria acontecido mais cedo. A verdade ainda está para vir e se verá que tudo tem explicação. Espero que perceba a minha versão. E que a aceite.
Vou ter de ver se tudo correu como planeado. Espero que sim. Não consigo esperar mais.
- Aqui está a poção. Só falta... - disse o prof. Snape.
- Sim eu sei. Eles foram tratar disso.
- E depois como lá entras? - pergunta ele.
- Entrar é fácil. O difícil vai ser sair sem me descobrirem.
- Se fizeres as coisas direitas dificilmente perceberão.
- Ok professor, eu sei disso. Já estive a observar e sei como devo fazer.
- Então só falta mesmo o último ingrediente. - afirma o professor.
- A poção está completa. Aí veem eles com o que resta. - ouve-se passos apressados na nossa direção. E começo a ver o vulto deles. - Sempre conseguiram o que vos pedi?
- Sim, aqui está. Tratamos-lhe bem da saúde.
- Está guardado? – pergunto-lhes enquanto meto o que me trouxeram no frasco. A poção muda rapidamente de cor. Passa de um verde para algo avermelhado.
- Sim, e nem sabe o que lhe espera.
- Ótimo. Agora já posso concluir tudo. Sabem o que precisam de fazer agora certo?
- Sim vamos fazer tudo direitinho.- e dito isto voltam a ir para o sítio de onde vieram.
- Toma cuidado. - diz-me o professor com cara de preocupado.
- Não se preocupe. Vai tudo correr bem. Tem de correr.
E assim bebo aquela poção com aspeto avermelhado. Tem um sabor estranho. Parece demasiado doce, como se fosse feita só de guloseimas e chocolate. Olho para o espelho e vejo as mudanças a acontecerem. O cabelo fica um pouco mais comprido, desalinhado e ruivo. Aparecem umas sardas na minha cara, entre outras coisas. Completada a transformação, visto o uniforme de Griffindor e estou pronto. Se o meu pai soubesse deserdava-me já.
Digo adeus ao professor e ponho-me a caminho. Quando estava prestes a chegar ao quadro da Dama Gorda alguém me bate nas costas.
- Então Ron, estás surdo ou quê? - diz-me nada mais nada menos que o Harry Potter. Finalmente a minha oportunidade de falar com ele sem ser de forma arrogante chegou. Estou tão contente que nem disse nada.
- Oh Ron, precisas de uma lavagem de ouvidos é? - perguntou o Harry ao mesmo tempo que me batia devagar na cabeça.
- Não preciso. Ouço muito bem, obrigado. - digo de forma arrogante. Ups, tenho de mudar a minha forma de falar. Se não toda a gente vai reparar que não sou o Ron Weasley.
- Hei calma lá. Só te perguntei na brincadeira. Quase que parecias aquele estúpido do Malfoy. Por falar nele, viste a cara dele quando eu entrei no campo? Estava a olhar para todo o lado e só o encontrei mais tarde no jogo. Queria ter visto a expressão dele. Não deve ter ficado com uma boa cara.
- Não me lembro de o ver. - digo de forma rápida.
- Acho isso um pouco estranho. Tu até disseste que ias gravar o momento para a tua vida. Mas pronto, conhecendo a tua memória não é de estranhar. Já nem te lembras que temos de ir estudar para a biblioteca?
- A que propósito? Tu nem gostas de estudar!
- Vê-se mesmo que hoje não dás uma para a caixa. A Mione convidou-nos de forma demasiado explicita a ir estudar com ela. Lembra-te que ela ainda está um pouco chateada contigo por me teres ensinado Quidditch e de eu ter entrado na equipa devido à tua ideia. Ainda bem que não lhe disseste os verdadeiros motivos de eu querer jogar. Agora essa de ser para as pessoas deixarem de me ver com o rapaz que sobreviveu saiu-te um pouco mal. Ao menos não disseste que era para tirar aquele sorriso de idiota da cara do outro. Pensei mesmo que te ias descair.
Dito isto fico a olhar para ele boquiaberto. Isso quer dizer que ele só entrou por minha causa? Nunca me senti tão... Nem sei bem descrever. Quer dizer que indiretamente o levei a entrar para a equipa?
- Oh Ron acorda. Se não daqui a bocado aparece aí a Mione a levar-nos pelas orelhas para estudar.
- Ok, vamos lá. Tem mesmo de ser não é?
- Pois é. Despacha-te molengão.
E pega na minha mão e começa a correr arrastando-me com ele. Só tenho a dizer que isto correu melhor do que eu esperava para um primeiro impacto. Já fiquei a saber de algo bastante interessante, no meu ponto de vista.
Com tantos devaneios nem me apercebi que já tínhamos chegado à biblioteca. E ele empurrou-me até onde estava a criatura que ele tinha falado antes. Eu dispensava-a perfeitamente. O meu plano era estar perto do Harry. Não era ter de a levar por tabela.
- Oh que azar. Logo hoje que até tinha alguma vontade de estar aqui. - murmurou ele mal nos sentamos na mesa perto da janela. Não é propriamente o lugar que prefiro. Gosto mais de um dos cantos escondidos daqui. Está lá sossegado e regra geral ninguém me chateia lá.
- O que se passa? - pergunto eu.
- Vê só quem está ali. - disse revirando os olhos. Olho para lá e a cena que vejo é estranha, na minha perspetiva claro. Para as outras pessoas deve ser normal. - Está ali o Malfoy e o seu rebanho. Sim que ele parece um pastor que anda a passear as suas ovelhas. Oh Mione, o Goyle não te parece estranho?
- Oh Harry, eu não estou interessada nisso. Agora estuda e está calado. Estudem os dois aliás, que o Ron está aí parado, parece que nunca viu nada.
- Ele hoje anda meio esquecido. Já nem se lembrava que tínhamos de vir para aqui.
- Mas desde quando ele se lembra que tem de estudar? Vocês nesse aspeto estão bem um para o outro. São preguiçosos até dizer chega.
- Oh Mione, não é bem assim.
- É sim. Agora cala-te e estuda.
- Pronto está bem. - diz para ela. Virando-se para mim diz-me baixinho:
- Às vezes é uma chata. Aquele ali tirou-me a vontade de estudar. Não sei se te cheguei a dizer, mas ontem a snitch estava teimosamente à frente dele. Aquilo incomodou-me um pouco. Principalmente porque me distraiu um pouco.
- Porque é que te distraiu?
- Eh... Olha, distraiu. - disse gaguejando. Mas é impressão minha ou também ficou um pouco incomodado com a pergunta? - Aquela cabeça oxigenada estava a refletir demasiado o sol que eu quase ficava cego. E depois a expressão dele quando apanhei a snitch foi linda. Tirei-lhe aquele riso idiota da cara.
- Eu não tenho nenhum riso idiota. - digo frustrado.
- Não estou a falar de ti. Estou a falar do Malfoy. Onde estás com a cabeça?
- Ah desculpa, percebi mal.
- Shiu. - disse aquela desmancha-prazeres.
- Bem vamos estudar. Tu hoje não dás nenhuma para a caixa Ron.
E dizendo isto abre o livro da aula de Defesa Contra as Artes das Trevas e começa a ler. Já eu, estava sem cabeça para ler o que quer que fosse. Só pensava em analisar tudo o que ele me disse.
E a primeira coisa que me apercebi é que ele fez de propósito para entrar no jogo com o objetivo de me irritar. Quando o que fez foi precisamente o contrário. Lembro-me que assim que ele entrou em campo eu fiquei surpreso. Não estava à espera, aliás ninguém estava. Mas a seguir o que pensei foi que ele devia ser bom a jogar para ter entrado logo assim no primeiro jogo. E fiquei de certa forma orgulhoso. Se fosse outro aluno do primeiro ano a ter entrado no primeiro jogo da sua equipa, de certeza que ficava furioso. E na primeira oportunidade dava cabo dele. Pois, eu sou assim. Demasiado orgulhoso para admitir que alguém seja melhor que eu.
Porém há uma exceção. E ele é a razão disso. Sempre me quis tornar amigo dele, mas o problema é das companhias que ele anda. Aquele traidor de sangue e a sangue de lama não são boas companhias para ele. Já lhe disse isso, mas não me liga nenhuma. A culpa em parte é minha, se ele me tivesse conhecido primeiro não andava com eles. E talvez tivesse entrado nos Slytherin e andasse comigo e eu não teria de aturar aqueles dois. Ou seja, por eu ser como sou, por descender de uma das mais antigas famílias de feiticeiros puro-sangue, por ter aprendido a agir assim desde pequeno que não causei boa impressão à primeira. Pelo menos da perspetiva dele. Se ele soubesse...
- Hei Ron, pára de vaguear e estuda. - diz baixinho o Harry para mim.
Eu digo que vou estudar por gestos e abro o primeiro livro que me aparece à frente. Acabo por abrir na disciplina de poções. A minha preferida, mas uma pedra no sapato do Harry. Também tenho de admitir que tendo o meu padrinho como professor pode ajudar. Mas ele nunca me beneficiou, ao contrário do que todos pensam. Tentar fazê-lo, sei que tentou mas disse-lhe que não precisava. Ele é das poucas pessoas em que posso contar. Se bem que não percebi o porquê de querer saber coisas sobre a vida do Harry.
Lembro-me de quando ele foi chamado para ir ao gabinete do diretor. Mal ele saiu, o professor Snape veio ter comigo e pediu-me para ir ver o que se passava. A razão para o velho chato chamar assim de repente um aluno. E se há coisa que também não percebo é o respeito que o padrinho tem pelo velho. Mas pronto, isso é outra conversa.
Nesse dia segui o Harry e a professora até à escada em espiral com uma gárgula a guardar a entrada. Mas desde que entraram parecia que nunca mais saíam de lá. Muita coisa o velho tinha para falar com ele. Soube que não devia ser nenhum castigo, pois a professora o acalmou a esse respeito. Mas não revelou o assunto a ser tratado. Fiquei perto das escadas escondido atrás de uma estátua até que chegaram o Crabble e o Goyle que me disseram que era melhor ir para a sala. Quando estava a ir para a sala, a gárgula mexeu-se e saiu o Harry do gabinete do diretor. Estava demasiado feliz para ter saído daquele lugar. Queria saber que notícia boa o velho tinha-lhe dado para ter aquele sorriso radioso estampado na cara mas obviamente ele evitou o assunto e foi para a sala. Quando também eu lá cheguei, o meu padrinho perguntou-me se tinha descoberto alguma coisa. Infelizmente, senti-me impotente por não lhe dar essa resposta. Mas agora quase de certeza que, pensando nisso, devia ter alguma coisa relacionada com ele entrar para a equipa de Quidditch.
Já esse dia, para mim estava a ser um ótimo dia. O meu padrinho disse que a poção estava quase pronta e de tarde fui assistir ao jogo. Foi mesmo espetacular o primeiro jogo dele. A prestação dele foi incrível. E durante o jogo estava a divertir-me tanto que quase não me apercebia que ele estava a olhar para mim. Eu devia estar mesmo concentrado no jogo que nem reparei que tinha alguém a olhar para mim. Porém, não era para mim que ele estava a olhar, mas sim para a snitch que andava a pairar à minha frente. E senti um pouco de desilusão por não ser eu o alvo da sua atenção.
Depois de ele ter fintado o skeeter adversário numa jogada inteligente, veio apanhar a bola dourada mesmo à frente dos meus olhos. E eu senti orgulho por ele ter dado a vitória à sua equipa, apesar da minha ter perdido. Mas não gostei do facto de se ter gabado à minha frente. Escusava de ter dito o que disse. Ia para lhe responder que uma guerra ganha-se por uma sucessão de batalhas ganhas, não é por ganhar uma insignificante que se vence tudo, mas logo ele foi rodeado dos colegas de equipa. Os gritos de euforia de Griffindor e o facto de ele ser levado aos ombros pelos colegas impossibilitou a minha resposta.
E portanto fiquei lá sentado, a olhar para o campo. As pessoas começaram a abandonar as bancadas e eu sem me mexer. O Goyle disse que tínhamos de ir e eu dei-lhe uma resposta mesmo azeda, nada que a criatura não estivesse habituada. E mandei os dois voltarem para o dormitório, sem dar uma explicação do porquê de não ir com eles. E lá estive o tempo todo que me apeteceu. Até que me apercebi que estava a ser observado. Olhei para baixo e lá estava ele, o Harry, o homem do jogo como certamente iriam dizer mais tarde. E ele parecia que me estava a avisar que esta não seria a primeira das suas conquistas. Mas eu ainda vou conseguir o que quero, foi o que pensei na altura. Eu ainda o vou ter atrás de mim a dizer que quer me conhecer verdadeiramente. Portanto, o desafio voltou a ganhar vida. E hoje dei mais um passo na concretização do meu plano. Se tiver de ter a aparência do amigo enfezado dele por alguns momentos, assim o farei. Irei ganhar a guerra. Disso podes começar a mentalizar-te.
Com tantos pensamentos que não reparei que a sangue de lama estava a encarar-me. Apetecia-me desprezá-la mas lembrei-me que neste momento não era o Draco Malfoy, mas sim o trengo do Ron. Então apenas voltei a olhar para os livros e fingi que estava a estudar. Como é óbvio não resultou muito bem mas o Ron não é lá grande aluno por isso nem quero saber.
Olho para o relógio e apercebo-me que tenho de voltar a beber a poção se não quero ser apanhado. Então, muito silenciosamente vou até uma prateleira mais escondida e bebo a poção. Olho para a mesa de onde saí e vejo que o Harry não está lá. E mal me viro vejo-o atrás de mim. Porém, olhava para outro local, que não sei qual é, de forma desconfiada.
- Olha lá. O Malfoy não te parece estranho? - perguntou-me apontando para o outro lado da biblioteca onde estava uma cópia de mim.
- Parece-me o mesmo de sempre. - digo-lhe. Que não é o mesmo de sempre isso sei eu. Eu estou aqui e não ali. Mas isto não convém ele saber.
- Está mais pálido que o costume.
- Mas tu agora reparas nele é? Estás sempre a dizer que não o suportas.
- E é verdade. Porém ele hoje ainda não se meteu comigo nem uma vez. E está mesmo pálido. Precisa de um pouco de cor na cara. Se calhar está a fazer-lhe mal estar tanto tempo em locais escuros. Devia sair mais, apanhar um pouco de sol.
- A sério que estás preocupado com ele Harry? Nem pareces tu. - constatei. Nem acredito que ele está preocupado comigo. Não foi ele que disse que não me queria ver à frente. Então porquê esta preocupação dele?
- Eu... Eh nã... não estou nada. - gaguejou ao mesmo tempo que virava a cara para o outro lado. Realmente algo de estranho se passa com ele.
- Vamos... Vamos estudar Ron ou a Mione vai dar cabo de nós.
E dito isto dá-me um empurrão e leva-me até à mesa. Senta-se rapidamente e puxa os livros para ele. E fica a olhar para eles, da mesma forma que eu tento adivinhar o que se passa na cabeça dele.
...
Estou confuso com tudo isto. Ele não disse mais nada desde aquela cena na biblioteca. Saímos de lá em silêncio absoluto.
Fomos até ao dormitório dos Griffindor, que não tem metade do luxo que o meu, pousar os livros e pude dar uma vista de olhos ao quarto dele. Tem 4 camas, todas com cortinas e de madeira com roupas vermelhas e douradas. Fica num patamar superior à sala comum, por isso é inundada pela luz da lua, o que torna o quarto mais bonito, a meu ver. Como eu adoro o luar.
Para mim este quarto seria o paraíso só por poder olhar para a lua. No meu, apesar de todos os luxos, não consigo ter um quarto acima do chão. É tudo enfiado nas antigas masmorras e apesar de ter janelas, sabemos perfeitamente que não passa de um feitiço. Esta seria a única vantagem de dormir aqui. E poder conversar com o Harry até amanhecer devia ser melhor ainda.
- Ron vamos descer? A Mione deve estar à nossa espera.
- Ok. Vamos lá então.
Dou um último olhar à vista espetacular da lua e vou ter com ele. Será depois do jantar que deixarei de o ver. A troca entre mim e o Ron já está decidida. Será feita na casa de banho. Não queria que acabasse tão depressa, mas não posso prolongar isto por mais tempo. Quem sabe se não repito outra vez. É só pedir ao padrinho para me ajudar mais uma vez.
Bem, parece que tenho de ir agora. Disse ao Harry e à sangue de lama que ia à casa de banho e depois subia para o dormitório. E mal saí do salão e vi que não tinha ninguém perto de mim desatei a correr até ao ponto de encontro. Assim que chego lá vejo as transformações a ocorrerem em mim. Pelo menos cheguei a tempo. Ninguém me viu.
Estava então um Ron inanimado a um canto. Trocaram-lhe a roupa enquanto que eu fazia o mesmo. Acordaram o Ron e como de esperado ele não fazia a mínima ideia de onde estava. Eu respondi-lhe de forma azeda a dizer que tinha entrado ali todo desnorteado e tinha caído no chão. Ele ficou a olhar para mim não acreditando nisso, mas como tudo lhe parecia uma incógnita nem reclamou da minha resposta.
Ao sair daquele local esbarro-me com o Harry.
- Então Potter, estás a ficar cego? Ou não me digas que também tens os sentidos todos trocados como o traidor de sangue do teu amigo? Entrou por aqui adentro todo vermelho e depois espeta-se no chão mesmo à minha frente. Agora não se lembra do sucedido. Realmente, há cada uma. E hoje que até estava a ter um dia bom tinham de o estragar. - digo-lhe de forma grosseira.
Já ele parece ter rido da minha resposta. Realmente, o que se passa hoje com ele?
- Estás a rir-te de mim Potter? Isto não tem piada. Vai tratar do teu amigo, que já estou farto de o ver aos meus pés.
- O que lhe fizeste? - pergunta-me quase a gritar.
- Ah, agora eu fiz alguma coisa. Claro que tinha de ser eu o culpado, não é Potter? Muito provavelmente o teu amigo não andou bem o dia inteiro e agora eu sou o culpado. Se não reparaste em nada de estranho és mesmo tapado. Isto não deve ser nada momentâneo, de certeza. Só que passou-te ao lado e pões as culpas em cima de mim. Olha, não estou para te aturar.
E vou me embora dali. Claro que a culpa tinha de ser minha. Eu sei que é, mas ele não faz a mínima ideia. E, para ele, eu devo ser o responsável por tudo o que acontece de mal na vida dele. Há alturas que nem percebo porque me quero dar bem com ele. Devia ignorar tudo o que o meu pai e o meu padrinho dizem, contar-lhes que não me quero aproximar dele para lhes fazer a vontade.
Se eu tivesse nascido de outra família, se ele não fosse o menino que sobreviveu, se as circunstâncias fossem outras tudo seria diferente. Porém a vida não é feita de suposições. É ou tudo ou nada. Ou fazes bem feito à primeira ou pode estar quase tudo estragado. Ainda hei-de conseguir com que ele venha atrás de mim. Com que confie em mim e que necessite de mim para algumas coisas. Isso irá acontecer. Ele virá a pedir-me desculpas por me considerar culpado de tudo o que lhe acontece de realçar, só as coisas más, se lhe fizer algo de bom, nem irá desconfiar que fui eu que o fiz.
E volto a pensar em como é que eu próprio quero ser amigo dele. Por sermos ambos pessoas consideradas inalcançáveis? Por podermos ter o mundo aos nossos pés, bastando só o querer? Por termos ambos infâncias conturbadas?
Pois apesar de ter nascido num berço de ouro, como costumam dizer-me, a minha vida não foi fácil. Sempre a ter de ser o melhor em tudo, a ter de aprender a todo o custo as tradições antigas da família Malfoy, a ser criado para continuar o vasto reinado, por assim dizer, dos meus antepassados. Isso não é tarefa fácil para uma criança que gosta de brincar ao sol, fazer amigos, ter, de um momento para o outro, se esconder nas sombras, suportar o frio que o seu coração tem de ter, afastar-se de toda a gente, só para seguir as tradições de família.
Se o laço entre mim e a minha família se quebra, não há volta a dar. Serei renegado para sempre, e a minha descendência também. Ainda por cima sou o primogénito da família Malfoy, mais responsabilidade me caem em cima. Pois tive uma vida fácil tive.
Sentado na minha cama a olhar para a falsa janela penso em tudo isto. Em como somos parecidos em alguns aspetos, mas tão diferentes noutros. Em como quero ser amigo dele, mas ao mesmo tempo estou a ponto de o esganar. Neste momento, eu só quero que ele se aperceba que não só vem coisas más de mim. Quero que se aperceba de quem eu sou realmente. Só assim me poderá avaliar de forma correta.
Evidentemente que o vou fazer engolir tudo o que disse de mal a meu respeito, sem realmente me conhecer. Só espero que esse dia chegue depressa. Já estou farto da escuridão que paira na minha vida. Por uns momentos, gostaria de poder usufruir um pouco da luz que talvez ele me possa entregar.
N/A
Bem mais um capítulo para lerem.
O que acharam? Digam alguma coisita.
Se quisserem que eu coloque outro casal na fic é só dizer.
Para já, para além do Harry e do Draco tenho mais 2 casais.
Mas se quiserem alguém digam e pode ser que eu coloque.
Até ao próximo (quando me apetecer postar) ou se receber feedback do vosso lado, será mais rápido.
Beijinhos,
Psique0
