Bem apesar de não ter nenhum feedback de ninguém daqui -.-' decidi voltar a pôr mais um capítulo.
A ver se é desta que comentam...
Boa leitura (caso haja alguém a ler)
Capitulo 4
Desde o jogo de Quidittch que, de certa forma, os meus dias mudaram. Pois agora para além de ter os típicos fãs que já tinha, tenho de aturar uma legião feminina. Isso até podia não ser má ideia, segundo o Ron devia ter feito isto mais cedo, mas não gosto de ter raparigas aos guinchos atrás de mim.
Tenho uma certa saudade dos dias mais sossegados. Agora já só falta ter um clube de fãs, visto que já andam atrás de mim.
Para o Ron, eu agora estou no paraíso com todas estas raparigas. Mas também ele anda estranho ultimamente, já nem ligo ao que ele diz. Ontem nem parecia ele. Desapareceu por um bocado e, depois de o procurar por todo o lado, vou encontrá-lo perto do retrato da Dama Gorda completamente desorientado. Não se lembrava que tínhamos de estudar (também, desde quando ele se lembra...). Mas mesmo assim estava estranho. E como se não bastasse, à noite saiu disparado do jantar sem dizer grande coisa.
Fui atrás dele preocupado com o que se pudesse ter passado com ele, e vi-o entrar na casa de banho. Quando estou prestes a lá chegar, esbarrei-me com o desgraçado do Malfoy. E este disse-me que o Ron entrou por ali dentro a correr e caiu-lhe aos pés. E, ainda por cima, o Ron não se lembra de nada. Tentei levá-lo para a enfermaria mas não o consegui levar. Disse-me que sabia o que se passava e só precisava de descanso. Então, tratei de o levar para o dormitório. Mal chegou ao quarto atirou-se para cima da cama e começou logo a ressonar. Típico dele.
Ontem quem também não estava bem era o Malfoy. Enquanto estive na biblioteca nem um insulto obtive da parte dele. Achei tão estranho que nem conseguia estudar. Até comentei com o Ron que ele estava diferente. Se calhar devia apanhar mais sol para ter um melhor aspeto. E o Ron ainda me acusou de estar preocupado com ele. Eu não estava nada preocupado. Nem quero saber dele. Só o achei estranho...
E depois de um dia inteiro ignorando-me, quando o encontrei na casa de banho começou, mais uma vez, a insultar-me. E eu só me ria, a pensar que este sim era o Malfoy que eu conheço. E depois vira-me as costas como se nada fosse. Digo que o Malfoy estava diferente. E ninguém me ligou nenhuma.
A sério o que anda a passar-se por aqui. Ou é o Ron que anda maluco e não sabe o que faz, ou é o Malfoy que anda estranho.
Bem vamos mas é saber afinal o que o Ron tinha. Pelo menos o apetite voraz dele voltou.
- Ron o que se passou contigo ontem?
- Isso foi nham nham... Já tive vários nham nham...
- Ron, pára de mastigar enquanto falas. A comida não vai desaparecer neste exato momento.
- Bem Harry, não contas à Mione, certo?
- Ok, eu não conto.
- O que se passou, nem eu sei bem.
- Então, não me disseste que sabias?
- É difícil de explicar. Acontece algumas vezes por ano, um dia eu pura e simplesmente apago e faço coisas que não me lembro depois.
- Mas isso é estranho.
- Pois é. Mas não sei como isto pára.
- Porque não vais ao médico?
- Isto não é um problema médico. Já lá fui e eles dizem-me que na certa eu estava bêbado porque acontecia sempre a seguir a grandes eventos de festa. Por isso já nem vou lá. Os gémeos estão sempre a gozar comigo, quando isso acontece.
- Mas não há nada que possas fazer para mudar isso?
- A minha mãe diz que passa com a idade. E espero bem que sim. Mas não digas nada a ninguém, ok? Nem mesmo com os meus manos. Não quero ser gozado outra vez.
- Já te disse que não te dizia nada.
- Ah, não sei se já te disse, mas o Malfoy não demonstrou grande surpresa, ou qualquer outra coisa, quando tu entraste em campo para jogar.
- Isso já me tinhas dito.
- Ai já? Não me lembro.
- Pois mas se te lembrasses de alguma coisa...
E começamos os dois a rir desalmadamente. Entretanto chegou a Mione e ficou a olhar para nós como se fossemos malucos. E em parte até somos.
Nesse instante entra também o Malfoy no Salão, acompanhado sempre pelos outros dois. Dirigiu-me o olhar durante breves segundos e depois faz uma cara como se tivesse comido algo estragado e dirige-se à sua mesa. Ao que parece, hoje voltou tudo ao normal.
...
Mais uma aula de poções. A normalidade voltou com a carga toda. O Snape parece que engoliu sapos ao almoço. Nem sei como é que alguém o atura. Ainda por cima temos de fazer a poção individualmente. Algo me diz que isto é apenas a ponta do iceberg.
Como se não fosse mau o suficiente estar sem a companhia do Ron para conversarmos ainda tenho o Malfoy perto da minha bancada. Sinceramente, nem sei como ele aguenta esta aula. E parece que a poção está a correr-lhe bem. É o que dá ter o padrinho a dar a aula de poções. Já à Mione, também parece estar a correr bem. Mas o que é que não lhe corre bem?
- Atenção está a passar o último ingrediente pelas bancadas. Vejam lá a forma de o administrar e não cometam erros se não é um desastre. - avisou o Snape no momento em que entrega o ingrediente ao primeiro aluno.
Bem a minha vez ainda falta, por isso vou ver se consigo acabar tudo a tempo antes de chegar o frasco. Já puz a raiz de sabugueiro, as pernas de rã também. Preciso de partir aquelas sementes de girassol e acrescenta-las. Depois só falta o ingrediente que anda a passar pela sala.
Estava eu a acrescentar as sementes, quando aparece uma mão à minha frente. E, em vez de reparar no frasco que a mão segurava, só conseguia reparar que era uma mão bonita. E, não sabendo o porquê, fiquei a apreciar. É um bocado parvo, eu sei, mas nunca tinha visto nada assim. A pessoa que tem esta mão deve ser bonita, foi o que estava a pensar. E, estando eu nestes devaneios, vejo o frasco a abanar. A pessoa que me deu já devia estar farta de o segurar. Ia a agarrar no frasco e, sem querer, acabei por tocar na mão que o segurava. E reparei que a mão estava fria, mas que era sedosa ao toque. E fiquei um pouco desiludido quando a mão saiu do meu campo de visão. Olhei para todos os lados, mas ninguém estava a olhar para o meu lugar, e não consegui descobrir de quem era aquela mão bonita e gélida.
- Sr. Potter, vai demorar muito a dar-me o frasco? Não tenho o dia todo, sabe. - falou o Snape.
Apercebo-me que devo ser o último aluno a usar o ingrediente e deito a quantidade certa no caldeirão entregando-lhe o frasco em seguida. Ele, com um gesto de varinha, põe o frasco na despensa. E eu volto a olhar para a minha poção e começo a mexer. À terceira volta, a poção fica, de repente, roxa e era suposto ficar rosa clarinho. Olho para o lado e vejo o Malfoy a rir-se de mim. Olho para a poção dele e está da cor que é suposto estar. E não percebo onde é que errei.
- Realmente Potter, nunca fazes nada direito.
A poção começou a borbulhar, fazendo bolhas cada vez maiores e eu sem saber o que fazer. Houve uma que foi tão grande que quando rebentou encharcou-me todo.
- Dez pontos a menos para os Gryffindor. Isso é coisa que se faça Sr. Potter? - perguntou-me o Snape. - Acho que as instruções que dei eram bastante claras. Não deve ter posto tudo direito, só pode. Quando me deu o último ingrediente estava tão distraído que se deve ter enganado.
E mal diz isto o Malfoy começa a rir com mais vontade. Não me digas que me deram o ingrediente errado. Eu coloquei a dose certa isso tenho a certeza.
- Devem ter-me dado o ingrediente errado professor. Pois eu coloquei a dose certa.
- Está a acusar um dos seus colegas é isso Potter?
- Eu não sei quem me deu o frasco, mas tenho a certeza que me deram o errado. Ou enganaram-se ou foi de propósito.
E disto isto o Malfoy volta a rir-se. Não me digas que ele tem alguma responsabilidade com esta troca. Mas não sei quem me deu...
- Sr. Potter, foi o único a ter péssimo resultado nesta poção. Até o seu amiguinho teve um melhor resultado.
Olho para o Ron e vejo que ele tem razão. Até mesmo a poção dele está melhor que a minha.
- Essa cor fica-te bem Potter. Se já tinhas um ar enjoativo, agora ficaste melhor. Ao menos, se tiver de olhar para onde tu estás, dá-me vontade de rir. E acho que não sou o único.
Toda a gente, de certa forma, estava a achar tudo engraçado. Eu aproximo-me do Malfoy e quase que dá vontade de lhe dar um estalo só para tirar aquele sorriso de parvo da cara dele.
- Tenho a certeza que tiveste alguma coisa com o que me aconteceu. - digo-lhe apontando-lhe o dedo indicador. - E eu vou descobrir o que é que fizeste.
- Tira as mãos nojentas de cima de mim. - mandou ele ao mesmo tempo que desviava o meu braço com a mão dele. - Eu não tenho nada a ver com o teu fracasso. A culpa é tua, admite de uma vez por todas.
E sinto a mão dele fria sob o meu braço, visto que tenho as mangas arregaçadas por causa de ter de partir os ingredientes. E tenho a sensação de que conheço aquele frio. Não me digas que foi ele...
- Tenho a certeza que foste tu a passar-me o frasco.
- E que provas tens tu? Achas que eu ia passar qualquer coisa para ti? Estás muito enganado. Depois de eu o usar o frasco foi para o Goyle e o Crable, e não para ti. Se tivesse de ser eu a passar-te bem que ficavas sem isso que não to dava.
Ele tem razão. Eu não tenho provas. Mas se fossem mesmo as mãos dele significa que ele é que sabotou a minha poção. Não o posso acusar baseado nas mãos dele. Ou será que posso? Preciso de tirar a limpo esta história. Para tal agarro no braço do Malfoy e toco-lhe na mão. Ela não está fria, como supus, mas é sedosa ao toque. Ele olha escandalizado para mim e puxa a mão dele.
- Mas que é isto Potter? Queres contaminar-me com essa tua gosma roxa? Põe-te no teu lugar.
- O meu lugar é onde quiser. E se eu quiser posso-te sujar se bem me apetecer.
E dito isto esfrego as minhas mãos nele, desde as mãos até ao uniforme. E nem me apercebo que esta poção não é inócua como era suposto ser. Quando volto a olhar para as minhas mãos, começo a ver bolhas a formarem-se na minha pele.
- Chega Sr. Potter. Para além de ter arruinado a aula com a sua estupidez, ainda quer pôr alguém doente? Não se apercebeu que o que fez foi uma poção que, em contacto com a pele, forma bolhas? Vá à enfermaria tratar disso e saiba que está de castigo, para além da sua equipa ficar sem mais 10 pontos. Agora desapareça na minha frente. Eu vou pensar muito bem no seu castigo.
Eu dou meia volta e começo a dirigir-me para a porta. Peço ao Ron para depois levar as minhas coisas e vou a abrir a porta quando ouço o Snape a falar com o Malfoy para ele também ir à enfermaria se não queria que a sua situação agrava-se mais. Boa, ainda vou ter de aguentar com o Malfoy mais um bocado. Maldito o dia de hoje.
- Eu sei que a culpa da poção é tua Malfoy. Não sei o que fizeste, mas a culpa de ter que ficar de castigo é tua.
- Claro, não faltava mais nada. O Santo Potter nunca faz nada de mal, não é mesmo? Se tu não fosses uma cabeça rachada não terias feito asneira. Ainda por cima, o maior prejudicado sou eu. Viste o que me fizeste? - pergunta-me levantando as mãos dele. Neste momento estão vermelhas, mas não estão em mau estado como as minhas.
- Tu o maior prejudicado? Deixa-me rir. Olha bem para mim. Estou muito pior que tu. Eu sim fui prejudicado. Para além de me tirarem pontos e de ficar de castigo ainda tenho as mãos assim.
- Mas tu mereces tudo isso. Fizeste asneira e tens de pagar por isso.
- Quem estragou tudo foste tu. Tenho a certeza. E além disso o preço que tenho a pagar é demasiado alto por algo que não fiz.
- É a vida, meu caro. Aprende de uma vez por todas ou vais-te dar mal.
Ia responder-lhe, mas entretanto tínhamos chegado à enfermaria e ele entrou primeiro e perdeu-se a oportunidade de lhe responder.
A Madame Pomfrey tratou das mãos dele num instante e ele logo saiu da enfermaria. Já eu tive de ficar, visto que eu estava em pior estado.
- Mas o que está a dar à juventude hoje em dia? Só se arruínam a eles mesmos. Vê lá se não voltas a fazer nada disto outra vez. Ai isto está perdido.
E lá continuou ela a divagar enquanto me tratava das feridas. No fim só tinha de tomar uma poção 2 vezes ao dia até ter a pele de volta ao normal. Mas isto tudo é culpa do Malfoy. Ele vai pagar-me bem caro por isto. Ai se não vai.
Se bem que aquela mão era, a meu entender, demasiado bonita para pertencer ao Malfoy. Aonde é que ele é bonito? É mais pálido que o Nick Sem Cabeça (e ele é um fantasma), tem o cabelo num tom demasiado dourado, o que só faz realçar os belos olhos cinzentos que ele tem. Quase que parece ouro sobre prata. Mas qual belo? Eu devo estar a ficar maluco. Só pode. Onde é que aquela cabeça oxigenada é linda? Nem nos meus piores pesadelos.
E só de saber que ele que ele pode estar por trás de tudo o que aconteceu na aula de Poções me dá uma vontade de o esganar, como nunca antes me tinha dado. Ele vai ter de pagar por isso. Mas que mal lhe fiz eu para merecer isto? E agora tenho as mãos neste estado e ainda tenho o tal castigo que o Snape me vai arranjar. Parece que já estou a ver-me a ter de limpar a sala ou cortar ingredientes até à noite durante uma semana.
- Harry! -ouço a chamar-me.
Olho para trás e vejo o Ron e a Mione a vir na minha direção. Respiro um pouco de aliviado por não ter sido o Snape a apanhar-me agora e a levar-me sabe-se lá para onde.
- Fartei-me de chamar por ti. Estás surdo?
- Ah desculpa Ron. Estava distraído.
- Pois viu-se na aula. Afinal o que é que fizeste? - perguntou a Mione.
- Nem eu sei bem. Tinha posto tudo direito até ao último ingrediente. E tenho a certeza que me deram o frasco errado, pois bem ou mal acho que a poção não se transforma noutra assim de um momento para o outro.
- Se colocaste algo a mais ou a menos pode sim.
- Isso sei eu. Mas tirando o último passo, tinha colocado tudo direito.
- Pronto, deixa lá. Agora o que interessa saber é como estás.
- Estou bem Mione. Na enfermaria rasparam a minha pele, puseram umas pomadas e agora tenho de tomar uma poção até passar.
- Bem, ao menos podia ter sido pior. - declarou o Ron.
- Oh Ron! Não vês no estado em que ele ficou?
- Oh Mione, ele podia ficar sem as mãos.
- Mas o que interessa é que não ficou. Pára de dizer disparates. Mas diz lá Harry quanto tempo isso ainda vai durar?
- Uns dias. Daqui a uns dias passa.
- Então daqui a uns dias o Sr. Potter vai passar no meu gabinete. - ouço uma voz grave por trás de mim.
Pois só podia ser o Snape. Realmente, não podia ter mais azar neste dia? Estou para ver o que vou ser obrigado a fazer.
- Nesse seu estado não me serve de nada. Por isso despache-se a se tratar para eu o poder castigar.
Não é um amor de pessoa, este meu querido professor? Que mais podia eu querer? Ainda bem que assim que acabou de dizer isto virou as costas e foi sabe-se lá para onde.
Não me apetece ter mais aulas hoje, mas só me falta uma aula. E até gosto de defesa contra as artes das trevas. DCAT sem dúvida é fascinante, a meu ver. Podiam era ter arranjado um professor um pouco melhor. Este aqui usa um turbante colorido na cabeça e roupas sempre escuras. Depois, para completar a peça, parece um pouco tímido, pois às vezes até gagueja se alguém diz algo certo ou elogia as aulas dele.
Ao que parece hoje vamos treinar certos feitiços de proteção. Até dava jeito aprender se não tivesse as mãos neste estado. Vou fazer dupla com o Seamus, enquanto o Ron está com o Dean. São rapazes mesmo espetaculares e estão no nosso dormitório. Mas isto assim é um pouco mau, visto que não me consigo defender. A varinha cai-me das mãos, não a consigo segurar. Um feitiço em falso e posso aleijar alguém sem querer. Se o Malfoy fizesse dupla comigo, já teria desculpa para dar cabo dele. Isso até nem era má ideia.
Mas também pode acontecer ao contrário. Era demasiado azaaaar... Ai, esta doeu. Era não, foi. Acabei de ser arremassado contra a parede. Distraí-me e o feitiço do Seamus acertou-me em cheio e nem lancei o feitiço de proteção. Hoje realmente tudo corre mal.
- Harry estás bem? - perguntou o Seamus preocupado. - Estavas distraído e nem reparaste no que estava a fazer.
- Não te preocupes Seamus. Estou bem. Fui apanhado desprevenido, só isso.
- Ah, realmente Potter, és mesmo um Testa Rachada. Não fazes uma direito hoje. Ainda bem, assim um dia contigo nunca é monótono. Ninguém se cansa de te ver a fazeres ainda mais figura de idiota do que aquela que já tens.
- E tu não te cansas de olhar para mim Malfoy? Para quem diz que me quer ignorar anda muito atento a tudo o que se passa à minha volta.
- Oh testa rachada, tudo o que fazes dá um estrondo ou um espetáculo tão que é impossível não reparar. Por isso é que olho, para ter mais um motivo para gozar contigo.
Como já não estava para o aturar virei as costas e fui sentar-me a um canto. Parece que alguém tirou o dia para me deitar abaixo. Mais alguma coisa e quase que não entro no próximo jogo. Não posso ter mais acidentes destes tão seguidos. Pois de outra forma o mais certo é ficar uns dias na enfermaria. Ainda bem que hoje é sexta. Amanhã nem saio do quarto, só por causa disto.
...
O fim de semana foi bastante tranquilo. Só saía dos dormitórios praticamente para ir comer ou para ir estudar. Felizmente, não houve mais problemas, deu tempo para recuperar das feridas nas mãos por isso já estou mais descansado quanto a esse assunto.
Porém agora sei que estou completamente à mercê do Snape. Ainda estou para ver o que tenho de fazer no final. Coisa bonita não é de certeza. Teve tempo mais do que suficiente para planear demasiado bem a minha tortura.
Bem ao menos consegui pôr tudo em ordem, já estive também a ver as matérias, insistência da Mione, como é óbvio. Sem ter ninguém que me azucrinasse o tempo todo foi mesmo bom. Não apanhei nenhuma vez o Malfoy pelos corredores, por isso foi mesmo tranquilo. Até tivemos, ontem à tarde, a aproveitar os poucos raios de sol que por aqui passaram e fomos estudar ao ar livre. Foi sem dúvida um bom fim de semana.
Agora tenho de me preparar para a tempestade. Estou a chegar ao gabinete do Snape para saber o que me reservou. Bem, a porta já está aberta, ou melhor, está entreaberta por isso não deve haver mal nenhum em entrar. Pelo menos era o que achava até ter começado a ouvir vozes. Duas, por sinal. Uma reconheci logo. A voz grave do Snape infelizmente fica gravada, mas não por boas razões.
- Está tudo bem contigo? Tens a certeza?
A segunda voz ouvia quase num sussurro. Devia estar mais longe da porta. O problema é que não reconheci a quem pertencia. A única coisa que percebi é que era um rapaz que estava a falar com o professor.
- Estou sim. Já lhe disse.
- Eu preocupo-me contigo. É uma das minhas preocupações.
- Eu sei disso. Estou bem. Não precisa de se preocupar.
- Mas o que é que ele queria para te chamar assim?
- Ora, o que havia de ser? Perguntar como fiquei naquele estado. E depois de me deixar no quarto quase que não saí de lá por causa dele.
- Mas ficaste lá? Pensei que tinhas dormido aqui. Perguntei aos teus colegas e disseram-me que estavas aqui.
- Pois, mas não estava. Tive de ir para casa. Não podia ficar aqui. E depois acabei por lá, visto que já estava muito tarde para voltar.
- Então, quando chegaste?
- Ontem à tarde.
- Tens a certeza que estás bem? Não pareces.
- Pois mas pela sua cara já deve te previsto o que me aconteceu.
- Ele não tem o direito de fazer isso contigo. Vou ter de lhe dar uma palavra.
- Padrinho, deixe as coisas como estão. Nada irá mudar. Ele vai continuar assim.
Padrinho? O Snape quantos afilhados tem? Só conheço um. E é aquela cabeça oxigenada. Não estou a ver outro. Mas isso significa que o Malfoy não esteve aqui no fim de semana. Agora compreendo como pude ter tanto sossego. Se estivesse aqui arranjava forma de me tentar deitar abaixo. Ainda não me esqueci que é por causa dele, isso tenho quase a certeza, que estou nesta situação. Com estes devaneios nem ouvi o Snape a falar.
- Já disse que estou bem. Consigo pôr-me de pé e andar, por isso não se preocupe. Mas se calhar aceito a sua proposta. Isto não passa num instante. Já dura há algum tempo, por isso estou acostumado, porém uma ajuda é sempre bem-vinda.
- Ok, eu vou preparar e à noite tomas e passa. Aguentas até lá.
- Claro que aguento. Não é a primeira vez que acontece. E tenho a certeza que não irá ser a última.
- Ele tem de mudar. Ele não vai poder fazer-te isso para sempre.
- Ele arranjaria maneira de o fazer. Bem vou indo. Tenho aula daqui a pouco. Até logo.
E nisto vejo a porta a abrir-se e a sair de lá o Malfoy, como suspeitei. Ele mal olhou para mim e foi embora. Já o Snape, esse viu-me bem.
- Aleluia Sr. Potter. Finalmente deu-me o prazer da sua companhia. Estava a ver que não. Chegou dois minutos atrasados. Porém como o castigo não tem hora definida, quanto mais tarde começa, mais tarde acaba. Venha comigo.
E lá tive de o seguir. Chegamos à sala de poções e pensei mesmo que teria de limpar a sala de alto a baixo. Mas ele levou-me até à despensa, onde são guardados todos os ingredientes.
- Bem, este local não é limpo pelos elfos, pois não confio neles. Por isso é óbvio que o posso usar como meio de castigar alguém. O que tem que fazer é retirar todos os frascos e limpar as estantes. Atenção que estão organizados com uma certa ordem, por isso não os troque de lugar.
Bem, isso até que nem é difícil. É só tirar e voltar a pô-los no mesmo sítio que os tirei. São muitos frascos, mas isto faz-se bem. O Snape vira as costas e começa a andar. Eu decidi começar pela estante que estava perto de mim e estava prestes a pegar no primeiro frasco quando o Snape pára de repente e vira-se para mim mais uma vez.
- Já me ia esquecendo. Chegou hoje uma nova remessa de frascos que já fazia falta, pois já tinham acabado. É preciso colocá-los no sítio certo. Como não tenho nenhum frasco aqui o Sr. Potter vai ter de pô-los no sítio certo. Para tal tem de perceber a organização geral dos frascos. Como é bastante óbvio, basta olhar uma vez e já se sabe, não preciso de dizer como está organizado. Por isso, trate de perceber a organização antes de tirar qualquer frasco do lugar. Depois passe no gabinete para ir buscar a caixa. Como disse, não há limite de tempo. Tem é de estar tudo direito. Logo, quanto mais rápido acabar, mais rápido se vê livre do castigo.
Eu logo vi que isto não era tão fácil como parecia. Era demasiado brando para ser um castigo do Snape. E como ele teve muito tempo para o preparar aposto que ele mandou vir de propósito só para me fazer a minha vida ainda mais negra do que já está.
Mas a conversa do Snape e do Malfoy não me sai da cabeça. Mas afinal o que se passou para não ter de passar aqui o fim de semana inteiro? Pelo que percebi o pai dele o reteve lá por casa. Mas o que será que lhe aconteceu? Ele não estava com boa cara e mal se aguentava em pé. Quando passou por mim mais parecia um fantasma de tão branco que estava. E também a forma de ele andar… estava meio vergado e dava passadas pequenas e andava muito devagar, como se o próprio ato de andar lhe desse inúmeras dores. O que é que se passou com ele afinal?
Espera lá… Ele foi chamado de urgência pelo pai, acho que em parte à minha custa. Mal lá chegou quase não saía do quarto por causa do pai. Depois chega-me neste estado… Será que o pai dele…
N/A
O que acharam?
Queria só referir, mais uma vez, para darem o vosso parecer.
Agradeceria imenso.
Obrigada :)
