Sei que se passou muito tempo desde a última vez, mas hoje vem com dose tripla.
Este e mais 2 capítulos a caminho e é tudo o que tenho escrito até agora.
Por isso toca a aproveitar e de preferência a comentar.
Beijinhos
Draco POV
Finalmente passou. Estava a ver que a dor não passava. Ainda bem que tenho o meu padrinho por perto, e que ele é ótimo em poções. Este dia estava a ser mesmo do pior. Nem andar direito conseguia. Quase que parecia um fantasma.
Mas isso nem é o pior. O pior mesmo foi ter de ter a Pansy grudada em mim todo o dia. Como se já não bastasse estar cheio de dores. A vozinha irritante dela só fez pior. Ela agarra-se a todos. Até ao meu padrinho. Eu sei que a conheço há muito tempo, que as nossas famílias são muito próximas. Tão próximas que acho que esperam que eu me case com ela. Mas ela está cada vez pior.
E, como o fim de semana foi péssimo, o dia não podia ter começado melhor. Ainda tenho marcas no sítio onde o desgraçado do Potter me apertou. Para magricelas até que tem força. Mas também, não sei bem porquê, não lutei com toda a força que tenho. Ele estava estranho. Parecia que estava de certa forma a lutar para me largar, mas que a vontade de me agarrar era maior.
E nem sei dizer o que isso me fez sentir. Aliás, eu nem devia sentir nada por ninguém. Foi assim que aprendi desde pequeno. Se o meu pai soubesse o que estou a pensar dava-me um sermão ainda maior do que deu este fim de semana.
Mas, de certa forma, eu sentia-me bem por estar perto do Harry. Não gostei de ser agarrado e prensado na parede, preferia ao contrário. Gostei que ele tivesse vindo ter comigo. Apesar de parecer um doido naquele momento. Um maluco que me conseguiu pôr a tremer. Não sei se de medo se doutra coisa qualquer. Mas que tremi que nem varas verdes, isso foi verdade. E que estava a gostar da aproximação dele. Por muito extraordinário que possa parecer.
E se ele não ganha-se juízo? O que teria acontecido. Ele parecia prestes a beijar-me. E eu apenas a ver o que ele fazia. Sem conseguir soltar-me. Sem força de vontade para o fazer. E como teria sido? Teria sido bom ou mau? Mas que raios estou a pensar?
Agarro na minha almofada e aperto-a bastante contra a minha cara de forma a não se ouvir o grito que dei. Isto não são atitudes que se esperam de um Malfoy. Mas o que se está a passar comigo? Estou a perder as estribeiras e tudo por causa de um maldito pequeno magricela com o cabelo todo despenteado e com os olhos verdes mais bonitos que alguma vez vi. Maldito sejas Potter. Tu e os teus magníficos olhos verdes.
Ahhhh. Pronto, mais um grito que dei e completamente abafado pela almofada. Vais arrepender de ter nascido Potter. Podes ter a certeza disso. Eu vou fazer com que sintas na pele tudo o que eu sinto. Um puro ódio pela ideia de querer ser teu amigo. Mas que foi que eu vi em ti? Só posso estar a ficar maluco. E és tu que me fazes ser assim.
Bem o melhor mesmo é ir dormir. Ou amanhã volto a ter as mesmas dores de cabeça horríveis com as quais andei todos estes dias desde que fui a casa.
...
Um novo dia começou. E eu estou completamente livre de qualquer dor de cabeça. E tudo graças ao Snape. Nem dei pelos roncos nada suaves do Crabble e do Goyle. Foi sem dúvida a noite que melhor dormi em dias. Tenho de ver se consigo ter acesso a um quarto só para mim.
Essa é uma das vantagens de ser dos Slytherin. Poder ter um quarto só para mim. Mas isso só acontece para os monitores, ou então para pessoas descendentes das mais nobres famílias puro-sangue, como é o caso da minha. Tenho de falar com o Snape. É uma sorte mesmo ter o meu padrinho aqui. E o facto de ser também o diretor da minha equipa é um bónus acrescido. Pensando bem, vou agora falar com ele. Ele de certeza que quer que eu passe lá para saber como estou.
Assim que entro no seu gabinete vejo-o a levantar a cabeça dos pergaminhos para ver quem era. E um pequeno sorriso instala-se na sua cara.
- Pelo que vejo, estás melhor agora.
- Sim padrinho. Vim agradecer-lhe pela poção. Precisava de aprender a fazê-la. Assim não o incomodava com estas coisas.
- Ora deixa-te de coisas Draco. Sabes que estou aqui para te ajudar. Mas se quiseres aprender terei todo o orgulho de te ensinar. Aliás, estás cada vez melhor em poções. - elogiou o Snape e indicou a cadeira ao lado dele.
- Pode-se dizer que tive um ótimo professor quando era pequeno. - afirmei e pude notar, com um pouco de surpresa, que o meu padrinho corou um pouco. - Mas não vim aqui só para isso. Queria pedir para ter um quarto só para mim.
- Ok, considera-o feito. Até me admira como aguentaste este tempo todo a dividir o quarto com os teus colegas.
- Foi fácil. Eu dizia que eles só podiam entrar quando eu estivesse a dormir há muito tempo. Assim, eu conseguia adormecer na perfeição. - disse sentando-me ao lado dele. O pior era acordar a meio da noite e voltar a adormecer.
- E como é que eles obedecem às tuas ordens?
- Ora, essa é fácil. Eles não querem problemas com a minha família.
- Principalmente com o teu pai. - constatou o Snape.
- Sim principalmente com ele. Mas algo me diz que ainda tem mais a perguntar-me.
- Sim tenho. Porquê agora?
- Porque estou farto de dividir as coisas. Estou farto que me façam perguntas. Não preciso dar satisfações da minha vida a ninguém. Além disso, se tiver de ser chamado de urgência ninguém saberá.
- A fase de treino ainda não acabou? - perguntou preocupado.
Eu levantei-me, virei-me de costas para ele e fui para perto da lareira. Ele sabe a resposta, porque é que continua a perguntar? Está a espera que Lucius mude de ideias? Bem que pode esperar sentado.
- Um Malfoy carrega o cargo dele durante toda a sua vida. Isto nunca vai acabar. Só vai amenizar quando não houver mais linhagem para trás. - afirmei virando-me para ele.
- Estás a ficar parecido ao teu pai. - disse o Snape esfregando os olhos.
- Então o treino está a correr bem.
- Ah, sabes que isso não é um elogio. A tua família vai entrar em decadência se as coisas não mudarem. Pensei que ao menos tu pudesses ter mais juízo que todos eles. Que soubesses de que lado estar.
- A sua família também já se foi. Uma grande e prestigiosa família que acabou sem nada que a impediu. E tudo à custa de estupidez.
- Ao menos eu fiz de tudo para o impedir. - vociferou o Snape levantando-se de repente da cadeira. - Achas que não fiz nada? Todo o lado Muggle que pensas que existe desapareceu. A família Snape acabou sim. Mas não é dessa que estou a falar. Estou a erguer da sua antiga glória a família que eu sempre respeitei. É o brasão dos Prince que eu carrego comigo. E isso não vou deixar que se perca. Já levantei da poeira todas as propriedades. A minha família é tão nobre quanto a tua Draco. Caiu, mas voltou a erguer-se. Eu próprio a levantei. E toda a gente me respeita. Têm pavor mas respeitam-me. O teu pai impõe o respeito. E isso vai acabar. As pessoas depois vão cobrar-lhe isso. Por isso muda tu, pelo teu próprio bem e dos teus.
Nunca vi o meu padrinho assim tão exaltado. Durante o seu discurso tentei fugir daqueles olhos mas não consegui. Cada palavra que disse teve bastante impacto. E depois o meu padrinho vira-me as costas e fica a olhar para a janela. Eu não disse aquilo para o magoar. Apenas disse a verdade, por muito que doa. É, se calhar deveria ser mais contido.
- Desculpe padrinho.
- Não precisas de o fazer. Foste ensinado a agir assim desde pequeno. - suspirou e virou-se para mim com uma expressão mais tranquila. - Mas só o facto de o fazeres mostra o quanto queres mudar. E para isso só há uma pessoa que te pode ajudar.
- Quem?
- Tu sabes bem quem Draco. - disse suspirando. - Escolhe o lado certo uma vez na vida.
- Sinceramente, não percebo porque é que o defende tanto. Ele é assim tão importante na sua vida? Mais do que eu? - perguntei com uma vontade de me enfiar no quarto e na minha cama. Porquê esta vontade súbita de chorar? Mas não o posso fazer. Se bem que acho que a minha voz tremeu um pouco e que ele notou.
- Draco, olha para mim. - pediu segurando-me no queixo. Nem me tinha apercebido que ele voltou para a minha beira. - Tu és mais importante para mim. E disso não duvides nunca. Mas sinto que por muito forte que te venhas a tornar, esta aproximação só te fará bem. Achas que tenho vontade de te atirar aos leões? Porém, vais ficar cercado de muitas serpentes que não vão querer saber de ti. E um leão sempre pode assustar algumas serpentes.
- Mas ele é tão... irritante. Ainda ontem andou a atirar-se para cima de mim. Parecia que não se conseguia controlar. E ele estava demasiado quente. Até me agarrou e prensou-me contra a parede.
- E isso foi quando? - perguntou ele curioso.
- Foi ontem de manhã. Eu ia para o seu gabinete e encontrei-o a caminho de cá.
- Então, não me digas que afinal ele mexeu onde não devia? Bem que me parecia que alguém tinha lá mexido. Vá lá que foi naquela poção. Olha se tivesse pegado outra mais forte. O que teria acontecido? - disse baixinho, como se eu não estivesse lá. Ora então o Potter andou a mexer no que não devia? - Só aconteceu isso?
- Sim só. Mas ele andou a mexer em alguma coisa?
- Ah? Não nada. É só umas poções que estou experimentando.
- Que tipo de poções?
- Ah... Não interessa. Não é nada de importante.
E volta a sentar-se na cadeira em que estava quando aqui cheguei. Pois eu sei que está a esconder qualquer coisa. Mas mais cedo ou mais tarde vou descobrir. Neste momento há coisas mais importantes a tratar.
- Então o que posso fazer para me aproximar dele?
- Podes começar por descobrir do que ele gosta. E depois seres uma espécie de amigo invisível. E também dares a conhecer o que tu gostas. Pode ser que encontrem algo em comum.
- E como me vou aproximar dele?
- Da mesma forma que fizeste antes. Tenho a poção pronta, se quiseres. - apontou para o caldeirão que estava por detrás dele. E é impressão minha ou ele quer mesmo levar isto para a frente?
- E o que faço ao Ron? Não posso estar sempre a mandar os outros dois a ir atrás dele.
- Deixa estar que eu trato disso. Escondo-o por aqui. Ninguém vai desconfiar de nada. E nem precisas de alguém que se faça passar por ti, visto que de tarde não tens aulas.
- Ok. Fazemos a troca quando?
- Depois do almoço. É preciso que o Ron avise primeiro o Harry para tirarem a tarde de folga, só entre rapazes. E depois trocamos. Vem aqui ter e eu digo-te se a troca se pode dar. Agora vai para a sala. As aulas estão a começar.
- Ok padrinho. Até daqui a bocado. Obrigado por tudo.
- Vai lá então. Hoje mesmo trocas de quarto. Vou pedir aos elfos para porem lá as tuas roupas.
E dito isto eu saí do gabinete dele. E fui para as aulas a pensar na tarde que ia ter. Por um lado estava ansioso por poder conversar com ele. Por outro não o queria ver à frente tão cedo. Se bem que se me aproximar dele posso vir a descobrir algo interessante e usar isso contra ele.
...
Como seria de esperar, as aulas pareciam que passavam devagar. Já me estava a dar cabo da paciência e da compostura. E se há coisa que não podia perder era isso.
Fui quase a correr para ir ter com o meu padrinho. A minha ansiedade crescia a cada passo que dava. Estava tão perto e mesmo assim tão longe. Quando lá cheguei, entrei logo para saber o que afinal se tinha passado. E qual não foi o meu espanto quando vi o Ron sentado numa cadeira olhando muito atentamente para o Snape.
- Como podes depreender correu tudo bem. - disse-me o Snape.
- Mas ele não devia estar inconsciente, ou então vedado e com os ouvidos tapados?
- Não te preocupes. Eu estou no comando dele. E além disso ele não se irá lembrar de nada. Ron traz aquele frasco que está em cima do balcão da despensa. Depois tira uns cabelos teus e põe dentro. A seguir entrega-a ao Draco - ordenou o Snape.
E o Ron cumpriu cada uma das tarefas que o Snape lhe mandou fazer. Eu estava incrédulo com tudo aquilo. Ainda fiquei mais pasmado quando ele vai ter com o Snape e fica à espera de alguma coisa. Parecia que estava à espera de um carinho como se ele fosse um cão a pedir festas ao dono.
- Ele pensa que é um animal de estimação por isso vai fazer tudo o que eu mandar. - explicou-me o Snape ao mesmo tempo que bagunça os cabelos do Ron.
- Porque é que o está a usar como cobaia?
- Ora preciso de alguém que me ajude a fazer as poções, a cortar os ingredientes direitinhos como eu quero. Logo a única maneira de isso acontecer na perfeição é controlando cada movimento da pessoa.
- Mas eu posso ajudar nisso. Eu gosto de o ajudar.
- Sim, eu sei. E eu gosto que me ajudes. Mas neste caso juntei o útil ao agradável. O Ron precisava de desaparecer por um tempo e como tal eu ponho-o na despensa a fazer as coisas e tu podes pôr o plano em prática. Nada mais simples. Agora bebe isso.
E eu bebera. E pensara que nada naquela situação era simples. Que tudo era estranho de mais. Mas, na altura, não disse nada. Pensara que, se calhar, era melhor não ser sempre a mesma pessoa a calhar ter de "desaparecer" por um tempo. Mas para a próxima eu digo mesmo isso.
Depois de tudo, aqui estou eu, mais uma vez, disfarçado de Ron para poder pôr conversa com o Harry. Só assim posso deixar a minha máscara cair e ser a pessoa que eu gostaria de poder ser. De poder conversar amigavelmente com quem me apetece. Isto tudo porque me é imposto pelo meu pai (nem sei bem o porquê, apenas desconfio), o meu padrinho quer esta aproximação (pelas razões que já me disse, mas desconfio que há mais razões) e eu próprio também quero, pois é bastante importante para um Malfoy ter boas relações com gente importante. E também porque há qualquer coisa nele que me puxa na sua direção.
- Ron o que vamos então fazer? - pergunta-me o Harry.
- Não sei. O que te apetece fazer?
- Isso devias ser tu a responder-me. Foste tu que me disseste para não estudar esta tarde.
- Isso foi porque não me apetecia ir estudar hoje. - disse dando a razão que o Snape me referiu que eu devia dizer.
- Mas desde quando tu queres? - perguntou-me suspirando a seguir. - Sendo assim eu vou escolher e tu só tens que aceitar. Que tal dar uma volta por aqui?
- Dar uma volta por onde? Não dá para sair destes terrenos Harry.
- Mas tu conheces bem o castelo e tudo à volta?
- Não. Mas para que haveria de querer conhecer? O resto não me interessa. Basta-me saber o sítio das aulas, o dormitório e onde comer. Mais nada. - repliquei. Sinceramente para que me adianta saber os recantos deste sítio? Às vezes ele diz cada coisa mais parva que me dá vontade de o esganar.
- Talvez encontremos algo interessante.
- O quê? Algum esconderijo secreto? Espera não me digas nada. - ele ia falar mas eu o interrompi. - Há coisas aqui escondidas que não são próprias para os alunos. Melhor ainda. Alguns professores têm um segredo incrível, ou escondem algo perigoso. Ou então encontramos alguma passagem secreta.
- Nunca se sabe o que este castelo pode esconder. - disse com ar misterioso. - Só saberás se procurares.
- Só falta dizeres que há um tesouro aqui escondido.
- Pára de empatar e vamos.
As ideias do meu padrinho dão nisto. Lá tenho de ir atrás dele para conhecer os cantos ao castelo. Sinceramente, tinha de ser isto a sair-lhe da cabeça? Mais ninguém se atrevia a querer conhecer o castelo.
- Ron, estás a dormir? Anda lá. Vou-te mostrar os meus lugares favoritos.
- E tens lugares favoritos por aqui? Só mesmo tu...
- Vais ver. Há por aqui lugares completamente diferentes e que ninguém espera que existam.
- Não há nada mais interessante que possamos fazer? Isto não é estimulante.
- Pára de resmungar. Quase pareces o Malfoy. Se não queres estragar-me a tarde está calado e anda.
Dito isto começa a andar e indica-me com a mão para o seguir. Realmente, no que me fui meter. Estaria bem melhor se estivesse na biblioteca a estudar sossegado.
...
- Então, o que achas disto?
Pura e simplesmente fiquei sem palavras. Quem diria que existiria algo assim por aqui. Esta torre tem uma vista fantástica sobre todos os terrenos da escola. Ainda se consegue ver o lago daqui. Até aquela aldeia é possível avistar. Pronto, não a aldeia toda, apenas o telhado da torre que lá existe.
Mas mesmo assim, isto é bastante bonito. Com o luar, a paisagem deve ficar bastante melhor. Talvez não tenha sido má ideia ser arrastado pelos corredores daquela maneira. Ter de observar cada canto do castelo, para vir a descobrir este local. Realmente gostaria de vir aqui mais tarde, quando a luz do dia dá lugar à escuridão da noite. Tenho de ver é se não sou apanhado no caminho até às masmorras.
- Como é possível que acha algo assim por aqui escondido? Eu gostei bastante.
- Experimenta ver como fica à noite. Numa noite límpida dá para ver todas as estrelas do céu. E então a lua? É a melhor visão que se pode ter. Dos dormitórios dá para ter uma noção. Mas não há nada como subir mais alto e ter uma visão mais ampla do céu. O que toda a gente perde.
Neste aspeto tenho de concordar com ele. Das masmorras não dá para ver nada assim. E sei que o dormitório dele tem uma vista muito melhor que o meu. Nisso o invejo certamente. E também o facto de ter pessoas que gostem dele ao seu redor. Mas também há muita gente que só quer ser amigo dele por ele ser famoso. E isso me irrita, o facto de ser famoso por uma coisa tão estúpida como sobreviver à maldição imperdoável da morte.
Como ele escapou é a questão que incomoda muita gente. Também eu gostaria de saber a resposta e acho que no fundo o meu pai também quer. Ele está sendo muito persistente para que eu ganhe a confiança do Potter. Para que me torne amigo dele. Para que conheça tudo sobre a vida dele e para que possa usar parte da informação a seu favor. No fundo acho que o que ele quer é uma maneira de conseguir escapar ileso quando o senhor das trevas voltar. Isso se ele algum dia voltar.
- Ron sempre que quisermos fugir dos problemas ou do estudo vimos para aqui, ok?
- Estás a dizer que isto é uma espécie de lugar secreto?
- Sim. Raramente vejo alguém a vir aqui e assim estaremos livres de qualquer pessoa. O que me dizes?
Por algum motivo, os olhos dele brilharam ao fazer-me a pergunta. E parecia inquieto à espera de uma resposta minha. Mas eu não sou o amigo dele, então quando ele vier aqui uma próxima vez e trouxer o verdadeiro para aqui vai se aperceber que algo não está bem.
- Isso é tão estranho ter um lugar para vir ter contigo. Se quero fugir vou para o dormitório, ora.
- Mas não somos os únicos naquele lugar. Este é só nosso. Vá lá. - pediu-me ele com uma ponta de esperança na voz.
- Eu… nem sei o que dizer. - digo e viro-me de costas para ele. Parece-me uma proposta bastante tentadora. Até podia vir aqui como eu próprio e tentar ver se o faço mudar de ideias quanto a mim. Uma coisa é certa, gostei demasiado disto para não pôr mais cá os pés. Tenho mesmo de vir aqui mais vezes.
- Ok eu aceito.
- Que bom. Nada de dizer à Mione, ok? Será um lugar só nosso. - disse me abraçando em seguida.
Eu estava estupefacto demais para poder reagir. Ele parecia uma criança que acabou de ganhar o presente que mais queria no natal. Estava a rir-se e a contar-me mais coisas sobre o que poderíamos fazer aqui. Mas eu estava noutro lugar e não consegui perceber nada. Apenas um ponto eu compreendi. Que não queria que este momento, em que estamos assim abraçados e juntos, acabasse nunca.
