Aqui está o segundo de hoje.
Sem mais demoras, aproveitem...
Harry POV
Desde que aqui cheguei, sempre achei o castelo algo impressionante, misterioso e tenebroso. Mas por muito inquietante que fosse, a expetativa da descoberta de algum espaço novo cobria todo e qualquer receio que pudesse haver. E sem dúvida que o melhor de tudo é poder partilhar as descobertas com alguém que as possa apreciar da mesma forma que nós. Foi por isso que, há um mês atrás, decidi mostrar ao Ron o topo da torre de astronomia. Achei que o novo Ron a pudesse apreciar tanto como eu.
Pois, por muito que ele se justifique, eu tenho a certeza de que não é a mesma pessoa. A forma de andar e de falar é completamente diferente. Até já pensei que ele pudesse ser bipolar, e muito provavelmente é isso que ele é. Ou então é alguém a passar-se por ele, através de uma poção ou de feitiços, no mundo mágico decerto que isso é possível, porém seria uma coisa muito estúpida de se fazer. Afinal, que interesse teria alguém para se fazer passar pelo Ron?
Sinceramente, prefiro o outro Ron. Com ele posso estar mais à vontade, falamos de tudo, embora nessas alturas por muito que lhe pergunte sobre a família, ele pouco me diz. Nos dias normais, ele não é nada mais do que ele próprio, um tonto mas bom companheiro, o confidente, o ombro amigo em quem posso confiar. Nos outros dias, nem sei o que pensar sobre ele. Se ele fosse uma rapariga, seria uma pessoa muito interessante para se conversar e quem sabe algo mais. No sentido romântico, quero dizer. Mas são tão raras as vezes em que isso acontece que eu fico à espera que lhe dê um ataque e ele volte a ser esse Ron diferente.
Em todo este tempo que aqui estive aconteceu sempre alguma coisa de extraordinário à minha volta. Primeiro foi a história da bipolaridade do Ron, mas depois vieram várias outras situações interessantes. Uma vez, um troll andou à solta pelos corredores. Foi-se meter na casa de banho das raparigas. Devo dizer que para troll até que foi inteligente. Nessa altura estavam lá várias raparigas bastante atraentes que saíram de lá aos gritos e apavoradas. Tirando a gritaria, foi apelativo vê-las a atirarem-se a qualquer rapaz que aparecesse à frente de modo a tentarem proteger-se do troll. O Ron bem que foi se meter no meio dos outros, mas não teve sorte nenhuma. A Hermione disse que era para ele aprender a respeitar melhor as raparigas.
Hoje, em pleno dia do Halloween, andaram abóboras enfeitiçadas à solta a tentar arrancar os cabelos ou a roupa às pessoas. A mim tentaram empurrar das escadas. Se não fosse o professor Snape a passar por lá naquela hora eu teria estado um bom tempo na enfermaria. Se bem que acho que ele só me salvou porque quando estava a cair agarrei-me à primeira coisa que vi, que foi nada mais do que a túnica do Malfoy.
É, pensar que aquele rapazinho franzino me salvou a vida é algo estranho. Mas também é algo reconfortante, de certa forma. É eu sei que é um pouco contraditório e nem sei porque estou a dizer isto. Mas foi o que pensei na altura.
O que se passou foi o seguinte. Estava eu a dirigir-me para a biblioteca e esperei que as escadas mudassem (elas aqui têm um bocado a mania de mudarem de vez em quando). Quando finalmente mudaram comecei a subir. De repente ouço uns risos histéricos atrás de mim a aproximarem-se. Olhei para trás e vi que eram as tais abóboras que estavam a deslocarem-se na minha direção. Mas não lhes liguei nenhuma. Continuei o meu caminho até que senti algo a me empurrar. Depois apercebi-me que eram as malditas abóboras que estavam a tentar tirar-me da escada. Eu desequilibrei-me e, ao cair, agarrei-me à primeira coisa que vi, um manto de alguém que ia a descer.
Sem querer, acabo por levar de arrasto a pessoa a quem eu estendi a mão. Na altura só percebi que me agarrei a um rapaz porque o vi a agarrar-se ao varão da escada para não cair. E, só um aparte, o rapaz era mesmo lindo, do sitio onde eu estava a ver, ou seja, debaixo dele e fora das escadas, amparado pelo corpo dele (porém foi um gosto de pouca duração, quando finalmente percebi quem era o meu salvador só me apetecia ter caído sem me amarrar a ninguém).
Uma terceira pessoa puxou o rapaz a quem eu estava firmemente agarrado levando-nos aos dois para cima. A única coisa que me apercebi a seguir foi que estava deitado no chão das escadas e tinha alguém a chamar o meu nome numa voz angelical. Essa mesma voz doce e calorosa perguntava se eu estava bem, mas eu ainda estava a sofrer dos efeitos de uma alta descarga de adrenalina e ainda não conseguia ver bem.
Porque, se eu visse bem, teria a certeza que as palavras que ouvi não deveriam ter vindo da pessoa que as pronunciou. Julguei eu que o pilar que me segurou às escadas podia ser meu conhecido, por me tratar de uma forma tão próxima. Nunca pensei que fosse alguém que eu conhecia bastante bem, bem o suficiente para ter a certeza que devo ter batido com a cabeça nalgum lado pois nunca me diria nada de forma tão intima, tão amigável e tão preocupada.
Qual não foi a minha surpresa, quando ao perceber melhor o que me rodeava, saber que eu estava bastante agarrado ao Malfoy, como se a minha vida dependesse desse contato. É certo que isso de facto ocorreu, porém estava eu longe de imaginar que um dia isto me acontecesse.
- O Sr. Potter vai continuar aí agarrado ao meu afilhado como se o quisesse espremer até à última gota? – disse sarcasticamente o prof. Snape.
Ele era a segunda pessoa que descia pelas escadas e que segurou no Malfoy quando este caía preso a mim. Se ele não tivesse dito nada, eu nem teria notado a sua presença. Não quero dizer que ele seja invisível no meio da multidão, mas estava tão entretido a observar o Malfoy que nem dei por ele. Mal ele fez notar a sua presença, eu largo o Malfoy como se de repente a almofada fofa que eu julgava segurar se tivesse transformado num monte de espinhos. Porém, pareceu-me notar um pouco de desânimo na cara do Malfoy quando nos separamos, o que seria de todo impossível. Um outro olhar dirigido a ele e noto que voltou a ser o mesmo miúdo insensível de sempre. Deve ter sido apenas minha imaginação a mudança de humor dele.
- Veja se presta atenção por onde anda. A sorte do meu afilhado é que eu estava aqui. Se não ele ficava bastante ferido. Lá porque o Sr. Potter gosta de adrenalina e de estar em lugares altos e perigosos só para ver a vista não quer dizer que todas as pessoas gostem. Por isso para a próxima, não arraste ninguém nas suas aventuras.
Ah, o afilhadozinho ficava ferido e eu não? Por acaso o Snape acha que eu me atirei das escadas porque quis? Às vezes é impossível tentar argumentar, mesmo quando estamos certos. Olha eu ia atirar-me de propósito porque queria saber como era a sensação. Sim é mesmo isso.
- Desculpe professor. Não volta a acontecer.
- Não fui eu que quase fui arrastado para uma queda dolorosa. Não é a mim que tem de pedir desculpas.
Isto já está a ir longe de mais. Eu lá tive a culpa de ser empurrado e de me agarrar ao Malfoy? Porém, antes que tivesse oportunidade de dizer alguma coisa o Malfoy levanta-se e diz ao Snape para sairem dali, deixando-me ali no chão sozinho e sem auxílio. Pois é mesmo preciso ter azar. Agora que eu ia pedir-lhe desculpa por o meter nesta situação ele tinha de se ir embora. E de certeza que não vai deixar isto passar em branco. Só espero que ele não venha com tudo para cima de mim.
Depois disto segui finalmente para a biblioteca a pensar em como resolver esta trapalhada. Devo dizer que o estudo rendeu pouco, pois tinha demasiadas coisas com que me ocupar. E quando dou por ela, tenho de ir a caminho da aula de vôo. Devo dizer que é a aula que mais gosto, apesar de serem poucas as aulas e só temos no primeiro ano. Portanto aqui estou a caminho dos terrenos onde irá ser a aula.
Eu e a grande maioria não precisa da aula, visto que aprendemos há algum tempo a dominar a vassoura. Aliás preciso dominar bastante bem para jogar como Seeker, mas outros alunos, como a Hermione, necessitam mesmo de ajuda para aprender.
- Estamos finalmente na última aula de aprendizagem de utilização das vassouras, por isso espero que hoje todos vocês façam o percurso direito e sem falhas. Já têm destreza para tal envergadura. - constatou a Madame Hooch, a nossa professora.
- Eu vou sintar falta destas aulas. - sussurrou o Ron ao meu ouvido. - Era a única coisa que eu conseguia fazer melhor que a Hermione.
- E continuará a ser a única, a menos que faças um esforço em alguma outra coisa.
- Achas mesmo que me vou dar a esse trabalho? Nah eu quero é continuar na minha ideologia de fazer o minímo dos minímos e continuar a safar-me.
- Hoje quero que saia tudo perfeito. Irão em grupos fazer o caminho juntos e várias equipas diferentes no mesmo grupo. E, para não existirem conflitos, sou eu que faço os grupos.
E dito isto lá começa a professora a distribuir as pessoas. Pelo que vejo o Ron está no mesmo grupo daquela amiguinha irritante do Malfoy. Como era mesmo o nome dela? Ah, não me estou a lembrar. Mas sei que o Ron deve em certa parte estar contente. Visto que ultimamente apanho-o a olhar muito para ela nas aulas de poções. Mas como ela anda sempre ou colada ao Malfoy, ou atrás do Snape, com ela não terá alguma hipótese. Por muito que ele o negue, sempre que o apanho a vaguear nas aulas ela está, de certa forma, no campo da visão dele.
- Draco Malfoy, Hermione Granger, Neville Longbottom e Harry Potter estão no penúltimo grupo.
O QUÊ? Isto não pode estar a acontecer. Eu no mesmo grupo que o Malfoy? Só se quiserem que a escola vá abaixo. Este dia não podia estar a correr melhor. Acho que pior realmente não podia ficar. O Mafoy junto comigo, com a Hermione e o Neville? Ui, vai ser lindo.
- Agora que está tudo distribuído, toca a começar a voar. Tenham em atenção a perícia dos movimentos e que estejam sempre juntos como equipa em todo o percurso. Comecem.
- Parece que estamos juntos nesta prova. - disse o Neville para mim e para a Hermione. - Vamos então começar?
- Vamos sim. Já todos têm as vassouras? Então vamos.
- Harry não te estás a esquecer de nada? - Eu abano a cabeça para dizer não. - Falta o Malfoy.
- E achas que eu quero saber dele? Não está aqui, que estivesse.
- Não é bem assim Harry. A professora disse que deveríamos estar sempre juntos.
É por estas e por outras que eu não gosto da menina certinha que a Hermione gosta de ser. Eu quero lá saber que o loiro oxigenado não esteja aqui. A minha vida não gira à volta dele. Se ele não quer eu não o vou obrigar.
- Mas professora...
- Sr. Malfoy, eu quero lá saber dos seus argumentos. Fui eu que fiz os grupos e assim será. Não irá conseguir nada com isso, portanto vá ter com o seu grupo e comecem a fazer as coisas.
Pois, eu bem me parecia que ele também não ia aceitar bem. Mas infelizmente a vida não corre como queremos. Logo durante esta aula vou ter de estar com ele, independentemente da minha vontade. Só espero é que não me tente tirar da vassoura abaixo.
E lá veio ele, furioso, irritado e um pouco... ansioso? Pois, deve ser imaginação minha, mais uma vez.
- Estou tão contente quanto tu Malfoy, mas temos de fazer isto. Por isso vê lá se fazes direito as coisas.
- Pois, mas eu hoje é que não queria ir parar de vez à enfermaria. E se continuar aqui tão próximo do testa rachada do castelo é certo que isso irá acontecer.
- Já disse que não fiz de prop...
- Quero lá saber, testa rachada. Desde que desta vez não decidas levar-me junto, tudo bem. Fazias era um favor a mim se arrastasses a sangue de lama aí à tua beira numa das tuas aventuras em busca de adrenalina.- vira-me as costas, monta na vassoura e fica a pairar no ar à espera. - Então, oh cicatriz, não vens? Eu estou à espera. Não sei como alguém tão lento pode entrar na equipa de Quidditch. Eles estavam cegos, só pode.
- Ah, aquele loiro oxigenado tira-me do sério. - digo virando-me para a Hermione. - E ainda queres que eu espere por ele Hermione? Eu hoje estou mesmo em maré de azar. Só me apetece atirá-lo da vassoura abaixo.
- Há pouco também tentas-te, testa rachada, e não conseguiste. E ainda dizes que não foi esse o teu verdadeiro intuito. Pois sim senhor, afinal eu tinha razão.
Dito isto vira-me as costas e começa a voar.
- Já disse que não foi de propósito, seu magricelas. Mas garanto que a próxima será a valer.
- Pouca conversa e mais ação. - gritou a Mademe Hooch. - Vocês vão começar ou vão continuar com o tricot?
- Desculpe professora. - disse a Hermione. - Vamos já iniciar.
- Vê lá se não queres ficar de castigo Harry. - diz agora a Hermione para mim. - Vamos começar e nada de confusões.
- Mas ele está a provocar. Ele é que começou.
- E tu ignoras. Lá porque não foste tu que começas-te, não quer dizer que tenhas de continuar. Pára e ignora.
- É fácil dizer. Não és tu que estás a ser alvo dele.
- Harry, a Hermione tem razão. - disse o Neville corando até às orelhas. - Vamos fazer isto sem confusões e assim acabamos mais rápido.
- Muito bem Neville. É assim mesmo. - elogiu a Hermione dando umas pancadinhas nas costas. E o Neville apenas reaje ficando ainda mais vermelho e a olhar para o chão. - Vamos então.
Montamos nas vassouras e fomos para o local onde o Malfoy estava. E começamos finalmente o percurso.
- Estava a ver que as donzelas nunca mais se despachavam. Já estava a ficar aborrecido de tanto esperar. - diz a cobra irritante. - Será que é desta que despachamos isto de uma vez por todas?
Eu decido ignorar, como a Hermione disse e lá segui com o caminho, porém tendo sempre que ignorar cada comentário que saía daquele magricelas. Estamos a ir bastante bem, tirando o facto de que o Malfoy faz umas manobras um pouco largas de mais e temos necessidade de nos desviar-mos.
- Harry. Apanha o objeto. - berra o Neville.
- Mas qual objeto? - pergunto-lhe eu. Não vejo nada a cair. O Neville deve ter sonhado. É certo que ele está mais alto que eu, mas mesmo assim não vejo bada a cair.
- Perdi-o de vista. Tenho a certeza que o tinha agora.
- O que é que perdeste Neville? - pergunta a Hermione.
- Per... perdi o meu lembrador. Tenho quase a certeza. Estava no meu bolso esquerdo e senti algo a sair e agora não tenho lá nada.
- O que é um lembrador? - pergunto e recebo como resposta um olhar de desprezo da Hermione. Mas o que é que eu podia fazer? Não nasci a lidar com o mundo mágico.
- É um objeto transparente em forma de uma bola de ténis que fica com um fumo vermelho se te esqueces-te de alguma coisa. - responde-me ela. - O Neville deve tê-lo perdido quando executou a última manobra para...
- Para fugir do desgraçado do Malfoy que está com vontade de nos matar. - viro-me para ele e este como se vê como alvo da minha atenção dá-me um olhar de desdém. - Com aquela cobra sempre a fazer das suas não é novidade que isso tenha acontecido. Tens a certeza que estava nesse bolso Neville? Não o tinhas posto noutro lugar?
- Eu acho que não. - e procura nos bolsos do uniforme um sítio onde possa estar o lembrador. - Eu tenho a certeza que coloquei no lado esquerdo. Ah, afinal... está no lado direito! - exclama extasiante mostrando-nos uma bola transparente que rapidamente fica preenchida com um fumo vermelho. - Ups, parece que me esqueci de mais uma coisa diferente. O problema é que não sei do que me esqueci. Isto só diz que não me lembro de algo. Não o que eu realmente esqueci.
- Ha ha, só mesmo alguém muito patético é que usaria um lembrador. Nem acredito que há realmente quem use isso. - claro que só pode ser mesmo a nossa querida serpente, que não nos deixa em paz. Que ao menos com tanto riso que se distraia e caia. Não me importava nada.
O Neville, surpreso com a intervenção do Malfoy, larga o lembrador que começa então a cair. E passa-se tudo tão rápido que nem consegui reagir. A bola, que tão depressa tinha ficado vermelha, voltou ao seu estado original, na mesma velocidade. Logo, rapidamente a deixei de ver, por uns segundos. Os suficientes para o Malfoy agir primeiro e ir no encalço da bola. E eu vejo cada detalhe dos seus movimentos, ficando maravilhado, que não faço nada para pegar a bola para dar ao Neville. A destreza dos seus movimentos é enorme. E a capacidade de observação também tem de ser boa para apanhar a bola transparente a meio de uma queda bastante rápida. De certo era capaz de dar um bom Skeeter.
Como era de esperado por mim ele apanha o lembrador, antes mesmo de qualquer um ver para que lado caiu. Ninguém se apercebe que ele o apanhou. Mal nota que wu o estou a observar, começa a brincar com a bola e, em jeito de desafio, volta a atirá-la para longe. Mal vejo a bola a sair-lhe das mãos, voo depressa para a apanhar antes do Malfoy lhe chegar. Não posso deixar que ele chegue primeiro, senão o Neville não vai ter, tão cedo, acesso a ela.
Entramos num jogo para testar quem é o melhor, o mais rápido e o mais eficiente. Parecemos mesmo as crianças que tentam mostrar que são melhores que as outras. Mas isto é mais forte que nós. Mesmo que tentasse-mos, não o conseguiriamos fazer de outro jeito. Tudo entre nós gira em volta da rivalidade e de mostrar quem é melhor.
Ele está quase a apanhar o lembrador, mas uma mudança inesperada do vento faz com que o Malfoy agarre o ar e não o objeto. Estupfacto, ele perde momentameamente a trajetória do lembrador dando-me uma oportunidade perfeita de tentar a minha sorte. Providências do destino, ou não, o facto é que eu agarrei o lembrador e, como não podia deixar de ser, tinha de exibir os meus feitos ao Malfoy.
- Querias, não era, doninha? Mas não conseguiste apanhar. Quem ganhou fui eu.
- Isso foi apenas porque o vento mudou. - diz ele enraivecido. - Se não quem apanhava era eu.
- Não importa o que poderia ter acontecido, só importa o que realmente aconteceu. Deixa de viver no mundo das suposições, e vive no mundo real. E nesta realidade, tu perdes-te.
- Não perdes pela demora. Não terás tanta sorte da próxima vez.
- Isso era o que tu querias. Tu no fundo desejas ser igual a mim, mas na verdade não chegas lá.
- Olha lá, seu testa rachada! Quem, no seu perfeito juízo desejava ser igual a ti? - pergunta ele extremamente irritado. - Quem gostaria de ter um aspeto franzino, um cabelo tão estranho que nunca fica direito, uma cicatriz horrível na testa, e uma queda para situações perigosas e cheias de adrenalina? Ninguém no seu perfeito juízo.
- Olha sabes de uma coisa? - ele faz um ar de que está a tentar ignorar a minha pergunta, mas no fundo quer saber o que eu tenho para lhe dizer. - Quem desdenha, quer comprar. E tu que insistes muito, parece que queres ser muito próximo a mim. Mais do que a vontade que tens em me odiar.
- Parem já com isso. - gritou a Madame Hooch. Se não fosse a interrupção causada por ela, tenho a certeza qie iriamos continuar nisto por horas. Pois ele já estava pronto para voltar a atacar. - Os dois estão de castigo. Vão ficar o testo da aula sentados no chão a verem os vossos colegas. Depois ainda vos vou dar um castigo melhor visto que só faltam 10 minutos de aula.
E pronto. Acaba assim a minha aula. Desço da vassoura e vou-me encostar a parede da torre de astronomia. Fico a olhar para cima a ansiar estar no topo desta. Olho para o Malfoy e ele parece que teve exatamente a mesma ideia.
