NA: Aqui têm mais um capitulo. Espero que gostem e de preferência comentem...

Capitulo 9

Draco POV

Mais um tortuoso dia começa. Poderia vir a culminar em algo perfeito. Todavia tenho um castigo hoje a cumprir. Como não podia deixar de ser o meu pai tinha de fazer uma bela cena sobre isso. Acho que se não fosse o meu padrinho o meu pai viria para cá no segundo a seguir que recebesse a minha carta e eu estaria em apuros.

Por sorte a minha mãe também o manteve lá quieto em casa. Recebi de madrugada uma carta dela, onde relatou tudo o que lá se passou, dada pelo meu padrinho que explicou-me que teve de ir à mansão para não existirem mais estragos do que os que já havia. Mas disse-me que ainda estava em problemas. Contudo já não tenho a ameaça de ver o imponente Lucius a aparecer subitamente no castelo.

O que será que tenho de fazer no castigo? Vindo daquela mulher pode ser tudo, até limpar todas as vassouras do colégio. Espero bem que não, visto que estavam melhor para varrer o chão do que para voar. Porque é que esta escola tem de ter vassouras tão velhas que quase não voam?

Terminado o meu ritual de manhã posso finalmente ir para o refeitório. Espero não ter ninguém para aturar até lá. Os meus capangas podem ir para bem longe hoje pois não tenho paciência para ninguém, muito menos para alguém tão burro ou ignorante como cada um deles.

- Sr. Malfoy.

Ora não podia ter esperado eu ter acabado a minha manhã em paz antes de vir-me importunar.

- O seu castigo está marcado para hoje à tarde às 3 horas. Compareça em frente à biblioteca juntamente com o Sr. Potter. Ah, faça o favor de o avisar. Assim começam já a cooperar os dois. - diz a Madame Hood com um sorriso estranho e arrepiante antes de se dirigir à mesa dos professores.

Bela maneira de se começar o dia. Já não bastava eu saber do meu castigo de manhã e ainda tenho de contactar o testa rachada e o seu bom humor matinal estranhamente anormal. Eu acho que ele deve dormir com aquele sorriso parvo e acordar assim. Sem dúvida isto começa bem.

...

- Oh testa rachada!

- Que é que queres oh doninha?

Doninha? Ai agora também vais começar a responder-me à letra? Isto está a ficar interessante.

- Eu? Porque é que eu haveria querer alguma coisa de ti?

- Então porque vieste atrás do Harry? – perguntou aquele malfadado do amiguinho dele que é um mero traidor de sangue. Como ele se atreve a falar assim comigo?

- Não sou eu que quero, seu traidor de sangue, mas sim a Madame Hood. Ela disse que é para estar às 3 horas da tarde em frente à biblioteca. E disse-me para te avisar. Por isso aqui estou eu.

- És muito prestável não és Malfoy? – disse ironicamente o maldito do testa rachada que eu tanto adoro implicar. – Mas vá lá, ao menos fizeste alguma coisa de útil.

- Olha, eu só vim aqui porque fui obrigado. Não penses que adoro andar à tua procura pelo castelo. Tenho mais que fazer do que estar a correr atrás de ti. Aliás, tu um dia é que irás atrás de mim. Nunca te esqueças que eu um dia te disse isto.

- É que vires falar comigo depois de uma aula de poções que tiveste em conjunto comigo é andar atrás de mim pelo castelo inteiro. – disse revirando-me os olhos. Ultimamente os leõezinhos andam muito atrevidos na sua maneira de falar comigo. - Não te preocupes, eu vou lá estar. E quanto mais depressa acabar, mais depressa me livro de ti.

E vira-me as costas e vai-se embora. Não te livras de mim assim tão facilmente Potter. Tu ainda vais andar a rastejar aos meus pés. E eu vou adorar cada minuto. E tenho a certeza que nessa altura tu irás arrepender de não me ter conhecido melhor. E eu irei sempre guardar isso na minha memória. E vou fazê-lo pagar bem caro na altura que ele vier prestar contas.

- Ah, só mais uma coisa. – diz ele ao parar e se virar para mim. – Eu não irei atrás de ti nem uma única vez na minha vida. Tu pura e simplesmente não és assim tão importante para mim.

Um dia irei ser Potter, ou eu não me chamo Draco Malfoy. E vens ter comigo com o rabinho entre as pernas. Isso é mais do que certo. Um dia deixaremos de ser meros conhecidos que implicam um com o outro para sermos algo mais. Isso vai acontecer de certeza.

É nestas alturas em que sinceramente adorava não ter um bando de idiotas atrás de mim que só fazem o que eu mando pois são burros de mais para conseguirem pensar. Porque é que ficou acordado que a família deles iria prestar vassalagem à família Malfoy. Será que a perda de inteligência já era assim tão acentuada à 200 anos atrás? Coitados dos meus antepassados. Muito tiveram de sofrer à conta de uns burros que nem para cumprir ordens servem.

Então não é que suas excelências decidem ir prestar contas com a Madame Hood? Querem ir lá obrigá-la a tirar-me do castigo. Isto é de loucos. Depois eu iria ainda sofrer mais nas mãos dela. Sinceramente, porque é que eles não têm inteligência suficiente para cumprir ordens e estarem sossegados e não me incomodarem com ideias absurdas?

Lidar com eles todos os dias e ter de lhes explicar as coisas mais básicas é desesperante. No mínimo. Só me apetece mandá-los para o sítio de onde vieram e nunca mais deixar que eles saíssem de lá.

Eu espero que cumprem a última ordem que lhes dei que é para o meu padrinho. E que desapareçam da minha vista pelo resto do dia. Se ao menos forem capazes disso recebem um doce por isso. Se calhar era má ideia, não quero que eles fiquem pior do que já estão. Eles deviam ser grandes e fortes, mas só têm corpo. Não sabem fazer nada com ele. Se desse para devolver o produto pela acumulação de defeitos era ótimo, mas acho que não dá.

- Draco.

É o meu padrinho a chamar-me. Mas o que será que ele quer? Não me digam que eles meteram os pés pelas mãos outra vez.

-O que se passa? Não me diga que eles...

- Por incrível que pareça parece que fizeram direito. É sobre o teu pai.

Ui, vem aí bomba de certeza.

- Ele ainda não está conformado com o facto de teres ficado de castigo, mas quando soube que tu não o vais fazer sozinho ele teve outra atitude completamente diferente. Por isso espero que avances mais um pouco porque se não aí ninguém te pode salvar.

- Mas como eu vou-me aproximar dele? Sei lá que castigo nós temos de cumprir. Já ouvi dizer que ela gosta muito de pôr os alunos a limpar as vassouras. Assim não há muito que eu possa fazer aquando da limpeza.

-Não te preocupes com isso. Houve alguém que ainda há pouco tempo esteve a fazer isso. Além disso são 2 pessoas de castigo e isso acabaria mais rápido. Ela veio ter comigo para vos pôr a limpar o meu laboratório. O Potter limpou-o não faz hoje 10 dias e ainda não precisa de mais lustro.

- Quer dizer que ela pode pedir a outras pessoas por coisas para limparmos? Estou tramado.

- Calma, eu sugeri um possível castigo e pode ser que ela aceite a minha sugestão e aí terás todos os motivos para te aproximares dele. Se não aproveitas é contigo. - começa a ir para o gabinete dele até que se vira para dizer mais uma última coisa. - Escusas perguntar. Não te vou dizer o que é.

Bolas, este meu padrinho é mesmo um querido, não é? Até estou para ver o que ele me arranjou. Estou mesmo a ver. Quando eu não preparava uma poção direita porque não cortava os ingredientes de maneira correta não me ensinava mais nada durante muito tempo. E ainda me punha a ajudar a limpar o gabinete dele lá na mansão dos meus pais.

Um dia eu cortei um dos pedaços 1 milímetro a menos e ele fez logo uma tempestade num copo de água. Com ele ou está perfeito ou não. Por causa disso fui obrigado a andar com uma régua para todo o lado e a andar a medir as coisas à minha volta até conseguir dizer o seu comprimento só pelo olhar. Mas se há coisa que eu sinto falta é disso, de ser o ajudante dele no laboratório de modo a poder aprender coisas novas. Tudo o que estamos a dar nas aulas já eu sabia fazer aos 6 anos.

Agora tenho é de esquecer isso e prosseguir com a vida. Tenho é de ir para a biblioteca que já está quase na hora. Não posso deixar que o Harry, ou melhor o testa rachada, chegue primeiro do que eu. Isso seria um insulto para mim.

- Hei, vê por onde andas. - disse alguém com que eu me esbarrei.

- Des... Maldito! Que fazes tu, oh cicatriz, aqui parado no meio do corredor? - respondi muito indignado. Então eu ia pedir desculpa? E logo ao Potter pelo facto de ele estar a barrar-me o caminho. Pois sim, até parece que eu faria isso. – Mas que raio estás a fazer no meio do caminho aí parado?

- Estava a ir para a biblioteca e parei para apertar o sapato. – disse apontando para o seu pé esquerdo onde pude notar que mesmo assim os cordões estavam mal atados. Realmente este testa rachada não sabe fazer nada direito

- Vê-se. Olha lá bem para ele. Continua desapertado. Será que os teus padrinhos muggles não sabiam ensinar-te a apertar os sapatos? Ou andavas com sapatos sem cordões? Não como não estavas com ninguém rico se calhar nem havia dinheiro para sapatos, não era? Uma situação de certeza bem conhecida pelo teu amiguinho traidor de sangue.

- Não falas assim do Ron. Ele não te fez nada para o tratares assim.

- Só o facto de ele existir já é razão mais do que suficiente para isso. Agora podes sair da minha frente? Estava a ir para a biblioteca quando tu te puseste na minha frente, certamente para evitares que eu lá chegasse.

- Não fiz nada disso. Aliás estava a ver se chegava precisamente antes de ti. - resmungou o maldito e começou a correr para a biblioteca.

Claro que eu não ia ficar ali à espera que ele chegasse primeiro. Nós nunca cedemos naquilo que nos interessa. E eu não o ia deixar rir-se de mim. Com tanta correria e tanta competição que acabamos por chegar primeiro, não sem antes eu empurrar o Potter contra a parede ou de ele tentar pregar-me uma rasteira.

- Muito bem. Vocês chegaram os dois a horas e ao mesmo tempo. Ainda bem que começam a colaborar melhor senão isto vais dar bronca para o vosso lado. – comentou a Madame Hood.

- Não fizemos de propósito. Estávamos a ver quem chegava primeiro. – murmurou o Potter tão baixo que eu duvido que ela tenha ouvido alguma coisa. Eu só ouvi porque por acaso estava bem próximo a ele. Demasiado próximo para o que eu queria.

- Vamos ao que interessa. O vosso castigo vai ser organizar a biblioteca.

O quê? Eu vou matar a Madame Hood. Mas primeiro vou torturar selvaticamente o meu padrinho. Nós vamos demorar imenso tempo. Por muito que eu queira conviver com o Potter duvido que aguentemos o tempo todo sem discutir.

- Como toda a biblioteca seria o exagero, vão organizar o que realmente interessa. Vocês alunos muito gostam de desportos e de ler tudo sobre o vosso desporto favorito, mas esquecem-se de que essa secção da biblioteca também precisa de ser organizada. E a bibliotecária dá em doida por ter de estar sempre a organizar. Por isso o que têm de fazer é organizar tudo e terem a certeza de que no final do dia continua tudo direito. – disse a Madame Hood.

- Vai ser um trabalho árduo. Os alunos estão sempre a fazer bagunça naquela área. Vou estar a tarde toda naquelas prateleiras.

- Sim Sr. Malfoy. Vai ser isso mesmo. Mas para além de organizar, visto que isso é muito fácil, vão ter de fazer um trabalho sobre um desporto que parece que gostam muito, o Quidditch. Têm a tarde toda para o fazer e quero que me entreguem amanhã de manhã dois pergaminhos sobre o assunto, no mínimo. Se quiserem fazer mais é convosco. Mas para mim acho que é o suficiente para se fazer o trabalho. Não é um pergaminho por cada um de vocês, mas sim que os dois sejam resultado da vossa colaboração conjunta. Bem tenho dito, bom trabalho.

Bom trabalho… pois claro. Ela quer infernizar a minha vida. Pensando melhor eu vou ter uma bela conversa com o meu padrinho. Não vai sair nada de bom daqui. Tenho a certeza.

- É melhor começar o quanto antes. Se começarmos cedo, mais depressa acabamos e vamos à nossa vida longe um do outro. – afirmou o maldito do testa rachada.

- Deve ser a primeira vez que concordamos em algo. Mais vale ver como está a situação na secção de desporto e depois vemos o que pudemos fazer para organizar aquilo tudo.

E assim entramos na biblioteca e fomos diretamente para a secção que nos interessava. Isto é um pouco estranho nós os dois estarmos aqui a andar um ao lado do outro. Só queria é que o dia terminasse sem nenhuns danos colaterais, visto que sempre que nos juntamos nunca acontece nada de bom.

Chegamos lá e todas as prateleiras estavam reviradas, as mesas entre as prateleiras cheias de livros que deveriam estar no lugar. E algo me dizia que ainda havia muitos exemplares que pura e simplesmente não estavam naquela parte da biblioteca. Aquilo não parecia ter sequer uma organização lógica.

- Nós devíamos falar com a bibliotecária e perguntar que tipo de organização os livros têm. Podem estar por tipo de desporto, por autor, por editora, por ordem alfabética, ou qualquer outra maneira. Acho que primeiro deveríamos saber isso. E ver se há mais livros para além destes, porque eu duvido muito que só sejam estes.

- Por esta não esperava Potter. Sim concordo contigo, mais uma vez. Sem dúvida que primeiro é melhor ver como é organizado e depois começar realmente a organização. E quanto tudo estiver no sítio já podemos começar o trabalho para entregar.

- Senhorita Ferrer importa-se de vir aqui num instante? – mas quem é que o testa rachada está a chamar? Ah, já sei. A bibliotecária está a vir nesta direção, por isso deve ser ela. – Nós hoje ficamos encarregados de arrumar a secção desportiva daqui e chegamos e vimos esta enorme confusão. O que queríamos saber é como está organizada esta secção e se são só estes os livros que aqui existem.

- Boa tarde Harry. – que raio de intimidade é esta que há entre eles? – Bem esta secção está geralmente organizada por desporto, em ordem alfabética. E dentro de cada desporto está tudo também por ordem alfabética. Existem separadores que se colocam para distinguir que tipo de desporto se trata. Nas primeiras prateleiras ficam os livros, nas de baixo ficam as revistas. Estas são organizadas apenas por desporto. Há mais livros do que os que aqui estão. Eu invoco-os num instante e coloco-os aqui à vossa disposição.

- Muito obrigada pela sua colaboração. Foi-nos muito útil. – agradeceu o cicatriz um pouco corado. Agora ele não pode ver alguém bonito que fica logo assim.

Pois se calhar não devia pensar isto, mas realmente a bibliotecária é bastante bonita. É uma bela morena, com os cabelos em forma de ondas a caírem suavemente pela sua cara em formato redondo. Tem uns olhos que me lembram o castanho de algumas das madeiras que tenho em casa nos armários. É muito jovem, demasiado para estar aqui presa entre os livros. Porém parece que adora este ambiente. Só queria perceber o motivo de estar aqui a olhar para ela em vez de tentar perceber como é que eles se tornaram conhecidos um do outro.

- De nada Harry. Estou sempre aqui ao dispor das pessoas para qualquer assunto que envolva os livros. – disse ela muito sorridente.

- Desculpe, mas não há uma forma de fazer com que os livros voltem à sua posição original sempre que sejam usados e que mudem de sítio? – fiz esta pergunta pois é bastante pertinente. Então se há forma de que os livros voltem ao sítio onde estavam, por que motivo não o fazem?

- Realmente existe um feitiço que possa assegurar isso, mas como nem todas as pessoas têm acesso a ele as coisas ainda funcionam desta maneira. Lembro-me de ter a sua idade menino Malfoy e de eu mesma colocar essa questão, pois vinha muitas vezes à biblioteca e raramente estava tudo no sítio. Ainda não se tinha inventado um feitiço que pudesse ser alargado a toda uma biblioteca. Mas acho que agora já há algum. Se quiserem eu posso verificar isso e venho trazer-vos a informação.

- Desculpe estar a chatear com isto, mas se realmente já há algo assim, então porque não está a ser aplicado? Em minha casa tenho uma biblioteca com muitos livros e está sempre organizada. Aliás não me lembro sequer de alguma coisa estar desordenada por lá.

- Não me chateia de modo algum menino Malfoy. Aqui não é aplicado porque geralmente um dos castigos preferidos dos professores, quando não se lembram de mais nada é precisamente arrumar a biblioteca. Mas tenho a certeza que, se os estudantes castigados recorressem a esse feitiço, poderia reduzir o número de castigos que estão aqui a ser feitos. Quanto ao caso de que me falou, de certeza que em sua casa sempre lhe disseram para pôr tudo no lugar de modo a voltar a conseguir encontrar tudo. E se o menino desarruma-se aquilo os seus elfos punham a sua biblioteca arrumada num instante.

- Pois se calhar tem razão. Se conseguisse arranjar esse feitiço seria uma grande ajuda para nós. Obrigada pela atenção.

- De nada menino Malfoy. Em já venho com a informação para vocês e com o resto dos livros que faltam.

E foi se embora deixando-nos aos dois com o nosso trabalho.

- Nunca pensei…

- Nunca pensou Potter? Mas isso é o que geralmente acontece. Tu não pensas nas coisas.

- Nunca pensei ouvir-te a agradecer a alguém. Muito menos a ser simpático com as pessoas. Geralmente já se percebe a tua ironia antes mesmo de abrires a boca.

- Geralmente sou simpático com quem merece. E agradeço quando realmente me ajudam. Já reparaste que se realmente existir esse feitiço só precisamos de arrumar tudo uma vez? E depois podemos fazer o trabalho escrito e ir cada um para seu lado e garantimos que no final do dia vai estar de volta tudo ao sítio.

- A ideia que tiveste foi mesmo boa. Talvez consigamos acabar tudo isto sem nenhum dano. Até nos estamos a entender em alguns aspetos. Bem mãos à obra. Vamos ver primeiro de que desportos é que falam e depois colocamos os separadores por ordem alfabética. No fim é só pôr os livros no sítio.

Rapidamente tiramos tudo de cima das mesas para voltar a colocar lá, mas separado em desportos citados. Passado algum tempo a bibliotecária voltou com o resto dos livros e nós completamos a lista de desportos. Tinha acabado de pôr o último separador na estante quando ela regressa com um livro grosso na mão.

- Aqui está o que me pediu menino Malfoy. Realmente existe um feitiço, mas é demasiado complexo. Não sei se um de vocês o conseguirá completar.

- Não dá para sermos os dois a fazer ao mesmo tempo? Assim talvez o feitiço ficasse mais forte.

- Muito bem pensado Harry. Era o que eu ia sugerir. Se te juntares ao menino Malfoy juntos de certeza que conseguem executá-lo. É este aqui na pág. 2569. Vou voltar ao meu lugar, ainda tenho muito que fazer hoje.

- Obrigada pela sua ajuda senhorita Ferrer. – disse o Harry corando mais uma vez.

- Oh querido, não tens de quê. Já sabes que estou aqui para o que precisares. – como é evidente o testa rachada ficou ainda mais vermelho. - E se o menino Malfoy alguma vez também precisar de ajuda eu estou sempre por cá. Bom trabalho.

- Isto realmente parece um pouco complicado. – disse o Harry olhando para o livro. – Mas de certeza que juntos o podemos fazer.

Por momentos fiquei parado a olhar para ele a verificar se realmente era o mesmo Potter que conhecia. Só podia estar a ver coisas. Ele não falaria para mim de um modo calmo e a sorrir para mim. A sorrir para mim. Nunca pensei que um sorriso dele algum dia fosse dirigido a mim. Claro que já o imaginei, mas na realidade nem sempre temos o que queremos. E ele a sorrir fica ainda mais lindo. Parece que toda a alegria ficou concentrada na cara dele.

Permaneci estático durante algum tempo e a sorrir também, pois o sorriso dele era deveras contagioso. Até que ele desviou o olhar e concentrou-se no livro. Ao fim de várias tentativas falhadas conseguimos completar e foi com imensa alegria que vimos tudo a voar para o seu devido lugar.

Seguidamente, principiamos o trabalho sobre Quidditch. Sempre que víamos alguém a pegar num livro ficávamos apreensivos se realmente voltaria ao seu devido lugar e era sempre com uma enorme satisfação que observávamos o retorno do mesmo livro.

Nem dei pelo passar do tempo. Estávamos tão entretidos no trabalho e a conversar de forma amigável que quando finalizamos até me deu vontade de começar tudo de novo. Foi uma experiência realmente boa. Pusemos de parte tudo o que nos definia e tentamos alcançar um objetivo em conjunto. E correu tudo bem, apesar da desavença antes de entrarmos na biblioteca.

Até falei um pouco da minha vida, do tempo em que eu ia jogar Quidditch com filhos de colegas do meu pai. Era sempre o Skeeter, pois era o mais pequeno e também o mais rápido. Claro que não lhe disse que era o mais pequeno, apenas o mais ágil. E conversamos do que realmente nos interessa no quidditch. Sem dúvida que a sensação de liberdade que se tem quando montamos a vassoura e iniciamos o voo foi a que elegemos como a melhor sensação durante um jogo.

- Francamente Malfoy, quando queres consegue-se ter uma conversa civilizada e calma contigo.

- Estás a dizer que não sou civilizado? – até agora estivemos bem e ele começa agora a insultar-me? Mas que é isto. Eu não admito isto. Estava tudo tão bem.

- Não é isso. Queria referir-me que apesar das nossas guerrinhas tivemos uma agradável conversa sem nenhum insulto à vista. Será que levas as coisas sempre pelo lado negativo?

- Pensei que estivesses a insultar-me. E eu reajo sempre a qualquer insulto.

- Já tinha reparado nisso. Se não tivéssemos começado com insultos poderíamos ter começado com o pé direito em vez de ser aos trambolhões. Gostei mesmo da tarde de hoje. Sei que não era para diversão, e sim um castigo, mas não me importei de o ter passado contigo. Conseguiste numa tarde melhorar um pouquinho a relação com as pessoas ao ponto de nos conseguirmos dar bem. Só gostaria que esta onda de boa disposição da tua parte para comigo durasse mais tempo e aparece-se mais vezes. Afastado de tudo e de todos percebi que tu na realidade não és só aquela máscara de indiferença que sempre usas e que foste habituado a ser. Obrigada por me mostrares um pouco da tua verdadeira personalidade. Até uma próxima.

E assim com um sorriso nos lábios passa por mim e vai-se embora. Jamais ponderei que fosse ouvir aquilo vindo dele. Quem me dera que esta boa onda durasse muito tempo. Porém eu sei que se algum amiguinho dele me insultar eu irei responder e toda esta nossa convivência pacífica não passará de uma breve ilusão. E que em frente dos meus eu voltarei a ser aquele que sempre terei de ser á frente da sociedade. Pois foi assim que fui criado e é assim que terei de ser até que decida deixar tudo o que conheço para trás. Ou então até ao momento em que tudo o que me obriga a comportar-me desta forma tenha esvanecido da minha vida.