NA: Mais um capítulo. Espero que gostem.

Estou a pensar escrever um capítulo especial sobre o Natal de um certo casal que andou acalorado no balneário 2 capítulos atrás, mas não sei se é isso que podem querer, mas que eu acho que seria interessante e assim testaria até que ponto eu posso ir nos meus lemons.

Acham boa ideia ou não? Opinião precisa-se.

Capitulo 10

Harry POV

Desde que aqui cheguei que a minha vida deu uma grande reviravolta. Pela primeira vez posso fazer o que me apetece sem dar grandes justificações, tenho bons amigos, não tenho de aturar as birras do meu primo nem os ataques dos meus tios. Tenho finalmente sossego, se assim o desejar.

Não pedi propriamente para ser popular, bastava que apenas tivesse uns poucos amigos e estava tudo bem. Mas há tanta gente que me quer conhecer, que quer ser minha amiga. Isso tudo só serve para me sufocar. Todos têm objetivos ao entrarem em contato comigo. Às vezes penso que o melhor mesmo era eu transformar-me noutra pessoa qualquer para garantir que só se aproximavam de mim aqueles que realmente me queriam conhecer.

Mas com tantas voltas, tantos acontecimentos que mal dei conta que o Natal aproximava-se a passos largos. Esse dia para mim não era sinónimo de alegria, nem de amor ou carinho. Era mais um dia do calendário, mais um dia que tinha de sobreviver aos meus tios. Geralmente saíam durante todo o dia, iam ter com a família da parte do meu tio e, regra geral, ficavam fora de casa desde a tarde do dia 24 até à noite do dia seguinte. Para mim era uma alegria se isso pudesse ter acontecido todos os anos. Mas, quando tal acontecia, geralmente trancavam-me na despensa por debaixo das escadas, onde eu ficava sem ter muita manobra de espaço e com comida e água até eles voltarem.

Quando regressavam, perguntavam-me sempre como tinha sido o meu Natal e gabavam-se do que viveram. Quase sempre o meu primo exibia os presentes que tinha ganho de modo a tentar fazer-me inveja. Não posso dizer que não tinha prendas, mas se calhar até preferia não ter nada. Comparado com o que eles ofereciam uns aos outros, as minhas prendas pareciam que era mais para o gasto e nada mais. Nunca recebi algo supérfluo, tudo tinha um uso quase que imediato. Calhava-me sempre algo usado pelo Dudley ou então algo que eu pudesse usar para a limpeza. Uma vez recebi como prenda panos para a cozinha e um balde com esfregona.

Portanto acho que não era necessário referir o quanto esta data se tornou importante a partir do momento em que aqui entrei e comecei a ter uma vida mais normal do que a que tinha vivido desde que fiquei ao encargo dos meus tios. O Ron e os irmãos não iam a casa nestas férias. Os pais foram convidados por familiares distantes, então como não podiam ir tiveram de ficar na escola. Para mim foi mesmo muito bom. Tinha companhia para passar o tempo, visto que quando soube que podia ficar cá nas férias tratei logo de avisar os meus tios que não ia a casa. Eu fiquei aliviado e de certeza que eles também.

Não ficou muita gente aqui. A Hermione foi para casa, mal aguentava de saudades dos pais. Sendo assim, finalmente eu e o Ron pudemos fazer várias asneiras sem que ela soubesse. Porém, antes de ir, obrigou-nos a fazer os trabalhos de casa todos. Esteve ao nosso lado na biblioteca como uma inspetora de modo a garantir que os fazíamos e que não lhe íamos pedir os dela emprestado. Depois disso foi finalmente de férias e com a consciência tranquila. Já nós que estávamos um bocadinho fartos de fazer trabalhos, foi como se entrássemos no paraíso da diversão.

Tirando tudo isso, basicamente ficamos praticamente com o castelo todo só para nós. Da nossa equipa só estávamos eu o Ron e os irmãos dele. Do resto das equipas estavam cerca de 5 pessoas. Dos Slytherin não ficou ninguém. Acho que ninguém era capaz de sentir falta deles. Talvez sinta falta das brigas com o Mlafoy, mas não seriam umas boas férias se tal acontecesse.

Se bem que eu fiquei impressionado com a mudança do Malfoy. Não conseguíamos estar 2 minutos sossegados sem que alguém começasse a insultar o outro. Foi sem sombra de dúvidas chocante quando estivemos uma tarde inteira de castigo a fazer um trabalho e tudo correu bem. Aliás a Madame Hooch ainda nos deu os parabéns por termos realizado um trabalho tão bom. De certeza que deve ser das poucas vezes em que a secção de desportos da biblioteca está muito organizada.

Ele não é apenas aquele menino mimado que eu conheci ao princípio. Aquele que, como muitos outros, só queria beneficiar da minha amizade. Se calhar ainda pensa isso, mas pelo menos a sensação que passou para mim naquele dia é que ainda há muita coisa que irei descobrir sobre ele ao longo do tempo. Não quero dizer que serei amigo dele. Mas será errado eu tentar conhecer alguém que no início só queria receber benefícios pelo facto de estar comigo? Será que eu não me darei mal com esta minha escolha? Sinceramente eu não gosto de fazer juízos sobre as pessoas sem as conhecer, mas será que ele deixará que eu o conheça? Não tentará ele iludir-me para esconder o que realmente quer?

Muitas são as perguntas que, com a volta dele à escola, tentarei de certa forma responder. Tenho de ver como ele reage. Eu sei que à frente das outras pessoas ele tem uma maneira de ser, que reflete um pouco da sua personalidade. Porém eu gostaria mesmo era de o encontrar sozinho e num dia bom. Definitivamente não posso ter ninguém ao meu lado, ou ele volta a fechar-se em copas e não se abre. Só espero não estar a tentar abrir uma concha que está vazia por dentro, sem nenhuma pérola para iluminar o momento da abertura.

Voltando ao assunto anterior, acho que de todas as pessoas que ficaram no castelo eu deveria certamente ser o mais entusiasta com a aproximação do Natal. Não deixei escapar nenhum pormenor. Fiz vários bonecos de neve, uns mais defeituosos que outros. Os gémeos chegaram a enfeitiçar um dele que ficou a cantar músicas de Natal na nossa sala comum. Pelos corredores viam-se enormes decorações. Uma grande árvore apareceu no salão comum e as mesas das equipas desapareceram para dar lugar a uma só mesa. Eramos tão poucos que não se justificava a separação.

Também no nosso dormitório houve decorações. E eu fiquei muito contente quando nos disseram que podíamos ajudar. A parte mais divertida foi da árvore e das tentativas frustradas da minha parte de pôr uma estrela no cimo dela. Esqueci-me que estou no mundo mágico e como tal, em vez de tentar subir em cima dos sofás para lá chegar, bastava um simples Wingardium Leviosa para que a estrela chegasse em segurança ao seu posto. Tirando isso o resto foi muito fácil. No final nós estávamos cheios de enfeites em toda a parte e parecia que nós próprios fazíamos parte da decoração.

O Percy disse que eu parecia uma criancinha que nunca tinha feito decorações de Natal. E ele estava certo. Os meus tios não me deixavam tocar em nada, diziam que eu podia partir facilmente os enfeites por ser tão desastrado. Mas não havia problema nenhum que o Dudley todos os anos estragasse mais de metade dos enfeites. Quando se aperceberam que eu não respondi ao Percy verificaram que o que ele disse era verdade. O Percy desculpou-se, não sabia dessa parte da minha história de vida e ficou envergonhado por ter feito tal comentário. Eu ressaltei que não tinha ficado magoado com as palavras dele, ele apenas disse a verdade por muito que pensasse que estava apenas a meter-se comigo.

O que eu mais gostei foi da ceia de Natal. O teto do salão comum refletia a queda de nave que se passava fora das paredes do castelo e até havia mesmo neve a cair à nossa volta. O salão estava praticamente branco e estava decorado apenas com as cores da época. As bandeiras das equipas foram substituídas por imagens de azevinhos e de pinheiros. Devia ser fruto da minha imaginação mas parecia que estávamos no meio de uma floresta pelo cheiro que estava impregnado a todas as partes do salão.

Na escola, como tinha dito, não ficaram muitos alunos. E da parte dos professores também não. Só estava lá o diretor, a professora McGonagall, a professora Trelawney, o carrancudo do Snape, o Hagrid e o Argus Filch. A Madame Pomfrey, a enfermeira, esteve lá as férias todas, menos na ceia. Ou seja era um pouco esquisito estar a uma mesa com todos eles, mas de certa forma o ambiente parecia muito suave. No final da ceia eu próprio já não sabia quem é que estava mais contente no Natal, se eu ou os outros. Fizemos um pouco de tudo ao jantar, desde conversar a cantar. Sem dúvida que nunca tinha imaginado o Filch a cantar, parece um cano rachado. Eu acho que se houvesse vidros por aqui eles partiam-se. Os copos pelo menos estalaram algumas vezes.

No final da ceia fomos para o dormitório. Aproveitamos e trocamos as prendas que tínhamos comprado para o efeito e ficamos lá a cantar, a jogar jogos e a conversar até ser já muito tarde e todos estarmos cansados. Foi o melhor Natal da minha vida. Mas parecia que ainda havia muito que acontecer. Eu não sabia que ainda estava para vir as prendas de fora. Pensei que cada um receberia quando fosse a casa. Então qual não foi o meu espanto quando no dia seguinte fui acordado pelo Ron aos berros a dizer que queria abrir as prendas e que eu nunca mais acordava.

Mal abri os olhos e já ele estava a chegar-me um presente para as minhas mãos. Quando estava completamente desperto apercebi-me que ele já tinha começado a abrir mesmo sem mim. Tinha já vestido a típica camisola que me falaram na noite anterior, e estava prestes a abrir a segunda prenda, que não era mais do que um conjunto de guloseimas: desde sapos de chocolate, a feijões de todos os gostos e também alguns rebuçados, em forma de cilindro enfiado num pau, de várias cores. Quando lhe perguntei quem lhe tinha oferecido disse-me que não sabia, mas que devia ser de alguma admiradora secreta. Eu sinceramente duvidei.

Durante o dia inteiro ele não se fartou de comer todos os doces que tinha ganho. Ficou todas as pessoas a olhar para ele todo lambuzado de chocolate. Até o prof. Snape deve ter achado estranho quando passou por nós logo na altura em que ele estava a lamber os rebuçados cilíndricos grandes. Eu nessa altura se fosse a ele só quereria enfiar-me num buraco e não sair de lá mais. O resultado de tantos doces foi uma visita um pouco prolongada à enfermaria, com a madame Pomfrey a ralhar com ele.

Com um entusiasta à minha beira, antes de toda a romaria que aconteceu com os doces, eu tratei de ver o que me tinham oferecido. E aos pés da cama tinha um monte enorme de coisas só para mim. Eu fiquei muito feliz de ter tanta gente a gostar de mim. Recebi: uma camisola, da parte da mãe do Ron; um conjunto de penas e tinta, da Hermione; um álbum fotográfico com fotos dos meus pais, da parte do Hagrid; um monte de cromos de sapos de chocolate, obviamente do Ron. Até os meus tios tinham mandado alguma coisa, um par de peúgas mas claro que da parte deles não esperava nada.

Todavia houve dois embrulhos que me chamaram a atenção. Um tinha um manto, com um papel a dizer que tinha pertencido ao meu pai e que era para eu usar bem. Mais tarde descobri que era um Manto da Invisibilidade. Como é que o meu pai tinha uma coisa destas? É que isto tem tantas possibilidades que nem dá para imaginar tudo.

O outro embrulho tinha um livro sobre toda a história do Quidditch. Porém não dizia de quem era, não tinha um cartão nem nada. Pelo aspeto do livro parecia ser bem caro e tinha uma encadernação muito bonita. Mas quem me terá dado esta prenda? Certamente não foi a Madame Hooch, ela não compraria algo tão caro para os alunos. Ainda pensei que pudesse ter sido a Senhorita Ferrer, a bibliotecária, mas desde logo desisti dessa ideia. Ela não tinha posses para algo do género e se tivesse comprava primeiro algo para ela. Desde então tenho estado a ponderar quem é que me poderá ter enviado aquilo, não obtendo qualquer sucesso a obter a resposta.

E assim se acabaram as férias de Natal. E estou de volta à rotina diária. A Hermione já está de volta assim como todos os alunos e professores que tinham ido a casa nas férias. Não sei porquê mas parece que o Natal em casa dos Malfoy não foi divertido. O Malfoy voltou com uma cara de poucos amigos e parecia cada vez pior. Uma altura apanhei-o sozinho nos corredores e só faltava ele começar a lançar feitiços por todos os lados de modo a me pôr na enfermaria. Eu devo ter feito alguma coisa de mal e não me apercebi.

Se calhar pode ser que os pais não lhe tenham dado o que ele quis este Natal. Visto que ele é um menino mimado só podia ser isso. Ele quase que me tirou o meu livro novo à força. Estava eu sossegado num banco do pátio interior a ler bastante entusiasmado o livro e ele chega, dá-me um encontrão e ainda tenta tirar-mo. Será que ele queria assim tanto este livro e ninguém lho deu? Eu realmente não o percebo. Um dia é todo simpático, no outro tem um ódio infernal por mim. Eu ainda gostaria de perceber o que se passa na cabeça dele. Contudo vou deixar de me preocupar de momento.

Agora o que preciso mesmo é de voltar a concentrar-me nos estudos e no treino. Apesar de ter aproveitado as férias também para treinar Quidditch, não dava para estar muito tempo lá fora. A temperatura está tão baixa que nós congelamos se estivermos muito tempo seguido a jogar. Mas tenho de voltar a treinar pois dentro de pouco tempo temos o próximo jogo e não vale a pena eu jogar se irei ficar quieto e parado por não aguentar o frio. Essa é talvez a única desvantagem de um jogo que é feito ao ar livre e em cima de vassouras. Aquela sensação de liberdade deixa de fazer efeito e parece que estamos a ser espicaçados com espinhos de neve.

Todavia ainda tenho tempo para isso. Nos entretantos tenho de descobrir quem me deu o livro. Isso está a dar cabo de mim. Não consigo mesmo perceber quem teria feito isto e não dizer quem é. Qual a razão para se esconder? Será que eu aceitaria o presente se fosse dado em mãos pela pessoa que o comprou? Será que é por isso que não se identificou? Tantas são as perguntas, mas sem uma pista que possa ajudar na resolução do mistério.

Draco POV

Eu vou matar aquele maldito do testa rachada. Mas não antes sem o torturar direito. Deixa-me ver. Primeiro vou começar por o raptar e colocar numa cave sem luz e toda húmida. Depois vou deixá-lo ficar lá com as mãos acorrentadas e ligadas por correntes ao teto e vou deixá-lo de pé e também com correntes nos pés. Vai lá ficar um tempinho sem água nem comida. Quando achar que está preparado vou lá e começo a bater-lhe com um chicote até ele ficar meio inconsciente. De seguida começo a fazer cortes na pele dele e abandono-o por uns tempos para ele ficar a marinar no seu próprio sangue. E tudo isto porque ele resolveu ignorar-me no Natal.

Fiquei em expectativa todos os dias desde o começo das férias e depois o que eu consigo com tanta espera? Nada, só consigo alcançar o vazio. Ah ele vai pagar-me bem caro por isto. Ou eu não me chamo Draco Malfoy. Ao menos a viagem que fiz com os meus pais serviu para me distrair um pouco. Fui visitar os meus parentes à França e desde que lá cheguei pouco tempo tive para pensar o que quer que fosse. Mas mal pus os pés em Inglaterra só me apetecia ir de imediato para Hogwarts para esganar um certo moreno de olhos verdes e com uma cicatriz estúpida no meio da testa.

Nem posso acreditar que, enquanto eu estive à espera, o desgraçado andava pelos corredores a saltar e a divertir-se com o ruivo traidor de sangue. O meu padrinho tratou de me fazer um belo relatório sobre tudo o que aqui se passou. Talvez seja por isso que ele recusou o nosso convite de vir passar o Natal connosco.

Tirando o facto de ter ficado impacientemente à espera de que uma coruja das neves viesse ter comigo, as minhas férias foram do mais sossego que é possível ter ao lado de primos irrequietos. Quantas não foram as vezes em que lhes preguei umas quantas partidas para apenas me deixarem em paz. É claro que sabiam que muito provavelmente era eu por detrás de tudo, mas nunca tinham como me ligar à situação. Eu sou demasiado bom para ser apanhado em flagrante.

Como de costume, as minhas prendas foram precisamente o que eu queria. Eu posso ser mimado, mas fui assim habituado. Já a prenda que mais gosto de receber é do meu padrinho. Este ano foi um conjunto para fazer poções. Como seria de esperar foi logo posto em prática.

O que eu esperava mesmo era qualquer coisa vinda de outro lado. Eu tive um trabalho imenso a convencer o meu padrinho a fazer tudo direitinho e nem sequer recebi um obrigado. Não recebi nada. E depois fica a exibir as coisas e eu passo e não liga nenhuma. Eu acho que ele não é assim tão burro ao ponto de não juntar tudo e perceber que eu estou por detrás do presente.

Não é preciso ir muito longe. Antes das férias estivemos juntos a fazer um trabalho sobre desporto e ainda por cima sobre Quidditch. Estivemos horas na biblioteca a preparar tudo e falar sobre o que mais gostamos nesse desporto em particular. A própria da Madame Hooch nos deu os parabéns por termos feito um bom trabalho. Não me digam que ele pensa que o livro vem da Madame Hooch. Certamente o testa rachada saberia que ela não daria nada assim tão caro a um aluno. A outra alternativa pode ser aquela bibliotecária, mas eu duvido que ela tenha posses para tanto.

No fim de contas só sobrava eu, não é? Ou ele acha que eu não era capaz disso? Eu trato as pessoas de que gosto bastante bem e foi por isso que resolvi dar-lhe de presente algo que certamente ele iria gostar. Mas ele não soube juntar tudo e perceber que eu fiz alguma coisa por ele. Por isso fiquei tão irritado por ele não me ter contactado todo este tempo. Pensei que ao menos fosse receber uma carta de agradecimento. Nem isso. Quando voltei para o castelo pensei que ele pudesse querer dizer-mo pessoalmente. Também não aconteceu.

Não acredito que estou a dar tanta importância a isto. Primeiro, eu queria servir-me dele para que o meu pai me deixasse em paz. E ele não me aceitou, sinceramente eu também não aceitaria ninguém assim mas não quer dizer que não fiquei sentido com o que aconteceu. Segundo, quando pus tudo o que o meu pai queria de lado mesmo assim não me quis conhecer. Apenas consegui falar com ele quando realmente decidi que ia mudar um pouco para permitir a aproximação dele. E o que ele faz? Fala comigo de uma forma simpática, mas quando eu lhe ofereço algo nem põe a hipótese de poder ter sido eu.

Sou sempre eu que ando atrás. Sempre eu que tento arranchar motivo de briga apenas para que ele olhe para mim e tente perceber que não sou assim. Sinceramente estou farto de tudo isto. Queria que ele viesse falar comigo, perguntar como foram as férias, ou outra coisa qualquer. É cansativo tentar dar o primeiro passo e não se obter nada em troca.

Nas poucas oportunidades que o vi sozinho só me apetecia dar-lhe um estalo ou fazer figuras à frente de todos. Mas os Malfoy não são de chamar a atenção para eles mesmos. Para isso já basta a nossa presença. A partir de agora não irei fazer mais nada. Mas se me insultarem serei o mesmo de sempre. Ele merece por me estar a ignorar. Agora serei eu a ignorar. Se os amiguinhos dele voltarem a fazer das suas eu não me irei conter. Nem que para isso ele fique outra vez com uma impressão errada sobre mim. Desta vez não irei atrás dele. Será ele que me irá procurar.