Desculpem o atraso, mas tanta coisa se passou no último ano e não deu tempo.
Sem mais demoras... divirtam-se
Capítulo 13
Harry's POV
Por vezes o tempo passa tão devagar que nos fartamos de fazer as coisas mais simples do dia-a-dia. Ultimamente não é o que acontece. Com testes, aproximação dos exames finais, treinos e jogos de Quidditch, mais estudo e encontros furtivos não deu sequer tempo de estar a admirar a passagem do mesmo.
Claro que o bom de todo o esquecimento foi o tempo bem passado. Se soubesse que o ano se aproximava rapidamente do fim ficaria tão deprimido, por estar a chegar à altura de ter de voltar para a casa dos meus tios, que não aproveitaria tanto como até agora.
A parte melhor de tudo foi passar a conhecer melhor o Draco. Nossos encontros eram recorrentes e muitas vezes apenas nos juntávamos para estudar. Ele é uma melhor companhia do que o Ron e a Hermione, no que toca ao estudo. Não está sempre a verificar se estou mesmo a estudar (hábito que a Hermione ganhou com a aproximação do final de ano) e não me tenta distrair (como o Ron tem feito para ver se consegue livrar-se do estudo). Pelo contrário, está sempre apto para esclarecer algumas dúvidas que possa ter sem me criticar por não estar atento nas aulas. Visto desta maneira até parece que eu não gosto minimamente de estar com os meus amigos, não é nada disso. Porém o Draco tem qualquer coisa de especial que me faz querer estar com ele.
Sempre nos nossos encontros, que não foram poucos (pelo menos uma vez por semana no início e bastante espaçadas até começar a ser cerca de 3 vezes por semana), ele usava o gancho que lhe ofereci, o que fazia com que eu ficasse bastante contente. E, apesar de o ver nesses dias nas aulas ou mesmo nas refeições, nunca o vi a usar o gancho em público. Um dia decidi perguntar-lhe o porquê de tal acontecer.
- Draco porque é que não usas o teu gancho fora dos nossos encontros? Eu acho que te fica muito bem.
- Oh Harry sabes bem que não posso andar assim por aí. As pessoas da minha casa perderiam todo o respeito por mim. Não posso permitir que tal aconteça, portanto não posso usar em público.
- Então, quer dizer que não gostaste?
- Claro que gostei é lindo mas… vá lá Harry imagina os outros a verem me assim… acho que iria morrer de vergonha.
Aí percebi que o Draco estava a começar a confiar em mim por me mostrar aquele lado mais frágil e fofo e também percebi que, por alguma razão completamente desconhecida, também não ia gostar que os outros vissem o Draco assim tão lindo, como constatei na altura em que lhe pus o gancho pela primeira vez.
- Tudo bem Draco, acho que este pode ser um segredo só nosso. Mais um a juntar à coleção.
E não resisti a voltar a passar lhe a mão no cabelo junto ao gancho. Instintivamente nós dois coramos ainda mais do que já estávamos no início da conversa.
Desde esse momento pensei que protegeria este segredo a todo o custo e não iria deixar que ninguém o visse assim.
Tirando as aulas, que são muito pouco interessantes para fazer menção a elas, e os treinos de Quidditch pouco tempo me sobrava para estar com os meus amigos. De vez em quando explorávamos uma parte do castelo, mas até isso se tornava aborrecido. Então passamos a tentar entrar no 3º andar. Apesar de sabermos que era proibido, nada nos impedia de ir lá e investigar. Das várias vezes que tentamos tivemos de nos esconder à pressa do professor Snape, que estava sempre a querer entrar ou então a sair da porta que dava acesso ao 3º piso.
Claro que isso apenas nos motivava a saber o que lá estava escondido. Numa das excursões chegamos a entrar para nos escondermos do Sr. Filch. Qual não foi o nosso espanto quando vimos um cão gigante com três cabeças a fitar-nos como se fomos um prato delicioso de comida. Desesperados saímos tão depressa quanto tínhamos entrado e por sorte não fomos apanhados por ninguém.
Mais tarde, quando voltamos a pensar no assunto o Ron notou que havia um alçapão junto às patas do grande cão. A Hermione presumiu logo que estariam a guardar algo muito importante e que era a única razão para um cão tão perigoso viver no castelo. Daí até ao facto de que o Snape estava atrás do que quer que estivesse no alçapão foi uma questão de tempo.
Só faltava conhecer o conteúdo e o porquê de ser lá colocado. Quem melhor para saber o que lá estaria? O Hagrid deveria na certa saber, visto que deve ser dos poucos a conhecer o cão e o que lá está guardado. Obviamente começamos por rondar o Hagrid sobre as mais diversas criaturas que poderiam existir à face da terra. No começo o Hagrid apresentou-nos o Norbert, um dragão que ele tinha ganho de um desconhecido e que decidiu criá-lo completamente sozinho sem informar o diretor. Ainda tentamos durante um tempo alertar o Hagrid para o facto de estar a criar um animal selvagem e que quando crescesse seria impossível controlá-lo, contudo de nada adiantou a nossa conversa.
Conversa puxa conversa e descobrimos que o Hagrid não só sabia sobre o cão como foi ele próprio que o criou. Fluffy é o nome do cão. Só mesmo o Hagrid para dar um nome fofo a um cão que quer comer todos os seres-vivos que entrem na sala. O que também nos apercebemos foi que não fomos os primeiros a fazer perguntas sobre o Fluffy. O tal desconhecido que lhe entregou o ovo de dragão também tinha imensa curiosidade para animais estranhos. Como o Hagrid nunca lhe viu bem a cara poderia simplesmente ser o Snape a querer informações sobre o mesmo. Se o Hagrid contou quase tudo a nós, até mesmo como acalmar o Fluffy, na certa também falou para o Snape.
Conclusão: o Snape não deve demorar a tentar novamente e de forma eficaz. Como o Hagrid também mencionou que o que estava lá guardado era do Dumbledore decidimos que em primeiro lugar deveríamos avisar o professor. Por azar ele tinha-se ausentado nesse mesmo dia e não estava previsto o dia de chegada. Decidimos que não podíamos perder mais tempo e optamos por ir a correr diretos ao alçapão. E isto tudo nos leva ao presente momento em que nos vemos mais uma vez perante o Fluffy. Desta vez com uma grande diferença, visto que ele está a dormir. Ou seja nós tínhamos razão: o Snape atacou esta noite.
Draco POV's
A vida ultimamente parece correr-me bem. Nada de ficar entediado o dia inteiro, nem sequer de ter de aturar o Goyle e o Crabble. Dias até que felizes se é que isso alguma vez existiu na minha vida escolar até agora. Podiam ser melhores se não houvesse uma certa mosca a zumbir-me aos ouvidos.
Se há coisa que já não suporto é a Parkinson e a sua obsessão pelo meu padrinho. Está sempre a rondar-me para querer saber do que ele gosta e do porquê de não lhe ter respondido às constantes provocações dela. Apesar de dizer que ele não se interessa por pessoas novas demais para ela não adianta. Se bem que o meu padrinho… eh pois é melhor não pensar no assunto para não reavivar certas memórias. Se calhar deveria ter dito que ela não é o género dele, mas isso só levaria a mais perguntas e ela acabaria por talvez descobrir algo que nem mesmo eu quero pensar.
Não é que eu já não tenha visto algo do género, mas é sempre constrangedor quando se trata de alguém próximo e ainda mais do meu padrinho. É como me esconder no quarto dos meus pais de dia, porque saíram e não me levaram, e ver o que acontece nesse local à noite quando deveria supostamente estar a dormir sossegado nos meus aposentos longe de toda a atividade frenética existente entre lençóis. Ou fora deles… como em cima de mesas de sala de aula, ou em balneários, ou na sala comum. Pois alguns lugares são muito criativos, os meus pais que não se admirem se eu for muito precoce. As culpas recaem inteiramente sobre eles.
E é também por culpa deles que estou a ter uns dias mais felizes. Precisava de ter mais contacto com o Harry e isso é o que estou a fazer, não por obrigação, mas porque era algo que queria fazer. Ultimamente temos estado muito tempo juntos, e sempre que estou com ele sinto uma necessidade de lhe mostrar o quanto gostei do gancho que me ofereceu. Só queria que ele me visse assim, nem contei ao meu padrinho sobre isso. Ele é quase o meu confessor e sei que com ele posso contar os meus segredos que ele não vai dizer ao meu pai, mas certas situações que me acontecem eu não lhe conto, e esta foi uma de muitas.
Só falta contar ao Harry que eu fazia-me passar pelo Ron em certas ocasiões, contudo é melhor deixar para uma próxima vez. Talvez quando já houver mais confiança entre nós e isso não ser um impeditivo à nossa amizade. É pena que o ano esteja a acabar, não me importava de estar sempre com ele. É uma boa companhia, melhor do que as cabeças ocas que tenho sempre comigo, e com ele sinto que posso contar-lhe tudo. Porém é demasiado fresco e ainda há desconfiança no olhar dele. Mas aos poucos isso vai deixar de acontecer. Um dia poderemos andar nos corredores lado a lado sem ataques da parte de um ou do outro. Vai demorar, contudo isso irá ocorrer.
Harry POV's
Só nos restava uma opção: entrar no alçapão e ir atrás do Snape. Ao lado do alçapão estava uma harpa que tocava sozinha. Pelo menos enquanto tocasse estaríamos a salvo. Mal tivemos tempo de realmente decidir quem entrava e quem ficava porque a harpa deixou de tocar e o Fluffy acordou. Atravessamos à pressa o espaço no chão e por pouco que o Ron não ficava sem um pedaço de cabelo.
A queda poderia ter sido catastrófica caso não tivéssemos aterrado em algo mole. Felizmente estava no fundo uma raiz de uma grande árvore. Mas, como tudo que passamos até agora, tinha de haver algo para atrapalhar a nossa progressão atrás da verdade. E esta planta apenas está a tentar estrangular-nos até ficarmos sem ar. Só que, como é óbvio, apesar de termos de aturar estes atrasos há sempre modo de seguirmos em frente.
O que nos valeu foi a Hermione, que com o seu conhecimento de Herbologia ajudou-nos a não irmos desta para melhor. Já o Ron, prestável como é, só conseguiu complicar as coisas para o lado dele. Como disse a nossa sorte é a Hermione existir e ser nossa amiga.
Depois seguimos para uma grande sala com objetos voadores que o Ron reparou que eram chaves. Uma dessas chaves abria a próxima porta e ao fim de uma busca rápida e de uns quantos arranhões na minha pele conseguimos abrir a porta e passar ao passo seguinte.
O desafio seguinte foi um jogo de xadrez que desafiava a morte. Apesar de estar na companhia do Ron, mesmo sabendo que ele é um grande jogador, nem tudo foi fácil. Por pouco que íamos perdendo o jogo. E a nossa vitória deveu-se a um sacrifício da parte dele. Com tantos ferimentos e com um Ron desmaiado no chão, segui sozinho o que restava até encontrar o Snape. O nosso objetivo não mudara apesar de vários percalços no caminho. A Hermione ficou para trás para ir buscar ajuda.
A porta abriu-se sozinha e ia dar a uma grande escadaria. No fundo dessa escadaria estava o professor Quirrell em frente ao espelho dos invisíveis. E foi assim que notei que toda a nossa teoria tinha ido pelo cano abaixo. Ele próprio confirmou que o Professor Snape o estava a tentar impedi-lo de atingir aquela câmara, mas não adiantou qualquer avanço que tenha conseguido, ele sempre esteve um passo à frente.
O principal intento era conseguir que o seu mestre recupera-se e se me conseguisse apanhar e destruir entretanto seria um bónus. Foi ele que esteve por detrás de todas as situações estranhas que aconteceram na escola. Foi ele que soltou o troll e pôs aquelas abóboras assassinas atrás de mim. Provavelmente não esperava que o Snape estivesse por perto para me apanhar, a mim e ao Draco, que se viu metido no meio desta confusão sem querer. E também foi assim que me vi no meio de uma trama muito emaranhada.
…
Mesmo com tudo o que me disse eu nem consigo acreditar. Acho que eu ainda tenho a ilusão de que estou noutro sítio, com outras companhias. Tudo não fazia sentido. Que mal tinha eu feito para que o mestre dele me quisesse assim tão mal? Eu não me tinha metido com ninguém, desde que aqui chegara. Mentira tinha pegado com o Draco, mas como nos temos aproximado nos últimos tempos duvido que seja ele quem esteja por detrás de tudo isto. A minha vontade era estar ao lado dele e não aqui a ouvir este maníaco. Será que ele não se cala?
Depois de um silêncio mórbido ele quer-me apresentar o mestre dele. Olho ao meu redor e não encontro ninguém. Tentei até focar-me no início das escadas mas não vi vivalma. Quando me voltei para o professor ele já tirou o turbante da cabeça. Primeiro pensamento: não pensei que fosse careca e que tivesse um alto na parte detrás da cabeça. Por isso é que usa aquele turbante feioso. Isto foi até reparar no que era o alto da cabeça do professor.
Na parte detrás da cabeça dele, no que era suposto estar cabelo tinha outra cara. Nunca conheci ninguém com duas caras, já tinha ouvido a minha tia dizer que havia muita gente com duas caras, mas é o primeiro que conheço.
- Finalmente nos reencontramos Potter. – diz a cabeça estranha. – E desta vez não me escaparás.
Tenho um pressentimento de que se trata de Voldemort, o assassino dos meus pais e que está por trás da morte de milhares de muggles e de feiticeiros. Provavelmente deveria fugir daqui mas não me consigo mexer. Só consigo olhar para aquele ser, se é que posso chama-lo disso, e perguntar-me como vou sair desta. Não parece ser muito fácil.
- Mas antes de finalmente me ver livre de ti preciso de ter a pedra filosofal. E algo me diz que tu sabes onde está.
Mas como é que eu sei onde está uma coisa que nunca a vai na minha vida?
- Lamento, mas não sei onde está.
- Mentiroso. A tua mãe não te ensinou que nunca devemos mentir? - começa a rir como se tivesse acabado de dizer a piada do ano - Ah, ela nunca teve oportunidade de o fazer. Foi graças a quererem enganar-me que ela morreu. Nunca se devia ter colocado à tua frente. Poderia estar viva agora. Porém tu não estarias aqui para me dar cabo dos planos. Foi por causa dela que eu fui arrancado do meu corpo. E é por causa dela que a tua inevitável morte foi adiada estes anos todos.
- Como se atreve a falar da minha mãe?
- Pobre rapaz, ninguém te falou que eu atrevo-me a fazer coisas grandiosas? Foste mal informado. Mas aproxima-te. Na certa verás a cara dela neste espelho e ela poderá ver a tua vida esvair-se aos bocadinhos.
Eu aproximo-me do espelho, já há algum tempo que não os via. Conforme vou aproximando eles aparecem no espelho. Mais sorridentes que nunca. Parecem até que adivinham que tu isto irá correr melhor do que imagino. A minha imagem no espelho pisca-me o olho para me chamar a atenção. Põe a mão no bolso esquerdo das calças e tira de lá uma pedra vermelha. Pergunto-me se será esta a pedra que o Voldemort quer. Se é esta a pedra que eu quero proteger.
Sem fazer muitos movimentos bruscos levo a minha mão até ao meu bolso esquerdo e sinto um volume estranho. Como é que a pedra foi parar ao meu bolso? Tento não dar nas vistas, mas se há coisa que não consigo fazer é deixar de ser um livro aberto. Bem que a Hermione já me avisou sobre o assunto. Só que ela para já foi a única que conseguiu ler mais do que queria mostrar.
Olho em volta a ver se o auxílio chega, porém só encontro o vazio. Começo a afastar-me do espelho e ir em direção às escadas, muito devagarinho enquanto o Voldemort continuava a falar sobre como iria dominar o mundo. O que eu sei é que neste momento precisa da pedra por isso só tenho de impedir que chegue ao seu alcance. Estou quase a chegar ao primeiro lance de escadas quando ele repara em mim.
- Pára-o. Ele tem a pedra. - gritou o Voldemort furioso.
O professor Quirrell estala os dedos e à nossa volta surge um círculo de fogo. Se antes não consegui escapar agora não vejo como me safarei desta.
- Onde pensaste que ias com a pedra? - realmente eu devia ter escapado quando podia. Agora ele ficou ainda mais irado. - Como a conseguiste eu não sei. Deve ser mais um daqueles feitiços do Dumbledore. Realmente aquele velho gosta mesmo de meter o nariz onde não é chamado. Um dia isso vai conduzi-lo à ruína. E serei eu a coordenar os cordelinhos. Contudo preciso dessa pedra e tu vais-me dar.
- Nunca. - olho para todos os lados em busca de alguma coisa que me pudesse salvar. Porém ainda ninguém chegou. Se pensas que vou-te dar estás muito enganado. Só por cima do meu cadáver.
- Ora não seja por isso, vamos já tratar desse assunto. Mata-o e trás me a pedra.
O professor Quirrell começa a avançar na minha direção, sempre com o Voldemort a vigiar os meus passos através do espelho. O professor está quase a alcançar-me quando eu tento fugir. Ele estica os braços para me agarrar mas eu consegui desviar a mão dele tendo caído no chão fora do alcance dele. Ele pára e começa a gritar agarrado à mão. Esta começa a ficar cinzenta e a parecer pedra. Vai-se desintegrando até virar pó e no sítio da mão não existe nada. Eu olho para as minhas mãos e não sei como fiz, só sei que parece ser a única alternativa que tenho se quero sair daqui.
- Porque paraste? Mata-o já! - o Voldemort começa a exasperar e só berra.
- Mas mestre, não viu o que aconteceu? - o professor Quirrell olhava para a mão que jazia em pó no chão e quase que nem me presta atenção. Talvez consiga escapar-me se o tocar outra vez.
- Para que é que tens a varinha meu imbecil? Usa-a para conseguir a pedra.
O professor vai com a mão que lhe resta ao bolso para tirar a varinha mas enquanto isso já eu estou perto dele e espeto-lhe as mãos na cara. Mais uma vez ele grita de dor, mas desta vez é acompanhado pelo Voldemort. Como aconteceu com a mão, a cara começa a desintegrar-se. O professor esfrega a cara com a mão que lhe resta e em seguida ergue-a na minha direção apontando a varinha e dando uns passos até mim. Desta vez todo o corpo vira pedra e daí a ser pó é só uma questão de segundos. No fim resta apenas as roupas e as cinzas, como se tivesse entrado em combustão, mas só o corpo.
Meto a mão no meu bolso e descubro que a pedra não está lá. Olho para o chão, no sítio onde caí e ela está perto das escadas. Baixo-me para a apanhar e de repente ouço um som atrás de mim, como se fosse vento. Viro-me e vejo uma névoa a formar-se e ganhar forma humana. Não pode ser o Voldemort, ou pode? A névoa aproxima-se e sinto-a a atravessar-me. Eu agarro a pedra com toda a força há medida que vou caindo...
...
A primeira coisa que sinto é que tenho algo macio e quente debaixo de mim. Não é de esperar visto que o chão é frio e duro. Tento mexer-me e apercebo-me que estou bem instalado. Abro os olhos e a primeira coisa que reparo é que estou na enfermaria da escola. Ponho os óculos que estão na mesinha de cabeceira e verifico que encontro-me no fim da enfermaria, na última cama. As cortinas estão corridas e posso notar, pela quantidade de luz, que deve ser já final de tarde. Quando entramos no alçapão estávamos a meio da noite. Então eu apaguei durante muito tempo. E para estar aqui significa que me salvaram.
Ao reparar melhor no ambiente que me rodeia vejo que em frente da cama tem uma mesa onde estão doces de todos os tipos. Pergunto-me para que eles estão ali quando ouço alguém a aproximar-se.
- Oh, já acordaste Harry. – diz o professor Dumbledore ao abrir a cortina e aproximar-se. - Bem boa tarde. Como te sentes?
- Bem, acho eu. Como foi que vim aqui parar?
- A menina Granger apareceu no meio da noite a vaguear pelos corredores com o senhor Weasley mais novo desacordado. Devo dizer que seria um grande fardo a carregar se a menina Granger não fosse boa em magia. – eu sorri perante a imagem de ver o ron pendurado na Hermione. - Encontrei-a a meio do caminho que ela fazia para aqui e contou-me tudo o que se passou. Só deu tempo de acordar a Madame Pomfrey e deixa-la encarregar-se dos ferimentos deles e fui o mais depressa que pude. Devo dizer que estão ambos bem. Quando lá cheguei estavas desmaiado no chão. Trouxe-te para aqui e depois de verificar que estavas bem dormiste até agora. Devo deduzir que estavas exausto. – o diretor sorriu um pouco.
- Professor, porque é que o Voldemort estava lá?
- Bem Harry, nós não sabemos tudo na vida. Presumo que estivesse a tentar sobreviver. Até agora fê-lo à custa dos unicórnios e por isso o seu destino estará traçado. Deduzo que esteja a tentar encontrar um corpo para habitar. Contudo não teve sucesso até agora e por isso vinha atrás da pedra.
- Onde está a pedra? – olho para os lados e não encontro em lado algum. – Ele conseguiu ficar com ela afinal?
- Não Harry, tu protegeste-a bem e ele não a levou. Mas a pedra já deixa de ser uma preocupação. Ela não existe mais.
- Foi destruída professor?
- Teve de ser. Havia muitos riscos de cair nas mãos erradas. Mas chega de falar nesse assunto. Acredito que nos próximos tempos estarás bem rodeado, a julgar pelos doces trazidos pelos teus fãs. – apontou para os doces aos pés da cama. – Eu tenho de ir, vim apenas ver se estavas bem e dizer-te que está aqui uma pessoa que quer muito falar contigo.
Aproxima-se da minha cama um senhor já de certa idade, de barba e cabelos brancos. A cara está cheia de rugas, mas os olhos parecem demasiado juvenis para o corpo que tem e são gentis e meigos quando olham para mim.
- Harry apresento-te o meu amigo Nicholas Flamel. Era ele o dono da pedra. Bem deixo-vos a sós. – vira as costas e sai da enfermaria.
Então este é que é o famoso alquimista. Sei de quem daria de tudo para poder falar com ele. Mas não vejo o que possa querer de mim.
- Boa tarde Harry. Queria-te agradecer por não deixares que a pedra cai-se nas mãos erradas.
- Não era preciso fazer isso. Eu nunca o deixaria ter nada que pudesse ser usado em seu proveito. Não depois de tudo o que ele fez.
Ele sorriu amigavelmente e conversou sobre as mais diversas coisas comigo. Até se eu gostava de Poções. Eu lá lhe confessei que o meu maior problema é o professor e não a matéria em si.
- Bem gostei muito da nossa conversa Harry. Há alguma coisa que gostarias de pedir-me em troca de teres salvo a pedra?
- Não senhor. Mas obrigado por ter vindo.
Cumprimentou-me mais uma vez e caminhou para a porta. Estava quase a lá chegar quando eu me lembrei.
- Na verdade senhor Flamel há uma coisa sim que gostaria de pedir.
…
O resto do ano correu bem. Tirando o facto dos exames finais serem puxados tudo o resto foi pacífico. Claro que toda a escola ficou a saber do ocorrido por detrás daquele alçapão. Andei uma semana a fugir de eventuais perseguições de fãs. Já chegava o que tinha de aturar antes. Depois disto foi pior. Agora no fim do ano e a caminho de casa me apercebo que não queria sair do castelo. Não queria sair da casa que encontrai para me ir enfiar no inferno.
Se bem que é só o período de férias. E os meus amigos prometeram escrever-me. Inclusive o Malfoy, que também me prometeu que tentaria estar comigo nas férias. Por falar nele quase que não tinha tempo para as minhas escapadelas com ele. A Hermione e o Ron estavam sempre por perto e não dava para fugir deles. Ainda me lembro de quando ele me veio visitar quando eu estava na enfermaria.
Fiquei na enfermaria dois dias. Numa das noites, antes mesmo de adormecer completamente ouço a porta da enfermaria a abrir. Sei que a Madame Pomfrey dorme num quarto perto da enfermaria e pensei que fosse ela a entrar. Ouvia passos a aproximar-se de onde eu estava e a seguir a cortina abriu-se um pouco. Coloquei os meu óculos e foi assim que vi aqueles cabelos dourados e soube logo quem ele era.
- Podes vir Draco. Ainda não estou a dormir.
Ele sorriu tímido para mim e entrou no compartimento. Eu sentei-me na cama e ele fez o mesmo, ficando perto de mim. E reparei que mais uma vez estava a usar o gancho.
- Não vais arranjar problemas por estares aqui? – perguntei receoso de que pudesse acontecer-lhe alguma coisa e pudesse ficar de castigo.
- Não. Pedi ao meu padrinho para me trazer. Vantagens de ter o meu padrinho como professor nesta escola. – riu-se e deitou a língua de fora de forma matreira. Ficou ainda mais lindo. – Precisava de ver como estavas e não dava para o fazer em plena luz do dia.
- Estou bem. Tive apenas uns pequenos arranhões, mas em breve disseram que podia sair.
- Ainda bem. – disse ele suspirando. – Como não te vi hoje pensei que fosse grave.
-Eu estou bem. – disse ao mesmo tempo que tocava na cara dele. Tem uma pele tão macia que não me apetece largar. – Mas obrigada na mesma por vires.
Ficamos um tempo a olhar um para o outro, como se na realidade conseguíssemos ver a alma um do outro. Ele apertou a minha mão que ainda estava na cara dele e pousou-a no colo dele. Antes que dessemos conta os nossos dedos moveram-se de forma automática de modo a se unirem e ficarmos de mãos dadas.
- Por falar em visitas. Nem imaginas que me veio ver. – O sorriso alargou-se mais e os olhos brilharam. – O alquimista Nicholas Flamel veio ver-me. Disse que estava de visita à escola e que resolveu falar com alguns alunos sobre poções e que recebeu uma recomendação para vir falar comigo. Pensei que fosse o meu padrinho, mas ele ficou tão surpreso que na certa não foi ele que lhe falou de mim.
- E então, como correu? – como não podia eu sorrir se o riso dele me contagia?
- Correu bem. Falamos imenso sobre poções, ele deu-me umas dicas. Disse que estou no caminho certo se me quiser tornar num alquimista ou num medimago. Nem imaginas como fiquei contente.
- Nota-se. Quando estás contente ficas ainda mais lindo.
Ele corou e apertou a minha mão. Queria que o tempo congela-se e que estivéssemos sempre assim juntos. Ficamos mais um tempo à conversa até que o professor Snape nos interrompeu e levou o Draco para o dormitório. Nessa noite dormi o sono mais tranquilo dos últimos tempos e sonhei com ele, que nos encontrávamos junto ao lago, no final da tarde a aproveitar o pôr-do-sol.
Espero que ele cumpra a promessa que me fez de vir ter comigo nas férias. Prevejo que sejam, sem dúvidas, umas boas férias e passadas em boa companhia.
N/A: então o que acharam?
Vou tentar ser mais rápida, mas não dá para prometer visto que o curso vem em primeiro lugar. Até ao próximo capitulo
