-É... E o pior é que minha mãe estava nele. – eu disse balançando a cabeça.
-NÃO!
-Aham! E agora acho que Harry também.
-Todo mundo fala o quanto você é parecida com sua mãe, mas você foi renegada como seu pai. – Gin comentou rindo.
-O que eu vou fazer da minha vida agora? – perguntei-lhe soando desesperada.
Nós nos entreolhamos e soltamos uma gargalhada.
-Tédio! – Ginny resmungou olhando para mim.
-E o que quer que eu faça? – respondi rolando os olhos.
-Faça com que a gente chegue logo. – ela retrucou sorrindo. – Parece que Hogwarts está tão longe esse ano.
-Só se a gente Aparatasse diretamente para Hogsmeade – respondi sorrindo de lado – Mas não acho que podemos.
-Ainda temos que esperar dois anos. – Gin suspirou. – Tão injusto.
-Nem te contei, né? – eu disse de repente. – Eu Aparatei esses dias! – comentei sorrindo. – É tão estranho.
-Fred Aparatou com você? – ela perguntou arregalando os olhos. – Idiota! Eu sempre pedi, mas nem ele nem George quiseram.
Eu apenas sorri.
-Tive uma ideia! – disse de supetão. – A gente podia jogar 'Só Perguntas'!
-E isso seria...? – eu sempre me esqueço que Gin não conhece os jogos trouxas. Ela é puro-sangue.
-A gente só pode falar através de perguntas. – respondi dando de ombros. – Aí você se distrai um pouquinho enquanto esperamos pelos outros.
-Tá! – ela disse sorrindo. – E quem começa? – ela perguntou já sorrindo de lado, dizendo que o jogo começara.
-Mas já não foi você? – perguntei de volta imediatamente. Eu sempre era uma lesada nesse jogo.
-Foi? – caraca, ela era boa. Tinha as respostas na ponta da língua.
-Você não se lembra?
-Do quê?
Ai, que vaca! A coisa tá ficando feia pra mim.
-Acredita que eu esqueci? – eu já estava respirando um pouco mais rapidamente. Por que eu fui sugerir esse jogo mesmo?
-Esqueceu do quê? – Gin perguntou depois de uns dois segundos. Arrá! Eu não era a única!
Do lado de fora eu escutei a moça do carrinho de doces no corredor.
-Quer comer alguma coisa?
-Você tem dinheiro?
-Eu tenho. E você?
-Pausa para comprar? – Ginny perguntou segurando o riso.
-Por que não? – respondi me levantando e abrindo a porta da cabine.
-Achei que já era para Harry ter voltado. – eu comentei mais tarde, quando o céu já estava quase escurecendo. – Mas parece que a festa do Slughorn é boa mesmo. – completei dando de ombros.
-O que? – Hermione perguntou confusa. – Mas a "festa" já tinha acabado quando nós terminamos a nossa ronda. – ela completou apontando para si mesma e Ron.
-Então onde será que Harry está? – Ginny perguntou erguendo uma sobrancelha.
-Se bem o conheço, provavelmente fazendo algo que não deveria. – Ron disse rolando os olhos.
Eu sei lá porque, mas eu tenho quase que certeza de que ele está na mais repleta razão.
Nós já estávamos no Salão Principal, e nada do Harry. Anúncio dos novos alunos (Alegria! Anne está na Grifinória!) e nada do Harry. Eu, mais do que nunca, já estava ficando super preocupada.
-Quer. Parar. De. Comer? – Hermione disse batendo um livro no ombro de Ron a cada palavra. – Seu melhor amigo está sumido.
Esses dois nunca mudariam. Não importa quanto tempo se passasse e se eles estivessem juntos ou não.
-Olhe atrás de você, sua lunática. – Ron disse rolando os olhos e com a boca cheia.
Nós olhamos para a entrada do salão e lá estava Harry, com roupas ainda de trouxas e o nariz sangrando.
-Por que ele está sempre coberto de sangue? – eu perguntei retoricamente. Meu, pensa comigo. Ele está sempre desse jeito. É karma?
-Mas dessa vez parece que é dele mesmo. – Ginny comentou quando ele chegou mais perto de nós.
-Caramba, o que foi que fez no rosto? – Ron indagou, arregalando os olhos ao ver meu irmão de perto.
-Tem alguma coisa errada? – Harry se desesperou e levou as mãos ao rosto.
-Você está coberto de sangue. – Hermione disse.
-Venha cá... – Ginny o virou para o seu lado, umedeceu um guardanapo de pano e começou a limpar o rosto dele.
Aham, teria sido muito mais fácil ela ter usado um simples feitiço, sabe? Mas acho que ela não queria perder uma oportunidade de mimá-lo ou de apenas tocá-lo.
Inconscientemente, rolei os olhos.
-Obrigado. – Harry agradeceu e sorriu para ela. – Como está meu nariz?
-Normal. – eu respondi confusa. – Por que haveria de ter algum problema?
-E onde você estava? – Hermione se intrometeu. – Ficamos apavorados.
-Menos Ron. Ele continuou comendo como se nada tivesse acontecido. – Ginny disse se virando para o irmão e sorrindo. Este por sua vez apenas lançou-a um olhar fulminante, o qual Ginny respondeu dando-lhe a língua.
-Depois eu falo. – Harry disse olhando ao redor.
Eu achei que, talvez, esse ano os segredinhos entre os três fossem parar, mas parece que certas coisas não mudam, e eu sei dizer quando não me querem na conversa, então nem o forcei a dizer nada.
O primeiro dia parecia estar se arrastando. Esse ano não tínhamos tio Pads como professor, então nenhuma aula era divertida como ano passado.
Como eu invejava Fred e George naquele momento.
O choque da noite anterior havia sido quando Dumbledore disse –em seu tradicional discurso de boas vindas- que Slughorn seria o nosso novo professor de Poções e (pasmem) Snape era quem estava no cargo de nos ensinar Defesa Contra as Artes das Trevas esse ano.
Para nós não havia maior loucura do que isso. Querer que Snape (antigo Comensal da Morte, o professor mais horrível de toda escola, o cara que cuspia no chão onde os alunos pisavam –exceto os que eram da Sonserina-) ser o novo mestre de uma matéria tão importante. E em ano de N.O.M. Eu estou muito mais do que ferrada. Podem apostar!
-Dá pra acreditar na nossa sorte? – Ginny murmurou para mim um pouco antes da aula de DCAT começar. Graças a Merlin, Snape ainda não havia chegado na sala.
-Eu nem falo mais nada. – disse chacoalhando a cabeça. – É cada uma que me aparece nessa escola. Primeiro o professor que tinha o Voldy na cabeça, depois um fanfarrão que não sabia merda nenhuma, finalmente um professor decente, mas a porcaria do Conselho ficou com medinho do Malfoy e meio que "vetou" tio Moony conosco, aí aparece um que era pra ser um ex-Auror, mas na verdade era um Comensal que havia tomado Poção Polissuco. No ano passado foi a cara de sapo que não ensinava coisa alguma. E agora Snape! – realmente, o histórico de professores de DCAT em Hogwarts estava uma lástima. Tirando tio Moony, claro.
-O que podemos esperar para o ano que vem? – Ginny perguntou retoricamente. – Comensais nos dando aula?
-Eu não duvido de mais nada na minha vida, amiga. – respondi suspirando e me virando para frente da sala ao ver Severus Snape entrando.
Hora da tortura.
O resto da semana foi igualmente tenso, com sessões de torturas diárias com Snape, seguida de uma hora de Transfiguração, uma de História da Magia e uma de Adivinhação. Aliás, por que eu tenho essa matéria mesmo? Ano que vem eu vou eliminá-la totalmente! Fala sério. Até eu tenho mais visões que aquela professora maluca. E olha que eu sou nova nessas coisas. Depois do almoço nós tínhamos mais duas horas de Poções (e entrar naquela masmorra depois do almoço me dava um sono do caramba), uma de Herbologia, uma de Feitiços e, para finalizar, uma de Trato de Criaturas. Eu adoro o Hagrid, não me entendam mal, mas eu mal posso esperar para eliminar esta matéria também. Eu estava ficando super carregada e ainda era a primeira semana de aula.
-Hoje é sábado! – eu exclamei me sentando num sofá da sala comunal por volta da meia-noite. – Não preciso acordar cedo, por isso não tenho pressa para dormir.
-Hoje é o seu aniversário! – Harry cantarolou olhando para mim e sorrindo. – Feliz aniversário, tampinha.
-O amor que você sente por mim é palpável. – respondi de volta, sorrindo. – Obrigada. Cadê o meu presente?
-Interesseira. – ele respondeu. – Mas o pior é que eu comprei um mesmo.
-É porque você não consegue viver sem mimar a sua irmãzinha. – respondi me levantando e o abraçando. – Apesar de todos os seus esforços para disfarçar, você não consegue viver sem mim.
-Seu ego vai explodir, pequena. – ele disse me abraçando de volta. Sei lá porque, mas eu sempre gostei quando Harry me chamava de "pequena". Era um apelido carinhoso que ele tinha para mim. E aí de alguém se me chamasse daquele jeito. Só Harry podia fazê-lo (N/A: exatamente o que eu faço com a minha irmã. Eu dei um apelido pra ela e só eu posso chamá-la desse jeito).
-Acorda, mocréia. – escutei alguém sussurrando em meu ouvido.
-Vai xingar a vó. – respondi me virando para o outro lado e puxando a coberta para cima da minha cabeça.
-Então tudo bem... – Ginny comentou se afastando. – Mas o que eu faço com todos esses presentes aqui? – ela perguntou.
Imediatamente eu abri os olhos e saltei para fora da cama.
-Me dá! Me dá! Me dá! – eu disse em puro êxtase.
Ginny simplesmente riu e começou a me passar vários embrulhinhos.
-Eu, como uma boa amiga, guardei o melhor para o final. – ela disse me entregando um último pacote. – Espero que goste.
Olhei para ela sorrindo e rasguei o papel imediatamente. Sou a delicadeza em pessoa.
-Gin, é lindo! – respondi ao ver um pequeno porta-retrato com uma foto de nós duas que foi tirada um pouco antes de irmos para o aniversário da Jenny. – Obrigada. – disse abraçando-a.
-Disponha. – ela disse sorrindo.
No mesmo instante, Hermione bateu na porta do nosso quarto com um envelope na mão.
-Al, essa carta chegou pra você. - ela disse entrando.
Caminhei até ela e reconheci a caligrafia desleixada de Fred do lado de fora. Abri um sorriso na hora.
-Agora é o momento em que ela se exclui de todos nós e fica no mundinho dela onde só existem Alexis e Fred. – Ginny disse segurando a risada.
Eu simplesmente dei-lhe a língua e abri o envelope com a minha delicadeza de sempre.
Há exatamente um ano, eu estava me sentindo o ser mais atrapalhado e abobado do mundo. Ainda não faço ideia de como consegui falar com você sem nem ao menos demonstrar toda a minha hesitação.
Sorri e relembrei de como eu estava me sentindo meio emo naquele dia e de Fred vindo atrás de mim.
-Posso acompanhá-la? – ele perguntou quando me alcançou.
-Claro. – respondi olhando para meus pés e então recomecei a andar, desta vez junto de Fred, mas num silêncio absoluto. - Eu acho que você não deveria andar com uma 'louca', afinal o que acha que as pessoas vão dizer? – perguntei depois de alguns minutos de uma caminhada sem destino certo.
-Esqueceu que os Weasleys são os maiores traidores do sangue? – disse Fred sorrindo de lado. – Definitivamente eu não ligo para que os outros possam pensar de mim. E nem você deveria.
Há exatamente um ano, eu tentava consolar a menina que mais tarde viria a se tornar minha namorada.
Fred me abraçou e tentou me consolar.
-Não se preocupe. Eles vão perceber que estão errados.
-Vão mesmo? Porque eu tenho minhas dúvidas. – disse olhando-o nos olhos.
-Como eu não percebi isso antes? – sussurrou Fred mais para si mesmo, não sendo bem sucedido.
-Percebeu o que? – perguntei ainda olhando em seus olhos.
-Que seus olhos são tão bonitos. – ele respondeu segurando meu olhar.
Parece que faz tanto tempo, mas ao mesmo tempo parece que não. Não dá pra entender muito bem.
Mas mesmo assim, eu ainda sustento o que te disse naquele dia: seus olhos são tão bonitos.
Não importa quanto tempo passe, as pessoas que venham... Você sempre será a mais importante para mim; a dona do meu coração.
Posso não ser a pessoa mais romântica da face da Terra (e você não me deixa mentir), mas eu sempre tento ser quando se trata de você, Allie.
Você me faz querer ser uma pessoa melhor, resgata em mim sentimentos que nunca pensei que fosse capaz de ter. Não mudaria nada se tivesse a oportunidade.
Também sei que não sou o maior poeta de todos os tempos, mas como é para você eu sempre tento o meu melhor, então eu escrevi o seguinte poema para você (qualquer coisa é só fingir que eu nunca fiz isso.).
Amar,
É quando já não dá pra disfarçar
Tudo muda de valor
Tudo faz lembrar você.
Amar,
É a lua ser a luz do seu olhar
Prata que caiu no mar
Suspirar sem perceber
Respirar o ar que é você
Acordar sorrindo
Ter o dia todo pra te ver.
O amor é um furacão
Surge no coração
Sem ter licença pra entrar
Tempestade de desejos
Um eclipse no final de um beijo.
O amor é estação
É inverno, é verão
É como um raio de sol
Que aquece e tira o medo
De enfrentar os riscos
Se entregar...
Amar,
É envelhecer querendo te abraçar
Dedilhar num violão
A canção pra te ninar.
Suspirar sem perceber
Respirar o ar que é você
Acordar sorrindo
Ter o dia todo pra te ver.
O amor é um furacão
Surge no coração
Sem ter licença pra entrar
Tempestade de desejos
Um eclipse no final de um beijo.
O amor é estação
É inverno, é verão
É como um raio de sol
Que aquece e tira o medo
De enfrentar os riscos
Se entregar...
Ninguém pode dizer que eu não tentei.
Só queria te desejar um feliz aniversário. E te dizer que te amo muito.
Te espero no próximo passeio a Hogsmeade, tudo bem? Então a gente pode comemorar mais propriamente.
Te amo,
Fred.
Tipo assim, posso ter um namorado como ele? Onde eu acho?
De todo modo, aqui está mais um capítulo e espero que tenham gostado apesar da demora.
Eu sei que disse que ia ter um concurso pra ver quem seria a namorada do George, mas devido ao epic fail (só teve uma pessoa que queria mesmo) e eu já deveria ter dado a resposta, eu vou dar uma última chance. Sei lá. Se quiserem vão lá, se não, tanto faz. Mas assim, escolham um capítulo (FBH ou OTSS) e cliquem em CONTATO. Me digam qual capítulo é e porque. No final, coloquem um nome fake, ok?
Então é isso aí! Beijos
Nina Potter: rsrs. Espero que tenha gostado.
Lys Weasley: Ok, fangirl número 1. Aqui está a continuação! Depois que eu sai do Twitter e do Tumblr eu consegui escrever, tá vendo só? Há! E olha só, minha filha, eu to querendo HWH pra ontem, tá? xD GTTF é daqui a pouco, não se preocupe! Beijos!
