-É, eles não queriam que nós saíssemos assim. – Hermione completou rolando os olhos. – Mas agora que já está tudo arrumado, vamos logo. – ela disse pegando a mão de Ron e o arrastando até dentro do salão.

-A gente se vê lá dentro. – Ginny disse dando um beijo no rosto de Harry e acenando para Luna. – Nem tente fugir, Alexis.

Eu parei onde estava, há uns quatro ou cinco passos de distância dela, e me virei.

-Que saco. – e então saí andando para dentro do salão.


Aquilo era tortura. Eu devo ter feito alguma coisa para aqueles quatro e não estava me recordando. Só pode ser.

-Você está parecendo uma morta de fome. – Harry disse se sentando ao meu lado na mesa.

Eu passara o tempo todo sentada lá, só comendo já que não havia nada mais para se fazer. Será que eu não posso voltar para os catálogos de presentes?

-Mas estou com fome... E entediada. – respondi suspirando. – Isso é o que eu faço para evitar o tédio.

Harry olhou ao redor, e tenho quase certeza de que tentou não rir.

-As pessoas estão te olhando.

-Inveja porque eu posso comer muito sem engordar. – respondi dando de ombros. – Por causa do meu metabolismo acelerado.

Harry olhou para mim confuso.

-Você não tem isso.

-Não? – minha crença foi-se ao chão. – Então tenho de achar outra explicação. – completei sorrindo e me voltando para os salgadinhos da mesa.

-Você não tem jeito.


Não sei bem ao certo dizer quanto tempo se passara desde a minha conversa com Harry, mas parecia que as coisas estavam bem melhores do que eu imaginava. Por exemplo, Godric seja louvado, mas Slughorn não tinha vindo falar comigo nem uma vez, então podemos dizer que a sorte estava ao meu lado, para variar um pouquinho.

Em determinado ponto da noite, Filch aparece segurando Draco pelo colarinho. Espere. Eu disse Draco? Ele estava lá?

-Achei esse aqui tentando entrar de penetra. – Filch disse virando-se para Slughorn.

-Tire suas mãos de mim, seu aborto imundo. – Malfoy retrucou tentando se libertar das mãos do zelador.

Acho que temos de ensinar novas palavras para o pobre garoto, pois tudo que ele diz desde que o conheço é 'imundo'. Vocabulário é uma dádiva.

Para não causar muitos danos ao espírito natalino, Slughorn permite que Malfoy fique na festa, mas Snape o tira de lá de repente.

Para mim, tanto faz. Quanto menos gente que eu não gosto nessa festa, melhor.

Mas parece que Harry vê isso como uma oportunidade de ouro e os segue para fora do salão silenciosamente.

-Ele, realmente, precisa de uma nova obsessão. – murmuro para Ginny ao meu lado e ela apenas concorda. – Você deveria fazer alguma coisa. É seu namorado.

-É seu irmão. – ela respondeu.

-Você tem mais poder de persuasão. – disse por fim e segurei o riso ao ver a cara de Ginny ficar vermelha.


A noite anterior acabara comigo. Não que a festa tenha sido o máximo, longe disso, mas me obrigaram a ficar lá até o final e não estou muito certa do porquê.

Desde o último jogo de Quadribol, eu passei a interagir mais com pessoas e menos com livros, então esperava que isso fosse um ponto a meu favor. Ledo engano.

Ignorando completamente meus companheiros, encostei a cabeça contra o vidro da janela e estendi minhas pernas sobre o banco.

-Se quiser pode deitar no meu colo. – Harry disse de repente e sua voz me assustou um pouco devido à quietude que nos encontrávamos antes.

Sorri e me virei para seu lado, pousando minha cabeça em seu colo e encolhendo minhas pernas o máximo possível para que pudesse caber no banco. Sabia que me amaldiçoaria mais tarde, já que meu pescoço ficou em um ângulo não muito favorável, mas eu estava com tanto sono que não pude evitar.

Senti uma mão em meu estômago e olhei para Harry.

-Se for me fazer cócegas, eu acabo com você. – ameacei meio sonolenta e ele riu.

-Boa noite, pequena. – foi a última coisa que escutei antes de fechar os olhos e mergulhar na escuridão.


A casa estava cheia e música saía por todos os cantos, crianças correndo para cima e para baixo. Uma grande família. Assim que eu sempre gostei.

-Tia! Tia! Tia! – um menino de, no máximo, 10 anos, com cabelos ruivos e olhos castanhos veio correndo até mim de abraços abertos.

-Oi, meu lindo. – respondi o abraçando fortemente. – Tudo bem? – ele apenas concordou com um aceno e sorriu.

-Então é só ela que ganha um abraço, né? – Fred disse franzindo o cenho. – Eu que sou o tio mais legal, o que tem o mesmo nome que você, o mais divertido não ganho nada?

Eu apenas rolei os olhos e fingi que não ouvi nada.

Fred II riu e abraçou o tio.

-Até parece. – respondeu o mais novo sorrindo.

-Fred, querido, onde estão seus primos desnaturados que não ligam para a própria mãe?

Dessa vez quem rolou os olhos fora Fred. O mais velho. Ah, que ideia ele e George tiveram de colocar os nomes um do outro nos filhos? Tão mais confuso.

-A última vez que vi Elle foi com Lily Luna nos fundos. Quanto a George... – ele deixou no ar, tentando desesperadamente achar uma desculpa.

-Não quero nem saber! – interrompi-o erguendo a mão. – Aposto que você só veio aqui para me distrair.

O mais novo apenas deu um sorriso maroto.

-Você é filho do seu pai mesmo. – respondi suspirando.

-E onde eu fico nisso tudo? – Fred perguntou olhando para mim.

-Ora, você tem o próprio filho, não tem?

Antes que alguém pudesse dizer qualquer outra coisa, uma explosão imensa veio do jardim dos fundos e todo mundo saiu de lá correndo.

-FREDERICK WEASLEY II! – Fernanda gritou saindo de lá, furiosa.

-Eu não fiz nada, mãe! – ele respondeu imediatamente. – Estava conversando com tia Allie e tio Fred!

-Pode até ser verdade, mas você o George estão por trás disso tudo!

Uma sombra começou a sair do meio da fumaça e um menino ruivo de olhos verdes apareceu.

-Foi mal, galera! – ele disse dando risada.


Acordei e olhei ao redor. Ok, ainda estava dentro do vagão e, a julgar pelas paisagens, não demoraria muito até que chegássemos a Londres.

O trem foi diminuindo a velocidade gradativamente até que parou por completo na King's Cross. Respirei aliviada, pois já não agüentava mais de vontade de ver meus pais, meus tios e Fred. Ah, Fred. Parecia que nosso encontro em Hogsmeade fora há tantos anos, mas sabia que tinha pouco menos de dois meses.

Sorri com a lembrança do sonho. Então a gente se casa e temos um casal.

Mas quem era essa Fernanda com quem George se casara? Engraçado como nos sonhos eu pareço conhecer todo mundo e até saber seus nomes, enquanto na vida real eu não faço nem ideia de quem sejam.

Dei de ombros, levantei-me e estiquei todos meus músculos. Havia ficado muito tempo numa posição só e podia sentir meu corpo todo reclamando.

-Dormiu bem? – Harry perguntou se levantando também.

-Muito. – respondi sinceramente e com um sorriso genuíno. – Tive um sonho agradável.

-Percebemos. – Ginny disse voltando-se para mim. – Você estava sorrindo o tempo todo.

-Parece que o futuro é promissor. – Ron emendou piscando para mim. – Gostaria de compartilhar conosco?

Ponderei essa questão. Não sei se queria dividir isso com eles. Parecia tão... Não sei... Privado? Mais ou menos isso.

-Quem sabe mais tarde? – retruquei sorrindo e sai da cabine, em direção à plataforma apinhada de gente.


Novamente, pararei por aqui! Ainda está curto, mas está mais comprido que o anterior. Quero um capítulo inteiro para o Natal com os Weasleys, entendem?

Bom, é isso aí!

Ah, só para constar. Não, a Fernanda que aparece ali em cima não sou eu, ok? xD

Lys Weasley: Tá de mal nada! Você me ama! Querida, em quem você acha que eu me inspirei para essa frase em particular? Mas nem ferrando (to tentando para com os palavrões) a Alexis ia dar uma de Bella. To de boa, hein? Lol. Não te chamei de criatura. Não precisa mais ser breve. Ahahaha Beijos.

V Weasley Malfoy: Então, Fer, relaxa que essa ainda não foi a sua grande estréia. Foi só a ponta, sabe? xD Calma. No próximo você apareceee! Beijos!