Olhei, rindo para a morena em minha frente.
-Não se preocupe, você se acostuma. – eu disse balançando a cabeça.
-Alexis que o diga.- George disse suspirando.
-Tive que aguentar você se intrometendo no meu namoro, é verdade. – respondi petulantemente. – Mas como Fred disse, agora é vingança.
O tédio me consumia e a lá fora a neve continuava caindo. Harry e Ron haviam se trancafiado no quarto do ruivo, Fred e George haviam saído para resolver alguma coisa relacionada à Ordem e Ginny ajudava a Sra. Weasley e minha mãe. Eu, obviamente, fugira do serviço.
Papai, tio Moony, tio Pads e o Sr. Weasley conversavam sobre qualquer coisa do trabalho.
-Alexis? – tio Pads me chamou, olhando para o pé da escada. – Será que você poderia ir até lá em cima e pegar aquele meu caderno preto que está em cima da minha cama?
Bufei e rolei os olhos.
-Sério, tio? – eu estava tão entediada que a preguiça estava me fazendo companhia. – Estou tão bem acomodada aqui.
-Por favor? – ele pediu com aquela carinha de cachorro que ele consegue fazer em sua forma de animago e eu não resisti.
-Tá bom, tio Pads. – disse me levantando e me arrastando escada à cima.
Tio Pads e tio Moony estavam ficando num quarto no último andar, então a subida foi longa. Ok, nem tanto assim, mas eu não estava no meu melhor. Noite passada eu e Fred demos mais uma escapulida, então me eu estava um tanto... Cansada.
Abri a porta do quarto e entrei, indo em direção à cama do fundo, quando vi algo meio prateado no canto do recinto.
-Mas o que? – disse me virando e encarando uma penseira. A única vez que eu tinha usado uma fora no final do ano letivo, quando, finalmente, decidiram contar a verdade para nós. De como escapamos de Voldemort.
A curiosidade estava imensa, então resolvi não resistir e mergulhei dentro da penseira, caindo nos corredores de Hogwarts.
Olhei ao redor e tentei decifrar onde eu estava, mas não passava de uma sala de aula vazia.
- Sirius, nós temos um problema. – ouvi uma voz de mulher dizendo atrás de mim e me virei, dando de cara com uma loira muito bonita.
-O que foi, amor? – tio Pads disse, fechando a porta atrás de si e caminhando sorrindo até a moça.
Espere? "Amor"? Como assim?
-Eu estou grávida. – a loira disse do nada.
Eu, que era apenas a telespectadora de toda a memória, arregalei os olhos e senti meu sangue gelar. Como assim grávida? Do tio Pads?
Tio Pads ficou branco. Se eu não tivesse ouvido toda a conversa antes, diria que a loira o teria petrificado.
Não sei ao certo quando tempo ele ficou ali, parado, sem mover nem os olhos, apenas encarando o espaço à sua frente, mas então, ele acordou do transe e começou a surtar.
-O QUE? NÃO! NÃO! – ele gritou e eu dei um pulo do meu lugar. Será que essa teria sido a reação do meu pai também? – VOCÊ TEM CERTEZA? LENE, SÉRIO!
-EU ESTOU... EU ESTOU ATRASADA, SIRIUS! – a tal de Lene gritou de volta.
Eu só ficava encarando a cena, com os olhos cada vez mais arregalados.
-O que? Não! Isso não pode estar certo! – Tio Pads dizia andando de um lado para o outro. – Quero dizer, você tem certeza? Você tem certeza mesmo? – de certo modo era um tanto engraçada a reação dele. – Essas coisas acontecem... Atrasar... Certo? CERTO?
-Eu não tenho certeza! Mas não tenho coragem de fazer o feitiço para saber! – a loira disse, quase chorando. – Mas não, essas coisas não acontecem.
-O QUE? Eu tenho certeza de que ouvi que isso acontece, Lene. – tio Sirius disse caminhando de volta até a namorada. – E você deveria fazer o feitiço. Agora!
E então o que ninguém esperava aconteceu. Sério. Lene começou a rir. Mas rir de verdade.
Tio Sirius e eu apenas a encaramos como se ela fosse louca ou algo do tipo.
-AH, A SUA CARA! – ela disse tentando de controlar um pouco.
-O QUE? – tio Pads disse, olhando ao redor, confuso.
-Eu estou brincando, Black! – ela disse por fim. – Eu não sou tão irresponsável, qual é!
Tio Pads continuou olhando-a com os olhos arregalados, parecia que ainda não caíra a ficha.
-Você... Você... EU NÃO ACREDITO, MCKINNON! Você quase me causou um ataque cardíaco! – ele disse por fim, colocando uma mão sobre o peito e se apoiando na mesa.
-Desculpe, amor. – ela disse dando uma risada. – Eu não resisti. Queria ver sua reação.
Tio Pads rolou os olhos.
-Sério, nunca mais faça isso!
-Ok, eu não vou. – Lene disse sorrindo.
-A não ser que seja de verdade. Neste caso, vou surtar por algo que vai acontecer mesmo. – ele disse se aproximando da garota e segurando-lhe pela cintura.
-Você ficaria feliz? Se fosse verdade?
-Eu não sei... talvez. – ele sorriu.
-Isso é bom de se ouvir, sabia? Eu sempre quis ser mãe.
Meu tio deu uma risada nasalada e sorriu para a loira em seus braços.
-Sabe que eu te amo, certo? Eu você seria uma ótima mãe.
-Eu também te amo. – ela disse e deu-lhe um beijo na bochecha. – E você também seria um ótimo pai, com certeza.
A cena se dissolveu e eu me encontrei na Toca novamente.
Então, quem seria aquela loira? A tal de Lene. Nunca ouvira falar dela.
Alguém pigarreou atrás de mim e eu me virei, assustada, e dei de cara com tio Pads, olhando de mim para a penseira e correndo as mãos pelos cabelos.
-Tio... Me desculpe. – me apressei em dizer. – Não tive intenção...
Ele apenas ergueu uma mão, como se fizesse um sinal para que eu parasse de falar e eu o fiz. Era estranho vê-lo daquele jeito, triste, sem saber o que falar.
Tio Pads andou até a cama e sentou-se de cabeça baixa.
-Marlene McKinnon. – ele murmurou de onde estava. Franzi o cenho e entortei a cabeça, tentando entender o que ele dizia. – Aquela era Marlene McKinnon. – ele disse novamente, levantando o rosto e eu pude ver que algumas lágrimas escorriam por seu rosto. – Você com certeza já ouviu falar que toda família McKinnon foi morta durante a guerra, não ouviu?
Lembrei-me de ter ouvido algo à respeito disso, mas não com detalhes e apenas concordei com a cabeça.
-Ela era a melhor amiga de sua mãe em Hogwarts. – ele disse. – E minha namorada. – completou com um sorriso triste. – Nunca houve outra pessoa que me fizesse sentir como ela fazia.
Sentei-me ao seu lado e fiquei pensando na loira bonita que vi na memória. Marlene McKinnon. Quem diria que Sirius Black poderia ter se sentido assim por qualquer mulher?
Tio Pads continuou contando sobre eles, de como tinham vários planos para o futuro, de que queriam se casar e de que até estavam noivos no dia fatídico. E eu? Eu escutava a tudo, maravilhada em conhecer esse outro lado do meu tio. O lado romântico. O lado que eu nunca conheci.
Eu sempre soube de que essa guerra não era justa, mas vê-la nesse contexto me fez odiar Voldemort ainda mais.
-Tudo bem? – Fred me perguntou mais tarde naquele dia, enquanto estávamos sentados em sua cama.
-Aham. – eu murmurei de volta e voltei a brincar com nossas mãos.
Verdade seja dita, eu não conseguia tirar da cabeça a felicidade de tio Pads na época em que estava naquela memória. Será que algum dia ele voltaria a ser daquele jeito?
-Eu te conheço, Alexis. – Fred disse apoiando o queixo em meu ombro. – O que aconteceu?
Suspirei e virei de frente para ele, tentando máximo não chorar.
-Eu estou com medo. – disse com uma voz baixa.
-Medo? – ele repetiu, olhando-me nos olhos.
-Da guerra. – disse novamente e suspirei. –Tenho medo de que algo aconteça, Fred. – completei, e dessa vez não consegui segurar as lágrimas que se seguiram.
-Ei, ei. – Fred disse me puxando de encontro com seu peito e me abraçando forte e tudo que eu fiz foi agarrar-me a ele o mais forte que eu pude. Minha vontade era de nunca mais soltá-lo. – Não vai acontecer nada, ok? Eu não vou deixar que algo aconteça com você.
Eu respirei fundo e mais lágrimas escorreram pelo meu rosto.
-Você não tem como saber disso, Fred. – eu sussurrei, minha voz abafada pelo seu peito. – Ninguém sabe o que vai acontecer.
Fred respirou fundo e passou uma mão pelo meu cabelo, acariciando-me.
-Está certa. Ninguém sabe. – ele disse e suspirou. – Mas eu vou tentar, ao máximo, impedir que alguma coisa te aconteça. – ele completou com convicção. – Estou falando sério, Allie.
-Sei que está. – respondi com um meio sorrio e levantei o rosto para dar-lhe um selinho rápido. – Mas é exatamente disso que eu tenho medo. Que algo aconteça com você enquanto está tentado me proteger.
-Que tal se pensarmos em um dia de cada vez? – ele sugeriu, acariciando meus braços. – Sem nos preocuparmos com o futuro ou qualquer outra coisa?
-Acho que gosto disso. – murmurei de volta e suspirei. – Eu te amo, Fred.
-Também te amo, Allie. – ele disse deu-me um beijo intenso.
Eu realmente não tenho desculpas para não ter postado em tanto tempo.
Me sinto até envergonhada, para dizer a verdade
Mas, de todo modo, aqui está e espero que tenham gostado.
Um obrigada especial para a linda da Lys, com quem eu escrevi aquela maravilhosa cena entre a Marlene e o Sirius. Sirene all the way, Lys! hahaha
