-Que tal se pensarmos em um dia de cada vez? – ele sugeriu, acariciando meus braços. – Sem nos preocuparmos com o futuro ou qualquer outra coisa?
-Acho que gosto disso. – murmurei de volta e suspirei. – Eu te amo, Fred.
-Também te amo, Allie. – ele disse deu-me um beijo intenso.
Um dia de cada vez. Era disso que eu precisava. Viver um dia de cada vez sem pensar no futuro. Exatamente como Fred dissera. Mas será que era possível quando o futuro insistia em entrar em seus sonhos?
O dia do embarque para Hogwarts chegara e, diferentemente dos anos anteriores, eu não tinha a mínima vontade de voltar.
-Al, olhe para mim. – minha mãe disse na plataforma. – São só mais alguns meses, filha. – ela disse com meio sorriso. – Você estará protegida lá.
Respirei fundo tentando conter as lágrimas que lentamente se formavam em meus olhos.
-Mas e vocês, mãe? – perguntei.
-Nós vamos ficar bem, Al. – meu pai disse sorrindo. – Não se preocupe.
Dei um último abraço nos dois e segui à caminho do trem, mas então vi tio Moony parado um pouco mais à frente e resolvi dar um tchauzinho.
-Mais um ano que se começa. – eu disse sorrindo de lado.
-Mais um ano que se acrescenta na minha vida. – ele respondeu fazendo uma careta enquanto eu apenas revirava os olhos.
-Ai, tio, você nem é tão velho assim. Tem quantos anos? 30? – ri.
-Mais para 36 quase 37. – ele respondeu, suspirando.
-Tá na pista, tio! – respondi rindo e ele soltou um sorriso. – Mas é sério. Você tem que parar de ser tão bobo.
-Bobo?
-É. – respondi cruzando os braços. – Você pode achar que ninguém percebe, e até pode ser verdade, mas você não consegue me enganar Remus John Lupin. – ele ergueu uma sobrancelha e continuou me encarando. – Vai me tratar feito criança mesmo? Ótimo, mas saiba: Tonks não liga nem um pouco para a diferença de idade entre vocês. – e com isso eu lhe dei as costas e entrei no trem, deixando-o totalmente confuso.
Janeiro foi passando devagar, assim como a gente espera que as férias passem, mas nunca é desse jeito.
Com menos de seis meses para os NOMs, eu me enfiava cada vez mais dentro dos livros e deixava toda a confusão do lado de fora das paredes do castelo para os momentos em que eu não estivesse ocupada.
-Eu vou surtar! – reclamei, um dia, para Ginny enquanto estudávamos na biblioteca.
-Você está durando muito. – ela disse sorrindo de lado. – Eu já estou surtando só de te ver estudando desde que voltamos para Hogwarts... No ano passado.
Revirei os olhos e dei risada. Se tivesse alguém que estava estudando mais do que eu, não saía da Sala Comunal, porque eu estava naquela biblioteca todos os dias desde, praticamente, outubro.
-Eu me surpreendi. – disse sorrindo de lado. – Por essa nem eu mesma esperava.
-Vai fazer alguma coisa no dia dos namorados? - Ginny perguntou parando de escrever.
-Ainda nem sei se Fred virá. – dei de ombros pousando minha pena sobre o caderno. – Mas tudo bem. Não é como se fosse o fim do mundo.
-Quem é você e o que fez com a Alexis? – Gin disse levantando uma sobrancelha e me olhando confusa. – Você disse que não é o fim do mundo? É isso mesmo?
-Boba. – ri. – Gin, tem muito mais coisas importantes do que dia dos namorados. Acredite, sei do que está falando.
Apesar de não ter planejado nada para o tão comentado dia dos namorados, levantei-me cedo naquele dia e desci para o café-da-manhã.
-Bom dia. – disse sorrindo de lado ao me sentar ao lado de Harry.
-Bom dia. – ele respondeu e voltou sua atenção à Ginny.
-Ah, entendi. Dia dos namorados. – revirei os olhos. Hoje eu teria de me virar sozinha.
Lentamente o salão principal foi se esvaziando e eu me vi forçada a sair de lá também.
-Você é Alexis Potter, não é? – ouvi alguém perguntar da porta do meu dormitório e me virei, dando de cara com uma garotinha ruiva, cheia de sardas. Provavelmente do 1º ano.
-Sou, sim. – respondi sorrindo e levantei-me da cama.
-Tem um garoto lá embaixo procurando por você. – ela disse vergonhosamente. Talvez por eu ter vestido meu pijama depois do café-da-manhã e ele era consideravelmente curto, mas os dormitórios e a Sala Comunal são tão quentinhos que eu me sentia bem.
-Lá embaixo? – olhei-a confusa e a menininha apenas sacudiu a cabeça em concordância. – Obrigada. – disse e desci para a sala, mas ela estava vazia.
-Não... – a ruiva disse novamente. – Lá fora.
Sorri em agradecimento mais uma vez e comecei a andar em direção ao retrato da Mulher Gorda, abrindo-o e pisando fora da Sala Comunal da Grifinória.
-Não tá com frio, não? – ouvi alguém dizendo em um tom zombeteiro e me virei, dando de cara com Fred. Imediatamente, abri um sorriso e pulei em cima dele. – Tudo isso é saudade? – ele riu enquanto eu apenas rolei os olhos e beijei-lhe a boca. Qualquer um que passasse pelo corredor, iria presenciar uma cena não tão agradável. Eu me esquecera totalmente, mas ainda estava de pijama.
Lentamente nos separamos e eu passei a encará-lo confusa.
-O que você está fazendo aqui? – perguntei, correndo as mãos por meus braços, tentando afastar um pouco do frio que eu comecei a sentir.
-Hoje é final de semana em Hogsmeade. – Fred respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo e tirou sua jaqueta, colocando-a sobre meus ombros. – Você deveria estar lá.
-Você não me deu certeza. – dei de ombros e passei os braços por dentro da manga da jaqueta. – Por que eu iria lá, bem no dia dos namorados, sozinha?
-Tem razão. – ele sorriu de lado e me abraçou mais uma vez. – Não está com frio?
Olhei para baixo e vi meus pés descalços no chão de pedra e minhas pernas totalmente descobertas.
-Pior que estou. – respondi esfregando uma perna na outra, numa tentativa frustrada de aquecê-las.
-Essas pessoas que saem de pijamas... – ele disse balançando a cabeça, como se estivesse me repreendendo, mas eu podia ouvir o humor em seu tom de voz.
-Cale a boca, Weasley.
-Faça-me, Potter. – Fred ergueu uma sobrancelha sugestivamente e eu apenas ri, aproximando-me dele e fechando a distância entre nossos lábios mais uma vez.
Depois do dia dos namorados, as coisas pareceram que estavam no fast forward. Ainda mais depois do aniversário de Ron, quando ele foi, acidentalmente, envenenado com um hidromel que Slughorn tinha oferecido à ele e Harry.
Para falar a verdade, as coisas naquela escola estavam mais estranhas. Dumbledore mal era visto na escola. O único que o via era Harry em suas aulas particulares. Seja lá do que fossem, produziam um efeito incrível em Harry, porque ele não parava de falar nelas e no quanto aquilo era necessário para Voldemort poder ser derrotado. Bom, isso é o que ele dizia quando eu e Ginny estávamos por perto.
-Eu apenas sinto que eu deveria estar na casa do Hagrid. Sinto como se as coisas vão se desenrolar lá, entendem? – Harry disse soando um tanto alegre demais.
-Não. – Ron e Hermione disseram ao mesmo tempo, confusos.
Harry deu de ombros e saiu (meio que saltitando) pelo retrato da Mulher Gorda.
-Você entendeu alguma coisa? – sussurrei para Ginny do alto da escada.
-Não. – ela respondeu balançando a cabeça. – Nesse quesito, eu já parei de tentar de entender seu irmão.
Sim, estou sumida. Muito, muito, muito.
Sabe quando você já começa a se encher da história? Estou me sentindo assim. *carinha triste do Shrek*
Maaaaaaaas, não se preocupem: Eu estou morrendo de vontade de escrever a continuação, por isso estou perdendo o interesse em OTSS.
Então, vou dar uma corridinha com ela, ok?
Beijos!
