Harry deu de ombros e saiu (meio que saltitando) pelo retrato da Mulher Gorda.
-Você entendeu alguma coisa? – sussurrei para Ginny do alto da escada.
-Não. – ela respondeu balançando a cabeça. – Nesse quesito, eu já parei de tentar de entender seu irmão.
-Notícias do mundo de fora. – Harry disse entrando na sala comunal com uma carta.
Sorri e peguei o pedaço de pergaminho da mão dele, reconhecendo a letra da minha mãe.
Harry, Al,
Tudo bem com vocês? Aqui está tudo bem, um pouco corrido com as coisas da Ordem, Dumbledore está meio ausente, mas vamos seguindo em frente tentando encontrar qualquer coisa que possa nos ajudar.
Mas e as coisas por aí? Alguma novidade? Nos avisem se acontecer qualquer coisa..
E, Alexis, está estudando para os N.O.M.s? Quero ver essas notas, hein?
Beijos.
Mamãe e papai.
P.S.: Fred está mandando um oi.
Sorri e dobrei a carta de volta.
-Parece que eles estão bem. – disse me virando para Harry. – Quero dizer, bem mesmo.
-É.
-Harry? – chamei-o. – Tudo bem com você?
-Aham. – respondeu, dando de ombros. Eu apenas o continuei encarando. – Ficou sabendo do livro de Poções que peguei no começo do ano, não ficou? – acenei que sim. – Continuo com ele.
-O que? – perguntei, confusa. – Achei que já tivesse comprado o seu.
-E comprei. – ele tirou um livro de dentro da mochila, uma capa impecavelmente nova. – Apenas troquei as capas, Al. – ele abriu o livro e pude ver as páginas amareladas com o tempo. – Tem tantas coisas aqui. Tipo esse... "Sectumsempra".
-Sabe o que faz?
-Nem ideia. – ele respondeu. – Mas estou quase morrendo de curiosidade.
-Hazz, sério. – balancei a cabeça. – Sei que já deve ouvir isso muito, mas não acha que essas coisas são perigosas? Seguir instruções de alguém que você nem conhece? Não se lembra o que aconteceu com Ginny?
Ele correu as mãos pelo cabelo, os bagunçando ainda mais.
-Quando você coloca desse jeito...
-Vai se livrar do livro?
-Vou ver o que fazer, Al. – ele respondeu, levantou-se e subiu as escadas.
É claro que se as coisas fossem tão fáceis de serem resolvidas, nossas vidas perderiam metade da graça.
Mais ou menos uma semana após minha conversinha com meu irmão, as coisas desandaram para o lado dele. E por quê? Simplesmente porque Harry Potter, o garoto que sobreviveu, é o maior idiota de todos os tempos. Como se não bastasse andar por aí com um livro que não o pertencia e que era cheio de feitiços que não conhecíamos, meu querido irmão resolve duelar com Draco Malfoy num dos banheiros da escola e quase matar o garoto usando um feitiço do tal livro.
Lentamente, o retrato da Mulher Gorda foi se abrindo e Harry entrou na Sala Comunal.
-HARRY JAMES POTTER! – Ginny levantou-se da poltrona onde estava e marchou até Harry, furiosa, dando-lhe um tapa forte nos ombros. – Como você faz uma coisa dessa, hein? Quantas vezes te avisamos para não mexer naquelas coisas? Mas você escuta? NÃO! – e deu outro tapa nele.
-Ai. – ele reclamou, esfregando o ombro.
-É para doer mesmo!
Sem dizer nada, Harry caminhou até o sofá e sentou-se ao meu lado.
-"Eu te avisei" e "bem feito" não expressam nem a metade. – comentei sem olhar para ele.
Hermione e Ron apenas o fitavam.
-Não acha que agora é hora de se livrar do livro, Harry? – Hermione disse, um tanto incerta.
-Tem razão. – concordou suspirando.
-Sei o lugar perfeito. – Ginny disse. – Pegue o livro e vamos. – completou pegando a mão de Harry.
Quanto mais se aproximavam as férias, mais o tempo demorava a passar. Típico.
-Amanhã! – Gin exclamou caminhando até mim.
-Vai jogar de Apanhadora? – perguntei. Era uma coisa meio óbvia, mas talvez ela tivesse achado alguém.
-É. Por culpa do seu irmão. – informou dando de ombros. Acho que a raiva já passara. – Mas e aí. Amanhã vai fazer sol? – comentou com um sorriso no rosto.
-Talvez devesse perguntar à Trelawny. – respondi contendo o riso. – Aposto que sua visão interior dirá. – completei e então rimos debochadamente.
De um dos cantos da Sala Comunal, Parvati e Lavender lançaram-nos olhares reprovadores.
-Algum problema? – olhei na direção delas com pouco caso. A adoração que elas tinham pela professora de Adivinhação era ridícula.
-Você deveria ter mais respeito pela Professora Trelawny. – Lavender disse com aquela voz irritante que só ela era capaz de produzir.
-Exato! – Parvati concordou. – Ela é uma excelente professora. Tão incompreendida, mas todos os gênios são.
Ao meu lado, Ginny rolou os olhos, preparada para enforcar uma das duas.
-Faça-me o favor. – disse, segurando um palavrão. – Quantas foram as previsões reais dela até agora, Alexis?
-Duas. – respondi voltando o meu olhar para o dever. – Quero dizer, uma ainda nem se realizou...
-Se vocês apenas entendessem... – Parvati retomou. – Nem todos tem o que é preciso para serem profetizas. Obviamente, vocês são assim.
Lentamente, me levantei da cadeira onde estava sentada e caminhei até as duas, Ginny me seguindo.
-É mesmo? – comecei, tentando segurar o máximo possível toda a raiva que estava sentindo naquele momento. – E pensa que é fácil continuar vivendo e sorrindo enquanto, na sua cabeça, as pessoas que você mais se importa aparecem morrendo? Acha que é fácil, Parvati? Acha, Lavender? Mas vocês nunca tiveram nada disso, não é? Não tem que se preocupar em acordar no meio da noite com o seu tio morrendo ou qualquer coisa do tipo... – meu rosto pegava fogo. Mas agora eu já não poderia mais parar. – Se são tão boas quanto se julgam, como é possível não reconhecer uma verdadeira profetiza na sua frente? – e então, virando-me rapidamente, subi até meu quarto.
Se elas entenderam metade do que eu havia dito, já teria sido muito.
Se tenho desculpas por não ter postado nada em tanto tempo? Não, não tenho. Apenas peço que me perdoem. Eu não sei o que acontece, mas as ideias se esvaem. Ou então você até as tem na cabeça, mas passar para a escrita é impossível...
Me perdoem mesmo.
Isso não é nem um pouco do que eu gostaria de pensar, mas é o máximo que eu posso dar agora.
Espero que esperem mais um pouco.
Beijos e obrigada.
