"Serei direto. Saia pacificamente da escola. Não posso ignorar a forma com que você está envolvendo pessoas inocentes nisso. Se cooperar agora eu posso resolver as coisas antes que saiam do controle.
'Essa é uma boa idéia', é o que quer que eu diga?"
Porque você faz isso? Porque insiste em se arrumar um modo de tentar se inserir nos assuntos que me cercam? Eu não quero lhe envolver em nada e já lhe disse isso, então qual o motivo de me cercar a cada momento?
Talvez eu não devesse te questionar ou questionar tudo o que você fala, mas faço isso para que se afaste de mim; mesmo que fosse doloroso se o fizesse. Contudo, parece que todas as minhas tentativas são vãs, já que pareces aproximar-se cada vez mais.
"Não é uma idéia, é uma ordem. Você exagerou Suoh. Sendo assim, permita-me matar o assassino de Totsuka Tatara, o homem que se denomina ser o Rei Incolor. Se você consentir, o executarei da forma que você quiser.
Muito generoso da sua parte, mas obrigado.
Estou certo que você viu o estado atual da Espada de Democles. A espada é o símbolo de um rei e manifesta a mais verdadeira imagem de sua condição. Sua espada... Logo despedaçará."
Aqui está você, em minha frente. Separado de mim por míseros metros e discutindo sobre uma falsa indiferença, que não sabes ser irreal. Acendendo meu nervosismo oculto por uma camada de frieza, e oferecendo-me serviços que eu nunca poderia aceitar.
Por que é tão difícil ir embora quando se trata de deixar você?
"Ah, é?
Seu nível Weismann está à beira do colapso. O peso de matar um rei aqui certamente excederá seu limite. Você repetirá o incidente da cratera Kagutsu. Você não tem mais o direito de ser rei. Está na hora de ceder o cargo, Rei Vermelho,
Nunca tomei nenhuma ação como rei.
"Existem alunos inocentes nesse colégio que não tem nada haver com isso. Seus homens também estão presentes. Você entende?"
Deixei-lhe irritado, percebo, e não deixo de sorrir com isso. Não mais do que alguns centímetros, e ter seus lábios nos meus não será mais um sonho. Por que eu hesito, então? Talvez por medo de não te ter ao meu lado quando eu me for. Estou caminhando rumo à morte, mas isso é o necessário a se fazer; ou não honrarei Totsuka.
E apesar de fazer o que faço, devo admitir que você conseguiu, Munakata. Fazer-me querer desistir, fazer-me querer não ser rei, e fazer-me perguntar a mim mesmo: Como ele consegue ser tão poderoso, sem exaurir sua força? E fazer-me pensar que, assim como o seu tom é o mais belo, a sua perfeição é a mais absurda e longínqua.
"Desculpe... Por ter feito você fazer o trabalho sujo.
Não me venha com essa cara de tranquilidade. Se realmente pensa assim, você não podia ter feito nada antes que tudo acontecesse?"
Eu gostaria de ter conseguido, mas não pude. Espero que eu consiga, pelo menos, fazer-lhe tirar minha vida antes que meu próprio poder o faça. Seria reconfortante sentir a lâmina de sua espada ao invés da minha, assim não me sentiria culpado por não ter-lhe escutado; e lhe forçaria a carregar-me contigo para sempre, mesmo que como uma simples mancha em sua espada.
"Você já falou o bastante Munakata."
Seus olhos estão tristes e chocados. Qual o motivo disso? Você não sente nada por mim, meu sentimento nunca será recíproco. Desse modo, qual a razão de pareceres tão abalado, tão abatido? Pare de agir como se a minha morte fosse relevante, pare de fingir se importar. Não vê que será ainda mais doloroso para mim? Apenas me deixe ir, e me deixe contemplar os seus poderes uma última vez – pois morrer observando a sua cor, azul, me parece agradável.
"Me desculpe, Anna. Não poderei mais te mostrar aquele vermelho adorável."
- E nem a você, Reisi.
A escuridão já está nublando meus sentidos, tudo o que percebo agora é o calor do corpo do homem à minha frente encostado ao meu; e a alucinação de uma lágrima escorrendo por seu rosto, enquanto palavras saem de seus lábios.
- Não vá.
Uma bela ilusão antes de eu me ir.
- Adeus, Munaka... Ta.
E seus olhos ficaram opacos, levando com seu brilho a morna cor daquele que seria para sempre o Rei Vermelho.
