Nota da Tradutora: Eu normalmente não traduzo N/A, mas eu irei traduzir algumas da TKegl porque em alguns capítulos elas são necessárias e esclarecerão muitas duvidas. A nota abaixo não é essencial, mas é espirituosa e engraçada...

Nota da Autora: Ok, vocês possam ter entendido a partir do Prólogo que essa é uma romântica história de amor... e é, mas há alguma diversão também. É avaliado M, e as razões ficarão claras nos próximos capítulos. Esse capítulo inclui alguma referência a drogas, alguns palavrões, e Jacob... por isso se qualquer uma dessas coisas ofende você, se considere avisado!


"Em qualquer clima, a qualquer hora do dia ou da noite, eu tenho estado ansioso para melhorar o corte do tempo, e entalhe no meu cajado também; para permanecer no encontro de duas eternidades, o passado e o futuro, que é precisamente o momento presente; aos pés dessa linha."

- Henry David Thoreau

Capítulo 1 – Sobre Rituais e Pintos Realmente Grandes

Uma semana antes/92 anos depois

"Vamos, Bells, vai ser divertido!" Jake implorou, pegando minha mão e segurando-a perto de seu peito enorme.

"Eu não sei, Jake. Você sabe que eu realmente não sou fã dessas coisas," eu queixei-me, "e eu tenho uma tonelada de dever de casa para fazer."

"É sexta à noite," ele argumentou. "Você tem todo o fim de semana para lição de casa. Por favor, Bella," ele implorou, "não me faça ir sozinho."

Jake não estava sendo justo. Ele sabia que eu não podia dizer não quando ele realmente queria alguma coisa. Eu lhe devia muito.

Fazia seis meses desde que os Cullen se foram... desde que ele se foi, dizendo que não me amava mais.

Eu não sou uma idiota. Eu sabia que ele estava mentindo. Ele me... amava... me ama e foi embora por causa de alguma obrigação distorcida para me proteger.

Isso partiu meu coração.

Isso me deixou puta.

E realmente não importava. O porquê ele se foi não importava, pois ele tinha partido – todos eles tinham. Eu não sabia onde eles estavam. Eu não poderia encontrá-los, se eu quisesse.

E eu queria... muito.

Mas eu não saberia por onde começar. Eles podem ir a qualquer lugar... e ao longo das décadas eles aprenderam a se misturar. Se eles não queriam ser encontrados, eu sabia que eles não seriam.

Então eu fiquei em Forks, chateada e quebrada pela traição dele. Para melhor ou pior, era assim que eu via.

Eledecidiu unilateralmente sair da minha vida pelo meu próprio bem. Ele levou o que eu mais amava embora. Ele rasgou o coração do meu peito, deixando para trás apenas vazio e devastação.

Teria sido tão fácil me render para a dor – cair no abismo da escuridão e deixá-lo me engolir.

Mas foi a raiva que me manteve. A raiva que me permitiu trancar os pedaços quebrados dentro da casca endurecida da pessoa que me tornei.

Jake me chamava de nova e melhorada Bella durona. Ele dizia isso com uma nota de orgulho na voz, mas também com uma pitada de tristeza em seus olhos que me dizia que pelo menos parte dele sentia falta da doce, e suave Bella que eu costumava ser.

Às vezes, eu sentia falta dela também.

Mas ela se foi.

Era a única maneira que eu poderia sobreviver.

Eu mantive uma rédea apertada em minhas emoções, mantendo-às escondidas sob um manto de cinismo e indiferença. Ainda assim, tiveram vezes em que eu senti que quebraria de novo a qualquer momento, os pedaços explodindo como cinzas no vento.

Foi Jacob Black que pegou os pedaços. Quem ajudou a preencher... ou pelo menos remendar... o buraco deixado em meu coração quandoele me deixou. Jake me deu uma maneira de preencher meus dias... ele me ensinou a sorrir novamente.

Ele me amava.

Eu sabia disso, e mesmo que eu não pudesse amá-lo de volta, peguei seu amor e segurei egoístamente perto de mim.

Alguns dias ele era tudo o que me impedia de entrar em colapso no chão e me render às lágrimas, gritos, soluços e as trevas.

Então, quando Jake me pedia algo, eu estava muito pressionada para negá-lo.

"Eu não teria que fazer nada, certo?" Eu perguntei, sabendo que eu iria ceder.

Ele também sabia, e seu sorriso iluminou.

"Não, claro que não," ele me assegurou. "Vamos apenas sentar e assistir, eu prometo."

Ele nem sequer me deu uma chance para concordar, apenas me arrastou para a praia e em direção a sua casa, a minha pequena mão agarrada na sua enorme.

"Não vai começar até o anoitecer," disse ele, "então vamos comer alguma coisa primeiro. Estou morrendo de fome!"

Caminhamos em direção a sua pequena casa vermelha, e eu pedi para Jake explicar o ritual de hoje à noite para mim mais uma vez.

"É realmente uma honra ser convidado," começou ele, retardando seus passos largos para coincidir com os meus enquanto caminhávamos pelas ruas de cascalho. "John Sally é o mais antigo xamã na costa do Pacífico, e representante de tribos do Canadá ao norte da Califórnia consultam ele."

"O que é exatamente isso que ele vai fazer?" Eu perguntei timidamente.

"Você já ouviu falar de uma busca de visão?" Jake perguntou.

"Sim, eu acho que sim," eu respondi. "Eu vi uma vez em um filme. É como um rito de passagem ou algo assim, certo?"

"Sim," Jake balançou a cabeça. "Bem o Espírito Viajante é mais ou menos isso. Quando um cara faz quinze anos, ele passa pelo ritual. Supõe que o coloca em contato com seu guia espiritual... mostra seu caminho, seu destino."

Eu estava cética. Pois bem, não é que eu não acredito no sobrenatural. Afinal, eu costumava frequentar uma casa cheia de vampiros... e meu melhor amigo era um lobisomem.

Oh, eu não mencionei isso?

Yeah. Jake era parte de um bando de lobisomens dedicados a proteger a tribo Quileute do que eles chamam de "os frios" ... em outras palavras, vampiros.

É claro, os vampiros foram embora, mas o estrago já estava feito. A simples presença dos Cullen desencadeou uma mudança genética na população de adolescentes do sexo masculino, fazendo com que eles se transformassem em lobos gigantes.

Eu sei, certo?

De todas as pessoas, eu devia ser muito mente aberta sobre algo tão inofensivo quanto um Espírito Viajante. Mas só porque o mundo sobrenatural foi arremessado em cima de mim não significa que eu ansiosamente saltava para cada oportunidade mística.

Quer dizer, eu não usava cristais ou dançava nua sob a lua cheia ou qualquer coisa.

Mesmo que eu tenha certeza que Jake incentivaria isso.

Jake continuou a explicar o ritual Espírito Viajante... cada menino iria escolher um totem natural para concentrar seu poder espiritual – como uma pedra especial ou o ramo de uma árvore. Tinha que ser algo da natureza que era especial para eles, de alguma forma.

Soou um pouco estranho para mim, mas quem era eu para julgar?

E então o xamã lideraria o ritual de meditação.

Neste ponto Jake hesitou.

"O quê?" Eu perguntei. Eu mal estava prestando atenção, mas seu desconforto evidente despertou minha curiosidade.

Nós chegamos a casa dele e ficamos encarando um ao outro no jardim da frente.

"Ok, você tem que manter a mente aberta," começou ele.

"O que é Jake?" Eu perguntei impacientemente.

"Você já ouviu falar de peiote*?"

Eu fiz um Google mental. Peiote. Eu tinha ouvido falar nisso antes. Espere um pouco...

"Peiote? Quer dizer que eles usam drogas?"

Jake revirou os olhos e cruzou os braços musculosos na frente do peito, os pés firmemente plantados separados.

"Merda, Bella. Não são drogas."

"Claro que é," eu imitei sua posição. "Peiote provoca alucinações."

"É parte de um ritual tradicional," disse Jake teimosamente. "Consumido em pequenas doses, peiote pode trazer clareza espiritual e introspecção."

"Que, você está escrevendo um panfleto?" Eu zombei.

"Eles não estão usando peiote de qualquer maneira," Jake admitiu. "Ele não cresce por aqui e é ilegal transportar através das linhas de estado. Eu só pensei que se você tivesse ouvido falar dele, iria ajudar a entender o que vai acontecer." Ele olhou para longe.

"Jake," eu disse, esperando ele me olhar. "O que vai acontecer?"

"Bem," começou ele, "Eu não sei exatamente, mas às vezes o ritual implica cogumelos."

"Eu estou supondo que você não quer dizer portabellas*."

Jake sorriu. "Não, Bella. Eu acho que você sabe que tipo eu quero dizer."

Andei longe dele alguns passos, então virei e caminhei de volta para encarar ele.

"Então, só para esclarecer as coisas..." Eu levantei uma mão, contando nos meus dedos. "Estamos falando de canto, meditação, batendo tambor, e eventual ingestão de cogumelos mágicos*. Será que eu citei tudo?"

Jake ficou em silêncio por um momento, então ele ofereceu um breve aceno de cabeça.

Eu sabia que não deveria ir. Meu pai era o chefe de polícia, depois de tudo. Charlie iria pirar se ele soubesse que eu estava perto desses cogumelos idiotas.

Mas de alguma forma, eu não conseguia me importar.

Eu costumava me importar. Eu costumava tentar fazer a coisa certa. Estudei bastante, tratei as pessoas com bondade, cuidei da minha própria vida... mantive um monte de segredos importantes.

E onde isso me levou?

Sozinha, com exceção de Jake. E ele estava me pedindo um favor.

"Parece divertido," eu suspirei, e depois com a visão de seu sorriso cheio de dentes, senti minha própria boca curvar num sorriso. "Eu ganho meu próprio tambor?"

Nós comemos enormes sanduíches e batatas Ruffles na mesa lascada da cozinha de Jake. Na verdade, eu só comi metade de um sanduíche e Jake dois... mais a minha outra metade. Lobisomens, eu estava aprendendo, comiam muito. Algo a ver com a sua temperatura corporal elevada. E toda a correria na floresta. Embora eu não saiba por que eles ainda fazem isso, já que os vampiros foram embora. Talvez eles persigam esquilos. Perguntei isso a Jake uma vez como uma brincadeira.

Ele não achou que era engraçado.

A noite caiu e eu liguei para Charlie o deixando saber que eu ficaria em La Push durante algum tempo. Ele estava trabalhando e mesmo assim foi mais do que feliz para incentivar o meu tempo com Jake. Eu sabia que ele ainda tinha esperanças de que Jake e eu íamos ficar juntos, e eu o deixava manter viva a esperança, uma vez que o fazia tão feliz.

Nem preciso dizer que eu não mencionei os cogumelos.

O ritual iria ser no penhasco com vista para a First Beach. Jake e eu saímos da casa em direção à costa e ele pegou minha mão na sua, oferecendo um pequeno sorriso enquanto caminhávamos em silêncio.

O sol tinha acabado de afundar abaixo do horizonte e, surpreendentemente, as nuvens e o chuvisco do início do dia tinham se dissipado, deixando claro o céu laranja e rosa misturado com tons de azul escuro quase preto. Algumas estrelas brilhavam e a lua ainda não tinha aparecido.

Crepúsculo.

Claro, pensei em Edward.

Porque apesar de tudo, mesmo que eu estava chateada... quebrada... vazia... e no escuro. Mesmo que às vezes eu o odiava... Eu ainda o amava.

Eu não conseguia evitar.

Eu era fraca. Mas pior que isso, eu era impotente.

Impotente para deixá-lo para trás. Impotente para estar com ele novamente.

Impotente para deixar de amá-lo... sentir saudade dele... querer ele... precisar dele.

"Bells? Você está bem?" Jake levantou nossas mãos aos lábios, plantando um beijo suave nos meus dedos.

"Sim," eu disse. "Eu estou bem."

E eu estava. Bem. Não ótima. Não contente, realmente. Apenas bem.

E o meu maior medo era que isso era tudo que eu seria.

Merda. Eu estava tão sombria que eu estava ficando cansada de mim mesma. Às vezes eu me perguntava como Jake tolerava meu mau humor.

Nós viramos e começamos a subir uma estreita trilha pela floresta e eu balancei a cabeça, tentando quebrar-me para fora deste medo.

"Ei, Jake," eu comecei. "Você fez este ritual quando você completou quinze anos?"

Jake sorriu. "Sim, eu fiz."

"Você usou os cogumelos?"

Jake olhou para longe, então de volta para mim, como se estivesse medindo minha reação. "Sim, eu usei."

"O que aconteceu?"

Jake não disse nada, apenas puxou minha mão enquanto subíamos a trilha conforme começava a ficar mais íngreme... e eu puxei de volta, já ofegante.

'"Jake. O que aconteceu?"

Jake revirou os olhos, "Eu não deveria dizer. O Espírito Viajante é pessoal."

"Oh," eu disse decepcionada. "Tudo bem. Desculpe."

Continuamos a subir, e eu podia sentir Jake roubando olhares para mim.

"É só que," ele disse hesitante, "não foi realmente muito espiritual."

Eu disparei um olhar para ele e fiquei surpresa ao ver que ele realmente parecia... constrangido. Jake nunca ficava constrangido. Não quando ele estava bêbado e vomitou no vaso de begônia favorito da mãe de Jessica. Não quando ele foi pego "entretendo" a si mesmo no banheiro do Diner Forks. (Eca!) Não quando Quil e Embry roubaram suas roupas, enquanto ele foi nadar nu na praia e ele teve que andar por La Push pelado.

Claro, eu vi Jacob pelado. Ele realmente não tinha motivos para ficar envergonhado.

Ei, eu talvez não tenha pensado nele assim, mas eu ainda tenho olhos.

Balançando a cabeça para apagar a visão do corpo nu de Jake, eu virei para ele, evitando tudo abaixo de seu pescoço.

"O que você quer dizer, não foi muito espiritual?"

"Bem," Jake fez um gesto com a mão livre. "Eu disse ao meu pai que eu vi o meu guia espiritual. Que era um urso que me levou por esse caminho e me disse que eu tinha um grande destino."

"É? Isso soa muito legal."

"Eu menti."

"O quê?"

"Eu menti para ele, Bella," Jake admitiu. "Eu não vi um espírito-guia. Eu vi..." Ele apertou os lábios.

"O que você viu?"

"Deus, é realmente constrangedor."

"O que Jake?"

"Eu não posso acreditar que estou lhe dizendo isso!"

"Jake, eu estou morrendo aqui!"

"Eu vi..." Ele cerrou os olhos fechados. "Um pinto gigante."

Engasguei com uma risada. "Um o quê?"

Ele virou para mim com um grunhido, "Um pinto gigante, ok? Ele me perseguiu pela floresta."

Eu não conseguia segurar os risos agora.

"Ei era enorme! Pelo menos dois metros de altura! Foi terrível!"

Eu puxei minha mão da dele e envolvi meus braços em volta do meu estômago, uivando de tanto rir.

"E... estava..." Eu mal podia respirar, "... te perseguindo?"

"Deus, eu não posso acreditar que eu te contei!" ele murmurou, andando mais rápido pela trilha. "Todo mundo teve essa realmente profunda, experiência espiritual, e tudo que eu consegui foi um pinto enorme!"

Eu explodi com mais risadas e ele olhou para mim.

"Eu sinto muito, Jake," eu disse soluçando, com lágrimas nos meus olhos e meus lábios trêmulos enquanto eu tentava controlar minha diversão."Tenho certeza de que foi realmente duro... Eu quero dizer difícil!"

Com isso, nossos olhos se encontraram, e nós dois irrompemos em gargalhadas.

"Foi... duro... na verdade," ele conseguiu falar entre gargalhadas.

Eu bufei.

Finalmente, nós nos controlamos e limpamos as lágrimas dos nossos olhos.

"Sério, Bella, você não pode contar a ninguém sobre isso," disse ele, ainda sorrindo, mas seu olhar era sério. "Isso ia matar meu pai."

Eu sabia que ele estava certo. Billy Black era um líder tribal e levava todos esses rituais e tradições muito a sério. Eu duvidava que ele fosse ver o humor na visão de Jacob com salsichas gigantescas.

"Seu segredo está seguro comigo," eu assegurei-lhe, conforme nos aproximamos do topo do penhasco.

Podíamos ver o grupo reunido na borda do penhasco em torno de uma enorme fogueira e fizemos o nosso caminho nessa direção.

"Ei, Jake?"

"Hmmm?"

"Eu estava pensando... era circuncidado?"

Jake empurrou meu ombro e andou em direção à fogueira, e eu segui atrás dele, rindo o caminho inteiro.

Eu o alcancei quando ele passou através da escuridão da floresta para a luz da fogueira e sentei ao lado dele em um dos troncos posicionados em um grande círculo em torno dela. Olhei ao redor do círculo e reconheci a maioria das pessoas. Billy Black e Sue Clearwater. Os filhos de Sue, Seth e Leah. Sam Uley... Quil e Embry. Meus olhos pousaram em um homem velho sentado em uma cadeira ao lado de Billy, que eu supunha ser o xamã do qual Jake me contou. Eu sei que é politicamente incorreto dizer "velho"... costumamos dizer "mais maduro"... mas esse cara era velho. Cabelos brancos caiam para trás de seu rosto enrugado e resistido e para baixo após os ombros. Um cobertor tribal estava envolvido em torno de seus ombros e pude ver suas mãos nodosas, segurando as bordas no lugar. Ele levantou os olhos e em vez de pálidos e úmidos, fiquei surpreso que eles eram escuros e nítidos... e aparentemente focados em minha direção. Achei impossível desviar o olhar quando o homem encontrou o meu intensamente.

O cara meio que me deu arrepios.

Eu tremi e me movi um pouco mais perto de Jake, que envolveu um braço em volta dos meus ombros.

"O Espírito Viajante é uma tradição que remonta aos dias do avô do meu avô," Billy Black entoou. "É um ritual de enorme importância para todos os membros da tribo."

Há. Ele disse membros.

Eu sufoquei uma risadinha. Jake me deu uma cotovelada discreta, mas eu podia vê-lo lutando contra um sorriso.

Quantos anos nós tínhamos, doze?

Eu atirei outro olhar sobre o xamã e encontrei-o ainda olhando para mim. Desviei o olhar.

Billy terminou sua introdução e na deixa cinco garotos adolescentes vestindo apenas jeans desbotados e tênis entraram no círculo, ficando de pé ao redor do fogo. Eu me animei com interesse para a visão bastante impressionante de peitorais e abdomens... e aqueles músculos que fazem esse V que vai para baixo nos jeans de um cara.

Quem sabia que rituais pudessem ser tão estimulantes?

Eu me movi no meu lugar e eu juro que eu vi Jacob sorrindo com desdém.

Eu teria que trabalhar em mais algumas piadas sobre pintos gigantes.

Neste ponto, o xamã se levantou e entrou no círculo de rapazes. Dois homens sentados atrás dos meninos começaram a bater de forma constante nos tambores tranquilamente. O xamã abriu a boca para falar, e mais uma vez fiquei surpresa. Sua voz era forte e constante, superando facilmente o som dos tambores e o crepitar do fogo.

Ele falava em outra língua e sussurrei para Jacob, "O que ele está dizendo?"

Jake se posicionou para que ele pudesse traduzir facilmente em meu ouvido, sem causar uma distração.

"Todo homem tem um destino... um propósito... e é só através de perceber esse destino que um homem pode viver em paz," ele começou. "Para um menino se tornar um homem, ele deve primeiro procurar os espíritos para determinar o seu caminho."

O xamã olhou para cada menino, continuando a falar.

Jacob sussurrou sua interpretação para mim. "Você está preparado esta noite para buscar seu guia espiritual e abraçar seu destino?"

Os meninos responderam de forma afirmativa, e em seguida sentaram de pernas cruzadas no chão, cada um colocando um pequeno objeto na frente deles. Um par de pequenas pedras, um galho envolto em fio, algum tipo de osso, e uma longa e preta pena.

"Seus totens," explicou Jacob. "Um canal para o mundo espiritual."

Eu balancei a cabeça, mais absorvida do que eu pensei que estaria.

O xamã andou ao redor do círculo, cantando em silêncio e entregando algo para cada um dos meninos antes de tomar seu lugar. Ele e os meninos falaram juntos em voz alta.

"Que os nossos olhos e corações se abram e os espíritos possam se revelar esta noite," Jacob traduziu.

Todos eles trouxeram suas mãos à boca e começaram a mastigar solenemente.

"Os cogumelos?" Perguntei calmamente. Jacob acenou com a cabeça.

O xamã engoliu e falou novamente. Os meninos ainda estavam com os olhos fechados, respirando profundamente.

"Agora você deve limpar sua mente... ainda o seu espírito. Imagine um caminho na sua frente, levando através da floresta."

Eu assisti com admiração, encontrando-me embalada em um estado quase hipnótico.

"Na sua frente, o caminho se alarga em uma clareira. E do outro lado da clareira você vê uma forma. É um animal. É o seu guia espiritual. Não fale o nome dele. Basta olhar para ver onde ele o leva. Ele vai levá-lo aonde você mais quer ir. Ele vai mostrar o que você mais quer ver."

Eu me sobressaltei um pouco nessa declaração. Onde eu mais quero ir? O que eu mais quero ver?

Eu sabia a resposta. Edward.

O xamã tinha parado de falar e ficou quieto, vigiando os meninos. O círculo estava em silêncio, até mesmo os tambores pararam. Eu não sei quanto tempo nós todos sentamos lá olhando para o fogo. Era como se o tempo tivesse parado e a única razão que eu sabia que não tinha era o crepitar do fogo, a quebra do oceano lá embaixo, e o ocasional som de uma coruja na floresta.

Finalmente, um por um, os meninos abriram os olhos e fiquei surpresa com o que vi refletido neles.

Paz.

Eles se levantaram, falando baixinho entre si, depois encontraram seu caminho com seus entes queridos sentados sobre os troncos ao redor do fogo, compartilhando abraços, apertos de mão e sorrisos.

Meu olhar tremulou para o xamã, que havia se sentado em sua cadeira dobrável. Ele estava mais uma vez olhando para mim.

Desta vez eu não desviei o olhar.

Em vez disso, virei para Jake. "Eu já volto."

Eu não sei o que eu pensei que ia acontecer, mas eu me levantei e andei até o outro lado do círculo e fiquei na frente do xamã. Ele me olhou, como se soubesse o que eu ia dizer.

Inferno, nem eu sabia o que eu ia dizer.

Mas eu não tive que falar nada, porque ele se levantou e se afastou de mim, só para voltar alguns passos e acenar para eu segui-lo. Atordoada, eu fiz exatamente isso.

Caminhamos lentamente para longe dos outros ao longo da borda do precipício. Quando estávamos fora do alcance da luz do fogo, ele se virou e olhou para as ondas escuras abaixo. A lua cheia tinha subido durante o ritual, iluminando suas feições ligeiramente em cumes afiados de vários tons de cinza.

"O Espírito Viajante é diferente para cada pessoa," disse ele, ainda olhando sobre a borda do penhasco. "Para alguns, é profundamente comovente, para outros, perturbador, e para outros ainda, parece irrelevante... e não é até muito mais tarde na vida que o significado se torna claro."

Eu não entendia o que ele estava tentando me dizer, mas eu ouvi atentamente.

"Quando eu era um garoto no auge da maturidade, eu também passei pelo ritual," ele continuou. "Na época, eu não entendia o que eu tinha visto. Era dito para nós que as nossas visões eram privadas, então eu não podia falar com ninguém sobre a minha. Mas esta noite, eu acho que é tempo de eu finalmente compartilhar a história."

A minha curiosidade foi aguçada, "Por quê?"

Ele se virou para olhar para mim então. "Porque o meu guia espiritual, um falcão, me levou por uma trilha através de uma floresta escura para um belo prado. E de pé no centro do prado... estava você."

Minha pele arrepiou. "Eu? Não entendi."

"Eu também não," continuou ele, voltando-se mais uma vez a olhar para o oceano. "Mas você estava lá, o falcão circulando pelo céu. E então eu vi que você estava de pé em um caminho... na verdade, você estava de pé na convergência de dois caminhos. Um levava para a direita, o outro à esquerda. Você olhou de um caminho para o outro, então de volta para mim, como se esperando para eu dizer-lhe para onde ir."

Ele não disse mais nada, então eu finalmente perguntei, "O que aconteceu? O que você me disse?"

O xamã me olha novamente, seus olhos escuros impassíveis.

"Nada. A visão terminou."

Bem, isso foi útil.

Virei-me para ficar ao lado dele e estudei as ondas por um momento.

"Então, o que você acha que isso significa?" Eu perguntei.

Ele tomou uma respiração profunda. "Eu acredito que você está aqui por uma razão," disse ele. "Que o espírito a conduziu até aqui esta noite... para mim. Que há algo que você precisa fazer, um caminho que você deve tomar... uma escolha que você precisa fazer."

Ele virou-se novamente de frente para mim, "E eu acho que estou destinado a ajudá-la fazer essa escolha."

"Mas que escolha?" Eu perguntei, frustrada. "Eu não entendo nada disso! O que devo fazer? Eu não tenho para onde ir... nenhum caminho diante de mim!"

"Mas há uma pergunta," disse ele, olhando-me atentamente, "uma pergunta que você quer respondida acima de qualquer outra."

Eu pisquei duas vezes e olhei para longe. Eu não queria pensar nisso.

"Eu não sei do que você está falando."

"Você procura algo... alguém," continuou ele, sua voz profunda e retumbante.

Fechei os olhos, lutando contra as lágrimas. Combatendo a esperança que, apesar dos meus melhores esforços, estava começando a bater no meu peito.

"Eu não posso... Não é possível."

"Há uma maneira," ele disse simplesmente.

De alguma forma eu acreditei nele. Eu acreditava que ele poderia me ajudar se eu perguntasse. Mas eu quero perguntar?

Será que eu realmente quero encontrar Edward?

Ele tinha me jogado fora, me colocado de lado. Sob o pretexto de me proteger e apesar – ou talvez por causa – do seu amor por mim, ele me deixou sozinha para tentar sobreviver à insuportável perda de sua presença. Eu poderia esquecer isso e ir atrás dele como um cachorrinho lamentável?

E se eu pudesse engolir o pouco orgulho que eu ainda tinha e por algum milagre encontrá-lo novamente, o que então? Eu iria perdoá-lo? Pior ainda, e se eu localizá-lo apenas para descobrir que ele ainda não me quer? Que ele seguiu em frente e realmente me deixou para trás?

Ainda assim, naquele instante, eu sabia que iria assumir o risco. Que se houvesse uma chance, não importa quão pequena, que eu pudesse ficar com ele por mais um momento, eu iria pega-lá.

Eu era patética assim.

Então eu virei para ele, com lágrimas caindo dos meus olhos e perguntei.

"O que eu tenho que fazer?"


"Bella? Tem certeza de que quer fazer isso?" Jacob perguntou, sua testa franzida em preocupação.

Eu não tinha dito tudo sobre a minha discussão com o xamã. Em vez disso, eu só disse que ele sugeriu que o ritual Espírito Viajante poderia me ajudar a encontrar alguma solução para meus problemas... que talvez eu finalmente conseguisse alguma paz.

Jake cautelosamente aceitou minha explicação. Ele tinha visto em primeira mão o que eu tinha passado ao longo dos últimos seis meses, e apesar de sua ansiedade, eu sabia que ele não podia evitar encorajar qualquer coisa que possa facilitar as coisas. Ele faria qualquer coisa que ele achava que iria me ajudar a superar perder Edward.

Então eu sentei de pernas cruzadas na frente do fogo quase extinto, Jacob do meu lado esquerdo e o xamã à minha direita. O resto do grupo tinha ido, andando pela trilha tranquilamente. Billy tinha falado por alguns momentos com o xamã, piscando um olhar na minha direção, ocasionalmente, antes de também ir para casa.

Eu tinha pegado do bolso uma pedra do mar que eu carregava comigo em todos os momentos. Eu encontrei na praia não muito tempo depois de Edward ir embora, em uma de minhas primeiras visita a La Push. Isso chamou minha atenção por causa de sua cor única – tons de topázio e âmbar de um lado, dissolvendo-se em um ônix profundo do outro.

Eu fiquei em prantos quando o achei, mas guardei no bolso, esfregando suavemente com o polegar sempre que as minhas memórias de Edward pareciam particularmente fora de alcance.

Coloquei a pedra colorida no chão na frente de minhas pernas e vi a luz do fogo refletir em suas facetas.

"Você está pronta?" perguntou o xamã.

Eu concordei e ele começou a falar como ele fez antes. Eu não precisava de Jake para traduzir dessa vez, pois eu sabia a essência do que ele estava dizendo. Em vez disso, concentrei-me no vidro e pensei em Edward. Lembrei-me de quando nos conhecemos na aula de Biologia... a noite que ele apareceu pela primeira vez no meu quarto... a primeira vez que nossos lábios se encontraram.

E eu ansiava por ele.

Eu ansiava pelo futuro que nós não tínhamos... Eu sonhava com a vida que poderíamos ter, se as coisas fossem diferentes.

O xamã segurou um pequeno pedaço de cogumelo, enrugado marrom para mim e eu hesitei brevemente antes de pegar e estourá-lo em minha boca. Era borrachudo e tinha gosto de terra... terra muito ruim na verdade... então eu engoli rapidamente e voltei meu foco para a pedra.

Nada aconteceu por vários minutos. Eu podia ouvir o xamã cantando baixinho, o crepitar do fogo, e além disso, as ondas quebrando na praia rochosa abaixo.

Edward.

Fechei os olhos e quase podia ver o rosto dele. Estiquei a mão para tocá-lo e ele desapareceu em um punhado de fumaça. Uma onda de náusea varreu através de mim e abri os olhos novamente, respirando fundo e tentando não vomitar.

Minha visão ficou turva em torno das bordas e mais uma vez eu me concentrei na pedra, procurando fundo dentro de suas facetas cintilantes, buscando meu desejo mais profundo.

Estar com Edward.

O fogo estalou e embora eu soubesse que estávamos sozinhos, eu ouvi uma batida firme, calma no início, depois cada vez mais alto... e mais rápido.

Eu mantive meu foco sobre a pedra e as cores começaram a girar diante dos meus olhos, o âmbar se misturando com o preto em redemoinhos pulsantes, a pedra parecendo liquefazer e borbulhar, as cores enchendo minha visão.

Como se de uma grande distância, ouvi Jacob chamando meu nome.

"Bella, você está bem?"

Eu queria responder ele, mas eu não podia. Eu estava congelada no lugar, o batuque batendo na minha cabeça, meus olhos arregalados olhando para a pedra borbulhante. As cores giravam mais rápido agora, obscurecendo o fogo... o céu... a floresta... até que tudo o que eu via era ocre... dourado escuro... e finalmente... um consumidor manto, envolvente de preto.

"Bella!"


*Peiote: é um pequeno cacto que tem sido usado por séculos pelos efeitos psicodélicos experimentados quando ingerido.

*Portabellas: ou Portobello é um cogumelo cosmestivél muito usado na culinaria.

*Cogumelos mágicos: são fungos com propriedades alucinógenas.


LINK:

Penhascos de La Push (tire os espaços):

http: / pics . livejournal . com/ tkegl/ pic/ 000021dh/