Tudo o que vemos ou parecemos
Não passa de um sonho dentro de um sonho.

- Edgar Allan Poe

Capítulo 2 – Sobre Espartilhos e Confusão

Eu sonhei com Edward.

Eu sabia que era um sonho, mas eu não me importei... por causa das coisas deliciosas que Edward estava fazendo para mim.

Era patético, mas desde que Edward tinha ido, os sonhos eram tudo que eu tinha dele... então eu me agarrei a eles – cada imagem nebulosa, cada toque fantasmagórico.

Cada formigante orgasmo.

Oh, sim. Havia orgasmos.

Nos primeiros dias e semanas da minha solidão, os sonhos eram menos satisfatórios. Os incômodos, pesadelos perseguindo-ele-mas-não-o-pegando me deixavam sem fôlego e eu acordava me sentindo desolada, meus dedos apertando os lençóis encharcados. Mas aos poucos eles começaram a mudar e evoluir.

Eu me lembro da primeira vez que o persegui... e o peguei. Eu segurei o braço dele e ele virou o rosto para mim, a surpresa iluminando seus olhos âmbar.

Fiquei tão chocada, acordei sentado na cama, o meu braço estendido na direção dele.

Então, noite após noite, eu ganhei mais controle dos sonhos, pelo menos até certo limite. Ele já não me iludia, mas veio a mim de boa vontade com carícias e beijos... e uma intensidade crescente.

A primeira vez que eu cheguei ao clímax foi com ele me dedilhado contra o capô de seu Volvo.

Deus, eu amava aquele Volvo.

Assim, em vez de questionar por que eu estava andando pelo corredor da escola de Forks segurando a mão de Edward com força, eu me entreguei à fantasia.

Eu mencionei que eu sou patética?

Ele apressou o passo, me puxando ao redor de uma esquina, então me girando rapidamente, pressionando-me contra um armário amassado com todo o comprimento do seu corpo.

Ah, o sonho contra-o-armário. Eu amava este.

Eu olhei para seu rosto bonito, meus olhos trilhando dos dele entreabertos, em seguida pelo nariz dele até sua boca ligeiramente aberta. Minhas mãos estavam achatadas contra o armário nos meus lados e eu podia sentir cada centímetro do seu corpo endurecido.

Sua língua umedeceu seus lábios antes que ele apertou-os suavemente contra os meus. Ele se puxou um pouco para trás, sorrindo ligeiramente antes de voltar com mais insistência.

Claro, eu respondi como sempre. Minhas mãos se afastaram do armário, traçando seu peito, sob o seu casaco e agarrando desesperadamente os ombros dele. Sua língua lambeu minha boca e eu a abri para ele, inclinando minha cabeça e o devorando.

Permitindo que ele me devorasse.

Ele pressionou seu joelho entre minhas pernas e eu gemi.

"Shh..." Ele rompeu com o beijo e sussurrou em meu ouvido, mordiscando de leve meu lóbulo. "Eles vão nos ouvir."

Ele sabia que isso só me excitava ainda mais.

Ele arrastou seus lábios pelo meu pescoço, lambendo, sugando e mordiscando seu caminho para a base da minha garganta, enquanto seus dedos habilmente soltavam os botões da minha camisa, e depois acariciando delicadamente ao longo da borda superior do meu sutiã, mergulhando ligeiramente dentro da renda. Ele abriu o fecho e arrastou as tiras para baixo dos meus ombros em um movimento lânguido. Minha camisa escorregou com o mesmo movimento.

Seus dentes beliscaram levemente meu mamilo direito e eu gemi seu nome conforme calor agrupava entre minhas coxas, irradiando para fora até que todos os cabelos em pé, cada centímetro de mim formigando... queimando... desejando.

Eu não sei como as sensações podiam ser tão vívidas, já que na realidade Edward e eu nunca tínhamos passado muito da primeira base.

Acho que eu tinha a porra de uma imaginação.

Sua atenção desviou para meu outro seio, ele circulou meu mamilo com a língua antes de sugar levemente e soprar sobre a carne enrugada. Ele continuou suas administrações no meu peito aquecido, primeiro um, depois o outro. Suas mãos arrastaram-se debaixo da minha saia, levantando minha perna esquerda em torno de seus quadris e executando um longo dedo ao longo de minha calcinha umedecida.

"Deus, Edward... não consigo..."

"Não consegue o quê?" ele perguntou casualmente, ainda beliscando meu peito enquanto um dedo arrastava levemente para cima e para baixo por cima da minha calcinha.

Meus quadris impulsionaram para frente involuntariamente. Ele estava me deixando louca.

"Não consegue o que, Bella?" ele repetiu, finalmente deslizando seu dedo no cós da minha calcinha, arrastando-a lentamente pelas minhas coxas tremendo.

"Por favor..." Tudo que eu podia fazer era implorar. Por mais... por tudo.

A boca de Edward deixou meus seios e meus olhos se abriram para vê-lo me olhando firmemente, suas pupilas dilatadas com a luxúria. Ele não quebrou o contato visual enquanto lentamente caiu de joelhos, movendo a perna que eu tinha fechado em torno de sua cintura para baixo para que ele pudesse remover minha calcinha, em seguida, a colocando por cima do ombro.

Oh. Meu. Deus.

Ele empurrou minha saia até minha cintura e me partiu com ambas as mãos antes de passar sua língua lentamente pela minha carne umedecida, deixando para trás um rastro ardente de desejo.

Seus olhos fecharam e ele gemeu como se desfrutasse de um pedaço particularmente tentador.

"Eu amo provar você," ele disse calmamente, antes de retornar a boca para meu centro aquecido.

Ele me consumiu avidamente, antes de mergulhar profundamente sua língua, e então circular meu clitóris inchado... beijando, chupando, mordendo delicadamente até que eu estava me contorcendo, batendo a cabeça para trás contra o armário e segurando seus cabelos em minhas mãos.

Ele mergulhou um, depois dois dedos dentro de mim... dentro e fora, torcendo, curvando, empurrando... e com uma última passada em meu clitóris, eu perdi o controle. Formigamento e queimação percorreram meu corpo do meu núcleo para fora até que cada dedo tremeu com a minha liberação.

O sinal tocou.

Os olhos de Edward levantaram para encontrar os meus e eu assisti conforme o ocre dissolvia para um verde verdejante.

Eu gritei.

Acordei ainda trêmula de meu clímax de tremer a terra e sonho de final pertubardo, minha respiração escapando em suspiros curtos.


"Senhorita? Senhorita, você está bem?"

Meus olhos focaram no rosto de um jovem na minha frente olhando-me com preocupação.

"O quê?" Eu percebi que não estava deitada na minha cama, mas em algo duro.

Onde foi que eu adormeci?

Eu balancei minha cabeça para focar minha mente confusa.

O jovem ainda estava olhando para mim.

"Você bateu sua cabeça?" ele perguntou.

Que diabos estava acontecendo? Onde eu estava?

"Senhorita?" repetiu o homem. "Você pode me ouvir?" ele disse um pouco mais alto.

"Sim," minha voz falhou, então eu limpei minha garganta. "Sim, eu estou bem, eu acho."

"Você pode se sentar?" perguntou ele, estendendo a mão.

Olhei para sua mão com ceticismo, então decidindo que ele não se parecia com um serial killer, peguei levemente e me sentei.

Porque eu não conseguia respirar? Parecia que tiras e aço estavam enrolando minhas costelas.

"Quem é você?" Eu arfei, "Onde estou?"

"Você estava deitada aqui quando eu sai," respondeu o homem. "Tem certeza que não bateu sua cabeça?"

Então tudo veio à tona para mim... Jake... a fogueira... o ritual... os cogumelos.

Oh Deus. Eu estava alucinando.

"Senhorita?"

Estudei o homem diante de mim. Ele era bonito – cabelo castanho arrumado perfeitamente, olhos azuis, terno marrom escuro e gravata, embora o estilo fosse um pouco como algo que meu avô poderia usar.

"Você é meu guia?" Perguntei-lhe.

O homem me olhou inexpressivamente.

"Eu sou Tom," disse ele, "Tom Jacobsen. Eu moro aqui."

Ponderei o significado do nome dele. Estava lá uma mensagem escondida? Tom... Tom... não, nada me veio à mente.

"Você parece um pouco pálida," ele observou. "Talvez você devesse entrar Sra. Oleson saberá o que fazer."

Deixei ele me ajudar para cima e acabei percebendo que eu estava deitada em um patamar de concreto na frente de uma casa de três andares*. Eu balancei um pouco sobre os meus pés e Tom passou um braço em volta da minha cintura para me firmar.

"Calminha, você vai desmaiar?" ele perguntou, um olhar de pânico em seu rosto.

"Claro que eu não vou desmaiar. Eu nunca desmaio," eu zombei. "Eu estou apenas com um pouco de dificuldade para respirar." Eu ofeguei e minha cabeça nadou, me obrigando a inclinar fortemente contra Tom.

Ele varreu-me em seus braços e levou-me rapidamente para a porta verde desgastada, chutando-a algumas vezes e chamando a Sra. Oleson, quem quer que ela fosse.

Descobri alguns segundos mais tarde, quando a mulher em questão abriu a porta com uma carranca.

"O que você está fazendo chutando minha porta –" ela começou, então, de repente balançou a porta aberta quando ela me viu nos braços de Tom. "O que aconteceu? Quem é essa?" ela perguntou, sua voz um misto de preocupação e sotaque irlandês.

"Eu não sei," respondeu Tom, passando por ela para me colocar em um pequeno sofá depois da porta. "Encontrei-a na varanda da frente desmaiada."

"Eu não estava desmaiada," argumentei, "Eu nunca desmaio." Levantei-me para provar o meu ponto e mais uma vez lutei contra uma onda de tontura. Debrucei-me no braço do sofá para me equilibrar. "Eu simplesmente não consigo recuperar o fôlego."

Sra. Oleson me observou de forma constante por um momento enquanto eu respirava e chiava, então ela de repente virou-se para Tom.

"Pegue-a e me siga," ela ordenou, então murmurou algo que soou como, "... não é moda... é tolice."

"O quê?" Eu engasguei quando Tom de repente me levantou de novo, seguindo a Sra. Oleson por um lance de escadas e para dentro de um pequeno quarto.

"Coloque-a aqui Tom, então fora," ela ordenou, apontando para uma mancha no chão.

O rapaz fez como lhe foi dito e saiu da sala, fechando a porta atrás dele com um clique suave. Eu não disse nada, ainda chocada e sem saber o que estava acontecendo.

"Tire seu vestido," ela exigiu.

"O quê? Meu vestido?"

A mulher acenou com as mãos em exasperação e moveu-se atrás de mim, soltando meu vestido enquanto ela continuava resmungando sobre "meninas idiotas." Eu estava congelada com choque quando ela empurrou o vestido dos meus ombros, em seguida, estabeleceu sobre puxar mais alguma coisa nas minhas costas.

As bandas de aço apertaram por um momento...

E depois... um doce alívio.

Eu traguei uma respiração profunda... depois outra... e minha cabeça clareou.

"Obrigado," eu gemi, virando para a Sra. Oleson, e parando confusa na massa de tecido e cordas na mão dela.

"O que é isso?" Eu perguntei.

Sra. Oleson jogou na cama em desprezo. "Maldita engenhoca tola!" exclamou ela. "Vocês garotas estão dispostas a sacrificar qualquer coisa pela moda – mas um espartilho não é nada além de um instrumento de tortura!"

Espartilho?

"Meu querido Henry, Deus abençoe sua alma, acreditava que era antinatural. Então, uma vez que ele se casou comigo, eu queimei até o último de meus!" Ela vagou acima, pegando a roupa insultante com um olhar de desagrado.

"É claro que este espartilho não é nada comparado com os de quando eu era jovem," observou ela com uma cadência musical em sua voz. "Eles nos apertava e agarrava com tanta força... que você achava que não conseguia respirar." Ela me olhou brevemente, seus olhos brilhando com uma risada. "Eu não acho que respirei fundo desde primeiro dia que o usei até o dia que eu casei!"

Pela primeira vez, observei a mulher diante de mim. Ela era pequena, ligeiramente mais baixa do que eu, com cabelo vermelho vivo puxado para trás em um coque e olhos azuis brilhantes agora cheios de humor. Eu fiz uma careta para o traje estranho dela, uma longa, saia de lã marrom-avermelhada e uma camisa branca de botão com as mangas arregaçadas. Um avental branco com uma mancha de que alguma coisa estava amarrada em sua cintura, e ela puxou um canto para enxugar os olhos. De certa forma, ela me lembrou de Alice com sua energia alegre e sorriso contagiante.

Seu riso acalmou e ela retornou meu olhar.

"Então agora," ela disse, "você pode me dizer por que você estava deitada na minha varanda da frente?"

Agora essa era uma boa pergunta. Eu ponderei por um tempo, contemplando o significado que tudo isso poderia ter. Que tipo de visão era essa, afinal? Ainda bem, não houve falos gigantescos andando por aí, mas isto não era realmente o que eu esperava. Onde estavam os falcões gritando e luas cheias e... não sei... coisas simbólicas?

Eu olhei para a Sra. Oleson especulativamente. "Você é meu guia?"

"Guia para o quê, querida?"

Eu suspirei. Percebi que não seria assim tão fácil.

"Nada não."

Sra. Oleson me lançou um olhar estranho, que eu levei um momento para decifrar.

Jesus. Ela pensava que eu era louca.

Eu deveria ter pegado mais informações sobre essa coisa toda de Espírito Viajante com Jacob antes de engolir os cogumelos estúpidos. Agora que eu estava aqui, o que diabos eu deveria fazer?

Optei por deixar rolar.

"Eu acho que foi apenas o espartilho," eu disse calmamente, poupando um olhar para a coisa estúpida. Que idiota inventou isso, afinal? Tenho certeza de que era algum misógino com problemas martenais. "Eu estou realmente me sentindo muito melhor agora."

Apesar das minhas garantias, um bocejo escapou antes que eu pudesse sufocá-lo. Sra. Oleson se aproximou de mim rapidamente e passou a mão pelo meu braço firmemente.

"Você está exausta," ela proclamou. "Qual é seu nome?"

"Bella... Bella Swan."

"Bem, eu sou Maggie," ela sorriu. "Acabei de fazer o jovem Tom me chamar de Sra. Oleson porque, ele fica um pouco cheio de si mesmo e precisa ter sua orelha puxada uma ou duas vezes ocasionalmente."

"Onde você mora?" perguntou ela.

Minha mente correu, tentando pensar em uma resposta lógica.

"Eu sou nova na cidade," eu disse lentamente. "Recém-chegada. Eu não encontrei um lugar ainda."

"Bem," ela respondeu, colocando as mãos em sua cintura. "Este quarto está vazio no momento. Tenha um bom descanso e se junte a nós todos para o jantar. Eu insisto."

Sorri agradecida, em seguida o sorriso caiu. "Eu temo que eu não tenha nenhum dinheiro."

Sra. Oleson observou-me em silêncio por um momento, ela pegou minha mão e olhou profundamente em meus olhos, como se estivesse procurando algo. Ela pareceu ter encontrado, porque ela piscou, então apertou minha mão uma vez suavemente antes de liberá-la.

"Falaremos sobre isso mais tarde," disse ela em seu caminho para fora da porta. "Só descanse um pouco e eu vou vê-lo na ceia." Ela sorriu e fechou a porta firmemente.

Meus olhos vagaram ao redor do quarto, da porta até uma mesa e cadeira gastas, até uma pequena janela com uma cortina fina, a cama de ferro com uma colcha macia azul e verde, para um pequeno vaso de flores silvestres, e uma bacia e jarro em uma cômoda baixa. Fui e dei uma espiada no jarro.

Vazio.

Olhei para cima e saltei para o meu reflexo no espelho oval acima da cômoda.

Minhas características eram as mesmas, mas meu cabelo estava reunido em um coque frouxo no alto da minha cabeça, coberto por um chapéu azul pálido com uma aba grande e uma larga faixa de renda. Meus dedos tocaram a borda suavemente e eu olhei para o vestido deitado na cama, observando que o chapéu combinava com os raminhos pequenos de flores sobre o tecido amassado.

Eu arrastei meus olhos de volta para o espelho e recuei um pouco para que eu pudesse ver mais de mim mesma no reflexo. Eu usava uma espécie de anágua de duas peças feitas de algodão branco com tiras finas. Eu toquei o tecido e notei que eu não estava usando sutiã. Levantando a parte inferior da anágua, vi meias brancas, presas na liga onde elas acabavam no meio da coxa, e nos meus pés, botas de salto baixo pretas.

Essa alucinação não era o que eu estava esperando.

Eu sabia que, a fim de entender o que minha visão estava tentando me dizer, eu tinha que primeiro entender onde – e, reconhecendo o meu traje estranho – quando eu estava. Eu ainda tinha que me entregar inteiramente a esta coisa toda sobre destino, mas eu tinha que admitir, a visão... sonho... alucinação... qualquer coisa, era real o suficiente para que eu me perguntasse se talvez o xamã estivesse certo. Talvez estar aqui poderia me ajudar a encontrar Edward.

Ou superar ele.

Eu tremi um pouco nesse pensamento, porque apesar da dor que ele causou quando ele foi embora poucos dias depois da minha festa de aniversário desastrosa, eu realmente não quero superar ele. Nos meses seguintes a sua saída abrupta, eu flutuei do desespero à frustração para raiva, mas no fundo eu sempre esperava e desejava que ele tivesse saudades de mim... me queresse... voltasse para mim.

Eu nunca sequer tentei parar de desejar isso

Eu dei alguns passos experimentais até a janela, olhando através da cortina fina. Eu estava em uma rua movimentada, pavimentada com calçadas em ambos os lados. Um bonde passou, e eu notei carros antigos, bem como algumas carroças. As pessoas nas ruas estavam vestidas de forma semelhante ao Tom e Sra. Oleson – saias mais longas e vestidos e chapéus como o meu em mulheres... terno e gravata nos homens e alguns usavam escuros chapéus-coco* ou fedoras*.

Eu me afastei da janela, um fio de pânico correndo por minha espinha. Isso tudo era tão vívido, e para ser honesta, estava começando a me assustar um pouco. Tomei algumas respirações profundas para me acalmar e peguei o espartilho torturante, correndo os dedos ao longo da estrutura conforme eu considerava o que eu estava vendo.

História não era meu melhor assunto, mas eu acho que estava em algum lugar no início do século 20. Eu estava, obviamente, em uma cidade nos Estados Unidos, dada a falta de sotaque nas vozes que eu ouvi em volta de mim, a Sra. Oleson excluída. A pergunta foi por quê?

Por quê?

O que eu deveria tirar dessa viagem ao passado da América? Uma apreciação para roupas de baixo modernas?

Eu joguei o espartilho de volta na cama em frustração.

Bem, seja qual for o ponto desta pequena aventura, eu estava ficando um pouco cansada disso. Eu estava pronta para isso acabar.

Parei por um momento, perguntando-me como uma pessoa realmente para de alucinar.

Eu imaginava que iria parar por conta própria uma vez que os cogumelos estavam fora do meu sistema, mas percebi que eu poderia pelo menos tentar ajudar as coisas. Afinal de contas, tinha sido mais de meia hora desde que cheguei aqui. Jake tinha de estar ficando preocupado já que eu não tinha saído do meu transe ainda.

Deduzi em tentar apenas pensar em voltar. Sentei na cama e fechei os olhos, respirei fundo, minhas mãos descansando levemente no meu colo, e foquei meus pensamentos na fogueira em La Push. Eu visualizei os troncos, as faíscas voando na escuridão, minha pedra âmbar no chão diante de mim. Imaginei Jake à minha esquerda, o xamã à minha direita, assim como eles estavam quando entrei no transe. Estendi a mão para Jacob e abri meus olhos.

Nada. Eu ainda estava no quarto vazio, a cortina esvoaçando levemente na janela.

Agravada, decidi tentar novamente, reencenando o ritual que me trouxe aqui.

Eu não tinha um totem, no entanto. Eu sabia que tinha que ser algo natural, então eu digitalizei a sala e foquei em um raminho de flores silvestres no vaso sobre a cômoda. Eu olhei com ceticismo para as secas flores amarelas, mas dei de ombros. Era tudo que eu tinha. Eu sentei de pernas cruzadas sobre a cama, estabelecendo a flor na minha frente e fechei os olhos. Tentei me lembrar das palavras do xamã.

"Que os nossos olhos e corações se abram e os espíritos possam se revelar esta noite... quero dizer dia," Eu entoei, sentindo-me estúpida dizendo as palavras em voz alta e abri um olho apenas para me certificar que ninguém estava ouvindo.

Sim, como se uma alucinação fosse julgar.

"Que os nossos olhos e corações se abram e os espíritos possam se revelar neste dia," eu repeti um pouco mais alto. Então eu me concentrei na flor diante de mim, imaginando um caminho na floresta levando a...

Para onde o caminho estava conduzindo mesmo?

Frustrada, eu cai para trás na cama. Isso estava me levando para nenhum lugar. Estendi a mão e peguei a flor, torcendo-a entre meus dedos. Um bocejo escapou dos meus lábios.

Estranho. Eu realmente estava cansada.

Me levantado, eu peguei meu vestido, o coloquei sobre a cadeira e coloquei meu chapéu sobre a mesa. Sentei-me na cama para remover minhas botas, então deslizei sob a colcha macia. Puxando-a até meu queixo, me virei e curvei meus joelhos ao meu peito.

Eu ia dormir, os cogumelos ficariam sem efeito, e eu acordaria de volta para casa.

Eu diria a Jake que eu alucinei uma vagina gigante, só para fazê-lo rir.

Era um plano tão bom como qualquer outro, pensei.


Eu estava errada, no entanto.

Porque quando eu acordei, eu estava ainda no pequeno quarto, o sol baixo no céu e uma leve batida soando na porta.

"Sim?" respondi.

Sra. Oleson enfiou sua cabeça para dentro. "Ceia acabou de ficar pronta querida," disse ela. "Você está se sentindo melhor?"

Sentei-me na cama, esfregando os olhos, irritada que eu ainda estava aqui, mas aliviada que comida estava por perto. Meu estômago roncou de acordo.

"Sim, na verdade," eu admiti, balançando as pernas sobre a borda da cama.

Sra. Oleson andou, olhando-me especulativamente.

"Bem, você parece melhor, eu vou dizer," ela concordou. "Sua cor voltou e você não parece muito cansada. Você só precisa de algo para comer e você vai estar certa como a chuva. Meu querido Henry, Deus descanse sua alma, costumava dizer 'Nada é tão ruim assim depois da soneca e da ceia'." Ela fez uma pausa, considerando. "Você está pronta para me dizer o que você realmente está fazendo aqui?"

Eu me sobressaltei com sua franqueza, então fiquei vermelha conforme desviei o olhar.

"Eu realmente não posso explicar isso," eu disse calmamente.

Sra. Oleson acenou com a cabeça conscientemente. "Não importa," disse ela, "eu estou aqui quando estiver pronta." Ela caminhou em direção à porta, mas parou com a mão na maçaneta e virou-se para mim quando eu chamei o nome dela.

"Obrigado," eu disse. "Você nem mesmo me conhece e tem sido tão... maravilhosa."

"Oh, eu sei mais do que você pensa," disse ela, olhando para mim com um olhar estranho em seu rosto... ela era ... empática? "Eu pude ver isso nos seus olhos antes. Você foi deixada para trás. Eu estive lá também, querida. Você está perdida... procurando por algo, mas não sabe como encontrá-lo... estou certa?"

Eu concordei acenando a cabeça.

Ela tocou sua testa com um dedo. "Tenho um pouco da visão, eu tenho. Meu querido Henry, Deus descanse sua alma, costumava dizer que eu sabia mais sobre as pessoas que elas sabiam sobre si mesmas. Não se preocupe querida, você pode ficar aqui até você encontrar o que você está procurando."

"Obrigada," eu repeti. Quando ela se virou para ir embora, eu chamei, "Sra. Oleson... Maggie, eu realmente sinto muito pela sua perda."

"Minha perda?" ela perguntou, confusa.

"Seu marido?" Expliquei.

"Oh," ela riu, "Henry não está morto. Ele fugiu com uma prostituta no salão de dança."

Eu arfei. "Mas... você continua dizendo, 'Deus descanse sua alma'." Agora eu era a única confusa.

"Oh, isso," ela sorriu, seus olhos enrugaram mais uma vez. "Só pensamento positivo," disse ela, conforme se virava para sair pela porta.

Fiquei sentada pasmada para a porta fechada por um minuto inteiro antes de explodir em risadas. Eu não acho que quero conhecer o lado ruim de Maggie Oleson.

Levantei-me e caminhei até a mesa, pegando o meu vestido e entrando nele com cuidado. Puxando-o percebi que não havia nenhuma maneira que eu poderia abotoar ele – o vestido era muito pequeno.

Eu teria que colocar o espartilho estúpido.

Soltando o vestido no chão, peguei o espartilho e o olhei com desconfiança. Consegui colocá-lo e apertar os laços – não tão apertado quanto antes, mas firme o suficiente para que, com algumas torções e voltas eu poderia abotoar meu vestido. Eu tentativamente respirei fundo, em seguida, mais fundo. Não estava tão ruim. Eu olhei para o chapéu, mas percebi que eu não tinha que usá-lo dentro. Virando-me para o espelho, eu estiquei meu cabelo e reposicionei alguns grampos, então peguei as botas e rapidamente as amarrei.

Eu poderia fazer isso.

Então eu percebi que tinha que ir ao banheiro.

Querido Deus, eles tinham água encanada? Eu não sabia se poderia lidar com um banheiro externo*.

Mentalmente me chutando na bunda pela minha falta de força, abri a porta e esquadrinhei o corredor. Ele estava tranquilo então eu sai nas pontas dos pés para fora, olhando através das portas abertas enquanto eu caminhava em direção à escada. Um suspiro de alívio escapou dos meus lábios quando vi azulejo branco, uma banheira espaçosa e um banheiro fora de moda, mas reconhecível em uma pequena sala no topo das escadas.

Eu fiz o que precisava rapidamente, e eu tenho que admitir que prendi a respiração quando puxei a corrente, só liberando quando deu descarga facilmente. Eu lavei as minhas mãos na pia pedestal, espirrando um pouco de água no meu rosto antes de sair do banheiro e descer as escadas, seguindo os aromas deliciosos atraindo-me para a sala de jantar.

Maggie estava colocando um prato grande sobre a mesa e ela olhou para cima e sorriu para mim quando entrei na sala.

"Sente-se, querida," disse ela, apontando para uma cadeira vazia. Ela virou para se dirigir as pessoas que já estavam sentados em volta da reluzente mesa de jantar.

"Esta é Bella Swan, uma nova hospede," disse ela, em seguida, olhando para mim, indicou um jovem casal do outro lado da mesa. "Estes são Jared e Liza Johannes. Eles são recém-casados."

Ela piscou, então apontou para um homem mais velho com cabelos escuros grisalhos nas têmporas e olhos escuros sombrios.

"Esse é Alistair Jenkins. Ele é um escritor. E é claro que você conhece jovem Tom."

Tom sorriu de seu assento ao meu lado.

"Bom te ver de novo, Senhorita Swan. Sentindo-se melhor, espero?"

"Sim," eu sorri de volta, "muito melhor, obrigado."

"Você estava doente?" Liza Johannes perguntou, preocupação vincando sua testa.

"Ela simplesmente desmaiou," Tom respondeu e eu ouricei, a ponto de argumentar que eu não desmaiei, então decidi ir para rota mais diplomática.

"Eu estou bem, realmente," eu disse ao invés. "Tudo parece delicioso." Fiz um gesto para a comida na mesa, mudando de assunto.

E realmente parecia. Maggie tinha preparado um assado grande, circundado por batatas e cenouras, uma tigela grande de biscoitos, ervilhas brilhando com manteiga, e eu podia ver uma torta através da entrada para a cozinha. Minha boca encheu de água e eu tentei lembrar a última vez que eu comi. Sanduíches na casa de Jake... mas foi ontem à noite... ou esta manhã? Dei de ombros internamente e, por insistência de Maggie, enchi meu prato.

A refeição foi incrível e a conversa tranquila, mas amigável. Aprendi que Jared e Liza se conheceram na escola local, onde ambos eram professores. Tom tinha acabado de começar um novo emprego como tipógrafo em um jornal chamado Tribune.

"É um começo," disse ele, "mas meu objetivo é ver meu nome em um subtítulo um dia."

Os Johanneses e Tom fizeram perguntas usuais sobre mim e meu passado, e eu respondi honestamente, mas vagamente. Eu lhes disse que vim do Estado de Washington, que eu não tinha família – eu não tinha aqui – que eu era nova na cidade e tentava fazer um novo começo.

Alistair Jenkins comeu em silêncio, apenas olhando para cima, ocasionalmente considerando-me com olhos ilegíveis. Maggie também observou, somente oferecendo um comentário quando eu parecia desconfortável. Ela foi rápida para mudar de assunto e desviar a atenção longe de mim, e eu sorri para ela em agradecimento.

"Bem, Bella," Tom começou depois de seu segundo pedaço de torta. "Desde que você é nova na cidade, eu queria saber se você gostaria que eu te mostrasse um pouco." Ele lançou um olhar para a janela.

"Ainda está claro lá fora. Gostaria de ir dar uma voltinha?"

Hesitei, sem saber se eu deveria sair de casa, mas muito curiosa sobre o mundo fora destas paredes. Então eu percebi que talvez isso fosse o que eu estava procurando. Talvez Tom fosse meu guia espiritual, depois de tudo, e este passeio me daria minhas respostas.

"Claro," eu concordei, levantando-me e pegando meu prato para levar a cozinha.

"Ei, só deixar isso ai," Maggie repreendeu. "Eu não gosto dos hospedes na minha cozinha." Ela sorriu para diminuir a dor da sua repreensão.

"Basta ir e ter sua caminhada, e tenha um bom tempo."

Então, eu caminhei atrás de Tom para fora da porta da frente e pisquei quando ele ofereceu seu cotovelo dobrado para mim, uma sobrancelha arqueada em expectativa. Eu hesitei brevemente, então enrolei meu braço por meio do dele. Ele colocou minha mão na dobra do cotovelo dele e acariciou com um sorriso.

Uh oh. Tenho que cortar isso pela raiz. Esta relação precisava permanecer estritamente espírito guia/espírito... seguidor? Mordi o lábio, contemplando a terminologia correta, por um momento, então mentalmente sacudi me concentrando no tema em questão.

"É tão legal de você fazer isso por mim, Tom," Eu comecei devagar. "É reconfortante ter um amigo desde que eu sou nova por aqui. Entre você e Maggie, e agora os Johanneses eu sinto que já tem alguns grandes amigos." Eu enfatizei a palavra com "A" nas duas vezes que eu disse, esperando que ele recebesse minha mensagem não tão sutil.

Seu andar hesitou um pouco e ele desviou o olhar, apertando seu queixo levemente, e eu sabia que ele entendeu o que eu estava dizendo. Endireitando, ele se virou para mim com um sorriso forçado.

"Claro, é o mínimo que eu posso fazer," disse brilhantemente. "Nós somos vizinhos agora, depois de tudo." Ele engoliu em seco, e depois acrescentou conspiratoriamente, "Eu percebi que você não mencionou Alistair como um dos seus novos amigos."

"Sim, qual é o negócio com ele afinal?" Eu ri, feliz por mudar rapidamente para depois da estranheza. "Será que ele nunca sorri?"

"Eu acho que ele sorriu uma vez," disse ele, pensativo, batendo no lábio com um dedo. "Ou talvez fosse apenas tagarelice."

Sorrindo, eu me virei para pesquisar os arredores. Passamos por várias casas semelhantes à de Maggie, então uma loja de roupas, uma drogaria, e uma livraria. A rua ainda estava movimentada com os carros desviando de carruagens puxadas a cavalo, e de vez em quando um bonde passava zunindo. A calçada estava cheia também, mas as pessoas eram educadas, balançando a cabeça conforme elas passavam.

Eu não podia acreditar o quão real isso tudo parecia.

Eu podia sentir o cheiro do escapamento dos carros, o perfume das mulheres que passavam por mim, o aroma menos atraente de esterco de cavalo. As imagens e sons me cercavam, me envolviam. Aproximamos-nos de um pequeno café, onde algumas pessoas sentavam em mesas do lado de fora, tomando café e mordiscando sanduíches. Eu podia ver uma folha de alface espreitando entre o pão e carne. O detalhe era incrível.

Eu detonava alucinando.

Me virei para Tom e hesitei apenas brevemente antes de perguntar, "Qual é a data?"

Tom pensou um instante, depois respondeu, "Hum, 11 de março, eu acho."

"Eu sei que isso vai soar estranho..." Eu tomei uma respiração. "Que ano?"

Tom olhou para mim com curiosidade, mas respondeu mesmo assim.

"1918. Tem certeza de que está tudo bem, Bella?"

1918.

1918.

Como uma fechadura de combinação, senti as peças começarem a se encaixar.

1918. A época de Edward.

Eu vi uma banca de jornal em frente e acelerei meus passos, arrastando Tom comigo.

"Bella? O que há de errado?"

Eu só andei mais rápido, quase correndo quando me aproximei do estande, então parei abruptamente, meus olhos passando pelas prateleiras e focando sobre a pilha de jornais da frente e no centro.

Chicago Tribune.

É claro.

"Você trabalha para o Chicago Tribune," eu disse acusadoramente.

"Sim," respondeu Tom, confuso.

"Eu estou em Chicago," eu exalei.

"Claro, que você está em Chicago." Eu ouvi a voz de Tom, mas não consegui me concentrar em suas palavras. Minha cabeça estava girando conforme eu considerava quando e onde eu estava.

Edward estava aqui. Em algum lugar neste tempo, neste lugar. Edward estava aqui. Olhei para cima e digitalizei os rostos ao meu redor, em busca de seu sorriso familiar. Eu soltei o braço de Tom e corri para a calçada, freneticamente procurando o choque de cabelo desgrenhado bronze.

Onde ele estava?

Eu estava perdida na minha obsessão. Não reconhecendo que nada disso era real, eu tomei a atitude dos meus sonhos.

Eu não me importava se não fosse real. Tudo o que importava era encontrar Edward.

Ouvi uma voz chamando o nome dele histericamente e percebi que era a minha. Vi um homem de cabelos castanhos se afastando de mim e agarrei seu braço. Ele girou para me encarar e eu percebi que não era ele. As lágrimas rolaram pelo meu rosto. Como eu poderia vir até aqui e não vê-lo? Eu estava chorando no meio da rua, enquanto a multidão passava ao meu redor. Através das minhas lágrimas cada rosto estava distorcido, uma máscara torcida de preocupação ou confusão.

Minha respiração escapou em suspiros curtos, mais uma vez e minha cabeça começou a nadar.

"Bella? Bella? Você está bem?" Tom correu até mim, agarrando-me pelos dois braços e me sacudindo levemente.

"Ele não está aqui," eu disse, meus joelhos falhando com Tom me sustentando. Tontura me invadiu mais uma vez conforme eu repetia, "Ele não está aqui."

"Quem, Bella? Quem não está aqui?"

Eu não respondi.

Em vez disso, fiz algo que nunca havia feito.

Eu desmaiei.


*(no original three-story brownstone) casa de três andares: brownstone na verdade é um material característico usado na construção desse determinado tipo de casa, mas como não há tradução especifica do termo e a tradução literal não faria sentindo, coloquei apenas 'casa' que é a descrição exata do que é.

http :/ pics . livejournal . com /tkegl/pic/00003kt2/g1

*chapéus-coco:

http :/ fashionboxluanagarcia . files . wordpress . com /2010/07/ chapeu-coco . jpg

*fedoras:

http :/ fashionboxluanagarcia . files . wordpress . com /2010/07/ chapeu-fedora . jpg

*banheiro externo:

http :/ thekortneyshanepillar . files . wordpress . com /2010/06/1880_town_outhouse . jpg


N/T: Este capítulo é gigante, muito maior do que eu estou acostumada, por isso a demora para postar. Espero que gostem e deixem reviews para me incentivar...