"Nós temos o que buscamos, está lá o tempo todo, e se dermos tempo, ira se revelar para nós."

- Thomas Merton

Capítulo 5 – Sobre Desligar e Perseguir

Fiel à sua palavra, Katherine Chambers tinha um envelope esperando por mim na recepção, quando eu saí do trabalho na manhã de quarta-feira, contendo um cheque de colossal seis dólares. Então, quarta à tarde, com Tom como meu guia, eu fiz meu caminho para o Banco Nacional de Chicago. Eu só tinha três horas até ter que me apresentar no hospital, mas achei que era tempo suficiente para descontar o cheque e obter algumas roupas novas, bem como outras coisas que eu precisava. Eu não era realmente uma maratonista de compras de qualquer maneira.

Mais como uma atleta de curta distância.

"Você realmente não tem que ir comigo," eu disse para Tom pela centésima vez.

Mas ele não seria dissuadido.

"Bella, eu não quero que você se perca." Ele revirou os olhos. Eu sabia que ele pensava que eu ia surtar e acabar deitada na rua novamente.

"Vou levá-la para o banco depois para Marshall Field* pra você saber o caminho," ele me assegurou. "Então eu tenho que voltar para o jornal de qualquer maneira. Não é como se eu quisesse ver você experimentar vestidos ou qualquer coisa."

Eu sorri para ele e disse atrevidamente, "Como se fosse deixá-lo ver de qualquer maneira."

Uma vez que deixamos para trás toda possibilidade de um relacionamento romântico, Tom e eu descobrimos que gostávamos muito um do outro. Ele era doce e pensativo... e ele realmente me achava hilária. Era estranho pensar que na verdade nós só nos conhecíamos há alguns dias. Às vezes parecia que nós crescemos juntos.

Andamos as poucas quadras até a parada do bonde e seguimos para os degraus da frente do banco. Pulando quando o bonde diminuiu a velocidade, Tom estendeu a mão e ajudou-me para o chão, sorrindo quando eu tropecei em seu peito.

"Calminha," ele riu.

"Cala a boca," repliquei.

Foi mais fácil do que eu pensei que seria converter o cheque do hospital em dinheiro. Tom conhecia um dos contadores – uma morena, alta, magra que corou quando ele sorriu para ela. Para minha surpresa, ela nem sequer pediu identificação – que foi sorte, pois eu não tinha nenhuma.

Foi uma curta caminhada do banco até Marshall Field, e uma vez que eu absorvi o edifício histórico, comecei a repensar o meu plano de compras rápidas. O lugar era enorme. Tom recebeu minha expressão impressionada com um sorriso, segurando a porta aberta com um gesto para eu entrar. Fechei minha boca escancarada bruscamente e caminhei para dentro.

Fechar minha boca foi um desperdício de energia, porque uma vez que eu vi o interior da loja de departamentos, ela apenas abriu novamente. Tom ficou ao meu lado assistindo minha reação.

"É... incrível," eu suspirei, sentindo-me um pouco ridícula por reagir desta forma a uma loja, mas incapaz de evitar.

Tom capturou a vista, seguindo meu olhar pelos quatro andares de varandas brancas abertas até a cúpula reluzente sobre nossas cabeças.

"É o Tiffany Domo," explicou. "Seis mil metros quadrados de mosaico de vidro – o maior de seu tipo com mais de um milhão e meio de pedaços de vidro." Ele olhou para mim. "Você gostou?"

Eu atirei-lhe um olhar divertido. "O que há para não gostar?" Eu dei alguns passos à frente, então mais uma vez olhei para cima para examinar os padrões de torcidos de azuis e verdes, as ondas e redemoinhos de castanhos e dourados. Na base da cúpula, arcos curvos ao longo do alto das varandas superiores. Consumidores passavam, meus olhos apenas ligeiramente capturando-os através dos arcos conforme eles se moviam.

Eu não era especialista em arquitetura – mas isso era impressionante.

"Posso ajudar você?" Uma jovem vestida de renda branca ficou olhando para mim com expectativa, com os olhos passando de mim para Tom e vice-versa.

Tom atirou um dos seus sorrisos encantadores. "Na verdade, eu tenho que voltar ao trabalho, mas minha amiga aqui tem algumas compras para fazer." Virando-se para mim, sua expressão se transformou em preocupação.

"Tem certeza que você pode encontrar o caminho de volta?"

Revirei os olhos. "É claro. Eu vou ficar bem." Num impulso, eu fiquei na ponta dos pés e beijei sua bochecha levemente.

"Obrigada, Tom. De verdade."

Tom tocou seu rosto, em seguida, sorriu e me desejou boa sorte antes de virar e caminhar para fora da porta.

A vendedora se virou para mim, os olhos ainda persistentes na forma de Tom se retirando. "Então, o que posso ajudá-la a encontrar?"

Eu disse a jovem o que eu estava procurando, e pela hora seguinte, ela me levou em um rápido tour pela loja de departamentos. Eu não pude deixar de pensar sobre o quanto Alice teria adorado esse lugar. Ela tinha doze andares de qualquer coisa que você poderia imaginar. Além dos departamentos de vestuário usual, tinha uma loja de chapéus, sapatos, utilidades domésticas – até um departamento dedicado exclusivamente a móveis de vime.

Diga o que quiser sobre a America da-virada-do-século, mas com certeza ela sabia fazer compras.

No momento que eu tinha terminado eu tinha duas saias, duas blusas, um vestido casual, meias e roupas íntimas extras, uma navalha um tanto assustadora, xampu, uma escova de cabelo, escova de dente e algo chamado 'creme dental'. Hesitei em comprar esse ultimo, mas era feito pela Colgate e dizia que continha flúor então eu pensei em dar uma chance. Tudo isso e eu ainda tinha 25 centavos que sobraram. Eu queria comprar um casaco, mas teria que esperar até o meu próximo salário.

Agradecendo a vendedora por sua ajuda, eu segurei minhas compras em ambas as mãos e fiz meu caminho de volta para a rua. Eu só tinha meia hora até ter que estar de volta ao hospital, então eu não tinha tempo para deixar minhas sacolas na pensão. Felizmente eu tinha trazido meu uniforme comigo, escondido em uma mochila de lona emprestada de Maggie.

Enquanto eu estava esperando o bonde, meu olhar vagueava pelas ruas da cidade, olhando para nada em particular.

Então eu vi.

No começo eu pensei que estava imaginando a figura alta e magra coberto pelo atordoante cabelo desgrenhado bronze. Ele mergulhou em minha visão, então foi rapidamente ofuscado pela multidão que passava. Sem perceber, eu dei vários passos em direção à figura que se afastava, meus olhos varreram a multidão freneticamente. Prendi a respiração, esperando por outro vislumbre.

Ali.

Meus passos vacilaram então eu acelerei conforme eu o perseguia por entre a multidão. Eu não vi seu rosto, mas de alguma forma eu sabia que era ele. Esquivando-me entre os corpos, eu estava quase correndo tentando manter essa massa de cabelo na minha visão.

"Com licença," eu murmurei distraidamente, batendo cotovelos e ombros. Parecia que todos ao meu redor estavam indo na direção oposta. Abri caminho através da multidão fervilhante e, finalmente, emergi em uma esquina vazia a tempo de vê-lo virar a esquina um quarteirão para baixo.

Corri rua abaixo, ignorando olhares interrogativos e por pouco evitando um jovem empurrando um carrinho cheio de verduras. Meu peito arfava com respirações em pânico quando me aproximei da esquina.

O que eu diria a ele? Eu não tinha absolutamente nenhuma idéia.

Eu dobrei a esquina e parei.

Ele tinha ido embora.

Meus olhos examinadores dispararam para cima e para baixo da rua, ardendo para ele re-entrar na minha visão. Corri até a próxima esquina, rapidamente olhando para baixo na rua também, mas ele estava longe de ser encontrado.

Eu quase desabei em lágrimas ali mesmo na calçada.

Em vez disso, eu me recompus e caminhei de volta até a parada do bonde. Eu estava tão perto, e meu coração caiu no conhecimento que ele tinha estado quase ao meu alcance.

Ainda assim, parte de mim estava contente que eu não o alcancei... a parte de mim que tinha o endereço dele, mas estava adiando procurá-lo.

Porque eu sabia que ele estava aqui, e eu sabia onde encontrá-lo.

Eu simplesmente não sabia o que fazer quando eu o encontrasse.


Apesar do meu desvio louco pelas ruas de Chicago, eu consegui chegar ao hospital com cinco minutos de sobra. Guardando minhas compras no armazém do porão, eu rapidamente me troquei para meu uniforme e me apresentei a Patty na recepção.

"Boa noite, Bella," ela disse com um sorriso distraído, lendo um arquivo na frente dela. "Você poderia começar com os lençóis? Eu vou estar com você em um momento."

Eu balancei a cabeça consentindo e mais uma vez comecei o rolar-prender-rolar de mudar as roupas de cama. Eu tinha ficado mais rápida na tarefa, capaz de manter um ritmo constante, e descobri que me levou metade do tempo da noite anterior.

Quando eu amarrei o ultimo embrulho, jogando-o sobre a pilha na porta dos fundos, Patty se aproximou de mim.

"Bella, a Sra. Chambers pediu-me para informar que você foi transferida," disse ela.

"Transferida?"

"Sim, nós contratamos uma outra mulher que estará assumindo as tarefas de limpeza na ala."

"Eu fiz alguma coisa errada?" Perguntei, mordendo meu lábio em preocupação.

Patty sorriu. "Não. Nada disso," ela tranquilizou-me. "Mas eu entendi que Dr. Cullen está precisando de assistência com a sua pesquisa. Ele disse a Sra. Chambers que você esta familiarizada com o seu sistema de arquivamento então ele pediu você para ajudá-lo."

"Mas eu não sei nada sobre pesquisa médica," argumentei, confusa.

"Cavalo dado, não se olha os dentes," Patty advertiu. "Isso significa não fazer mais camas para você – e você começa a trabalhar com um médico lindo todas as noites." Se ela não estivesse felizmente noiva, eu poderia jurar que ela soava com um pouco de inveja.

"Bem, tudo bem," eu consenti. "O que devo fazer primeiro?"

"Dr. Cullen está em cirurgia no momento," explicou ela. "Mas ele disse para você ir em frente e começar a fazer o arquivamento em sua mesa e ele vai ir lá quando tiver acabado."

O trabalho de arquivar era mais do mesmo, e novamente eu achei que era capaz de trabalhar mais rápido agora que eu sabia do sistema. Carlisle se juntou a mim depois de cerca de uma hora e olhei para cima com um olhar interrogativo.

"Dr. Cullen, eu entendo que eu vou estar trabalhando com você de agora em diante?"

Carlisle sorriu. "Bella, eu acho que nós estamos além das formalidades agora. Por favor, me chame de Carlisle, pelo menos quando estamos sozinhos."

"Carlisle então," eu concordei. "Por que estou aqui? Nós dois sabemos que não há tanto arquivamento a fazer."

Carlisle rodeou a mesa e sentou-se na cadeira de couro. Inclinado para a frente com os cotovelos sobre a mesa e os lábios pressionados em suas mãos tensas, ele me olhava com atenção.

"Eu receio que agi um pouco egoísta," admitiu. "Mas quando eu ouvi o que você disse esta manhã, eu achei que você poderia ser capaz de me ajudar."

"O que eu disse? Sobre o quê?" Me fiz de idiota, sabendo exatamente o que.

"Sobre o vírus gripe."

Eu e minha boca grande. Carlisle ia se tornar um viciado em crack com certeza... e seria tudo culpa minha.

"Eu realmente não sei como posso te ajudar com isso," eu disse, desviando o olhar daqueles penetrantes olhos topázio. "Eu não tenho qualquer formação médica. E eu realmente não sei nada sobre vírus."

Carlisle considerou isso. "Você disse que eu estava no caminho certo."

Eu suspirei. "Sim, eu disse isso."

"Como você sabe?"

Revirei os olhos e ele levantou uma mão. "Eu sei. Eu sei... que você não pode me dizer. Ainda assim, gostaria de sua ajuda."

Ele se levantou e caminhou até o seu equipamento de laboratório.

"Eu sempre trabalhar sozinho." Ele me deu uma olhada então voltou seu olhar para uma fileira de copos. "Normalmente não há qualquer outra pessoa que eu posso confiar. Quando eu trabalho, muitas vezes me torno bastante absorvido e não tão... cuidadoso como eu deveria ser. Meu... métodos... são por vezes não ortodoxos e deixam as pessoas... desconfortáveis."

Carlisle não me olhava nos olhos, e me levou um momento para ler nas entrelinhas.

Carlisle estava solitário. Ele isolou-se porque... bem, por razões óbvias. Ele não podia chegar muito perto das pessoas ou elas começavam a suspeitar que ele era algo mais do que humano. Ele fez um bom trabalho em fingir humanidade, mas ele tinha que estar sempre em guarda. Comigo no entanto, ele sentiu que poderia ser ele mesmo – pelo menos até certo ponto.

Ele confiava em mim.

Nós nunca dissemos as palavras em voz alta – como Edward tinha me forçado naquele dia na floresta. Eu disse... e não iria... sair e dizer a ele que eu sabia que ele era um vampiro. Por alguma razão, eu sentia que não deveria. Se era meu medo de destruir a linha de tempo ou apenas uma linha invisível que eu sentia que não deveria cruzar, eu não tinha certeza.

Mas ele entendia que eu sabia que ele era diferente. E ele entendia que eu estava bem com isso.

E de alguma forma, isso era o suficiente.

"Tudo bem," eu aceitei. "Onde nós começamos?"

Carlisle se virou para mim, um largo sorriso dividindo seu rosto.

"Diga-me o que você sabe sobre o vírus," disse ele.

"Carlisle," eu gemi, "você sabe que eu não posso fazer isso."

"Por que não?" perguntou ele. "Eu juro que será mantido entre nós."

Olhei para ele de forma constante. "Você não é aquele que é suposto resolver isso."

Ele deliberou sobre isso por um momento, olhando-me com cuidado, enquanto preparava seu argumento.

"Eu não sou o primeiro a considerar a possibilidade da gripe ser um vírus," afirmou. "Na verdade, existem muito poucos pesquisadores que estão fazendo brotar a teoria, vários dos quais eu consulto com regularidade. Como você sabe que eu não deveria encorajar um deles... e essa é a pessoa suposta para resolvê-lo?"

Eu sabia. Não realmente. Eu não tinha ideia.

Hesitei e vi a sugestão de um sorriso nos lábios de Carlisle.

"Bella, me ouça," disse ele. "Como eu tenho certeza que você está ciente, não tenho qualquer desejo de... atrair atenção indesejada para mim mesmo. Eu não estou tentando encontrar uma cura para a gripe para que eu possa publicar um artigo em uma revista médica e me tornar famoso. Mas eu acredito que você e eu nos encontramos por uma razão, e como você sabe que me ajudar com minha pesquisa não é isso?"

Merda. Ele tinha me pegado.

"Ok," eu finalmente cedi. "Vou lhe dizer o que eu sei – mas eu tenho que avisá-lo que não é muito."

Passamos o resto da noite com Carlisle colhendo meu cérebro e eu tentando lembrar pedaços de fatos da biologia do ensino médio e relatórios de saúde na TV. Pelas seis da manhã eu tinha uma dor de cabeça e um estômago roncando desde que eu não trouxe almoço devido a minha viagem de compras.

As sobrancelhas de Carlisle subiram ao sons emergindo do meu meio, e ele sorriu para mim timidamente.

"Sinto muito," ele se desculpou. "Eu te interroguei a noite toda e você não teve uma pausa. Você deve estar morrendo de fome." Pegou seu casaco com uma mão, a porta com a outra.

"Deixe-me levá-la para casa," ele disse rapidamente. "Nós podemos parar no caminho para comer algo."

Eu arqueei uma sobrancelha para ele e ele acrescentou, "algo para você comer. Eu não estou com fome."

Eu ri.

Ele me seguiu para o andar de baixo para recuperar minhas sacolas do Marshall Field, levando todas as três em uma só mão. Eu teria argumentado que eu poderia levá-las por mim mesmo, mas eu sabia que o peso não era nada para ele.

"Você não tem que me levar para casa, sabe," Eu disse a ele enquanto subíamos as escadas de novo. "Eu vou ficar bem. Vai amanhecer em breve," eu disse – tanto o assegurando quanto advertindo.

Ele deu um olhar de soslaio na minha direção. "Não por outra hora. Temos tempo de sobra."

Paramos em uma padaria um quarteirão de distância e Carlisle insistiu em comprar-me um pão doce e leite. Eu teria preferido café, mas sabia que eu nunca seria capaz de pegar no sono, então eu resisti a minha vontade de cafeína. Eu mastiguei meu pão conforme nós fazíamos nossa caminho para a pensão e Carlisle e eu compartilhamos um confortável silencio.

Quando nos aproximamos dos degraus da frente, notei que a iluminação do céu pelo amanhecer e me virei para Carlisle. Ele parecia perdido em pensamentos.

"Obrigado por me acompanhar até em casa."

Ele piscou, então se virou para mim e balançou a cabeça. "É claro. Obrigado por toda sua ajuda."

Eu sorri e subi os degraus. Quando me virei com a minha mão na maçaneta da porta, ele tinha ido.


Eu fui capaz de dormir mais nesta quinta-feira, notando quando eu me espreguicei que o relógio na mesa de cabeceira marcava quatro horas. Levantei-me revigorada depois de um sono, sem sonhos, sem interrupções. Eu havia tomado banho antes de ir para a cama, então eu só espirrei um pouco de água no meu rosto, escovei os dentes, e me vesti rapidamente, torcendo meu cabelo em um nó.

Encontrei Maggie na cozinha, colocando uma bandeja de biscoitos no forno.

"Bom dia... quero dizer, noite." Sorri para ela e sentei na mesa da cozinha.

"Boa noite para você," Maggie respondeu, mexendo uma panela de sopa de cheiro delicioso no fogão. "A ceia estará pronta em cerca de uma hora. Você pode esperar?"

"Claro." Eu inalei profundamente. "Cheira maravilhoso."

.

"Receita da minha avó," ela comentou, colocando a colher de pau para baixo e se juntando a mim na mesa.

"Então, você está desfrutando seu novo emprego?" ela perguntou.

"Sim, na verdade. Todos no hospital são muito legais e o trabalho é... gratificante."

"E aquele belo e jovem médico?"

Jovem? Se ela soubesse.

"Dr. Cullen está bem," eu disse incisivamente. "Ele tem sido um amigo muito bom para mim." Eu enfatizei a palavra 'amigo'.

"Hmmph," Maggie grunhiu. "Eu não acho que amizade é o que está na mente do homem."

"Maggie, nós trabalhamos juntos. Ele é meu chefe. Somos amigos... colegas... e isso é tudo."

"Se você diz," ela cedeu com ceticismo.

Conversamos amigavelmente pelos próximos minutos, o assunto Carlisle caiu – pelo menos por agora. Depois de uma tigela de sopa e um par de biscoitos, eu enchi a minha garrafa térmica com café, peguei uma maçã e um pouco de queijo da geladeira para o almoço, e parti para o hospital.

A noite começou muito parecido com a anterior, com Carlisle salpicando-me com perguntas, muitas das quais eu não tinha resposta para. Algumas vezes eu o peguei olhando para mim, e os comentários de Maggie sobre as intenções dele invadiram minha mente. Eu decidi que tinha que tomar cuidado e não dar a ele a impressão errada sobre o nosso relacionamento.

Em torno da meia-noite fizemos uma pausa e eu mastiguei minha maçã e queijo enquanto conversávamos sobre livros e música, e eu sutilmente questionei Carlisle sobre o mundo de 1918.

"Então, o que as pessoas fazem para se divertir por aqui?" Eu perguntei, mordiscando meu queijo.

"Bem, o habitual." Carlisle deu de ombros. "Filmes, dança, teatro de variedades ainda são populares com alguns... pista de patinação."

"Você patina?" Eu perguntei, sorrindo um pouco com o pensamento do suave, sofisticado Carlisle sobre rodas.

"Eu vou tenho que deixá-la saber que eu sou um patinador excelente." Carlisle sorriu. "Talvez nós iremos um dia."

Olhei para ele e notei que ele parecia... ansioso.

Porcaria. Ele estava me chamando para sair?

Optei por humor para dissipar a estranheza.

"Acredite, você não quer me ver em patins," eu brinquei. "Não é uma vista bonita."

"Duvido disso," Carlisle disse baixinho.

Uma batida na porta interrompeu nossa conversa e eu subrepticiamente soltei um suspiro de alívio.

"Sim?" Carlisle respondeu.

"Dr. Cullen?" Patty enfiou a cabeça pela porta. "Há um telefonema para você. Uma Dr. Kelley de Nova York?"

"Oh, sim." Carlisle balançou a cabeça. "Vou usar o telefone daqui. Poderia, por favor dizer a ele que eu vou ligar de volta em alguns minutos?"

Patty assentiu e saiu da sala.

"Dr. Kelley é um dos colegas que te falei," Carlisle explicou. "Ele e eu temos nos correspondido e compartilhando resultados da nossa pesquisa."

Olhei para o telefone em sua mesa. Era um daqueles que você vê nos filmes antigos de Hollywood, com um aparelho estreito que ficava em um berço delicado. O fone de ouvido era plano e redondo, mas o bocal enrolado como um cone curvo. Imaginei uma mulher glamorosa deitada em sua cama, falando com seu amante no mesmo.

"Sim, querido..."

Parecia demasiado feminino para um homem como Carlisle usar. Percebi que não tinha um mostrador e quis saber como você faz uma chamada. Antes que eu pudesse perguntar, Carlisle pegou o telefone e depois de um momento falou nele devagar e claramente.

"Cidade de New York, por favor. Dr. Jonathan Kelley, Hospital de New York. 1-5-6-2."

Eu assisti como Carlisle esperou sua chamada se conectar, me perguntando se eu deveria me desculpar e dar-lhe alguma privacidade. Levantei-me e apontei para a porta, mas ele acenou, apontando para a cadeira. Sentei-me e folheei alguns dos papéis em sua mesa, separando-os em pilhas para arquivamento.

"Jon! Como você está?" Carlisle parou, escutando. "Muito bem, muito bem. Não posso me queixar... eu estive explorando alguns novos recursos e posso estar sobre algo, eu acho." Ele olhou para mim com um sorriso, então a sua atenção foi atraída de volta ao telefone e ele franziu a testa em concentração.

"Quando foi isso...? Onde no Kansas...? Fort Riley, não é uma base militar...? Mm hmm... Queens...? Você acha que é a mesma deformação?" Ele anotou algumas notas em seu bloco de notas. "Se os sintomas são os mesmos, poderíamos estar olhando para uma pandemia... Não, eu não acho que eu estou exagerando, eu acho que estou sendo cauteloso... Sim... sim... Quem foi o médico?

A conversa continuou por vários minutos, mas eu estava perdida em meus próprios pensamentos. Fort Riley tocou um sino na minha cabeça, e levou um momento para eu descobrir o porquê.

Depois de Edward ir embora levando cada símbolo de nosso relacionamento com ele, eu encontrei-me passando horas na internet pesquisando os eventos de sua história. Eu sabia que era patético, mas eu acho que foi a minha maneira de provar que ele foi real... e por sua vez, que o que tínhamos foi real. Eu li sobre a Primeira Guerra Mundial, sabendo que ele queria se alistar e lutar. Eu procurei no Google imagens de Chicago da-virada-do-século, imaginando-o caminhando pelas ruas da cidade. E eu pesquisei Gripe Espanhola, a doença que teria tirado sua vida se Carlisle não tivesse intervindo.

Fort Riley, Kansas era um nome que me deparei na minha pesquisa.

Olhei para o calendário na parede, e lembrei-me da linha do tempo que eu tinha tudo, menos memorizada.

No início de março de 1918, um soldado em Fort Riley, Kansas chegou com uma deformação particularmente contagiosa de gripe. Cerca de uma semana mais tarde, um outro caso em Nova York foi relatado.

Eles um dia seria marcados como os primeiros casos da pandemia de gripe espanhola de 1918 nos Estados Unidos.

Tinha começado.

Notei Carlisle me observando atentamente enquanto ele absorvia sua chamada telefônica e desligou.

"O que foi?" perguntou ele. "Você está pálida como um fantasma."

"Olha quem está falando," eu brinquei sem entusiasmo.

Lábios de Carlisle se contorceram, mas ele continuou. "O que é?"

Eu exalei fortemente. "Fort Riley... e Queens... é a gripe, não é?"

Os olhos de Carlisle se estreitaram. "Sim, como você sabia?"

Revirei os olhos para ele e ele levantou uma mão. "Esquece."

Ele me olhou de perto, ficando de pé para caminhar ao redor da mesa. Ele empoleirou na borda na minha frente.

"Isto é apenas o começo, não é?" perguntou ele.

Desviei o olhar, com medo de confirmar, mas sabendo que eu já tinha.

"O que posso fazer?"

Meus olhos retornaram aos dele, meu suspiro tanto de frustração quando rendição.

"Nada," eu disse baixinho


O resto da noite foi passada em relativo silêncio e melancolia. Eu conhecia as estatísticas sobre a gripe espanhola. Eu sabia que milhares morreriam antes do ano terminar.

Edward iria morrer, para todos os fins práticos.

O vírus se espalharia por Chicago – Eu sabia que em apenas um dia em outubro mais de 350 pessoas sucumbiria ao vírus. Era agressivo, intransigente... indiscriminado na escolha de suas vítimas. Os velhos e os jovens, fracos e fortes... todos iriam cair e ninguém seria capaz de descobrir como pará-lo.

As bases militares seriam primeiro, trazendo o vírus da Europa... então os portos... em seguida, as grandes cidades, como Nova York e Chicago. Nenhum lugar era realmente seguro.

Exceto...

Exceto alguns lugares que eram mais seguros.

Lembrei-me de um mapa que eu encontrei na minha pesquisa na internet que mostrava o avanço da doença. Era uma sombra de números e listras, mostrando como a gripe se espalhou pelo país. Naturalmente, as áreas mais sombreadas eram também as mais populosas.

O vírus atingiu mais severamente as cidades. As áreas rurais teve casos, é claro, mas eram muito menos e mais longe entre si.

Na época, os médicos realmente não entendiam a propagação do vírus – especialmente desde que muitos pensaram que era uma bactéria. Mas fez sentido que em áreas com menos contato pessoa-a-pessoa, houve menos casos da gripe.

Enquanto eu refletia sobre isso, uma idéia começou a produzir em minha mente – que acendeu uma centelha de esperança que eu me perguntava se eu ousaria transformar em uma fogueira.

E se Edward nunca pegasse a Gripe Espanhola?

Meus pensamentos prosseguiram... devagar no início... depois ganhando velocidade conforme a idéia ganhava força.

E se ele não estiver em Chicago quando o vírus chegasse? E se ele nunca ficasse doente? Carlisle nunca iria transformá-lo.

Eu atirei um olhar para Carlisle, que estava concentrado em um artigo em uma revista médica e não percebeu o meu olhar curioso.

Se Edward nunca se tornasse um vampiro... eu poderia tê-lo.

Eu poderia realmente tê-lo.

Poderíamos ter uma vida juntos... aqui... agora. Nós poderíamos nos casar... ter filhos... netos.

Poderíamos envelhecer juntos.

Poderíamos ser felizes.

E, de repente, eu sabia que isso era o que eu vim fazer aqui.

Eu poderia encontrar Edward e tirá-lo de Chicago a tempo. Não seria fácil, mas eu poderia fazê-lo. A vida dele... nossa vida… depende disso.

Olhei para o calendário novamente.

Eu sabia que Edward tinha dezessete anos quando ele teve a doença. Seu aniversário não era até junho... e eu sabia que o vírus chegou com uma vingança no outono.

Eu teria que tirá-lo daqui antes do final do verão.

Primeiro de setembro... menos de seis meses. Não um monte de tempo, mas teria que ser o suficiente.

"Bella? Você está pronta para ir?" A voz calma de Carlisle interrompeu minhas reflexões.

Olhei para o relógio. Meu turno acabou.

"Sim. Sim... desculpa."

Juntei minhas coisas e Carlisle me acompanhou para casa. Eu podia senti-lo me observando de perto conforme nos aproximávamos da pensão.

"Você está bem?" perguntou ele.

Eu sorri. "Na verdade, sim. Estou bem."

Eu me virei e subi correndo os degraus da porta da frente, acenando para Carlisle antes de ir para dentro. Eu fechei a porta e inclinei-me contra ela, minha emoção misturada com apreensão.

Eu tinha um plano.

Eu estava indo para salvar Edward.


Você poderia pensar que eu teria dúvidas sobre o meu plano... que eu estaria preocupado com bagunçar a linha do tempo, arruinando o futuro.

Você poderia pensar que eu estaria preocupada sobre como eu iria convencer um adolescente que nunca havia me encontrado a deixar sua casa e família... para fugir comigo.

Você poderia pensar que essas preocupações me manteriam acordada a noite toda... ou dia, no meu caso.

Mas você estaria errado.

Eu dormi como um bebê.

Talvez tenha sido porque eu finalmente tomei uma decisão. Eu vi um propósito para a minha estranha jornada através do tempo e espaço e eu estava tomando controle do destino e avançando. Uma paz, estranha e inesperado encheu-me, agora que eu tinha um objetivo em mente.

Então me levantei sexta-feira a tarde com um sorriso no meu rosto. Tomei banho, depile minhas pernas com aquela navalha assustadora, e vesti minha nova blusa amarela e saia cinza escuro. Achando Maggie na cozinha de novo, eu peguei um pedaço de pão ainda quente do forno, e passei manteiga e geléia antes de sentar na mesa da cozinha.

Maggie definiu uma caneca de chá na minha frente, juntamente com um pequeno prato, que ela colocou debaixo do meu pão com um olhar aguçado.

"Desculpa!" Eu disse com um sorriso. Nada poderia me derrubar.

"Você está de bom humor," ela reconheceu.

"Eu estou," concordei. "Eu fui paga nesta manhã, então eu vou ter o aluguel para você quando eu chegar ao banco."

Ela olhou para o relógio, "Bem, ele fecha às 05:00, então é melhor você se mover."

Eu vi que era 4:30, então eu murmurei um rápido, "eu vou estar de volta," antes de colocar o meu copo e prato na pia e correr pela porta. Descendo do bonde para o banco, eu encontrei a mesma caixa, que se lembrou da minha visita anterior e descontou o cheque facilmente.

Saindo do banco, entrei em uma pequena boutique na porta ao lado para procurar uma bolsa ou carteira. Navegando através da loja, optei por uma bolsa de seda bege pequena com um fecho de prata e uma borla de ouro e bege no fundo. Vi uma camisola de algodão simples e comprei isso também, planejando voltar para Maggie. Eu fiquei no balcão esperando para pagar os meus itens quando um vestido na vitrine me chamou a atenção.

Eu não sei como eu não notei quando entrei na loja. Era simples, mas bonito. Um decote quadrado delimitado por delicadas rendas liderando uma linha de pregas de seda descendo pelo comprimento do vestido, quebrado apenas por uma faixa de seda fina. As mangas três - quartos tinham uma camada de um material puro por cima. Eu toquei o tecido macio e virei para procurar uma vendedora. Vi ela na parte de trás da loja e me aproximei dela rapidamente.

"Eu gostaria de experimentar aquele vestido da vitrine, disse eu, apontando.

"Oh, o vestido de chá? É lindo, não é?" A menina foi até a vitrine e desatou a faixa, levantando o vestido cuidadosamente fora do manequim. Alisando-o sobre o braço, ela me levou de um pequeno provador, fechando a porta atrás de mim.

Mudei rapidamente, puxando o vestido sobre minha cabeça e amarrando a faixa antes de virar para olhar no espelho.

Se encaixou perfeitamente.

Claro que, um vestido de chá não era o meu traje habitual, mas estas não eram circunstâncias normais.

E eu sabia que Edward iria amá-lo.

Eu me troquei para minha para minha saia e blusa e levei o vestido para o balcão. A menina o enrolou em tecido e o colocou junto com a camisola em uma sacola, enquanto eu usei a bolsa para levar o meu dinheiro e moedas. Saindo do bonde – eu estava começando a ser uma profissional nisso – cheguei em casa rapidamente, dando a Maggie o aluguel de duas semanas.

"Não precisa pagar duas semanas," ela argumentou. "Você foi minha convidada nesta semana que passou."

Eu balancei minha cabeça. "Por favor, você tem sido tão amável. Deixe-me fazer isso," eu implorei.

Depois de muita persuasão, ela finalmente cedeu, dobrando as notas em seu corpete.

Finalmente, eu respirei fundo. Sem procrastinar mais.

"Maggie, você sabe onde eu posso encontrar um telefone?"

Ela sorriu com orgulho. "Eu tenho um aqui. Meu querido Henry, Deus abençoe sua alma, instalou antes de partir."

"Posso usá-lo?"

"Claro." Ela acenou com a mão, mostrando-me uma pequena sala ao lado da cozinha. O telefone não era como o de Carlisle. Em vez disso, tinha uma base alta, com o bocal na parte superior e um fone de ouvido pendurado de um gancho ao lado.

"Você precisa de alguma ajuda?" Maggie perguntou.

"Não, eu posso fazer isso," eu respondi distraidamente, meus olhos no telefone. Enfiei a mão no bolso da saia e tirei o papel com o endereço de Edward. O clique da porta me alertou da retirada de Maggie. Tomei passos medidos para a mesa, pegando o telefone e segurando-o perto de minha boca, então levantando a parte do ouvido lentamente.

"Operador. Em que posso ajudar?" uma voz pequena questionou.

"Umm... Me desculpe, eu não tenho o número."

"Nome da pessoa que você deseja ligar?"

"Masen... Edward Masen..." Olhei para o papel em minha mão. "Em Chicago... 141 Lakeview..."

Meu coração batia forte em meu peito.

"Um momento por favor."

Ouvi uma série de cliques, em seguida, um toque baixo.

Estava tocando. O que diabos eu ia dizer?

"Olá?"

Eu engasguei com o som da voz dele. Mesmo através da conexão chiada, eu reconheci.

Merda. Merda. Merda.

O que eu estava pensando? Ligar para o telefone dele? Sério?

Oh oi, Edward, sou eu, Bella.Você não lembra de mim?Bem, eu sou sua namorada daqui cerca de cem anos e eu só voltei no tempo para salvar sua vida.

Uma dica para os caras de branco virem me buscar com uma camisa de força.

"Olá? Tem alguém aí?" ele perguntou, irritação colorindo sua voz.

Então eu fiz a única coisa que eu consegui pensar.

Desliguei.

Colocando o telefone de volta na mesa, corri para fora da sala e voltei para a cozinha.

"Será que a sua chamada foi completada?" Maggie perguntou.

"Ele... não estava em casa," menti.

O telefone tocou e eu pulei.

Olhando-me, curiosamente, Maggie foi para a salinha e pegou o telefone.

"Olá?" Ela fez uma pausa, escutando. "Aqui é a Pensão da Maggie, quem é?"

Ela ficou em silêncio por um momento e depois atirou os olhos dela para mim.

"Apenas um momento atrás, você disse?" Eu balancei a cabeça, implorando silenciosamente por ajuda.

Seus olhos se estreitaram, e ela disse finalmente, "Não, sinto muito. Ninguém ligou daqui. Deve ter sido um número errado."

Ela desligou e virou-se para mim, as mãos nos quadris.

"Bem? O que foi isso?" ela perguntou, o sotaque dela cheio com sua confusão.

"Foi apenas... um erro."

Ela arqueou uma sobrancelha para mim.

"Ok, não o número." Eu balancei a cabeça, olhando para o chão. "Eu só... eu não podia falar com ele ao telefone. Eu preciso ir vê-lo em pessoa."

"Quem é este homem?" ela perguntou, cruzando os braços sobre o peito.

"Ele é alguém que eu conhecia... alguém importante."

Maggie ficou quieta por um momento e, eventualmente, eu levantei meu olhar para encontrar o dela simpático.

"Ele é aquele, não é? O que te deixou," ela perguntou em voz baixa.

Para meu espanto, lágrimas encheram meus olhos, minha garganta fechou, e tudo que eu pude fazer foi assentir.

"Tem certeza de que quer vê-lo?"

Engoli em seco. "Eu tenho que vê-lo. É por isso que estou aqui."

Eu ouvi Maggie suspirar, então, senti seu braço forte circular meus ombros.

"Tudo bem, então," disse ela rapidamente. "Acho que vou ter que ajudá-la."


Entre Maggie e Tom, eu finalmente tinha memorizado o caminho para chegar a casa de Edward. Eu planejei fazer a viagem sábado à tarde, e por acordo tácito, Maggie e eu não dissemos a Tom quem eu estava realmente indo ver, mas criamos uma história sobre um primo distante que morava na área do Parque Lincoln de Chicago. Tom se ofereceu para ir comigo, mas eu lhe disse que estava ansiosa para ir às compras com o meu primo e ele recuou.

Meu horário de sono estava distorcido por causa do meu trabalho, então eu estava por um fio e ansiosa sexta à noite. Eu decidi gastar um pouco de energia ajudando Maggie limpar ao redor da pensão. Ela brigou comigo no início, mas quando confessei que eu precisava do trabalho para não ficar obcecada com minha jornada futura, ela cedeu. Depois de algumas horas de esfregar o chão e lavar janelas, eu estava exausta. Eu fui para cama à meia-noite, caindo em um sono sem sonhos.

Pouco antes do amanhecer, eu mergulhei na consciência, ouvindo uma voz familiar chamando meu nome.

"Bella? Bella!"

Eu pisquei, minha visão embaçada, e virei minha cabeça de lado a lado no travesseiro tentando encontrar a fonte do som.

"Alice? É você?"

"Bella? Você tem que voltar," confessou Alice. Parecia que ela estava falando bem no meu ouvido.

"Alice, onde está você?" Sentei-me, esfregando o sono dos meus olhos.

"Bella!"

Ouvi ela gritar mais uma vez antes de sua voz desaparecer. Digitalizando o quarto de um canto para o outro, eu não vi nada fora do lugar. Ouvi atentamente, mas os unicos ruídos vinham da rua pela janela. Eu cai para trás na cama, me perguntando se eu estava sonhando de novo e tentei fechar os olhos e recuperar meu sono.

Não tive essa sorte.

Eu ia ver Edward hoje. Não havia jeito de eu voltar a dormir.

Em vez disso, tomei um longo banho, esfregando meu corpo e meu cabelo, depilando minhas pernas com cuidado e deixando a água quente relaxar meus músculos tensos. Enrolei meu cabelo em uma toalha, escovei os dentes, e coloquei minha saia e blusa. Eu usaria meu vestido novo para a viagem, mas não queria correr o risco de derramar café nele. Voltei para meu quarto e sentei perto do radiador, penteando meus cabelos com os dedos para secá-lo. Eu prendi a frente atrás, mas optei por deixar o resto pendurado em ondas pelas minhas costas, lembrando como Edward gostava.

Olhei para o relógio. Era apenas oito da manhã. Tom estimou que a viagem para a casa de Edward levaria cerca de uma hora. Ainda era muito cedo para sair, então eu mordi meu lábio, pensando em algo para ocupar meu tempo.

Ouvi um barulho lá embaixo, então eu fiz meu caminho e encontrei a casa toda já acordada sem o meu conhecimento. Maggie estava trazendo pratos da cozinha para a mesa de jantar. Alistair e Tom já estavam sentados, e Jared e Liza tinham acabado de chegar pela porta da frente e estavam removendo seus casacos.

"Ah, Bella, você chegou bem na hora," Maggie me cumprimentou, estabelecendo uma travessa de ovos mexidos sobre a mesa. Sentei-me e pegando um prato, sem ter certeza se eu realmente seria capaz de comer qualquer coisa. Meus temores eram infundados, embora. Conversas ao redor da mesa me mantiveram abençoadamente distraída, e antes que eu percebesse eu tinha limpado meu prato. Ficamos sentados por mais algum tempo, tomando café e batendo papo confortavelmente.

Eu estava ficando mais perto de meus companheiros de quarto. Claro, minha amizade com Tom e Maggie tinha se tornado importante para mim, mas eu também estava muito afeiçoada por Jared e Liza. Fisicamente, eles complementavam-se perfeitamente, como tons diferentes sobre a mesma paleta. A aparência escura de Jared só enfatizava os cabelos mais claros e pele pálida de Liza. As personalidades deles eram bem harmonizadas também, ambos alegres e amigáveis. Era óbvio porque eles se tornaram professores. Crianças devem amá-los.

No momento em que tínhamos terminado e os pratos do café da manhã limpos, era quase onze horas e eu sabia que era hora de eu ir. Meu estômago embrulhou, e eu pressionei minha mão achatada nele, respirando profundamente. Fui até meu quarto e me troquei para o vestido de chá, depois prendi meu chapéu e coloquei o endereço de Edward na minha bolsa nova. Com uma respiração profunda, eu desci as escadas.

"Tem certeza de que quer fazer isso?" O olhar preocupado de Maggie percebeu meu rosto pálido e dedos cerrados. "Eu posso ir com você," ela ofereceu.

"Não, eu preciso fazer isso sozinha," eu disse firmemente, tanto para mim como para Maggie. "Deseje-me sorte."

Maggie colocou uma mão gentilmente no meu ombro. "Boa sorte," ela sussurrou com um leve aperto, antes de voltar para a cozinha.

Eu fui para o bonde sem problemas e mantive um olhar atento para minha parada, conforme ele sacudia pela estrada movimentada. Pulando fora com graça incomum, eu fiz meu caminho para a estação 'L' na Quinta Avenida.

Eu peguei a fila da bilheteria, nervosamente segurando um níquel em meus dedos. Depois de comprar meu bilhete, eu andei pela plataforma, incapaz de ficar parada e evitando os olhares questionadores das pessoas ao meu redor. Apesar das garantias de Tom e Maggie, eu tinha um medo persistente de que eu iria acabar no trem errado, seja viajando pelo circuito até o centro por horas a fio, ou perdida em algum lugar no sul de Chicago. Então, quando o trem finalmente chegou, virei-me para uma mulher que estava ao meu lado.

"Desculpe-me, este é o que vai para Noroeste?" Perguntei timidamente.

A mulher assentiu com a cabeça, então eu respirei fundo e embarquei. Sentei-me perto da janela, logo em seguida lamentei minha decisão quando olhei para fora... e para rua abaixo.

Eu não lembro de ter lido sobre um descarrilamento 'L' catastrófica no início de 1900... mas isso não significa que nunca aconteceu. Eu mentalmente repreendi-me por meu pânico... eles ainda usavam o 'L' cem anos mais tarde... deve ser relativamente seguro, certo?

Ainda assim, eu soltei um suspiro aliviado quando o trem balançou facilmente em seu caminho, a evidência reconfortante que ele continuava aderido nos trilhos. Eu assisti o cenário mudar de vitrines e calçadas lotadas para bairros e varandas. Em cada parada eu olhava para ler as placas das ruas, embora eu sabia que não iria sair até a Estacão Fullerton.

Quando finalmente parou na estação, eu sai fora do trem com a multidão se acotovelando, agarrando minha bolsa com firmeza e mantendo uma mão no meu chapéu. Fazendo meu caminho para baixo ao nível da rua, olhei ao redor, perguntando onde eu poderia pegar um bonde.

"Senhorita, você precisa de alguma ajuda?" um jovem policial sorriu para mim, com os olhos azuis brilhando.

"Sim," eu respirei, o alívio colorindo minha voz. "Estou à procura de um bonde para Lincoln Park." Eu sabia que a rua de Edward era perto do parque popular no lado oeste.

O oficial apontou um quarteirão para baixo.

"Você pode pegar um ali," disse ele. "Basta ficar na Fullerton indo nessa direção... leste... e vai levá-la direto para lá. Se você tiver alguma dúvida, basta perguntar ao operador."

Agradeci o oficial, acelerando meus passos quando me aproximei dos bondes. Subindo no da Avenida Fullerton, optei por ficar perto da porta, segurando firmemente ao poste conforme fizemos nosso caminho em direção ao parque.

Antecipação borbulhava no meu estômago quando desacelerava em cada esquina e passageiros pulavam dentro e fora... Rua Larrabee... Rua Sedgwick... cada quarteirão me levando para mais perto de Edward. Eu podia ver o chão verde do Parque Lincoln, a distância, e mais além o azul cristalino do Lago Michigan, os dois se aproximando com cada uma de minhas respirações rasas.

Passamos Rua Clark e eu sabia que minha parada era a próxima. Eu estava pronta na ponta dos pés, à espera do carro ficar mais devagar, em seguida, rapidamente saltei para baixo, me equilibrando com uma respiração profunda.

O bonde continuou e eu olhei para a rua. Transpiração reunida entre meus seios e minha testa, e eu alcancei na minha bolsa o lenço que Maggie tinha insistido que eu pegasse. Eu estava grata agora, já que eu realmente não queria que a primeira impressão de Edward de mim fosse de ser um desastre suada, e nervosa.

Enxugando meu rosto, eu andei pela Fullerton e examinando as casas que pontilhavam ambos os lados da Avenida Lakeview . Era óbvio que essa era uma parte rica da cidade. As casas eram bonitas – cada uma grande, mas distinta; algumas tinham alpendres e varandas integradas, outras pátios de tijolo ou simplesmente entradas cobertas. Todos os gramados e arbustos bem podados... e não havia um centímetro de pintura lascada ou vidro manchado para ser visto.

Caminhei lentamente, tanto por desejar permanecer livre de suor e em consideração com os meus nervos instáveis. Olhei uma vez para pedaço de papel com o endereço de Edward, mesmo que eu soubesse de cor. Examinando os números das casas à minha direita, eu contei em silêncio enquanto eu continuei descendo a rua, parando quando cheguei 140.

Eu me virei lentamente e encarei a casa do outro lado da rua.

A casa dele*.

Era uma bela casa vitoriana, cor creme com três andares. À esquerda, notei uma fileira de janelas salientes nos dois primeiros andares, com janelas menores cobertas com arcos de vidro no andar de cima. Uma varanda ampla em volta do lado direito da casa, uma fileira de colunas brancas intercaladas com grades de ferro que suportavam o telhado da varanda. A moldura intrincada e os enfeites gritavam riqueza e classe.

A casa era ladeada por duas grandes árvores, e arbustos podados separavam a grama recém cortada da passagem de tijolos que levava à porta da frente. Um pouco de bulbo estava cobrindo as raízes, anunciando a chegada da primavera.

Eu estava tão absorta em minhas observações, que nem percebi que estava no meio da rua. Olhando em volta, envergonhada, eu continuei atravessando em direção a calçada, então fiquei mais uma vez admirando a casa em frente de mim.

Um som alto de raspagem pegou minha atenção e eu pulei, voltando-me para ele.

Ele estava cavando o solo e não tinha ouvido minha abordagem, então eu tomei um momento para admirar a vista dele – negada a mim por tanto tempo. A pá raspou contra um toco teimoso e ele lutou para tirá-lo do chão. Uma gota brilhando de suor escorreu de seu pescoço e um arrepio passou pelo meu corpo.

Talvez eu tenha feito um som – ou talvez não – porque ele se virou para mim, então, examinando-me com olhos curiosos, seus lábios se curvaram num sorriso incerto.

E com uma mão trêmula, abri o portão, dando os primeiros passos em direção ao meu destino.


* Marshall Field: era uma loja de departamentos em Chicago (como Lojas Americanas, Walmart, Carrefour, etc.), que se tornou uma grande cadeia de lojas antes de ser adquirida pela Macy's.

-Tiffany Domo no Marshall Field http :/ pics . livejournal . com/ tkegl/ pic/ 00010hc4/ g1

-Visão mais próxima do Tiffany Domo http :/ pics . livejournal . com/ tkegl/ pic/ 00011fhb/ g1

*Casa do Edward http :/ pics . livejournal . com / tkegl / pic / 00012fq1 / g1


Nota Tradutora: As dez reviews que eu pedi antes de postar esse capítulo foram atingidas sábado. E hoje (madrugada de domingo para segunda), ele esta aqui bonitinho como recompensa de vocês.

MUITO obrigada a todas que deixaram sua reviews, elas são muito incentivadoras para mim. Obrigada especial a Carol por esclarecer sobre o bico de Bunsen, e desculpa por não ter mandado o teaser para você ma seu email não apareceu aqui =[

E pelo que aconteceu com a Carol eu dei uma pesquisada e quem fizer review anonima e quiser o teaser tem que deixar o email assim: exemplo (arroba) hotmail (ponto) com Se não o ffnet considera spam e não aparece.

Não sei quando vou postar o próximo capítulo, a tela do meu computador vai ter que arrumar porque a imagem esta toda desfocada e fica desligando e ligando sozinha e não sei quanto tempo vai demorar... mas a boa noticia é que eu imprimi um monte de coisa pra ir traduzindo e quando eu tiver meu pc de volta e normal é só digita e postar pra vocês =D