"Opostos podem se atrair, como se fossem magnéticos. Ou explodirem como se fossem matéria e antimatéria."
- Peter David
Capítulo 6: Sobre Piqueniques de Domingo e Expectativas Esmagadas
"Desculpe-me. Eu te conheço?"
Suas palavras me atravessam, deixando uma ferida aberta, e eu lutei para me controlar no meio da minha agitação interna.
Bom Deus. Eu tinha me aproximado dele... tocado ele. Arrastada pelo prazer de vê-lo novamente, eu esqueci por um momento que ele não tinha absolutamente nenhuma ideia de quem eu era.
Ele provavelmente pensava que eu era lunática.
Eu tropecei por palavras para explicar meu comportamento estranho, mas fui interrompida por uma voz de mulher vinda de dentro da casa.
"Edward?" ela gritou sua voz seguida por sua aparição na porta aberta. Eu soube imediatamente que ela era a mãe de Edward. Seus cabelos eram do mesmo tom vivo, assim como seus olhos.
"Oh, me desculpe," disse ela, avançando em nossa direção. "Eu não sabia que você tinha companhia."
Edward respondeu o olhar questionador dela com um encolher de ombros.
"Esta é minha mãe, Elizabeth Masen," disse ele. "E esta é...," ele acenou para mim.
"Bella," eu disse, finalmente, encontrando minha voz. "Bella Swan. É um prazer te conhecer Sra. Masen."
"Prazer em conhecê-la, Bella." Ela sorriu, virando-se para Edward. "Não se esqueça que você tem que estar nos Swenson em meia hora."
"Eu sei." Ele tirou as luvas, gesticulando em direção a pá presa no chão do jardim. "Eu não consegui tirar o toco. Vou ter que tentar novamente mais tarde."
Me movi nervosamente no meu lugar conforme eles conversavam, me sentindo como uma intrusa e insegura do que fazer. Finalmente decidi que a melhor tática era recuar e reagrupar.
"Eu provavelmente deveria estar indo de qualquer maneira," eu disse, atraindo dois conjuntos de olhos verdes para mim. "Eu só parei para... pedir indicações... para o 'L'?"
Os olhos de Edward se estreitaram um pouco. Ele sabia que eu estava mentindo e eu esperei ele me expor.
Ele não teve a chance.
"Oh, Edward vai por esse caminho, querida. Tenho certeza que ele ficará feliz em acompanhá-la," disse a Sra. Masen, delicadamente tocando meu braço.
"Oh, realmente, não é necessário," Eu disfarcei. Agora que eu estava aqui e havia feito uma completa idiota de mim mesma, eu não tinha certeza do que eu diria para ele se ficássemos sozinhos.
"Oh, não é problema nenhum, certo Edward?" Ela sorriu para o filho dela com expectativa.
Ele sorriu de volta, e eu tenho que dizer que parecia um pouco forçado.
"Nenhum problema em tudo. Apenas deixe eu ir me limpar."
Edward entrou na casa e Sra. Masen se virou para mim.
"Vamos sentar na varanda, Bella. Gostaria de uma limonada?" Eu não tinha notado a bandeja e jarro que ela tinha trazido e colocado em uma mesa pequena.
"Umm... claro... sim, por favor," eu gaguejei.
Ela serviu-me um copo gelado e eu agradeci em silêncio, tomando a bebida acida e desejando que um buraco abrisse no chão e me engolisse.
O que eu estava pensando? Vindo aqui sem um plano?
"Então, como você conhece Edward?" perguntou ela.
Engoli em seco. "Eu não conheço, na verdade. Eu só estava andando e parei para pedir as direções."
Ela me olhou com atenção. Eu sabia que se ela realmente não tinha me visto tocar ele, ela tinha que ter visto a maneira que eu estava olhando para ele como uma colegial apaixonada.
Ainda assim, ela era educada demais para me apontar isso.
"Onde você esta indo," ela perguntou "a partir do 'L'?"
"Estou hospedada em uma pensão no centro," eu respondi aliviada por finalmente ser capaz de dizer algo verdadeiro.
"Oh? Então você não vive com sua família?"
"Eu não tenho qualquer família," eu disse, pensando que seria melhor não entrar em detalhes.
"Sinto muito," ela ofereceu tristemente.
"Obrigada," respondi, sem saber o que mais eu poderia dizer.
"Então, o que te traz a nossa parte da cidade?"
Eu hesitei, em busca de uma mentira acreditável.
"Eu só estou tentando conhecer a cidade," eu disse finalmente. "Eu ouvi que Lincoln Park era muito bonito, por isso vim para dar uma olhada. Comecei a dar uma volta e perdi meu caminho."
Ela absorveu isso, silenciosamente, tomando um gole de sua limonada.
"Você está fora da escola, então?" Eu podia ver a preocupação começar a colorir suas características.
Ótimo, agora ela pensa que sou um pedófilo... uma mulher mais velha aqui para caçar seu filho de dezesseis anos de idade.
Cristo. Tecnicamente, eu era um pedófilo.
"Sim, há pouco tempo," eu disse a ela, me chocalhando fora de meus pensamentos. "Estou trabalhando no Cook County Hospital, como assistente de enfermaria. Na verdade, estou auxiliando um dos médicos agora com sua pesquisa médica."
"Que interessante... que tipo de pesquisa?"
"Ele está estudando a gripe."
Ela assentiu, mas foi cortada de fazer outra pergunta quando Edward passou pela porta.
Água reluzia ao longo de sua linha capilar, então eu podia dizer que ele tinha lavado o rosto. Ele também penteou para trás as mechas soltas que tinham caído para frente enquanto ele trabalhava. A gravata estava reta e ele colocou sua jaqueta de volta.
Ele estava glorioso. Levou toda auto-contenção que eu tinha sobrando para não me dissolver em uma poça de gosma a seus pés.
"Pronta, Senhorita Swan?" Ele virou para mim, estendendo a mão aberta em direção ao portão da frente.
"Foi bom conhecê-la, Sra. Masen," eu disse em voz baixa antes de descer os degraus da varanda.
"Tchau Bella."
Edward abriu o portão e eu atravessei, voltando-me para ver sua mãe nos assistindo com um olhar especulativo no rosto.
"Algo errado?" Edward perguntou.
"Não, nada... desculpe."
Caminhamos em silêncio enquanto eu lutava por uma maneira de quebrar o gelo. Não estávamos longe do "L" e eu sabia que estava correndo contra o tempo.
"Olha, Edward... Sinto muito sobre antes. Eu não deveria ter tocado em você daquele jeito," eu disse, finalmente, envergonhada.
Eu esperava que ele dispensasse minhas desculpas, mas ele perguntou "Por que você tocou?"
Mordi o lábio, incerta sobre o que dizer.
"Eu... pensei que você fosse outra pessoa."
Sim, isso é acreditável. Jesus Bella!
Ele olhou para mim com curiosidade – obviamente sabendo que eu estava mentindo – mas então seu rosto eclodiu em um sorriso surpreendente.
"Cara de sorte."
Ele estava flertando comigo. Flertar era bom.
Eu sorri de volta para ele, corando um pouco, mas ele não disse mais nada sobre isso.
"Então, eu ouvi você dizer a minha mãe que trabalha em um hospital?" ele perguntou ao invés.
"Sim, eu estou trabalhando com um médico lá, ajudando-o com sua pesquisa."
"Isso deve ser um trabalho interessante. Você trabalha com pacientes, também?"
"Às vezes." Eu balancei a cabeça.
"Umm," disse ele, pensativo.
"O quê?"
"Bem, eu apenas imagino que um hospital fornece uma série de oportunidades para uma mulher jovem."
Eu balancei a cabeça. "Acho que sim, mas você realmente precisa de educação especializada para subir."
Ele riu. "Educação? Não, você me entendeu mal."
"O que você quer dizer?" Eu perguntei confusa.
"Bem, é só que eu tenho certeza que você pode conhecer um monte de homens elegíveis."
"Elegíveis?" Eu repeti não acreditando no que estava ouvindo. "Você está sugerindo... que eu estou trabalhando lá para fisgar um marido?"
"Eu não estou criticando," disse ele rapidamente. "É importante para uma jovem senhora encontrar um homem adequado... e não é sempre fácil para uma menina em sua situação."
"O que quer dizer, 'na minha situação'?"
Ok, esse cara estava seriamente começando a me irritar.
"Você sabe, sem família... sem atributos financeiros verdadeiros," explicou.
"Você escutou escondido minha conversa com sua mãe?" Eu perguntei através de dentes cerrados.
Para seu crédito, ele ficou um pouco ruborizado.
"Eu só ouvi um pouco," admitiu ele, então ele viu minha expressão de raiva e parou em suas trilhas.
"Olha, me desculpe. Eu não tive a intenção de ofendê-la," disse ele, aparentemente confuso com minha reação. "É natural uma mulher em sua posição procurar um marido – e eu estava apenas dizendo que você escolheu um bom lugar para fazê-lo."
Você tem que estar brincando comigo.
"Você faz parecer como se eu fosse um predador à caça!" Exclamei.
Ele encolheu os ombros. "Tenho certeza que deve parecer assim às vezes," disse ele com simpatia. "E eu sei que muitos homens seriam desfavoráveis de sua circunstância, de modo que torna ainda mais difícil. Mas não se preocupe, eu tenho certeza que com o tempo um marido vai cair na sua armadilha."
Eu me virei para ele, minhas mãos em meus quadris. "Armadilha... armadilha...?" Eu repeti. Respirei fundo, tentando me acalmar.
Não deu muito certo.
"Olha camarada," Eu comecei em voz baixa, e seus olhos se arregalaram. "Eu trabalho no hospital, porque eu precisava de um trabalho e eu queria fazer algo que eu gostava. Eu me sustento. Eu pago minhas próprias contas e eu não preciso de um homem para fazê-lo."
"Eu não entendo por que você está tão chateada," disse ele, confuso. "Eu só estou tentando ser simpático de sua situação."
"Você é de verdade...? Simpático...?" Eu gaguejei. "Eu nem mesmo sei o que dizer sobre isso!" Andei para trás e para frente, murmurando sob a minha respiração. "Situação?" Eu questionei. "Situação?" Eu repeti minha voz cada vez mais alta.
"Eu não estou em uma 'situação', Edward," eu cuspi. "Eu não sei onde você consegue essas idéias ultrapassadas sobre mulheres no local de trabalho, mas elas são ridículas! Eu não estou procurando um marido no hospital. Eu não estou procurando um marido ponto!"
Alegre por sua expressão de choque, virei em meus calcanhares e sai pisando forte para o "L", comprando minha passagem rapidamente e subindo os degraus até a plataforma. Bati meu pé com impaciência no chão de madeira, ainda fumegante sobre os comentários de Edward.
O que aconteceu com ele?
O Edward que eu conhecia era possessivo, com certeza, e superprotetor. Mas ele não era um porco chauvinista! Ele era gentil, amoroso e solidário. Ele queria que eu fosse para a faculdade... me implorou para ir.
Este Edward pensou que eu deveria estar descalça e grávida na cozinha... uma vez eu tenha fisgado um marido adequado, é claro.
Quando o trem chegou, eu desmoronei no meu assento, minha raiva, finalmente, dando lugar ao desespero.
O que eu tinha feito?
Eu tinha finalmente encontrado Edward, e passei de quase o atacar para gritar com ele no meio da rua. Então a pergunta que eu vinha ignorando nos últimos 15 minutos finalmente levantou sua cabeça feia.
Como eu poderia salvá-lo... se eu não poderia nem mesmo suportá-lo?
"Vamos, Bella. Vai ser divertido!"
Revirei os olhos. A última vez que alguém me disse isso eu acabei tropeçando em cogumelos alucinógenos e voltando no tempo.
Eu sorri para meus próprios pensamentos, e Liza Johannes tomou isso como um sinal de que eu estava cedendo.
"Você tem que vir Bella," ela implorou. "É o evento social da temporada."
Cristo. As pessoas realmente dizem isso?
Eu estava deprimida após o caos do meu primeiro encontro com Edward. Eu tinha pegado o "L" para casa e fui direto para o meu quarto, incapaz de enfrentar os olhares interrogativos de Maggie. Eu nem mesmo desci para o jantar. Eu apenas deitei na minha cama a noite toda, balançando e girando, revivendo cada momento torturante.
Eu ainda não tinha idéia do que fazer a seguir.
Todos na casa – bem, exceto Alistair – tinham falado toda a manhã sobre a Celebração Bem-vinda Primavera na "praia", que eu viria a aprender que significava Lago Michigan. Eu argumentei que não foi nem tecnicamente primavera ainda, mas Liza me informou que era sempre o terceiro domingo de março. Ainda não fazia muito sentido para mim, mas tanto faz.
"Haverá música e dança," Liza bajulou.
Tom finalmente se intrometeu. "Uh, talvez dançar não é para Bella."
Eu coloquei minha língua para fora para ele e ele riu.
"A comida é boa, embora," ele acrescentou. "E há jogos e prêmios."
Bem, isso soou mais interessante.
Liza pulou dentro. "É um belo dia, Bella. Venha e divirta-se com a gente."
Isso me convenceu. Vivendo em Forks, uma coisa que eu aprendi foi tratar um dia ensolarado com a reverência que merecia.
Então, eu tinha concordado, e uma hora depois estávamos no "L", indo mais uma vez para o Lincoln Park. Jared e Liza sentaram perto de Maggie e de mim, de mãos dadas e trocando sorrisos secretos. Tom estava à minha esquerda, segurando o corrimão e lendo um jornal.
No meu tempo ele seria um daqueles caras que você não poderia arrancar de seu Blackberry.
Para ser honesta, eu estava um pouco nervosa quando chegamos ao "L" e descobri que estávamos indo para o parque perto de casa de Edward. Uma parte de mim esperava – e outra parte temia – a possibilidade de que eu poderia vê-lo novamente.
Eu tinha pensado nisso durante toda a manhã, e decidi que eu tinha exagerado. Quero dizer, claro que ele parecia um pouco machista, mas era um sinal do tempo, certo? Era 1918 depois de tudo, e eu não poderia esperar que ele tivesse ideias do século XXI, quando mal tínhamos saído do século XIX.
Jurei ser mais paciente com Edward quando eu o visse novamente. Eu só tinha que descobrir como eu poderia vê-lo novamente.
Aparecendo na sua casa estava fora de questão. Isso não tinha ido tão bem na primeira vez. Ponderei a idéia de me matricular em sua escola, mas pensei que ele iria notar através disso desde que eu já havia dito a ele sobre o meu trabalho.
Então, a única opção era... bem... perseguir ele.
Eu teria que segui-lo de forma discreta e ver aonde ele vai e o que ele fez com seu tempo. Claro, era um pouco assustador, mas eu realmente não vejo uma alternativa.
Eu teria que ter muito cuidado, e quando eu encontrasse um lugar onde eu poderia esbarrar com ele 'acidentalmente', eu teria que ficar calma e fingir desinteresse.
Eu poderia fingir desinteresse.
Eu esperava.
O "L" guinchou a um impasse e o nosso grupo subiu os degraus da plataforma. Tom contou uma piada e todos riram à medida que embarcamos no bonde rumo ao parque.
"Eu tenho uma," Jared rugiu. "Você vai gostar desta Bella, desde que você trabalha em um hospital."
Eu sorri para ele. Eu estava realmente começando a gostar de Jared. Ele era grande e parecia ser o tipo forte e silencioso até que você o conhece. Mas eu estava aprendendo que ele tinha um sorriso rápido e um grande senso de humor. Em muitas maneiras, ele me lembrou de Emmett. Meu rosto caiu um pouco com a idéia, mas depois voltei minha atenção para ele e sua piada.
"Pequena Mary sempre quis um gatinho," ele começou um sorriso curvando em seus lábios. "Ela ficou doente e os médicos descobriram que ela precisava de uma operação."
"Eu já ouvi essa," Tom sussurrou para mim, mas eu o silenciei.
Jared atirou um olhar estreitado e continuou.
"Então, a pequena Mary teve que ir para o hospital e sua mãe prometeu que se ela fosse muito corajosa durante esta época difícil ela iria ter o melhor gatinho a ser encontrado."
"Bem, ela teve a operação, e como Maria estava saindo da influência da anestesia a enfermeira a ouviu resmungando, e abaixou-se para ouvir estas palavras..."
Ele fez uma pausa dramática e para minha surpresa, Jared, Liza, Tom, e até mesmo Maggie disseram ao mesmo tempo, "Esse é um jeito fácil de conseguir um gato!" então irromperam em gargalhadas.
"Vocês todos já ouviram isso?" Jared perguntou, olhando em torno do grupo.
"Essa é velha," Maggie riu.
'Nova para mim," eu admiti.
O bonde desacelerou e todos nós pulamos. Jared ajudou Liza e Maggie, e Tom estendeu a mão para mim. Entramos no parque, sorrindo e rindo sob o céu azul e ensolarado.
O parque em si havia sido transformado. Tendas espalhadas pela grama, cobrindo as mesas de alimentos e bebidas. Um tipo de pista de corrida tinha sido colocada na extremidade norte do gramado, e balões e serpentinas flutuavam por toda parte. Acima de nossas cabeças uma grande faixa pendurada entre duas árvores estava escrito "Bem-vinda Primavera!" em cores brilhantes.
Uma plataforma de madeira tinha sido construída perto de um gazebo para o sul e pude ver alguns homens afinando seus instrumentos. Eu assumi que a plataforma era uma pista de dança improvisada. Todo lugar que eu olhava, pessoas tinham espalhado cobertores e estavam sentadas, desfrutando do clima quente. As crianças riam e gritavam, correndo através do parque brincando de pega-pega ou esconde-esconde.
Embora estivesse ensolarado, ainda não estava quente o suficiente para nadar. Ainda assim, vi alguns barcos a remo boiando no lago, com jovens homens remando e jovens mulheres em vestidos bufantes segurando guarda-sóis para protegê-las do sol brilhante.
Era como uma pintura de Geogers Seurat* que eu tinha visto uma vez no Museu de Arte de Seattle. Eu me lembro de pensar que realmente capturava um tempo mais simples com suas cores brilhantes e formas criadas por pontos de tinta sobre a tela. O período de tempo estava um pouco fora, eu acho... mas as cores, o calor, a... liberdade, era a mesma.
Liza aparentemente me pegou boquiaberta, porque ela se virou para mim com um sorriso.
"Você não está feliz por ter vindo?"
"Na verdade, sim," eu admiti. "É realmente algo especial."
A tarde foi relaxante e divertida. Nós estendemos um cobertor e comemos frango frito e biscoitos... e tigelas grandes do mais incrível sorvete caseiro. Tenho certeza que o teor de gordura dessas coisas estavam acima da média... mas valia tanto a pena.
Jared e Liza dançaram. Tom me pediu, mas eu implorei para ficar de fora então ele pegou uma dança com Maggie. Eles giraram e rodopiaram com uma valsa, e eu tive que admitir que eles eram muito bons. A canção chegou ao fim e Tom girou Maggie duas vezes antes de mergulhar ela sem esforço com um sorriso. Os dançarinos aplaudiram a banda e eu vi um jovem em um terno escuro se aproximar do microfone.
"Atenção todo mundo," anunciou. "Os jogos vão começar em dez minutos!"
As pessoas se levantaram e começaram a fazer seu caminho para o lado do gramado onde eu tinha visto a pista definida mais cedo. Tom e Maggie se aproximaram de mim, com Jared e Liza logo atrás. Nós dobramos nosso cobertor e caminhamos até a pista de corrida.
"Que tipo de jogos eles vão jogar?" Eu perguntei.
"Oh, competição de comer torta*, queda de braço..." Tom começou.
"Esses são meus dois eventos, é claro," Jared sorriu.
"Claro," Tom concordou. "Comer e se exibir são pontos fortes de Jared."
Jared o socou no ombro e Tom esfregou com tristeza.
Liza finalmente interrompeu, ligando seu braço com o meu enquanto caminhávamos.
"Há também algumas corridas... a corrida de três pernas, corrida de carrinho de mão... corrida de saco," disse ela.
Espere um segundo... corrida de saco?
"Você quer dizer como uma corrida de saco de batatas?" Eu perguntei, minha boca curvando ligeiramente.
"Sim," Liza concordou com a cabeça. "Por quê? Você gostaria de tentar?"
Eu sorri com a pergunta. Inferno, sim eu gostaria de experimentar.
Era uma coisa estranha. Eu era, em uma palavra, descoordenada. Eu não podia dançar. Correr era questionável. E pular corda era uma viagem para a Emergência eminente. (Confie em mim. Já estive lá. Já fiz isso.)
Mas em uma idade jovem descobri que mesmo que simplesmente andar pela rua poderia me fazer tropeçar nos meus próprios pés, quando eles estavam presos dentro daquele saco de estopa... Eu era imparável.
Era como se os deuses da coordenação olharam para baixo e disseram, "Ela não pode fazer qualquer outra coisa, mas corrida de saco... ok, vamos dar isso a ela."
Então desde que eu tinha cinco anos, eu entraria em apenas uma competição em cada piquenique do departamento de polícia, dia esportivo na escola, quermesse de arrecadação de fundos para a igreja: a corrida de saco.
E eu arrasava. Todas às vezes.
Agora, eu sei que é estranho ficar tão animada sobre um jogo infantil, mas quando é a única atividade física que você realmente se destaca, você tende a ficar um pouco empolgada.
Ok, muito empolgada.
O fato é: eu gostava de ganhar. Eu amava ganhar. No fundo eu era competitiva, cruel, sanguinária, máquina da corrida de saco.
Eu acho que é por isso que os deuses da coordenação me cortaram quando o assunto era quaisquer outros esportes.
Porque se eu pudesse jogar hóquei, eu seriamente mataria alguém.
"Bella?" Liza acenou com a mão na minha frente. "Eu perguntei se você gostaria de experimentar."
Um lento sorriso iluminou meu rosto e eu respondi, "Sim, eu acredito que eu gostaria."
A adrenalina pulsou através de mim conforme eu fechei minhas mãos em volta do tecido grosso, puxando-o esticada para minha cintura. Tom foi o único do nosso grupo que quis participar, e ele estava à minha direita, pronto também. Olhei para os outros competidores da corrida de saco, mentalmente avaliando quem seria minha maior competição.
Ok, eu sabia que era patético. Eu não podia evitar.
Eu era o Michael Phelps da corrida de saco, e minha atenção estava no prêmio.
A multidão circundou a pista de corrida, assobiando e aplaudindo. Era uma pista simples, cerca de 50 metros, indo e voltando. Sem outras curvas ou obstáculos.
Sem problemas.
O rapaz do microfone deu alguns passos para a pista e levantou a mão.
"Em suas marcas..." Eu fiquei tensa, cada músculo esticando...
"Preparar..." Eu prendi a respiração por um momento, esperando...
"Vai!"
Decolei, pulando com tudo que eu tinha. Eu vi Tom com o canto do meu olho. Ele tinha a vantagem de pernas mais longas... ele poderia cobrir a distância de dois dos meus saltos com um de seu próprio.
Mas eu tinha visto homens mais altos falhar. Eles ficavam muito confiantes e as pernas longas se embaralham uma na outra.
Estávamos lado a lado à metade do caminho para o ponto de virada e eu o ouvi grunhir alto.
Amador.
Ao dobrar os marcadores alinhados no final da pista, eu olhei para os outros corredores. Além de Tom, o único outro perto de mim era um homem perto do fim. Sorri quando ele caiu tentando dar a volta no marcador.
Oh sim. Eu tinha isso.
Mas Tom não ia torná-lo fácil. Eu o ouvi – à minha esquerda agora – e eu poderia dizer que ele estava dando tudo que ele tinha. Avistei duas jovens puxando uma fita em toda a linha de chegada e eu senti uma explosão de adrenalina.
Talvez eu tenha ouvido a música tema de Rocky tocando na minha cabeça.
Estávamos perto agora, lado a lado, com apenas cerca de dez metros até a linha de chegada. Eu avancei, pulando furiosamente, e eu ouvi Tom tropeçar e cair, mas eu não me virei para olhar para trás. Em vez disso, pulei para frente, as mãos erguidas, rompendo a fita com o meu peito antes de cair no chão.
A torcida foi à loucura.
Ok, talvez isso fosse um pouco de exagero. Eles bateram palmas educadamente, e Tom me ajudou a levantar antes de eu me virar para aceitar abraços de congratulações de Liza e Maggie. O locutor me entregou uma taça pequena prata e eu segurei acima da minha cabeça vitoriosamente.
Eu posso ter feito também uma dançinha. Jared começou a rir.
Dei-lhe um empurrão de brincadeira e me virei para recuperar meu chapéu.
E fiquei cara a cara com Edward.
"Senhorita Swan. Prazer em vê-la novamente," disse ele, examinando-me com diversão iluminando suas feições.
Eu segui o seu olhar em mortificação. Minha blusa tinha vindo para fora da saia. Meu cabelo estava escapando do coque ao redor do meu rosto, e eu estava vermelha e suada e tinha uma mancha da grama na minha saia.
Perfeito.
"Edward," eu disse, tentando enfiar minha blusa de volta furtivamente e alisando meu cabelo atrás das orelhas. "Como vai você?"
"Muito bem, obrigado." Ele sorriu. "Parece que parabéns estão em ordem," disse ele, apontando para o meu troféu.
"Sim, obrigado," eu disse autoconsciente.
Tom limpou a garganta e me virei para ele.
"Oh, Edward, estes são os meus amigos... Tom Jacobsen, Jared e Liza Johannes, e Maggie Oleson. Ela é minha senhoria."
Os olhos de Edward se estreitaram. "Maggie? Como… Pensão da… Maggie?"
Levei um tempo para perceber que Edward estava juntando o telefonema estranho que ele recebeu ao fato de que eu tinha uma senhoria chamada Maggie.
Eu procurei uma maneira de mudar de assunto.
"Você está gostando da festa?" Eu soltei.
Suave, Bella.
Edward deixou passar. "Sim, na verdade," disse ele, se virando para revelar uma mulher jovem, loira ao lado dele.
"Esta é Samantha Swenson," ele disse, sorrindo suavemente para ela. "Samantha, esta é Bella Swan e... os amigos dela."
Eu olhei para ela, tentando em vão disfarçar meu choque. Quem diabos era ela? Lembrei-me então da mãe de Edward lembrando-o de seu encontro na casa dos Swensons quando eu estive no seu jardim da frente, parecendo uma idiota.
Será que Edward tem uma namorada?
Examinei-a enquanto ela cumprimentou cada um dos meus amigos e eu tive que admitir que ela era bonita.
Não, ela não era apenas bonita... ela era linda .
Seu cabelo, loiro brilhante estava preso na frente, e solto na parte de trás em ondas suaves quase até a cintura. Ela usava um vestido rosa pálido com uma gola de renda larga e carregava uma sombrinha cor de rosa – sem dúvida, para proteger sua pele de porcelana perfeita, dos raios nocivos do sol. Suas bochechas e lábios eram cor de rosa, embora, obviamente, um presente da natureza e não um truque de cosméticos. Cheios, cílios grossos cercavam grandes olhos azuis – ligeiramente amendoados e profundamente inocentes.
Olhei para baixo seu vestido impecável para ver meias brancas e sapatos de pelica branca espreitando para fora da saia. Nem um pedacinho de sujeira à vista... e certamente sem manchas de grama de uma corrida de saco estúpida.
Então, ela falou. "É muito bom conhecer todos vocês."
Sereno, tom musical. Eu apostaria dinheiro que ela era uma cantora. Só essas poucas palavras mostravam sofisticação e educação.
Eu queria odiá-la.
Eu realmente queria odiá-la.
Mas então ela se virou para mim e disse com entusiasmo. "Eu vi você na corrida de saco, Bella. Aquilo foi incrível!"
E não havia sarcasmo ou julgamento sobre seu rosto – apenas pura admiração, não adulterada.
E bondade.
Merda. Ela era legal.
"Obrigada," eu disse, constrangida e irritada, mas tentando esconder.
"Eu nunca teria coragem de fazer algo assim!" Ela sorriu. "Você realmente mostrou aos homens quem era o chefe!"
"Ei!" Tom fingiu ofensa.
"Desculpe." Ela sorriu para ele e eu juro que Tom corou.
"Eu estava indo pegar ponche para Samantha," Edward disse finalmente. "Será que alguém mais quer?"
Eu estava com muita sede, mas eu preferia morrer a pedir para Edward qualquer coisa naquele momento, então eu permaneci em silêncio.
"Eu vou com você," Tom ofereceu. "Bella?"
"Claro, obrigada," eu disse agradecida.
Os dois homens se afastaram. A "visão" de Maggie deve ter acontecido porque ela conseguiu atrair Liza e Jared para longe para assistir ao concurso de comer torta, dirigindo um olhar aguçado para mim. Ergui as sobrancelhas para ela, mas ela simplesmente inclinou a cabeça para Samantha, que não estava prestando atenção. Jared disse que estava muito cheio do almoço para participar, mas jogou os braços sobre os ombros de Maggie e Lisa. Eu podia ouvi-lo dizendo que ele ia explicar os pontos mais delicados da competição para elas conforme eles se afastaram.
"Você quer ir ver?" Perguntei a Samantha.
"Não." Ela torceu o nariz. "Eu tenho um estômago fraco e há algo sobre observar pessoas esmagarem seus rostos em tortas que apenas me lembra disso."
Eu ri. "Sim, isso meio que me enoja também."
Ela franziu a testa para a expressão, mas não disse nada.
Caminhamos até a beira do lago, conversando amigavelmente sobre nada em particular. Olhei em volta e vi Edward e Tom aguardando na fila para o ponche.
"Então," eu disse finalmente, "quanto tempo você conhece Edward?"
Ela sorriu, seus cabelos ondulando pela brisa leve. "Minha vida inteira. Nossos pais faziam negócio juntos e nossas mães se tornaram amigas íntimas. Nós nascemos com um mês de intervalo. Todas as minhas primeiras memórias incluem Edward."
Ela olhou para ele e seu olhar suavizou. O meu coração caiu.
"Às vezes eu sinto que ele é realmente uma parte de mim. Como se fossemos duas metades de um todo," ela pensou. Então, piscando rapidamente, ela acrescentou, "É bobagem, eu sei."
"Não, não é bobagem," eu disse baixinho. "Você o ama."
"Claro." Ela riu. "Como poderia não amá-lo?"
"Então, quanto tempo você estão..." Lutei pela palavra certa, "...cortejando?"
"Cortejando?" repetiu ela com divertimento enfeitando suas feições. "Essa é tipo uma palavra fora de moda."
Eu não disse nada, apenas dei de ombros em reconhecimento.
"Apenas aconteceu, eu acho," continuou ela. "Foi natural... fácil. Temos tanto em comum e isso só fazia sentido."
"Então vocês vão casar?" Eu perguntei, temendo a resposta.
Ela encolheu os ombros. "Eventualmente, eu suponho. Todo mundo espera isso, mas..."
Samantha nunca terminou seu pensamento, porque Edward e Tom apareceram naquele momento, copos de ponche na mão.
"Senhoras," disse Tom, estendendo o ponche com um floreio.
Samantha riu e eu revirei os olhos, tomando um gole e me virando de volta para ela. Eu queria terminar nossa conversa anterior, mas definitivamente não na frente de Edward, então ao invés resolvi conhecê-la um pouco.
"Samantha, você ainda está na escola?" Eu perguntei.
"Sim, eu vou me formar em junho, um ano antes de Edward." Ela sorriu provocadoramente para ele e ele sorriu com desdém.
"Então você planeja ir para a faculdade?"
Edward engasgou um pouco com seu ponche.
Nós duas viramos para ele, curiosas.
"Desculpe," disse ele. "É apenas a idéia de Samantha ir para a faculdade..."
"E por que é tão engraçado?" Eu perguntei, já sentindo uma onda de raiva se retorcendo no meu estômago.
"Bem, é apenas... não há necessidade..." ele se atrapalhou, voltando-se para Samantha.
Ela assumiu. "Quando eu me formar, vou dedicar a maior parte do meu tempo ajudando com o trabalho de caridade da minha mãe," disse ela. "Isto é, até eu me casar."
"É isso que você realmente quer?" Eu perguntei genuinamente curiosa.
"O que eu quero?" Samantha parecia um pouco confusa. "É... bem... Eu sempre pensei..."
"Uma mulher não precisa de uma educação universitária de qualquer maneira," Edward interrompeu, "É um desperdício de tempo e dinheiro."
"Um desperdício?" Repeti incrédula. "Como é possível uma educação ser um desperdício?"
"Bem, você não precisa de um diploma para criar uma família," ele retrucou. "O que ela faria com um diploma?"
"Qualquer coisa que ela queira!" Eu chorei em indignação. "Eu não posso acreditar em você! Uma mulher tem tanto direito a uma boa educação quanto um homem!"
"Eu não estou dizendo que ela não tem o direito," argumentou Edward, seus olhos verdes faiscando. "Eu só estou dizendo que ela não precisa."
"E se alguém tivesse dito isso para... para..." Eu procurei no meu cérebro por um exemplo oportuno... "Marie Curie!"
"O quê?"
"Madame Curie," repeti. "A cientista? A primeira mulher a ganhar o Prêmio Nobel de física... e química?" Eu adicionei.
"Oh, eu ouvi sobre isso," Tom começou. Nós dois nos viramos para ele com um olhar e ele ergueu as mãos em sinal de rendição. "Desculpe."
"Madame Curie é uma exceção à regra geral," Edward continuou. "Além disso, ela ganhou com o marido."
"Apenas na primeira vez," eu corrigi. "A segunda vez ela ganhou sozinha. O que isso tem a ver, afinal? Você está dizendo que ela não merecia? Que ele a carregou?"
Nós estávamos inclinados agora, nossos narizes quase se tocando, respirações escapando em explosões duras.
"Eu estou dizendo que é legal e bom para Madame Curie," Edward rosnou, "Simplesmente não faz sentido para a maioria das mulheres como Samantha."
"Edward..." Samantha começou em voz baixa. Nenhum de nós prestou atenção a ela.
"É completamente desnecessário," Edward continuou. "E isso significaria que um homem que realmente precisa da educação pode ser impedido de fazer isto. Ele seria incapaz de sustentar sua família, porque uma mulher queria provar um ponto!"
"Provar um ponto? Você está brincando comigo?" Minhas mãos tremiam e eu estava gritando com ele agora. "Você é tão agravante! Seu... seu... homem da caverna idiota!" Eu berrei.
Todos os olhos se voltaram para mim em estado de choque. Por um momento parecia que até os pássaros pararam de cantar.
"Bella," disse Tom, finalmente, em uma voz calma, "Talvez devêssemos ir dançar."
"Eu não danço," eu disse abruptamente.
"Bem, então, senhorita Swenson." Ele se virou para ela, estendendo a palma da mão. "Posso ter a honra?"
Samantha olhou entre Edward e eu com cautela antes de colocar a mão na de Tom.
"Claro," ela disse calmamente.
Eles caminharam em direção a pista de dança e Edward e eu nos afastamos um passo um do outro, virando para vê-los em silêncio. Eu podia vê-lo tomar uma respiração profunda na minha visão periférica, e eu fiz o mesmo. Tanta coisa para ser mais paciente com ele.
"Desculpe por isso," eu disse finalmente.
"Homem da caverna idiota?" ele perguntou, sorrindo. "Não é muito feminino e elegante, Miss Swan."
Eu suspirei. "Eu acho que nós estabelecemos que "feminino e elegante" está um pouco fora do meu alcance."
Olhei para ele com o canto do meu olho e o encontrei fazendo a mesma coisa. Eu sorri ironicamente e ele soltou uma risadinha.
"Acho que devemos declarar uma trégua," disse ele, finalmente, estendendo a mão. "Vou abster-me de quaisquer comentários depreciativos sobre as mulheres que vão para a faculdade, ou trabalham em hospitais... ou simplesmente mulheres em geral..."
Peguei a mão dele. "...E eu vou me impedir de lhe informar como você está errado," eu concluí docemente.
Ele riu um pouco e soltou minha mão, se virando de novo para a pista de dança.
"Você realmente não dança?" perguntou ele.
"Não," eu admiti. "Dois pés esquerdos."
"Eles pareciam funcionar bem na corrida de saco."
"Como você disse anteriormente de forma tão eloquente, é uma exceção à regra geral."
Ele sorriu, com os olhos em Samantha e Tom.
Eu tomei uma respiração profunda e tranquila. "Samantha diz que vocês dois vão provavelmente se casar."
"Hmm? Ah, sim... provavelmente," disse ele, distraído. "Você e Tom...?"
"Tom?" Eu repeti. "Oh, não... nada disso. Tom e eu somos apenas amigos."
Ele balançou a cabeça.
Samantha estava rindo de alguma coisa que Tom tinha dito. Ele a rodopiou e ela riu.
"Ela é perfeita, sabe," Edward disse baixinho, quase como se estivesse falando sozinho.
Murmurei em acordo. Ela era perfeita.
"Bonita... doce... calma..."
"Submissa," eu murmurei sob a minha respiração, minha mão tapando minha boca quando eu percebi que ele me ouviu.
Ele levantou uma sobrancelha para mim. "Melhor do que confrontante."
Levantei a minha para ele. "Eu prefiro 'entusiasmada'."
Ele riu. "Touché."
Meu olhar desviou da pista de dança e notei uma mulher jovem, grávida sentada sob uma árvore sozinha. Seus olhos eram abatidos e ela tirava pétalas de uma flor tristemente.
"Ela parece tão triste," eu disse sob minha respiração.
"O quê?" Edward voltou sua atenção para mim.
"Aquela garota ali. Ela parece tão triste."
Edward cerrou os dentes. "Bem, com uma boa razão."
"O que você quer dizer com isso?"
"Eu prefiro não falar sobre isso, Bella."
"Você não pode simplesmente dizer algo como isso e não se explicar, Edward," eu disse, imitando seu tom de voz.
Ele revirou os olhos e disse baixinho, "Ela costumava frequentar minha escola. Ela se meteu... em encrenca... e teve que sair. Eu realmente não posso acreditar que ela está aqui."
Eu fiquei irritada com a atitude dele, mas realmente não me surpreendi. Eu sabia que uma mãe solteira seria um pouco mais de uma pária neste tempo e lugar... mas me irritava mesmo assim.
"Você sabe que é preciso dois para fazer um bebê," eu disse incisivamente.
Ele olhou para mim maliciosamente. "Sim, estou ciente desse fato, obrigado."
"Eu imagino que o jovem neste pequeno drama ainda é capaz de aparecer em eventos escolares e sociais, sem vergonha?"
Surpreendentemente, Edward engoliu em seco com isso e desviou o olhar. "Bem, sim... isso é verdade."
"Você acha que é justo?" Eu perguntei, mantendo um rígido controle sobre Bella Vadia.
Edward ficou em silêncio por um momento, então disse, "Acho que não. Mas o que eu acho que é irrelevante. É como o mundo é."
"Não tem que ser assim."
Ele virou para mim. "Você diz isso como se você realmente acreditasse."
"Eu acredito." Olhei para cima e fiquei surpresa ao encontrá-lo me examinando com olhos confusos, como se ele não estava muito certo o que fazer de mim.
"O quê?" Eu perguntei na defensiva.
"Eu acho você..." ele começou.
Fascinante? Interessante? Completamente hipnotizante?
"...desconcertante," concluiu.
Eu mentalmente dei de ombros. Poderia ter sido pior.
Antes que eu pudesse perguntar o que ele quis dizer com isso, Tom e Samantha voltaram corados e rindo.
"Você pareciam ótimos lá," eu disse com um sorriso.
Samantha brilhava... sim, ela realmente brilhava... para Tom, "Bem, Tom é um excelente dançarino. Ele era fácil de seguir."
Tom acenou para ela. "Obrigado pela dança, Senhorita Swenson."
"De nada, Sr. Jacobsen," ela respondeu com um sorriso e uma pequena reverência.
Bem, isso foi interessante.
Eu atirei um olhar curioso para Edward para ver se ele notou essa pequena interação e o encontrei me estudando com uma expressão ilegível. Eu engoli fazendo barulho e me virou para Tom.
"Nós provavelmente deveríamos encontrar os outros," eu disse com voz trêmula.
"Oh, Bella," Samantha disse rapidamente, "Eu estava dizendo a Tom que Edward e eu estávamos indo para ver a nova imagem em movimento, Stella Maris esta semana. Vocês devem vir com a gente. Eu ouvi que Mary Pickford é maravilhosa. Ela na verdade desempenha dois papéis."
"Bem, eu tenho que trabalhar de noite," eu disse hesitantemente.
Edward pode ter revirado os olhos um pouco, mas fiel à sua promessa, ele não disse nada sobre o meu trabalho.
"Mas não na sexta à noite, certo? Tom disse que você não trabalha sexta-feira?" ela perguntou esperançosamente.
"É isso mesmo."
Uau. Ela realmente queria que fossemos ao cinema com eles. Olhei-a com cuidado... ou talvez ela realmente queria que Tom fosse.
"Sexta à noite, então," ela disse com um aceno de cabeça firme.
Eu olhei dos olhos suplicantes de Samantha... para os entusiasmados de Tom... para os impassíveis de Edward.
"Tudo bem. Parece divertido."
"Bella? Você está me ouvindo?" Eu pulei, me virando para encontrar a expressão divertida de Carlisle.
Era quarta-feira à noite e Carlisle e eu estávamos trabalhando em seu escritório. Pelo último par de noites ele vinha ditando notas e correspondências para mim, que eu gravei usando uma máquina de escrever incrivelmente frustrante.
Era novo em folha... supostamente "silencioso"... e eu odiava.
Ainda assim, eu peque o jeito de forma relativamente rápida, ajustando-me a necessidade de perfurar firmemente nas teclas. Não tinha uma tecla para apagar embora. Então, naquela noite eu estava repassando as páginas com uma borracha e uma caneta preta, corrigindo os eventuais erros.
"Você parece um pouco distraída esta noite," disse ele, sentado em sua cadeira e passando a mão pelos cabelos.
"Eu acho que estou, um pouco," eu admiti. Ele esperou eu dar mais detalhes.
"É só... estou confusa sobre uma coisa," eu disse, recostando-me na minha cadeira e esfregando a mão sobre meu rosto.
"O que é?" Carlisle perguntou.
"Bem, eu conheci esse homem e ele é muito desagradável."
"Como assim?"
Revirei os olhos. "Ele tem essas noções antiquadas sobre o papel da mulher na sociedade. Basicamente, ele acha que elas só são boas para serem esposas e mães."
"Não há nada de errado em ser uma esposa e mãe, Bella."
"Eu sei disso." Eu joguei minhas mãos para cima. "E eu sei que é como a maioria da sociedade se sente nos dias de hoje. Mas você parece ser diferente, Carlisle."
Ele ergueu as sobrancelhas e esperou que eu continuasse.
"Você não parece pensar menos de mim porque eu sou uma mulher. Você me trata como igual."
Carlisle apertou os lábios. "Eu tenho uma visão mais liberal, sim."
"Então, como você foi para esse caminho?" Eu perguntei, inclinando-me sobre a mesa. "Por que você vê as coisas de forma diferente do que todos os outros?"
"Bem, em primeiro lugar, eu não sou o único que se sente assim," ele corrigiu, ficando de pé e caminhando ao redor da mesa para se sentar ao meu lado. "Há um crescente segmento da sociedade que está se rebelando contra esses papéis tradicionais."
"Mas, para responder sua pergunta mais diretamente, eu acho que tenho uma perspectiva diferente... sobre a condição humana."
Eu levantei uma sobrancelha e ele sorriu levemente.
"Na minha vida, eu tive a oportunidade de observar as pessoas de perto e uma coisa que eu descobri é que todos eles são basicamente o mesmo. Todos eles têm os mesmos desejos básicos: comida, roupas, abrigo, segurança, e amor. Isso vale para homens e mulheres... de todas as idades, raças, credos e cores."
"Quando você só leva em consideração essas necessidades simples, todos nós somos o mesmo, de verdade."
"Você faz parecer tão simples," eu me inclinei para trás, esfregando o polegar sobre a minha borracha.
"É simples, realmente," ele respondeu. "Eu também vim a apreciar a força inata da mulher. Eu as vi no parto, plantadas ao lado do leito de um enfermo, consolando amigos, criando famílias e quebrando barreiras levantadas pelos homens. Já te disse que eu cheguei a conhecer Elizabeth Blackwell?"
"Quem é essa?" Eu perguntei, tentando lembrar por que o nome soava familiar.
"A primeira médica mulher," disse ele, chocado que eu não saberia. "Foi em uma conferência em Nova York, logo após ela se formar na escola de medicina."
"Na verdade, agora que você mencionou, eu me lembro de ler sobre ela," eu disse, talvez um pouco defensivamente.
"Uma mulher notável." Carlisle sorriu. "Tão corajoso e independente... na verdade muito parecida com você."
"Sério? Você acha?"
"Eu acho." Ele se levantou e voltou atrás de sua mesa. "Eu sei que pode ser frustrante Bella, mas você só tem que ser paciente com as pessoas. Explique sua posição calma e claramente e eles podem entender. A maioria deles, de qualquer maneira," disse ele com um encolher de ombros.
"Eu vou tentar." Resignada, voltei para as minhas notas digitadas, borracha preparada e pronta.
"Espere um segundo," eu disse depois de um momento, uma memória surgindo à mente. "Elizabeth Blackwell... ela não se formou como... cinqüenta anos atrás?"
Um sorriso dançou nos lábios de Carlisle, mas ele não olhou para cima de seu trabalho.
"Mais perto de 70, na verdade."
Mordi o lábio e olhei para baixo, esfregando um erro de digitação com prazer.
*A Sunday Afternoon on the Island of La Grande Jatte Por Georges Seurat http : / pics . livejournal . com /tkegl /pic /000145d9 /g1
*competição de comer torta: muito comum em festividades nos Estados Unidos, é uma competição onde o vencedor é aquele que come mais rápido uma torta sem usar as mãos.
N/T: Gostaram do capítulo? Gostaram do Edward? Não esqueçam de deixar reviews...
Até. Assim que possível posto o próximo capítulo!
