Você já se perguntou se a pessoa na poça é real, e você é apenas o reflexo dele?

~Calvin and Hobbes

Capítulo 7 – Sobre Filmes, Almoço, & Palpite de Samantha

"Então, este filme é sobre o que de qualquer maneira?" Perguntei a Tom quando vimos o bonde. Nós aceleramos nossos passos para alcançá-lo antes que ele saísse em disparada – ou rolava, estalando lentamente pela rua.

Ele pulou para dentro, oferecendo uma mão para mim. Peguei e me juntei a ele, segurando no mesmo mastro de bronze. Nós estávamos em nosso caminho para encontrar Edward e Samantha no Orpheum Theater – supostamente o teatro mais bonito em Chicago, de acordo com Maggie.

"Eu não sei por que você está indo," ela bufou quando eu lhe disse nossos planos na tarde de quinta. "O ingresso é dez centavos. Você pode descer a rua para o Castle e só pagar cinco centavos." Maggie vinha me ensinando a usar sua nova máquina de lavar roupa, e estávamos pendurando roupa em um varal no quintal.

"Não fui eu que escolhi," eu respondi, ainda chocada que um bilhete de cinema era apenas 10 centavos. "Edward e Samantha nos disse onde nos encontrar."

Maggie olhou-me com cuidado. "Edward, hein? Então, você realmente vai passar a noite com ele e sua... jovem senhorita?"

"Eles nos convidaram," eu disse, simplesmente, sacudindo uma blusa e fixando-a na linha.

"E isso é tudo sobre isso?" ela perguntou, olhando-me fixamente.

Eu me contorci um pouco sob seu controlo inflexível, em seguida, virei bruscamente, endireitando um prendedor de roupa.

Maggie cruzou os braços sobre o peito, sem dizer nada. Seu olhar nunca vacilou.

Jesus. A mulher era implacável.

"Ok, talvez..." Comecei desconfortavelmente. "Talvez... eu ache que Samantha pode possivelmente estar interessada em Tom... talvez."

"Eu vejo," disse Maggie, ainda sem piscar seus olhos inescrutáveis.

"E talvez... Tom pode estar um pouco interessado nela também."

Depois de um momento, Maggie assentiu. "Eu deduzi isso."

"O que você quer dizer?"

Ela pegou uma saia do cesto de roupa, enfiando um prendedor entre os lábios enquanto ela sacudia. "Eu notei no piquenique," ela murmurou através do pregador, antes de usá-lo para pendurar a saia. "Os dois se amam, mas não são certos um para o outro."

"Você quer dizer Edward e Samantha?" Eu não poderia evitar a onda de esperança que varreu através de mim.

"Uhum."

Eu digeri isso por um momento. "Então você acha que Tom e Samantha poderiam ser bons um para o outro?"

"Eu não sou adivinha, Bella," ela disse com um sorriso. "Mas suponho que tudo é possível."

Hesitei antes de pedir-lhe a seguinte pergunta em minha mente, em parte porque temia sua resposta.

"Você acha que eu estou me intrometendo? Você acha que é errado eu tentar juntar Tom e Samantha?"

"É claro que você está se intrometendo." Maggie se virou para mim, as mãos nos quadris e seu sotaque irlandês mais forte que o habitual. "Mas eu acho que está errado? Isso não é para eu julgar."

"Como meu querido Henry, que Deus tenha sua alma, costumava dizer, 'Tudo é justo no amor e na guerra, e soldados não lutam com palitos de dente.'"

"Eu não estou lutando com Samantha," eu disse miseravelmente. "O fato é que eu na verdade gosto dela."

"Eu sei que você gosta, querida," Maggie disse simpaticamente. "E eu não tenho palavras de sabedoria para você. Quando se trata de assuntos do coração, essa é a única coisa que você pode seguir... seu coração." Ela deu um tapinha no meu rosto e virou-se para a lavanderia.

Então, sexta à noite eu vesti o vestido amarelo pálido que eu comprei no Marshall Field's, acrescentei um chapéu branco que emprestei de Liza e parti com Tom para ver um filme mudo.

É isso mesmo. Um filme mudo.

Eu não estava tentando ser uma esnobe milenar, ou como você chama, mas a idéia de ficar sentada em um teatro para assistir atores exagerar a uma trilha sonora de órgãos? Bem, isso me deixava um pouco apática.

Quero dizer, antes de partir para esta viagem através do tempo eu tinha visto Avatar em 3-D, pelo amor de Deus.

Mas eu decidi colocar meu melhor humor, porque realmente não era sobre o filme. Tratava-se de ver Edward de novo. Era sobre colocar o meu plano para salvá-lo em ação. E para fazer isso, eu precisava parar de pular em sua garganta cada vez que ele disse algo que me incomodou.

Eu vou controlar meu temperamento.

Eu vou controlar meu temperamento.

Repeti o mantra para mim mesma de novo, e de novo conforme nós montamos o bonde e Tom me atualizou sobre o filme que estaríamos vendo.

"Eu não sei muito sobre ele, mas eu perguntei para o critico no Tribune," ele começou. "Acho que Mary Pickford interpreta uma inválida que se apaixona por um amigo da família. Ele é casado com uma mulher bêbada que contrata uma servente feia, também interpretada por Mary Pickford. A servente se apaixona pelo marido da mulher também."

"Soa como uma novela," eu murmurei.

"Uma o quê?"

"Não importa."

"Portanto, parece realmente complicado," disse Tom irritado. "Eu preferia ver um filme de Chaplin... ou talvez o novo Fatty Arbuckle*."

"Sim," eu concordei secamente. "Eu iria amar Fatty Arbuckle."

Tom me lançou um olhar confuso, em seguida, caiu na gargalhada. "Você diz as coisas mais estranhas, às vezes, Bella."

"Eu sei," eu disse, revirando os olhos.

Descemos do bonde e decidimos caminhar algumas quadras para o teatro em vez de pagar o "L". As calçadas estavam lotadas, como de costume, mas conseguimos manobrar facilmente através da multidão.

"Então, como você conheceu Edward e Samantha?" Tom perguntou casualmente... quase casualmente demais.

Eu olhei para ele, sem ter certeza de como responder. "Ele deu instruções uma vez quando eu estava perdida," disse eu, finalmente, acrescentando, "Eu não tinha encontrado Samantha até o outro dia no parque."

Ele balançou a cabeça e ficou em silêncio por um momento.

"Ele é um cavalheiro incomum... muito direto e opinativo."

Eu sorri. "Eu tenho que concordar com você nisso."

"Samantha, por outro lado, eu achei extremamente agradável e amigável," continuou ele. "Totalmente o oposto dele."

"Bem, dizem que os opostos se atraem."

"Dizem?" Ele virou para mim, seus olhos azuis curiosos. "Eu não tinha ouvido isso antes."

"Uhm... bem, de qualquer maneira, eu acho que é verdade, às vezes."

"Talvez. Mas entre mim e você, acho que eles não combinam," disse ele, voltando-se para olhar para baixo na rua.

"Você acha?"

Ele encolheu os ombros. "Edward apenas parece dominá-la. Quando ela estava longe dele, ela parecia... brilhar."

"Parece que você tem pensado muito sobre isso," eu disse maliciosamente.

Ele piscou. "Oh. Não... não é verdade. É apenas uma observação," disse ele, corando ligeiramente.

Tom limpou a garganta e mudou de assunto. "O Orpheum é virando a esquina."

Um grupo de pessoas estava aglomerada na esquina, esperando uma oportunidade para atravessar a rua. Nós fizemos nosso caminho através delas com cuidado e saímos do outro lado. Eu tropecei ligeiramente e Tom me pegou pelo braço, me firmando.

Então eu olhei para cima... e fiquei sem palavras.

O Orpheum* não era uma franquia suburbana. Era incrível.

O edifício tinha cinco andares de altura, mas a porta de entrada para o teatro era definida por um arco de dois andares de pedra entalhada e coberta de dourado, em cima tinha uma estátua sinuosa de uma deusa. "Orpheum Theater" estava escrito no arco, iluminada por luzes brilhantes e pedras brancas brilhantes. Sob o arco, um padrão de concha irradiava para fora da escultura de um pavão no centro. As palavras "Continuous Vaudeville" estavam escritas em torno da borda da concha em letras pintadas de dourado.

"Continuos Vaudeville," eu repeti, para mim mesma.

"Não mais," Tom riu. "Vaudeville está morto. Você não ouviu?"

Eu sorri ironicamente, mas não respondi.

"Eu não vejo Edward e Samantha em nenhum lugar," disse ele, esticando o pescoço para procurar na multidão em frente ao teatro. "Talvez devêssemos entrar na fila para os bilhetes, enquanto esperamos por eles."

Nós nos juntamos à fila na bilheteira e eu continuei a maravilhar-me com a extravagância do cinema. Foi um pouco triste pensar que no meu tempo, a maioria dos teatros como este tinham sido fechados e demolidos. Ninguém queria a "experiência" mais. O dinheiro estava nas franquias.

Tom tentou pagar para mim, mas eu ganhei essa batalha, entregando minha moeda de dez centavos com um sorriso irônico e pegando meu bilhete. Ficamos fora ao lado das portas de entrada e em poucos minutos vimos Edward e Samantha apressados pela rua em nossa direção.

"Desculpe nosso atraso," Edward disse irritado. "Eu não conseguia encontrar um lugar para estacionar."

Samantha andou para perto e jogou os braços em volta do meu pescoço. "Estou tão feliz que você veio!" exclamou ela. Voltei o abraço sem jeito.

Por que ela tem que ser tão boa?

"Estou contente por ter vindo também," eu disse verdadeiramente. "É bom ver você."

Ela me apertou mais uma vez antes de puxar para trás e acenando para Tom.

"Olá, Tom," disse ela timidamente, as bochechas virando uma leve sombra de rosa.

"Senhorita Swenson," ele respondeu com um sorriso e uma inclinação de cabeça.

Edward limpou a garganta e todo mundo pulou um pouco.

Jesus, Edward. Muito territorial?

"Tom já tem seus ingressos," disse eu, quebrando a tensão.

"Obrigado," Edward tirou duas moedas e deu a Tom em troca dos bilhetes. "Alguém quer pipoca antes de entrar?"

"Eles não vendem lá dentro?" Eu perguntei.

Edward me lançou um olhar curioso. "Não, mas há um carrinho* ali mesmo." Ele apontou para um carro vermelho com rodas amarelas brilhantes na rua em frente ao teatro. Um toldo listrado vermelho e branco se estendia desde o telhado, e eu podia ver pipoca, bem como amendoins torrados.

Tom e Edward cada um comprou um saco de pipoca, e nós paramos e compramos garrafas de coca a partir de outro vendedor.

"Com certeza seria conveniente ter um lugar onde você pode comprar lanches e bebidas dentro do teatro," eu disse secamente. "Eles poderiam chamá-lo de bar de petiscos... ou talvez um posto de concessão."

"Os donos de cinema não gostam da bagunça." Edward encolheu os ombros. "Eles nem sequer gostam de pessoas aqui fora vendendo, mas não há muito que eles possam fazer sobre isso."

"Ah, eu acho que eles vão mudar de ideia," eu disse maliciosamente. "Afinal, eles poderiam fazer uma fortuna vendendo lanches."

Edward zombou, "Uma fortuna? Quanto você acha que as pessoas pagariam por um saco de pipoca? Teria mais problemas do que vale a pena." Ele afastou-se murmurando, "Ridículo!"

Eu tomei uma respiração profunda.

Eu iria controlar meu temperamento.

Edward colocou a mão Samantha através de seu cotovelo e fez sinal para a entrada. "Vamos?" Ele sorriu, levando-a através das portas pesadas. Tom e eu ironicamente imitamos seu gesto e os seguimos.

O interior* do Orpheum era tão impressionante quanto o exterior. Tom e eu paramos atrás de Edward e Samantha, e eu tentei não me embasbacar com o ambiente de luxo. Andamos por um tapete vermelho de pelúcia e notei escadas ao longo de cada lado do lobby espaçoso. Depois de passar por outro conjunto de portas, chegamos a um dos dois corredores largos no piso principal. Eu assimilei filas de assentos estilo ópera de veludo vermelho escuro, em seguida, olhei para cima para encontrar varandas com vários camarotes privados, como você esperaria ver em um show da Broadway. Isso me lembrou um pouco do Teatro Paramount, em Seattle. Mas onde o glamour da Paramount foi ofuscado um pouco pela idade e história, o Orpheum ainda trazia a nova cara da juventude.

Um porteiro uniformizado se aproximou de nós. "Boa noite. Posso ajudá-los a encontrar um lugar?"

Olhei para seu uniforme vermelho, estilo militar e seu chapéu sem aba com correntes douradas, então percebi que havia pelo menos vinte idênticos porteiros se movendo para cima e para baixo pelos corredores. Ele levou-nos para quatro bancos adjacentes na metade inferior da seção central. Edward deixou Samantha sentar primeiro e Tom fez o mesmo para mim. Isso deixou Edward e eu sentados um do lado do outro.

Ok... e agora?

Eu o olhei com minha visão periférica e sua mandíbula apertou. Eu sabia que eu o irritava. Eu teria que trabalhar nisso. Se eu estava indo para salvá-lo, eu tinha que, pelo menos, levá-lo a gostar de mim primeiro.

"Você vai ao cinema com frequência?" Eu perguntei timidamente.

Ele me atirou um olhar surpreso. "Ah... sim. Às vezes. Você?"

"Claro."

Ele limpou a garganta. "Qual foi o último filme que você viu?"

Uh oh. Não diga Avatar.

Eu procurei pelo meu cérebro e decidi em algo que Tom havia dito mais cedo. "Hummm... Aquele com Charlie Chaplin?"

Ele sorriu. "Você está me perguntando ou me dizendo?"

Apertei os olhos. "Dizendo para você. Qual foi o último filme que você viu?"

"O Aventureiro."

"Era bom?"

Ele olhou para mim, as sobrancelhas arqueadas. "Me diga você. É o mais recente filme de Chaplin."

Engoli em seco e desviei o olhar. "Oh sim. Eu tinha esquecido o nome dele."

"Uhum."

Eu atirei-lhe um olhar irritado. "Você é realmente muito agravante. Você sabe disso?"

Ele mordeu a bochecha para não rir. "Você é a única que parece pensar assim."

"Eu sinceramente duvido disso."

"Bem, por algum motivo, você parece trazer o pior em mim," admitiu.

"Eu não sei por que," eu disse arrogantemente. "A maioria das pessoas me acham extraordinariamente amável."

"Amável, hein?" ele riu.

"Extraordinariamente," eu enfatizei com um olhar aguçado.

"Sem dúvida essas pessoas são as que concordam com seus pontos de vista bastante radicais da sociedade," disse ele, sua boca inclinando em um sorriso torto. Meu coração parou por um instante antes de começar a bater de novo lentamente no meu peito. Como ele ainda poderia fazer isso comigo quando eu estava tão irritada com ele?

Eu engoli, desviando o olhar daquele sorriso para que eu pudesse organizar meus pensamentos. "Edward, meus pontos de vista não são radicais. São lógicos."

"Se você diz."

Comecei a responder, mas as luzes diminuíram, indicando que o filme estava prestes a começar.

"Isso não acabou," sussurrei, e ouvi ele rir novamente.

Em seguida, as luzes se apagaram.

Eu inalei fortemente no sentimento familiar da estranha eletricidade que parecia correr por mim sempre que Edward estava próximo. Eu experimentei pela primeira vez, não muito tempo depois que nos conhecemos, durante um filme na aula de biologia do Senhor Banner. A escuridão parecia intensificar a corrente, e eu tive uma vontade quase irresistível de estender a mão e tocá-lo. Foi chocante na primeira vez, mas eu tinha um pouco mais de controle agora – eu meio que construi uma tolerância, eu acho. Ou, pelo menos, após exposição repetida eu aprendi o suficiente para me preparar contra a atração.

Ainda assim, a tentação era poderosa e eu segurei meus braços contra meu estômago, todos os músculos tensos. Eu me perguntei se Edward sentia isso em tudo, ou se era apenas parte do fascínio que eu tinha dele como um vampiro. Eu não podia ver seu rosto sem virar a cabeça, mas suas mãos estavam cerradas em cima dos joelhos, os nós dos dedos brancos. Talvez ele sentisse alguma coisa.

Eu respirei profundamente pelo nariz – tentando manter o controle – e voltei minha atenção para a tela, onde um cinejornal granulada descreveu os últimos acontecimentos na "Grande Guerra". Filmagem granulada em preto e branco e fotografias intercaladas com telas de letras brancas sobre um fundo preto descreveu uma recente ofensiva militar na Europa. Olhei ao redor e todos os olhos estavam voltados para a tela, cada rosto intenso e concentrado. A guerra evidentemente era um negócio sério.

Em seguida, um desenho animado em preto e branco de um gato pilotando um avião começou, causando explosões de riso em todo o auditório.

"Você não ama Krazy Kat*?" Tom me perguntou através de suas gargalhadas.

Eu apenas assenti com um sorriso.

O desenho foi felizmente curto, mas foi seguido de – vejam só – um cante-junto.

Isso mesmo, um cante-junto.

Deus me ajude.

A multidão adorou, porém, e a melodia de "Over There" e "It's a Long Way to Tipperary" tocou através do teatro, as palavras brilhando na tela. As notas desafinadas de Tom contrastando duramente com tons melódicos de Edward, e acima dos dois eu podia ouvir Samantha em um soprano, alto e claro.

Eu sabia que ela poderia cantar.

Eu murmurei as palavras e me encolhi no meu assento.

O ponto positivo em tudo isso era que eu estava suficientemente distraída do meu desejo de subir ao longo do braço da minha cadeira, montar Edward, e molestá-lo completamente.

Ok, eu ainda estava pensando sobre isso, mas eu estava me controlando.

Finalmente, o filme principal começou e eu tentei me concentrar na ação na tela.

Bem, eu uso o termo "ação" imprecisamente.

Eu nunca tinha visto um filme mudo antes, e no começo eu achei o estilo de atuação exagerado e a falta de... bem... diálogo, uma distração. Mas depois de um tempo, eu fui capaz de seguir. Era meio como assistir aquelas novelas espanholas quando você não fala espanhol. Você não sabia o que eles estavam dizendo, mas você entendia a essência do mesmo.

Claro que as novelas envolviam muito mais tapas na cara e beijos apaixonado – às vezes na mesma cena – mas eu tinha que dizer Stella Maris não era ruim. Mary Pickford, uma ingênua com rosto doce de fato interpretava dois papéis: Stella, a bonita, herdeira paralisada, e Unity Blake, uma empregada. Stella se apaixonou por um amigo da família chamado John. Unity trabalhou para a esposa de John, uma miserável alcoólatra chamado Louise.

Unity se apaixonou por John também, mas percebeu que ela nunca poderia tê-lo. Então, ao invés, ela assassinou Louise para Stella ficar com John, em seguida, se matou.

Ok, realmente era como uma novela.

O público explodiu em aplausos nos créditos finais e quando as luzes se acenderam, percebi Edward alongando e flexionando os dedos. Eu acho que ele ficou com os punhos cerrados durante a coisa toda.

Era bom pensar que talvez eu não fosse a única afetada pela nossa pequena conexão.

Ou talvez seus joelhos estivessem apenas frios.

Saímos do teatro conforme discutimos o filme.

"Bem, eu acho que foi terrivelmente romântico," disse Samantha sonhadora. "Pobre Unity sacrificando-se para que John e Stella pudessem ser felizes juntos. Ela era tão altruísta."

Eu bufei. Sim, eu realmente bufei.

Todos os três se viraram para olhar para mim.

"Acho que você discorda, Bella?" Edward perguntou, uma sobrancelha erguida.

"Desculpa," eu murmurei.

"Você não acha que foi romântico, Bella?" Samantha persistiu.

"Bem, não," eu disse finalmente. "Quero dizer... Eu acho que Stella e Unity eram ambas idiotas." Evitei olhar para Edward e Tom e me foquei em Samantha.

"Quero dizer pense sobre isso, Samantha – o que era tão grande sobre John? Ele concordou com os pais de Stella, quando eles decidiram isolá-la naquele quarto e não dizer nada sobre o mundo exterior para ela. Ele ficou casado com aquela bêbada abusiva, Louise. Ele não fez nada para ajudar Unity em tudo. No entanto, ele é o único que recebe o final feliz? E pobre Unity cometeu um assassinato e suicídio por um cara como esse?" Fiz uma pausa e observei o olhar pensativo de Samantha.

Esperançosa, eu continuei, "E vamos lá, depois de tudo isto, Stella acontece conseguir uma cirurgia milagrosa e pode voltar a andar, bem a tempo de andar pelo por do sol com o perdedor John? Por favor!" Eu joguei as minhas mãos em exasperação.

"Então o que você acha que deveria ter acontecido, Bella?" Edward perguntou ironicamente. "Por favor, nos ilumine."

Eu atirei-lhe um olhar irritado e voltei-me para Samantha. "Stella deveria ter contratado Unity para afasta-la de Louise. Elas poderiam ter se tornado amigas. Stella faz a cirurgia, e Voila! Ela está andando novamente. Ela ajuda Unity com uma reforma, porque vamos enfrentar, a garota poderia usar um pouco de maquiagem e um novo penteado. Elas vão para fora na cidade, encontrar dois homens interessantes e bonitos – que respeitam as mulheres como iguais..." Olhei para Edward, que revirou os olhos para mim. "Eles se apaixonam... John está preso com Louise, uma vez que eles se merecem... casamento duplo... rolam os créditos."

Samantha piscou para mim, sua boca aberta.

Olhei para Tom, que usava uma expressão similar.

E Edward caiu na gargalhada.

"Você realmente não gosta de John," observou ele, segurando o estômago em histeria.

Eu reprimi um sorriso. "Não. John é um idiota."

Isso trouxe uma nova rodada de divertimento.

Engoli uma risada. "Ele não merecia Stella ou Unity."

Ele engasgou. "E Unity precisava de um... o que você chamou? Uma... reforma?"

Eu lutei contra o riso, mas estava perdendo a batalha. "Eu sou totalmente a favor da igualdade, mas uma menina tem que pelo menos fazer um esforço." Eu finalmente cedi, rindo histericamente.

Edward não conseguia respirar. Ele estendeu a mão. "Espera... espera..." ele ofegou. "Voila!" ele gritou, jogando as mãos para o ar como um mágico.

Nós quebramos em outra rodada de riso ruidoso e me agarrei a seu braço, inclinando-se sobre ele para obter suporte.

"Para... para," eu implorei. "Minha barriga dói..."

"Talvez você precise da cirurgia milagrosa!" Edward gargalhou.

"Voila!" gritamos juntos.

Ofegando, nos inclinamos na direção do outro, tentando controlar nosso riso estridente, e viramos na direção de Tom e Samantha...

Que estavam ambos olhando para nós como se tivéssemos perdido nossas mentes.

Nós dois nos endireitamos, olhando para o outro e sufocando nossas risadas. Edward passou a mão pelos cabelos, em seguida, sobre o rosto e respirou fundo. Alisei minha saia e limpei as lágrimas dos meus olhos.

"Você está bem?" Samantha perguntou.

"Tudo bem," eu respondi com um encolher de ombros e uma risada quebrada.

Ela olhou para frente e para trás entre Edward e eu. "Talvez devêssemos ir encontrar o carro," ela ofereceu, hesitante, tocando o braço de Edward.

Edward acenou com a cabeça, em seguida, adicionou para Tom e eu, "Nós ficaremos felizes em dar uma carona para a pensão."

"Não é fora do seu caminho?" Eu perguntei.

Samantha ignorou meu comentário com um aceno. "Oh, não é nada," disse ela, "e o carro a motor de Edward tem espaço de sobra. Vamos lá, você não quer pegar o bonde à noite." Ela enganchou o braço no meu e me puxou pela rua.

"Nós tivemos que estacionar alguns quarteirões de distância, mas é uma noite quente. Vai ser bom andar," disse ela com um sorriso.

Demos alguns passos longe dos caras e ela se virou para mim com um sorriso cúmplice. "Sabe, Bella," ela disse calmamente, "Eu gostei mais do seu filme."

Sorri para ela.

"Você é diferente de qualquer pessoa que eu conheço," acrescentou.

"Eu aposto que sim," eu disse sarcasticamente.

"Eu não quero dizer de uma maneira ruim," ela me corrigiu. "Você apenas tem todas essas ideias estranhas, mas de alguma forma quando você fala sobre elas... elas não parecem tão... estranhas."

"Obrigada... eu acho," eu disse com um sorriso.

Samantha olhou para Tom e Edward andando atrás de nós. Convencida de que eles não podiam ouvir nossa conversa, ela continuou. "Eu acho que eu gostaria de ir para a faculdade," ela sussurrou.

"Sério, Samantha? Isso é maravilhoso!"

"Ainda não decidi... e eu não disse nada aos meus pais... ou Edward. Eu não sei como eles reagiriam."

Eu pensei por um momento. "Um amigo meu recentemente me deu alguns conselhos que eu acho que se aplicam aqui, "Basta ter paciência. Diga o que quer com calma e claramente. "Eles vão entender eventualmente."

"Você acha?" ela perguntou ceticamente.

"Sim, eu acho."

"Eu comentei com Tom," disse ela, ruborizando ligeiramente. "Ele pensou que era uma ótima ideia."

"Tom é um cara inteligente."

"Vocês estão falando sobre o que meninas?" Edward perguntou, quando os dois nos alcançaram.

"Nada demais," eu disse alegremente, e então um panfleto na lateral de um prédio de tijolos me chamou a atenção. Fui até lá para ver mais de perto, trazendo Samantha comigo. Eu podia sentir o rolar de olhos mental de Tom e Edward antes que eles nos seguiram com relutância.

"Um encontro sufrágio*," Eu li cuidadosamente, virando-me para Samantha com um começo. "Mulheres não podem votar?"

Samantha me olhou atentamente. "Bem, em algumas eleições, sim, mas não em todas. É por isso que há um movimento de sufrágio."

O "der" parecia implícito.

Isso era incrível. Minha mente voltou para o artigo que eu havia lido na sala de espera do hospital na minha primeira noite aqui. Eu estava tão ocupada tentando descobrir o que era real e o que não era que eu não tinha nem mesmo realmente percebido que eu estava lendo sobre o movimento sufragista – escrito por alguém que tinha experimentado em primeira mão. Eu não lembrava exatamente quando isso acontecia, mas eu sabia que a emenda constitucional garantindo às mulheres o voto iria passar em breve... dentro de um ano ou dois. Deixando de lado meu principal motivo para viajar a 1918, eu descobri que não podia resistir à tentação de participar de um pouco da história.

"Temos que ir a este encontro," eu disse a Samantha com firmeza.

"Você é uma sufragista também?" Edward perguntou com desdém.

"Você diz isso como se fosse um palavrão," eu bati de volta.

"Parece apenas que nunca é suficiente para vocês," ele cuspiu de volta. "A legislatura de Illinois já deu o vota às mulheres anos atrás."

"Na verdade, Edward," Samantha interrompeu calmamente, "isso é só para algumas eleições. As mulheres neste estado ainda não estão autorizadas a votar para representantes do Estado ou governador. E ainda temos que usar cédulas e urnas separadas."

"Isso é ridículo!" Exclamei, indignada, só tardiamente percebendo Edward olhando para Samantha em estado de choque. Acho que ele não estava acostumado a ela se manifestar.

"O que é ridículo é a ideia de uma emenda constitucional – você percebe que o que essas mulheres querem, certo? Elas querem mudar a Constituição!" Edward fervilhava. "É uma mentalidade de gentalha – e agora você está arrastando Samantha para esta loucura."

"Agora Edward..." Samantha começou.

"Arrastando Samantha?" Eu gritei. "Eu não vou arrastá-la em qualquer lugar! Eu simplesmente não posso acreditar que alguém seria contra a ideia de mulheres votando." Eu olhei pra ele, meus olhos arregalados, e vi ele movimente seu olhar entre nós duas, antes que ele falou, um pouco mais calmo.

"Não é que eu tenha algo contra isso por si só," ele respondeu, como se estivesse tentando acalmar uma criança pequena. "É só que eu acho que é desnecessário."

Eu fiquei boquiaberta. "Como você pode até dizer isso?"

Ele estava tentando manter a compostura, mas eu vi o músculo em sua mandíbula apertar. "O marido de uma mulher representa a família inteira. O voto dele faz isso também."

"E uma mulher que não é casada... ou se ela discorda com o marido?" Minha frequência cardíaca estava acelerando novamente.

"Bem, então é apenas um desperdício de dois votos." Ele jogou as mãos no ar, qualquer fachada de calmo, irremediavelmente quebrada. "Ela e o marido se anulam mutuamente."

"Esse não é o ponto, Edward!" Eu argumentei.

"Bem, qual é o ponto, Bella?" Ele imitou o meu tom.

Eu tomei uma respiração profunda. Seja paciente. Fique fria. "Edward, você acha que as mulheres são menos inteligentes que os homens?"

Ele hesitou por alguns instantes. "Não..."

"Ok, você acha que elas têm a capacidade de tornar-se tão informadas sobre os acontecimentos como os homens? Que elas podem ler o jornal... ouvir discursos e absorver os fatos?"

Ele lançou um olhar para Tom, que apenas deu de ombros em resposta.

Nenhuma ajuda aí, camarada.

"Sim," ele disse finalmente.

"Você acha que mulheres têm suas próprias opiniões sobre acontecimentos?"

Ele sorriu. "Acho que você é prova suficiente disso."

"Ok, eu vou te dar essa." Dei de ombros e continuei. "Assim, dado tudo isso, você não acha que uma mulher tem tanto direito de expressar sua opinião quando se trata de política? Quero dizer, as decisões tomadas pelo nosso governo afetam as mulheres tanto quanto os homens, não é?"

Edward pensou por um momento. "Acho que sim," ele disse lentamente, "se ela realmente quiser."

Vitória!

"Então, Bella," ele continuou. "Quem você está apoiando na eleição deste outono?"

Merda.

"Um... democratas?"

Edward gargalhou.

"Ei, eu sou nova na cidade. Estou pensando em ficar totalmente familiarizada com os candidatos e os problemas," eu disse defensivamente. "E quando chegar a hora, eu estarei informada e pronta."

"Falou como uma verdadeira sufragista." Edward sorriu.

"Malditamente correto."

"Você tem uma boca muito suja para uma dama," disse ele censurando.

"Bem, um verdadeiro cavalheiro não iria indicá-lo... é rude," retorqui.

"Ok, ok," Tom interrompeu. "Será que podemos ir para o carro? Vocês dois estão me dando uma dor de cabeça!"

Edward e eu sorrimos um para o outro antes de continuar nosso caminho, e eu não poderia deixar de sentir como se eu tivesse feito finalmente algum progresso.

x-x

Eu acho que posso estar enlouquecendo.

Claro, se eu contasse a alguém o que eu tinha passado nestas duas últimas semanas, sem dúvida, eles concordariam, mas a viagem no tempo não era o que eu estava me referindo.

Eram as visões... e as vozes.

Bem, só uma voz realmente: a de Alice.

Ela continuou a invadir meus sonhos, que por si só não seria tão preocupante. Quero dizer, você não pode controlar seus sonhos, afinal de contas.

Mas não eram apenas sonhos mais.

Eu comecei a ouvir, e – em duas ocasiões – ver Alice quando eu estava acordada.

Não é que as visões eram assustadoras, na verdade. Quero dizer Alice nunca poderia ser assustadora. Foi tão... inquietante.

Ela sempre dizia a mesma coisa – chamava meu nome, como se ela estivesse procurando por mim, então ela me implorava para voltar. Eu não sabia se ela era um produto do meu subconsciente tentando chamar-me de volta para meu tempo de verdade... ou destino, ou Deus, ou alguém estava tentando me enviar algum tipo de mensagem. O problema era que eu não tinha ideia do que fazer com essa mensagem.

Então, pela maior parte, eu tentei ignorar.

Domingo de manhã, Maggie estava me ensinando como fazer pão. Eu tinha feito isso antes, mas com uma mistura e uma máquina de fazer pão – por isso não conta realmente. Estávamos amassando a massa lado a lado na mesa da cozinha quando ouvi Alice me chamando.

No reflexo, eu me virei na direção da voz. Então, rapidamente, eu tentei fingir que eu não tinha.

"Algo de errado, querida?" Maggie perguntou.

"Não, nada," respondi, amassando mais forte.

A voz continuou a me chamar e eu amassei... e ignorei.

Então eu peguei um flash de movimento à minha direita e virei para ver o rosto de Alice refletido na janela da cozinha. Deixei a massa no chão e suspirei.

"Bella! Você tem que voltar!" ela gritou, então o reflexo desapareceu e tudo o que vi foram as árvores no quintal.

"Bella!" Maggie me segurava pelo ombro, me sacudindo. "Bella! O que foi?"

Eu pisquei. "Nada... não é nada."

Ela me conduziu para uma cadeira e eu me joguei nela.

"Isso não era nada. Você parecia que tinha visto um fantasma!" exclamou ela.

Eu ri sem graça. "Você não tem ideia."

Maggie limpou as mãos em uma toalha e se sentou na minha frente, olhando nos meus olhos intensamente. Desviei o olhar e suspirei.

"Tudo bem, você não tem que me dizer," disse ela, inclinando-se para pegar minha massa desperdiçada e jogá-la na lata de lixo. Eu poderia dizer que ela ficou magoada.

Levantei-me e joguei meus braços em torno dela. "Maggie, me desculpe. Realmente, eu não posso falar sobre isso. Acredite em mim, quando eu puder, você será a primeira, a saber."

Ela deu um tapinha na minha mão e mudou de assunto. "Então, você gostou do filme na noite passada?"

Dei de ombros. "Era bom. Um pouco deprimente."

"Sim, ouvi falar desse filme. Parecia deprimente." Ela me olhou especulativamente. "Como estava Edward?"

Eu soquei a massa dela. "Agravante, como sempre. Mas acho que ele vai mudar."

Ela sorriu e estava prestes a dizer algo quando a campainha tocou.

"Quero saber quem que poderia ser," ela murmurou, enxugando as mãos no avental, ela caminhou até a porta. Um momento depois, ela me chamou.

Saí da cozinha para encontrar Samantha de pé timidamente na sala de estar.

"Olá, Bella, me desculpe apenas por vir sem ligar primeiro. Eu teria ligado, mas eu não sabia o número e eu não conseguia lembrar o sobrenome de Maggie, então eu não poderia encontrar no diretório. Não havia Pensão da Maggie na lista..." ela divagou nervosamente.

"Samantha, está tudo bem." Eu ri. "Fico feliz em ver você."

"Oh, bom... obrigada." Ela sorriu, visivelmente aliviada.

Nossa, eu era tão assustadora?

"Hummm... Nós estávamos apenas fazendo pão. Você quer ir à cozinha?"

"Ah... não... obrigada." Ela parecia perturbada novamente. "Na verdade, eu queria saber se você esta livre para o almoço?"

Almoço? Isto era... estranho.

"Bem, eu estava ajudando Maggie..." eu hesitei.

"Bobagem!" Maggie interrompeu. "Vá para o almoço com sua amiga." Ela me lançou um olhar aguçado e eu desviei o olhar. "Tenho certeza que vocês tem muito a falar."

"Umm... tudo bem." Olhei para minhas mãos farinhentas. "Apenas deixe eu me limpar um pouco e eu já volto."

Samantha sentou no sofá pequeno perto da porta da frente, e eu tirei meu avental conforme subi as escadas. Depois de lavar as mãos e espirrar um pouco de água fresca em meu rosto, eu examinei minha aparência no espelho. Arrumei meu cabelo e dei de ombros. Realmente não importa de qualquer maneira. Ninguém sequer me notaria sentada ao lado da glória que era Samantha.

Caminhamos para o centro da cidade e paramos no pequeno café que eu tinha visto no meu primeiro dia em Chicago. Nós compramos sanduíches e café e nos sentamos em uma mesinha do lado de fora, vendo a multidão passar.

Olhei para Samantha com o canto do meu olho quando mordi meu sanduíche. Nós conversamos sobre nada, mas temas superficiais desde que saímos da pensão, mas eu tinha a sensação de que havia algo em sua mente. Ela evitou meu olhar enquanto tomava um gole de seu café, olhando para a rua.

"É um dia lindo," disse ela finalmente.

Eu sorri. O tempo, hein? Eu decidi que iria jogar junto e ver quanto tempo levou para ela chegar ao ponto.

"Sim, lindo," eu concordei.

"O sol é tão quente." Ela esticou as pernas um pouco e vi um garçom notar apreciativamente.

"Quente... e brilhante..." Eu adicionei.

"Sim, é brilhante... mas não muito brilhante."

"Não," eu quase ri, "definitivamente apenas brilhante o suficiente."

"Sim, é perfeito."

Ok, eu não aguentava mais.

"Samantha," eu disse com firmeza.

"Sim?"

"O que está acontecendo?"

"O que você quer dizer?" perguntou ela, então ela corou, virando-se abruptamente.

"Você veio todo o caminho até aqui para me ver... e nós não fizemos nada, além de falar sobre o tempo durante os últimos vinte minutos."

"Nós conversamos sobre mais do que o tempo," disse ela na defensiva. "Eu... disse que você tinha... um chapéu legal."

Eu ri. "Oh, obrigada por me corrigir."

Ela sorriu de volta, depois desviou o olhar e eu esperei.

"É só... Eu queria falar com você sobre uma coisa...," ela disse, finalmente.

"Eu adivinhei."

"Mas é um pouco... pessoal."

Sorri para ela, "Samantha, está tudo bem. Você pode falar comigo. Eu a considero uma amiga."

E eu realmente considerava. Apesar de toda sua perfeição radiante, você não poderia evitar, mas gostar da menina.

"Sério?" Ela se animou. "Eu sei que nós nos conhecemos há pouco tempo, mas eu penso em você como uma amiga também."

Eu coloquei meu sanduíche no meu prato e limpei minha boca com um guardanapo. "Então por que você não me diz do que tudo isso se trata."

Ela hesitou apenas brevemente antes de perguntar, "Bella, quanto tempo você conhece Tom?"

Eu sorri. "Não muito tempo realmente, eu acho... algumas semanas. Ele foi a primeira pessoa que encontrei na cidade. Mas nós apenas... encaixamos... eu acho que você diria." Em seu olhar confuso, eu adicionei, "...como peças de um quebra-cabeça."

"Oh." Ela pareceu um pouco desapontada. "Portanto, você gosta dele, então."

"Claro, ele é um grande cara."

"Oh." ela parecia esmagada... como se alguém tinha acabado de atropelar seu filhote de cachorro.

Oh.

Oh.

"Samantha, não é assim," eu corrigi rapidamente. "Tom e eu somos apenas amigos. Não há nada de romântico de nenhuma forma."

"Sério?" Ela brilhou, depois corou. "Quero dizer, não que seja da minha conta."

"Está tudo bem se você gosta dele," eu disse encorajadora. Eu tinha decidido não empurrá-los juntos, mas se eles já estavam nesse caminho eu poderia ajudar certo?

"Eu gosto dele," ela admitiu. "Ele é inteligente e engraçado... e ele gosta que eu queira ir para a faculdade. Ele acha que eu sou interessante."

"Você é interessante, Samantha."

"Eu nunca costumei pensar assim", disse ela tristemente, olhando para a rua. "Eu sei que sou... bonita."

"Você é muito mais do que bonita."

Ela ofereceu-me um pequeno sorriso. "Obrigada, mas eu não estava procurando um elogio, e eu não sei como dizer isso sem soar pretensiosa. Quero dizer, não é como se eu fiz alguma coisa para ser bonita. É só como eu pareço. É como eu nasci. É... nada na verdade."

"Mas as pessoas olham para mim e veem o meu rosto... e minhas roupas... e o dinheiro da minha família... e eles têm certas... expectativas."

Pela primeira vez, senti um pouco de pena de Samantha. "Que tipo de expectativas?" Eu perguntei calmamente.

"Oh, que eu sou vaidosa... ou pretensiosa... ou estúpida," ela encolheu os ombros. "Eu tenho que ser... a minha mãe. Eu deveria me casar, construir uma família, fazer trabalhos de caridade, e decorar o braço do meu marido em eventos públicos."

"Eu tive a impressão de que era o que você queria."

Ela encolheu os ombros. "Eu pensava que era. Eu nunca tinha imaginado qualquer outra coisa. Mas agora..." Sua voz sumiu e ela parecia perdida em pensamentos.

"Agora?"

Samantha se virou para mim, "Agora eu acho que quero algo mais... e eu não sei exatamente o que fazer sobre isso. Eu não posso falar com a minha família... minha mãe não iria entender. Mas eu pensei que você entenderia."

Eu balancei a cabeça. "Eu entendo. Acredite em mim, eu faço. Então, o que você quer?"

Ela mordeu o lábio. "Eu estive pensando que eu gostaria... de ser uma enfermeira. Eu quero fazer alguma coisa... importante. Eu poderia me juntar a Cruz Vermelha e ajudar nos esforços de guerra."

"Isso soa perigoso, Samantha," eu disse, de repente preocupada.

Ela sentou-se um pouco mais reto. "Eu não sou frágil, Bella. Eu posso ajudar. Eu posso fazer uma diferença real. Não apenas em almoços de angariação de fundos, mas onde realmente importa."

Eu balancei a cabeça novamente, mortificada, e preenchida com um novo respeito por Samantha. Eu sabia que a guerra acabaria muito antes de Samantha terminar o ensino de enfermagem, mas eu admirava a coragem dela, no entanto.

"O que você acha?" perguntou ela, franzindo o cenho incerta.

"Eu acho que... Eu acho que é incrível, Samantha," eu disse a verdade. "Eu acho que você faria uma enfermeira maravilhosa."

Ela abriu um grande sorriso e puxou um pedaço de papel para fora da bolsa. "Eu já tenho um aplicativo para a Escola de Illinois de Treinamento para Enfermeiras," disse ela, desdobrando o papel. "Eu tenho que apresentar o pedido até o final do mês para estar na classe de entrada deste outono."

Eu corri os olhos pela aplicação que ela me mostrou e entreguei de volta para ela.

"E seus pais? Você tem que dizer-lhes sobre isso." Hesitei em fazer a próxima pergunta, mas segui em frente. "E quanto a Edward?"

"Edward," ela suspirou. "Eu amo Edward. Você sabe disso. Eu sempre pensei que ficaríamos juntos para sempre."

"Você não pensa isso agora?" Eu perguntei, esperança inchando no meu peito.

Ela sorriu para mim. "Edward seria... simples."

Eu bufei. "Eu não acho que haja nada simples sobre Edward."

"Não, não é isso que eu quero dizer," ela corrigiu. "Edward é... uma daquelas expectativas que eu estava falando. Eu disse que nós conhecemos uns aos outros as nossas vidas inteiras. Todo mundo espera que nós vamos casar algum dia. Seria fácil ir junto com isso. Provavelmente ajudaria minha família a aceitar minha decisão de ir à escola de enfermagem se eu apenas fosse em frente e me casasse com Edward."

"Será que Edward aceitaria? Parece que ele seria um pouco... resistente à ideia."

"Talvez no início." Samantha sorriu. "Mas acho que ele mudaria de ideia eventualmente, embora não há nenhuma maneira que ele jamais me deixaria ir para a guerra." Nós compartilhamos um sorriso sarcástico e ela continuou, "eu não sei. Eu nunca contradisse Edward."

"Sério? Eu não consigo fazer mais nada além disso." Eu ri.

"Eu percebi." Ela sorriu, depois ficou séria e disse calmamente, "Eu posso ver nossas vidas juntos, você sabe. Seria... agradável. Teríamos crianças... uma bela casa. Nós sempre nos demos bem. Nós quase nunca discordamos. Ele seria confortável, mas..." Sua voz foi sumindo.

"Mas o quê?"

"Mas desde que eu conheci Tom, eu não tenho certeza se é isso que eu quero mais," ela admitiu. "Eu não tenho certeza que Edward é o que eu quero. E eu estou realmente questionando se nós seriamos certos um para o outro." Ela se inclinou para mim um pouco, como se preocupada se seríamos ouvidas.

"E você acha que você e Tom podem ser bons um para o outro?" Eu perguntei.

Ela corou. "Eu não sei com certeza, mas acho que sim. O que você acha que eu deveria fazer?"

Minha cadela interior estava cantando, "Deixe Edward! Deixe Edward! Deixe Edward!"

"Eu não posso te dizer o que fazer, Samantha," eu disse, optando pela coisa certa. "Mas eu acho que você precisa ser honesto com todos os envolvidos."

Ela assentiu com a cabeça. "Eu sei. Eu preciso falar com Edward. Não é justo para eu continuar a gastar tempo com ele quando eu tenho esses sentimentos por Tom." Ela me olhou com cuidado. "Eu tenho uma sensação de que ele não vai ficar tão desapontado, apesar de tudo."

"Por que você diz isso?"

Samantha sorriu. "Eu não sou o que Edward quer, Bella. Mesmo que ele não percebeu isso ainda, eu não sou o que ele precisa."

"Samantha... você é basicamente perfeita."

"Bella, eu estou longe de ser perfeita, mas não é isso que eu quero dizer." Ela sentou-se, tomando um gole de seu café morno. "Edward tem... personalidade forte."

"Isso é colocar no mínimo," Eu zombei.

Samantha me ignorou, continuando, "Ele precisa de alguém tão forte quanto ele. Ele precisa de alguém que o desafie... alguém que o coloque em seu lugar de vez em quando." Ela parou por um momento e depois acrescentou baixinho, "Ele precisa de alguém como você."

Eu havia pegado meu sanduíche e fiz uma pausa prestes a dar uma mordida. "Samantha, Edward mal pode suportar estar na mesma sala que eu. Tudo o que fazemos é discutir."

"Vocês pareceram gostar um do outro na noite passada. Vocês não conseguiam parar de rir."

"Um momento muito atípico em nosso relacionamento," eu disse bruscamente. "Confie em mim. Edward pensa que eu sou uma radical imprudente. Nós não concordamos em nada."

"Isso é o que ele precisa, Bella," Samantha disse apaixonadamente. "Você o estimula... ele nunca conheceu ninguém como você antes."

Eu mastiguei meu sanduíche e não disse nada por um momento. Eu estava tão frustrada com meu progresso, ou falta dele, quando o assunto era meu relacionamento com Edward. Mas poderia Samantha estar certa? Será que ele realmente gosta do nosso boxe verbal?

"Você realmente acha que ele gosta de mim?"

Samantha sorriu conscientemente. "Ele gosta... mas eu não acho que ele captou isso ainda." Ela fez uma pausa. "Você gosta dele, não é?"

"Eu não sei se eu diria que eu gosto dele," eu admiti. "Ele é arrogante e chato e quase me deixa louca..." Lutei por uma maneira de explicar a minha conexão com Edward. "Mas eu tenho que admitir... eu sou... atraída por ele."

"Ele é atraído por você também."

"Sério?"

"Eu vi o jeito que ele olha para você quando ele pensa que ninguém está olhando," ela revelou. "Você o confundi... mas você também o intriga."

"Edward sempre teve uma incrível capacidade de ler as pessoas." Samantha mordeu o lábio, escolhendo cuidadosamente as palavras. "É incrível, realmente. Ele quase pode prever como eles vão reagir em determinadas situações. Maior parte do tempo ele sabe o que eu vou dizer antes mesmo de eu abrir minha boca," admitiu ela com ironia.

Eu sorri um pouco com isso, mas não interrompi.

"Mas você testa os instintos dele, Bella. Ele não tem ideia do que você está pensando. Você é imprevisível... um enigma fascinante que ele não tem certeza de como resolver... e um enigma que eu duvido que ele vá ser capaz de desistir."

Eu absorvi essas informações em silêncio, enquanto Samantha terminou seu café e limpou a boca.

"Você está pronta para ir?" perguntou ela.

Eu balancei a cabeça e deixamos o café, andando calmamente de volta para a pensão.

"Oh!" Samantha exclamou quando nos aproximávamos nos degraus da frente. "Você tem que vir a minha festa de aniversário no próximo sábado."

"Seu aniversário?" Eu sorri. "Com certeza, eu adoraria ir."

Samantha sorriu maliciosamente. "É claro, que você deve trazer Tom."

Voltei seu sorriso. "É claro."

"E Edward vai estar lá...," disse ela, batendo os dedos em seus lábios.

"Samantha, tenho a sensação mais estranha que você está planejando alguma coisa."

Samantha riu quando ela se virou para caminhar de volta pela rua.

"Eu estou me tornando uma mulher moderna, Bella," ela gritou de volta para mim. "Você não percebe que sempre temos um plano?"

XX


*Orpheum Theater: ic . pics . livejournal tkegl/ 24048797/ 1747/ 1747_original . jpg

*Dentro do Teatro: ic . pics . livejournal tkegl/ 24048797/ 2017/ 2017_original . jpg

*Carrinho de Pipoca: ic . pics . livejournal tkegl/ 24048797/ 2163/ 2163_orignal . jpg

*Fatty Arbuckle: (no Brasil, Chico Bóia) Foi um comediante do cinema mudo norte-americano, diretor e roteirista.

*Krazy Kat: foi um título de uma tira de jornal criada por George Herriman e publicada nos jornais norte-americanos entre 1913 e 1944. A banda desenhada foi animada por diversas vezes. Os curtas mais antigos de Krazy Kat foram produzidos em 1916. (Eu achei alguns desses curtas animados de Krazy Kat no youtube para quem estiver interessado).

*Sufrágio: é definido como a manifestação direta ou indireta do assentimento ou não assentimento de uma determinada proposição feita ao eleitor. No contexto da fic o termo se refere ao fato de naquele tempo mulheres não podiam votar livremente. Ainda vai ter muita coisa sobre esse assunto durante a fic e eu explico melhor conforme for acontecendo.