TEMPO, TEMPO... NÃO ME DEIXE SOZINHA, NÃO ME DEIXE DESISTIR
O tempo passa. Mesmo quando isso parece impossível. Mesmo quando você não se sente mais viva e parece que seu coração foi arrancado violentamente do peito. Mesmo quando sua vida se torna irreconhecível para você mesma e tudo parece cinza e fúnebre. E mesmo, também, quando você toma uma decisão que a faça se arrepender toda a noite.
Ele passa desigual, em estranhos solavancos e levando a calmaria embora, mas ele passa. Mesmo para mim.
O tempo havia se tornado meu amigo, meu guru. Eu nunca mais o xingaria nem o mandaria para aquele lugar... Ele havia se tornado meu refúgio, meu templo. Ele havia me ajudado, porque apenas ele havia me ensinado com tudo isso. Apenas ele havia me ensinado a ter calma e prosseguir, nem sempre firme, adiante.
E, mais importante de tudo, ele havia passado. Ele não havia parado eternamente, não havia me parado eternamente, como a maioria das coisas em minha vida. Ele foi a única coisa que continuou, mesmo quando eu não quis continuar, e me obrigou a olhar para o futuro e ver uma chance, seja ela qual fosse. Ele não esperou eu estar pronta ou eu me recuperar. Mas foi por ele, justamente ele, que me fez deixar a maioria pra trás. Apenas a maioria...
Qualquer um diria "a maioria é melhor do que nada, não?". Bem, é verdade. Porém, era essa pequena parte, quase minúscula, microscópica, da minha existência, que ainda me assombrava e me fazia chorar e me desgastar por noites à fio.
Mas ele passa... e ele ainda passava e isso me consolava até certo ponto. Me consolava quando eu fazia planos para tudo acabar, para eu acabar.
Ele às vezes quase me fazia esquecer de tudo. Quase.
No fim, ele era uma benção.
No momento presente eu me olhava no espelho, ou talvez através dele. Foquei meu rosto novamente, tentando o máximo que eu podia não me distrair mais uma vez em divagações infrutíferas. A maquiagem estava feita. Estava razoável. Infelizmente ela não podia me mudar, me transformar numa desconhecida, até para mim mesma.
Queria me ver no espelho e não ver o reflexo dele refletido no meu. Queria poder tirá-lo de uma vez da minha vida, arrancá-lo, apagá-lo. Talvez isso fizesse eu sofrer menos. Talvez...
Mas o que seriam das lembranças, das minhas lembranças, das nossas lembranças? Dos seus beijos, dos seus abraços, dos passeios no parque e das aulas de reforço? O que seriam das minhas lembranças dos seus doces olhos cor de chocolate derretido, de seus cabelos lisos e grossos percorrendo meus dedos finos e do seu sorriso despretensioso e cálido? A verdade é que eu não queria esquecê-lo, mas também não queria lembrar-me dele. Doía muito, machucava muito.
E o mundo não faria sentido sem ele...
Eu sentia saudades. Tinha vontade de voltar, pegar o primeiro avião pra casa, correr para seu prédio, implorar para seu porteiro me deixar entrar e suplicar a ele para me aceitar de volta como se nada tivesse acontecido.
Mas então do que serviriam todos os esforços durante esse tempo todo? Dizer-lhe o que eu não queria ter dito e mentir fazendo isso, mentir pra ele e principalmente mentir pra mim, e passar tanto tempo maquiando a dor, a saudades, o sofrimento... Não, eu não faria isso. Não voltaria, nem pediria desculpas ou imploraria pra ficar.
Ele tinha uma vida e eu tinha que seguir a minha.
Agora tudo era um borrão. Não sei se eu me arrependia ou, se tivesse chance de mudar alguma coisa, realmente mudaria. Estava feito.
Caminhei devagar até minha cama e sentei ainda longe dali. Suguei o ar, lutando contra a dor que esmagava meu coração despedaçado e abria meu peito em chamas. Alisei meu vestido, sentindo cada flor do seu delicado bordado.
O tempo havia passado e estava na hora.
Tirei meu robe champanhe e pequei o vestido, deixando o tecido fluido escorregar pelo meu corpo nu...
Teeeenso! Hahahahaha adoro fazer capítulos tensos! ;D
Volta às aulas, preguiça, muito trabalho pela frente e você não vê a hora de chegar as férias de novo? Acredite, eu me encontro na mesma situação que você! Por isso me apoie pelo menos me mandando uma reviewzinha, porque uma das poucas coisas que eu tenho prazer de fazer é escrever uma fanfic! Kkkkkkkkk #apeleichon!
E, para quem tiver tido dúvida, a história oficialmente começa depois da volta de Dan para L.A., que ficou viajando durante oito meses. O prólogo (que está como chapter 1) conta a primeira vez que ele viu Iris (isso antes de ele viajar) e faz um apanhado geral sobre como a história acaba (ou seja, é como se a história já tivesse acabado e ele contasse pra gente). #ficadica :P
Gente (se tiver alguém lendo...), se tiver chato ou entediante ou vocês não estiverem entendendo (porque cada capítulo eu vou mudar o ponto de vista), me avisem!
Ah, e descubram quem narrou esse capítulo e me digam!
*ansiosa para ler "A Ascensão dos Vesper"
