I've found a reason for me

Astoria admirava-se no espelho sorridente enquanto o pequenino elfo fechava seu vestido. Era o vestido mais lindo do mundo, digno de uma princesa. A saia era volumosa, porem sem grandes exageros, e contava com uma longa cauda. Era justo até a cintura e possuía duas grossas alças, o decote era em formato de coração. A maquiagem era delicada. E o cabelo estava preso num coque que mais parecia um emaranhado de cachos e tranças. "Merlin..", Agtha Greengrass parecia estar tendo uma visão do paraíso. Ao contrario de Daphne que usou um vestido simples e teve um casamento, para os padrões dos Greengrass, havia sido até mesmo simples. Por isso, a visão de Astoria vestida de princesa fazia com que a mulher fosse ao céu. "Como você está linda..", suspirou a loira mais velha que ainda estava a beira das lágrimas. "Ow.. você está uma princesa..", murmurou Daphne que entrou no quarto acompanhada da pequena Charlote, sua filha com Blaise. Agtha dispensou o elfo com um aceno de mão e, com a ajuda de Daphne, colocou uma tiara de diamantes nos cabelos da caçula. "Nós precisamos ter uma conversa..", murmurou a mais velha muito séria e ficando com as bochechas coradas, aquilo foi o suficiente para o coração de Astoria errar uma batida. "Mamãe.. Astoria não é nenhuma menininha..", ralhou Daphne achando graça da situação. "Ela não é você, Daph.. ela não está casando gravida!", respondeu a mulher fazendo Daphne bufar e sentar-se na cama com a filha. A pequenina usava um vestido azul muito claro, enquanto a mãe usava um azul escuro. Astoria mordeu o lábio inferior. Seu período estava atrasado. Ela estava desconfiada de que estava gravida, mas morreria antes de contar para a mãe. "A primeira noite de um homem e uma mulher.. geralmente é.. dolorosa..", começou a mulher que parecia a ponto de explodir de tão corada. "Mamãe, pare.. ou Astoria vai sair correndo daqui..", provocou Daphne. "Não pense muito..", disse a irmã mais velha e a olhou séria. "Deixe o seu corpo lhe guiar.. não pense na dor!", Daphne disse retocando o blush da irmã caçula. Pela primeira vez, em muito tempo, Daphne estava agindo como uma irmã mais velha de verdade. "Obrigada, Daph..", Astoria murmurou com um sorriso. Ao contrario das noivas normais ela não estava nervosa e nem estressada. Ela sabia o que estava fazendo. Não existia nenhuma dúvida, ela sabia o que queria. Ela queria Draco. Ela caminhou entre todas aquelas pessoas de braços dados com seu pai. E então o viu. Draco parecia estar sonhando ao ver Astoria vir em sua direção, ela estava perfeita. Thomas Greengrass a entregou para ele, mal conseguiam ouvir o que o celebrante falava. Tudo o que eles conseguiam pensar era que agora eles seriam marido e mulher. Eles cumprimentaram todos os presentes até um deles se destacar na multidão. "O que você está fazendo aqui..?", Draco parecia furioso ao ver o próprio pai entre os convidados. "Draco.. calma..", Astoria murmurou. "Eu apenas queria ver com meus próprios olhos..", Lucius disse calmamente dando ombros. "Desejo que tenham herdeiros logo..", disse o homem de forma maliciosa e Astoria sentiu-se mal com o olhar que ele lhe deu. "Acho que já soube Draco, Harry Potter teve o primeiro.. um menino..", o homem disse de forma maliciosa e o coração de Astoria se apertou. Lembrava-se da pressão que a mãe havia sofrido. Depois de ter duas meninas, ela ainda tentou mais duas vezes, porém as crianças não vingaram. "Sua mãe teve duas meninas, não foi Astoria?", perguntou o loiro mais velho com a voz cheia de malicia. "E sua irmã teve uma menina também, não é?", o sorriso cruel de Lucius a feriu. "Minha mãe veio de uma família de três filhas mulheres e eu estou aqui..", Draco respondeu abraçando a esposa. "E se tivermos uma menina.. não vejo problema algum nisso!", o loiro respirou profundamente. "Agora, a não ser que o senhor queira ser retirado daqui a força, se retire!", disse puxando Astoria para dançar. A música era lenta, ele beijou a testa dela de forma delicada. A menina estava preocupada. "Não pense nele..", Draco falou baixinho do ouvido dela. "Eu to gravida..", ela murmurou e por um segundo teve a impressão de que ele fosse cair duro daquele instante. "Astoria o que?", ele a olhou tenso. "Você não precisa disso para me agradar..", ele disse a olhando muito sério e ela sorriu. O beijou de forma suave. "Eu estou falando sério..", ela murmurou calmamente.

To change who I used to be

Sete meses passaram voando e, a cada mês, a barriga de Astoria crescia cada vez mais. Draco parecia encantado com aquela ideia, a partir daquele momento ele teria uma nova família. Uma família que não teria Voldemort como um amigo intimo, uma família simples e feliz. Draco nunca achou que ele poderia ser tão feliz com tão pouco. Ele pouco se importava com as noticias sobre Potter e sua família nos jornais, ele tinha Astoria. E logo ele e Astoria teriam seu filho. Foi quando tomaram a pior decisão possível, aceitaram o convite de Narcissa para jantarem na antiga e nobre casa dos Malfoy. Astoria estava linda com um vestido preto com bolinhas brancas, uma faixa abaixo dos seios fazia com que a barriga aparecesse ainda mais. Os cabelos dela estavam soltos e no lugar dos saltos altíssimos, usava uma delicada sapatilha. O jantar percorreu cheio de implicâncias e provocações de Draco com o pai. Era notável que Astoria e Narcissa estavam desconfortáveis. Mas nada foi tão ruim quanto o momento do café. As duas loiras discutiam alegremente sobre nomes de bebês. "Eu aposto que será uma menina.. que tal Bellatrix..", sugeriu Lucius maldosamente. A xícara de Narcissa se espatifou no chão e os olhos dela ficaram do tamanho de pratos, apesar de tudo, uma pequena parcela dela ainda sentia falta da irmã. "Você faz isso de proposito, não faz?", gritou Draco. "Você tem prazer em fazer com que todos ao seu redor fiquem infelizes!", exclamou o loiro irritado e Astoria estremeceu. Não queria uma briga. "Draco, por favor..", ela chamou, mas já era tarde demais. "Você é um lixo como homem, um lixo como pai .. você foi incapaz de manter sua família unida.. incapaz de nos manter no topo.. e agora tudo o que você faz é tentar me colocar pra baixo, porque eu sou tudo o que você nunca foi!", gritou o loiro mais novo e Lucius parecia a ponto de explodir. "Ela nunca foi a melhor a escolha..", gritou Lucius de volta apontando para Astoria e aquilo a chocou. "Claro, ela era o melhor que você poderia conseguir.. mas não era o ideal, não se eu tivesse como escolher.. o ideal seria alguma que tivesse além do sangue-puro.. uma que soubesse o que é importante e não uma menina tola que fez de você um fraco!", berrou o homem e então Astoria gritou. Não gritou em resposta para Lucius, ela apenas gritou de dor. E, ao ficar de pé, era nítido o sangue que escorria entre suas pernas. Então tudo ficou confuso. Draco sequer sabia como agir, parecia que seu corpo agia por conta própria. Quando deu por si estava sentado na sala de espera do St. Mungs. Uma. Duas. Três. Infinitas horas passavam e ninguém vinha lhe dar noticias. Seis horas se passaram antes da curandeira vir falar com ele. Ela tinha uma expressão triste. "Senhor Malfoy..", a mulher chamou e nunca em tantos anos o olhar de Draco parecia perdido. Não podia perder Astoria. "A situação se complicou bastante..", os olhos de Draco estavam cheios de lágrimas e o rosto manchado por aquelas que já haviam caído. "Sua esposa está em observação, ela perdeu a consciência, mas não corre mais risco de vida..", o coração de Draco pareceu respirar um pouco mais aliviado. "O bebê..", ele não conseguiu terminar a frase. "A filha de vocês não resistiu..", exclamou e Lucius murmurou algo como 'Eu sabia que seria uma menina', mas foi ignorado por Draco. Ele correu para perto de Astoria. Permaneceu ao lado dela durante todos os dias em que ela esteve internada. Deixou os pais e os sogros planejarem o enterro da criança. Ele tinha Astoria, com ela ali ele conseguiria fazer com que tudo ficasse bem.

A reason to start over new

Em quase um ano, além da bebê que morreu no parto, Astoria teve um aborto. Parecia que toda a felicidade daquela menina que Draco conheceu estava se esvaindo. O loiro tentou ajuda-la como pode, mas parecia que nada era o suficiente. "Eu vou perde-la..", ele murmurou para a mãe aos prantos após o aborto. Narcissa nunca havia visto o filho daquele jeito. Foi então que algo magico aconteceu. Astoria engravidou novamente, uma gravidez cheia de cuidados. Passou boa parte do tempo da gestão deitada na cama, as visitas de Lucius estavam proibidas. A barriga de Astoria estava tão grande quando poderia estar. Draco chegou do trabalho e foi direto para o quarto, viu a esposa lendo e sorriu. As sobrancelhas dela estavam franzidas e o olhar dela o intrigava. "Livro interessante?", ele perguntou sorridente sentando-se ao lado dela e lhe beijando a têmpora. "A família da sua mãe tem o costume de colocar nomes de estrelas nas crianças, não é?", não era exatamente uma pergunta. Então ele viu o nome do livro, ela estava estudando as estrelas. "Pensando no nome desse pestinha?", perguntou o loiro beijando a barriga da mulher que riu com o gesto dele. "Sim.. mas os nomes mais interessantes remetem a pessoas que não quero que sejam lembradas..", ela disse fazendo um biquinho. Ele riu. "Que tal Arcturus?", perguntou o loiro recebendo uma careta como resposta e então gargalhou. Astoria iria querer o nome perfeito. "E se for uma menina?", tentou o loiro folheando o livro. "Vai ser um menino..", ela disse tranquilamente e ele a olhou preocupado. Aquele era um tema que vinham evitando. "Eu sei que é Draco.. você pode perder seu tempo procurando nome de meninas, mas não será necessário..", ela sentiu uma pontada no abdômen antes de terminar a frase. "Chame os médicos..", ela disse com a respiração pesada e Draco sentiu todo o sangue sumir de seu rosto. "VEGA", a menina gritou e logo o pequenino elfo domestico apareceu. "Chame os médicos, minha mãe, minha sogra e meu pai..", a loira disse antes de urrar de dor fazendo Draco se assustar. "E traga uma dose de uísque de fogo para Draco.. ele precisa de algo para acalma-lo!", a senhora Malfoy murmurou e logo o elfo estava executando todas as tarefas. Logo as curandeiras chegaram apressadas, seguidas de perto por Agtha, Daphne e Narcissa. Draco foi expulso do quarto pela própria mãe, ela alegou que ele só atrapalharia. "Não tenha medo, querida, você vai ganhar um lindo presente..", sussurrou Agtha no ouvido da filha. A dor era grande, a loira gritava e a cada grito Draco ameaçava entrar no quarto. Era prontamente barrado pelo pai da esposa e tentava a todo custo ignorar a presença de seu próprio pai ali.

And the reason is you

Três horas depois Astoria estava suada e com as bochechas vermelhas, em seus braços um pequenino menino loiro brincava com suas mãos. No instante em que ele foi para seu colo parou de chorar. Draco logo entrou pelo quarto. "Como ela esta? Como o bebê..", ele bombardeou a mãe de perguntas e ela apenas acenou com a cabeça para a cama. O coração de Draco errou uma batida. Aquela era a cena mais linda que ele havia visto em toda sua vida. "Hey..", Astoria disse lhe dando o melhor de seus sorrisos. "Conheça Scorpius Malfoy..", ela disse acenando para o marido com a pequenina mão do filho. Draco secou uma lágrima de forma desajeitada. Ele selou os lábios nos de Astoria e beijou a testa do filho. Ele tinha, naquele momento, sua própria família. Ele tinha uma razão para mudar tudo o que ele já tinha feito. Ele seria o melhor por Astoria e Scorpius. Não importava o que todos dissessem sobre ele, ele mostraria para o filho que ele tinha mudado. Ele tinha mudado por eles.