Disclaimer: Naruto pertence à Masashi Kishimoto; Fanfic pertence à autora. Todos os direitos reservados.

Sinopse: Estava quase na hora, Orochimaru usaria seu corpo como recipiente. Ele odiava ser usado... ele recusava-se ser usado. Com esse pensamento, ele pegou a kunai e cravou a lamina em seus olhos.

Autora: ObsidianSickle.

Tradutoras: Ledger m., o.o' Khali Hime e J. Proudmoore

Classificação: T- Gênero:Romance- Casal:Sasuke/Sakura.

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Blind

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Capítulo Traduzido por J. Proudmoore

Betado por Bella21

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Capítulo três

Não era tarde, da manhã seguinte, quando Sakura abriu as portas para entrar no hospital, sentindo-se ainda esgotada da outra noite. Exausta, ela arrastou seus pés através da entrada, não querendo, de fato, trabalhar aquele dia.

- Bom dia, Sakura-san. - Shizune cumprimentou enquanto ela se aproximava da garota de cabelos róseos. – Tsunade está esperando sua presença no consultório médico lá em cima.

- Ohayo. – Sakura bocejou, a falta de sono não colaborando para livrá-la da exaustão.

- Eu espero que você tenha dormido bem. – Shizune disse, conduzindo Sakura ao longo do corredor, agarrando uma prancheta e um maço de papéis próximos a ela. – Eu não consigo imaginar que você teve um momento fácil depois de ontem à noite. Estou impressionada que você tenha conseguido se manter tão calma durante o procedimento.

Seguindo Shizune enquanto elas adentravam o elevador, Sakura estava muito cansada para sequer perguntar sobre o que a assistente da Hokage estava falando. As palavras por si só faziam sentido, mas ela não conseguia ver como se aplicavam ao seu caso. A rosada tinha visto ninjas em condições piores do que o jovem homem na noite passada – ela tinha visto ninjas morrerem enquanto continuava a trabalhar neles, lutando para mantê-los vivos mesmo que soubesse que isso era inútil. Tsunade sempre tinha dito que ela devia reconhecer quando desistir, mas Sakura não conseguia suportar a ideia de abandoná-los. Deixando aquilo de lado, não era preciso dizer que não era enjoada em volta de sangue ou feridas, e ela se perguntou por que Shizune estava tão orgulhosa dela repentinamente.

- Eu sei que se tivesse sido eu em seu lugar, eu não estaria apta a lidar com isso. - a dita assistente continuou enquanto o elevador ribombava lentamente para cima. – De qualquer modo, Tsunade-sama está preenchendo a papelada no consultório no final do corredor. Por favor, acompanhe-me.

Sakura, que abrira a boca para questionar Shizune sobre o que estava acontecendo, fechou-a enquanto as portas do elevador se abriam e lhe era requerido que equiparasse os animados passos da jovem mulher enquanto ambas marchavam até o final do corredor de linóleo.

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Compreensivelmente, Sasuke acordou em trevas, mesmo sabendo que ele não acordaria com algo além disso, ainda levou algum tempo para registrar o que lhe tinha acontecido. Ele primeiro notou o entorpecente latejar em seus olhos, o que supôs ser uma melhora se comparado a dor abrasante que sentira assim que levara a kunai ao seu rosto. Seu braço esquerdo estava pinicando levemente, mas não estava mais doendo. Vagamente, ele tentou se lembrar do que acontecera e onde estava.

Ele recordou-se da dor claramente – estava incerto do quanto havia sido torturado, mas sabia que tinha sido posto sob algum método por alguns jutsus estranhos, que ele não conhecia. O que quer que tenha sido, ele sentia-se com sorte por ter sobrevivido, já que tinha doído tanto. Depois disso, conseguia vagamente lembrar estar sendo meio carregado, meio arrastado até a floresta e ser deixado lá para morrer. As memórias depois daquilo estavam um pouco nebulosas, mas ele recordava-se da árvore de cerejeira – o cheiro era tão forte, parecendo o paraíso em meio a toda agonia que ele sentira e, deitado sob o tronco, preparou-se para morrer. Para a sua completa surpresa, ele se encontrava vivo, descansando em um lugar estranho e não tendo nenhuma recordação de como chegou ali ou porque ele tinha sido resgatado.

O aroma pungente no ar estava longe de ser agradável, mas era o suficiente para ele perceber que estava, provavelmente, em um hospital, ou algum outro estabelecimento médico, o que contaria para a repentina desaparição de seus ferimentos. Mas, enquanto a informação era útil em um modo, ela ainda não o ajudava a entender onde a facilidade médica era, ou até mesmo em que país estava.

Sasuke sentou-se lentamente, tentando juntar informações sobre o que ele conhecia nas proximidades, quando descobriu que seu pulso direito estava algemado a cama do hospital. Ele franziu o cenho – isso significava que onde quer que estivesse, tinha sido feito refém por pessoas que sabiam que ele era um criminoso procurado. Havia um número de pessoas que poderiam tê-lo capturado; esforçou-se para restringir suas opções tentando lembrar-se onde a base estivera localizada, e quão longe eles provavelmente o arrastaram, mas sua memória estava em branco. Ele rosnou, recordando a ordem de Orochimaru para ter as informações importantes apagadas de sua mente. Aparentemente, a localização da base tinha sido parte da dita informação importante – ele supôs que isso era óbvio, mas frustrava o fato de que não pudesse se lembrar.

Ele sabia, vagamente, que era em alguma região do País do Fogo, e era provável que tenha sido despejado em algum lugar por lá. Além disso, julgando pelo fato de que estava preso, não importava como, era seguro assumir que ele estava em Konoha. Deitando-se novamente na cama que ele tinha sido colocado, resmungou sombriamente em sua cabeça – o Vilarejo Escondido da Folha era o último lugar que ele esperava terminar, e isso era um grande inconveniente, considerando que, mesmo que conseguisse escapar do hospital em suas condições, provavelmente não conseguiria sair da vila.

Sasuke escutou cuidadosamente – teria que esperar até que alguém viesse checá-lo antes dele conseguir algumas respostas. Deitou quietamente, sabendo que sua expressão deveria parecer ameaçadora, mas havia pouco que ele pudesse fazer sobe a sua situação – a única coisa que poderia fazer era esperar.

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Sakura e Shizune abriram as portas que davam para o pequeno cômodo onde Tsunade as estava esperando pacientemente. O local em questão era uma pequena sala, onde a equipe médica passava o tempo em seus intervalos – Sakura havia estado lá algumas vezes, porque normalmente ela estava ocupada demais para descansar. Quando elas entraram Tsunade poderia ser vista sentada em um sofá, curvada sobre alguns papéis que ela tinha espalhado na mesa de café.

- Ah, Sakura. - Tsunade olhou por cima do formulário que estava preenchendo, bebericando o sake enquanto isso.

Tsunade indicou que Sakura deveria sentar-se, enquanto Shizune continuou em pé, atentamente, próxima a porta. Tentando não bocejar. Sakura foi e sentou-se confortavelmente no sofá em frente à Tsunade, pronunciando um rápido "bom dia".

- Você deve estar exausta. - Tsunade comentou, olhando a aparência desgrenhada de Sakura. Suas roupas pretas podem tê-la feito parecer levemente mais estável, mas elas também acentuavam a fadiga de Sakura. – Eu esperava que você se recusasse a ir embora ontem à noite, ou ao menos tivesse aparecido logo que amanheceu.

Sakura levantou uma cansada sobrancelha e inquiriu: - Tsunade-sama, por que diabos eu iria querer ficar aqui a noite inteira?

Tsunade olhou para ela atônita: - Eu pensei que você estivesse preocupada com ele...

- Com o paciente de ontem à noite? – Sakura perguntou intrigada, perscrutando sua mentora. - Há alguma razão, em particular, do por que eu deveria estar preocupada com ele?

Tsunade e Shizune olharam uma para a outra, antes de voltarem-se novamente para Sakura. – Você não reconheceu quem nós estávamos tratando ontem? – Tsunade soava surpresa.

Uma pequena semente de preocupação brotou em sua mente obscura e cansada, onde Inner-Sakura estava quase dormindo. Tinha sido alguém que ela conhecia? E se fosse o seu pai? Ou seu irmão mais velho, e ela não percebera? A atenção começou a retornar enquanto dava sua resposta.

- Não... as mangas de seu casaco bloquearam minha vista do rosto dele. – Ela disse, uma carranca formando-se em sua testa cansada.

Tsunade largou sua caneta e removeu sua franja dos olhos, procedendo então em juntar as pontas dos dedos de maneira pensativa. – Então, esse tempo todo, você não sabia quem? Não é de se questionar porque você foi embora e conseguiu dormir! Oh bem, provavelmente foi melhor você não saber... de outro modo, você não teria conseguido descansar.

Sakura mordeu o lábio nervosamente, sua sonolência rapidamente desvanecendo: – Você vai me dizer quem estava inconsciente e morrendo ontem à noite?

Um suspiro profundo. – Talvez seja melhor você se sentar. –... Tsunade começou a dizer.

- Eu já estou sentada. – Sakura interrompeu.

- Oh, certo... bem... – a Hokage bebericou seu sake. - Isto talvez venha como um choque para você, Sakura, mas o jovem que nós estávamos trabalhando tanto para manter vivo ontem... era o Sasuke.

Sakura levantou-se repentinamente, seus olhos arregalados e sua garganta seca. Qualquer torpor que restara, instantaneamente, havia evaporado. – Era?

- É! – Tsunade corrigiu apressadamente assim que viu o olhar horrorizado de Sakura. – Céus, Sakura, nós não nos esforçamos tanto para deixá-lo m– Shizune!

Sakura tinha arrancado em direção a porta, mas quando a quinta Hokage chamou sua assistente, Shizune parou em frente à garota e bloqueou seu caminho. Sakura parou derrapando e lançou um olhar raivoso para Shizune, então virou-se e mandou outro para Tsunade.

- Deixe-me passar. – ela rosnou através de dentes cerrados, sua voz feroz e seus punhos fechados. – Deixe-me ver o Sasuke-kun!

- Sente-se, Sakura. – Tsunade ordenou bruscamente.

- Não.

- Sakura! – A voz de Tsunade era séria, um tom de aviso conciliado nos extremos de sua entonação.

Relutante, e completamente contra sua vontade, Sakura marchou de volta para o sofá e largou-se nele, olhando sua mestra furiosamente. – Por que eu não posso vê-lo? – Ela questionou impaciente.

- Oh, você pode. - Tsunade replicou pacientemente, entrelaçando seus dedos uns aos outros e descansando-os preguiçosamente atrás da cabeça. - É só que há algumas coisas importantes que eu preciso discutir com você primeiro.

- Como o que? – Sakura questionou. Ela sabia que deveria estar mostrando mais respeito pela sannin, mas Inner Sakura tinha se saído melhor do que ela e estava agora em um longo discurso, empurrando sua outra Sakura para o lado.

- Sakura, primeiro você tem que perceber que o Sasuke deitado naquela cama, no segundo andar, pode não ser o Sasuke que você conhecia quando genin. - Tsunade replicou com admirável paciência. – Ele pode muito bem ser Orochimaru, apesar de que os primeiros testes que fizemos, quando ele estava inconsciente, parecem sugerir outra coisa. Somado que, Orochimaru teria, muito provavelmente, feito uma tentativa de fuga até então. Mas você ainda deve ser cautelosa.

"A segunda coisa que você deve estar avisada é que Sasuke precisa ser interrogado antes que nós comecemos a tratá-lo como um paciente regular neste hospital, onde são permitidos visitantes, flores, e coisas do tipo.

A terceira é que Sasuke sofreu um grande ferimento facial, o que eu espero que você não tenha conseguido ver de seu ângulo."

Sakura estava repentinamente ansiosa. – Ferimento facial?

- Eu consegui limpar a maior parte, e não deveriam restar cicatrizes do incidente, no entanto... – Tsunade desentrelaçou seus dedos de trás de sua cabeça e descansou-os em seus joelhos, inclinando-se e encarando Sakura direto nos olhos. – Sakura... Sasuke está cego.

Houve uma pausa longa, silenciosa. Os dedos de Sakura formigaram, levemente trêmulos, e então seus braços começaram a chacoalhar. Seus olhos encheram-se de lágrimas. – Não há nada que você possa fazer para curá-lo?

Tsunade mexeu sua cabeça lentamente, de um lado para outro, desculpando-se de maneira melancólica. - Nada com minhas habilidades de cura. Eu queria poder ajudá-lo, mas não há mais nada que eu possa fazer.

- Quão ruim é a situação?

- Os olhos por si só curarão perfeitamente, entretanto a visão talvez nunca retorne. – Foi a resposta austera de sua mentora.

- Talvez nunca voltem, - Sakura ecoou fracamente. – quais são as chances dele?

- Nós estamos falando de menos de 4%. - Tsunade respondeu. – E a probabilidade de ele usar o Sharingan novamente é ainda menor.

Sakura ficou em silêncio, encarando suas mãos que descansavam em seu colo. O que acontecera com Sasuke? Quem fizera isso com ele? Como poderia alguém tão habilidoso quanto ele ficar cego? A tristeza espalhou-se pela garota enquanto ela o compreendia, tanto que doía pensar no sofrimento que ele deve ter passado, a frustração de perder sua visão.

- E por último, há a situação de ele ser um criminoso procurado classe-S, Sakura. - Tsunade continuou. – Não importa o quanto você se preocupe, ele traiu Konoha e deve pagar por seus crimes.

Sakura olhou-a rispidamente: - Tsunade-sama, ele deve ser punido? Perder a visão – e o Sharingan juntamente – não é punição o suficiente?

Tsunade juntou a ponta dos dedos novamente e fechou os olhos: - Há algo que eu posso fazer. Se eu mandá-lo para a nossa prisão, ele seria, provavelmente, escolhido e morto por sua desvantagem. Mas se ele cooperar com a interrogação, eu talvez esteja apta a diminuir sua sentença – e dependendo quão prestativo ele for, eu esteja apta a livrá-lo dela completamente.

- Isso é bom. – Sakura deu um pequeno sorriso para si mesma.

- Sasuke também precisa se ajustar ao seu estado atual, - Tsunade disse, virando-se e olhando para a janela. – no caso dele se recusar a cooperar e precisar cumprir sua punição.

- Isso quer dizer...? – Sakura perguntou, franzindo levemente.

- Nós estamos falando de reabilitação. - Tsunade respondeu. – Eu irei longe para ajudar Sasuke para que então, talvez, possamos nos livrar de Orochimaru de vez. Talvez eu esteja dedicando muito tempo para ajudá-lo, mas eu acho que essa é a melhor ação a se tomar. Entretanto, será difícil, para mim, encontrar um ninja médico que se disponibilizará a ajudá-lo. Não há um jeito de lidar com isso de forma simples.

- Há alguma razão em particular para você estar falando sobre isso comigo? – Sakura perguntou cansada, querendo visitar Sasuke.

- Sim. Há duas razões: primeiro, eu quero que entenda toda a situação para você não dar uma de Naruto e entrar em minha sala, batendo os punhos em minha mesa, e exigindo o porquê de Sasuke estar sendo tratado desse jeito. - Tsunade explicou, olhando sua aluna passivamente. – Segundo, eu quero que você seja aquela a interrogá-lo.

Sakura olhou sua mentora de maneira horrorizada: - O que? Por que eu?

- Não se preocupe, não haverá tortura na interrogação, ele já sofreu o suficiente. – Tsunade replicou, acenando com desdém, antes que Sakura surtasse. – O que eu esperava era um estado de interrogação mental, onde você descobrirá o que aconteceu com ele, depois ele será submetido a uma interrogação mais profunda por outra pessoa. Mas no momento, você conhece Sasuke melhor do que ninguém nessa vila, e enquanto você não o tem visto em um longo tempo, talvez haja aspectos, objetivos e prioridades que não mudaram com o tempo. Você pode usá-los contra ele. Além disso, ele talvez ainda não tenha percebido onde está – se ele souber, confirme suas suspeitas. Se ele não souber, você será a melhor escolha para encobri-lo.

- Eu não entendo, Sasuke me conhece. - Sakura respondeu. – Ele não notará quem está falando com ele?

- Não, ele não deveria. - Tsunade replicou. – Ele já escutou a mim e a Shizune antes, e ele provavelmente nos reconheceria, entretanto você não tem falado com ele em anos. Sua voz não é mais aquela de uma adolescente, mas a de uma jovem mulher. Apenas dê o seu melhor, mas no caso de você não conseguir nenhuma cooperação por parte dele, eu trarei Morino Ibiki, ou algum ANBU, para tomar conta.

Sakura fechou os olhos. Ela não gostava da ideia de enganar Sasuke, mas ela também lembrava claramente do estressante exame chuunin que Morino Ibiki fizera os genins passar – ela tivera que sobreviver a ele duas vezes, já que fizera o exame uma segunda vez – e estava ainda menos confortável em deixá-lo interrogar Sasuke. Além disso, a garota não fazia ideia de como o ANBU iria tratá-lo. A menos que aceitasse o pedido de Tsunade, ela provavelmente também estaria proibida de ver Sasuke até que ele tivesse passado por todos os procedimentos de interrogação.

- Eu aceito. – Ela resignou com um profundo suspiro.

- Essa é uma boa garota. – Tsunade elogiou distraidamente, tomando um gole de seu sake, que havia sido esquecido pelos últimos minutos.

- Mas–,

Tsunade olhou-a com curiosidade, e abaixou o sake de seus lábios: – Mas...?

- Eu quero ser aquela que fará a reabilitação de Sasuke-kun.

Houve um silêncio prolongado e Sakura encarou sua mentora com uma feroz determinação, deixando-a saber que ela não aceitaria outra coisa. O silêncio foi quebrado por um pesado suspiro da Hokage.

- Não será fácil.

- Eu sei disso, - Sakura respondeu cruzando os braços desafiadoramente. – e eu. Não. Me. Importo.

Tsunade fechou os olhos antes de responder em um tom resignado. – Muito bem, então. – ela esfregou suas têmporas lentamente. – Mas ele é um criminoso e um traidor, eu não deixarei que você o chame pelo sufixo '-kun', entendido?

Sakura endureceu a mandíbula. – Leve-me para ver o Sasuke agora.

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Fazia uma hora que Sasuke havia acordado e, finalmente, depois do que parecera uma era, alguém veio checar suas condições. A porta deslizou ruidosamente e então foi fechada com a mesma balbúrdia. Passos suaves, hesitantes se aproximaram, e ouve um pequeno guincho no chão com o arrastar de uma cadeira. A pessoa pôde ser ouvida sentando-se na cadeira e houve um leve ruído de papéis. Depois de um momento, o visitante limpou a garganta e Sasuke determinou que o dono da voz era uma mulher, mais provavelmente uma enfermeira.

- Onde eu estou? – Sasuke demandou asperamente ao seu visitante. – E porque eu estou preso?

- Eu não tenho a liberdade de lhe contar. - A mulher respondeu, sua voz soando vagamente memorável, mas ele não conseguia associar um nome a ela.

- Eu estou em Konoha, não é? – Ele replicou curtamente.

- Desculpe, mas eu não posso–, – a mulher começou novamente; sua voz era jovem, provavelmente entre o início e a metade dos vinte anos, mas isso era só um palpite.

- Não minta para mim. – ele rosnou acidamente. – Eu não sou estúpido.

Houve uma breve pausa, e então um pesado suspiro. – Você, Uchiha Sasuke, está na Vila escondida da Folha, mais conhecida como Konoha. Atualmente você está em um quarto no segundo andar de nosso hospital – um prédio, tenho certeza, com o qual você está familiarizado.

Ele soltou um pequeno 'tch' em resposta. – Eu já esperava. Solte-me e deixe-me em paz. Eu não tenho mais relações com Konoha.

A resposta que ele recebeu era firme e curta, soando completamente alienada de qualquer pessoa que ele conhecera em Konoha, fazendo-o duvidar da familiaridade que ele tinha sentido mais cedo. – Uchiha, você é um traidor de Konoha, um criminoso classe-S procurado na Terra do Fogo. Você não está em posição de demandar, e muito menos de esperar ser solto.

Frustrado, ele cerrou os punhos. – O que você quer comigo?

- Você cometeu crimes contra essa vila, e você tem que pagar por eles. Eu também fui solicitada para inquirir como você recebeu os ferimentos que tinha. – A mulher era concisa.

- Eu não tenho que lhe contar nada. – Ele respondeu friamente, virando seu rosto para longe da voz da mulher.

- Considerando que muitas pessoas – o time jounin que encontrou você, nossa melhor equipe médica, e a própria Hokage – trabalharam até tarde da noite para mantê-lo vivo, você poderia pagar pela gentileza e o trabalho árduo contando-nos como conseguiu seus ferimentos. – a voz da mulher soava descontente. – Ou, ao menos, seja grato.

- Por que eu me importaria se vocês me deixaram vivo? – ele respondeu. – Eu não pedi para que vocês o fizessem.

- Você é um vingador. – Veio a simples réplica.

Era uma resposta básica, mas as palavras fizeram com que Sasuke enrijecesse levemente, seu estômago se contraindo desagradavelmente.

- Meio difícil vingar seu clã se você estiver morto.

O descontentamento de Sasuke aprofundou-se, mas por fora ele fingiu não se importar. O conhecimento da mulher sobre ele o incomodava – como ela sabia sobre seu desejo de vingança? Ele duvidava que a maioria da vila tivesse conhecimento das circunstâncias as quais ele tinha partido, mas ele tinha certeza de que nunca encontrara essa mulher antes em sua vida.

- Por que você quer saber como eu fui ferido? – Ele perguntou suspeito.

A voz era paciente e calma, começando a tornar-se reconhecível novamente para seus ouvidos, mas ainda o nome lhe escapava, e ele não conseguia esboçar uma face. – Nós queremos saber porque queremos estar aptos a tratá-lo ainda mais. É mais fácil curar alguém quando sabemos a natureza do ferimento. Nós estamos tentando ajudá-lo.

Ele bufou em cínico divertimento. – Foi você quem disse que eu era um criminoso classe-S procurado.

- Pode até ser, mas se você cooperar, isso o beneficiará muito. – a enfermeira contou. – A Hokage está disposta a fazer um acordo com você. Nós o ajudaremos a se acostumar às suas condições e faremos tudo em nosso poder para ajudar a retornar sua força; nós também estaremos dispostos a diminuir sua sentença consideravelmente se você nos assistir.

- Que tipo de informação você quer de mim?

- Informação sobre Orochimaru e seus seguidores, principalmente; quanto mais informações você puder dar, mais leve sua sentença se tornará, e você talvez seja perdoado de seus crimes. – a jovem mulher observou. – Eu aceitaria essa generosa oferta se fosse você. Há infinitos benefícios e um pequeno preço. Recuse os termos e sua punição original será realizada – você será executado.

A voz da mulher vacilou um pouco enquanto ela lhe contava sua sentença e ele sentiu um toque de familiaridade, mesmo que ainda não reconhecesse. Ele empurrou esse pensamento para o lado conforme considerava as palavras dela; era verdade que o acordo tinha incontáveis benefícios para ele, e que o preço era pequeno. Orochimaru tinha apagado partes de sua memória, mas ele ainda conseguia se lembrar claramente de outras informações que Kabuto não deve ter considerado 'importantes'. O acordo era tentador, e isso mostrava que eles confiavam nele até certa extensão – ele baixou sua guarda levemente.

- Eu fui torturado, - ele disse finalmente, admiti-lo machucava um pouco seu orgulho. – por Orochimaru.

Houve um rápido rabisco no que ele assumiu ser uma prancheta antes que os riscos parassem. – Como?

- Eu não sei.

- Como você ficou–, - a enfermeira tropeçou em suas palavras, mas limpou a garganta. - –cego?

- Eu fui cegado por uma kunai. – Foi a resposta dele, mas ele se recusava a dizer mais sobre o assunto.

- Eu entendo. - a mulher replicou. – Obrigada. Eu informarei Tsunade-sama que você aceitou o acordo, para que possamos começar o seu tratamento.

Houve um som de raspagem no chão e o estalar de uma cadeira enquanto e mulher se levantava para sair.

- Espere, - ele chamou, e a ouviu esperar. – Em que condição está minha visão?

Houve um longo silêncio antes de a enfermeira começar a falar, sua voz séria, mas ainda atada e com uma indicação de desespero. – Eu não mentirei para você, Sasuke, – ela suspirou, usando seu primeiro nome pela primeira vez durante toda a conversa. – seus olhos curarão perfeitamente, mas a chance de sua visão retornar é menor do que 4%, e a de uso do Sharingan é ainda mais baixa.

Ele sentiu a aflição lavá-lo enquanto ouvia os suaves passos dela retrocederem. Ele já tinha imaginado, Kabuto dissera algo similar, mas não quisera acreditar nas palavras do médico covarde. Infelizmente, Kabuto estivera certo.

- Obrigado. – Ele respondeu quietamente enquanto a jovem mulher abria a porta.

Uma quieta e oscilante resposta veio até ele pouco antes da porta fechar. – Eu sinto muito.

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Fora do cômodo, Sakura caminhou lentamente até o elevador, e quando as portas se fecharam, ela desatou a chorar.

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N.T.: A culpa pela demora é total e completamente minha.

Sinto vergonha pela minha demora. Sinto mesmo. E, sinceramente, peço desculpas.

Se quiserem brigar, reclamar ou criticar alguém, por favor, façam isso comigo. Nenhuma das outras tradutoras merece tal injustiça.

Acho que meu atraso inicial tinha uma justificativa plausível, mas tamanha demora (um mês!) não tem. Só vou dizer que aconteceu uma tragédia que virou minha vida de cabeça para baixo.

Só quem já perdeu um pai, um melhor amigo!, sabe da dor que estou falando.

Quero pedir desculpas as minhas colegas, pela minha negligência. Eu posso lhes prometer que isso não acontecerá novamente.

Desculpem-me, de todo o coração.

J. Proudmoore.