Disclaimer: Naruto pertence a Masashi Kishimoto; A fanfic pertence à autora. Todos os direitos reservados.

Sinopse: Estava quase na hora, Orochimaru usaria seu corpo como recipiente. Ele odiava ser usado... ele recusava-se ser usado. Com esse pensamento, ele pegou a kunai e cravou a lamina em seus olhos.

Autora: ObsidianSickle.

Tradutoras: Ledger m., o.o' Khali Hime e J. Proudmoore

Classificação: T- Gênero:Romance- Casal:Sasuke/Sakura.


.

.

Blind

.

.

Capítulo Traduzido por K hime

Betado por Bella21

.

.


Capítulo quatro

The Unforgotten Memory


- Você fez bem, Sakura. - disse Tsunade a fim de confortar sua pupila, dando uns tapinhas em suas costas. - Ele não sabia que era você, não é mesmo?

Sakura inalou o ar um tanto trêmula, seus soluços seguindo o padrão da respiração irregular. - N-não, ele não percebeu... Sinto-me terrível.

- Se isso te faz se sentir melhor, eu lhe disse para não revelar sua identidade, então você não teve escolha. - Tsunade lembrou suavemente. - Sasuke compreende a importância de seguir ordens.

Sakura assentiu silenciosamente e fungou mais algumas vezes. Shizune aproximou-se e entregou-lhe um lenço.

- Não se preocupe, Sakura-san. - disse, confortando-a. - Vamos fazer tudo que pudermos por ele.

Sakura respirou fundo e acalmou-se; mas a Inner Sakura gritava: – É isso aí, vamos fazer tudo o que pudermos! - dentro de sua mente. Segurando o lenço com força, Sakura levantou-se lentamente.

- Vamos voltar a vê-lo agora, certo? - perguntou, tentando obter controle sobre si mesma outra vez. - Acho que estou pronta para ir agora.

Tsunade assentiu lentamente. - Então tudo bem, vamos. Shizune, por favor, arrume essa papelada para mim e pegue meus livros de medicina, especialmente aqueles que falam sobre o olho humano e traga-os aqui.

- Hai, Tsunade-sama. - Shizune deu um breve aceno de cabeça.

- Venha, Sakura. - Tsunade chamou ao sair da sala, sua postura reta e o rosto sério.

Sakura rapidamente correu atrás da loira, enxugando os olhos com o lenço, enquanto esperavam pelo elevador. Doía ver às circunstâncias às quais Sasuke fora reduzido, e ela sabia que ele deveria estar passando por um momento incrivelmente difícil, sendo um Uchiha, cuja linhagem era ter a habilidade do Sharingan, sua força baseava-se praticamente em função de sua visão. Sakura sentiu o coração apertar, querendo ajudá-lo de qualquer maneira que pudesse.

Saíram do elevador e Sakura enfiou o lenço de Shizune no bolso, enchendo-se com plena calma. Se fosse ajudá-lo com a reabilitação, precisava ser forte, por ele, por isso não podia perder tempo chorando.

Tsunade abriu caminho para o quarto e Sakura seguiu calmamente, mantendo a cabeça erguida e os ombros eretos. Tsunade parou na porta quando chegaram em frente ao quarto de Sasuke e mirou Sakura, que lhe enviou um olhar significativo em resposta. Tsunade abriu a porta e entrou, sua pupila entrou em seguida.

Sasuke não havia se movido muito desde que Sakura o vira pela última vez, sua cabeça estava virada, de frente para uma janela que ele não podia ver e provavelmente nem sabia da sua existência. Ele parecia tão indefeso deitado na cama, as roupas em farrapos e seu cabelo ainda duro com sangue; um curativo limpo e branco estava enrolada em volta da cabeça, cobrindo seus olhos. Sakura olhou firmemente para ele e fechou os punhos com determinação.

- Minha aprendiz me disse que você concordou com os termos que te foram oferecidos. - Declarou Tsunade, as mãos nos quadris.

- Sim. - uma resposta direta. Virando a cabeça em direção ao som da voz de Tsunade: - Mas deve saber, pode haver algumas coisas que eu não possa te dizer. Antes de ser torturado e deixado para morrer, Orochimaru apagou partes da minha memória no caso de eu sobreviver.

- Entendo. - respondeu Tsunade, mas Sakura poderia jurar que a loira não acreditou nele, afinal, por que apagar a memória de alguém de quem se esperava que fosse morrer? - Vamos ver quanta memória permaneceu aí dentro, mas isso terá que esperar até você recuperar sua força.

- Hn.

- Vamos direto ao ponto, seus olhos não estão completamente curados ainda. - afirmou Tsunade sem rodeios: - Você vai ter que passar por um processo de tratamento diário com um ninja-médico habilidoso, durante esse tempo também estará trabalhando na reabilitação. Temos uma oferta de três opções do tipo de reabilitação na qual você poderá trabalhar. O ninja médico que vai tratar de você também vai ajudá-lo a se acostumar com essa escolha e, eventualmente, irá deixá-lo seguir sozinho, quando estiver mais independente.

- Quais são as opções? - Sasuke perguntou passivamente, sua expressão ilegível.

- A primeira escolha é ir selecionar, junto ao clã Inuzuka, um animal confiável, que será seu cão-guia. - Disse Tsunade pacientemente.

- Eu não gosto de animais. - Respondeu Sasuke bruscamente.

- A segunda opção seria treiná-lo com uma bengala.

- Fora de cogitação. - Sasuke virou a cabeça de modo que seu olhar fora direcionado para o teto. Sakura sabia que o conceito de usar uma bengala era impensável para um Uchiha e isso prejudicaria seu orgulho imensamente.

- Então você acaba de escolher a terceira e última opção. - Tsunade continuou, fechando os olhos. - Depois de terminar com a cura de seus olhos, o médico selecionado para você também irá ser o guia e manterá residência contigo, ensinando-lhe a como confiar em sua audição, olfato e tato, a fim de garantir-lhe sobrevivencia. Quando estiver confortável em seu próprio lar, o médico vai deixá-lo, e você poderá ficar por sua conta.

E após uma longa pausa. - Muito bem.

- Eu já atribui a tarefa à nossa médica mais qualificada para ser seu guia. Até você ser capaz de viver em seu próprio domicílio, ela irá ajudá-lo, orientá-lo e ensiná-lo. - A voz de Tsunade soou gravemente séria. - Apenas em determinadas circunstâncias você será autorizado a sair do lado dela. Ela também servirá como uma espécie de supervisor, monitorando seu comportamento. Considere isso como uma espécie de liberdade condicional, se quiser.

Outra pausa. - Quem é o médico encarregado?

Tsunade virou-se para Sakura e lhe deu um sorriso orgulhoso. - Minha aprendiz e a médica mais talentosa deste hospital, Haruno Sakura.

Sasuke endureceu visivelmente com as palavras de Tsunade, virou a cabeça novamente em direção à janela, a qual nem sequer podia ver. Sakura franziu a testa incerta; trazendo um dedo ao lábio, mordendo-o nervosamente. Sasuke provavelmente rejeitava a perspectiva de que sua supervisora seria ela.

- Eu me recuso. - Sasuke resmungou, e a Hokage franziu em vista suas palavras.

- Sakura é a mais capaz para o trabalho; além de mim, não há ninguém melhor que ela. - falou severamente: - Você já escolheu a terceira opção e eu vou manter Sakura na tarefa de ajudá-lo a se recuperar, quer goste ou não.

Nesse momento, Sakura ficou agradecida pela vontade obstinada de sua sensei. Ela sabia que se tivesse dito isso ao Sasuke, teria sido incapaz de lidar com sua recusa. Respirando profundamente, Sakura adiantou-se, cerrando o punho em determinação.

- Sasuke, não vou aceitar sua recusa. - disse ferozmente. - Eu fui designada para esta tarefa e vou ficar com ela. Você é meu paciente e a partir de agora, eu sou responsável por você.

Outra longa pausa encheu a atmosfera, com uma duração superior a qualquer outra que já tivera - se o Uchiha não havia se dado conta da presença da moça anteriormente, bom, agora já o sabia – no entanto, também não o demonstraria. Ele estava pensando sobre algo, Sakura sabia, mas não importava o que sentia sobre a situação, se recusava a desistir.

- Mesmo depois de tanto tempo, - Sasuke disse finalmente. - você continua tão irritante, Sakura.

O punho da kunoichi relaxou uma fração, tal como sua postura. Tsunade olhou para ela para ver como reagiria a sua resposta, mas ela apenas fechou os olhos e sorriu para si mesma, ela sabia que era a maneira do rapaz dizer sim.

- Se precisar vou lembrá-lo de quão irritante eu realmente sou. - Respondeu com altivez, mas com um sorriso brincalhão em seus lábios.

O fato do rosto do Sasuke estar voltado para o outro lado às impossibilitou de contemplar a mudança em sua expressão facial, e também não puderam ver como um meio sorriso de canto começou a, ligeiramente, se formar em sua boca, numa expressão divertida.

Quando Sakura e Tsunade voltaram para o escritório no quinto andar, Shizune já havia devidamente cumprido o pedido da Hokage. Toda a papelada já havia sido apurada e uma pilha de cerca de cinco livros de medicina foi prontamente separada. Shizune esperava sentada, pacientemente, em um sofá, segurando Ton Ton no colo.

- Como foi? - Perguntou, levantando-se abruptamente, fazendo com que Ton Ton rolasse ao chão com alguns gritos indignados, mas Shizune nem sequer percebeu.

- Melhor do que esperava, embora sua resposta não fora exatamente o que estava esperando. - Tsunade respondeu, curvando-se para fazer us carinhos na cabeça de um porquinho irritado que correu até ela. - Também estou surpresa que ele esteja assim, tão disposto a consentir com as condições impostas.

- Eu lhe asseguro, Tsunade-sama, - Sakura enfatizou mais uma vez. - aquela é realmente a forma dele de mostrar que está de acordo.

Tsunade levantou-se novamente e olhou para Sakura em dúvida: - Bem, eu não poria nessas palavras.

Sakura deu de ombros levemente, um sorriso alegre no rosto. - É assim que o Sasuke é.

- Bem, ok. - Tsunade respondeu, ainda com um ar duvidoso.

- Quanto à cooperação voluntária... Eu lhe disse que sua punição por ter traído a vila era a morte. - Sakura declarou calmamente: - Ele tem um determinado objetivo que deseja alcançar e eu sei que ele se recusa a morrer antes que consiga chegar a esse objetivo. Pensei que mencionar a morte como sua punição seria a melhor maneira de convencê-lo a aceitar o acordo.

- Hm, bem, eu lhe disse para manipulá-lo de alguma forma, para fazê-lo revelar alguma informação. - Tsunade refletiu à explicação de Sakura: - É uma boa história e vamos mantê-la assim. Sua punição por trair Konoha é a morte. Isso deve funcionar por algum tempo, pelo menos. De qualquer forma, obrigada, Shizune, por trazer os livros. Sakura, você se lembra dos nossos estudos sobre as funções do olho humano?

Sakura balançou a cabeça: - Não ficamos muito tempo nisso, então não me recordo muito.

- Enquanto você espera, quero que revise as funções óticas humanas e tente recuperar o que vimos. O tratamento de Sasuke é basicamente a cura física, o que funcionaria muito melhor se você souber concentrar o chakra nos locais corretos.

Sakura andou até a pilha de livros e pegou um deles, intitulado Os Princípios Básicos e anatomia do olho humano.

- É melhor começar agora. - Tsunade respondeu, colocando-o de volta à pilha. - Eu tenho outros assuntos para tratar nesse momento. Estarei no escritório se precisar de mim. Devo preparar alguns assuntos para que notifique a Sasuke quando estiver pronto para começar o tratamento.

- Tudo bem. - respondeu sua pupila, sentando-se no sofá em frente à Shizune. - Obrigada por me deixar fazer isso, Tsunade-sama.

- Não me agradeça. - foi a sua resposta. - Eu poderia ter te convencido a fazer de outra forma?

Sakura sorriu: - Não.

- Imaginei que não. - Tsunade sorriu largamente: - Venha Shizune, vamos ver quantas horas de papelada que você encontrou para me dar mais trabalho.


Perdida em seus pensamentos, Sakura dificilmente notaria as duas mulheres e o suíno saírem da sala. Apreensão a corroendo e, obviamente, era compreensível estar nervosa. Sasuke nunca tinha particularmente gostado dela, bem, ele não parecia particularmente gostar de ninguém e ela não tinha certeza o quão disposto ele estava nessa situação toda. Ela conhecia muito bem seu orgulho obstinado e natureza independente e isso, quase certamente, entraria em conflito com o tratamento, e ele, provavelmente, recusaria sua ajuda. Claro que seria impossível trabalhar isso - ela precisava fazê-lo entender que ele não era mais independente, não importa o quanto isso fosse machucá-lo. A questão era como fazê-lo entender?

Sakura abriu o livro e fitou uma tabela de indicações do que cada capítulo continha, assim seria mais útil analisar as coisas que precisava saber. Virou uma página, em algum lugar perto do meio do livro, sua mente tornou-se dividida em duas, ambas as partes ainda cientes do que a outra estava fazendo. Sakura exterior estava lendo o livro repousado em seu colo e alimentando-se de informações e Inner Sakura, bem, Inner Sakura estava tentando bolar um plano para fazer Sasuke cooperar, e dando os detalhes para a Sakura exterior. A isso ela chamava de multitarefa, era a forma como conseguiu seguir com sua vida até hoje.

Com um plano já sendo formado em mente e as informações indicadas para o caso do moço, Sakura começou a se preparar para a reabilitação de Sasuke.

Sasuke estava nochuveiro, deixando a água fria correr por seu corpo, com uma mão contra a parede. A água correu livre pelos fios de cabelos, fazendo com que o sangue seco se tornasse um misto avermelhado escorrendo pelo ralo. Mais água corria por seu rosto, e ele mantinha os olhos bem fechados, os ferimentos ardiam bastante e ele não queria que as gotas aumentassem essa dor.

As duas médicas-ninja que haviam vindo ao seu quarto logo após a Quinta Hokage e Sakura saírem, auxiliaram-no a se despir e entrar no chuveiro, e agora estavam esperando do lado de fora do banheiro para ajudá-lo assim que ele terminasse de lavar-se. Tinha sido uma experiência estranha andar pelos cantos cego, com outras pessoas tendo que ajudá-lo a não bater por aí, sentindo-se perdido no escuro, um tanto tonto e com vertigens. Mantinha sua mão contra a parede do chuveiro, a fim de dar-lhe um ponto de referência para relacionar seus sentidos. Ele apenas, provavelmente, ficaria dessa forma por um tempo até se acostumar a usar os pés como um ponto de referência para o mundo exterior. Ele ficaria bem.

Esse último pensamento o levou até Sakura. Haruno Sakura... Após a declaração espirituosa da rosada, suas suspeitas se confirmaram de que havia mais alguém na sala com Tsunade. Isso não o tinha realmente surpreendido, o que o surpreendeu foi quando finalmente reconheceu a voz de mais cedo naquela manhã, e que tal voz havia sido a de Sakura. Ela agiu completamente diferente da Sakura que ele conhecia, e Sasuke também estava surpreso que ela não estava sentada à sua cabeceira quando ele acordou. Que não tinha colocado o sufixo 'kun' após seu nome. Talvez ela não se importasse mais com ele dessa forma, ela iria fazer parte de sua reabilitação e torná-la o mais suportável possível. A última coisa que ele precisava era uma Sakura-fangirl durante esse tratamento.

Sasuke abaixou-se e procurou no chão pelo shampoo que lhe havia sido dado antes de começar a tomar banho. Ele decidiu que ficaria melhor o mais rápido possível - daria a Hokage qualquer informação que pudesse e em seguida, deixaria Konoha mais uma vez, assim que o procedimento tivesse terminado. Ele não precisava manter relações com Konoha ou Orochimaru; ambos não eram capazes de ajudá-lo em sua vingança, porque ele era o único que se preocupava em vingar o clã Uchiha.

Estendendo a mão, fechou a torneira e a água cessou, poucos salpicos apenas continuavam pingando no chão. Tateando para achar a maçaneta do box, amaldiçoou baixinho seu estado atual, mas sabia que não tinha outra alternativa aceitável. Saiu do banho e colocou a mão sobre uma pilha de toalhas que haviam sido colocadas para si, envolvendo uma em torno de sua cintura.

- Uchiha. - uma das ninja-médica bateu na porta: - Você está pronto?

- Aa. - Sasuke respondeu, secando o cabelo com outra toalha da pilha.

Ouviu vagamente, do outro lado da porta, uma médica dizer para a colega: - Vá dizer a Haruno Sakura que Uchiha Sasuke estará pronto em breve para o tratamento.

Ele abaixou a toalha de sua cabeça e segurou o tecido firmemente em suas mãos, não importava o que fosse, ele ficaria bem, se Sakura fosse a médica a tratar de si ou não.


Sakura colocou a mão na maçaneta da porta do quarto de Sasuke, um tênue nervosismo já a assolando. Tendo estudado um pouco sobre o olho humano e revendo o que ela sabia, lhe havia ajudado muito, mas ela ainda continuava ansiosa, simplesmente não queria cometer um erro.

Esta era a primeira vez que teria de cuidar de alguém sem a supervisão de sua sensei. Quando Tsunade a havia elogiado e chamou-lhe a melhor ninja médica da Vila, Sakura ficou imensamente chocada e lisonjeada. Percebeu que estava indo melhor que a maioria das pessoas em sua equipe, mas sempre achou que havia muitos outros melhores que si mesma. Bom, aparentemente não. Talvez seja por isso que Tsunade a deixou cuidar de Sasuke, porque, possivelmente, houvesse algo que ela pudesse fazer que nem mesmo a própria Hokage poderia. Afinal, dois dias atrás, ela havia dito que a maneira que Sakura controlava o chakra era muito eficaz para se curar feridas. Sakura segurou a maçaneta (um tanto forte demais, diga-se de passagem) e abriu a porta.

Sasuke estava de volta a cama, algumas bandagens novas envolvidas sobre seus olhos. Seu cabelo estava molhado e caía pelo rosto, revelando uma expressão muito incompreensível. Também já havia se livrado daquelas roupas rasgadas e esfarrapadas que vestira naquela manhã e, agora, estava usando uma simples, composta pelo tecido da roupa de hospital.

- Sasuke, boa tarde. - cumprimentou alegremente. - Estou contente que tenham te ajudado a se limpar.

- Hn. - Apenas grunhiu em resposta.

- Imagino que não tenha tido muita dificuldade. - Sakura continuou, vindo em sua direção, colocando a bolsa médica sobre o criado-mudo ao lado da cama dele.

- Podemos parar com as gentilezas e andar logo com isso? - Perguntou, sua voz soando irritada.

Eu devo ter tocado em um ponto sensível, perguntando se ele teve problemas em fazer as coisas sozinho. Pensou nervosa e mordendo o lábio. Inner Sakura estava praticamente batendo a cabeça contra a parede.

- Muito bem. - respondeu, mudando o tom para um mais grave. - Mas você não vai ficar melhor de uma hora para outra, Sasuke. Este tratamento exige uma grande quantidade de paciência. É muito provável que o resultado somente chegue após um longo período de reabilitação.

- Hn.

Interiormente, Sakura suspirou. Ela estava esperando que Sasuke fosse um pouco mais... Bom, simplesmente não conseguia encontrar a palavra certa para descrevê-lo. Aberto, amigável, prestativo? Todas essas coisas eram ridículas de se esperar de Sasuke, mas ela estava esperando que ele fosse um pouco mais cooperativo. Dependendo de como fosse, o plano que Inner Sakura havia criado talvez não pudesse ser implementado. Pior cenário: iria recorrer ao plano B.

- Sente-se, por favor. - Sakura ordenou, tirando um livro de medicina e correndo os dedos até uma página com orelhas, onde continha algumas informações que poderiam vir a ajudá-la.

Ele obedeceu sem reclamar e sentou-se em uma posição de pernas cruzadas sobre o colchão, com as costas retas e os ombros eretos. Sakura ficou contente ao ver que ele já não estava mais algemado à cama, como anteriormente. Sua postura revelava sua natureza orgulhosa, mais uma vez, afinal, isso havia sido um grande golpe para seu ego, pensou consigo mesma.

Estendendo a mão em direção ao rosto masculino, a kunoichi desfez o curativo na parte de trás da cabeça, lentamente desenrolando a bandagem. Então, Sakura se aproximou e sentou ao lado de sua cama, fitando o rosto do rapaz.

Para alguém que não entendia a situação, parecia que Sasuke estava completamente bem e apenas ali, descansando, com os olhos fechados, mas Sakura sabia a real situação. Tsunade tinha realmente feito um bom trabalho no rosto dele, pois não havia marcas ou quaisquer indicações que sugeriam que ele havia sido mutilado por uma kunai, mas ela sabia que por trás de suas pálpebras fechadas, havia olhos ocultos, olhos completamente danificados.

- Abra os olhos, Sasuke. - Sakura falou com firmeza, mas com cuidado, tentando não ferir o orgulho Uchiha.

Lentamente, ele os abriu e Sakura notou o dano severo causado. Havia graves danos à córnea e mesmo que Tsunade tenha conseguido fechar parcialmente a ferida, o corte foi profundo e tinha uma crosta ligeiramente fechada e parecia extremamente dolorosa.

Sakura remexeu dentro de sua bolsa, procurando um oftalmoscópio. Sentando-se na beira da cama, expôs a luz do aparelho em cada olho, comparando os ferimentos. Havia danos à lente e a íris em ambos os olhos, mas na parte interior, poderia dizer com certeza, que não parecia ter sofrido nenhum dano grave. Colocou o oftalmoscópio de lado, seu conhecimento renovado sobre o olho humano permitindo-lhe reconhecer o que deveria fazer.

Sakura estendeu as mãos e afastou alguns fios soltos de cabelo negro do caminho, antes de colocar a ponta dos dedos em cada lado da cabeça do rapaz. As mãos de Sasuke subiram agilmente, agarrando-lhe os pulsos e afastando as mãos femininas para longe de seu rosto.

- O que está fazendo? - Ele perguntou, sua voz irritada.

Sakura olhou feio para ele, mesmo que o moreno não pudesse ver sua reação. - Eu estou tentando iniciar o procedimento de cura. - respondeu irritada. - Se não se importa, será que poderia largar meus pulsos?

Lentamente o enlace de Sasuke em seus pulsos soltou-se e ele deixou cair as mãos no colo novamente. Havia um traço de uma carranca em seu rosto; Sakura poderia dizer que ele estava desconfiado de suas ações, mas não havia nada que pudesse fazer sobre tal. Mais uma vez a kunoichi levou as mãos ao rosto masculino e colocou a ponta dos dedos sobre os pontos de chakra referentes aos locais necessários, onde o livro havia explicitado que seria.

Concentrando o chakra em suas mãos, começou a infundi-lo no crânio de Sasuke, mantendo severa vigilância sobre o fluxo de chakra que lhe ministrava. A moça fechou os olhos para se concentrar, manipulando o chakra sobre os olhos dele e nas áreas infectadas, usando suas habilidades de ninja médica para reparar os tecidos lacerados.


Por meia hora, ela e Sasuke sentaram-se em perfeito silêncio, nenhum deles se movera, o único movimento que podia ser visto era a lenta ascensão e queda de seus troncos no ato da respiração e o chakra brilhando na ponta dos dedos de Sakura. Após mais alguns minutos, Sakura deixou cair as mãos em cada lado do seu corpo, sentindo-se esgotada. Cura é algo tão delicado e principalmente no olho, era muito difícil e ela agora sabia porque Tsuande não o havia curado completamente na noite anterior, provavelmente ficara esgotada com a queda brusca de chakra.

- Terminei. - disse para Sasuke inutilmente. - Você pode se sentir sonolento como resultado do processo, então, deve tentar dormir um pouco.

- Hn. - Ele respondeu logo que Sakura se levantou da cama e foi pegar algumas bandagens novas.

Ela sentou-se atrás dele e envolveu as bandagens ao redor de sua cabeça, tendo o cuidado de não tocar nas proximidades dos olhos, não querendo feri-los. Sasuke esperou pacientemente a moça refazer o curativo na parte de trás e não disse nada quando ela levantou para sair.

- Vou voltar em uma hora e vamos começar a reabilitação. - disse-lhe, pondo a bolsa por cima do ombro, sentindo-se extremamente cansada. - Se precisar de alguma coisa, chame a enfermeira, usando o botão vermelho ao seu lado direito, ela deve ser capaz de atender suas necessidades até que eu volte.

E começou a atravessar o quarto, pronta para ir até a sala dos médicos e tirar um cochilo, seu chakra ainda estava baixo pelo fato de tê-lo curado na noite anterior e ela não tinha tido a oportunidade de repor completamente. O processo que acabara de realizar acabou por deixá-la exausta.

- Sakura. - Sasuke a chamou quando a moça estava prestes a sair.

Fazendo uma pausa, ela se virou para olhar para ele, ele já havia deitado na cama novamente e sua face voltada para o teto. - Sim Sasuke?

- Por que está fazendo isso por mim? - perguntou e ela pôde notar um tom de confusão em sua pergunta. - Por que vocês estão me ajudando, quando, há não muito tempo, você disse claramente que eu era um criminoso e traidor desta Vila?

Sakura deu-lhe um sorriso triste, mesmo que ele não pudesse vê-lo. E tentou falar suavemente de forma a pintar um retrato de sua expressão facial. - Você parece ter esquecido, Sasuke, as palavras que eu te disse naquele dia há três anos.

- Eu não me esqueci. - Sasuke respondeu após um momento.

Suas palavras a tocaram de tal forma. - Então deve saber exatamente porque estou fazendo isso por você.

E a essa última palavra, ela saiu do quarto, fechando a porta suavemente atrás de si.


... continua ...


N/T:

Fala, personas!

Como estamos, hein?

Então, flores, o que estão achando de Blind? É uma fic densa em diversos aspectos, ne.

Hmmm algo nos diz que Uchiha Sasuke não será um paciente tão... fácil assim, né.

Nossa heroina de cabelos rosados terá muitoooo trabalho pela frente.

...

Bonitonas,

vamos que vamos,

nos vemos ainda hoje lá no meu perfil,

bjitos

Hime.