Disclaimer: Naruto pertence à Masashi Kishimoto; Blind pertence à ObsidianSickle . Todos os direitos reservados.
Sinopse: Estava quase na hora, Orochimaru usaria seu corpo como recipiente. Ele odiava ser usado... ele recusava-se ser usado. Com esse pensamento, ele pegou a kunai e cravou a lamina em seus olhos.
Classificação: T - Gênero: Romance - Casal: Sasuke/Sakura.
BLIND
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Capítulo Traduzido por Ledger m., Kahli Hime e SamyUchiha
Betado por Bella
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Capítulo cinco
A Maldição Da Dignidade Corrompida
Precisou de um pouco de tempo para o sono tomar conta de Sasuke, sua mente continuava a brincar com o que Sakura tinha dito antes de partir. A lembrança ecoando como um fato vivo em sua cabeça: ela tentando convencê-lo a ficar em Konoha, ou pelo menos levá-la consigo. Ela tinha prometido que faria qualquer coisa por ele, tudo o que poderia fazer para ajudar, logo depois se encontrava inconsciente e deitada em um banco de pedra frio, como cortesia dele. As palavras da rosada o haviam tocado, mas, apesar disso, ele sabia que o que ela pediu era impossível. Seu coração estava em Konoha e ele tinha planejado nunca retornar, algo que a teria destruído por dentro.
Mesmo que tivesse estado tanto tempo longe da Vila Oculta da Folha, parecia que o tempo não tinha desvanecido a memória de sua promessa, nem seu amor por ele. No entanto, ela era diferente da menina que foi deixada para trás naquele banco, não era mais pegajosa ou excessivamente amigável com ele. Na verdade, havia sido bastante fria consigo quando foi interrogá-lo mais cedo naquele mesmo dia e foi bastante contundente. Talvez tivesse percebido algum ressentimento oculto em relação a ele por tê-la deixado para trás, mas isso não importava, ele não se preocupava com os sentimentos de Sakura.
Dizer que não se importava com Sakura seria uma mentira, apesar de sua paparicacão irritante, ela se tornou uma amiga próxima, tão próxima quanto Naruto e Kakashi haviam sido. Talvez fosse bom que Sakura fosse a única que pudesse reabilitá-lo ao invés de alguém que não conhecia, mas isso entrava em conflito consigo, uma vez que não desejava mais se associar com velhos conhecidos. Sasuke resmungou para si mesmo e rolou para o lado, sentindo-se um pouco irritado. Suas costas estavam doloridas e ele não sabia o porquê, os olhos ainda doíam um pouco ao abri-los para que Sakura pudesse curá-los.
Sonolência superou seu estado de ansiedade, enquanto ainda continuava pensando em sua situação atual, seus pensamentos conflitantes, e sua determinação indefinida.
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Sakura bateu uma vez na porta do quarto de Sasuke antes de entrar sem ser convidada. O cochilo tinha reabastecido sua reserva de energia imediatamente, mas ela sabia que iria precisar de uma noite inteira de sono antes que pudesse chamar a si mesma de estar completamente renovada. Sasuke virou a cabeça na direção dela quando entrou, com o rosto impassível.
- Você dormiu? - Perguntou a ele, não querendo ter que lidar com um Uchiha ranzinza.
- Aa. - respondeu sentando. - Minhas costas estão doendo.
Sakura sorriu para si mesma. - Eu não estou surpresa, você ficou sentado de forma tão rígida quando te curei mais cedo. Não tem que ficar tão tenso, provavelmente seria melhor se você se permitisse relaxar.
- Eu vejo. - Respondeu e Sakura mentalmente estremeceu com a ironia de suas palavras.
- Bem, - disse alegremente - não é bom para um enfermo ficar por muito tempo na cama, quando são capazes de andar. Vamos passear um pouco, para esticar as pernas.
Depois de dar um aceno rápido, Sasuke levou as pernas à borda da cama e se levantou, cambaleando ligeiramente. Com a ajuda de um braço para se firmar, manteve a compostura, enquanto o outro segurava o lado da própria cabeça, como se estivesse tentando parar algo de girar dentro dela. Ele parecia tonto e desorientado e Sakura não estava nem um pouco surpresa, depois de ter lido algo do tipo, quando estava revisando seus estudos. Andando até ele, estendeu-lhe um único braço e segurou-o.
- O que está fazendo? - Perguntou em um tom irritado.
Sasuke agora tinha uns bons seis centímetros a mais que Sakura, e quando ele se virou para encará-la, uma carranca em seu rosto, qualquer um teria sido intimidado. Aquele olhar fulminante que jazia escondido por trás do curativo, mas Sakura não se sentiria ameaçada.
- Eu vou ajudá-lo. - respondeu com paciência. - Você ainda não está acostumado a ficar sobre os próprios pés e muito menos é capaz de distinguir tudo ao seu entorno, sem ajuda de sua visão.
'O Plano A', Inner Sakura revisou mentalmente, pacientemente, depois de ter esperado uma reação como esta de Sasuke, "Seja razoável, explique a situação e tente fazê-lo entender."
- Eu posso muito bem me virar sozinho. - disse secamente. - Não preciso de você agarrada ao meu braço.
- Não seja ridículo, Sasuke. - respondeu, igualmente curta e seca. - Não há nenhuma maneira de você chegar muito longe assim.
- Eu posso me virar. - Rosnou, encolhendo o braço, saindo de seu alcance, não permitindo a ela agarrar-lhe de novo. Sakura suspirou.
'O Plano A: Falhou.' Inner Sakura suspirou em frustração, com a esperança de, pelo menos, manter o primeiro plano antes de ir para o "Plano B: Deixe ele se virar e deixar a realidade cruel colocar algum senso naquela cabeça dura, danificando seu próprio ego .Depois disso, minha ajuda não será recusada.
- Tudo bem então, Sasuke, faça como quiser. - Sakura disse, dando um passo para trás. - Depois de você.
Uma carranca suspeita passou pelo rosto masculino, mas ainda destemido, Sasuke caminhou orgulhosamente em direção à porta. Sakura poderia dizer que ele estava tendo problemas com o equilíbrio, enquanto sua mente não estava acostumada a ter a sensação do chão sob os pés como um ponto de referência. Ele estava tentando seu melhor para escondê-lo, e ela assistia a tudo com diversão sombria enquanto ele andava em um padrão instável pelo quarto. Na verdade, ela estava um pouco impressionada com a determinação dele, mas sabia que, independentemente de quão determinado estava, ele seria incapaz de dar conta de si mesmo neste momento. E suas suspeitas foram confirmadas quando, em vez de caminhar através da porta aberta, Sasuke topou feio no batente da porta.
Preocupada, ela se aproximou dele, mas o moreno fez um gesto desdenhoso quando ela tentou perguntar se ele tinha machucado a cabeça. Ela cruzou os braços teimosamente quando o viu passar pela porta e seguir para o corredor. Desta vez, ele foi um pouco mais inteligente, e colocou a mão contra a parede para obter apoio. Seu equilíbrio melhorou instantaneamente e ele caminhou pelo corredor segurando a cabeça, dessa vez, de forma digna. Sakura o seguiu.
- Você está indo melhor do que eu pensava. – Ela comentou em um tom claramente sonso.
Ele bufou em vista a tal observação e aumentou o ritmo, tentando provar para ela que iria conseguir. Foi então que sua mão desconectou-se da parede, quando finalmente chegara a sala. A súbita falta de apoio o levou a pender mais para a lateral.
- Cuidado com o canto, Sasuke. - Sakura comentou, sacudindo a cabeça ao comportamento dele, sentindo-se mal por ele, mas sabendo que não deveria demonstrar.
Recuperando a compostura, ergueu-se novamente.
- Eu gostaria que fosse para os jardins para tomar um pouco de ar fresco, vai te fazer bem. - disse a ele, tentando se aproximar novamente, mas ele se afastou. Ela encolheu os ombros, impotente. - Vamos apenas seguir o corredor que você acabou de descobrir e pegar o elevador.
Sasuke apoiou a mão na parede de novo e seguiu suas instruções. Sakura balançou a cabeça lentamente, mantendo-se um passo atrás dele; Tsunade provavelmente veria infeliz a forma como ela estava tratando seu paciente, mas a Haruno sabia que isso iria ser bom para aquele cabeça dura do Sasuke.
Ele chegou ao elevador sem mais incidentes e apertou o botão para baixo para enfatizar que sabia o que estava fazendo, virou-se e deu um sorriso triunfante para Sakura.
- Eu estou aqui. - disse ela, na direção oposta a que ele mirou, quando a porta do elevador se abriu. Um sorriso formou-se no canto dos lábios femininos ao ouvir um rosnado baixo ser emitido por Sasuke. Seguindo-a para o elevador, se inclinou contra a parede do local, com os braços cruzados. Ele não disse nada quando a porta se abriu novamente e saiu, imediatamente topando com uma enfermeira que estava esperando o elevador no andar principal.
- Cuidado com a enfermeira que está esperando o elevador. - Sakura informou ao seu paciente e Sasuke murmurou um pedido de desculpas para a pobre mulher e levantou-se novamente.
- Qual o caminho até o jardim? - Virou-se para ela, ao senti-la ajudar a enfermeira a levantar-se.
- Nessa direção. - Disse Sakura apontando à sua esquerda.
Como ela estava de pé à esquerda de Sasuke, sua cabeça estava voltada para ele, para a direita e ele confundiu a direção que sua voz havia indicado, e era exatamente isso que Sakura tinha pretendido. Ela o deixou dar alguns passos em tal direção, até que finalmente disse:
- É do outro lado.
Sakura revirou os olhos quando ele deu meia-volta abruptamente e marchou, passando por ela e murmurando uma longa sequência de maldições. Divertida, a Haruno o observava caminhar vertiginosamente por todo o hall de entrada, não tendo quaisquer paredes nas proximidades em que ele pudesse fazer referência de onde estaria indo. Ela caminhou atrás dele, um passo para trás para ter certeza que ele não iria se ferir gravemente.
Foi só quando ele deu o primeiro passo para fora, em frente a um pequeno lance de escadas, que Sakura falou. - Há uma ligeira inclinação, três degraus de profundidade.
Como previsto, Sasuke foi novamente ao chão, limpando a poeira de si ao se levantar em seguida.
- Só um pouco mais. - Disse alegremente enquanto passava através das portas automáticas.
Ela suspirou interiormente, com certeza ele era teimoso, ela estava esperando que Sasuke fosse admitir a derrota agora. Oh bem, óbvio que ele não tinha sido humilhado o suficiente e dar o braço a torcer e pedir sua ajuda.
- Nós vamos caminhar por pouco tempo, ok? - Ela disse a ele, e depois acrescentou com ênfase deliberada: - Você parece estar tendo dificuldades, e eu não quero que você se esforce.
A expressão facial dele estava lívida, mas Sakura balançou a cabeça, sorrindo ligeiramente. Com largos passos para frente, Sasuke se arrastava, não prestando qualquer atenção em Sakura. Sabendo que ele não iria chegar muito longe, ela simplesmente o assistia por trás.
O que fazia os jardins do hospital tão únicos não eram os tipos de plantas que tinham lá, mas sim a mais do que maravilhosa decoração exterior que havia nele. O jardim era construído em uma ladeira, porque o hospital era apoiado em uma colina, e o caminho não continuava em frente, mas sim, dividido em dois, abrindo uma fenda à esquerda e à direita. Os caminhos então se encontravam e chegavam aos jardins, onde os pacientes que estavam se recuperando poderiam apreciar os canteiros floridos.
Tendo notado isso, Sakura observou Sasuke tropeçando na bifurcação da estrada. Ele perdeu o equilíbrio por causa da falta de seu senso de direção, caindo perfeitamente sobre a borda do primeiro canteiro.
- Cuidado, Sasuke. - Sakura o informou, só depois que ele se desequilibrou, caminhando até a borda - O caminho se divide em dois.
Ela o viu cair através do ar — a queda não era tão alta, apenas um metro — e quando as mãos de Sasuke tocaram a terra, ele se girou em uma bola, a fim de se proteger. O que o moreno não tinha levado em conta era o fato de que havia outro canteiro um metro abaixo, mas ele rapidamente percebeu o fato, enquanto rolava por cima da borda e caía em um canteiro de rosas.
Sakura, que tinha os braços cruzados teimosamente, descruzou-os e pulou agilmente para seu lado; isso estava começando a ser demais e, aparentemente, Sasuke pensava assim também.
- Droga, Sakura! - amaldiçoou-a enquanto ela o ajudava a se levantar do mato, onde caiu - Por que diabos você está fazendo isso comigo? A única vez que eu vi você fazer algo assim... foi quando você estava lidando com Naruto!.
Sakura olhou com raiva para ele, esperando que de uma forma ou de outra ela pudesse transmitir ondas de seu descontentamento para ele. - Talvez seja porque você está agindo dessa forma tão infantil!
O Uchiha estava sentado no chão, uma expressão de desagrado que mostrava o que estava pensando. Ele não disse nada como resposta, apenas cerrou os punhos. Sakura cuidadosamente se aproximou dele, para evitar ser esmagada na grama.
- Sasuke, eu sei que você está acostumado a ser independente. Eu sei que você gosta de fazer as coisas por você mesmo. - ela falou com raiva para ele, com as mãos nos quadris - Eu sei que você evita o contato físico, como se todas as pessoas tivessem praga ou algo assim, mas você sabe o quê? Você não pode viver desse jeito! Você está cego, Sasuke, tanto quanto eu não queria dizer isso para você, eu estou achando que tenho que apontar o óbvio. Você perdeu a sua visão, algo que dá ao seu cérebro oitenta por cento da informação que você recebe, talvez até oitenta e cinco por cento para um Uchiha. Agora você está confiando cem por cento em sentidos que só diziam, no máximo, vinte por cento das coisas ao seu redor. Não há nada que o faça conseguir se manter por sua conta agora, você sempre vai precisar de algum tipo de assistência ao longo do tempo. Esta reabilitação é para você se acostumar a fazer as coisas por conta própria, mas isso não significa que você pode confiar inteiramente em seus outros sentidos. Estou tentando ajudá-lo com isso, fazendo o meu melhor para você voltar a viver uma vida normal, mas você se recusa a deixar-me chegar perto de você. Você está resistindo a minha ajuda. Se você ainda não pode amadurecer e se permitir obter ajuda de outras pessoas de vez em quando, então você pode esquecer sua vingança e deixar o seu irmão viver, porque não haverá absolutamente nada que você possa fazer sozinho quanto a isso.
Depois de sua longa palestra, Sakura ficou sem fôlego, já que tinha colocado tanta força em suas reprimendas que chegou a gritar com ele. Silenciosamente sentado no chão, Sasuke não tinha nem mesmo se encolhido com suas palavras, mas a Haruno sabia que, apesar dele estar mascarando suas emoções, ela bateu em algo sensível e agora ele estava pensando sobre o que ela disse. Depois de um tempo, os punhos dele relaxaram e Sasuke acenou para ela.
- Me ajude a levantar. - Ele ordenou em voz baixa, de costas para a garota.
Um sorriso de alívio se espalhou sobre os lábios dela quando percebeu que ele finalmente tinha aceitado sua situação. Suspirando, ela agarrou-lhe o braço e o ajudou a levantar. O moreno já parecia mais firme com ela o segurando.
- Confie em mim, é muito menos constrangedor ter alguém o ajudando por um corredor do que tropeçar em cada conjunto de escadas e pessoa que você encontrar. - Ela disse a ele calmamente, enquanto ele oferecia seu braço e ligava-o com o dela.
- Você poderia ter me parado, ao notar que eu parecia um idiota. - Ele murmurou, sua cabeça não estava levantada tão orgulhosamente como antes, mas sim inclinada de forma humilde.
- Como eu poderia colocar algum senso em você? - ela respondeu com um sorriso, levando-o cuidadosamente para fora do canteiro, para o caminho bifurcado e que não estava na direita deles - Cuidado, há uma cobertura aqui.
Ele cuidadosamente pisou sobre ela depois dela tê-lo avisado sobre isso, inclinando-se contra o braço de apoio, e Sakura aprovou seu comportamento melhorado, no entanto a roupa dele estava um desastre. O vestido branco do hospital estava coberto de terra e havia um par de galhos presos no cabelo de Sasuke. A bandagem em volta da cabeça não estava melhor, pois havia lama manchada sobre ela.
- Vamos voltar para dentro e te deixar limpo. - disse a médica, tentando não rir de seu estado - Talvez o ar fresco seja um pouco demais para você.
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Sasuke sentou-se na cama em seu quarto, perguntando como havia chegado ao quadro em que se encontrava no momento. Ele voltou ao quarto onde estava hospedado, sentado em uma posição de pernas cruzadas, com o braço esquerdo estendido para Sakura que encontrava-se sentada ao lado dele, limpando a sujeira com uma toalha molhada. Seu queixo estava apoiado na mão direita e seu cotovelo apoiado em seu joelho; sua mandíbula estava trincada de uma maneira teimosa, relutantemente, aceitando o procedimento.
Sakura tinha gentilmente pegado mais um daqueles vestidos horríveis do hospital para ele usar, e retirado o curativo da cabeça para evitar que a sujeira entrasse na ferida. Embora ele nunca fosse admitir isso para ninguém, desejava que tivesse escutado Sakura desde o começo e simplesmente aceitado a ajuda dela, em vez de passar por todas as provações constrangedoras que ela tinha o colocado. Não poderia ser evitado, porém, o que foi feito, foi feito, e ele sabia que se não cooperasse com Sakura, ficaria completamente indefeso. Ele odiava a possibilidade, mas olhando para trás quando fez a escolha de ficar cego ou não, ele havia optado pelo melhor. Estava vivo e não era o recipiente de Orochimaru—mesmo estando neste estado problemático, ele não se arrependia de sua decisão.
- Tudo bem, terminei. - Sakura disse alegremente, levantando-se - O braço direito é o próximo.
Ele moveu a cabeça para descansar na palma de sua mão esquerda, e estendeu o braço direito para ela, que começou a limpá-lo suavemente com a toalha. Ele suspirou um pouco, grato que não havia ninguém no quarto para testemunhar o que estava acontecendo, sentia-se envergonhado por seu desamparo. Ele estava realmente irritado com o que tinha acontecido, pareceu um idiota na frente de todas aquelas pessoas no hospital, tropeçando em coisas sobre as quais Sakura poderia tê-lo avisado, sendo que a rosada estava tentando ajudá-lo antes mesmo de sair do quarto. Ele apertou a mandíbula com força e fez uma careta; que idiota os Uchihas devem parecer agora.
- Vire a cabeça para mim, Sasuke. - Sakura ordenou e ele relutantemente concordou.
A toalhinha veio em seu rosto, com Sakura removendo suavemente toda a sujeira. Ele não conseguia entendê-la, ela disse que queria ajudá-lo, mas deixou que envergonhasse a si mesmo, e parecia ter achado isso divertido também. De repente, ele estremeceu quando o pano veio perigosamente perto de seus olhos.
- Cuidado! - Ele exclamou irritado, vacilando para trás e longe dela, tentando proteger seus olhos sensíveis.
- Me desculpe, Sasuke, mas eu vou ter que chegar perto; não podemos arriscar uma infecção. - Ela respondeu se desculpando.
Ele resmungou e permitiu que o pano entrasse em contato com o seu rosto, se preparando para a dor quando ela chegou perto demais da área dolorida. Depois de mais alguns minutos, Sakura tirou o pano e parou novamente. Seus passos recuaram e ele ouviu-a lavar o pano na pia do banheiro, que estava localizado em algum lugar do outro lado do quarto.
Ele se afastou dela quando a Haruno voltou, ainda estava com raiva pela forma como ela o tinha tratado. Um suspiro veio de trás e então ele a sentiu tirando os galhos e folhas que haviam ficado em seu cabelo. Seu mau humor escureceu.
- Eu gostaria que você parasse de ficar de mau humor, Sasuke. - Sakura disse atrás dele - É muito infantil.
Ele sentiu suas mãos irem para longe dele, seguido pelo som de alguns passos, em seguida, o farfalhar de um saco de lixo enquanto as folhas e galhos foram deixados no interior dele. Um armário foi aberto em algum lugar e ele ouviu-a vasculhando por alguns segundos antes de fechar o armário novamente. Atrás dele, podia sentir Sakura se aproximando mais uma vez, e depois de um momento, uma atadura foi colocada contra seus olhos, sendo enrolada em volta de sua cabeça. Ele esperou pacientemente até que Sakura prendeu o curativo antes de se deitar em sua cama e se enrolar em uma bola.
- Por que me deixou fazer papel de idiota, Sakura? – ele perguntou, não a encarando. – Eu pensei que você queria me ajudar.
- Eu tentei, mas você não me deixou. – respondeu ela em um tom exasperado, e ele sentiu o lençol do canto da cama perto de seus pés afundar quando a moça sentou-se. – Você insistiu que conseguia 'se virar sozinho'.
O moreno encolheu-se levemente, sentindo-se raivoso.
- Talvez eu esteja acostumado demais a ser independente. – Ele odiava dizer isso em voz alta, sentindo-se vulnerável por ela conhecê-lo tão bem.
- Bem, eu não consigo imaginar que isso seja fácil, – Sakura murmurou simpatizada. – afinal de contas, deve ser terrível estar cego. Mas não havia nada que você pudesse ter feito, certo? Então não é sua culpa estar nesse estado.
Nesse momento, Sasuke recordou-se dos motivos que o levaram a nunca ter gostado da Sakura. Suas irônicas e, ainda assim, verdadeiras palavras despertavam algo dentro dele; ela não poderia entendê-lo - ela nada sabia pelo que ele tinha passado. A moça tentara se conectar a ele apesar dela nunca poder nem ao menos se relacionar com ele. Sempre fora assim, Sakura se agarrando a ele, dando-o suporte, simpatizando-se com ele, mesmo ela não sabendo nada da situação. A rosada mesmo assim tinha que interferir - entre todas as pessoas no hospital, por que ela tinha que ser a escolhida para ajudá-lo? Por que não poderia ser outro alguém? Por que tinha que ser a Sakura? Por que a Sakura?
Uma sensação de queimação cresceu em seu pescoço onde o selo amaldiçoado estava; ele podia sentir sua raiva despertando o poder que Orochimaru o amaldiçoara. A dor agonizante entrelaçava-se em suas emoções, desenhando a motivação para, de repente, libertar-se de seu controle, correndo por sua extensão e fora do controle.
A raiva subitamente desapareceu quando apreensão tomou conta. Seus olhos se arregalaram apesar de não poder enxergar, e ele começou a sentir a marca espalhar-se por seu pescoço. Freneticamente, tentou controlá-la, forçando para retroceder, mas ele ainda estava fraco, por isso não conseguia. Estava espalhando-se mais rápido do que o normal - ele tinha notado que ela estava agindo de modo estranho ultimamente, mas apenas quando a ativava. Por que estava se ativando sem seu consentimento? Pânico começou a estrangulá-lo, o que lhe causou ainda mais preocupação - ele nunca entrava em pânico.
Desesperado, levou a mão bruscamente à marca, apesar de saber que não seria capaz de deter o poder que tinha se liberado.
- Sakura! – Ele se ouviu gritar o nome dela freneticamente, mesmo não sabendo o que ela poderia fazer para ajudá-lo. Ele sabia apenas que se não controlasse a marca logo, poderia matá-la contra sua vontade. Quem poderia saber o que a Vila faria com ele caso isso ocorresse... Esqueça o acordo, ele provavelmente seria executado. Inaceitável.
O peso no fim de sua cama desapareceu rapidamente assim que Sakura correu para o seu lado, ela levando seus ombros em direção ao próprio corpo, forçando-o a voltar a deitar as costas.
- Sasuke! Não, não use o selo! Sasuke, pare!
- Não consigo! – Ele rugiu entre dentes. Algo animalesco pareceu emergir nas profundezas do seu inconsciente, seus dedos começaram a coçar com a repentina vontade de machucar algo, destruir, enquanto sua parte consciente fazia de tudo para resistir.
Houve uma pausa atrás de si enquanto ele se contorcia em agonia, e ele perguntou-se fracamente o que ela fazia. A rosada o colocou sentado e ele sentiu-a abaixar-se no nível de seu rosto. Ele mal conseguiu conter o desejo do selo de alcançar o pescoço dela e estrangulá-la - Sakura deveria sair, ela acabaria morrendo. Estava sentindo perder o controle... Por que ela ainda estava lá?!
- Gomen.
Uma força inesperada atingiu sua nuca de forma precisa. Apesar de seriedade da situação, ele sorriu de lado levemente ao perceber a ironia da situação ao começar a perder os sentidos. Este tinha sido o mesmo método que ele usara para desacordá-la três anos antes. Escuridão o circundou quando finalmente desmaiou.
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- Ele o que? – Tsunade exclamou, batendo as mãos na mesa, encarando Shizune, que tinha acabado de trazer a notícia do hospital.
- Ele ativou a marca de alguma forma. – Shizune respondeu nervosamente diante do humor raivoso da Hokage. – Sakura conseguiu desacordá-lo, mas as marcas do selo ainda estão pulsando em sua pele. Ela diz que é quente ao tocá-las.
Tsunade cerrou os punhos firmemente antes de murmurar para si:
- Eu deveria ter cortado esse mal pela raiz quando o trouxe de volta do coma.
- Tsunade-sama? – Shizune perguntou timidamente, incerta sobre quais seriam as ações da Hokage.
- Shizune! – ela exclamou rispidamente, e a jovem pulou assustada. – Junte os médios da elite ninja que são especialistas em maldições e faça eles me encontrarem no hospital. Vá, rápido!
- Hai, Tsunade-sama! – A assistente exclamou antes de marchar para fora do cômodo.
Tsunade não desperdiçou mais nenhum segundo, passou por sua mesa e caminhou rapidamente pelo quarto, descendo as escadas em direção ao hospital. As pessoas saíam rapidamente da frente da Hokage enquanto ela caminhava pelas ruas ligeiramente. Ela quase esbarrou em alguns acompanhantes que deixavam o hospital assim que emergiu pela porta principal do local. A loira não se incomodou em pegar o elevador, correu pelas escadas, dois degraus de cada vez, pessoas pulando fora de seu caminho quando correu pelos corredores. Ela derrapou, parando na frente do quarto de número duzentos e quarenta e um, e abriu a porta.
Sakura estava sentada na beirada da cama de Sasuke, segurando a mão dele entre as suas, parecendo extremamente pálida e nervosa. O selo amaldiçoado espalhava-se por metade do corpo do Uchiha, ainda não se espalhando para o outro lado do corpo; ele estava inconsciente e imóvel, apesar do selo fazê-lo tremer como se sentisse febre. Sakura olhou para Tsunade aliviada, enquanto a Hokage se aproximava do lado da cama, lágrimas formando-se nos olhos de sua aprendiz.
- Tudo bem, venha comigo, Sakura. – Tsunade ordenou, não perguntando nada ou permitindo que Sakura perguntasse algo.
Tsunade pegou o corpo inconsciente e jogou por sobre seu ombro como se ele fosse um saco de batatas, ignorando o olhar de choque de Sakura e simplesmente indicou para segui-la. Caminhando a passos duros, Sakura a seguiu, secando as mãos enquanto o fazia.
- Tsunade-sama? – Sakura começou, mas Tsunade a interrompeu.
- O que aconteceu, Sakura? – Ela perguntou quando entraram no elevador, a porta fechando atrás delas.
- Ah, Tsuande-sama... – Sakura gemeu, cobrindo a face com as mãos – Eu acho que foi minha culpa!
- Como assim?
- Sasuke não estava sendo muito cooperativo, insistindo que conseguia fazer tudo sozinho... então eu o deixei tentar, e – Sakura tomou ar tremulamente - bem, não foi muito bonito para ele. Caiu e esbarrou bastante nas coisas antes de finalmente aceitar minha ajuda. Pode ser que, talvez, por eu tê-lo colocado sobre esse estresse, o selo de alguma forma...?
- Não. – Tsunade a respondeu firmemente, um sorriso surgindo em seus lábios apesar da situação. – Ferir a dignidade de alguém nunca machucou antes, e com certeza não ativa selos amaldiçoados. Um método interessante o seu, Sakura—de algum modo cômico.
- Então o que...? – Sakura perguntou, respirando profundamente para se acalmar.
Tsunade fechou os olhos e ponderou por um momento.
- Não consigo imaginar que ele estivesse bem humorado depois de passar vergonha em público assim. O Selo torna-se sensível com o tempo, e eu não ficaria surpresa que a raiva cause sua ativação.
Tsunade caminhou para fora do elevador assim que as portas se abriram, direto para o fim do corredor, para uma sala dedicada somente a maldições e outros danos causados por jutsu.
- Então foi minha... – Sakura começou, tom de desespero, mas foi novamente interrompida.
- Como ele reagiu com o selo despertando? – Tsunade perguntou rapidamente, chutando a porta para abri-la e sentiu-se irritada ao ver que Shizune estava atrasada para trazer os ninjas.
- Ele parecia... preocupado... não, mais como se estivesse assustado. – Sakura ponderou, amarrando a bandana que Shizune a presenteara, os nós dos dedos brancos.
- Exatamente. – Tsunade respondeu, repousando Sasuke no meio do cômodo vazio. – Ele não estava esperando que o selo reagisse e, desesperadamente, tentou controlá-lo. Você fez a coisa certa ao desacordá-lo, quem sabe o que poderia ter acontecido se você não o tivesse desacordado.
- O que você irá fazer? – Sakura perguntou, parecendo notar o quarto em que estavam.
Mordendo o polegar, Tsunade escreveu com sangue as palavras de um selamento que tomaria forma de um pentágono.
- Alguns ninjas médicos e eu começaremos um complexo jutsu de selamento da marca, um jutsu permanente. – Tsunade respondeu, escrevendo furiosamente rápido, os movimentos precisos enquanto deslizava pelo chão frio. – Essa será a última vez que Sasuke estará conectado ao Orochimaru. Ele nunca mais será capaz de usar o poder do selo novamente.
Continua...
n/t: Desculpem a demora, mesmo! O que acharam do capítulo?
Não se esqueçam das reviews...
xoxo
Ledger
