No dia seguinte, às sete em ponto, Naruto encontrava-se encostado num dos portões com as mãos no bolso. Devia cochilar, pois estava com os olhos fechados e não havia percebido a presença de Sakura. De fato, apesar de ele ter mudado um pouco, ainda era muito difícil para ele manter os horários sem parecer um morto-vivo.
A rosada, ao perceber que ele não notou que ela já estava lá, pensou em como ele havia sido idiota em ameaçá-la dizendo que a deixaria para trás se ela chegasse atrasada. Com esse pensamento, fez uma careta e mostrou a língua para ele, o que foi muito infantil de sua parte. Mas, diante de toda sua infantilidade e ignorância, Sakura mal percebeu que ele já havia retomado a consciência e a observava sorrateiramente.
– O que você está fazendo? – perguntou friamente. Isso. De uns tempos para cá, "frio" definia Naruto muito bem.
Sakura tomou um susto ao ouvir a voz séria de Naruto. Provavelmente, ela sentiu que suas bochechas coraram ao notar que ele a julgava com um ar superior nos olhos.
– Bem, eu... não interessa! – disse enquanto se recompunha.
– Hum... doida. – disse após sair andando, deixando-a sozinha.
– Do que você me chamou? – seguiu-o. O fato de ele não ter ligado muito para sua pergunta a fez serrar os punhos. Naruto nem se deu o trabalho de virar para responder olhando-a nos olhos. Ele apenas colocou as mãos atrás do pescoço e manteve a direção em que caminhava.
– De doida. Você quer que eu... soletre? – deu um pequeno sorriso de canto enquanto imaginava os xingamentos e absurdos que ela devia estar prestes a dizer naquele momento.
– Ora, seu... – Sakura direcionou seu punho na direção da cabeça de Naruto, mas o mesmo foi mais rápido e a impediu, segurando-a pelo pulso mais uma vez. Parecia tão mais fácil evitar novos hematomas daquela maneira. Porém, dessa vez, ele não tentou controlá-la, ou algo do tipo, e sim a puxou para perto de si, aproximando-se de seu rosto.
– Eu pensei ter dito para não me desrespeitar. – disse quase encostando suas testas uma na outra e olhando-a nos olhos. Era fascinante como ele conseguia fazê-la calar apenas com a penetração de seus olhos azuis. A uma distância realmente mínima, suas respirações chocaram-se e Sakura parou de raciocinar por alguns instantes.
– J-já. M-mas e daí? – forçou-se a dizer.
Naruto a encarou por mais um tempo e resolveu deixar passar. Não valeria à pena causar uma discussão àquela hora da manhã só para que pudesse manter a postura de "chefão", então a soltou.
– Anda, não podemos nos atrasar. – disse e saltou entre as árvores com o intuito de fazê-la o seguir.
Algum tempo depois, eles finalmente haviam chegado em frente à entrada do esconderijo da Akatsuki. Realmente, era muito suspeito o fato de eles terem alcançado o local sem nenhuma dificuldade. Não poderiam deixar a guarda baixa em momento algum e estavam em suas posições à espera de qualquer investida de algum dos membros da equipe inimiga.
Depois de alguns dias esperando, muitas discussões aconteceram entre os dois. Pensaram até em trabalhar sozinhos, certa vez. Mas levaram em consideração que seria praticamente impossível, para qualquer um deles, capturar um dos inimigos sozinhos. Até porque dificilmente seria uma luta "mano a mano", já que os membros da Akatsuki andavam em duplas. Então, não seria nada simples capturar um deles com outro na cola.
Não muito tempo depois dessa sábia decisão, finalmente, um deles saiu. Estava sozinho, por sorte. Era um homem alto, musculoso e de cabelos brancos que portava uma foice com três pontas. Aparentava ser muito forte. Os dois ninjas da folha procuraram manter sua presença o mais oculta possível, para que pudessem preparar uma emboscada eficaz. Porém, de alguma maneira, o inimigo os detectou e algumas shurikens foram lançadas em sua direção. Esquivaram-se rapidamente e ficaram diante do Akatsuki em posição de luta.
– Olá, crianças! – cumprimentou enquanto ria debochadamente. – Como é que vão, pequeninos?
– Cale a boca! Você virá conosco até Konoha para um interrogatório, seu maldito. – disse Sakura.
O homem riu mais alto.
– Primeiro de tudo, você deve se dirigir a mim como "Senhor Hidan". – disse puxando a foice tripla de suas costas. – E, segundo, vocês iram sofrer a ira do meu Deus por serem tão insolentes! – continuou rindo.
A luta entre os ninjas finalmente começou. Sakura correu em direção a Hidan e, com o máximo de chakra possível focado em seu punho, tentou acertá-lo. Infelizmente, seu soco errou o alvo e ela acabou acertando o chão, criando uma grande cratera.
– Se isso tivesse me acertado, com certeza seria um problema. – pensou após suspirar aliviado por ter conseguido esquivar. – Preciso manter você afastada. – após dizer isso, Hidan depositou um forte chute nas costas de Sakura, jogando-a para longe dali. Aquilo a manteria afastada por um tempo.
– Sakura! – Naruto a viu bater em um tronco e cair quase inconsciente no chão. – Tsc, droga. – pensou. – Ei, você! Por quê não bate em alguém do seu tamanho? – disse depositando um soco no rosto de Hidan, mas não forte o suficiente para fazê-lo cair, ou sequer atordoá-lo.
– Ora, mas que garoto burro. – riu. – Um moleque tentando me matar! – riu mais alto depois que pegou Naruto pela gola de sua jaqueta e o jogou no chão pressionando sua garganta com o pé. – Eu sou imortal, seu moleque. – após dizer isso, Hidan pisou contra o peito de Naruto. Só que, dessa vez, forte o suficiente para quebrar o chão. Porém, para sua surpresa, apenas uma cortina de fumaça branca se encontrava no lugar do loiro. Era um clone.
– Pelo visto, você que é burro. – disse Naruto enquanto corria, ao lado de dois outros clones, em direção ao homem grisalho. – Oodama Rasengan! – O golpe foi desferido diretamente no peito de Hidan e, logo após isso, ele caiu ao chão, ferido.
Naruto estava ofegante e, aparentemente, cansado. Passou dias acordado, à espera da saída do inimigo. E também havia usado uma grande quantidade de chakra para conseguir fazer o justu de substituição e, logo após isso, criar mais dois clones e ainda fazer o Oodama Rasengan. Era certo que ele possuía uma grande quantidade de chakra. Mas ele não podia se sobressair demais, uma vez que quanto poder comum ele usava, mais ele abria espaço para que a Kyuubi o atormentasse.
– Moleque insolente... – disse enquanto levantava-se. – Pensei ter dito que sou imortal. – cambaleou um pouco até que, finalmente, estivesse recomposto para lutar. – Você, garoto, é um bem precioso para a Akatsuki. Infelizmente, eu não posso te matar. Mesmo que isso vá contra as minhas crenças. – pegou a foice de volta. – Mas nada me impede de... – Hidan olhou em direção à Sakura. Naruto percebeu rapidamente o que ele faria, então prontificou-se a evitar o pior.
– Droga, ela não. – correu em direção a ela e tentou pegá-la no colo, porém, antes que Naruto pudesse tirá-la dali, a foice de Hidan o acertou nas costas.
– Ah! – gritou de dor.
– O ritual começa agora. – sorriu maleficamente.
Naruto caiu em cima de Sakura. Suas costas possuíam três grandes abertura e, delas, muito sangue escorria. Talvez ele não conseguisse ficar consciente por muito tempo. Mas ele precisava tirá-la dali antes que o pior acontecesse.
– S-sakura... – chamou-a, mas não obteve resposta. – Sakura, acorde! – dessa vez gritou. Naruto tentou acordá-la de todas as maneiras. – Droga, acorde! – socou o chão, ainda em cima dela, e deixou que uma lágrima escorresse. Então, poucos segundos depois, sentiu movimentos leves embaixo de si. Ele não conseguia se mover. Havia algo naquela maldita foice que o deixou sem movimentos. Fora que ele já estava se sentindo tonto pela grande perda de sengue.
– N-naruto, o que você... – Sakura ainda encontrava-se atordoada pelo chute que havia recebido.
– Escuta, você tem que fu- AH! – ele terminaria de falar, mas acabou sentindo uma dar insuportável em seu estômago e tossiu uma quantidade considerável de sangue em Sakura. Ela o olhou assustada, pois não sabia o que havia acontecido.
– Ah... A dor não é maravilhosa? – sorriu enquanto enfiava uma estaca preta em seu estômago. Hidan estava bem diferente de antes. Agora, ele possuía uma pele escura e algumas listras brancas espalhadas por seu corpo. Ele também se encontrava parado dentro de um símbolo no chão, desenhado com sangue. Era muito estranho como aquele homem, mesmo com vários ferimentos e sentindo dor, conseguia rir e sentir prazer. Ele era, de fato, um louco.
