Notas da Autora: Segunda parte do capítulo doze. Acabou que ficou um pouco maior que a parte 1, vai entender.

Boa leitura.

Resumo do Capítulo: " Que coisa estranha, por que eu não estou fugindo?!"


– CAPÍTULO DOZE –

TIPO UM ENCONTRO PARTE 2

Tanto Jasper quanto Esme ficam encantados ao verem ela sair do quarto tão linda. Jasper nunca tinha visto ela daquele jeito e sentiu seu coração inflar ao ver aqueles olhos castanhos brilhando em sua direção.

– Disney. – Alice disse sorrindo ao abrir o blazer e mostrar a camisa por baixo dela.

Jasper soltou uma gargalhada involuntária, algo que Alice ainda não tinha ouvido, mas que gostara muito. Esme por sua vez suspirava e revirava os olhos.

– Não acredito nisso...

Esme negava com a cabeça até ver Jasper se aproximar de Alice, pegar sua mão e ali depositar um beijo delicado, sem ao menos desviar o olhar do dela.

– Maravilhosa como sempre.

Alice corou fortemente e apenas assentiu com a cabeça, sem conseguir tirar o sorriso dos lábios. Jasper ofereceu seu braço e Alice entrelaçou o seu ao dele. Olhou para Esme que estava com um sorriso muito maior no rosto.

– Viu, ele gosta. – Fez uma careta para a prima.

Os dois saíram do apartamento de braços dados e Esme ficou os encarando da porta, bastante feliz por ver a prima finalmente seguir em frente.

– Não façam nada que eu não faria. – Gritou pouco antes da porta do elevador se fechar e os dois sumirem de sua vista.

Os dois saíram do prédio e Alice agradeceu mentalmente por não estar fazendo tanto frio como nas outras noites, se não acabaria congelada com toda certeza. Ela, que já não estava mais com o braço entrelaçado ao dele começou a andar em direção ao metrô, mas ele não a seguiu apenas ficou parado a olhando se afastar.

– Onde está indo? – Perguntou curioso tirando as chaves do carro de dentro de sua calça jeans.

– Não vamos de metrô?!

Ela olhou para as mãos dele e o viu apertar um pequeno botão nas chaves e um Audi a8 preto, que estava em frente ao prédio dela, apitou ao ser destrancado. Jasper caminhou até a porta do carona e abriu para ela, que se aproximava.

– E quem disse que eu ando de metrô?

Piscou para ela ao oferecer sua mão para lhe ajudar, e assim que ela entrou no carro ele pode fechar a porta e entrar do lado oposto.

Sua mente foi até o dia em que conhecera Emmett e ele a acompanhou até o metrô, e depois na festa em sua casa quando tivera que ir embora sozinha de taxi por que o esportista estava ocupado demais socando seu irmão mais novo. As comparações eram impossíveis de serem feitas àquela altura.

Pode deixar-se reparar melhor agora na roupa que ele estava usando. Incrivelmente ele também estava com blazer preto e jeans, e ela tentava ignorar o fato de isso está parecendo um pouco bizarro se for pensar por aquela "sintonia", se assim pode-se dizer. Por outro lado ele estava com uma t-shirt branca de alguma banda de rock que ele gostava, já que sua estampa estava um pouco desgastada, e all star preto.

– Está tudo bem? Ficou quieta de repente. – Perguntou rapidamente desviando sua atenção da rua para ela.

– Está sim. Apenas estou vendo como está bonito hoje.

Ele sorriu ainda mais com aquele elogio.

– Por que estamos saindo da cidade? – Perguntou por fim reparando que não estavam mais em Manhattan.

– Nem todos os bons restaurantes ficam em Manhattan.

Alice tentou acompanhar o caminho para ver se descobriria para onde estavam indo, mas ela já estava perdida pois Jasper entrava em várias ruas como se estivesse se despistando de alguém. Mas também não queria falar onde iriam ou qual era a especialidade, seria surpresa. Ela só rezava para não estar indo a nenhum lugar estranho.

Jasper parou o carro na rua em frente a vários prédios, e todos pareciam estar em suas casas já que a rua estava lotada de carros de ambos os lados.

Andaram de mãos dadas por poucos metros em silêncio e Alice estava quase perguntando onde raios eles estavam indo quando pararam em frente a um pequeno portão de ferro que dava para a parte de baixo de um dos prédios, e que era vigiado por um homem bem grande.

– Boa noite Sr. Jasper... senhorita.

O homem abriu o portão de ferro para os dois e Alice ficava cada vez mais confusa com aquilo tudo. Desceram uma pequena escada e já se podia ouvir várias vozes vindo da pequena casa e uma música ao fundo.

– Bem vinda ao Crab Cave. – Jasper dizia animado quando eles passavam pela estreita porta de madeira. – O melhor restaurante de frutos do mar de New York.

De caverna aquilo não tinha nada, pelo contrário, era um dos restaurantes mais bonitos que já havia ido, e já fora em muitos com Esme.

Ele era todo claro e dispunha de grossas pilastras de mármore, lustres de vários tamanhos sendo o maior no meio do salão e confortáveis cadeiras acompanhadas lindas mesas de madeiras. Todos os garçons trajavam roupas sociais mas apenas o metre que usava terno. O mesmo encaminhou os dois para uma mesa no canto.

– Nossa, tudo tão lindo. – Disse pôr fim ao ver ele se sentar à sua frente. – Como conheceu este lugar? Quer dizer, ele é completamente escondido.

Jasper sorriu para ela.

– Essa é melhor parte, quase ninguém conhece. – Ele via que Alice notava cada detalhe do lugar, admirada. – Meus pais trouxeram eu e minha irmã, quando ainda erámos pequenos, na nossa primeira vinda à New York. Acontece que eu me apaixonei.

Um garçom se aproximou da mesa deles e disse que iria atendê-los àquela noite. Jasper pediu um vinho enquanto eles escolhiam o prato.

– E seus pais, eles moram aqui também? – Alice perguntava o olhando por cima do menu que o garçom havia lhe entregado.

– Não, eles continuam morando no Texas. Eu vim assim que entrei para a faculdade e minha irmã veio logo depois.

Jasper fechava seu menu e entregava ao garçom que havia trago o vinho.

– Tudo parece maravilhoso. – Alice estava em dúvida ao olhar tantos pratos, e assustada ao notar o preço de cada um. Olhou mais uma vez por cima do cardápio para Jasper e sorriu para ele, por fim o fechando. – Já que você gosta tanto daqui, o que recomenda?

– A lagosta é maravilhosa. – Sugeriu.

Alice se virou para o garçom, que ainda esperava os dois se decidirem, e entregou o cardápio.

– Lagosta, por favor.

O garçom assentiu anotando o pedido dela e se virou para Jasper, que apenas indicou dois dedos dizendo querer o mesmo.

Podia sentir suas mãos soando a cada segundo, mesmo as secando na calça discretamente. Aquele era o primeiro encontro que tinha depois do acontecido anos atrás. Desde então nunca mais conseguira se envolver com outro homem. Obviamente que conhecera homens antes de Jasper, mas todas as vezes que eles a convidava para sair sua cabeça lhe pregava uma peça e a lembrava sobre James, então eles nunca obtiveram respostas e Alice sumia de suas vidas.

É claro que aquilo lhe causava uma solidão absurda, por isso tentava focar na sua vida profissional e esquecer, por um tempo, que sentia falta de carinho e atenção que não poderia ser dados por livros ou por sua prima.

Alice estava nervosa, queria correr para o banheiro e fugir pela janela. Era obvio que Jasper estava apenas brincando com ela como todos os homens do mundo. Então ela voltaria para seus livros e tudo ficaria em paz novamente.

Mas por que não estava correndo para fora daquele lugar? Jasper a olhava em seus olhos, intrigado com seu silêncio, mas sorriu para ela. O coração de Alice pulou ao vê-lo sorrindo. Era obvio, ela gostava dele e não queria fugir.

Ela sorriu de volta para ele e deu um gole de seu vinho, prologando ainda mais o seu silêncio perturbador.

O que sua prima lhe diria para fazer? Será que seria ridículo demais correr para o banheiro e ligar para Esme? "Para de ser bicho do mato mulher, nunca viu homem não?! Respire fundo, sorria e ache o que vocês tem em comum. Não foge!" Podia ouvir a voz de Esme ecoando em sua cabeça.

– Então, quando será sua formatura? – Perguntou por fim, finalmente quebrando aquele silêncio ensurdecedor que havia se instalado naquela mesa.

– No final no mês. – Jasper respondia mais calmo dando graças a Deus por ela ter puxado falado algo novamente. Ele estava tão nervoso quanto ela, até parecia que nunca havia feito aquilo antes. Mas ele sabia que Alice era diferente, que aquele encontro não era como os de antes. – Finalmente.

– Finalmente o que? – Congelou por um segundo pensando que ele estava falando da falta de assunto. Ele também notara que ela era uma tapada que não conseguia manter um assunto numa mesa?!

– A formatura. – Sorriu para ela, dando um gole em seu vinho. – E você e seus estudos? Vive enfurnada naquela biblioteca, sempre com os olhos vidrados nos livros.

Ele a observava? Nunca tinha visto Jasper na universidade, a não ser na noite anterior. Será que ele a estava seguindo?! Se estava, por que ela não se sentia violada ou algo parecido?!

– Eu não vivo enfurnada na biblioteca. Eu fui numa festa semana passada. – Disse em tom de desdém – Você estava lá, sabe disso.

– Uma única festa em anos na faculdade e viu só no que deu?! Você conseguiu arrumar confusão com o dono da casa!

Jasper estava se divertindo com aquilo, gostava de a provocar, ainda mais por que ela caída nas suas provocações.

– Por que acha que eu não vou nas festas? Eu vou em várias.

– Allie, eu vou em todas e você nunca está lá. Já tivemos aulas juntos e você nunca olha pro lado, sempre está de olho no quadro ou no laptop. – Ele a via arquear as sobrancelhas, incrédula. – Você é nerd.

– Eu não sou nerd! – Alice respirou fundo e cruzou os braços em cima da mesa. – Anda me observando Senhor Whitlock?

Ele piscou e sorriu para ela.

– Quem sabe...

O garçom se voltou com seus pedidos, colocou os pratos à sua frente, serviu mais vinho e se retirou logo depois. Ela olhou para o prato e se dera conta que nunca havia comido lagosta na sua vida. Para tudo se havia a primeira vez.

Depois da primeira garfada ficou contente em saber que não passaria vergonha já que o prato, como Jasper havia dito, era maravilhoso, de fato.

– Mas respondendo a sua pergunta: Os estudos estão ótimos. – Disse depois de dar um gole em seu vinho. – Infelizmente não posso dizer o mesmo do estágio.

Jasper pareceu preocupado já que nunca tinha visto nenhum problema relacionado à Alice dentro do hospital. Todos gostavam muito dela, tanto os colegas de trabalho quanto os pacientes.

– Aconteceu alguma coisa? Algo que eu possa fazer?

– Nada demais, o salário do estágio que está pouco e eu não consegui uma vaga como enfermeira. – Alice dava de ombros enquanto remexia a lagosta com o garfo no seu prato. – Felizmente eu consegui um emprego numa clínica de idosos no Brooklin.

– Clínica de idosos, Alice? Eu posso te conhecer pouco mas sei muito bem que esse não é o seu sonho.

– O que eu posso fazer Jasper, não dá para continuar no hospital ganhando o que eu ganho. Nem todo mundo tem salário de cardiologista como você.

Rapidamente olhou para ele pois sabia que havia sido grossa sem motivos.

– Desculpa. – suspirou. – É que estou chateada com isso, de verdade.

Segurou a mão dela por cima da mesa e a acariciou levemente, quando ela voltava seu olhar ao dele, sorriu.

– Deixa eu te ajudar, eu converso com o diretor. – Ela ainda negava com a cabeça e ele segurou a mão dela. – Não vou deixar você fugir assim de mim, Alice Brandon.

– O que, vai sentir minha falta? – Questionou rindo, como se fosse uma piada.

– Sabe muito bem que sim.

Mais uma vez sentiu o forte rubor subir à sua face.


Notas da Autora: Vou confessar que essa parte foi bem chatinha de se fazer. Não sou a pessoa mais romântica do mundo. Ok, não sou nem um pouco romântica e em todos os meus primeiros encontros eu queria fugir pela janela, como a Alice. Pelo menos ela tem um motivo para isso, eu sou bicho do mato mesmo. KKK

Até o próximo capítulo.
Beijos!

"Gentileza gera gentileza
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