II
- Eram edain e eldar?
- Sim - dizia Mairon a Thuringwethil enquanto lixava as unhas, tornando-as afiadas como gostava de usar - Eram sim. E de grande monta. Finrod Felagund, Beren e mais uns da laia deles. Agora estão sob meu poder! Provavelmente achavam que podiam tomar a ilha de mim, os tolos! Pois verão quem sou eu.
A mensageira o olhava com respeito. Ele sequer se abalava diante da tentativa de invasão, parecia completamente convencido quanto a estar tudo sob controle naquele aspecto. Mandava um lobo por dia para matar aos prisioneiros, usava-os mesmo de alimentos aos seus "bichinhos", como dizia ele, e assim poupava trabalho nas caças para alimentá-los.
Enquanto isso, escrevia cartas a Melkor, nem se ocupava com os prisioneiros os quais julgava muito reles para o seu poder.
Escrevia coisas como:
"Meu adorado Melkor,
Penso em si durante todo o tempo. Estou tão feliz! Nada pode me tirar essa felicidade. Pensar em si já é o que me faz viver e ser ditoso. Gostaria de estar em seus braços agora, mas já que não posso da ilha me ausentar, mando a si mil beijos com os quais encho este papel.
Por favor, não esqueça nunca que o amo e que é a razão de meu viver!
PS: Compus uma música a si, veja a letra:
Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente eu vou te amar..."
Ia já selar a carta e mandar Thuringwethil enviar, mas então lembrou daquele vago aborrecimento dos tolos invasores, e resolveu contar ao vala afinal.
Escreveu num PPS:
"Já ia me esquecendo mas lembrei a tempo. Esses dias Finrod, Beren e mais uma súcia veio aqui fingindo ser orc. Como aqui não tem nenhum idiota, logo os desmascarei e os rendi. Estão nos calabouços servindo de comida aos wargs, em breve já não sobra mais nenhum vivo!
Com amor,
Mairon"
Mandou com efeito a mensageira o enviar, e ela o fez com presteza. Vê-la levar a sua carta a Melkor o fez suspirar de amor, e novamente voltar a seus devaneios.
A resposta não tardou a vir. Logo a mensageira a trouxe, e Mairon, entusiasmado, a abriu.
Dizia no bom e velho estilo de Melkor:
"Minha puta gostosa,
Fico feliz que esteja bem. É pena apenas estarmos longe um do outro, mas de qualquer forma enquanto não ficamos perto eu fico aqui batendo uma, pensando nesse seu traseiro safado e nessa sua boca gulosa.
Espero que esteja também batendo uma pensando em mim te fodendo bem gostoso. Adoro esse seu cuzinho apertadinho.
Quanto aos prisioneiros, ótima finalidade deu a eles: alimentar wargs! Não servem para nada mais.
Essa música que você fez é muito bonitinha, mas quero ver se consegue cantá-la enquanto eu te chupo a boceta, e sem desafinar. Sim, quero ouvir isso quando estiver na forma feminina.
Do seu puto que adora te foder:
Melkor"
- Thuringwethil, venha ver isso! Venha ver!
- Hun? Mas a correspondência não é confidencial?
- Não, eu acho que ele não se importaria que lesse isso!
A mensageira leu. E ambos assim riram da concupiscência do Senhor do Escuro.
- Ora, ele diz que sente a sua falta e vai "bater uma" pensando em vocês...!
- Pois sim! Não sabe, mas no fundo tenho receio de que ele não esteja somente "batendo"... às vezes fico com medo de ele ter outros amantes, mas não digo nada, pois caso soubesse de algo eu enlouqueceria de ciúmes...!
- Homens são assim mesmo! Não se prendem a uma só...
- Mas eu também sou homem e não quero outro que não seja ele!
- Sei. Mas também aparece de mulher. O senhor Melkor eu nunca vi mudar a forma, ele sempre aparece de homem. Hoje que está completamente encarnado tudo bem, mas mesmo quando tinha "fána" ele nunca quis assumir formas femininas.
- É verdade, a energia dele é mais puxada pro masculino que a minha. Mas de qualquer forma...! Será que ele tem outros?
- Não pense nisso! Não vale a pena.
- Verdade. Acho que vou ver como andam aqueles prisioneiros!
E assim foi. Quando chegou às masmorras, viu Felagund morto e Beren chorando sobre ele.
- Ora! O elda já morreu! Que bom. Agora só sobrou você, não?
Beren observou ao maia com raiva, mas nada disse. Achava que falar com ele só ia gastar palavras em vão; ele que já estava tão cansado por todas aquelas perdas e tragédias.
- Agora só falta você. Meus lobos vão adorar a sua carne! Ah, vou expor seu esqueleto para Lúthien quando a capturarmos!
Riu novamente a sua risada sinistra e enfim saiu. Beren ficou ali, ruminando ainda a perda do amigo, enquanto Mairon era todo alegria, todo paixão.
Mandou Thuringwethil enviar uma carta de resposta ao amante e a mesma logo teve resposta. Melkor perguntava a ele se tinha algo muito urgente a fazer, ou se os prisioneiros davam muito trabalho; pois se não dessem, que ele viesse para Angband, para que o vala conferisse se ele conseguia mesmo cantar enquanto era chupado. Mairon riu e se excitou ao ler aquilo.
- Thuringwethil, só sobrou um adan idiota. É, o tal de Beren, o noivinho da Lúthien. Se nem Finrod deu trabalho, ele menos. Pois olhe tudo direitinho pra mim, que vou amar ao senhor Melkor hoje! Depois te conto os detalhes!
Ela assentiu, enquanto Mairon ia em forma de morcego em direção a Angband.
OoOoOoOoOoOoO
As velas tremeluziam. As unhas longas e compridas de Mairon se agarravam à cama, tentando não se descontrolar. Estava em sua forma feminina, nua, as pernas abertas, Melkor chupando-a e enfiando dois dedos dentro dela.
- Ah...!
Quando sentiu que ela estava muito próxima de gozar, o vala retirou os dedos, subiu em cima dela e a penetrou de uma vez, já iniciando um movimento bem intenso.
- Ah, Melkor...!
- Geme pra mim, sua vadia...!
- Ah, meu amor...!
- Canta pra mim enquanto o meu pau te devassa por dentro...!
- Eu sei... que vou te amar...!
- Não vale, já desafinou! Não consegue nem uma frase.
- É que me põe louca...!
Já muito excitado com ela, Melkor a mordeu no queixo, nos lábios e chupou seu pescoço. Mairon gemeu, abraçou-o e aferrou as unhas nas costas dele.
- Que xana gostosa você tem...!
Abriu ainda mais as pernas dela, penetrando fundo até o fim, fazendo-a gozar muito em breve e gozando dentro logo em seguida.
Deitou-se em cima dela, cansado. Era essa a desvantagem de se ter um hroa, mas que se podia fazer? Quanto a isso não podia escolher.
Mairon o abraçou e sussurrou em seu ouvido:
"Por toda a minha vida..."
Melkor a beijou na boca.
- Sabe, Mairon, que desde que eu admiti que te amo, até o sexo ficou melhor?
O maia sorriu de volta, plenamente satisfeito.
- É? Me ama desde quando?
- Há muito tempo. Só não queria admitir a mim ainda.
Mairon se pôs todo feliz, a beijar as mãos, o rosto, os ombros de seu amante e senhor. E seu sorriso era tão luminoso, que Melkor se sentia bem só de ver.
- Quem está mesmo na fortaleza? Finrod morreu, e os outros?
- Só sobrou Beren, o inútil do noivo de Lúthien.
- Ah, sim... Lúthien.
"Noivo!", pensou ele afinal. "Até ela, que nasceu de Thingol, o qual veio bem depois dos ainur todos, vai se casar e eu não! Pois... será que Mairon aceitaria se casar comigo?"
E tinha ganas de pedi-lo em casamento. Ora, por que não? Já admitira o mais difícil, que era amá-lo. De resto o casamento era uma formalidade só. E por que não? O maia o adorava, cuidara da fortaleza para ele em sua ausência, fazia de tudo por ele; casar seria algo pequeno em face de todo o resto!
Mas não podia, veja bem, exigir que se casasse consigo. Poder até poderia, mas não teria graça. Queria ser aceito de livre e espontânea vontade. E tinha medo, ainda, do "não", da rejeição enfim, por mais que por ações o maia o amasse ainda temia a rejeição.
Então resolveu abordar um tema mais próximo, se bem que parecido:
- Mairon, por que não vem morar aqui comigo? Assim podemos nos ver mais frequentemente...
- Ahn... e a fortaleza? E os wargs?
O cenho de Melkor se fechou na hora. Pois é! Dizia que amava, fazia música, beijava e adulava, mas na hora de morar consigo, não queria! Eram os wargs, os exércitos, tudo isso mais importante! Pois sim! Já se arrependia de ter admitido que o amava!
- Gosta mais dos wargs que de mim!
- Claro que não! Mas Angband já tem seus próprios generais...
- E se puder ir visitar a Tol in Gaurhoth sempre que quiser? Hein? Aí vem morar aqui?
- Bem... pode ser. Mas e Thuringwethil, ela saberá cuidar da ilha sozinha?
- Ah, dane-se a ilha, Mairon! Eu quero te foder todos os dias!
E dito isso, chupou-o no ombro e o agarrou forte pela cintura. Dizia que queria fodê-lo, mas queria mais. Queria-o ao pé de si o tempo todo, sempre disponível. Pra que wargs! Pra que ilha! Que se danasse, colocava-se Gothmog ou Thuringwethil mesmo e pronto!
Mas Mairon tinha muito zelo pelo serviço também. Adorava a Melkor, mas não abria mão dos seus interesses por ele. Portanto ainda não lhe dera resposta final.
Estavam ainda se abraçando quando bateram à porta. Aborrecido, Melkor vestiu apressadamente a um robe e atendeu a porta. Mairon se cobriu, a fim de que não vissem sua nudez.
- Que é?
Era um dos arautos.
- Senhor, Lady Thuringwethil traz um recado urgente de Tol in Gaurhoth.
- Ora! Mairon, você quer ir falar com ela?
- Quero sim. Apenas peça para que ela espere alguns minutos a fim de que eu me banhe, vista e atavie!
Assim foi. Ambos os ainur se banharam juntos, mas não houve tempo para um "segundo round" de sexo na banheira, pois Mairon estava ansioso pela mensagem. Algo lhe dizia que aquilo tinha que ver com Beren.
Quando saíam, o vala e o maia (o último após o banho tomara sua forma humana masculina), em direção à mensageira, estava ela aflita na porta.
- Senhores, perdão pela interrupção, mas a ilha! Foi invadida!
- Invadida?! - repetiu Mairon, atônito - Por um exército?
- Não. É somente Lúthien, a donzela de Doriath, e parece que com ela vem um cão.
Mairon riu e fez um gesto de desdém.
- É só isso?! Pois os soldados da ilha poderão interceptá-la. Não esqueça de fazer com que ela veja a Beren morto.
- Senhor, não quero contrariá-lo. Mas não seria melhor o senhor ir lá resolver isso pessoalmente?
- Que acha, Melkor?
- Ora. Vá. Vá, fale com ela, veja o que ela quer. Aprisione-a e diga a Thingol que só a libertaremos caso nos deixem em paz.
- Está bem.
Os beijos de despedida, porém, foram tantos, que Thuringwethil quase se impacientou. Ambos já estavam há uns dez minutos se despedindo e dizendo "Até breve", mas não se largavam.
"Despedida de namorados", pensava ela, um pouco aborrecida com aquilo.
Mairon enfim fez um movimento mais brusco e ia sair dos braços de Melkor, quando o vala disse a ele, de maneira enfática.
- Após resolver esse negócio...! Venha até aqui! Vai morar comigo, está me ouvindo? Vai morar! Não quero nem saber!
Mairon sentia nas palavras dele uma ordem, não um pedido. Mas não queria contrariar a seu amor, então assentiu, disse que se veriam em breve. Beijou-o mais uma vez nos lábios e enfim tomou sua forma de morcego. A mensageira fez o mesmo, e foram ambos voando até Tol in Gaurhoth.
- Thuringwethil, ele quer porque quer que eu more com ele! Como será isso?
- Ora, vá! Não disse há pouco que queria ser o único amante dele? Pois agora poderá vigiá-lo de perto.
- Verdade. Mas... sabe, a verdade é que eu sempre quis me casar com ele.
- Sério?
- Sério. Sempre tive inveja de Varda e Arien, as quais em tempos passados foram pedidas por ele porém rejeitaram-no. Que loucas, rejeitar a um homem daqueles! O vala mais poderoso de todos! Pois ele nunca me pediu. Que raiva! De qualquer forma, me conformo em ser amante. Pelo menos tenho algo de si. De resto, sempre achei que casamento era mais do que eu merecia...
Mas a mensageira o olhava de uma forma como se pressentisse algo.
- Quem sabe... quem sabe será a sua sorte! Se ele chamou pra morar junto!
- Pois é! Não custa sonhar um pouco.
Sendo assim, pousaram na murada da fortaleza de Tol in Gaurhoth. E qual não foi a surpresa de Mairon ao ouvir a voz de Lúthien em seus domínios!
- Ela canta! Pois vamos ver quem canta melhor!
Tomando de sua forma masculina, Mairon foi em direção à música, a qual ressoava sem parar por toda a ilha.
To be continued
OoOoOoOoOoOoO
Coitados desses dois, os dois querem casar mas nenhum tem coragem de pedir pro outro! Chega de desconfianças né!
Tô adorando fazer essa fic. Vai ter mais só um cap, mas quando a inspiração vem temos de escrever.
Beijos a todos e todas!
