NOTAS INICIAIS
Mais um capítulo, para os eventuais leitores! A história não está sendo betada, por isso, peço que perdoem a falhas, por favorzinhoo!
Enjoy it *-*
Disclaimer: Os personagens e os lugares desta história pertencem à J.K. Rowling. Não é minha intenção auferir lucro com eles.
III. Alohomorra
Serei muito sincero neste momento, e espero não causar emoções tão conflitantes — certo de que você achará minha estratégia bastante cruel.
Fazer mal a quem ela queria bem sempre fora parte do plano. Pessoas como ela ficavam bem sozinhas, e ela estava sempre acompanhada dos amigos imbecis, desprovidos de qualquer talento. Sobre Weasley, não sei se preciso falar muito a respeito. Sempre fora um burro, integrante de uma família desordeira e traidora do sangue; Harry Potter, como todos sabem, tinha apenas a fama a seu favor e mais nenhum atrativo que enchesse os olhos, além da cicatriz ridícula na testa.
Veja bem, a solidão transforma as pessoas. Elas passam a olhar para quem está a sua volta de forma diferente. Se tudo Corresse conforme o planejado, ela se tornaria um alvo fácil, e eu não hesitaria em atirar onde mais causasse estrago. Eu sempre soube que o olhar de ódio dirigido à minha pessoa, seria facilmente derrubado caso ela pudesse estar comigo, sem comparações com seus amiguinhos.
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Você não pode controlar todas as coisas, mas pode controlar a forma como algumas delas acontecem.
Minha mãe me disse isso certa vez. Foi uma frase inusitada para os termos dela, que acreditava no poder daqueles que nascem "em condições adequadas", de controlar o curso do mundo.
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Naquela semana o sol havia retornado, finalmente. Depois de um mês inteiro de chuva intensa, a grande estrela voltara a iluminar os vitrais que embelezavam as janelas de Hogwarts.
Mais uma aula com ela. Era torturante.
Odiava a presença de Hermione nos corredores da escola, mas odiava ainda mais a sua existência, ali tão próxima. Tornando-me suscetível aos piores sentimentos que um homem poderia experimentar.
Naquele dia eu estava especialmente preparado. Pedira para meu pai comprar "Um estudo avançado sobre poções impossíveis ", um livro com poucos exemplares, que ele dera um jeito de comprar, na tentativa desesperada de fazer o filho ser o melhor em alguma coisa.
Ela entrou na sala, aparentemente preocupada com alguma coisa. Estava completamente sozinha, o que era deveras estranho, já que sempre estava na cola dos dois babacas: Potter e Weasley.
Os olhos estavam visivelmente inchados e vermelhos. Ou dormira demais, ou chorara demais, a hipótese de estar usando poções entorpecentes também passou pela minha cabeça, e a ideia me provocou um riso involuntário. Ela olhou em minha direção, contrariada, e o nosso diálogo ficou gravado em minha memória.
"Feliz, Malfoy?"
Fiquei me questionando, com uma porção generosa de raiva, sobre o quão insolente ela poderia ser, a ponto de cometer o atrevimento de dirigir-me a palavra? Com aquele tom debochado, ainda por cima.
" Falando comigo, Granger? Ou com a sola dos meus sapatos de puro couro 'Malfoy'. Produzido nas melhores lojas bruxas?" . Mais deboche.
" A sola dos seus sapatos renderiam uma boa conversa. São mais valiosas e inteligentes do que o próprio dono." Ela estava com o nariz empinado, os olhinhos castanhos mirando de esguelha, por cima.
"Senhorita Granger, não bastasse a confusão causada na aula passada, ainda tumultua a presente aula com provocações ao Senhor Malfoy?" A voz untuosa do professor Snape se fez ouvir. O mesmo rosnado desdenhoso de sempre. " Menos 40 pontos para a Grifinória ".
" Senhor Malfoy, devo parabeniza-lo pela precisão no corte dos ingredientes. A poção levará metade do tempo para ficar pronta. Por descobrir esta informação sem precisar da orientação de um docente, concedo 50 pontos para a Sonserina. "
O sabor da vitória era doce. O sabor da vitória quando a batalha era contra Hermione Granger, era uma tonelada de iguarias da Dedosdemel.
"Obrigado Professor"
Virei-me para Hermione, com o velho sorriso presunçoso de sempre. O coração fervendo, a garganta seca e uma vontade quase doentia de alcança-la e prendê-la entre os armários e os ingredientes de poções, absorver todo o cheiro que emanava dos cabelos desalinhados e volumosos.
" Respondendo à sua pergunta, Granger: Estou extasiado."
Ela não retrucara daquela vez. Algo no curso natural das coisas havia se alterado. Ela sempre respondia de volta. Hermione tão somente encarou o meu sorriso velhaco e o olhar vitorioso. Eu poderia apostar que, dentro dela, a sensação de injustiça provavelmente queimava feito uma lareira que acabara de fazer uma ligação.
E eu consegui ver, olhando-a nos olhos, que ela estava infeliz. Uma grande parcela de meu ser estava embevecida, afinal, conseguira calar a sujeitinha mais irritante de toda a escola. No entanto, havia uma voz dentro de mim, quase adormecida, que gostaria de saber o que havia acontecido.
De acordo com os burburinhos nos corredores, ela havia terminado seu namoro com o ruivo pobretão. Estava ferida, solitária e eu não mentirei, estava perfeita para mim. Eu finalmente poderia fazê-la entender o quão infeliz era a vida das pessoas que viviam à margem da fama do "Garoto-que-sobreviveu". Desejar a solidão dela, para poder tê-la era cruel, mas eu nunca fui o mocinho, e na época, eu clamava por uma oportunidade. Uma que fosse perfeita para aplacar meus desejos.
Naquela mesma semana nos colocaram para realizar a pior das funções, juntos. Sendo monitores estávamos encarregados de ajudar Madame Pince na organização dos chamados, livros "mortos", que nada mais eram do que exemplares inúteis, os quais os alunos sequer tocavam, e faziam um volume desnecessário na Biblioteca da Escola. É claro que a opinião dela havia sido em sentido completamente oposto da minha. Nas palavras da sabichona, os livros "mortos" representavam a melhor e maior parcela da história de Hogwarts. Utilizou uma infinidade de argumentos, que eu parei de ouvir logo no início, pois, dois tigres ferozes brigavam dentro de mim, um deles sentia vontade de gritar com ela, manda-la calar a boca, afinal de contas estava acabando com a minha concentração. Dizer o quanto ela era repugnante e uma ameaça à pureza da sociedade bruxa. O outro tigre, dizia, por sua vez, num tom morno e sussurrante, que gostaria de apanhar-lhe os lábios e cala-la com, não um , mas vários beijos. Tocar a pele macia que deveria ser sua nuca, e desembaraçar todo aquele emaranhado de fios que caiam levemente pelos ombros estreitos.
Ela me chamou muitas vezes. Perguntando -me se estava tudo bem, porque, de repente eu ficara pálido e trêmulo. Respondi-a com a frieza e malcriação de sempre, e ela não disse mais nada.
Durante algumas horas ficamos na biblioteca, cada um pensando no que quer que fosse, e Céus! Como eu desejava saber o que ela estava pensando... Mas, para minha infelicidade, não houve mais nenhuma palavra. Até o fatídico momento, que eu costumo chamar de: 'Onde tudo começou a mudar'
"Eu nunca lhe agradeci." Ela falou, de repente. O livro pesado que estava preso entre minhas pernas, caiu, atingindo em cheio meu pé. Não doera, mas eu não sabia o que responder, então optei pelo desprezo de sempre.
"Não me lembro de ter lhe ajudado algum dia, Granger"
"Bem, você pode se comportar como um imbecil que sempre foi, ou pode admitir que se não tivesse amparado a minha queda, eu provavelmente estaria sem os dedos, por encostar numa poção altamente destrutiva, que estava no chão."
"Reflexos, Granger, dizem que é involuntário. Esteja certa de que se eu estivesse sob o controle total da situação, não teria 'amparado sua queda', seria muito mais interessante vê-la sem os dedos, ou qualquer outro membro."
Ela não disse nada. Parecia pensativa, e, após alguns segundos de ponderação, falou o que eu pretendo guardar para o resto de minha vida.
"Talvez exista algo de bom nestes seus reflexos, então. Quem sabe você não seja de todo ruim, Malfoy. Deixe seus reflexos fazerem algumas coisas em seu lugar."
Diante da ausência de hostilidade, minha mente não conseguia trabalhar com a mesma rapidez. Eu poderia ser estúpido, novamente, ou apenas sair dali, mas, aparentemente, meu corpo ficara colado na poltrona da biblioteca. Alguma coisa dentr ode mim gostaria de saber o que aconteceria depois.
Contrariado, e provavelmente com um semblante confuso demais para disfarçar quaisquer reações que poderia estar demonstrando, levantei-me e aproximei-me dela, que não estava tão longe – apenas duas poltronas de distância -. Cheguei próximo o suficiente para toca-la, ajoelhei-me em frente a ela, e senti que meu sangue corria apressado nas veias, o coração batia freneticamente, e eu me perguntei se ela conseguiria ouvi-lo. Retirei o livro que estava no colo dela "A utilidade das pupilas de um Gryndllow morto há duas semanas." Segurei a mãozinha, levemente suada, e trêmula e pressionei-a, como no dia em que a salvara de uma queda fatal. Sem desviar o olhar dos olhos castanhos e surpresos, aproximei a mão dos meus lábios e plantei um beijo no dorso. Meus lábios formigaram em resposta, e senti-a estremecer. Ela não retirou a mão. Me coloquei em pé, sem solta-la, e pressionei suavemente os frágeis dedos.
Quando finalmente depositei a mão de volta no colo dela, o silêncio, quase sagrado, foi quebrado pela minha voz, arenosa e bastante fraca.
"Reflexos."
Virei-me e caminhei em direção à porta, sem olhar para trás. Eu sabia que algo havia mudado. Sorri, não um sorriso vitorioso, mas um daqueles que a gente nem percebe que está dando.
A primeira porta havia sido aberta. O primeiro espaço a ser conquistado.
Alohomorra...
Nunca um feitiço fizera tanto sentido
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Você não pode controlar todas as coisas, mas pode controlar a forma como algumas delas acontecem.
