A casa inteira sendo fiscalizada. O pai, sequer tinha visto desde que foi arrastada sem violência por aquele homem enorme. A amiga de cabelos loiros se espantou ao vê-a sendo levada, gritando seu nome. Dois dos policiais colocaram-se à frente, impedindo a menor aproximação que fosse.

– Sigamos em frente... – disse ele, fazendo-a olhar para frente e não para a amiga, atrás de si.

– Para onde eu vou?

– Para a Chefatura de Polícia. Afinal, não vai deixar seu pai sozinho, não é?

Lina respirou fundo. Seguiu o resto do seu caminho calada. Soltando o antebraço dela, Laffitte a pôs na carruagem pertencente a polícia e ambos seguiram do mesmo jeito, sem falar nada. Lina obedeceu sem nenhuma necessidade dele impor respeito à base de intimação. Dentro daquela carruagem, Lisa fechou os olhos, procurando se acalmar por dentro. Mas suas mãos tremiam, sentia seu corpo suar levemente. Apenas abriu os olhos ao ver cidadãos tentando controlar o fogo que foi posto por estes mesmos piratas. Laffitte olhava tudo com uma mão no queixo, apreciando aquele trajeto até o departamento. Em poucas e rápidas vezes, movia os olhos para ver como estava a pessoa que viajava quieta e tensa ao lado. Os cabelos em corte tipo channel que cobriam parte do rosto dela não disfarçavam aquela tensão em ela se encontra.

– Espera aqui. – disse ele, quando a carruagem parou e ele ia descer primeiro, para ir até o lado dela e estender a mão para Lisa, que hesitou em ceder aquele cavalheirismo. Ficou olhando aquelas mãos tão pálidas e de tão poucas linhas – Agora, pode vir.

Ela finalmente pôs sua mão na dele, que ajudou a descer do transporte. Sem segurá-la pelo antebraço, ele acompanhou a jovem de cabelos cor de amora até o gabinete do seu ex-chefe.

– Era a única pessoa ligada aquele homem.

– Aquele homem estava envolvido em algumas situações... irregulares. Já o conhecia. Chegou a me chantagear para facilitar seus golpes sujos.

Lina olhou preocupada para o outro homem.

– É mesmo? – disse Laffitte, se lembrando da conversa entre estes mesmos que ouviu em segredo.

– Uhum. Mas vamos interrogá-lo logo. O pirata também. – e aproximou-se mais dele – E teremos que ser bem firmes, se for necessário.

– Sim, é claro. – por dentro, Laffitte adorou aquilo.

– Bem... essa mocinha é quem, mesmo?

– É a filha desse homem.

– Mas ora... será que ela sabe de alguma coisa também?

– Deixa comigo, eu a interrogo.

– Mas primeiro, queria que você fizesse o interrogatório com o gordo e o pirata. Ela ficará aqui, esperando a vez dela.

– Certo. E onde está esse homem?

– Já na sala dos fundos. Precisamente na sala três.

– Ótimo. Com licença. – referindo-se aos dois, o homem de cabelos negros foi até os dois naquelas salas dos fundos que sentia falta. Onde só uma vez se divertiu bastante em arrancar informações de um criminoso.

Lina pode sentar-se à mesa do gabinete do outro oficial.

– Terei que reportar isso à Marinha, também... – disse, discando um den den mushi.

A pobre moça ficou quieta, aguardando em uma má ansiedade a sua vez.

...

– Gasp... aff... aff...

– Parece que não quer colaborar conosco, não é? – Laffitte segurava o pirata pelos cabelos, enquanto calmamente forçava a cabeça dele dentro de um barril cheio d'água.

– Xerife... há necessidade disso? Será que ele terá fôlego para confessar se continuar assim?

– Há necessidade, sim... – ele lhe dirigiu um olhar frio e sério. – e se ele morrer é porque quis.

Um dos policiais olhava aquela cena, perplexo.

– Xerife, posso pedir ajuda a um de nossos...

– Ninguém. Ninguém deve saber, nem o outro chefe de vocês. – cortando a fala do outro, ele voltou a afundar a cabeça do pirata que começou a confusão na cidade no barril. Ele sacudia-se agoniado.

– Certo. Com licença, vou ver o outro detido. – batendo continência, saiu da sala.

Laffitte deixou o pirata respirar novamente, além de oferecer uma cadeira simples para ele.

– Cansei de forçá-lo a falar. Agora, quero que me conte sobre essa máfia para a qual trabalha.

– Heh... recuso... recuso a trair meus superiores!

– Aaaah! – o outro lamentou sarcasticamente. – Então, terei que voltar a praticar teste de fôlego...

– Prefiro morrer! – e cuspiu no chão, antes de continuar – a trair dos meus!

Laffitte puxou-o novamente, sem muita dificuldade, e jogou contra a parede, de tal forma que o pirata bateu com a cabeça a ponto de quebra-la contra aquela estrutura rígida. Com a ponta da bengala que estava pendurada no braço, apoiou-a na ponta do queixo do outro e agachou-se, ainda ficando um pouco maior que ele.

– Diga-me... sem rodeios... tudo que sabe sobre essa máfia. – com os olhos encravados nos dele, hipnotizou-o, fazendo falar tudo aos poucos. Sentia-se zonzo com a pancada na cabeça e só conseguia manter sua consciência devido ao seu estado hipnótico.

Obtendo as informações que queria, deixou o homem cair desmaiado. Agora, ia confirmar o que o pirata lhe tinha dito torturando o pai de Lina. Mandou trazer novamente naquela mesma sala o homem gordo, que foi jogado no chão.

– Por favor... não faça nada com minha filha! Estou aqui para isso! – o homem implorava.

Laffitte deu um golpe na nuca dele, fazendo-o perder a consciência. Os outros dois que o trouxe para onde estava o xerife olhavam um para o outro, aparentemente chocados com a atitude do homem de estrutura corporal bem magra e esguia.

– Trata de falar apenas... o que eu exigir que fale. – ele nunca alterava a voz calma e até confortante mesmo naquelas situações. Pelo menos, ainda não precisou se alterar desse jeito.

Ao recobrar a consciência, a segunda pessoa a ser interrogada pelo homem de cartola abriu os olhos lentamente. Estava amarrado em uma cadeira e o pirata havia sido retirado do local, sendo levado para a prisão. Sentia a cabeça grossa com névoa e dor, pulsando por dentro. O espaço escuro iluminado apenas por um fogo à sua direita. Uma sombra moveu-se nas proximidades, destaca das sombras, se aproxima.

– Então acordou...

– ... que quer de mim?

– Já disse para falar apenas para responder as perguntas.

– Tsc...

– Bem... você, assim como esse pirata, tem algum envolvimento com a máfia que quer tomar esse lugar?

– ...ele me subornou diante de ameaças...

Laffitte percebeu logo que ele mentia. Lembrou-se quando viu o mesmo tentando persuadir seu antigo chefe.

– Não sinto firmeza... em suas palavras... – ele acariciou a ponta da bengala em seu rosto, até o peito – eu preciso de você para ficar quieto. – o xerife disse, em seu tom ainda agradável de ouvir, mas a vítima sentiu perigo por trás daquela calma toda.

– Como mentiria nessas condições? Foi ele quem invadiu minha casa e provocou essa confusão toda na cidade! Mas por favor... prometa que... nada fará a minha filha? Ela é uma jovem que nunca viu a violência e a maldade nessa cidade!

– Verei o que posso fazer... – ele coçou a orelha, olhando para uma teia de aranha que avistou no canto do teto.

Lembrou-se daquela criatura de semblante angelical. Assustada, desconfiada, tensa. Os lábios que mal se mexiam ao pronunciar palavras. Os olhos de um lilás tão vivo e enigmático.

– Eu trouxe a sua filha... aliás, ela me pediu ajuda ao me ver vasculhando a sua casa. – confessou a verdade ainda olhando para a teia.

– Por que... ela fez isso?

– Ela sabe que sou autoridade máxima nessa cidade, como o mais recente Xerife Superior. Todo mundo sabe disso, você não sabia? – virou-se para encarar novamente sua vítima.

– Eu sabia, sim...

– E conhece o outro Xerife Principal, não é? – referiu-se ao seu antigo chefe.

– ...sim.

– E nunca... atreveu-se a persuadir ele para fazer o mesmo que disse que esse pirata fez contigo?

A testa do homem brilhava em um suor de tensão. Laffitte percebeu que ele ficou mais tenso quando ele lhe fez essa pergunta.

– ...o que sabe sobre mim e o antigo Xerife?

– Nada... apenas lhe perguntei, por que conheço desses casos... e sei que está mentindo.

– Eu não estou mentindo! – disse nervoso.

– Olha como ficou nervoso, de repente... – ele saiu dali, preparando algo para ele.

– ...o que quer mais de mim?! Já lhe disse tudo que queria!

Laffitte retornou assobiando, com uma pequena bandeja nas mãos. Ele sorriu para o homem atado e colocou a bandeja ao lado da mesinha de canto, perto donde ambos estavam. O pai de Lisa não pôde ver o que estava ali, até quando ele levantou uma faca daquela bandeja. A lâmina brilhou com a luz do fogo; era bastante claro que ele faria.

– Está tudo bem. Apenas relaxe...

A faca se moveu lentamente, descendo em direção a parte de baixo à mostra de seu braço. O outro assistiu incrédulo, enquanto Laffite aprecia o que fazia. O xerife desenhou uma linha vermelha sobre a pele dele, que ofegava e resistia ao corte. A lâmina é afiada, cortando a pele com facilidade, e sangue está sujando sua camisa branca. A insuportável dor. Mas ele não quis gritar, achando que a filha estava perto e que poderia se desesperar com aquilo. Laffitte é bem lento em detalhado naquela tortura.

– Ohh... vejo que é bem resistente... diferente do outro fracote que interroguei antes.

Encravou a faca em seu músculo macio. Sua voz ecoou no espaço ao gritar, tremendo e tentando se afastar. Laffitte sorria sadicamente, arrancando com força a faca da pele, causando outro grito dele e colocou a faca de volta na bandeja. O homem inclinou a cabeça para olhar para seu torturador.

– ...miserável... quer me fazer gritar... para assustar minha filha! – disse chorando.

– Você pode evitar mais gritos se olhar nos meus olhos e confessar a verdade. Veja, eu lhe falei a verdade sobre sua filha. E quer que eu te digo outra verdade? Eu o flagrei subornando meu antigo chefe com seus planos.

Ele o olhou assustado, confessando-se com aquela expressão.

– Viu só esse desespero? E mais outra, seu parceiro pirata confessou todos os planos da máfia tomar essa cidade promovendo uma guerra civil.

O pai de Lina sacudia a cabeça. Laffitte não queria se estender demais ali. Hipnotizou-o, obrigando a falar tudo. E ele disse exatamente tudo o que o pirata lhe havia dito, também sob hipnose. Com esse recurso, Laffitte sempre descobria se a pessoa estava falando a verdade ou a mentira antes disso.

– Ohhh... que coisa mais feia! Sou tão sincero em minhas palavras e você tão mentiroso!

– Ah... ahh... o que eu falei?

– Hohohohoh... disse exatamente o que queria ouvir! – deu um chute forte naquela barriga macia e volumosa de sua vítima. Pegou a faca novamente. Seus olhos brilhavam com aquela peça manchada de sangue. E o torturado gritou mais uma vez, enquanto as fatias de faca através da carne de seu braço já ferido... uma, duas, três vezes. Os golpes são profundas e de longo e superficial, feitos para sangrar e ferir. Ela puxou pelo mesmo braço ferido, para doer mais. E o outro lutava desesperado com mais intensidade para se libertar, mas ele não conseguia se soltar – estava bem amarrado. Vendo o homem desmaiando de tanta dor, Laffitte parou com sua brincadeira sádica. Percebeu as próprias roupas sujas de sangue. Não poderia ver aquela moça daquele jeito.

Saiu da sala dizendo que precisava se trocar. Até seu antigo chefe se espantou ao ver as roupas sujas de sangue do parceiro.

– Mas o que houve?!

– Fui agredido e precisei fazer o mesmo. – disse ele, indo para a área onde dormia. Ele dormia em um alojamento ao lado da Chefatura de Polícia. Lá, ele poderia tomar um banho e trocar aquelas roupas. Sentia como se o sangue que corria em suas veias tivesse sido substituído pelo fogo. Rapidamente, refrescou-se em uma água bem fria e trocou sua roupa. Vestindo o mesmo estilo de roupa – porem, a blusa era totalmente branca e macacão azul marinho bem escuro. Caminhava em direção ao escritório principal, onde estava Lina.

– Não quer deixar para amanhã? Parece um pouco exausto, realmente.

– Não. Quero fazer tudo sem interrupções. Já fiquei tempo demais parado...

...

Tendo a impressão que ouviu os gritos do pai, Lina havia se levantado da cadeira, sendo segura por um dos guardas.

– O que estão fazendo com meu pai?

– Por favor, senhorita! Não se atreva a invadir o recinto local!

– Preciso saber... ao menos o que está acontecendo com ele?

– Ele está sendo interrogado pelos nossos oficiais. Breve, você poderá ir até uma de nossas salas.

Lina acabou voltando para seu lugar. Apertava suas mãos uma na outra. Abaixou a cabeça, rezando sem pronunciar uma palavra. Ficou assim por aproximadamente dois minutos, até que apareceu o Xerife Principal e o Superior. O guarda e ela se levantaram de onde estavam sentados.

– Laffitte... não acho necessário interrogá-la com rigor. Não me parece que está envolvida com isso.

– Mas pode estar! ...mas se for inocente, obviamente descobrirei e será poupada. Mas o pai dela e aquele pirata devem ser reportados para a Marinha. São bandidos do mar.

Laffite caminhou até ela, que sentia as pernas tremerem.

– ...sua vez. Acompanha-me sem nenhum medo... a não ser que tenha algo a esconder...

Lina não achou graça naquela ironia e hesitou em dar um passo adiante. Lafitte inclinou o rosto, com ar duvidoso.

– Venha... não vou matá-la. – ofereceu a mão novamente para ela, repetindo o gesto cavalheiro quando a tirou da carruagem.

Ela estendeu sua mão e, com a mão dada a ele como se fosse dançar o minueto, foi guiada até a sala um. Soltando a mão dela, ele fechou a porta trancando. Foi até a mesa que havia no local e, sentando-se, convidou a jovem para fazer o mesmo. Trocaram segundos olhando-se. Era como se ambos estivessem se conhecendo com os olhares – e era o que eles realmente estavam fazendo. Mas Laffitte cortou o silêncio entre os dois.

– Bom, Lina... é esse seu nome, não é?

– Sim.

– Não precisa abaixar a cabeça para falar comigo. – ele comentou com um rápido sorriso. – e vou precisar lhe olhar nos olhos para saber se está falando a verdade... e pelo visto, já começou mal!

– Mas... só por isso pareço culpada?

– Sim, claro. Mantendo a cabeça normal diante de uma questão, mostra a tranquilidade de quem não tem a nada a dever.

Lina olhou-o de acordo com essa descrição dele. Ele sorriu, apreciando o belo rosto daquela simples cidadã. Uma bela cidadã que nunca havia visto antes daquele dia.

– Isso. E assim é melhor para poder esses olhos... – ele se inclinou para pegar no queixo dela, fazendo-a encará-lo. Ela ficou vermelha. Ele voltou a se posicionar confortavelmente na cadeira.

– Não se parece como seu pai...

– E o meu pai? O que houve com ele? – ela se levantou, batendo as mãos na mesa em um impulso não programado.

– Sente-se. – pronunciou a ordem, sério.

Sem jeito, ela voltou a sentar. Abaixou a cabeça novamente, mas aquilo era vergonha e medo diante de tal homem.

– Seu pai terá que prestar contas com a Marinha, junto com o pirata.

– ...tenho a permissão para falar?

– Tem. O que quer falar?

– ...meu pai... era um criminoso, mesmo?

– Sim, minha querida. Eu sinto... mas tenho que agir conforme a Lei. É meu dever.

– ...entendo. – não controlando os lábios trêmulos, começou a chorar baixinho, quietinha. Um chorinho doce... mimoso... que fez Laffitte parar de prosseguir as perguntas para admirar aquela criatura.

– ...desculpa. – ela limpou as lágrimas e levantou o queixo, olhando para ele.

– Bem, posso começar?

– ...pode.

Laffitte não perdeu tempo em praticar nenhuma sádica tortura, apenas hipnotizando-a para fazê-la falar tudo que sabia do fundo de sua alma. Ficando de pé, apoiou-se na mesa e encarou-a.

– Você... sabe que seu pai estava envolvido nisso tudo, não é?

– ...sim... descobri tudo enquanto ouvi acidentalmente meu pai conversando com alguém pelo den den mushi. Mas como aquilo não era da minha conta e meu pai jamais me perdoaria se intrometesse nisso, ignorei o que fiquei sabendo... – ela sequer movia os olhos.

– Ahhh... – ele mudou de posição, indo para trás dela, apoiando uma das mãos enormes em seu ombro magro e delicado. Apreciou o toque naquela pele quente, clara – não tanto como a dele – e fina.

– Não sei de mais nada...

– Certeza? – ele pegou o rosto dela segurando pelas bochechas e olhou bem em seus olhos, forçando-a em sua hipnose falar tudo envolvendo meu pai.

– ...meu pai é um rico banqueiro... que está em crise... e deve estar procurando um meio de se garantir...

– Certo... bom trabalho! – ele parou de hipnotizá-la deixando quase desacordada na cadeira. Lina tinha a impressão que estava longe dali, quando recobrou a consciência normal.

– ...onde estou?

– Aqui mesmo.

Ela deu um pulo na cadeira, assustando-se. Aos poucos, ela se lembrava daquele homem... e o porquê do interrogatório.

– E... o que mais quer saber de mim?

– Por enquanto, nada.

– Eu... posso ir embora?

– Quem disse que pode ir embora? – ele olhou-a pelo canto dos olhos grandes e vivazes.

– Se... não tenho mais nada a falar... e minha casa?

– Seu casarão será confiscado. E você, permanecerá presa aqui.

– O quê?! – ela se levantou, indignada. Laffitte, sentado, olhou aquela moça avançando para cima dele. O decote frouxo daquela blusa revelava parte de um colo delgado e branco.

– Isso mesmo. E não adianta tentar desobedecer... senão será pior para você.

– Mas vou ficar presa que nem uma criminosa aqui?!

– Não, exatamente. Temos um dos quartos livres que poderá ser seu, daqui em diante... mas, se cometer algum deslize... vai para a cela. Tudo depende de você! – apontou a bengala para ela.

– ...não pode estar acontecendo isso... e não posso ver meu pai?

– Agora não. Mas venha! Vou te indicar onde vai ficar. – ele se levantou, indo na frente dela – Siga-me!

Sem jeito, Lina seguiu o enorme homem sem nenhuma rebeldia. Ele encontrou um dos guardas e lhe passou algumas instruções.

– Vá avisar o seu outro chefe que quero falar com ele. Vou deixar a senhorita presa em um dos quartos dos fundos. Ela não poderá sair, também.

– Quer que eu fique de vigia na porta?

– Depois que avisá-lo que quero lhe dizer da sentença.

– Xerife, os dois homens já foram encaminhados para o hospital...

– Hospital?! – Lina perguntou automaticamente, ao ouvir tal palavra.

Laffitte parou e olhou para ela com ar de reprovação, por ter se intrometido na conversa. Mais uma vez, ela se calou, abaixando a cabeça.

– E o que dizia?

– Que eles já foram para o hospital e que serão encaminhados para a Marinha.

– Certo. Vou prosseguir.

– Sim!

O xerife levou Lina até o tla quarto onde ficaria presa. Um lugar abandonado, meio sujo e sem ventilação de ar.

– Bem diferente do que está acostumada a ver, não? – disse ele, indo abrir as janelas quase caindo aos pedaços, deixando entrar o fresco ar da noite. Por ali, ele viu que já estava tudo em ordem novamente. O fogo na cidade controlado, pessoas andando normalmente pelas ruas. Era a melhor polícia que existia em West Blue, de fato. Tinham os melhores oficiais, a começar por ele. O ruim ali era o excesso de sossego por causa de tal competência.

– ...o que fez com meu pai? – Lina foi direta, ainda receosa em lhe dirigir a palavra com firmeza.

– Seu pai foi interrogado e precisou passar por certa correção, devido à desobediência.

– ...o... que ele fez?

– Ora, não se preocupe... ele está vivo. – ele foi até ela – Logo, poderá vê-lo na base da Marinha, se ela permitir. E mais, sabe o que ele me pediu?

– ...o quê?

– Que poupasse você. E estou fazendo a vontade dele.

– ...

– Não me olha assim... bem, vou deixa-la descansar. Qualquer coisa, bata à porta – terá um ou dois guardas que vão atendê-la. A janela ficará aberta sem nenhuma preocupação, pois você não tem como fugir mesmo. E... qualquer deslize... será considerada culpada junto com seu pai. Durante sua confissão, você foi bem sincera.

– Confissão? – ela não se lembrou de nada do que falou quando hipnotizada.

– Sim, você colaborou bastante. Por isso que estou te dando esse privilégio. Seja sábia em usufruir disso. Até! – ele saiu, fechando a porta.

Lina sentou-se na única cadeira, perto da única mesa daquele quarto. Olhou a cama simples e de forro amarrotado. Viu o luxo virar lixo naquela noite. Preocupada com pai, custou a pegar no sono. E quando pegou, deitou-se sem sequer tirar o forro. Precisava dormir para se acalmar e se concentrar no que faria daqui em diante.