E chegou o dia em que ela poderia pisar fora daquela Chefatura de Polícia. Como prometido, Laffitte saiu do seu expediente ao meio-dia e foi buscar a moça que já estava pronta para ir junto. Antes de saírem ele apenas deixou claro o que queria. Duas coisas: não falasse com nenhum conhecido e que fosse totalmente obediente a ele. Lina concordou.

Teve um começo de tarde agradável, podendo apreciar um pouco da liberdade. Parecia um típico casal, porém eram totalmente discretos e ambos não demonstrariam nenhum sinal que indicasse que eles poderiam ser supostamente amantes. Ele também a deixou comprar algumas roupas novas, pois aquelas estavam desgastadas. Ninguém ousou em aponta-la como a filha de um criminoso traidor, principalmente porque ele estava ali.

Lina sentiu-se tão sozinha, por sequer poder olhar para o lado e reconhecer pessoas, porém sentia-se protegida ao lado do enorme homem, o respeitável Xerife Superior da cidade. Quando voltou para o local de trabalho dele e precisamente para a casa dele, ela sentiu uma vontade enorme de chorar, uma tristeza tão profunda, que só pode extravasar quando ele se retirou e retornou para o trabalho, cumprindo o expediente da tarde. Nunca o viu tão carinhoso e atencioso antes, ao mesmo tempo em que só dava privilégios se ela fizesse o que quisesse. Sentiu-se como uma mascote. Até os animais domesticados tinham mais liberdade que ela. Mas precisava ser forte, era amansando aquela desconfiança dele que poderia finalmente fugir.

Dormiu a tarde toda. Acordou ao escutar o barulho da porta abrindo. Levantou-se, esfregando os olhos. Já tinha acordado com menos fome para o jantar – teve um almoço de qualidade melhor naquele mesmo dia, em um restaurante. Da mesma forma, ele trouxe a janta para ela.

– Quer que eu vá arrumando a mesa?

– Não agora, Lina. Hoje quero fazer uma coisa diferente com você.

– ...uma coisa? – ela perguntou desconfiada.

– Sim. Vejo que está melhor e hoje pode se alimentar de forma mais saudável. Um pouco de luz solar também lhe revigorou a pele.

– E o que é?

– Nada demais. Quero brincar um pouquinho com você. – ele colocou o saco com a janta congelada em cima da mesa e foi até ela olhando-a de um jeito insinuante. Aquilo fez os olhos dela dançarem nas órbitas. Engoliu seco.

– Vai me machucar novamente? Por quê? – ela perguntou, recuando a cada passo que ele avançava.

Ele a pegou nos braços, colocando-a de bruços sobre o ombro esquerdo e a levou para o quarto. Lá, amarrou-a na cama, prendendo-lhe pelos pulsos apenas. Em seu interior, Lina só se preparava para o pior.

– Fica aí... voltarei já.

– Ficaria mesmo que não estivesse presa. Há necessidade me amarrar?

– Calada. – e saiu do quarto.

A moça dos cabelos cor de amora fitou estática para a porta por onde ele saiu. E agora, o que se passava na cabeça dele? Depois de alguns minutos, voltou ele com o prato da comida congelada – que agora estava pronta e cheirosa – e explicou a brincadeirinha que ele queria para aquela noite.

– A cada capricho meu obedecido, eu darei um pouco de sua comida.

Lina sequer tinha tanta fome para sentir-se pronta para qualquer coisa. E parece que ela deveria ceder aos caprichos e as brincadeiras dele, se quisesse ganhar confiança.

– Venha aqui... – ele soltou os pulsos, porém ficou de joelhos ao lado dela na cama, abrindo o zíper e colocando seu enorme e pálido pênis para fora, querendo que ela chupasse. Ela fez uma cara feia e ele não perdeu a oportunidade.

– Vamos... não quer seu jantar? Primeiro, satisfaça minha fome... – ele se referia ao desejo sexual dele – depois, deixarei que satisfaça a sua.

Estava sem saídas. Olhou aquele comprimento fino, porém de espessura grossa e enorme, e achou que seria tão difícil introduzir aquilo na boca. Ele jogou os cabelos curtos dela para trás, podendo ver melhor o rosto dela.

– Vamos, Lina...

Ela pegou aquele órgão meio ereto e abriu timidamente a boca. Ao tocar a glande com a língua, fê-lo gemer longo e baixinho.

– Mova os lábios, apenas... – para ajuda-la, ele moveu só um pouco os quadris, para mostrar o tipo de movimento que queria que Lina fizesse com a boca.

E assim ela fez. Só não conseguia engolir todo praticamente. Laffitte apreciava aquela obediência e também aquela inexperiência. Parou de mover os quadris para deixar somente ela mover sua boca contra o pênis dele. Lina tinha os olhos entreabertos. Observava as leves veias que brotavam do púbis liso dele até o começo do pênis. Ele começou a mexer nos próprios testículos, estimulando-os. Lina tinha uma boca morna, macia, uma língua tão aveludada que rapidamente fez ficar mais duro aquele pedaço de carne, que aparentava uma cor rosada agora.

Vendo que ela ia pegando o jeito, ele forçou seu pênis contra aquela boca levemente úmida, forçando-a a engolir um pouco mais do comprimento. Ela sentiu-se levemente sem ar e foi recuando a cabeça. Aquilo o deixou ainda mais excitado, e repetiu o movimento. Ela repudiava o excesso daquele membro enorme quase passando o comprimento da língua.

– Mais um pouquinho, Lisa... abra mais a boca.

Lisa fazia com a cabeça que não. E ele enfiava mais, segurando a cabeça dela com uma mão.

– Tenta controlar melhor a respiração... quando eu mandar, você para de respirar por um breve momento.

Lisa imaginou-se engolindo o gozo dele e aquilo deu certo nojo. E temia que aquilo a sufocasse. Por que ele não se satisfazia logo? Ela se questionava, enquanto começava a pegar o jeito. Instintivamente, ela começou a usar a língua, roçando-a contra o comprimento. Ele apertou os lábios.

– Isso... quase... está quase, Lina...

Depois de mais uns minutos, ele pediu para ela parar com a respiração. Ela obedeceu ainda medonha do que ele poderia fazer de mais insano. Ele tratou aquela boca como se fosse uma vagina, socando seu pênis contra. Aquilo chegou a fazer cócegas no céu de sua boca, ao mesmo tempo em que uma leve excitação despertou dentro de si. Seu inconsciente se agradava em poder vê-lo sentir prazer. Os movimentos dos músculos do baixo ventre pareciam sensuais. Ela apoiou as mãos nas coxas dele. E ele terminava de gozar dentro. Lina sentiu certa ânsia de vômito e tentou travar sua garganta para não engolir aquilo. Ao vê-lo tirar o pênis de sua boca, Lina tentou cuspir, mas ele a pegou pela garganta e a deu um leve susto nela, fazendo-a engolir aquele líquido não muito volumoso, e com um gosto indecifrável. Não dava pra dizer se era doce ou salgado. Forçada a engolir aquilo, Lina jogou o corpo para trás, buscando fôlego depois de segundos sem respirar.

– Isso... boa menina! Terá direito da metade do seu prato se deixar fazer mais uma coisinha.

"Mais?" Lina arregalou os olhos, olhando para ele. Tiraria o fôlego dela novamente? Partiria para a tortura física? Se fosse, achava que não resistiria naquela noite.

Ele começou a desabotoar a camisa, ao mesmo tempo em que subia na cama com os joelhos. Desnudou-se até as coxas – apenas manteve o macacão descido. Puxou-a pelas pernas, ajeitando-a na cama. Afastou-lhe as pernas, levantou o vestido e desceu a calcinha.

– Gostaria que não usasse mais isto enquanto estivesse aqui. – comentou ele, rodando a calcinha na ponta do dedo indicador.

Laffitte jogou a peça ao lado e ajeitou-se ali, de bruços, de frente a genital dela. Lina sentiu-se incomodada, porém não expressou nenhum desconforto. Ele deslizou apenas o indicador do começo dos poucos pelos pubianos dela até a vagina, passando propositalmente no clitóris. A jovem não pode evitar um leve suspiro. Ele olhou para ela, sorrindo maliciosamente.

– Agora, quero que goze para mim, como fiz para você. – ordenou, pousando os lábios finos dela delicadamente nos grandes lábios.

Lina respirou fundo. Sabia que aqueles toques já a excitavam e ela já tinha ficado levemente "inspirada" ao vê-lo satisfazer-se em sua boca.

– Tem toda a liberdade para se mexer como quiser... não vai atrapalhar! – disse ele, com a voz abafada enquanto deslizava a língua em torno do clitóris.

Tendo a oportunidade de gozar também, ela se entregou em seu prazer, abrindo ainda mais as pernas de pele clara, não tão mais claras que a pele do outro. As mãos deles começaram a deslizar pela barriga dela, até chegar aos seios mimosos e de bico rosado dela. Lina quase revirava os olhos. Não era de todo mal que ele estava torturando ela daquele jeito. Para quem esperava o pior, sentia-se bem aliviada - apesar de quase ter sido sufocada por ele quando ela foi obrigada a satisfazer o sexo dele com a boca e quase a garganta.

– Lina... Lina... – o xerife falava com a boca grudada nela, olhando-a vez em quando para assistir se ela estava se sentindo satisfeita. Ele queria vê-la chegar ao mesmo orgasmo que ele.

Foi mais demorado para ela chegar a total satisfação, depois de ser muito acariciada e chupada até quase dentro da vagina – foi quando ela sentou a sensibilidade maior e conseguiu chegar ao prazer, quase soltando seus pulsos da cabeceira. Laffitte aprofundou a língua dentro da vagina dela, sentindo o gosto levemente doce dali. Parecia água. Ele ficou admirando por alguns segundos toda aquela região genital úmida. Lina parecia que tinha entrado em um transe. Não conseguia concentrar-se no momento. Era como se ela estivesse dopada.

– Lina... minha querida... – ele acariciou a bochecha dela, aproximando os lábios aos dela, que se encontravam entreabertos. Aos poucos, ela voltava a realidade. Trocaram olhares.

– ...satisfiz meu senhor?

– Hmmm... gostei desse tratamento. Sou seu senhor, então? – ele começou a beijá-la seguidamente pelas bochechas até chegar aos lábios com resquícios de sêmen.

– ...hmmm... você me trata como sua escrava sexual...

– Mas eu não a vejo como uma escrava... e sim como uma mulher. Minha e única mulher... – estendeu um longo beijo no pescoço, fazendo-a revirar os olhos com um prazer súbito e instantâneo que correu por todo o corpo, arrepiando-se.

Ele terminou de beijá-la e confortá-la para lhe dar a recompensa merecida: o jantar.

– Quer comer seu jantar agora ou quer tomar um banho antes?

– ...quero comer agora. Pode me soltar para usar o garfo?

– Não precisa! Eu te dou de comer. – ele foi até o prato dela e pegou juntamente com o garfo.

– ...eu sei me alimentar, não se preocupe.

– Eu sei... mas não quero que se esforce muito... não agora...

Ele enfiou o garfo no pedaço de carne vermelha e suculenta e ofereceu para comer. Ela olhou para ele e para o pedaço de carne aleatoriamente.

– Vamos... abra a boca... mais uma vez.

Por fim, acabou se convencendo. Deixou ser alimentada por ele com se fosse um bebê aprendendo a comer. A comida que degustava parecia ter o sabor mais definido, diferente do que esperava depois de ter engolido aquele sêmen à força. Ou era a fome, ou a comida parecia até mais saborosa. Poderia devorar dois pratos daquele.

– Parece faminta, mesmo... – comentou ele, observando sua dócil prisioneira ser cuidada por ele, mesmo tendo os pulsos presos a cabeceira da cama – durante uma semana, deixarei com os pulsos amarrados. Quero ver até onde vai a confiança que posso ter em você. Seja dócil e paciente... e será mais que minha prisioneira... como já disse antes... minha mulher.

Lina ouvia calada. E com os pulsos amarrados (agora, fora da cabeceira), ela estava dependente dele para muitas coisas. Sairia para trabalhar e deixaria a sua amada prisioneira assim. Ele ainda suspeitava daquela calma toda...

...

Naquela semana tinham sido dispensados seus planos de fuga. Ela sentia que ganhava a confiança de Laffitte – ela tinha essa impressão – e queria manter isso. Talvez, aquela prova de confiança fosse a total vitória dela, por isso seguia calada, obediente aos caprichos dele. Eram horríveis e curiosas ao mesmo tempo as experiências loucas que ele lhe apresentou nesse tempo todo. E ele sempre voltava do expediente concluído com um agrado. Num dia, trouxe sobremesas suculentas e as deu na boca. Colocava-a cama e espalhava pedaços das sobremesas, e degustava apenas com a boca, aproveitando para lambê-la e mordiscá-la eroticamente. E fazia o mesmo em seu corpo, querendo que ela comesse diretamente com a boca, degustando um pouco dele também. Eram experiências loucas, jamais imaginadas em sua vida. E terminaram aquele banquete deles com um incrível sexo. Podia ser tudo obrigado por ele, mas tinha sido uma noite cheia de fantasias loucas e prazerosas.

Também teve um dia daquela semana em que passou com os pulsos amarrados em que ambos fizeram sexo com a participação de uma boa garrafa de champanhe. Ele espalhou o líquido alcoólico pelo corpo dela, degustando ambos com os lábios que chupavam aquela pele macia e molhada. Laffite ousou em suas fantasias criativas, banhando o próprio pênis na bebida e dando para ela chupar e sugar o órgão fálico úmido do líquido. Ele também teve a ousadia de colocar um pouco de champanhe dentro da vagina dela e beber dali mesmo. Ela achou aquilo estranho, mas gozou com aquilo – facilitando a saída do champanhe pela própria vagina. E ele se deleitava com aquilo, bebendo e colocando-a para beber. Terminaram aquele resto de noite embriagados e sexualmente satisfeitos.

Ela sabia que deveria logo fugir de tudo aquilo. Podia ser estranhamente prazeroso, mas era insano. Deveria sair dali logo antes que ele partisse para o sadismo em machuca-la. Por enquanto, tudo eram "flores".

Passada a semana dos pulsos amarrados, Lina pode ter a liberdade deles na semana seguinte.

– Meus parabéns! Vejo que é uma perfeita parceira nas nossas brincadeiras! – disse ele, puxando-a no colo e beijando-lhe a nuca.

– ...eu tinha outra saída?

– Mas você gostou... e gozou comigo em todas as nossas vezes! – comentou enquanto começava a apertar os seios dela de forma possessiva com apenas uma única mão.

– Não dava para resistir tantas coisas... assim... – ela respirou fundo.

– Inovadoras?

– Sim... sim, é isso!

Ele pegou no queixo dela e fê-la virar o rosto para si. Olhou bem naqueles olhos púrpuras.

– Você é uma beleza exótica... não dá para imaginar que vinha daquele homem tão feio!

Lina olhou para ele seriamente.

– Provavelmente sua mãe deveria ser muito bela... para vir algo tão esplêndido assim. – terminou de falar dando um cheiro do pescoço, fazendo-a inclinar um pouco a cabeça para o lado – sua mãe era assim, tão bela?

– Não sei. Não me lembro dela.

– Oh... mas tenho certeza que deveria ser tão linda como você.

Lina não havia mentido. Era ainda um bebê quando a mãe morreu e o pai nada falava acerca da esposa. Mas realmente, Lina era mais parecida com a mãe. Principalmente na cor dos cabelos e dos olhos.

– Laffitte... já que não sou tão sua escrava e sou praticamente sua mulher... poderia me conceder um capricho também?

– Bem... se eu puder conceder... do que se trata?

– ...quero voltar a ver a rua novamente.

Laffitte olhou-a, querendo encontrar suspeitas atitudes nela, mas nada encontrava. Ela falava naturalmente.

– Pode ser amanhã mesmo.

– Ah... obrigada! – ela o abraçou. Achou tão agradável abraçá-lo... embora lutasse para não cair naquela tentação.

Ele em nada demonstrou sua desconfiança. Apesar de vê-la tão submissa, qualquer coisa lhe dizia que ela estaria tramando algo. Ambos tinham suas incertezas e desconfianças que eram guardadas para si, naquela relação imposta e... amorosa.