O dia seguinte seria o dia decisivo para Lina. Só de imaginar seu plano de fuga finalmente sendo colocado em ação, as suas mãos começavam a tremer e ela mal conseguia sentir o chão sob seus pés. Era louca aquela ideia, mas sentia que conseguiria fugir de um jeito que ele jamais a encontraria.

No mesmo horário de sempre – no almoço – ele passou em sua casa atrás do local de trabalho para busca-la.

– Está radiante... – disse ele, vendo-a reagir abaixando os olhos como se estivesse encabulada.

– ...não sei como.

– Está se acostumando bem. Vendo-a tão obediente, quem sabe se poderei deixa-la transitar por aí livre e solta de mim?

– ...nada mais me interessa lá fora.

– É mesmo? – ele acariciou o rosto dela gentilmente.

– ...por enquanto, não. O que me resta é viver pacificamente... aqui.

– Comigo. – ele deu o braço a ela – e então, vamos comer lá fora?

– Vamos! – ela deu o braço a ele.

No mesmo restaurante em que estavam, Lina observava tudo calmamente, sempre próxima. Almoçaram normalmente, entre conversas e risos. No fundo, Laffitte sempre desconfiava dela quando estava mais mansa. Alguns meses se passaram desde que ela passou a ficar com ele à força. E ela realmente mostrava submissão e parecia até gostar de viver como amante dele. Mas tudo... ainda lhe cheirava mal. Sem provas, nada poderia lhe dizer que ela estava tramando.

– Será que podemos olhar a cozinha ao vivo daqui?

Essa cozinha ao vivo que Lina se referia era ao grande espaço em frente a todos onde os cozinheiros preparavam a comida, em vez de dentro de uma cozinha fechada. E os cozinheiros faziam malabarismos com a comida e até com o fogo, atraindo a atenção dos clientes.

– Claro, Lina. E se quiser mais algo...

– Não, estou satisfeita... só... queria ver melhor a apresentação deles. Vem comigo?

– Lógico. – disse ele, ajeitando a cartola.

Foram até o lugar exposto, onde muitas pessoas ficavam por aí os assistindo. Ela viu os galões de gás que serviam para cozinhar a comida perto dos fogões e propositalmente, abriu-os. Uma atitude quase suicida, já que os cozinheiros brincavam com o fogo ali, literalmente. De repente, um forte cheiro de gás invadiu aquela área. Lina procurava prender a respiração o máximo que podia para não se intoxicar com o cheiro.

– Mas que cheiro de gás é esse? – muitos perguntavam ali, colocando as mãos no nariz.

– Não é melhor irmos embora? – perguntou Lina para Laffitte.

– ...está com medo de quê? – ele perguntou com tom de desconfiança na voz.

– Sei lá... desse cheiro...

– Não há com o que se preocupar, eles sabem como lidar com isso...

Sequer terminou de falar e houve uma explosão pequena que causou fogo em todas as bancadas. Lina agarrou-se na perna do enorme homem, que colocou sua mão sobre a cabeça dela. Ela simulava confiança nele, apenas. Na oportunidade que ele a deixasse mais solta, correria dali.

– Fica calma... já vamos sair daqui.

Uma correria começou dentro do restaurante, com aquele fogo todo. Foi então que Lina, vendo Laffitte se distrair ao ver uma enorme labareda de fogo perto dele, soltou-se da perna dele. Ao se desviar da labareda, ele quis puxar Lina e... cadê a Lina?

A garota dos cabelos de cor roxo-avermelhada correu por entre a multidão até encontrar a saída.

– Lina! – gritou Laffitte, correndo pelo local. Um homem parou-o no caminho pedindo socorro.

– Faça alguma coisa, xerife! Tem pessoas sendo incendiadas aqui!

– Solta-me! – ele jogou o tal homem par ao lado – vai chamar a ambulância, não a polícia!

Ele jogava tudo o que via em sua frente em busca dela. Sim... a vontade de ir logo embora quando começou aquele cheiro... ele viu dois homens tentando fechas as válvulas de gás. Foi ela quem mexeu naquilo. O xerife teve essa percepção e chegou à conclusão que esperava: ela aproveitou aquilo para fugir dali.

– Sua esperta... mas não terá liberdade aqui nessa cidade! – resmungou ele, indo até a saída. Muitos gritavam por ambulância ali, outros o cercavam achando que ele era o herói que salvariam aquela gente. Isso só o irritava. Enquanto não encontrasse Lina, não sossegaria.

Enquanto isso, Lina corria que nem desesperada pelos becos que ela sequer conhecia. Era uma cidade portuária, o porto era ali perto da Chefatura de Polícia e ela poderia se infiltrar em um navio sequer e fugir. Mas e se ele quisesse procura-la por lá? E mal ela imaginava que ele havia tido essa ideia, digirindo-se para o porto principal antes dela chegar.

Desde aquela confusão em sua antiga mansão e quando foi levada por Laffitte para a Chefatura de Polícia, Lina se via em uma escuridão tão profunda. Conheceu o mais insano sadismo e o mais atraente paixão, mas jamais se levaria pelas curiosidades e ilusões de sua juventude. Assustada e amedrontada com a fuga, ela tinha a esperança nessa fuga, tendo a certeza de que se livraria desse homem que a mantinha como refém pessoal. Entretanto, algo lhe deixava perturbada perante aquela situação. Estava cansada e com sede, queria se sentar ou beber alguma coisa, mas não podia. Foi uma corrida em busca de sua liberdade. Mal havia almoçado e sentia a comida embrulhar um pouco em seu estômago. A insegurança lhe punha nervosa e ela sabia que o nervoso seria seu pior inimigo naquela missão, mais até que Laffitte.

Vendo o porto um pouco distante, Lina encostou-se à parede de uma das casas, pegando o fôlego que precisava. Olhando para os lados, encontrou as ruas calmas como sempre. De longe, o barulho da ambulância.

– Perdoem-me... se alguém inocente sair ferido... ou morto. – disse ela para si mesma.

Depois de alguns minutos, se dirigiu ao porto que funcionava normalmente. Tinha poucas pessoas por ali. Muitos caixotes vindos e prontos para entrarem em embarcações. Olhou em volta, verificando algum sinal do Laffitte por perto. Entrou em um dos grandes galpões. O que havia entrado estava cheio de homens carregando caixotes de um lado para o outro. Deparou-se com uma escada que dava acesso ao andar de baixo.

– Com licença... a senhora está perdida? – um idoso de cabelos brancos e corcunda apareceu diante dela, fazendo-a levar um breve susto.

– Eu... procuro algo que perdi por aqui...

– Parece cansada... quer um pouquinho de água?

– Bem... sim, gostaria. – concordou para não levantar suspeitas. Ele parecia que trabalhava ali e precisava ganhar confiança antes que fosse expulsa.

O tal senhor idoso trouxe água para ela. Lina cheirou e verificou a água na frente dele, que riu.

– Fica calma... não sou desses que cometeriam uma atitude tão covarde com uma garota tão bela como você.

– Bem... é que estou nervosa.

– Nervosa? Do quê? Se eu puder ajudar a procurar o que perdeu...

– Bem... na verdade... se eu contar a verdade não me expulsará?

– Hmm... do que se trata, então?

– Fujo do meu raptor! – ela começou a falar com a voz tremida.

– Raptor? Ora... deveria ir para a Chefatura de Polícia da cidade! Lá você pode encontrar a segurança que precisa e...

– Meu raptor está lá...

– É mesmo? – o velho arqueou uma das sobrancelhas finas e bem ralas.

– Sim... por favor! – ela ajoelhou-se e colocou o copo d'água no chão – esconda-me desse xerife!

– Xerife? ...ora... então quer me dizer que... o xerife da cidade é seu raptor?

– Sim... um xerife demoníaco! – disse Lina, aos choros.

– Isso é uma acusação muito séria! – comentou o idoso, tossindo – bom, se quiser fica aqui... mas não poderá dormir aqui à noite.

– Mantenha-me escondida, por favor! Prometo ficar quietinha aqui...

E algo imprevisto aconteceu: um grupo de homens se juntou em torno dos dois.

– É essa... a filha daquele corrupto!

– Vamos leva-la para as autoridades!

– É uma fugitiva!

Lina quase perdeu os sentidos. Empurraram o idoso que gritou de dor ao cair no chão e agarraram a jovem, levando-a para onde ela jamais queria voltar. A moça se se contorcia nos braços fortes que a imobilizaram e, mesmo lutando para se soltar, seu corpo só ficava cada vez mais mole. Com a recompensa imposta por Laffitte urgentemente, todos saíram à procura de Lina, que chegou ao local onde estava confinada sob vaias, humilhações e algumas pedras atiradas em si. Uma dela havia pego a cabeça dela, deixando-a zonza e inconsciente aos poucos.

– Parem de atirar pedras! Ela deve chegar viva até o xerife! – gritou um dos homens que a arrastaram até lá.

...

Abrindo os olhos aos poucos, Lina recobrava a consciência. A cabeça lhe doía e o estômago parecia que embrulhava. Não deveria ter comido tão bem naquele restaurante. Porém, com a certeza que passaria muitas horas perdida pelas ruas, resolveu comer muito bem antes. Estava amarrada novamente, com os pulsos suspensos no alto, mas dessa vez estava encostada à parede e com os pés ao alcance do chão. De repente, uma súbita vontade de vomitar veio até sua boca, não podendo evitar aquele desconforto. O barulho da porta daquela cela se abriu e isso só a deixou mais tensa e trêmula. Ouviu passos de alguém se aproximando e logo pode adivinhar quem era. A única luz vinha do lado de fora da porta, que ficava de frente para a lado em que Lina se encontrava amarrada e a impedia de enxergar detalhadamente as coisas, principalmente o rosto do homem que se aproximava. Mas ela conhecia bem aquela energia sinistra vindo do ser que se aproximava.

– Parece que a minha bonequinha foi desobediente... muito desobediente. – Laffitte sacudia a cabeça negativamente, pondo-se ajoelhado ao lado dela com apenas um dos joelhos. Lina nada respondeu – Estávamos nos dando tão bem, Lina... por um momento, achei que poderia confiar em você... – ele deslizou a ponta da bengala no rosto dela e olhou para o vômito dela com um pouco de careta, mas não sentia nojo de nada daquilo – ...vejo que o almoço não lhe caiu bem...

Ele se levantou e acendeu a luz do ambiente. Branca, pálida e triste. Lina se encontrava abatida.

– Diga-me... foi você quem provocou aquele incêndio, não?

– ...foi. – ela confessou seriamente a verdade.

– Ohhh... não imaginava que fosse capaz de quase matar toda aquela gente... para simplesmente fugir e se livrar de mim. Isso foi um crime, sabia?

– Fiz para me livrar de um demônio como você... que me mantinha em cativeiro.

– Ahh... então eu sou um demônio, não é?

– ...sabe que sim.

– Mas eu cuidava de você! – calmamente, ele fazia uma dramatização barata e cínica – Mas você não foi tão sincera comigo!

Ele foi até ela e soltou os pulsos, mas puxou-a pelos cabelos e levou-a para outra sala.

– Vamos para a outra cela mais limpinha... enquanto vou mandar uns guardas a limparem essa.

Na outra cela, ele a jogou no chão com certa brutalidade. Lina levou a mão até a parte da cabeça machucada. Tinha um pano envolto nela.

– Se não tivesse fugido de mim, jamais seria linchada pelo povo lá fora... afinal... eles se lembram do seu pai... e agora te veem como criminosa por incendiar um restaurante e ter saído do meu controle brevemente. E isso só fez voltar a desconfiar de suas ações.

– ...mata-me... por favor... – ela pediu.

– Matá-la? Não... não há necessidade disso. Mas castiga-la... isso terei que fazer... como uma criminosa que é... – ele disse em um tom que a fez arrepiar de medo.

Lágrimas inundaram os olhos lilás da jovem, que começou a chorar na frente de seu raptor. Laffitte caminhou até à porta, parando e virando-se para ela.

– Deixarei que se recupere mais um pouco... para começar os castigos.

O homem de cartola e bengala pendurada no antebraço fechou a porta atrás de si. Fechando os olhos úmidos, Lina desejava que aquilo não estivesse acontecendo de verdade. Ela não tinha ideia de quanto tempo estava aqui. E agora, precisaria juntar forças para suportar o que de pior viria dele. Com isso, um pouco de sono a fez adormecer ali no chão, do jeito que estava.

Horas depois, é acordada com o barulho da porta batendo. Laffitte aproximou-se da criatura, que acorda sonolenta e que não consegue se mover direito. Agachou-se, viu o pulso dela. Estava com febre.

– Péssima hora para ficar assim, Lina... porque terei que castiga-la do jeito que estiver.

Ela nada respondeu, apenas olhava para ele. Dessa vez, sem uma gota de lágrima.

– Deixei todos saírem após o fim do expediente... para que possamos nos divertir em paz. – disse ele, pegando-a no colo. Lina fechou os olhos, apenas. Ele a levou para o banheiro dos presidiários – sempre vazio por falta de criminosos naquela cidade. Em um dos chuveiros, ele começou a despi-la para coloca-la em baixo da água fria. Lina levou um susto com o baque, até mesmo porque estava febril, e começou a tremer. Deixando-a completamente nua, ele pôs a limpar com cuidado o corpo dela. Ela mal tinha força para ficar de pé e tentar lutar contra ele em algum momento ali seria totalmente inútil. O jeito era se entregar e suportar tudo que ele faria com ela. Do constrangimento até as agressões. O que ele fosse fazer.

– Admirei sua sagacidade em fugir daquela forma... deixou-me até excitado, sabia? – ele comentou, enquanto Ele me esfregava com certa delicadeza a pele dela com uma esponja. Quando ele passou a esponja entre as pernas dela, ela fechou os olhos. Incrivelmente, sentia uma estranha onda de prazer em ser tocada por ele daquele jeito. Ela sequer acreditava que isso estava acontecendo, era humilhante demais para si. Quando ele terminou, desligou o chuveiro e levou-a de volta para a cela, colocando-a presa suspensa pelos pulsos, do mesmo jeito que havia deixado na vez em que teve o corpo violado por ele pela primeira vez.

– Você não me deu uma alternativa melhor... juro que não queria vê-la passar por isso novamente... – disse ele cinicamente, lambendo os lábios com certa luxúria ao ver aquele corpo feminino e belo exposto para seu bel-prazer.

Lina não estava hipnotizada, mas parecia estar inconsciente. A verdade era que ela estava bem ciente de tudo que passava, apenas aceitava calada e frágil aos caprichos daquele homem.

...

Havia voltado a se encontrar em sua sádica diversão. Talvez deveria agradecer a Lina por ter dado uma razão perfeita para aquilo. Naquela noite, ele se divertiu chicoteando-a eroticamente – principalmente nas áreas de pudor de seu corpo – até chegar ao clímax e descontar naquele corpo seu prazer sexual originário daqueles atos.

Foram mais de vinte chicotadas bem distribuídas por todo o corpo dela. Terminou quando ela parou de gemer de dor e ficar um pouco inconsciente.
Nos riscos rosados e com filetes de sangue, ele deslizava a língua enquanto desabotoava a blusa e a tirava.
Passando as mãos pelas marcas do chicote, beijava cada centímetro daquela pele machucada, desde os bicos dos seios até o umbigo. Lina abriu os olhos aos poucos, vendo a imagem daquele homem "aliviando" as chicotadas com carícias, lambidas e até beijos. Fechou os olhos novamente. Deixava-se levar pelos sentimentos que a domavam ali mesmo, desde a dor até o prazer.

Uma outra atividade fez Laffitte soltar seus pulsos e, pegando-a no colo, coloca-a de bruços na numa mesa fria de metal que havia ali
Prendeu suas mãos e pés.

– Vamos terminar a nossa brincadeirinha de hoje...

Afastou bem as pernas dela e entrou sem nenhuma gentileza, fazendo-a gritar. E encravava-se com força, fazendo-a até chorar. Ele gemia que nem um louco, enquanto tirava as calças e se desnudava por completo, sem parar de meter dentro daquela vagina tão úmida e apertada.

– Ah... mata-me... por... favor... – Lina implorava com a voz fraca e soluçando.

– Você gosta... está tão molhada... e ainda geme baixinho... – disse ao pé do ouvido dela, enquanto enfiava todo seu enorme pênis dentro dela em estocadas que dava de três em três segundos.

E o pervertido xerife continuou assim até gozar totalmente, arrancando até sangue dela. O corpo dela tremia, estava toda arrepiada. Ele tirou-a da mesa e jogou-a no chão. Ofegante, ele se pôs sentado ao lado dela e puxou-a pelos cabelos, obrigando-a a lhe beijar brutalmente na boca. Após isso, levantou-se e foi colher suas roupas.

– Amanhã continuaremos nossas brincadeiras... descansa bem nesse tempo livre! Até! – despediu-se tranquilamente, indo se vestir e sair dali. Sozinha, nua e maculada naquelas feridas todas, Lina apenas se virou de barriga para cima, respirando fundo. Deslizou as mãos pelas marcas ainda abertas das chicotadas. Parece que seu inconsciente ainda brincaria com ela naquele estado. Lina levou as mãos até seu sexo levemente inchado e começou a estimular-se ali, cada vez mais intensamente. Ela precisava de prazer para suportar tudo que havia passado, ela sentia isso. Concentrou-se em cada dor que sentia e friccionava-se ainda mais com força seu clitóris e a região em volta. E por mais que ali estivesse dolorida, ainda conseguiu gozar intensamente, aliviando-se. As dores agora pareciam menores. Decidiu fazer isso depois que ele fosse embora após tortura-la sexualmente. Foi assim nos dois primeiros dias em que foi presa por ele naquele mesma cela maligna.

O jeito era aceitar uma vida injusta nas mãos daquele homem, sem chances de salvação. Lina viu-se perdida em todos os sentidos, até na insanidade e desejo daquele xerife demoníaco.